sábado, 7 de setembro de 2019

Reportagem: Hania Rani [Musicbox Lisboa]


Hania Rani brindou-nos no passado dia 4, no Musicbox, em Lisboa, com a sua jovialidade e talento, numa simbiose de música clássica, com ligeiros toques de jazz e uma voz melodicamente doce. Em palco teve por companhia o piano, deslizando os seus dedos pelas teclas, numa alternância de suavidade, sensualidade, energia e sons mais possantes. Era como um diálogo a dois, alheados do tempo e do espaço, numa entrega mútua.

Ao longo da sua atuação esta dupla transportou quem os ouvia para um ambiente mágico e bucólico, sendo a natureza, os lugares mais recônditos das montanhas da Polónia a inspiração das suas peças. Hania interpretou várias músicas do seu álbum Esja mas também temas novos, pouco conhecidos pela audiência e que, muito provavelmente, veremos editados num novo disco.

A sua simplicidade, entrega e até alguma timidez, e sobretudo o som do seu piano e voz, resultou em emoção e encantamento numa audiência que os denunciava na expressão e olhar. Aguardemos por novos projectos desta jovem e talentosa pianista e compositora que se desmarca de uma sonoridade mais rígida e “dura”, evidenciando tendências da música clássica moderna.



Texto e fotografia: Virgílio Santos

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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Ohio Mark misturam shoegaze e eletrónica em "Slice XII"


O trabalho dos belgas Ohio Mark chegou-nos ao conhecimento em abril quando a editora sentimental lançou cá para fora a primeira compilação com novos talentos que incluía o tema "Lucid Lake" (se não o fizeram na altura podem agora ouvi-la agora aqui). Entretanto, esta semana, foi anunciado aquele que será o primeiro curta duração da banda, Exotism, a chegar às prateleiras no final deste mês.

Juntamente com o anúncio do novo EP a banda lançou mais um tema de avanço, "Slice XII" um tema versado em reverberação, ruído e muito shoegaze. Concentrando-se em ambientes distorcidos construídos à volta de vocais e guitarras distorcidos os Ohio Mark moldam a sua sonoridade com toques etéreos e que criam impacto. Além deste tema podem ouvir ainda "Shimmers of Darkness in Voids of Happiness" e o já mencionado "Lucid Lake".


Exotism tem data de lançamento prevista para 27 de setembro em cassete pela sentimental. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Exotism Tracklist:

01. Kll Screen 
02. Lucid Lake 
03. Slice XII 
04. Shimmers of Darkness in Voids of Happiness 
05. ASCII Faces 
06. Exotism

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Nitzer Ebb regressam a Portugal em dezembro


O grupo britânico Nitzer Ebb regressa ainda este ano a Portugal. A banda de Bon Harris e Douglas McCarthy, que atuou na última edição do festival Vilar de Mouros, está de volta em dezembro para dois concertos em sala e em nome próprio. 

Lisboa e Porto são as cidades escolhidas para acolher os autores de That Total Age, o aclamado segundo disco do grupo que, juntamente com os Deutsch Amerikanische Freundschaft, Front Line Assembly e Front 242, tomou as rédeas do movimento EBM (Electronic Body Music), variante dançável da música industrial que alia o músculo da última aos ritmos fabris da música de dança de 80. Assim, os Nitzer Ebb produziram algumas das obras primordiais dessa mesma década. A Mute, por exemplo, acolheu grande parte da sua discografia, juntando-os a um catálogo de luxo que integra obras de grupos como Depeche Mode, Throbbing Gristle ou Einstürzende Neubauten.

Depois de uma interrupção em meados da década de 1990, o grupo regressou aos palcos em 2007 e, em 2010, editou o sétimo e último disco de originais, Industrial Complex, perpetuando o seu legado enquanto revolucionários da pista de dança.

O regresso aos palcos portugueses acontece no dia 11 de dezembro com um concerto no LAV, em Lisboa, seguindo-se um concerto no dia 12 no Hard Club, no Porto. Os bilhetes já se encontram à venda em bol.pt e possuem o custo único de 23€.


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Josiah Konder lançam novo disco no final do mês


A banda dinamarquesa Josiah Konder chegou este ano aos holofotes da crítica internacional com a reedição em vinil daquele que assinalava a estreia do quarteto nos discos longa-duração, Songs for the Stunned. Agora, cerca de quatro meses após esse marco a banda está de regresso com o segundo disco de estúdio, Through the Stutter a chegar às prateleiras no final do mês. Composto por um total de nove músicas novas - essencialistas como um filme de Bresson - os Josiah Konder trazem um romantismo apaixonado no rock que caracteriza o seu trabalho.

