sábado, 27 de julho de 2019

Dogs In Trees anunciam novo disco, Echo


A banda polaca Dogs In Trees regressa este ano às edições de estúdio com o segundo LP de carreira, Echo que chega às prateleiras já no próximo mês e quatro anos após a edição de pióra mew (2015). Echo é o primeiro trabalho da banda a apresentar letras em inglês (além das tradicionais polacas) e explora as atmosferas sonoras da coldwave, gothic rock, darkwave e post-punk sem nunca se perder no ritmo e quebrar o desenvolvimento. 

Juntamente com o anúncio deste novo trabalho a banda também divulgou o primeiro tema de avanço, "As I Burn", que agradará certamente fãs de nomes como And Also The Trees e pode escutar-se na íntegra, abaixo.


Echo tem data de lançamento prevista para 16 de agosto em formato CD e digital pelos selos Icy Cold Records e Alchera Visions. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Echo Tracklist:

01. As I Burn 
02. Szukam 
03. Cigarettes From Failures 
04. Krwi 
05. Twarze 
06. Będę 
07. Episkopat Brudu 
08. Zamarza 
09. Adore None 
10. Sands And Oceans

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STREAM: Body of Light - Time To Kill


Body of Light, o projeto de synth-pop liderado pelos irmãos Andrew e Alexander Jarson, regressou este ano às edições de estúdio com Time To Kill, disco que chega às prateleiras dois anos após Somali Extract - "Pareidolia" (2017) num álbum que se foca em histórias de amor e obsessão numa era de escravidão técnica e exultação fugaz. Conhecidos por produzirem música à volta das experiências partilhadas entre si (e não individuais), os Body of Light voltam a desenhar um disco tingido das tonalidades da coldwave com o brilho dos sintetizadores à mistura. Um apelo à existência.

Produzido por Matia Simovich nos Infinite Power Studios em Los Angeles e masterizado por Josh Bonati, de Time To Kill já tinha anteriormente sido divulgados o tema homónimo "Time To Kill". Além deste recomenda-se ainda a audição de "Don't Pretend", "Fear", "Violent Days" e ainda "Stormy". O disco pode ouvir-se na íntegra, abaixo.

Time To Kill foi editado esta sexta-feira (26 de julho) nos formatos vinil e CD pelo selo Dais Records. Podem comprar o disco aqui.


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Carla dal Forno com novo disco em outubro


Carla dal Forno regressa este ano às edições com aquele que vem a ser o seu segundo disco longa-duração de carreira, Look Up Sharp. O novo trabalho chega três anos após You Know What It's Like (2016) e inclui uma música presente no último lançamento da compositora, o EP So Much Better (2019) que chegou às prateleiras em abril em antevisão deste novo registo. Depois de se ter movido para a confusão de Londres, os sonhos e a inércia que preocuparam o primeiro disco de Carla dal Forno dissolveram-se no caos da capital inglesa e deram origem a este novo trabalho.

Look Up Sharp é a história desta vida em constante mudança, da ânsia por intimidade, da perda de tempo ao abraçar o desconhecido. Pintado dentro das sonoridades do próprio território, entre a pop melancólica, o folk, o post-punk e o trip-hop, Carla dal Forno volta a construir um álbum essencialmente melancólico e melódico. Do novo disco já foram reveladas as faixas "So Much Better" e "Took a Long Time" (com direito a vídeo aqui) que podem escutar-se abaixo. 


Look Up Sharp tem data de lançamento previsto para 4 de outubro. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Look Up Sharp Tracklist:

01. No Trace 
02. Hype Sleep 
03. So Much Better 
04. Leaving For Japan 
05. I'm Conscious 
06. Don't Follow Me 
07. Heart of Hearts 
08. Took a Long Time 
09. Creep Out of Bed 
10. Push On

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Black Marble lança novo disco em outubro pela Sacred Bones



Depois da relação com os selos Ghostly e Hardly Art e do bastante aclamado disco It's Immaterial (2016) o compositor Black Marble está de regresso às edições com Bigger Than Life, o seu primeiro na conceituada casa Sacred Bones Records. Como já é habitué, Stewart produziu e tocou todos os elementos presentes neste novo disco com recurso a equipamentos totalmente analógicos, mas num diferente processo de composição que utilizou o computador apenas para gravar e não para criar sons. Relativamente a este novo disco Chris Stewart afirma em press-release:
"The album comes out of seeing and experiencing a lot of turmoil but wanting to create something positive out of it (...) I wanted to take a less selfish approach on this record. Maybe I’m just getting older, but that approach starts to feel a little self-indulgent. (...) So with this record, it’s less about how I see things and more about the way things just are. Seeing myself as a part of a lineage of people trying to do a little something instead of trying to create a platform for myself individually".

