sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Affet Robot - "Fırtına" (video) [Threshold Premiere]


Affet Robot (meaning Forgive Robot) - the solo project of the Istanbul based musician Eren Günsan - is releasing today a new music video for the track "Fırtına", included in his new EP Huzursuz Seyirler that is out this Friday. This new release comes out two years after his debut in the music industry with the LP Röntgen, a collection of eight songs that combines some darkwave/new-wave characteristics with a synth-pop ambiance. Within this world, Affet Robot creates his own atmosphere by gathering some influences from the obscure side of the 80's and creating something that puts the past and the present hand in hand.

Huzursuz Seyirler EP was recorded at Red Bull Studios in Amsterdam and brings together compositions that include analog synthesizers, drum machines, reverbed vocals, chorus laden 80's iconic guitars and melancholic Turkish lyrics. To celebrate the release of this new material Affet Robot is premiering a new music video for the theme "Fırtına" - directed and edited by Yağmur Akın Karagöz. You can now watch first-hand the vídeo for "Fırtına" below.


Huzursuz Seyirler EP is being released today, September 27th, through Audioban Records.

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Os Men On The Couch lançam o seu primeiro disco este outono

Fotografia de Diogo Silva.

Os madeirenses Men On The Couch irão apresentar ao público no dia 11 de outubro Senso Comum, o seu primeiro disco, gravado nos BlackSheep Studios em Sintra. A banda, composta por Guilherme Gomes, João Rodrigues, Tiago Rodrigues e Francisco Sousa, revela-nos em Senso Comum um conjunto de 11 faixas extremamente pessoais que discursam sobre as desiluções, conquistas e os altos e baixos físicos e emocionais entre esses dois pólos que marcaram o percurso da banda até à data. O single de avanço “Se eu morresse amanhã”, é um reflexo mais leviano sobre a fatalidade e o absurdo da condição humana: Se eu morresse amanhã / Fazias um festão? / Era bolo de limão? / Ou caía um bocado do teu coração? (…) o mundo continua a girar / O mundo continua”. O lançamento do single tem direito a uma rendição videográfica, com um videoclip assinado por Paulo André Ferreira, no qual se retrata o funeral dos membros da banda, transparecendo um misto emocional de luto, tristeza, desinteresse e também alguma alegria. Também a capa do álbum é uma reflexão clara da intencionalidade das canções. Cada faixa é uma história, e a cada faixa está associada uma ilustração. A junção de todas as ilustrações resulta na capa do álbum.


Abaixo deixamo-vos o videoclip do tema “Se eu morresse amanhã”.

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The Love Coffin têm novo single, "Nothing At All"


Os dinamarqueses The Love Coffin estão de regresso com novo tema, "Nothing At All" a primeira extração do disco que vem dar sucessão a Cloudlands , o LP de estreia da banda editado o ano passado pela Third Coming Records e Bad Afro Records"Nothing At All" é um tema que chega no outono mas que poderia muito bem ser uma canção de verão: riffs de guitarras a emanarem uma estética sonhadora, batidas vigorosas e altamente cativantes e a cereja no topo do bolo: a vibe mexicana e o revivalismo clássico entre o som do violinos altamente esmagador e imersivo.

Influenciados por bandas como The Jesus & Mary Chain (na época dos anos 80), Band of Susans, Gun Club ou The Triffids, os The Love Coffin têm trabalhado num espectro sonoro  tipicamente cru e romântico, com uma força rock'n'roll bastante explícita. O novo disco segue ainda sem data e detelhas definidos, mas deverá chegar às prateleiras na primavera de 2020. Podem escutar "Nothing At All" abaixo, ou numa plataform à escolha aqui.

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Hotel Lux estreiam-se em Portugal no Post-Punk Strikes Back Again

© Rhi Harper

Os ingleses Hotel Lux são mais uma das estreias que Portugal tem agendadas para dezembro na terceira edição do aguardado Post-Punk Strikes Back Again. Emergidos do mesmo circuito musical no sul de Londres de nomes como Shame ou Goat Girl, a banda composta por Cam Sims (guitarra), Craig Macvicar (bateria) Jake Sewell (synths/ guitarra), Lewis Duffin (voz), Sam Coburn (baixo), traz ao Porto o seu "pub rock" com a atitude punk que tão bem lhes faz jus.