Sonoramente a narrativa viaja do sul da Europa para o frígido bosque da melancolia urbana. A música é simultaneamente uma transgressão e uma homenagem à composição tradicional; conduzindo suavemente o tango por uma estrada complexa. Juntamente com o anúncio do novo disco - que aconteceu no passado mês de agosto - foi divulgado também o primeiro tema de avanço, "Fall Away". Esta sexta-feira (6 de setembro) é lançado o segundo tema oficial de avanço "Out Of The Hazard" que pode escutar-se abaixo.




Through the Stutter tem data de lançamento previsto para 20 de setembro pelo selo Third Coming Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.


Through the Stutter Tracklist:

01. My Heart, My Hands 
02. Fall Away 
03. Hold Me 
04. Nothing To Fear 
05. Bullet 
06. Entranced (Lascio Lo Scorrere) 
07. Kissed In Dreams Yearning 
08. Out Of The Hazard 
09. For What Faith

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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

STREAM: Gross Net - Gross Net Means Gross Net


Quatro  anos após a edição do LP de estreia, Quantitive Easing, Gross Net - o atual projeto a solo Philip Quinn (ex-Girls Names) regressa aos longa-duração com o novo exercício sonoro experimental e numa nova roupagem arriscada que o leva a trazer algo de novo nas ambiências da eletrónica mais sombria: Gross Net Means Gross Net. Este é um disco completamente fora das vertentes estéticas post-punksynth inspired, que até então caracterizavam a discografia de Gross Net. Há espaço para temas mais sombrios e lentos, mas também para malhas mais enérgicas como é o caso do mais recente lançado tema "Of Late Capitalism" ou "Social Nationalists" (que facilmente pode ser o grande hit do disco).

Além das referidas faixas, deste novo trabalho - um álbum com uma subliminar crítica política e social - destaque para temas como "World of Confusion", a lembrar uma mistura entre Thom York e SUUNS; o mais clássico "Shedding Skin" e ainda "The Indignity of Labor", com alguns efeitos a trazer à memória o trabalho dos icónicos SWANS. Gross Net Means Gross Net pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Gross Net Means Gross Net foi editado no passado dia 30 de agosto, em formato vinil, pelo selo Felte Records. Podem comprar o disco aqui.

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O novo álbum de TWINS chega às prateleiras em outubro


Depois do incendiário That Which Is Not Said, editado o ano passado pelo selo 2MR, TWINS, o projeto a solo de Matthew Weiner, o produtor norte-americano e codiretor e diretor dos selos DKA e CGI vai regressar aos discos de estúdio este ano. O anúncio foi dado a semana passada e o novo trabalho recebe o título de New Cold Dream e aporta um total de 10 novas faixas. Juntamente com as notícias foi também divulgado o primeiro tema deste novo registo, "Lie Awake" juntamente com um trabalho audiovisual disponível abaixo.

Segundo a nota de imprensa este segundo longa duração traz em força "a influência dos anos 80, interpretando o clima atual de medo e incerteza como resultado direto das políticas económicas acionadas durante a era Reagan / Thatcher." As condições sob as quais New Cold Dream foi criado baseiam-se na ideia de que "sonho americano" foi substituído por uma nova fronteira fria. Se a vida na América é um novo tipo de Wild West, em seguida, TWINS é o seu gótico cronista cowboy, no novo vídeo para "Lie Awake".


New Cold Dream tem data de lançamento prevista para 25 de outubro pelo selo 2MR. Podem fazer pre-order do disco aqui.

New Cold Dream Tracklist:

01. Lie Awake 
02. At Your Door 
03. Silent & Alone 
04. Alive Inside 
05. New Cold Dream Pt. III 
06. Misuse (Intro) 
07. Misuse 
08. Slow Decline 
09. New Cold Dream Pt. II 
10. Left Behind

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Dogs In Trees apresentam o seu eco experimental no novo disco


Para os fãs do rock saudosista, o novo disco dos Dogs In Trees certamente irá ao encontro das suas boas graças. O trio polaco editou no passado mês de agosto o seu segundo disco de estúdio, Echo, que vem dar sucessão a pióra mew (2015) e apresenta-se como o primeiro trabalho com algumas canções escritas em inglês. Num total de dez temas que exploram desde o rock gótico, ao post-rock com algumas influências da neo folk e indie-rock, os Dogs In Trees apresentam um disco moderno recheado de temas interessantes e sem nunca se perderam na monotonia de um género.