Deste novo Bigger Than Life foi esta semana divulgado o primeiro tema de avanço "One Eye Open" que se encontra disponível para escuta abaixo juntamente com um trabalho audiovisual.


Bigger Than Life tem data de lançamento prevista para 25 de outubro em formato CD e vinil pelo selo Sacred Bones Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.


Bigger Than Life Tracklist:

01. Never Tell 
02. One Eye Open 
03. Daily Driver 
04. Feels 
05. The Usual 
06. Grey Eyeliner 
07. Bigger Than Life 
08. Private Show 
09. Shoulder 
10. Hit Show 
11. Call

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STREAM: Feu Follet - Le Champ Des Morts


Feu Follet é o novo projeto a solo do francês Alban Blaising que surge com a finalidade de misturar as influências do território da new-wave com as do setor indie. Como resultado surge agora o primeiro trabalho longa-duração Le Champ Des Morts, cujo título foi inspirado nos filmes "The Killing Field" (1984) e "Živi i mrtvi" (2007). Contudo, neste LP de estreia são os títulos das músicas individuais que realmente nos dizem algo sobre o vínculo de Feu Follet - temas inspirados pelo folclore rural e misterioso da histórica Lorraine (de onde Alban Blaising é natural) com nomes de lugares locais, criaturas lendárias de crenças populares regionais, velhos provérbios e expressões populares da linguagem dessa região. Há, inclusive, um lugar numa floresta em Lorraine que foi nomeado "Le Champ Des Morts", após uma batalha sangrenta em 1085.

As dez músicas do disco são essencialmente compostas por sintetizadores analógicos e guitarras, sendo que se destacam às primeiras audições temas como "Le Sotré", "La Queue Du Loup", "La Roche Du Sabbat" e "Rupt". Podem ouvir o disco na íntegra, abaixo.

Le Champ des Morts foi editado esta sexta-feira (20 de julho) em formato CD e cassete pelo selo Blackjack Illuminist Records. Podem comprar a vossa edição aqui.

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STREAM: Phantoms vs Fire - My Mind As Your Amusement Park


Depois de ter lançado no passado mês de março WLDLFE o multi-instrumentista brasileiro Thiago C. Desant regressa agora aos trabalhos longa duração com My Mind As Your Amusement Park, o novo disco sob o alter ego Phantoms vs Fire. Em nova edição e, num conjunto de 10 temas novos, Phantoms vs Fire convida-nos a viajar por entre os seus sintetizadores multifacetados que englobam desde as paisagens calmas da música eletrónica atmosférica aos ambientes sinistros da dark ambient. Sem nunca esquecer o espaço que abrange ainda estilísticas próximas ao drone e synthwave ligeira, Thiago C. Desant traz à tona um disco que consegue ser completamente divergente de WLDLFE e muito mais cativante em termos de criação artística.

De My Mind As Your Amusement Park recomendam-se vivamente a audição de temas como "Arrival" - um dos grandes temas do disco, com sintetizadores incisivos e retro futuristas; "As The Ashes Touch My Skin" - a convidar o ouvinte a atingir um estado de calma plena; o homónimo e altamente explorativo "My Mind As Your Amusement Park" e ainda o poderoso tema de encerramento com recurso a voz, "Believe In The Fire" (The Chanting). Um disco bastante interessante a descobrir na íntegra, abaixo.

My Mind As Your Amusement Park foi editado esta sexta-feira (26 de julho) em formato CD e cassete pelo selo Blackjack Illuminist Records. Podem comprar a vossa versão física aqui.


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Oiçam: Førest Fires


Førest Fires é o novo projeto criativo de Pedro Barceló - um nome que se tem destacado no panorama musical underground em Portugal essencialmente pelo seu papel como guitarrista na banda de sludge/doom metal de Lisboa, Löbo e ainda como engenheiro de som. Num caminho fomentado desde cedo nos mais divergentes ramos da produção musical, Pedro Barceló identificaria mais tarde a necessidade de esculpir elementos e efeitos sonoros que funcionassem dentro do contexto de filme e/ou publicidade. Para responder ao problema criou Førest Fires e um conceito musical que é capaz de vos intrigar às primeiras audições.

