sábado, 14 de setembro de 2019

STREAM: Chelsea Wolfe - Birth of Violence


Chelsea Wolfe regressou este mês às edições de estúdio com o seu sétimo disco de estúdio, Birth of Violence que chega às prateleiras dois anos após Hiss Spun (2017, Sargent House). A multi-instrumentista - que tem conquistado o coração da crítica internacional e dos ouvintes com as suas músicas nostálgicas inspiradas num conceito artístico esteticamente negro - volta a apostar num disco com alma cheio de músicas prontas para nos fazer abraçar o lado mais negro da existência.

Contemplativo, com a estética folk vanguardista a que Chelsea Wolfe nos tem habituado Birth Of Violence é um disco mais calmo e profundo que os seus antecessores, surpreendendo por voltar a reutilizar os traços dos trabalhos que a fizerem emergir na carreirra. Composto por um total de 12 temas inéditos deste Birth Of Violence já tinham anteriormente sido divulgados os temas "The Mother Road",  "American Darkness" e "Be All Things". Além desta recomenda-se vivamente a audição de temas como "Erde" e "Little Grave". O disco pode ser reproduzido na íntegra abaixo.

Birth of Violence foi editado na passada sexta-feira (13 de setembro) pelo selo Sargent House. Podem comprar o disco aqui.


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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Reportagem: Hania Rani - CCOP [Porto]

"Como se setembro fosse música"


Em vésperas do equinócio de outono, Hania Rani, uma jovem pianista e compositora de origem polaca, regressou a Portugal, pelas mãos do Gig Club, para dois concertos. O primeiro teve lugar em Lisboa, no dia 4 de setembro no MusicBox e o segundo no Porto, no dia 5 de setembro no Círculo Católico de Operários do Porto (CCOP), onde apresentou peças de “Esja”, o seu disco de estreia (editado em abril), mas também vários temas inéditos, que muito provavelmente veremos compilados num próximo disco. 

Embora tenha por base um ensino de música clássica, Hania cria as suas próprias composições e projetos há vários anos. No seu trabalho, tenta cruzar as fronteiras de estilos e géneros musicais, misturando instrumentos acústicos com sons mais modernos e eletrónicos. Em 2015, lançou o seu álbum de estreia, intitulado "White Flag", gravado em dueto com o violoncelista Dobrawa Czocher

Foi com uma timidez e simplicidade emocionante que a vimos entrar em palco, no CCOP. Esperava-a, num ambiente simples, mas intimista, uma plateia expectante que tinha como “pano de fundo” o som do chilrear de aves, de quedas de água e do bailado das folhas secas que se vão desprendendo das árvores. 


Hania foi desconstruindo as complexidades melódicas, deslizando suavemente as suas mãos delicadas sobre as teclas do piano e os pés descalços sobre o sustain, numa interpretação perfeita, em que a sonoridade e a doçura da sua voz nos transportaram para um ambiente carregado de magia e de candura bucólica. 

Ao longo da sua atuação, presenteou-nos com o seu talento, em tendências da música clássica moderna, com uma ligeira incursão pelo jazz. A sua jovialidade e talento extravasaram num diálogo visceral com o piano, onde as afinidades harmónicas e rítmicas se aliaram para nos cantar estórias de "tonalidades sépia", hipnotizando quem a ouvia quando atingia o clímax clássico, onde todas as camadas melódicas se entrelaçavam. 


Durante a sua atuação, apesar da timidez que deixava transparecer, Hania foi interagindo com o público, explicando como tinha composto as várias peças que ia interpretando, indubitavelmente marcadas pela inspiração suscitada pelos sons e pela beleza da natureza dos lugares mais selvagens e isolados das montanhas da Polónia e da Islândia. 

A noite foi de emoção, tanto para o público como para Hania. Afinal era o dia do seu aniversário (deixou-o escapar baixinho, numa das poucas pausas que fez entre peças); um dia especial para a jovem pianista, mas também para todos os que a ouviram e se deixaram seduzir pelo som do piano e da voz desta menina prodígio que se desmarca de uma sonoridade rígida e dura, abraçando tendências da música clássica moderna. 