Deste novo Echo já tinha sido inicialmente mostrado o tema "As I Burn", a trazer reminiscências de nomes como And Also The Trees à memória. Além do referido recomenda-se ainda a audição de "Cigarettes From Failures", "Będę", "Episkopat Brudu" ou o post-punk influenced "Adore None". Se ainda não o fizeram podem ouvir o disco na íntegra abaixo.

Echo foi editado a 16 de agosto pelos selos Icy Cold Records (aqui) e Alchera Visions (aqui). Podem comprar o formato digital do disco aqui.



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Erros Alternados no Sons na Aldeia VII


O último concerto dos Erros Alternados realizou-se em Outubro de 1993, na Sociedade Musical 5 de Outubro na Aldeia de Paio Pires. Vão regressar 26 anos depois, no próximo dia 12 de outubro, no mesmo local, e contarão com a presença alguns amigos que de uma maneira ou de outra estão envolvidos no universo estético e geográfico dos Erros Alternados.

O projecto Erros Alternados surgiu no início dos anos noventa, na Aldeia de Paio Pires a partir de uma ideia de António Leonardo, António Caeiro e Francisco “Pino” Assis. Ao vivo contaram com as colaborações esporádicas de Leonor Assis, Manuel Almeida, Álvaro Vilas Boas, Fernando Martins e Manuel Fernando. A sua existência surgiu após a extinção, no final dos anos oitenta, de dois projectos, os Varples Pravles e os Título Póstumo. A sonoridade dos Erros Alternados, assentava numa vertente experimental com recortes sonoros de cariz industrial. Aos poucos foram aparando as arestas e moldando a sua música numa vertente mais electrónica, mantendo, no entanto, a presença na sua música das percussões não convencionais. Em palco surgiram por dez vezes, sempre com performances muitos expressivas e por vezes até polémicas.

Podem encontrar mais informações sobre o Sons na Aldeia VII aqui.

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O Theatro Circo traz nomes como Jacco Gardner, Tim Bernardes ou Ms Nina até final de outubro


Depois de passados os meses tórridos, é altura de voltar a espalhar cultura em Braga. A programação para os próximos dois meses do Theatro Circo prometer manter o espírito do verão bem vivo.

No dia 14 de setembro, sábado pelas 22h00, pisarão o palco principal do Theatro Circo as artistas Courtney Marie Andrews e Y La Bamba. A primeira parte ficará a carga da compositora norte-americana Courtney Marie Andrews que entoará o canto de inspiração folk e country. Tendo colaborado com artistas como Damien Jurado e Ryan Adams, a artista vem apresentar May Your Kindness Remain, disco de 2018. Para encerrar a noite, o projeto Y La Bamba, da cantora Luz Elena Mendoza que, com o disco Mujeres que aqui vem apresentar, lhe valeu entrada direta para a lista dos melhores álbuns do ano pela Billboard.

No dia 25 de setembro, quarta-feira às 21h30, o Theatro Circo recebe um dos nomes mais fortes da música brasileira contemporânea: Tim Bernardes. Depois do sucesso da sua banda O Terno, o compositor lança-se a solo com Recomeçar que lhe valeu a nomeação para o Grammy Latino de 2018 como Melhor Álbum de Música Alternativa em Língua Portuguesa.

Em contexto da Braga Music Week, o Theatro Circo apresenta o cantor e multi- instrumentista Jacco Gardner, que com apenas dois discos conquistou posição no mundo do psicadelismo contemporâneo. A Pitchfork apelidou-o de “studio wizard”. Vem apresentar o mais recente disco Fading Cosmos num espetáculo em que o público o rodeará em cima do palco principal.

No dia 31 de outubro, no dia de todos os mortos, haverá mais que vida na sala principal do Theatro Circo, onde o mesmo se tornará numa grande arena de dança com as artistas La Zowi e Ms NinaLa Zowi, apelidada de rainha do trap em Espanha, estreia-se em palcos portugueses no dia 31. Temas como “Obra de Arte”, “Bitch Mode” ou “No Lo Ves” a afirmarem-se como verdadeiros hinos da cena trap em Espanha. Editado em 2018, Ama de Casa foi o seu trabalho de estreia, carimbado com o selo da La Vendicion, a editora que gere e na qual residem os talentos de artistas emergentes como Flynt Hustle ou Yung BeefMs Nina, jovem cantora natural da Argentina que representa a nova escola do raggaeton através de uma das suas mais recentes ramificações — o neoperreo. Seguindo as pisadas de artistas como Bad Gyal, tem feito digressões pelos Estados Unidos e pela Europa com a mais recente mixtape Perreando por Fuera, Llorando por Dentro, que virá apresentar ao Theatro Circo. 