Com uma história tão curta e um cenário de sucesso a emergir pelo Reino Unido (e mundo fora - com o tema "The Last Hangman" a integrar a banda sonora da série Peaky Blinders) os Hotel Lux preparam-se para incendiar o Hard Club numa sonoridade própria, imprevisível, criativa e a deixar as expectativas bem em alta. A banda é o quinto nome a juntar-se ao alinhamento do evento que inclui nomes como Nerves, Ist Ist, Okandi e Bragolin, tocando a 7 de dezembro no Hard Club, Porto.


Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes para este evento que deverão ser postos à venda em outubro. As informações adicionais podem consultar-se na página do Facebook da promotora At The Rollercoaster.

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De Marion - "Frown" (video) [Threshold Premiere]

© Maria Vittoria Trovato

De Marion é o apelido do italiano Dario Serra, guitarrista dos Suzanne'Silver. Caracterizando-se como um compositor de quarto apaixonado por Syd Barrett que atua no espectro sonoro a englobar sinistras melodias folclóricas de blues, De Marion não esconde o seu amor pelo fuzz, samples inúteis e erros de performance. É pois, neste cenário de paixão imperecível, que o cantautor regressa aos noticiários do underground com o primeiro tema de avanço do novo trabalho, "Frown".

Down The Road Of Mainstream I Saw You, Canzone é o terceiro trabalho de carreira de De Marion e chega 11 anos após My Kingdom For A Couch (2008, Noja Recordings). Nos últimos dez anos, o projeto evoluiu e tornou-se numa dupla que é atualmente composta por Dario (voz, guitarra, sampler) e Danilo Garro dos Mashrooms (bateria, sintetizadores). O novo tema colaborativo entre os dois, "Frown" - uma música liricamente focada na violência - engloba as auras criativas e experimentais do folk-rock e é apresentado em formato audiovisual, num trabalho que se pode ver abaixo.


Down The Road Of Mainstream I Saw You, Canzone tem data de lançamento prevista para 25 de outubro pelo selo Noja Recordings.

Down The Road Of Mainstream I Saw You, Canzone Tracklist:

01. Frown 
02. God Put A Blind Flange In His Path 
03. Sun Distorted You 
04. Sburramento Fulmineo In La Minore 
05. Danny Boy 
06. Matthew 
07. Spoon 
08. Grains 
09. Gibbous 
10. Gangbang Disco White 
11. Wasted Time With Nonchalance

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Vamos tão a Braga celebrar os sons da amizade



É já esta sexta que começa a sétima edição do Braga Music Week que vai decorrer de 27 de setembro a 5 de outubro em vários locais de Braga. A temática deste ano é o vigésimo aniversário do badalado disco O Monstro Precisa de Amigos dos Ornatos Violeta, por isso já sabem, desloquem-se a Braga com os vossos amigos e façam alguns novos enquanto vêem uns concertos.    

Na sexta dia 27 é a vez do Jacco Gardner dar o pontapé de partida ao subir ao palco (e o público também) do Theatro Circo para um concerto intimista com as sonoridades do seu recente Somnium. Seguem-se os bracarenses Omie Wise que vão jogar em casa ao se apresentarem na porta do Theatro Circo para apresentarem To Know Thyself, disco que vai ser lançado também nesse mesmo dia, portanto levem alguns trocos para comprarem o disco no fim do concerto.   


No dia seguinte, é a vez de Luís Severo interromper o outono ao trazer o sol e a sonoridade da primavera com um concerto no gnration. Se entretanto os bilhetes esgotarem, podem assistir à conversa dele e também à conversa dos Ornatos Violeta no gnration music market, onde poderão encontrar vários itens relacionados com música.  No domingo é a vez do torneio de futsal e na segunda o saxofonista Julius Gabriel vai ambientar o quizz night a realizar na Letraria.   

Dia 1 de outubro é dia da música, a banda O Bom, O Mau e o Azevedo e o DJ Pau vão ficar responsáveis pela comemoração no Barhaus. No dia seguinte, Greengo e Capela Mortuária sobem ao palco do Rock Star e na quinta é a vez de de Doutor Assério e Paulinho animarem uma noite que vai começar tipicamente minhota com comes e bebes.   Na sexta, a egípcia Nadah El Shazly sobe ao palco do gnration e no Lustre apresentam-se o norueguês Kubbi, o trapstar minhoto e rei da rima Chico da Tina e Conhaque.    

No último dia vai haver mais música mas desta vez no centro histórico com Shaka, Dokuga e Dirty Coal Train, sendo por isso também provável haver polícias a interromperem os concertos ao ar livre. O que não vai faltar mesmo são os carrinhos de compras a rolar nas ruas de Braga com amplificadores e colunas. E tu, vais rolar também?