Os problemas climáticos posicionam-se cada vez mais no epicentro de potenciais ameaçadores à sobrevivência e Pedro Barceló percebeu que conseguiria intercalar estas questões ambientais entre as unidades eletrónicas que tecem os primeiros dois EP's do produtor, I e II. Focado neste fenómeno e nas suas consequências para o meio ambiente, Førest Fires emerge para aludir a este flagelo em forma de som e, pontualmente, vídeo (como é o caso do tema "Climate Change" que tem direito a um trabalho audiovisual disponível aqui).

Neste âmbito surgem então os primeiros EP's do produtor lançados em maio passado. Assim, em I - disco que de uma forma geral aborda as causas da mudança climática - Førest Fires inclui uma experiência sonora que compreende os emaranhados e crescendos da música eletrónica num som ambiente profundamente denso e imune de voz. Com recurso a uma comunicação tão simples como o título das canções e um desenvolvimento, tipicamente lento com algumas mudanças de rotina é em temas como "Wildfires", "Climate Changes" ou "Strog Winds" (o vento mais poderoso deste primeiro EP) que Førest Fires nos começa por cativar a entrar nesta viagem bastante hipnótica.


Como nem só de causas se faz um fenómeno climático, Førest Fires não deixa, portanto, inertes as consequências nefastas que advêm deste problema ambiental. Numa segunda visão com II, o produtor sediado em Lisboa inflama a emergência de uma mudança, não de atitude mas de comportamento. Temas como "Radiation" - um atentado de monotonia industrial e sinistra - "Air Quality" - a incutir a dificuldade na respiração de um oxigénio puro - ou o tema de encerramento "Ozone Depletion" - a sintetizar o efeito das tempestades e a destruição do nosso escudo protetor - mostram o incrível potencial imagético da eletrónica confrontativa de Førest Fires.


Ambas as edições estão disponíveis em formato digital na plataforma Bandcamp do artista. Podem comprá-las aqui e já sabem, podendo é ouvir.

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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Vessel e Damien Dubrovnik na próxima edição do Les Siestes Électroniques


De 30 de agosto a 1 de setembro, sempre ao final da tarde, o relvado dos jardins da Casa das Artes Bissaya Barreto, em Coimbra, volta a receber o Les Siestes Eléctroniques, evento originalmente realizado em França que tem vindo a ramificar-se um pouco por todo o mundo.   Depois de uma primeira edição em território português em 2018, com Varg, M.E.S.H., Kate NV e DJ Nigga Fox a musicar três dias de música eletrónica, o evento regressa para mais uma edição sem fronteiras onde o lúdico convive com as tessituras mais abstratas e industriais da música de dança. 

O primeiro destaque deste ano vai para a dupla dinamarquesa Damien Dubrovnik (na foto), composta por Loke Rhabek (Croatian Amor, Body Sculptures) e Christian Stadsgaard (Vanity Productions, Empire Line), que juntos fundaram a essencial editora Posh Isolation. Foi por aqui que, aliás, editaram o seu primeiro lançamento, em 2009, contando desde então seis discos de longa-duração. Great Many Arrows, o mais recente, alterna entre as melodias acústicas do órgão e do violoncelo e os limites da música eletrónica, tão cáustica quanto poética e apaixonante.   


Serge Gainsborough, que se dá pelo nome artístico de Vessel, é outro dos nomes que figuram no cartaz desta edição. Nome da linha da frente de uma nova geração de músicos e produtores, o natural de Bristol regressa ao país onde atuou pela última vez em março, aquando da primeira edição do festival ID_NO Limits, onde apresentou o excelente e mais recente disco Queen of Golden Dogs, de 2018. O disco, que voltou a receber o selo da Tri Angle Records, é uma das mais entusiasmantes ofertas no que à exploração pós-industrial diz respeito, expressando a quintessência de Gainsborough enquanto artesão sonoro.  

A juntar-se ao britânico, que atua no último dia do festival, está o norte-americano Joshua Abrams. Voz fulcral na fermentação da música exploratória de Chicago da década de 90, participou ativamente na cena jazz, rock e experimental que então atravessava a cidade, fundando o quarteto minimalista Town & Country e o trio Sticks & Stones, que ladeava com Matana Roberts e Chad Taylor. Teceu ainda colaborações com Bonnie ‘Prince’ Billy, Hamid Drake ou The Roots. As suas formações manifestam um conjunto variável de músicos de diversas estéticas, apresentando-se enquanto Natural Information Society, grupo que o acompanha neste regresso a Portugal.  

