sábado, 10 de agosto de 2019

STREAM: Bragolin vs Adam Tristar - Let Out The Noise Inside


Os Bragolin, a dupla holandesa liderada pelo compositor / cantor / guitarrista Edwin van der Velde, com Maria Karssenberg na guitarra e órgão, regressaram este mês às edições de estúdio com Let Out The Noise Inside, o segundo disco de carreira e o primeiro disco colaborativo com o produtor Adam Tristar. Sem grande tempo para promoção, o primeiro tema de extração do disco, "The End Dwells In Us All", chegou no final de julho focado num sintetizador com arppegios hipnotizantes, riffs de guitarra barítonos e uma voz melancólica com letras inspiradas em serial killers

O novo disco - que vem dar sucessão a I Saw Nothing Good So I Left (2018, Young & Cold Records) - apresenta um total de oito músicas, das quais seis são novas e ainda duas remisturas para os já conhecidos temas "Hate Close To Love" e "I Saw Nothing Good So I Left". Se no lançamento de estreia os Bragolin traziam um foco em máquinas de som e um baixo propulsante e altamente ritmado, neste Let Out The Noise Inside a banda mantém esses traços, mas torna-se mais poderosa nomeadamente em temas como "Let Out The Noise Inside", "All Things That Live Will Die", "I Go With You", "Waldweg In Planegg". O disco pode reproduzir-se na íntegra abaixo

Let Out The Noise Inside foi editado no passado dia 2 de agosto em formato CD pelo selo Young & Cold Records. A edição em vinil está agendada para 15 de setembro. Podem comprar o disco aqui.

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TWINS regressa com nova malha, a reinterpretação de "Wicked Game"


O projeto a solo do produtor Matthew Weiner, aka TWINS (acrónimo para That Which Is Not Said), regressou esta semana com novo tema, "Wicked Game" - lançado originalmente por Chris Isaak em 1989 - onde Matthew Weiner esquece a guitarra epic slide, acelera os ritmos em cerca de 10 bpm, e dá uma nova maquilhagem ao clássico dos tema dos anos 80. Sobre a faixa TWINS afirma em press-release:
"Wicked Game' has been one of my favorite songs since I first saw the steamy music video on MTV as a young kid. I haven’t recorded any covers as TWINS but after doing a bunch of karaoke with friends over the past year or two I’ve started to think about certain songs in a way that inspired me to filter them through my own imagination".
"Wicked Game" é o primeiro lançamento desde o bastante aclamado disco de estúdio That Which Is Not Said (2018, 2MR) e a nova roupagem que TWINS lhe propôs pode agora escutar-se abaixo.


"Wicked Game" foi lançado oficialmente no passado dia 6 de agosto e o single, em formato digital, pode ser adquirido aqui.

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Antipole anuncia novo disco, Radial Glare


Antipole, o projeto liderado pelo norueguês Karl Morten Dahl ao qual se juntam agora Paris Alexander e Eirene, está de regresso às edições de estúdio com o terceiro LP de carreira que chegará às lojas em setembro sobre o cunho de Radial Glare. Juntamente com o anúncio deste novo trabalho chegou também o primeiro single de avanço do disco, "Syndrome" - disponível abaixo e que conta com a colaboração do músico Paris Alexander com quem Antipole tem colaborado frequentemente nos últimos tempos.

Baseadas no estilo evocativo, hipnótico e melancólico de Karl Dahl (guitarra e baixo), todas as canções de Radial Glare foram compostas em parceria com Marc Lewis, Paris Alexander e Eirene, responsáveis por escreverem todas as letras do álbum.


Radial Glare tem data de lançamento prevista para 15 de setembro em formato CD pelo selo Young & Cold Records, editora que também o lança em formato vinil a 1 de novembro. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Radial Glare Tracklist:

01. "Decade Apart" ft. Paris Alexander, Eirene 
02. "Syndrome" ft. Paris Alexander 
03. "Memorial Waves" ft. Paris Alexander, Eirene 
04. "Part Deux" ft. Eirene 
05. "Hyoscine" ft. Paris Alexander 
06. "Le Moment" ft. Paris Alexander, Eirene 
07. "Divine" ft. Eirene 
08. "Everything" ft. Marc Lewis 
09. "Here I am" ft. Marc Lewis 
10. "July Supine" ft. Eirene 
11. "1983" ft. Eirene

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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Mucho Flow 2019 anuncia primeiras confirmações



O Mucho Flow está de regresso a Guimarães no próximo mês de novembro. A sétima edição do festival que antecipa o futuro da música contemporânea marca também o décimo aniversário da editora e promotora vimaranense Revolve, que organiza o festival desde 2103, e extende-se, pela primeira vez, a dois dias. O evento, que tinha o Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA) como berço, expande-se agora para vários salas da cidade e acontece nos dias 1 e 2 de novembro.