Depois de um verão cheio de festivais e de calor, o Circo reabre as portas à magia. Mais informações sobre os concertos aqui.



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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

16ª edição do OUT.FEST com cartaz encerrado



Saiu hoje o cartaz completo da 16ª edição do OUT.FEST – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, que acontecerá entre os dias 3 e 5 de Outubro. 

Do lote de confirmações finais, o destaque vai para a colaboração inédita entre o músico e compositor norte-americano Keith Fullerton Whitman e os lusos André Gonçalves, Clothilde e Simão Simões, que dão corpo a um projecto desenhado pelo festival e pela Red Bull Music que juntará os músicos num processo de criação colectiva, em residência, com apresentação pública no dia 5. O alinhamento agora revelado inclui ainda o colectivo afro-italiano STILL (na foto), liderado pelo músico e activista Simone Trabucchi, a harpista espanhola residente no Porto Angélica Salvi, um dj-set de Mo Probs, residente habitual da Rádio NTS e a estreia nacional do irlandês Davy Kehoe, figura proeminente do emergente colectivo Wah Wah Wino

No que diz respeito a uma das características distintivas do OUT.FEST - a ocupação temporária de vários espaços da cidade -, registam-se este ano três novidades: a Igreja Paroquial de Santo André (que recebe os concertos de abertura do festival), a Igreja da Nossa Senhora do Rosário (que acolhe a compositora Kali Malone para um concerto de órgão no final de tarde de dia 4) e o recentemente recuperado Moinho de Maré Pequeno, na confluência do centro da cidade com as caldeiras e praia de Alburrica. ADAO, SIRB “Os Penicheiros”, Teatro Municipal, Biblioteca Municipal e espaço A4 são os restantes locais desta edição, que contará ainda, tal como em 2018, com dois concertos gratuitos no largo do Mercado 1º de Maio. 

Os passes globais, ao preço de 25€, e os bilhetes diários (entre 10 e 15 €) estão disponíveis via BOL e locais habituais.


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terça-feira, 3 de setembro de 2019

7 ao mês com JUSEPH


Os JUSEPH já trabalham juntos desde 2009, ano em que se decidiram juntar numa garagem. Formados por Leandro Sousa Bastos, Pedro Simões, Sérgio Pinho, Marcos Martins e Rafael Soares, são oriundos de Vale de Cambra e em 2013 lançaram o seu primeiro registo de estúdio, o EP de cinco faixas intitulado Novae. Esta estreia levou a banda numa série de concertos que começou nos últimos meses de 2013 e só terminou no final de 2014, partilhando palcos com Catacombe, Process of Guilt, Katabatic, Mother Abyss, entre outros. Um ano mais tarde, os JUSEPH tocaram no Amplifest ao lado dos MOASE (Memoirs of a Secret Empire) numa experiência de cariz visual e sonoro.

Este ano os JUSEPH voltaram com um novo álbum, Óreida, 6 anos após o lançamento do seu disco de estreia e com algumas mudanças na sua formação. Esculpindo as suas cavernas sónicas com uma fronteira ténue entre a tranquilidade e o caos, os JUSEPH transportam o ouvinte numa viagem que varia entre o post-rock e o post-metal, com guitarras pesadas, uma secção rítmica pujante e ambientes eletrónicos cheios de profundidade.

Para a edição de agosto (atrasada, pedimos desculpa) do 7 ao mês convidámos os JUSEPH para selecionar sete artistas e discos que de alguma forma influenciaram o seu percurso como banda. Disfrutem das suas escolhas e oiçam-nas em baixo.


Cult of Luna

Uma banda enorme e desafiante! Vários elementos, instrumentos, uma produção incrível! Despertam sempre a nossa curiosidade em como compõem e pensam os seus temas, precisamente por terem muitos elementos. Cada instrumento tem a sua função, o seu espaço bem definido na estrutura da música, o que torna a forma como trabalham cada álbum bastante interessante. Para além disso, tentam reinventar-se a cada disco sem nunca perderem a essência. Os CoL são um caso de estudo, portanto, só os tornam um exemplo a seguir!



Aaron Turner

Aqui escolhemos o artista e a sua obra, por tudo o que já nos ofereceu! Desde a editora que criou (Hydra Head Records), à banda que, provavelmente, é a nossa maior influência, os ISIS. Todos os restantes projectos, Sumac, Old Man Gloom, Mamiffer, são sempre trabalhos inspiradores, com uma visão própria, fortes conceptualmente. Conclusão, a sua postura enquanto músico, artista, pensante, obriga-nos a tê-lo sempre em consideração e é notoriamente uma grande influência para todos!