Texto: Óscar Santos

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Jozef van Wissem com concerto grátis em Leiria


Que Jozef van Wissem vai estar de regresso a Portugal em outubro já não é bem uma novidade. Depois do concerto no Porto - anunciado em julho e marcado para o próximo dia 4 de outubro pelo cunho da Amplificasom - esta quarta-feira (25 de setembro) a promotora Fade In anunciou uma nova passagem do compositor holandês por território nacional, desta feita em Leiria. São assim dois os concertos que o compositor traz a Portugal nos dias 4 e 5 de outubro.

Através de uma sonoridade hipnótica e minimalista Jozef van Wissem faz uma ponte entre o classicismo barroco e uma abordagem contemporânea, construindo numa música que é inovadora e muito característica, ao manejar um instrumento muito peculiar, o alaúde. O músico vem até à Igreja da Misericórdia em Leiria apresentar o mais recente disco de estúdio We Adore You, You Have No Name (2018, Consouling Sounds | Incunabulum), num evento de entrada gratuita.


O concerto de Jozef van Wissem inclui-se em mais um dos episódios relâmpago do FadeInFestival 2019, e é um evento em parceria, inserido na programação do festival Leiriense Há Música na Cidade.  


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Lenda viva Keiji Haino de regresso a Serralves



O artista nipónico Keiji Haino desloca-se a Serralves no próximo dia 3 de outubro, para um concerto a solo, no formato voz e eletrónica. Consigo traz as suas décadas de influência poética e dramática do escritor surrealista francês Antonin Artaud, que por sua vez é um elo importante na produção de Haino e é sentido particularmente nos seus solos de voz.

Nascido em 1952 na província de Chiba, no Japão, inicialmente deu os primeiros passos no teatro. No entanto, depois de um encontro fatídico com a banda The Doors, virou a sua atenção para a música. Começou eventualmente a sua carreira nesse ramo como vocalista dos Lost Aaraaf, grupo de homenagem ao poeta Edgar Allan Poe, e mais para a frente, tomou também parte de bandas como os Fushitsusha, Nijiumu, Aihiyo, Sanhedrin, etc., e ingressou numa carreira de DJ como "experimental texture", além de colaborar com vários artistas de diferentes origens, usando sempre instrumentos como guitarra, percursões, sanfona, e vários instrumentos de sopro e corda, ao seu extremo por meio de técnicas únicas. Além de contar com 170 registos discográficos na sua bagagem e apresentar-se ao vivo 1500 vezes pelo menos, é de reiterar que Haino também tem várias colaborações com artistas como os Faust, Jim O'Rourke, Boris, Kazuo Ohno e John Zorn, entre outros.

O concerto terá lugar no Auditório de Serralves e os bilhetes custam 7,50€ (para estudantes , maiores de 65 e Amigos de Serralves custam 3,75€).


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Marble Arch lançam novo vídeo para "Today"


Os franceses Marble Arch continuam em promoção do seu mais recente e segundo disco de estúdio, Children Of The Slump e lançam hoje o quarto trabalho audiovisual para o tema "Today". Conhecidos pela sua sonoridade coma pop, orientada à experimentação e baseada no conceito da juventude/infância, a banda sediada em Paris projeta o ouvinte para um ambiente que envolve vibes do indie-rock, funk, post-punk em temas autenticamente alegres.

"Today" é a quarta faixa de Children of The Slump a receber um tratamento audiovisual, dando sucessão a "Gold", "Moonstruck" e "I'm On My Way". As letras da faixa evocam as fobias de Sacha e as suas manobras para evitá-las, para mostrar o que passa pelo corpo quando é preciso administrar esse tipo de emoção e criar um espaço tranquilizador. Podem agora explorar visualmente este novo espaço como ferramenta de expressão e emancipação, no vídeo dirigido por Jeanne Lula Chauveau, ali abaixo.


Children of The Slump foi editado a 22 de março de 2019 pelo novo selo francês Géographie. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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Alinhamento e horários do Amplifest 2019


A pouco mais de duas semanas do arranque da edição de 2019 do Amplifest, são já públicos os alinhamentos diários e horários para a décima-primeira edição do evento. 

Revelados ficam também os filmes em exibição a 12 e 13 de Outubro. Where does a Body End, de Marco Porsia, um retrato íntimo do percurso dos Swans, desde a sua génese e raízes até aos tempos contemporâneos, e Syrian Metal is War, de Monzer Darwish, uma jornada pela forma como as bandas de metal sírias sobreviveram aos tempos de guerra. Fechados estão também os temas para as Amplitalks deste ano: We're the alternative to the alternative, a acontecer no sábado dia 12 pelas 16h00, e Let us entertain you, a ter lugar pelas 15h30 de domingo dia 13.