As primeiras confirmações já são conhecidas, e a matriz do festival continua a mesma - a da aposta em nomes que vão dar que falar no futuro. Foi assim com  Nadia Tehran, Sega Bodega ou Black Midi, todos eles a assinarem as primeiras atuações em Portugal neste evento.

Este ano, o Mucho Flow celebra a emergência com os finlandeses Amnesia Scanner. A dupla composta por Ville Haimala e Martti Kalliala (ex-Renaissance Man) é uma das mais entusiasmantes apostas da nova música club, e as suas composições aliam uma amálgama polirrítmica de batidas quebradas à mais evoluída tecnologia (ou não fossem eles os criadores de Oracle, voz gerada através de inteligência artifical que complementa boa parte dos seus temas). Another Life, o primeiro longa-duração do duo, é uma epopeia de extremos onde o maximalismo dita a ordem (ou desordem) do cada vez mais apocalítico mundo digital, e mereceu edição pela respeitada editora germânica PANDepois de integrarem o cartaz da última edição do festival Madeiradig, em 2018, os Amnesia Scanner estreiam-se finalmente no continente com uma performance única em Guimarães.

Já os Heavy Lung, que também integram o primeiro leque de confirmações, vêm de Bristol e trazem post-punk com brilho e gravilha. São reflexo de uma nova uma linhagem rock britânica que tem nos Black Midi, Idles e Fontaines D.C. os seus porta-vozes, e contam apenas dois EPs. O seu som é dotado de uma energia invejável, e o seu vocalista é nada mais, nada menos que Danny Nedelko, o imigrante ucraniano que é estrela no teledisco de "Danny Nedelko", dos comparsas Idles. A estreia dos britânicos em Portugal faz-se, também ela, no Mucho Flow.

Os bilhetes encontram-se disponíveis por um número limitado de passes gerais a 20 euros, e podem ser adquiridos aqui.





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EDP Vilar de Mouros 2019: Faltam duas semanas





É já nos próximos dias 22, 23 e 24 de agosto que o EDP Vilar de Mouros regressa para a sua edição de 2019, uma edição que representa na perfeição várias fases da história. Este ano, o festival conta com a introdução de um novo palco fruto de uma parceria com a MEO.  Segue uma pequena amostra do que o festival minhoto nos reserva para este ano.


The Cult - Dia 22 - Palco EDP

Ian Astbury e Billy Duffy são dois nomes incontornáveis da história da musica e em muito o devem à sua banda os The Cult, que atuam no dia 22 de agosto, o êxito “Love Removal Machine” e “She Sells Sanctuary” são o seu ex-líbris porém a banda conta com uma extensa carreira. Formados em 1983 com o nome Death Cult, no Reino Unido, ao longo de 10 álbuns a sua sonoridade evoluiu de post-punk e rock gótico para o hard-rock pela qual são mais conhecidos.

Os The Cult regressam a Portugal num concerto integrado na tour "A Sonic Temple" que celebra o lançamento de uma reedição e 30 anos do disco homónimo à tour do qual fazem parte temas como "Fire Woman" e "Sun King".




The Wedding Present – Dia 22 - Palco MEO

Em 1987, um jovem David Gedge decidiu homenagear George Best, o ex-futebolista do Manchester United, com o primeiro longa duração da sua banda, um disco que se tornou o mais conhecido dos The Wedding Present e um clássico do indie rock, servindo de mote para a ultima passagem por Portugal em 2017.

Hoje, em 2019 a banda liderada por Gedge e com este como único membro permanente, celebra o 30º aniversário do seu segundo disco, Bizarro, porém interrompe esta tour para uma passagem mais variada pela sua discografia, no dia 21 de agosto no EDP Vilar de Mouros.