Esta noite de encantamento foi coroada por um "parabéns a você" por muitos daqueles que permaneceram na sala, depois do encore


Com toda a certeza muito ainda ouviremos falar de Hania Rani. Aguardemos por novos projetos e por um regresso a Portugal!

Texto: Armandina Heleno
Fotografias: Armandina Heleno

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Omie Wise estreiam-se nos LP's com To Know Thyself


Os bracarenses Omie Wise lançam no final deste mês o seu primeiro trabalho longa-duração de carreira, To Know Thyself, descrito em press-release como um "conflito, expiação, devassa das nossas emoções, prova que somos mais vezes brutos que diamante no reconhecimento das nossas fragilidades como forma de crescimento emocional". Do novo disco já tinha anteriormente sido divulgado o tema homónimo "Make a Knot" que foi esta semana precedido por "Something wicked stands behind me", o segundo tema de avanço do disco de estreia.

Em "Something wicked stands behind me" os Omie Wise confrontam-nos com o seu rock jazzístico numa malha que fala sobre o desespero, e a angústia do atual clima conformismo, servido sob um cenário de conflito tão bem expresso. O tema pode ouvir-se na íntegra abaixo.



To Know Thyself tem data de lançamento prevista para 27 de setembro em formato self-released


To Know Thyself Tracklist:

01 - One, No One and One Hundred Thousand
02 - Dead Wings Fly Higher Pt1 
03 - Umbra 
04 - Make A Knot 
05 - Something Wicked Stands Behind Me 
06 - Dead Wings Fly Higher Pt2 
07 - To Know Thyself 

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The Catenary Wires em entrevista: "Tocar como um dueto é mais assustador!"


The Catenary Wires são Rob Pursey e Amelia Fletcher e vêm de Kent. Após alguns anos a viver a cena independente de Londres em várias bandas pop lendárias (Tender Trap, Marine Research, Heavenly e Talulah Gosh, decidiram mudar-se para Kent, onde abundam as paisagens verdejantes e calmas.

Especialistas em duetos indie emotivos, capturam o espírito de Nancy Sinatra e Lee Hazelwood, Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot, e lançam-nos numa Inglaterra moderna. Til the Morning é o novo álbum do duo, tendo sido gravado em 2018 na Sunday School, no meio do nada em Kent. Editado em julho pela Tapete Records, Til the Morning é um trabalho mais complexo e ousado que o anterior Red Red Skies lançado em 2015. 

A Threshold Magazine esteve à conversa com o duo britânico sobre as suas influências musicais, a paisagem sonora de Kent, o novo álbum Til the Morning, e os anteriores projetos dos quais fizeram parte. 

Em primeiro, gostaríamos de saber quem são os The Catenary Wires? Existe uma história por trás do nome do vosso projeto?

ROB - Os Catenary Wires são eu e a Amelia. Sentamo-nos na nossa cozinha e compomos as músicas numa guitarra acústica. Tocámos a maioria dos nossos concertos como um duo, mas mais recentemente reunimos uma banda maravilhosa - Andy Lewis (baixo e violoncelo), Fay Hallam (órgão e vocais) e Ian Button (bateria). Com a dupla, é mais íntimo e podem ouvir melhor as palavras. Com a banda completa, a experiência é mais rica e poderosa. Ambas as versões parecem funcionar muito bem. Tocar como um dueto é mais assustador!

O nome surgiu simplesmente porque eu amo a palavra "catenária". A ideia de um padrão de correntes interligadas é atraente, e os fios catenários que formam os padrões em loop suspensos sobre uma linha férrea sempre me atraíram. É uma palavra romântica e geométrica. É também um pouco obscuro e ninguém parece saber como pronunciá-lo. O que não é tão bom para um nome de banda, talvez.

AMELIA - Sinto-me menos apaixonada por fios catenários depois de ontem, eu, o Andy e o Ian ficarmos presos num comboio muito quente durante 3 horas devido a um fio catenário ter quebrado na linha à nossa frente! No lado positivo, acho que é bom que nossa música esteja associada a algo que pode ser tão poderoso e tão frágil!