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Jay-Jay Johanson em entrevista: "Sempre fui muito influenciado por autorretratos"


Em vésperas de mais uma tour em Portugal, pelas mãos do Grupo Chiado (com concertos agendados para Lisboa a 28 de setembro no LAV) e do Auditório de Espinho - cidade onde atua a 12 de outubro - Jay-Jay Johanson regressa ao país para apresentar o mais recente disco de estúdio e décimo na carreira, Kings Kross. Em mote da sua vinda aproveitámos para entrevistar este músico, de estilo inconfundível, com uma história consagrada no cenário do indie-pop/trip hop - que contempla mais de 20 anos de carreira.

Aproveitem para ler a entrevista na íntegra abaixo.


Threshold Magazine (TM) - Em 1996, no álbum Whiskey, na altura um jovem (27 anos) cantava "I'm Older Now". Em 2019, perto dos 50 anos, o que nos vai cantar? 

Jay-Jay Johanson - Haha! Eu completei 50 anos no ano passado, em outubro... e essa letra encaixa-se cada vez melhor no meu reportório, à medida que vou ficando mais velho.

TM - Recentemente, com o EP Smoke, o Jay-Jay criou uma versão de um tema que se tornou atemporal: "Love Will Tear Us Apart". O que gostaríamos de saber é porquê este tema em 2019? Existe algum motivo especial para a escolha neste momento da sua carreira? 

Jay-Jay Johanson - Não, não especificamente... Sentei-me ao piano, como costumo fazer, a improvisar com este arpeggio e a cantar ao mesmo tempo. 

TM - Percebemos que Portugal faz parte dos roteiros musicais das suas tours. Existe uma explicação para isso? Considerando que, recentemente, alguns VIPs também demonstraram interesse por este "jardim à beira-mar planatado", poderíamos, por exemplo, relembrar o tema "Milan, Madrid, Chicago, Paris"? Devemos esperar por "Lisboa" também? 

Jay-Jay Johanson - Bem, Portugal e o povo português têm sido tão generosos comigo desde que comecei, obviamente que voltarei sempre, tentando ser o mais generoso possível em troca. E sim, porque não,  um dia poder haver uma música sobre uma cidade portuguesa ou um lugar... 



TM - Ao olhar para as capas dos seus discos notamos que são autorretratos. Alguma razão para isso? Às vezes, associamos isso à metamorfose do trabalho de David Bowie... Existe alguma afinidade ou intenção semelhante? 

Jay-Jay Johanson - Sempre fui muito influenciado por autorretratos. Desde os tempos em que os velhos mestres gostavam de Van Gogh até à arte moderna com Andy Warhol. Na escola de arte fizemos muitos autorretratos e o meu diário é realmente como o meu autorretrato escrito e, a maioria das minhas letras nascem no meu diário. Tento ser o mais íntimo possível e explorar os meus sentimentos na minha música, de modo que autorretratos como imagem de capa é a maneira mais natural de mostrar o que realmente está no disco. Somente se um dia eu fizer um álbum instrumental, talvez eu tenha uma pintura abstrata ou algo diferente na capa ... 

TM - Recordando o filme francês Intouchables e sabendo que o Jay-Jay Johanson tem algum apelo pelo idioma francês, quem escolheria ou com quem gostaria de cantar em dueto? 

Jay-Jay Johanson - Oh, essa pergunta apanhou-me desprevenido. Não sei bem, mas talvez com a Beth Gibbons dos Portishead, é claro! 

TM - Temos uma pergunta um pouco complicada para lhe colocar... Temos saudades (em português "saudade" é uma palavra que não tem tradução literal em nenhum outro idioma, mas é como "sentir falta" de alguém ou algo) dos seus primeiros álbuns como Whiskey, Tattoo, Poison... Consegue explicar o porquê deste sentimento?

Jay-Jay Johanson - Não, desculpem, não sei explicar, mas entendo completamente e sinto-me muito próximo desse sentimento.

TM - Nos últimos 20 anos o Jay-Jay Johanson fez música para filmes, algumas parcerias com outros artistas, versões de músicas... Gostaria de falar sobre isso? Houve um que nos chamou a atenção, o de Robin Guthrie (dos Cocteau Twins). Podemos perguntar-lhe o que trouxe Robin Guthrie à música de JJJ? 