A música não se fica por aqui, com o francês D.K., os belgas Front De Cadeaux, a histórica DJ francesa AZF e os portugueses Live Low (de Pedro Augusto), Gonzo e A Boy Named Sue a consumar mais um serão que volta a receber entrada livre.


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Carga Aérea apresenta Transumância no Passos Manuel



Carga Aérea é Francisco Marujo, músico e compositor português que acaba de editar o seu primeiro disco de longa-duração. Lançado pela editora e promotora lisboeta Nariz Entupido em maio último, Transumância, assim se chama o disco, dá continuidade à constante procura de Marujo pelos sons que inspiram o seu quotidiano, dando sucessão ao EP de estreia Ocorrência em Aberto, obra lançada em 2017 pela Rotten \ Fresh que cicatriza os trágicos incêndios florestais que devastaram Portugal nesse mesmo ano. Depois de participar na edição celebrativa dos 20 anos da Red Bull Music Academy, Carga Aérea ruma finalmente ao norte para a primeira atuação no Porto. 

O cardápio da noite, que tem lugar no Passos Manuel, no Porto, conta ainda com a presença de Francisco Oliveira, membro dos Terebentina e do colectivo artístico O Bergado que fundou as Edições Fauve, por onde editou o essencial On the Act Of Reminding, obra primordial entre o elétrico e o acústico que revisita as memórias de um piano caído em desuso. Amelia Holt, dj e produtora mexicana, finaliza o serão na pista com uma seleção de músicas que bebe tanto das suas raízes latinas como da entusiasmante cena club de Brooklyn, onde está sediada.  

Os preços para a noite de hoje, dia 26 de julho, variam entre os 3€ (a partir das 2h) e 5€ (até às 2h).  


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quinta-feira, 25 de julho de 2019

Deaf Kids e Mczo & Duke entre as novas confirmações do OUT.FEST 2019



O OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro regressa em outubro para a sua 16ª edição, e o segundo lote de confirmações já está anunciado. São 10 os nomes que se juntam aos já confirmados James Ferraro, Dälek ou Kali Malone, com o regresso dos Deaf Kids a Portugal entre os destaques desta segunda vaga de confirmações.

Para além do colossal power trio brasileiro, que este ano editou o excelente Metaprogramação pela Neurot Records, o anúncio integra ainda a dj e produtora suíça-congolesa Bonaventure, os Alpha Maid de Leisha Thomas (parte do colectivo Curl, de Mica Levi e Coby Sey) e a dupla Mczo & Duke (na foto), figuras proeminentes do novo movimento singeli que tem a essencial Nyege Nyege Tapes como editora de eleição. 

A flautista Violeta Azevedo, a dupla multidisciplinar CALHAU!, o supergrupo Chão Maior (formado por Yaw Tembé, Norberto Lobo, Leonor Arnaut, João Almeida, Yuri Antunes e Ricardo Martins), o baterista Gabriel Ferrandini (na companhia da Camerata Musical do Barreiro), Viegas e Bezbog completam o plano nacional.

Os passes gerais já se encontram disponíveis e podem ser adquiridos pelo custo de 25€ via bol.pt.


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Paradise Lost e Heavenwood juntam-se ao cartaz do Under The Doom


O festival Under The Doom volta ao ativo este ano para a 7ª edição que está já agendada para o primeiro fim-de-semana de dezembro, como habitué. O festival incorpora o RCA e o LAV, como os principais motores e esta semana revelou as primeiras peças que farão parte da máquina. 

Foram agora divulgadas mais duas bandas que vão fazer parte da sétima edição do Under The Doom. Os Paradise Lost (cabeças de cartaz do dia 8 de Dezembro) e os Heavenwood irão partilhar o palco também com os alemães Disillusion ou com os britânicos DarkherO dia 6, será considerado o “dia 0” do festival com três bandas a divulgar brevemente. O dia 7 já com algumas bandas divulgadas entre elas os Alcest também como cabeças de cartaz.

Os passes gerais para 3 dias estão já disponíveis com uma oferta limitada de 100 unidades a um valor "low cost" de 50 € (atenção que o stock já está muito limitado à data). Após os 100 passes esgotados, o valor passará a 60€ por cada unidade e será iniciada a venda dos bilhetes diários.

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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Enchufada na Zona invade o Capitólio em outubro



O Enchufada na Zona toma conta do Capitólio nos próximos dias 4 e 5 de Outubro. Dez nomes da eletrónica global sobem ao palco da emblemática sala lisboeta para mais uma edição do evento que este ano se extende para dois dias, somando assim uma noite de programação aos anos anteriores.