Quando se trata de escrever uma música, por onde costumam começar?

ROB - Começa quase sempre com uma melodia minha ou da Amelia com alguns acordes na guitarra. Se gostarmos do que estamos a sentir, elaboramos toda a estrutura e a melodia, e muitas vezes completamos as harmonias. Quando chegamos a essa "sensação", escrevemos as palavras.

AMELIA - O processo de composição de músicas envolve muitas paragens e começos, inventar novos excertos e descartar outros antigos. Normalmente, começamos num só lugar e quando a música está terminada, a ideia inicial estará completamente abandonada.

Onde encontram a vossa inspiração para compor? Será nas gravações de campo em Kent?

ROB - Essa é uma boa pergunta. Eu acho que a paisagem aqui faz-nos pensar muito sobre as coisas. É silenciosa e às vezes bastante misteriosa: não oferece distrações óbvias, mas atrai-nos e o faz-nos ouvir os próprios pensamentos. Eu amo o fato de que ocasionalmente se pode ouvir a paisagem no disco - uma rajada de vento ao longe, pássaros a cantar nas proximidades.

AMELIA - Musicalmente isso é verdade, mas acho que é menos verdade com a letra. Essas são mais inspiradas pelas nossas próprias experiências pessoais.

Qual é a vossa primeira lembrança de música?

ROB - A minha primeira lembrança de música é ouvir “Itchycoo Park” dos Small Faces na rádio e de me arrepiar na espinha. Acho que tinha cerca de 3 anos.

AMELIA - Existe uma rima infantil sobre dedos que diz ‘Tommy Thumb, tommy thumb where are you?’. Quando eu tinha mais ou menos 2 anos, percebi mal a música 'Tommy Thumb' quando esta foi cantada no infantário. Cheguei a casa e cantei a música com determinação para meus pais, mas usei a palavra 'Waddigore', que não tem significado. Os meus pais adoraram e cantamos sempre a música dessa maneira depois disso.

O primeiro disco que me lembro foi Sergeant Pepper’s Lonely Heart’s Club band dos Beatles, que os meus pais tinham. As letras estavam na capa e eu aprendi muito. Tinha talvez 6 anos. Ainda as conheço todas.



Podem-nos dizer o que trata este novo álbum Til The Morning?

ROB - Bem, acho que deliberadamente queríamos escrever da perspetiva das pessoas da nossa idade. E agora estamos na meia-idade! Temos filhos para cuidar; moramos juntos como casal há 20 anos. Vivemos com as duas mães e passámos os últimos cinco anos a cuidar da mãe da Amelia, Jean (ela tinha a doença de Parkinson e morreu tristemente no ano passado). Por outras palavras, este não é um estilo de vida de rock and roll, mas é o que é a nossa vida. E é como um milhão de outras vidas, é claro. Então, escrevemos sobre isso - ansiedade sobre o futuro que nossos filhos herdarão, mortalidade, medo de divórcio e solidão (conhecemos muitas pessoas da nossa idade cujos casamentos terminaram) e tentamos ver o mundo do ponto de vista de uma mulher de 80 anos. É realmente o oposto do rock and roll! Sempre quisemos ser o oposto do rock and roll, com os seus clichês e posturas machistas. Encontrámos uma nova maneira de fazer isso.

Existem algumas diferenças no processo de composição entre Red Red Skies (2015) e Til The Morning?

ROB - Eu acho que a primeira parte do processo é a mesma. Mas com Til the Morning, fomos muito mais ambiciosos com os arranjos - fomos compondo e adicionando mais níveis às músicas. Red Red Skies foi mínimo: Til the Morning é muito exuberante.

AMELIA - Acho que também nos tornamos mais aventureiros com a composição. Eu sinto que o primeiro álbum funcionou como uma experiência. Quase que se pode ouvir uma banda a tentar descobrir o que ela quer ser. O novo álbum é mais variado e também mais seguro de si.