Jay-Jay Johanson - O Robin e eu começámos a trabalhar juntos em 1997. Quando a Liz se mudou para Bristol e começou a trabalhar com os Massive Attack no Mezzanine, o Robin ligou-me. Eu acho que o pessoal dos Cocteau Twins queria tentar trabalhar com uma voz masculina, talvez... Eu fui e fiquei em Londres bastante tempo, para gravar e escrever com eles, no September Sounds Studio em Twickenham. São, de facto, pessoas adoráveis. O Robin apareceu no meu álbum Tattoo, no Poison e, novamente, nos meus últimos três álbuns, sempre mantivemos contacto e compartilhamos ideias. Mas talvez fosse melhor perguntarem ao Robin o que é ele gosta no meu estilo, que eu não faço ideia... 



TM - O que acha desta nova geração de música digital na atualidade com o streaming e o decréscimo da venda de discos físicos?

Jay-Jay Johanson - Eu oiço mais músicas agora do que nunca, mas, claro, eu não compro tantos álbuns quanto costumava fazer, talvez uns cinco álbuns por ano. Contudo, ao estar constantemente em tour e ao tocar em festivais, acabo por assistir a muitos concertos e descobrir novas bandas.

TM - O Jay-Jay Johanson já tem uma longa carreira; o público dos seus concertos provavelmente varia de país para país - em alguns lugares uma faixa etária mais avançada e noutros um público mais jovem. Que tipo de público espera ver nesta nova passagem por Portugal? 

Jay-Jay Johanson - Bem, o público português esteve sempre lá desde o início, então eles estão entre os "mais velhos", pelo que às vezes pode ser complicado chegar a uma nova base composta por ouvintes mais jovens. Em alguns países, absolutamente funcionou, mas francamente não conheço as tendências do mercado de adolescentes em Portugal. Vamos ver o que acontece nos próximos concertos muito em breve. 

TM - Há mais alguma coisa que gostaria de nos dizer, que não lhe perguntamos?

Jay-Jay Johanson - Estou muito agradecido por me continuarem a convidar de volta para o vosso país incrível... Mal posso esperar para tomar um copo enorme desse néctar maravilhoso: o vinho verde. Cheers!

TM - Muito obrigado por esta entrevista e até breve, em Lisboa e Espinho!


Jay-Jay Johanson



Entrevista por: Armandina Heleno e Gil Simão

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Eu apuro, tu apuras, ele apura, nós apuramos, vós apurais, eles apuram



É já na próxima quinta-feira (26 de setembro) que começa a 2ª edição do Festival Apura, estendendo-se a sexta-feira e sábado, 27 e 28 de setembro, respetivamente. O evento decorre na Casa das Artes Bissaya Barreto e junta mais de 60 artistas multidisciplinares, apostando numa programação diversificada onde se incluem concertos, exposições, instalações artísticas, mercados, performances, e outras atividades ao vivo.

Nesta segunda edição do Festival Apura vão haver 2 palcos. Das 16h à 00h todas atividades realizam-se na Casa das Artes Bissaya Barreto, onde estará o Palco Salão Brazil. A partir da 00h e até às 04h, todos os concertos passam para o Palco Apura, na República da Praça. A programação completa do evento pode ser consultada aqui.

Repetindo a parceria da primeira edição, a cerveja tradicional de Coimbra, Praxis, mantém-se como parceira oficial do festival. Noutro contexto colaborativo, estabelecem-se ligações entre a Casa das Artes Bissaya Barreto, que o acolhe, o Salão Brazil e, num formato que une a cidade da Baixa até à Alta, são fomentadas parcerias que incluem a República do Bota-Abaixo, a Rádio Universidade de Coimbra, Rádio Baixa e a Associação Portuguesa de Festivais de Música, entre outras.




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Oiseaux-Tempête anunciam novo álbum, From Somewhere Invisible


Formados em 2012 pelo duo multi-instrumentalista Frédéric D. Oberland e Stéphane Pigneul, os Oiseaux-Tempête já nos habituaram à sua continua evolução, a abraçar a liberdade de improvisação, transcender fronteiras e culturas. A sua sonoridade envolve os mais diversos estilos, percorrendo os caminhos do kraut e pós-rock, avant-garde, jazz-punk e eletrónica experimental.