Entre os vários convidados destaca-se a presença de DJ Lag, dj e produtor natural do Durban e auto-proclamado rei do gqom, o mais recente fenómeno eletrónico a sair da África do Sul. Steam Rooms, o seu mais recente EP, viu-o juntar-se ao respeitado espólio da londrina Hyperdub, e os dotes viperinos enquanto produtor levaram-no a integrar a banda sonora de The Lion King: The Gift, orquestrada por Beyoncé. Os peruanos Dengue Dengue Dengue! e a britânica Tash LC completam o plano internacional, com Dino D'SantiagoPEDRO, Dotorado Pro, Sansai, Rastronaut, Progressivu e o anfitrião Branko a completar o plano nacional.

Os bilhetes para o evento já se encontram disponíveis, variando entre 15€ (bilhete diário) e 25€ (passe 2 dias).

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terça-feira, 23 de julho de 2019

O furacão dos Black Midi passa por Lisboa em setembro


Os Black Midi são um quarteto oriundo de Londres que tem vindo a impressionar tudo e todos nos últimos meses, prometendo ser uma das próximas "grandes sensações do indie-rock". 

Formados em 2017 por Georgie Greep (vocais, guitarra), Matt Kwasniewski-Kelvin (vocais, guitarra), Morgan Simpson (bateria) e mais tarde juntando-se Cameron Picton (vocais, baixo), os membros desta banda conheceram-se todos enquanto estudavam na conceituada escola de artes britânica BRIT School. Antes da banda ser concebida, precederam-se jams de improviso separadas entre George, Matt e Morgan, e ao formar o quarteto lançaram o seu single de estreia "bmbmbm" em 2018 pela editora Speedy Wunderground, sucedendo-se vários concertos pela Europa.


Ao juntarem-se à Rough Trade Records em janeiro de 2019, os Black Midi começaram a acelerar o seu passo e lançaram dois singles, "Crows Perch" e "Talking Heads". Em maio desse mesmo ano, anunciaram o seu primeiro álbum Schlagenheim, gravado num período de 5 dias com o produtor Dan Carey. E mal o álbum fora editado, a banda foi inundada de elogios e criticas positivas em tudo o que era imprensa musical. E isto justifica-se. Schlagenheim trouxe uma lufada de ar fresco ao punk rock em termos de criatividade e qualidade. É como se tivessem ido buscar os The Fall para os tempos modernos e ao trabalhar esse som, adaptando-o ao nosso tempo, resultara dali uma coisa realmente única. Quem ainda não ouviu este álbum deverá fazê-lo o mais depressa possível.

Os Black Midi passam então pela Galeria Zé dos Bois no dia 25 de setembro (com começo marcado às 22h), pouco tempo depois de passarem pelo festival Vodafone Paredes de Coura. Os bilhetes custam 12 euros e estão disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h). 

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Drvgジラ, Kenny Berg e Drati no Desterro esta semana


A Rotten \ Fresh é uma jovem editora discográfica baseada em Lisboa, que se foca em promover projectos dentro da música alternativa portuguesa. Criada por um grupo de amigos unido em prol da boa divulgação artística, a Rotten já conta com 12 edições físicas puramente dentro do espírito do do it yourself.

A editora prepara-se agora para fazer mais uma festa no Desterro, dia 26 de julho, desta vez com o trap underground português como temática. O cartaz é composto por Drvgジラ, que irá aqui apresentar a sua novíssima mixtape CHAINS, o portuense incendiário Kenny Berg e Drati, também conhecido como Xan Cloud. Depois destes concertos, a mesa do DJ será entregue ao produtor SISI_BYAS.

Este evento terá começo às 23h desta sexta-feira, e os bilhetes têm um custo simbólico de 3 euros.


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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Reportagem: Thurston Moore [Igreja de St. George, Lisboa]

© Vera Marmelo
Foi no passado dia 13 de julho que fomos até à Igreja de St. George para assistir a mais um concerto de Thurston Moore em terras portuguesas. O guitarrista norte-americano, fundador dos lendários Sonic Youth, tem andado a tocar a solo pelos EUA e a Europa já há algum tempo. No último ano tem feito vários sets mais experimentalistas em colaboração com outros artistas relacionados ao heavy jazz. Talvez Thurston se sinta saturado de tocar numa banda 'convencional' com bateria, baixo e guitarras... A verdade é que quando este concerto foi anunciado todos esperavam um set de guitarra acústica, com Thurston Moore a cantar por cima das suas melodias. Foi o que fora anunciado em todos os sítios na Internet. Era o que estávamos à espera. Mas mal entrámos na Igreja e vimos dois grandes amplificadores direccionados para nós, com uma guitarra eléctrica de 12 cordas em destaque, reparámos logo que a história ia ser completamente diferente. 