Jakob - “Pneumonic”

Música de um dos melhores álbuns de post-rock feitos até hoje, o Solace (2006). Houve uma fase, mais nos primeiros concertos que demos, em que colocávamos esta música para arrumar o material do palco. Digamos que era aquela ajuda a relaxar pós catarse! Uma banda que infelizmente parece não ter a projeção merecida, mas que curtimos bastante, principalmente as ambiências de guitarra, os swells criados pelo guitarrista Jeff Boyle são estupidamente incríveis!



Russian Circles

Sempre nos acompanhou e influenciou. A forma como o Mike usava algumas técnicas de tapping, loops, despertou o interesse do Pedro Simões enquanto guitarrista. Prova disso é uma das partes que explorámos na nossa música “Theodora”, do EP. Outras progressões mais dissonantes e riffs pesados com uma sonoridade mais negra presentes no último disco, o Óreida, também resultam dessa influência. É uma banda que nos deixa curiosos, porque o som de cada instrumento está altamente trabalhado, damos por nós a ir pesquisar material, tentar perceber como eles fazem e conseguem chegar “àquele” tipo de som!



Bossk - Audio Noir

Foi talvez um dos álbuns do ano, no ano em que saiu, 2016, e continua a rodar de forma regular. Para além de ter uma produção de sonho, o álbum foi uma lufada de ar fresco para os nossos ouvidos e um abrir de novos horizontes. Sons de guitarra cristalinos, efeitos bem explorados, um som de baixo bem presente e pesadão, riffs pujantes que são uma chapada de som abrupta, passagens entre músicas altamente bem conseguidas. Os Bossk não jogam as cartas óbvias neste disco. De forma inconsciente, a nossa forma de compor também é um pouco essa, não tem de haver uma regra!



Amenra

Existe uma certa simplicidade de como executam os temas, e o bom desta banda é mesmo isso. A muralha de som que criam aliada a toda carga emocional do vocalista, é de uma força enorme, é densa! O facto de apostarem em riffs diretos e envolventes só os tornam mais coesos. Por vezes o som de uma banda tem de ser assim, tudo a remar para o mesmo lado e com a mesma força. Amenra é exatamente isso! E nós também gostamos disso!



Mogwai - "Rano Pano"

Este tema acaba por ser um hino ao post-rock, uma melodia de esperança que praticamente só nos faz querer fazer mais música. Conseguires tocar um riff vezes sem conta, sem te cansares, como fosse a última coisa que fosses tocar na vida. É um pouco a imagem que esta música nos transmite, e um pouco aquilo que tentamos transmitir ao público quando tocamos ao vivo. Tentar dar tudo, da forma mais simples, bela e genuína possível.



Se quiserem conhecer melhor JUSEPH aproveitem para os seguir através do Facebook ou pelo Bandcamp, onde podem comprar os seus trabalhos.


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A Mathilda lança o seu disco de estreia já na próxima semana


Daqui a uma semana, ou seja dia 10 de Setembro, chega-nos Changing Colours - o disco de estreia da Mathilda, com apoio da Fundação GDA e da Rádio SBSR. 

Pouco mais de um ano depois de lançar a sua primeira música "Infinite Lapse", Mathilda - ou Mafalda Costa - abre a porta e mostra-nos o seu primeiro longa-duração. Com dezenas de concertos e passagens por 4 países, esta biografia desmistifica imperfeições e, qual diário deixado em aberto, apresenta-nos rasgos genuínos das cores que pintaram a infância e adolescência da cantautora. O seu lançamento faz-se acompanhar por "I Don't Like Tea", tema que navega entre o dream pop e o indie folk, e que serve como convite a que, com a Mathilda, embarquemos nesta viagem pelo sonho e realidade. Produzido por Diogo Alves Pinto - mais conhecido pela sua one-man band Gobi Bear -, com quem compõe e se apresenta ao vivo, inclui ainda a participação da violoncelista e compositora Joana Guerra nos temas "Lost Between (...)" e "Two Words". A capa é da autoria da Kate Leppert.

O primeiro single "Small Fish Lilac Skies" foi mostrado em Fevereiro e pode ser ouvido aqui.


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Rotten Fest está de volta para a sua terceira edição


A Rotten \ Fresh é uma jovem editora discográfica DIY baseada em Lisboa, que se foca em promover projectos dentro da música alternativa portuguesa. Criada por um grupo de amigos unido em prol da boa divulgação artística, a Rotten já conta com 12 edições físicas puramente dentro do espírito do do it yourself.