Vocês são de Londres e já fizeram parte de várias bandas pop lendárias, como Tender Trap, Marine Research, Heavenly. O que distingue The Catenary Wires de todos os outros projetos?

AMELIA - Na verdade, não somos originalmente de Londres. Nós os dois crescemos no campo e conhecemo-nos em Oxford – O Rob foi brevemente o baixista da minha primeira banda, Talulah Gosh, antes de nos abandonar porque achava que éramos muito desorganizados e cheios de nós mesmos. É verdade que depois mudamo-nos para Londres e moramos lá até nos mudarmos para o interior de Kent.

Eu acho que essa mudança foi importante. Antes todas as nossas bandas eram muito baseadas em grupos, com todos da banda a contribuir para o som e todos a ser necessários para qualquer concerto. Quando nos mudamos para o campo, não conhecíamos ninguém local que pensávamos estar interessado em fazer música connosco. Então tivemos que descobrir como fazer algo que funcionaria apenas com nós os dois.

ROB - Como precisamos de tocar as músicas de Catenary Wires como uma dupla, às vezes em modo puramente acústico, sabemos que as palavras e as músicas devem ser o mais fortes possível. Não podemos confiar em guitarras altas ou ritmos fortes (como poderíamos nas nossas outras bandas), de modo que as músicas precisam de poder emocional para funcionar. Eu acho que a outra diferença óbvia entre esta banda e as outras é que eu canto ao lado da Amelia. Não tínhamos voz masculina nas outras bandas (além do ocasional dueto com Calvin Johnson). Eu tive que aprender muito e, definitivamente, ainda estou a aprender...



Porque decidiram deixar Londres para a quietude de Kent?

ROB - Teve muito a ver com as crianças e as avós. Precisávamos de espaço para todos. Além disso, como nós os dois fomos criados no campo, pareceu um regresso a casa de várias maneiras.

AMELIA - Nós os dois gostamos do facto de termos tido muito tédio e ociosidade nas nossas infâncias. Momentos em que não havia realmente nada a fazer além de passear ou ler um livro. Estávamos preocupados que as crianças nunca ficassem entediadas em Londres! Também queríamos que eles achassem emocionante ir a Londres para uma visita, em vez de crescerem indiferentes a isso. Acho que basicamente queríamos torná-los um pouco descolados!

O que nos podem dizer sobre a cena cultural de Kent no momento? Existem outros artistas inovadores que ao mesmo tempo vos servem de inspiração?

ROB - Estamos numa parte bastante remota de Kent, então não há muita coisa  a acontecer aqui. Mas não estamos longe de Ramsgate, Rainham, Margate e Hastings, e há muitas coisas interessantes a acontecer em todos estes lugares. Eu gosto muito de poesia e há muitos bons poetas que trabalham localmente. Recentemente, fizemos uma colaboração com uma poetisa de Canterbury, Nancy Gaffield. Nós (e uma amiga local, Darren Pilcher) criámos paisagens sonoras para acompanhar o seu poema Wealden, que é uma peça psicogeográfica sobre a paisagem desta parte de Kent.

AMELIA - Também temos um celeiro antigo na nossa casa, que estamos a usar para organizar pequenos eventos culturais. As coisas estão a começar a acontecer aqui também. Tivemos Darren Hayman a interpretar o seu projeto Thankful Villages, um amigo chamado Matthew King a tocar piano no filme mudo Nosferatu, e até realizámos um pequeno festival chamado 'Words and Music' que combinava alguns dos nossos músicos indie favoritos com alguns dos nossos jovens poetas favoritos.

Qual é a música que têm ouvido em “repeat” nas últimas semanas?

ROB - Para mim, é “Jobseeker” dos Sleaford Mods. Estou um pouco obcecado por eles no momento.

AMELIA - "Low Light " de Red Red Eyes. Nós fizemos alguns concertos com eles recentemente e eles são ótimos. Uma espécie “Broadcast conhecem Young Marble Giants”. A Laura tem a voz mais linda.



The Cathenary Wires atuam hoje (13 de setembro) no Salão Brazil, Coimbra, e amanhã (14 de setembro), no Camones Cinebar, em Lisboa. 