Quando Thurston subiu ao palco e começou a tocar, sons catedrais emanaram da sua guitarra e inundaram completamente a Igreja de St. George. A música entrou pelos nossos ouvidos e, ao fecharmos os olhos, entrávamos numa viagem espacial sem fim pelas estrelas. O cenário não podia ser melhor, o altar da Igreja por trás e a iluminação pouco acentuada proporcionaram um ambiente perfeito a esta actuação. Ao longo do concerto, o guitarrista norte-americano foi explorando todas as sonoridades sónicas deste seu lado mais “experimental”, isto acontecia através dos vários pedais que se encontravam no chão, e ao brincar com o feedback da sua guitarra, metendo também um lápis no meio das cordas por vezes.

O concerto teve momentos mais calmos e contemplativos, mas houve também alturas em que a distorção quase que rebentava com os nossos ouvidos, proporcionando uma verdadeira viagem pelos astros. 




No final desta actuação, os aplausos foram muitos apesar de ser visível alguma surpresa na cara das pessoas. Quase ninguém esperava um concerto assim, todos estávamos à espera de um Thurston Moore a cantar com a sua guitarra acústica. Mas não podíamos estar mais errados. O guitarrista norte-americano então explicou que o concerto consistiu numa peça que ele escreveu chamada “ALICE MOKI JAYNE”, em honra da música Alice Coltrane, da pintora Moki Cherry e da poetisa Jayne Cortez, todas elas grandes mulheres que foram figuras chaves na arte e no ativismo dos anos 60. Thurston dedicou também esta peça a todas as pessoas que lutam contra a luta de poderes que existem na atualidade, e o quão isso prejudica o nosso mundo. 

Depois desta conversa com o público, ainda houve tempo para um encore mais 'convencional'. “Grace Lake”, do álbum The Best Day, foi a música escolhida para fechar esta noite na Igreja de St. George, numa belíssima rendição a solo que banhou os nossos ouvidos de melodias sónicas. Ao acabar, Thurston recebeu ainda mais aplausos que anteriormente, merecendo até uma ovação de pé por parte dos presentes. As pessoas iam saindo para a Estrela satisfeitas e sobretudo surpreendidas com a sonoridade avant-garde ali apresentada, finalizando assim mais um de muitos concertos de Thurston Moore em terras lusitanas.


Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Vera Marmelo (podem consultar as restantes fotos aqui)

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A tecnologia experimental de TRNGS é muito intensa e amiga do ambiente


O produtor musical, sk8ter e artista multimédia sediado em Boston, TRNGS lançou no início do mês de julho um EP de três faixas que apresenta um conjunto de emaranhados sonoros viscerais, que o próprio criador insiste em chamar de música "dance". Numa amálgama sonora que inclui samples, remisturas de sons e uma forte produção e tendência artística na evocação do caos como uma forma de comunicação, o novo EP de TRNGS é daqueles discos que só os mais calejados se atreverão a reproduzir na íntegra.

Além de todo o trabalho de produção - que inclui elementos sonoros artificiais misturados com material orgânico - destaque ainda para a capa do álbum, que captura a tragédia da condição ambiental atual num fundo escuro e bastante perturbador. Ainda no tema da condição ambiental da atualidade de dar os parabéns à criativa edição física deste RLLY INTENSE .WAV FILES, que vem em forma de vaso para flores/pequenas árvores impresso em 3D com um código para download digital do álbum. Enquanto apoiamos os artistas e a própria indústria, podemos agora contribuir para o meio ambiente e ativamente reduzir o custo ambiental da indústria da música.

RLLY INTENSE .WAV FILES foi editado no passado dia 7 de julho pelo selo Gin & Platonic. Podem comprar a vossa versão aqui.


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Spiralist regressa com The Church Dyed Black EP


Spiralist, o projeto a solo de Bruno Costa, regressa este ano às edições de estúdio com um curta-duração, The Church Dyed Black, que chega às prateleiras aproximadamente um ano após a edição de Nihilus. Se no álbum de estreia Spiralist mostrava a sua visão tão sombria quanto o seu conceito lírico, este novo trabalho abre espaço à exploração de uma aura mais experimental, nos arranjos eletrónicos, sem nunca deixar de parte as ambiências black-metal tão fortes no disco de estreia.