Esta editora prepara-se para fazer mais uma edição do seu festival de verão, dia 14 de setembro no Disgraça. O cartaz é composto por Drvgジラ, que irá aqui tocar a sua novíssima mixtape CHAINS, pela dupla FARWARMTH + Swan Palace, e por PETER GABRIEL, compostos por Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa. Igualmente a fazer parte do line-up temos < United - Route >, que são João Rochinha (UNITEDSTATESOF) e Pedro Brito (Waterdownrobotroute), Nuvem (projecto de Simão Bárcia) e HUH! 2.1. DJ Privilégio irá estar encarregado do sonoro nos intervalos dos concertos.

Este evento terá começo às 17 horas do respectivo sábado, com os bilhetes a custarem 3-6 euros.

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Primeiras novidades do Tremor 2020: datas e bilhetes já à venda


Já há datas para a edição 2020 do Tremor. O festival açoriano regressa à ilha de São Miguel entre 31 de março e 4 de abril, com uma programação que reforçará a criação de momentos musicais e artísticos que recontextualizem, divulguem e integrem a herança e história açoriana.

Os bilhetes para a sétima edição do festival estão já à venda na bilheteira online e locais habituais por 50 €. A primeira leva de bilhetes early-bird estará disponível até dia 29 de fevereiro de 2020. Procurando reforçar o seu compromisso com o arquipélago, o Tremor só colocará em venda online antecipada 50% dos bilhetes disponíveis para este ano. Os restantes só poderão ser adquiridos na La Bamba Bazar Store, em Ponta Delgada.


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O Amplifier Worship regressa para um segundo capítulo


Depois de uma primeira edição que incluiu concertos de Monkey Flag e Vomit-Self, o Amplifier Worship regressa para um segundo capítulo. O que previamente era apenas um dia de concertos é agora dois dias de festival, curados para trazer a melhor música extrema, experimental e psicadélica ao Porto semi-regularmente.

No dia 26 de outubro irá ser possível ver os concertos de Bong, Gnaw Their Tongues, O A K e Redemptus. Quase dois meses depois, no dia 14 de dezembro, irão ocorrer os concertos de ALTARAGE, N.K.R.T., NU e Talea Jacta.

O Amplifier Worship II acontece no Auditório CCOP, no Porto, nos dias 26 e 14 de dezembro. Os ingressos diários e combo já estão disponíveis por 20 e 35 euros, respectivamente.


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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Stereo Total, os donos de um universo musical muito festivo


Os Stereo Total começaram a fazer música antes da internet existir, antes do Euro, antes da Alemanha se reunir e antes ainda de haver bandas ou músicas. O grupo é composto por Françoise Cactus, que passa o seu tempo como apresentadora de rádio, autora e artista entre as sessões da banda, e Brezel Göring, um homem cuja escolha do nome artístico foi motivada pelo desejo de não ser levado a sério pela música e pelos escribas.

Quando começaram a fazer música juntos, tinham como missão romper as regras, desestabilizar as ideias. Eles podem não ter deitado fora a estrutura harmónica europeia ou o tempo 4/4, mas fizeram certamente perguntas sobre todos os outros aspectos das técnicas musicais e líricas. Stereo Total continuam a fazer música eletrónica com os sons de um Casio da feira em segunda mão, que voam em face do que geralmente é aceite como música eletrónica. Continuam também a tocar rock de garagem lo-fi, que goza com todos os clichés masculinos associados às guitarras. Quando Françoise Cactus toca bateria, os ritmos do feminismo, anti-profissionalismo e diletantismo subversivo vêm à tona.


Musicalmente, Ah! Quel cinéma!, décimo segundo disco editado pelos Stereo Total em julho pelas mãos da Tapete Records, não pode ser facilmente alinhado com qualquer coisa. Se álbuns anteriores ressoaram com influências de chanson, trash, punk, rock'n'roll e NDW (New Wave alemão), os Stereo Total chegaram agora com o seu próprio universo musical que não dá atenção a dispositivos estilísticos.

Françoise Cactus destaca-se na arte da gravação de 8 faixas, criando uma experiência sonora extraordinária. Brezel Göring baseia-se na sua gama preferida de instrumentos mais propensos a serem encontrados nas mãos de crianças em lares onde uma educação musical não está na agenda: órgão de plástico para bebés e um piano terrível, acompanhado por guitarras caseiras coladas, não por artesãos talentosos.