A discografia dos Oiseaux-Tempête está fortemente ligada às viagens que o grupo fez na zona do Mar Mediterrâneo – Grécia (álbum homónimo, 2013), Turquia e Sicília, (ÜTOPIYA?,  2015) e Líbano  (AL-'AN!,  2017  e TARAB,  2018). O seu trabalho está também associado a regulares colaborações, sejam elas em estúdio ou em tour, como são exemplos o produtor de eletrónica Mondkopf, o artista holandês G.W.Sok (The Ex), e baterista Jean-Michel Pirès (Bruit Noir, The Married Monk), entre muitos outros.

No final de novembro de 2017, os Oiseaux-Tempête viajaram até ao Canadá como quinteto (Frédéric, Stéphane, Jean-Michel, Mondkopf & G.W.Sok) a convite de Radwan Ghazi Moumneh (Jerusalem In My Heart) para darem dois concertos, em Montreal e Toronto, como banda de suporte do projeto colaborativo Suuns & Jerusalem In My Heart (reformado especialmente para a ocasião). Durante esta viagem, o quinteto aproveitou para se refugir da neve numa sessão de estúdio que durou 2 dias no lendário Hotel2Tango em Montreal, em que contaram com a colaboração de Radwan Ghazi Moumneh e das cordas em espiral de Jessica Moss (Thee Silver Mt. Zion).

O quarto álbum de estúdio e sétimo lançamento do selo belga avant-garde Sub Rosa, From Somewhere Invisible (2019) abraça a novidade. Deixando de lado por um tempo os diários de bordo das longas jornadas e as gravações de campo dos álbuns anteriores, a música de Oiseaux-Tempête desdobra-se como uma orquestra profética e crepuscular em torno da voz pontuada de G.W.Sok. Os poemas de Mahmoud Darwish, Ghayath Almadhoun e Yu Jian questionam o homem moderno e o seu duplo, o estranho e o estrangeiro, o real fragmentado, a violência, a sociedade e o seu espelho.



Editado e misturado entre Montreal e Paris, From Somewhere Invisible evoca a febre da experimentação e um som poderoso que se une a serviço de uma deriva luxuriante e psicadélica. O lançamento de novo álbum está marcado para 18 de outubro em formato LP, CD e digital. "He Is Afraid And So Am I" é o primeiro tema de avanço deste novo trabalho e pode ser escutado em cima. 


From Somewhere Invisible
01 He Is Afraid And So Am I - 09:13
02 In Crooked Flight On The Slopes Of The Sky - 04:09
03 We, Who Are Strewn About In Fragments - 09:37
04 Weird Dancing In All-Night I - 03:46
05 Weird Dancing In All-Night II - 02:48
06 The Naming Of A Crow - 13:16
07 Out Of Sight - 03:33

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Moor Mother apresenta novo disco na ZDB



Múisca, poeta e uma das mais importantes ativistas dos nossos tempos, Moor Mother apresenta-se novamente em Portugal em novembro com uma atuação na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. O português Menino da Mãe encarrega-se da primeira parte.

Analog Fluids of Sonic Black Holes é o mais recente disco de Camae Ayewa, e o motivo pela qual a americana volta ao país. O sucessor do excelente Fetish Bones, admirável disco de 2016 que lhe valeu maior reconhecimento global, chega dia 8 de novembro e volta a receber o selo da editora norte-americana Don Giovanni, que descreve as canções do álbum como "narrativas assombrosas de escravos apresentadas como alegorias distópicas e espiríritos negros", posteriormente "invertidas, remisturadas e recapturadas, apenas para serem digitalizadas num programa de biomorfismo simbiótico”.

O concerto acontece na ZDB no dia 11 de novembro, e os bilhetes possuem o custo único de 10 euros, encontrando-se disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e na própria ZDB.

Até ao final do ano, a ZDB recebe concertos de Black Midi (esgotado), Otim Alpha, Peter Evans, Elvin Brandhi/Olan Monk, Rafael Toral Space QuartetGabber Modus Operandi, Still House Plants,  Ahmed Ag Kaedy, MarinhoNivhek, Weyes Blood, Ana RoxanneCass Mccombs e Angel Olsen (nova data adicionada recentemente).


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Thalia Zedek regressa a Portugal em outubro



Thalia Zedek anunciou o seu regresso a Portugal para dois concertos. Porto e Lisboa são as cidades escolhidas para acolher a cantora-compositora americana, que atuará nos dias 11 e 13 de outubro no Plano B e no Lounge, respetivamente.