Entrevista: Rui Gameiro

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O post-punk volta a atacar o Porto em dezembro e já há novidades


Em 2016 nasceu um novo festival em Portugal: o Post-Punk Strikes Again, um mini-festival de um dia só, a apresentar uma estética musical que se pode englobar nas atmosferas mais sombrias. 2016 foi um bom ano para o post-punk em Portugal: o ano que fez o revivalismo do panorama algo real. A promotora At The Rollercoaster - que até então já fazia estremecer o fenómeno underground no Porto - lançava assim uma extensão até Lisboa, com a parceria d'A Comissão que na altura era uma das promotoras a manter o cenário vivo pela capital. Ao todo foram sete os nomes envolvidos na primeira edição do evento, com seis concertos no Porto e cinco em Lisboa.

O sucesso da primeira edição - com um cartaz que abrangeu nomes como Bleib Modern, Whispering Sons, Poison Point, Japan Suicide, Bradenburg, Morte Psíquica e Alma Mater Society - levou a At The Rollercoaster a repetir a dose em 2017 novamente com uma edição apenas no Porto e com um novo nome - Post-Punk Strikes Back Again. Estávamos em setembro de 2017 no Hard Club e vimos os concertos de Charnier, Ghost Hunt, Tisiphone, M!R!M, Mueran Humanos e Bleib Modern com uma emoção muito bela que não dá bem para explicar.

Em 2018 tivemos a infeliz notícia de que não iria haver uma terceira edição do festival. Pelo menos não em 2018. No entanto, não era óbvio que fosse voltar a acontecer nos próximos tempos. Chegados a setembro de 2019, a fazer dois anos desde a última edição eis que vem a grande surpresa: O Post-Punk Strikes Back Again está vivo e bem de saúde! E regressa já este ano, a 7 de dezembro na cidade do Porto.

O anúncio foi avançado esta semana pela própria At The Rollecoaster via Facebook e vê hoje anunciado o primeiro nome: NERVES, o promissor quarteto inglês cuja sonoridade se pode integrar na linha de IDLES, Fontains DC, Shame, The Murder Capital e Black Midi. Até à data a banda lançou o EP Put A Plaster On It e o 7'' single "PULL / T​.​M​.​I​.​P", que deverão ser escutados no seu concerto de estreia no Porto.



Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes mas podem encontrar informações adicionais aqui.


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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

DEAD anunciam novo EP, Dreams


O trio de coldwave/electro post-punk francês, DEAD, regressa às edições estúdio este mês com Dreams o EP de quatro faixas que marca a estreia da banda na casa Icy Cold Records. Com uma sonoridade que os próprios descrevem como "uma fusão paradoxal de ultra ritmos e sintetizadores cativante com trip hop e instrumentação da coldwave", o novo EP apresenta-se como um rápido registo da criatividade dos DEAD. Ritmos imersivos, camadas hipnóticas, batidas monocromáticas e uma voz rasgada em efeitos é só um pequeno apanhado do que poderão encontrar em Dreams.

O novo EP vem dar sucessão ao bastante aclamado VOICES (2016, Manic Depression Records / KdB Records) e vê como primeiro tema de avanço "Ice Sky" a malha com mais cafeína do EP que está pronta para se tornar numa das mais escutadas da vossa playlist mensal. A faixa foi lançada juntamente com um trabalho audiovisual, disponível aqui.


Dreams tem data de lançamento prevista para 18 de setembro em formato vinil pelos selos franceses Icy Cold RecordsKdB Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Dreams Tracklist:

01. Ice Sky 
02. Dream 
03. Shine 
04. Desappear

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Isolated Youth in interview: "The most important thing is to be a good representation of what we are"


We have seen them and we can tell you first-hand: Isolated Youth is going to be the next big new thing in the contemporary post-punk panorama over the following decade.