Temas como lesões pessoais (“Ich bin cool”), traição (“Mes copines”), deficiências de personalidade provocadas pelo abuso de drogas (“Methedrine”), raiva (“Hass-Satellit”) opiniões inflamadas de si próprio (“Brezel says”), suicídio (“Le Spleen”), luto (“Dancing with a memory”) e almas atormentadas (“Elektroschocktherapie”) são apresentados em formato panorâmico e, muitas vezes, da forma mais divertida possível.

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Art Ensemble of Chicago no Porto em outubro



Em outubro, a Casa da Música, no Porto, recebe o Art Ensemble of Chicago para um concerto único no país. Fundamental para o melhor entendimento da música jazz como a conhecemos hoje, o ensemble de Chicago junta-se ao histórico saxofonista turco Ilhan Ersahin, que apresentará o espetáculo Ilhan Ersahin’s Istanbul Sessions na companhia da sua banda.

O percurso do Art Ensemble of Chicago desenvolveu-se a partir da visão musical de Roscoe Mitchell, saxofonista de eleição que conduziu o grupo desde a sua génese, há precisamente 50 anos. Foi nesse distante ano, em 1969, que o ensemble se estreou nas edições com A Jackson in Your House, tendo desde então oferecido algumas das obras primordiais da segunda metade do século XX. A natureza colaborativa do grupo juntou-os ainda a nomes dos mais variados quadrantes da música contemporânea, desde o pianista e poeta norte-americano Cecil Taylor à cantora e compositora francesa Brigitte Fontaine, com quem editaram o essencial disco Comme à la radio em 1970.

Em 2018, a editora alemã ECM, que editou grande parte do trabalho dos americanos, assinalou o 50º aniversário do grupo com a edição de uma caixa com 21 discos, desde os trabalhos lançados enquanto banda até às edições em nome próprio de Roscoe Mitchell e Lester Bowie, assim como em parceria com músicos como Muhal Richard AbramsCharlie HadenEvan Parker, entre outros. 



Em palco, Roscoe Mitchell junta-se a Famoudou Don Moye, membro original da formação, nas  congas e percussão, Hugh Ragin no trompete, Tomeka Reid no violoncelo, Brett Carson no piano, Silvia Bolognesi e Junius Paul no contrabaixo e Dudu Kouaté na percussão africana.

Os concertos acontecem na Sala Suggia no dia 15 de outubro, e o preço dos bilhetes varia entre os 16 e os  20 euros. 

Até dezembro, a Casa da Música recebe ainda concertos de Mick Harvey, que apresentará um conjunto de temas de Serge GainsbourgAl Di MeolaNouvelle Vague e Quarteto Amado/ McPhee/Kessler/Corsano.



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Reportagem: ACTORS + Isolated Youth [RCA, Lisboa]


Agosto é um mês mágico para os fãs das sonoridades mais underground. É o nosso querido mês de agosto e a última semana fica sempre pautada por concertos que encantam a quem os assiste. Foi neste cenário de decadência e paixão que os suecos Isolated Youth e os canadianos ACTORS se despediram do país no passado sábado, 31 de agosto no RCA Club, em Lisboa. Numa noite fria a encerrar mais um dos meses de verão, os espectadores que marcaram presença em Lisboa puderam assistir a dois atos relevantes dentro da nova escola do post-punk


ISOLATED YOUTH


Com início marcado para as 22h00 os Isolated Youth subiram a palco por volta das 22h12 para abrir concerto com uma das mais magistrais canções do EP de estreia da carreira - Warfare - editado no segundo dia do mês de fevereiro em formato vinil pela conceituada Fabrika Records. Ouviam-se assim, em sala, os primeiros ritmos de "Oath", enquanto se esperava ansiosamente pela subida a palco do vocalista Axel Mårdberg. A banda sediada em Estocolomo, fazia a sua estreia na capital com a fragilidade da tenra idade que aportam: tímidos e com pouca comunicação com o público, mas com um conceito de honestidade muito vívido e bonito. 

Warfare é um dos grandes marcos deste ano e um EP que mostra que estes meninos suecos não andam a brincar às bandas. Através de cinco belas canções os Isolated Youth conquistam sem margem para dúvidas o pódio para as bandas revelação do ano, melhor nova banda e melhor EP. Voltando ao concerto, pudemos ouvir "Seasons", tema que também integra o alinhamento do novo EP e, ainda, confirmar que a voz de Axel ao vivo é altamente cativante, tal como na versão estúdio. Depois de dirigir um pequeno obrigado ao público foi tempo de ouvirmos novas canções. "Voodoo" apresentando-se como a primeira da sucessão de três, com Axel a agarrar a maior parte da atenção entre a sua performance de vocalista, performer e guitarrista, Egon completamente no seu mundo mas a mostrar-se um exímio baixista, Andreas a destacar-se em grande na bateria e William a fazer memoráveis riffs acontecerem. 