O novo EP apresentará um total de duas faixas, uma inédita - a homónima "The Church Dyed Black" - e outra, uma remistura assinada pelo artista Ricardo Remédio ao tema "Nihilus". Ainda não foi divulgado nenhum tema de avanço do disco.


The Church Dyed Black EP tem data de lançamento previsto para 20 de setembro pelo selo Microfome.

The Curch Dyed Black EP Tracklist:

01 - The Church Dyed Black 
02 - Nihilus (Ricardo Remédio remix)

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[Review] JE T'AIME - Je T'Aime


Je T'aime | Icy Cold Records (LP) / Manic Depression (CD) | maio de 2019
8.0/10

Há um disco que chegou às prateleiras este ano com um potencial enorme para incendiar as pistas de dança mais arrojadas e que se esconde por trás de um nome tão cliché como Je T'aime. A história deste Je T'aime - o disco de estreia do trio francês que utiliza a mesma designação para se identificar - começou a ser escrita em março de 2018 quando Tall BastArd, Crazy Z e Dany Boy formaram a banda em Paris. Uns meses mais tarde a veia post-punk underground do panorama musical francês recebia uma nova droga, "The Sound", o tema que marcava a estreia da banda JE T'AIME e que fazia tecer expectativas positivas relativamente a futuros trabalhos. Com algum fogo que pegou pela capital francesa com este lançamento, os JE T'AIME foram mais além, tendo escolhido um lugar isolado na costa da Bretanha para se concentrarem na criação de onze novos temas que incorporam o mais recente longa-duração de estreia da banda. 



Fãs dos ambientes do post-punk dos anos 80? Aqui encontram uma pequena bomba para vos pôr a dançar. Através da intercalação entre as batidas monocromáticas e repetitivas da estética que dominou os anos 80 com uma vibe industrial e uma voz que comunica, na maior parte das vezes, em tons de revolta e/ou imposição, os JE T'AIME criam ao longo de onze canções um disco que se apresenta bastante convincente. Composto e gravado no período recorde situado entre abril e novembro de 2018 nos The Attic Studio e Studio Fontaine, os JE T'AIME arranjaram uma fórmula para o sucesso num disco que, sem grandes traços inventivos, consegue indubitavelmente captar a atenção do ouvinte. 

Num esforço conciso entre sintetizadores, guitarra e um baixo ritmado, torna-se óbvio com a audição desta estreia que os JE T'AIME não são fãs das luzes do amanhecer (especialmente se nos focarmos em temas como "Dance" e "A Million Suns"). E se as cavernas soturnas se apresentam como um lugar de segurança para o trio, também descobrimos neste primeiro LP que os mesmos espaços obscuros aportam experiências decadentes e depressivas. Tudo isto apresentado em onze faixas maquilhadas por uma sonoridade alegre e uma aura contagiante. Temas como "The Flying Dutchman" - enriquecido em malhas de sintetizadores abrasivos e ritmos alternados; "A Million Suns" - a fazer lembrar as auras paisagísticas de nomes como The Cure; "C ++" - a desafiar o ouvinte a entrar em constante estado de adrenalina; o provocante "Satan’s Bitch"; "Hide & Seek" - em formato balada; o super proliferativo "Merry-go-round"; o synthwave-inspired "Spyglass" e, para finalizar, a balada que revisita o melhor do período da dream-wave com os seus característicos traços de nostalgia, "Watch Out!". 



Apesar do caracter entertainer e altamente aditivo do disco, há um ponto onde Je T’Aime se apresenta como um disco menos forte: as letras das canções. É certo que este é um disco para reproduzir e dançar sem pensar muito no assunto, mas as letras das músicas refletem, de certo modo, um clima altamente focado na autodestruição e decadência do ser e no lifestyle de músico: sex, drugs & rock'n'roll. Começamos logo com "Dance" ("So we are in a fucking rage to party / Forget everything and get screwed"), prosseguimos com "Fuck Me" ("Tonight is just another drinking night in my life / Who the fuck knows what flows in my veins / Who the fuck knows which girl I fucked but not mine"); "Satan's Bitch" ("I'll live in paradise / Seventy two virgins / Will fall into my arms / seventy two virgins / One of them is your daughter") até chegarmos a "Watch Out!" ("I never found the keys of the house/ And I can’t even find my child / I may have lost her at the party / Just as I lost my dignity"). 