They are shy in concert but it's all because of their surprisingly young age that, in a way, amazes us. It happens firstly because their sonority is so mature that it immediately gives us goosebumps; secondly, because they are creating their very characteristic world - that emancipates through a wonderful celestial voice which is not so common in the scene - and thirdly because their sonority is really assimilable for all music lovers. Trust us, you don't need to be a dark soul to enjoy it. 

In this great discovery, we were really lucky because At The Rollercoaster managed to bring them to Portugal opening the performances of Actors in the past 30th and 31st of August 2019. So we went to the Lisbon concert, at RCA Club and exchanged some words with Axel (voice, guitar, synth), Andreas (drums), Egon (bass) and William (guitar) - the four lovely souls working behind Isolated Youth's identity. 

The nice thing is that you can now get to know them better by reading the interview they gave us on the last day of August, right below:

Threshold Magazine (TM) - I would like to start this interview by asking you how did you all meet. I know that you (Axel) and William are brothers but I would like to know the whole story behind.

Axel - Yes, we are. So, we invited Egon to play live with us. Egon is a childhood friend, and our mothers have also been friends for most of their lives. Andreas has been William's friend for a couple of years. So we have known each other for a long time. 
Andreas - Me and William knew each other from like when we were 18 or 19 through common friends. And then I met Axel through him and later I met Egon. I was the last one to join the band. William and Axel started out writing music together at their place and then they knew Egon since earlier and they knew he played bass. William said "come play with us" since you (William) knew that I played drums. We felt a real chemistry early on. That was in March 2017. 

TM - Did you have any written songs around that time? 

William - We had quite a few songs. It just came naturally to us to write our own music instantly, so we never played any covers. We started writing our own things right of the bat. 
Andreas - And kind of developing as musicians through that. 

TM - Did you have a musical education? 

Andreas - I had, in the elementary school. And Egon as well but I would say… 
Egon - Not too much. 
Andreas - Yeah not too much. We've all grown as musicians through playing with each other. 



TM - So I'm really curious to get to know how and why did you choose Isolated Youth to name this project. 

William - I was in London with a friend and I was wandering home from a bar, late at night, and I was writing to the other guys trying to come up with a name and I think I had a t-shirt that said "Isolation", and then I figured "Oh well, Isolated Youth might suit us because it fits with our sound and us as a group, and where we are from". I wrote it in the group chat and everyone was like "Yeah that’s nice".

TM - You were saying that Isolated Youth started in March 2017. Before this Warfare EP, you have released a s/t cassette with three songs. Can you share the story behind that release? 

William - Basically, we figured that we didn't want to put anything out until we were ready, but we wanted to make something small for the people following us in the beginning, coming to our shows. So, we just did like three one-takes in our rehearsal space and wrapped the cassettes ourselves, and sold them at gigs or whatever. 
Axel - Only 25 cassettes were made. 
Andreas - We just wanted to release something physical without publishing anything online. And then we were properly ready to record in the studio, so It was a conscious decision to wait a while before we went to the studio to record and release the first EP. And also because we wanted to find a suitable label… 

TM -  Now that you are talking about record labels, I really would like to know how did you form a "relationship" with Fabrika Records? 

William - We put out a thing on Youtube where we were playing in our rehearsal space. We'd been a band for maybe two to three months at the time, maybe, and then a promotor saw it and asked whether we wanted to support Lebanon Hanover in a really big show in Stockholm, and then Lebanon Hanover saw us live and really liked it. So William and Larissa put us in contact with Fabrika and said "you should sign them", and they did (laughs). So that's about it. We became friends with them, they are lovely people, we really like the people working in Fabrika. It was a good fit for us as well. 
Andreas - And before we put our EP out, William Maybelline from Lebanon Hanover came to do a show in Stockholm and he was talking about that he wanted to make a remix for a song. Then we went to the studio, recorded our song "Safety" and he made a remix really fast. He came to Stockholm and we hung out with him and recorded our music video for the remix. That was the first proper release. So, the remix came first. It was nice to be involved and do something with him. 


TM - About this new Warfare EP, is there a concept behind it? 

William - The full EP is kind of supposed to be a collision between light and dark. We are striving for light in our work but there is also sinister to it. Well, Warfare is like a spiritual warfare, a call to arms. How do I put it? Wanting to protect your close ones in a quite harsh world. 