Entre uma pequena pausa para afinar instrumentos, a segunda nova música que se ouviu em sala foi "Iris", que deu tempo para apreciarmos um novo caminho na sonoridade dos Isolated Youth. Atmosferas carinhosas, quebras de ritmos repentinas, evoluções mais no caminho do indie rock e uma nova roupagem que encaixa bem como sucessão de Warfare e que, certamente, os levará a alcançarem o público que merecem. Para fechar a rodada das novas músicas Axel apresentou a música sucessora como "ICT". A aproximar-nos da segunda parte do concerto, tempo para ouvirmos mais duas malhas do EP de estreia: o tema homónimo "Warfare" e o single que os fez surgir entre os media internacionais, como uma banda com um novo ar fresco, "Safety" – que, apesar de ter demorado a iniciar, rapidamente conquistou o coração do público português: "There Is no Safety until I hunt you down and take you home" - cantam eles - e pensamos nós, espectadores, enquanto os vimos atuar. Quem nos dera levar estes meninos para casa! 




Já a chegar ao fim, para nossa infelicidade, tempo de ouvir a última canção dos suecos chamada algo como "Ferris Wheel", mais uma das novas malhas que certamente teremos oportunidade de escutar no muito aguardado disco de estreia da banda. E que malha, caros leitores, que música incrível! Ritmos emaranhados entre uma voz mais experimental e com influências mais divergentes que os tornam ainda mais interessantes. Fiquem com isto na cabeça: Os Isolated Youth vão ser uma das grandes bandas alternativas da próxima década, só precisam de mais tempo para florescerem por completo. A sair do plano visual por volta das 22h52 com som de feedback da guitarra em destaque, a banda não regressou a palco apesar do pedido do público. 





ACTORS


Às 23h15 entravam em palco os canadianos ACTORS a abrir performance com o tema "It Goes Away", enquanto emitiam uma onda sonora altamente contagiante e a trazer à memória aos anos 80. Com Jason Corbett a mostrar-se um vocalista com uma enorme presença em palco e os restantes elementos da banda a seguirem-lhe as pisadas, os ACTORS seguiram performance com "How Deep is the Hole", para um público que ia sentido a vibe de boa onda e o espírito acolhedor que os ACTORS aportam ao vivo. As guitarras e os arranjos de It Will Come To You, o mais recente longa-duração dos ACTORS, começam por ser explorados através de "L’appel Du Vide", tema apresentado a um público bastante mais desinibido que no concerto de abertura e que assegurou as primeiras palmas conjuntas dos espectadores em sonância com a banda. 

Sem tempo para pausas seguiram-se "Slaves" e "Face Meets Glass" - cujo término levou a mais um momento de comunicação de Jason Corbett com o público - antes de partirem para "Post Traumatic Love" e o side B "Nightlife", dois temas que marcaram o início de carreira dos ACTORSMuito bem acompanhado por Shannon Hemmett (sintetizadores/voz), Jahmeel Russell (baixo/voz) e Adam Fink (bateria), Jason Corbett puxou constantemente - e durante toda a performance - o ânimo do público para um concerto que se mostrava bastante competente. 




De volta a It Will Come To You (2018, Artoffact Records) ouvimos ainda "Crystal" - tema que mostrou que o timbre de Jason Corbett faz lembrar, em certas ocasiões, o icónico Adrian Borland dos The Sound -; o mais recente hit "We Dont Have To Dance" - que colocou algum do público a cantar com a banda, além de embutir a sala no autêntico ambiente de folia. Depois de "Let It Grow" ouvimos o vocalista afirmar: "We only have two more songs" antes de, juntamente com a banda, fazerem rasgar o incendiário "Bury Me". "Like U Want 2" deu por terminada a performance dos ACTORS em Portugal com a banda a afirmar que queria passar algum tempo com o público que marcou presença no concerto e, inclusive, tirar fotos após a despedida do palco. O concerto dos ACTORS acabou pelas 00h01 sem registo de encore.




Como já era esperado, à priori, esta foi mais uma memorável noite patrocinada pela irrequieta e sempre atenta promotora portuense At The Rollercoaster. Ter a oportunidade de ver dois nomes relevantes da cena underground num mesmo espaço tão português é um esforço de louvar e não poderia terminar esta reportagem sem deixar um grande abraço e um profundo obrigada a toda a organização.


Fotografias: Virgílio Santos
Texto: Sónia Felizardo

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