Pela sua mão passaram bandas de culto do cancioneiro independente norte-americano como os Uzi (antes ainda das obscuras White Women e Dangerous Birds, projetos que também integrou) e os Live Skull. No início dos anos 1990, Zedek volta para Boston, onde se encontra a residir atualmente, e forma os seminais Come com a juda de Chris Brokaw, ex-baterista do essencial grupo sadcore Codeine com quem editou quatro discos -  Eleven: Eleven (1992), Don't Ask Don't Tell (1994), Near Life Experience (1996) e Gently Down the Stream (1998). 

O fim do grupo, em 1998, deu início a uma respeitada carreira a solo em nome próprio, com o debutante Been Here and Gone a ser apontado como um dos mais admiráveis discos de 2001 para publicações como a Pitchfork ou a AV Club. Zedek apresenta-se ainda enquanto E ao lado de Gavin Mcarthy, ex-baterista dos americanos Cul de Sac com quem editou dois discos.

Depois de uma ausência de quase 15 anos, Thalia Zedek regressa a Portugal para apresentar o seu mais recente álbum Fighthing Season, editado em 2018 pela americana Thrill Jockey.

Os bilhetes para o concerto no Porto custam 8 euros e podem ser adquiridos em bol.pt. Em Lisboa, o concerto tem entrada gratuita.


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Bragolin regressam a Portugal no Post-Punk Strikes Back Again


Depois da estreia o ano passado em Leiria, num concerto inserido no Festival Extramuralhas 2018, os holandeses BRAGOLIN estão de regresso ao país no próximo mês de dezembro para atuarem na terceira edição do Festival Pos-Punk Strikes Back Again. A dupla constituída por Maria Karssenberg e Edwin van der Velde junta-se assim aos já confirmados NERVES, IST IST e OKANDI num evento que promete ser imperdível para os fãs das sonoridades mais obscuras.

Os Bragolin - que começaram a ganhar destaque no panorama underground com o aclamado disco de estreia I Saw Nothing Good So I Left (2018) - trazem a território nacional o seu segundo disco de estúdio, Let Out The Noise Inside que é também o primeiro trabalho da banda em colaboração com o produtor Adam Tristar. Let Out The Noise Inside é um trabalho que volta a mostrar como o sintetizador com arppegios hipnotizantes, os riffs de guitarra barítonos e a voz melancólica são o core da sua sonoridade extremamente aditiva dos Bragolin. No Porto espera-se um concerto bem suado. 


Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes para este evento que deverão ser postos à venda em outubro. As informações adicionais podem consultar-se na página do Facebook da promotora At The Rollercoaster.

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[Review] Black Bombaim - Black Bombaim


Black Bombaim | Lovers & Lollipops com Cardinal Fuzz | março de 2019
8.0/10

Na música electrónica, o foco que era dedicado à composição e experimentação foi roubado pela produção - cada vez mais existem sons-tipo para cada produtor, altamente derivados de material e diferentes técnicas. No rock, contudo, esta luta dissipou-se - em grande parte substituída por uma sede de intensidade (um fenómeno fundamental para grande parte da música hoje produzida que ficou conhecido como loudness wars), a produção teve cada vez mais um papel menos relevante, levando a uma homogeneização do género e ofuscando as contribuições que nomes enormes como Todd Rundgren e Brian Eno tinham criado.

É por isto que Black Bombaim, o último álbum de estúdio dos barcelenses Black Bombaim é tão importante. Não só é assinado por um dos grupos mais notórios e relevantes da música psicadélica portuguesa como serve de exercício de experimentação e comparação para diferentes estilos de produção no rock: o sexto álbum de estúdio do trio nortenho combina seis faixas gravadas em três locais distintos (um auditório velho, uma sala vazia num posto de correios abandonado e uma sala de reverberação numa universidade de engenharia) e produzidas por três nomes incontornáveis da música portuguesa atual - Pedro Augusto, a figura por detrás de Live Low, um dos projectos mais interessantes em solo nacional da última década, Luís Fernandes, mais conhecido pelo seu papel em peixe:avião mas com colaborações ambiciosas no mundo da música clássica contemporânea com nomes como Joana Gama Rodrigo Leão e Jonathan Uliel Saldanha, o mentor dos HHY & The Macumbas, um projecto que continua, desde a sua concepção, a desafiar os limites da música. Um conceito ambicioso - raras são as vezes em que a coesão de um álbum não é factor decisivo na sua apreciação - mas com resultados que compensam largamente esta aventura na qual os Black Bombaim e três produtores nacionais embarcaram.