TM - And what about the song "Safety"? 

William - I was actually really ill when I wrote that thing. So, I had been at home sick for like a month, so that's where it originates from, from that feeling of being vulnerable, I suppose and from knowing that things can go either way and also the fact that you never actually know what’s going to happen. Me and Axel sat down and put the song together, but yeah, it was written in a time I was really sick. 



TM - I would like you to name three bands that you think are influential for your work as a band or as people. 

Axel - For me, it's Stina Nordenstam in Sweden, that's a very important artist for me. We like some of what The Knife has done, and... 
William - And also classical composer Arvo Pärt from Estonia. We admire him. 
Axel - Yes we love him, very much. 
Andreas - And also the early post-punk sound from the '80s. We take something from a lot of artists. Bowie of course. There's a lot of different artists. 

TM - Is there an ideal that Isolated Youth follow as a guide for your work as a band or not really? 

William - I think honesty, is important to us is in the way you play, the way you write lyrics, the performance… 
Andreas - And taking the opportunity to be better and evolve. 

TM - If I ask you "Where would you like to be in 3 to 5 years" what would be the answer? 

William - We have a creative ambition, mostly, I think. Trying to expand our music and our expression. 
Axel - Mainly a creative ambition, not too many numbers or anything. 
William - And of course always play good shows, and having a good live experience. 
Andreas - And to give our honesty to the songs. That's the most important thing, for us, to be a good representation of what we are so that the audience that sees us for the first time can get the Isolated Youth thing (laughs). 




TM - To finish, what was the last concert that you've seen and the last album that you've listened to? 

Axel - I listened to the first Board of Canada, Twoism. I liked it. That was the album I listened to. Last show I saw… 
William - I mean, we see shows quite often when we are involved, but maybe you want to know the concerts we went to see by ourselves… I have to think… 
Andreas - We went to see Yves Tumor in Stockholm a while ago, and that was pretty cool. And the last album I listened to was on the plane and it was Aphex Twin, …I Care Because You Do
Egon - I listened to I Will Say Goodbye by Bill Evans
William - I mean, we've been listening to music in the car, but an album, hmm… 
Axel - And I think the last show for me was a Swedish artist called Thåström. It's a very big artist in Sweden. 
William - I listened to the Suspiria soundtrack by Thom York. It's for a movie and it's really cool. I would recommend everyone to listen to it. 

TM - Thank you so much. It was lovely to meet you. I don't know if you want to add something else for the Portuguese readers… 

Andreas - We were amazed by the country and the city of Porto. We arrived a day before the show… 
Axel - Very beautiful churches in Porto!




Interview: Sónia Felizardo
Photos: Virgílio Santos

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terça-feira, 10 de setembro de 2019

'Remixed' dos The Body chega às prateleiras em outubro


Ainda estamos em recuperação do álbum colaborativo dos The Body + Uniform, -Everything That Dies Someday Comes Back - mas sabemos que em outubro já chegam à playlist mais malhas com a assinatura primeiros, os The Body. Apesar de não serem propriamente temas inéditos este disco apresenta uma peculiaridade: Remixed inclui uma nova roupagem às faixas do catálogo da dupla assinadas por vários amigos e colaboradores da dupla, com destaque para Lingua Ignota, Moor Mother, Container, Moss of Aura (Gerrit Welmers of Future Islands), Peter Rehberg (KTL, Pita), Mark Solotroff (Anatomy of Habit), Andrew Nolan (Intensive Care) e muitos mais.

A faltar cerca de um mês para o lançamento oficial já podemos ouvir o primeiro tema "Hallow Hollow", que conta com os vocais etéreos de uma das musas do black metal e colaboradora do duo norte-americano, Lingua Ignota.


Remixed tem data de lançamento prevista para 11 de outubro em formato vinil pelo selo Thrill Jockey Records, já se encontrando esgotado. Podem fazer pre-order do álbum digital aqui.