Propositado ou não e, independentemente das letras usadas, a verdade é que ouvir este disco de estreia dos JE T'AIME faz qualquer ouvinte sentir-se um badass, o que faz todo o sentido se tomarmos em atenção a comunicação onde se ergue o primordial trabalho da banda e a imagem visual que os delineia. Je T'Aime é um excelente pontapé de partida para arrasar concertos e fazer suar pistas de dança: é cru, sujo, controverso, mas altamente aditivo e incrível, tal como o amor. E claro, sempre negro e realista: "Je t’aime mais je te quitte", tal como a vida. Uma viagem ao underground parisiense a descobrir  na íntegra, abaixo.



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domingo, 21 de julho de 2019

Quatro artistas a descobrir no Vodafone Paredes de Coura



O Vodafone Paredes de Coura regressa para mais uma edição entre os dias 14 a 17 de agosto. O festival apresenta gigantes que dispensam apresentações como New Order, Patti Smith, The National e Spiritualized, mas também uma série de nomes menos conhecidos que prometem marcar o panorama da música alternativa. Para os quatro dias de festival destacamos quatro artistas que têm provado o seu talento em lançamentos recentes e que vão conquistar novos fãs em Paredes de Coura.

Originários do Congo, os KOKOKO! não descartam os ritmos mais tradicionais do seu país, mas utilizam-nos apenas como base para uma sonoridade original e diversa. Servindo-se de sintetizadores, guitarras e instrumentos de percussão feitos em casa a partir de lixo encontrado na rua, criam músicas dançáveis e energéticas com elementos de dance-punk e electro. Lançaram o seu primeiro álbum, Fongola, pela Transgressive (editora de artistas como Alvvays, SOPHIE, Flume e Foals) e já estiveram em digressões por todo o mundo, passando em Portugal no NOS Alive 2018. Têm dado que falar e são uma das apostas mais peculiares, mas seguras, do primeiro dia do Paredes de Coura. Não há como resistir a canções como “Likolo” e “Buka Dansa”, portanto preparem-se para dançar.


Os Khruangbin estreiam-se em Portugal no segundo dia do festival, a 15 de agosto. O trio americano nasceu em Burton, uma pequena localidade do Texas, mas as suas influências espalham-se pelo globo inteiro. Durante a criação de The Universe Smiles Upon You (2015) foram inspirados pela música tailandesa dos anos 60 e 70, enquanto que em Con Todo el Mundo (2018) as referências alargaram-se para o funk e soul do Mediterrâneo e do Médio Oriente. Técnicas e escalas presentes nestas fontes de inspiração são reunidas em músicas calmas, psicadélicas e exóticas, maioritariamente instrumentais. São a banda sonora ideal para um fim de tarde calorento passado na relva e vão dar um concerto a não perder.


Uma banda em rápida ascensão, mesmo antes do lançamento do seu álbum de estreia, os Black Midi voltam a Portugal com um dos discos de rock mais empolgantes de 2019. Formados em 2017, após os seus integrantes se conhecerem na BRIT School for Performing Arts and Technology, não perderam tempo e já lançaram um EP com Damo Suzuki, dos Can, e impressionaram a internet com uma sessão ao vivo na KEXP. As suas músicas contêm momentos de caos controlado, ritmos complexos e vocais excêntricos e teatrais. Podem ser comparados a Swans, Battles, Devo e outros nomes do rock e punk mais alternativo, mas têm uma sonoridade própria. Dominam os seus instrumentos com talento e compõem faixas imprevisíveis, juntando ideias variadas num caldeirão de experimentação que apraz os ouvidos mais exigentes. Sobem ao palco no dia 15, no que será um dos concertos mais explosivos e barulhentos do Paredes de Coura.


Kamaal Williams, também conhecido por Henry Wu, estará de regresso ao nosso país no último dia do festival. O teclista britânico traz na bagagem dois álbuns de jazz fusion e jazz-funk, um deles em colaboração com o baterista Yussef Dayes. No mais recente LP, The Return (2018), a banda que o acompanha não é a de anteriormente, mas a sonoridade aponta para a mesma direção e o talento de Kamaal Williams sobressai novamente. O músico tocava bateria em jovem, antes de se mudar para o teclado, e nota-se que essas bases não ficaram esquecidas. O seu modo de tocar baseia-se muitas vezes em ritmos repetitivos que servem de acompanhamento para solos improvisados por outros membros do grupo. Em 2017 os BADBADNOTGOOD deram um concerto memorável no anfiteatro natural mais frequentado do norte do país; esperemos que o regresso do jazz ao recinto do Paredes de Coura seja igualmente delicioso.

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