The Offspring - Dia 23 - Palco EDP

Dentro dos maiores destaques, ainda que a qualidade das bandas presentes não permita uma clara distinção dos concertos mais esperados, encontram-se os The Offspring. Formados em 1984 na Califórnia tornaram-se uma das maiores bandas do movimento pop-punk. Da sua discografia destaca-se o disco Americana, um dos mais importantes e reconhecido do seu género de onde são provenientes os singles “Pretty Fly (For A White Guy)” e “The Kids Aren’t Alright”. Também Smash é um marco na sua carreira tendo obtido o recorde de cópias vendidas por uma editora independente.

Regressam a Portugal após uma última passagem em 2012, ano em lançaram o seu ultimo disco, Days Go By. Com atuação marcada para dia 22 de agosto no Vilar de Mouros e sem disco novo na bagagem é esperada uma espécie de best-off de músicas que marcaram toda uma geração.





Clan Of Xymox - Dia 23 - Palco MEO

Em 1981 na Holanda os Xymox, atualmente conhecidos por Clan Of Xymox, tiveram a sua origem no trio Ronny MooringsAnka Wolbert, e Pieter Nooten, dos quais apenas Moorings continua na banda. Atingiram o maior sucesso com os dois primeiros discos, Clan of Xymox e Medusa, do qual fazem parte os singles "7th Time" e "Michelle". Após o lançamento do seu disco de estreia captaram a atenção do lendário John Peel que classificou a sua sonoridade como darkwave.

Do seu concerto, no segundo dia do festival, é esperada uma passagem pelos clássicos assim como por Days Of Black, o seu último álbum de estúdio editado em 2017.




Linda Martini – Dia 24 - Palco EDP

Formados em 2003, em Lisboa, os Linda Martini são, atualmente, uma das maiores bandas portuguesas. Com os EPs Linda Martini e Marsupial e o disco Olhos de Mongol destacaram-se, desde cedo, apresentando uma sonoridade marcada pelo post-rock que, após 16 anos em mutação, fixou-se, mais recentemente, entre o rock e rock alternativo. 

A banda não é estreante no festival minhoto, tendo feito a sua estreia com a apresentação do disco Sirumba em 2016. Este ano trazem na bagagem o seu 5º longa duração, Linda Martini, juntamente com a apresentação do mesmo é esperada uma revisita a temas mais antigos como "Dá-me A Tua Melhor Faca", "Amor Combate" e "Cem Metros Sereia".




Fischer-Z - Dia 24 - Palco MEO

Com uma presença mais discreta no cartaz do EDP Vilar de Mouros mas não menos importantes ou históricos os Fischer-Z, representados por John Watts, sobem ao palco MEO no dia 23 de agosto. Formados em 1976 cedo, com os seus primeiros três albuns Word Salad, Gone Deaf For A Living e Red Skies Over Paradise a banda alcançou sucesso primando por juntar influências reggae ao new wave da época. Destes discos podem ser extraídos os singles "The Worker", "So Long" e "Marliese" que, juntamente com tantos outros, ficaram como memórias de outros tempos.

Ainda que com menos sucesso comercial a banda continua a aumentar a sua discografia em 2017 com Building Bridges, que apresentaram em Portugal no inicio de 2018, e com Swimming In Thunderstorms, a ser lançado no próximo mês de setembro e que provavelmente será apresentado no EDP Vilar de Mouros.


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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A nave espacial dos Kraftwerk pousou em Cascais para dizer 'Fahren'

© Pau Storch
Foi na semana passada que fomos até ao EDP Cool Jazz para assistir a mais uma passagem dos lendários Kraftwerk em Portugal. A histórica banda alemã, composta actualmente por Ralf Hutter (cofundador, o único sobrevivente da formação original de 1970), Fritz Hilpert, Henning Schmitz e Falk Grieffenhagen, voltou a trazer o seu espetáculo 3D a terras lusitanas, depois de o ter feito pela última vez em 2017, no festival Neopop.