Remixed Tracklist:

01. A Curse (Remixed by Moss Of Aura) 
02. Adamah (Rimixed by OAA) 
03. Ten Times A Day Everyday A Stranger (Remixed by Container) 
04. Denial Of The Species (Remixed by Mark Solotroff) 
05. Off Script (Remixed by Moor Mother) 
06. Wanderings (Remixed by Andrew Nolan) 
07. An Urn (Remixed by Sow Discord) 
08. Can Carry No Weight (Remixed by Peter Rehberg) 
09. Western Dub (Remixed by Seth Manchester) 
10. Hallow Hollow (Remixed by Lingua Ignota)

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Bon Iver apresentam novo disco em Lisboa



Os Bon Iver de Justin Vernon estão de volta a Lisboa. O grupo natural de Eau Claire, Wisconsin anunciou hoje a digressão de apresentação do seu mais recente disco i, i, que recebeu edição pela Jagjagwar no passado mês de agosto.   

O anúncio, partilhado hoje nas redes sociais do grupo, contempla datas em Madrid, Berlim, Londres e Lisboa, que acolhe a primeira data da tour no dia 15 de abril na Altice Arena. A data, única no país, marca o regresso dos norte-americanos a Portugal, depois de uma atuação na última edição do festival NOS Alive.  

A abrir para o grupo norte-americano estarão os Big 37d03d Machine, projeto que junta Aaron Dessner, dos The National, ao próprio Justin Vernon.  

Os bilhetes para o concerto encontram-se disponíveis em pré-venda a partir da próxima quarta-feira. Já a venda oficial dos bilhetes começa na próxima sexta-feira, a preços que vão dos 35 aos 51 euros.   


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Walk Onto Sun lança disco de estreia no final do mês


Walk Onto Sun, o projeto a solo de electro post-punk de Ben Engebretson vai estrear-se nas edições longa-duração este mês como o LP Walk Onto Sun. O novo trabalho chega três anos depois do EP de estreia Inside (2016) e vê como novo tema de avanço "Tension City"- uma malha a fazer efervescer a adrenalina darkwave e a relembrar as paisagens sonoras de nomes como The Soft Moon e The KVB. "Tension City" vem dar sucessão ao já lançado tema "Empty Vessel" e pode escutar-se na íntegra abaixo, com direito a videoclip.



Através de atmosferas sombrias e uma percussão pulsante, Walk Onto City cria camadas de som altamente hipnóticas onde a lírica inclui uma flutuação entre o desespero e a esperança que se vive na América. O LP, composto por um total de nove faixas, apresenta dois remix atmosféricos e inspirados na EBM  para a faixa "Medicate".

Walk Onto Sun tem data de lançamento prevista para 27 de setembro pelo selo francês Icy Cold Records em parceria com a Manic Depression (CD) e Phage Tapes (cassete). Podem fazer pre-order do disco aqui.

Walk Onto Sun Tracklist:

01. Tension City 
02. Take The Statue Down 
03. Cast In Pale 
04. Medicate 
05. Empty Vessel 
06. Feral Plains 
07. Grow Static 
08. Medicate (Sedated Spheric Remix) 
09. Medicate (Spheric Remix)

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"I Don't Like Tea" é o segundo avanço do disco de estreia da Mathilda


Depois da primeira amostra "Small Fish Lilac Skies", a partir de hoje pode ser ouvido mais um tema do disco de estreia da Mathilda, que acompanha o seu lançamento. "I Don't Like Tea" é um tema que navega entre o dream pop e o indie folk, e que serve como convite a que, com a Mathilda, embarquemos nesta viagem pelo sonho e realidade. . Produzido por Diogo Alves Pinto - mais conhecido pela sua one-man band Gobi Bear -, com quem compõe e se apresenta ao vivo, o disco inclui ainda a participação da violoncelista e compositora Joana Guerra nos temas "Lost Between (...)" e "Two Words". A capa é da autoria da Kate Leppert.

O restante disco está reservado para quem adquirir o objecto físico, qual diário deixado em aberto que apresenta rasgos genuínos das cores que pintaram a infância e adolescência da cantautora.

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