É claro que, não obstante ao interesse imediato que estas colaborações suscitam, Black Bombaim continua, intuitivamente, a tratar-se de um álbum de Black Bombaim - o psicadelismo capaz de conjurar montanhas continua lá, a expansividade que colocou Barcelos no mapa do rock nacional está ao virar de cada transição. Entre temas agorafóbicos como "Zone of Resonant Bodies", cuja dimensão e dinâmica deixam o ouvinte desolado numa paisagem sónica eterna, peças mais quintessençais dentro do género psicadélico como "20171216", com a inegável marca da intemporalidade das reverberações e repetições, ou a ginga clássica do rock psicadélico a rasgar de "20180224", Black Bombaim é um disco que existe confortavelmente dentro daquilo a que os barcelenses nos habituaram, mas também cria a vontade inegável de ver estas colaborações únicas concretizadas cada uma no seu próprio álbum. É difícil ter de ficar só pela imaginação de até onde é que o krautrock electrónico de "20180415" podia ir, mas por agora as bençãos ficam-se contidas nestas seis faixas.

Em completa verdade, é impossível, não importa a extensão, cobrir tudo aquilo que Black Bombaim pode representar e aquilo que é - apesar de ter escutado o álbum incontáveis vezes desde que saiu, em parte concentrado naquilo que podia dizer sobre ele, continuo sem conseguir particularmente concretizar em palavras o que acho sobre o álbum, daí ter escolhido a brevidade. Black Bombaim neste disco apresentam-se tão refinados como crus, criativos como sempre e tão indesculpavelmente iguais a si próprios como nunca. Ao convidarem três novos produtores para a sua casa, abriram alas a um tornado refrescante num género que, quer queiramos quer não, já foi batido e recaldado vezes sem conta. Para o futuro fica a esperança de que mais deste género se faça, que mais se experimente. Para já, contudo, fica a marca e o corpo cansado deixados por Black Bombaim.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Crushed Beaks abrem os concertos de RIDE em Portugal


Os Crushed Beaks - um trio londrino que define o seu espetro sonoro como noisy pop - vão fazer a sua estreia em Portugal em fevereiro de 2020 para um evento que certamente será um marco de carreira para a banda: abrir os concerto dos shoegazers RIDEA banda apresenta em território nacional o mais recente disco de estúdio The Other Room, editado em agosto deste ano pela Clue Records.

Com uma sonoridade a trazer à memória nomes mais clássicos como Sonic Youth, ou mais contemporâneos como Ought, mas numa roupagem bem própria e altamente tingida por uma vibe mais happy lo-fi, os Crushed Beaks deixam expectativas para um concerto que poderá muito bem surpreeneder. Desde 2011, a banda de Matthew Poile, Alex Morris e Scott Bowley (originalmente um duo) já lançou uma séries de discos, EP's e singles que podem encontrar pelo seu Bandcamp, clicando aqui.


Os bilhetes para os concertos dos RIDE e Crushed Beaks marcados para 10 e 11 de fevereiro em Lisboa e Porto, respetivamente, já se encontram à venda e custam 25€. Informações adicionais do concerto em Lisboa aqui e do concerto no Porto, aqui.


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STREAM: NNHMN - church of no religion




Os NNHMN (Non-Human) regressam hoje aos destaques na imprensa internacional com a edição do seu segundo disco de estúdio, Church Of No Religion, disco que chega às prateleiras uns meses após a estreia com second castle. Lee e Michal Laudarg, os mentores do projeto NNHMN mostram que a sua eletrónica estóica e efémera surge este ano para se enraizar entre as playlists dos DJ's mais arrojados. Num clima hipnótico onde a poesia e as lamentações do purgatório se encontram de mãos dadas, os NNHMN constroem o seu mundo tão único: o amor pelo espectro frio dos sintetizadores, bem como o caminho pessoal da espiritualidade, solidão, obsessões, abismos e o desejo de imortalidade.

De Church Of No Religion já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Shulamite Woman" - uma malha vigorosa a embrenhar-se nas paisagens da música ambiente em conjugação com a minimal-wave, dark electronics e uma onda experimental - e ainda o tema de abertura "Kedar", a trabalhar em tonalidades e ritmos altamente monocromáticos onde a voz, fortemente processada, forma uma espécie de transe, um ponto de passagem para outra realidade. Além das referidas faixas recomenda-se vivamente a reprodução de  temas como "Häxan", "Army Of Mary", "Ariel" ou "Crawling". Podem agora ouvir o disco na íntegra abaixo.

Church Of No Religion é editado esta segunda-feira (23 de setembro) em formato cassete e digital pelo selo K Dreams (disponível aqui) e em CD pelo selo Zoharum (disponível aqui).




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