Apesar de alguns membros dos Kraftwerk já terem idade avançada, com Rafl Hutter nos seus 72 anos, isso não os tem afastado dos palcos. Só este ano já deram 20 concertos por todo o mundo, levando o seu inovador espectáculo 3D da Europa até ao Oriente, deliciando os ouvidos dos diversos amantes da música electrónica. Foi com o estatuto de pais deste mesmo género que os recebemos em Cascais, na última sessão do EDP Cool Jazz em 2019, que este ano já tinha recebido nomes como Snarky Puppy e Jamie Cullum



À medida que as pessoas iam entrando no Parque Marechal Carmona, recebiam uns óculos com o rótulo “Kraftwerk” para conseguir ver a parte 3D do concerto, uma bela recordação para guardar em casa posteriormente. O ambiente era tranquilo, de longe podíamos ouvir o trio de Carlos Borges a tocar nas Cascais Jazz Sessions, o que tornava a atmosfera a roçar o perfeito. As pessoas estavam descontraídas a socializar com um copo de vinho na mão, e ao aproximar das 22h, este público começou a aglutinar-se para os seus lugares do Hipódromo Manuel Possolo. O recinto já estava bem composto e preparado para receber os Kraftwerk, até que as luzes finalmente apagaram-se e, sob uma música misteriosa, a banda alemã entrou em palco para grande êxtase do público. 



“Numbers” e “Computer World” foram as duas malhas que os Kraftwerk escolheram para começar esta noite, que contou com figuras ilustres como Pete Kember (ex-Spacemen 3) e Rui Reininho (GNR) na audiência. Quase que imediatamente, as pessoas começaram a dançar ao ritmo da música electrónica deste icónico quarteto. Mas ao mesmo tempo que nos apetecia dançar mecanicamente como se não houvesse amanhã, os visuais 3D também nos prendiam ao palco. Uma excelente produção por parte da equipa desta banda, conhecida por ter a capacidade de nos presentear com este tipo de espectáculos audiovisuais. Fazendo uma analogia com o que se passava no ecrã 3D durante “Spacelab”, estar ali no Hipódromo Manuel Possolo foi como entrar numa nave espacial e navegar pelo espaço, ao lado dos alienígenas Kraftwerk e da sua música extraterrestrial. 

A setlist foi composta por alguns dos seus maiores êxitos, como “The Man-Machine” e “Tour de France”, só para não dizer a discografia inteira. Mas se tivéssemos de escolher os pontos altos desta noite, certamente iriam para “Autobahn” e “The Robots”. Duas enormes malhas que receberam uma resposta mais efusiva por parte do público, que ia dançando roboticamente ao som das melodias mecânicas do quarteto alemão. A única coisa que pode ter comprometido um pouco este ambiente foram os lugares sentados. Este concerto pedia lugares em pé para toda a gente, mas isso não estragou de todo esta enorme noite passada em Cascais. 



Duas horas passadas desde o começo da festa, Falk Grieffenhagen, Henning Schmitz, Fritz Hilpert e por último Ralf Hutter despediram-se individualmente sob uma enorme ovação do seu público. Apesar da sua idade avançada, os Kraftwerk souberam dar um grande espectáculo audiovisual para os fãs portugueses, que saíram do Hipódromo Manuel Possolo satisfeitos com o que tinham acabado de presenciar e sentir bem dentro do coração. Só podemos esperar que antes de se reformarem, voltem a Portugal para uma derradeira despedida. Fahren.

Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Pau Storch (podem consultar as restantes fotos aqui)

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Fotogaleria: Amphi Festival 2019


No passado mês de julho voámos até Köln na Alemanha para marcar presença na 15ª edição do Amphi Festival que, à semelhança dos anos anteriores, voltou a apostar num cartaz de luxo, garantindo aos espetadores a possibilidade de experienciar ao vivo o som poderoso de nomes como Nitzer Ebb, Project Pitchfork, Hocico, The Beauty Of Gemina, Bluetengel, Pink Turns Blue, The Cassandra Complex, entre outros. 

Foi então com muito amor e carinho que, nos dias 20 e 21 de julho o nosso fotógrafo Miguel Silva esteve pelo parque Tanzbrunnen, em Köln, na Alemanha, para trazer de volta a Portugal magníficos retratos. As fotogalerias do primeiro e do segundo dia bem como o ambiente proporcionado pelo Amphi Festival 2019 podem agora consultar-se abaixo.


Dia 1




Dia 2




Ambiente




Fotografias: Miguel Silva

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