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sábado, 5 de outubro de 2019

Vivien Le Fay anuncia disco de estreia pela Boring Machines


A artista multidisciplinar italiana Vivien Le Fay estreia-se nos discos longa-duração já este mês com o álbum Ecolalia, termo que significa a repetição não solicitada de vocalizações feitas por outra pessoa. O disco é composto por seis experimentos sonoros que abrangem a sua paixão pela música e as fases por que passou até ter encontrado um caminho mais vincado na geração de designers de som eletrónico. O resultado evoca uma produção que é escura e densa, tal como as formações magmáticas e as cinzas pretas na base do vulcão adormecido.

Ecolalia - um disco conceptual baseado nessa sensação específica em que a comunicação é fragmentada e retorna ao seu estágio primitivo, que também é a condição original do caos - traz faixas instrumentais e outras onde descobrimos a voz poderosa, embora aina tímida que Vivien Le Fay aporta. O disco foi gravado em colaboração com Sergio Albano (Amklon) e já é conhecido o primeiro tema de avanço, "Ex self".


Ecolalia tem data de lançamento prevista para 25 de outubro pelo selo italiano Boring Machines. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Ecolalia Tracklist:

01. Eve 
02. Ex self
03. Each point of a thought 
04. Ecchymosis 
05. Ecolalia 
06. Elim

"Spiritual Cramp" dos Christian Death recebe versão de Halloween pelos Creux Lies


Os californianos Creux Lies - uma das bandas a atuar nos campos do novo revivalismo da cena gótica e que ganhou algum destaque o ano passado com a edição do disco de estreia The Hearth (2018) - pegaram num dos temas do icónico disco Only Theatre of Pain dos Christian Death, a faixa "Spiritual Cramp," e deram-lhe uma nova maquiagem. 

Apostando em ritmos mais rasgados, com alguns traços sinistros, sintetizadores a fazerem relembrar o período da disco e uma voz mais ténue, ainda assim estimulante, os Creux Lies criam uma versão divertida e pronta para se tornar um hit nas playlists deste mês de outubro. A faixa surge como uma nova versão para celebrar o Halloween e sai antecipada umas semanas, com selo Cleopatra Records, para chegar a todas as almas obscuras atempadamente. Podem escutar o resultado abaixo.



STREAM: Carla dal Forno - Look Up Sharp


Carla dal Forno regressou esta semana às edições de estúdio com Look Up Sharp, o segundo longa-duração de carreira que chega três anos depois de You Know What It's Like (2016) e uns meses após a edição do EP So Much Better (2019). O novo trabalho é um registo bastante pessoal que relate o processo de mudança e adaptação de Carla dal Forno a Londres. O disco, situado entre os espectros da folk lo-fi, pop melancólica, post-punk e trip-hop destaca-se pela multi-instrumentação que lhe dá origem, altamente divergente entre si, mas coesa como um todo.

Carla dal Forno é uma das compositoras mais interessantes na nova vanguarda de artistas que nasceu na década 10 do século XXI e este Look Up Sharp retrata-o muito bem ao incorporar toda esta confusão febril (mostrada em temas como "Leaving for Japan" ou "Creep Out Of Bed") aliada a músicas poderosas e imersivas (ouvir a título de exemplo singles como "No Trace", "I'm Counscious") ou  mais chill-out ("Don't Follow Me"). Ênfase ainda para a faixa "Push On" a abrir numa voz celestial altamente conquistadora.

Look Up Sharp foi editado esta sexta-feira pelo próprio selo da artista, a Kallista. Podem comprar o disco aqui.


SKEMER estreiam-se nos discos com Benevolence


SKEMER é o novo projeto colaborativo entre a vocalista Kim Peers (modelo da Vogue, Steven Meisel, Prada) e o guitarrista Mathieu Vandekerckhove (Amenra). A dupla belga cujo conceito sonoro se foca na exploração de géneros como a minimal wave, darkwave, coldwave, entre outros estreia-se já este outono com Benevolence o disco de estreia que promete agitar a nova cena underground europeia.

Como primeiro single de avanço - e além dos detalhes adicionais do lançamento - os SKEMER divulgaram esta semana "Sunseeker", uma malha de instrumentação facilmente assimilável para vários públicos, que explora uma aura que consegue soar a negra e distante, mas igualmente dreammy e suave. "Sunseeker" tem direito a um trabalho audiovisual dirigido por Sangah Oshin e pode reproduzir-se na íntegra abaixo.


Benevolence tem data de lançamento prevista para 25 de outubro pelos selos Avant! Records (vinil) Wool E Discs (CD). Podem fazer pre-order do vinil aqui e do CD aqui.

Benevolence Tracklist:

01. Shout Or Cry 
02. Sunseeker 04:07 
03. Rhoeas 
04. Best 
05. Call Me 
06. Heartbreak 
07. Wait For Me 
08. Shout Or Cry (Stripped)

Em dezembro há novo álbum de Öxxö Xööx


Quatro anos depois do aclamado disco Nämïdäë (2015) os franceses Öxxö Xööx vão regressar às edições de estúdio com o muito aguardado Ÿ, o terceiro disco na carreira do projeto de música avant-garde doom liderado por Laurent Lunoir (membro de Igorrr WHOURKR). O disco que chega às prateleiras em dezembro será o primeiro material inédito desde que Öxxö Xööx colaborou com o produtor de ciber-metal Master Boot Record numa faixa para o seu disco Direct Memory Access e contará com arranjos de sintetizadores assinados por este último.

Segundo esta publicação dos Öxxö Xööx na sua página de Facebook, Ÿ "começa com uma solene cerimónia fúnebre - para um personagem, para a humanidade, ou talvez para a sanidade. Através de uma beleza e desgraça melancólica, o álbum dá lugar a órgãos semelhantes a sinos antes que a bateria se torne um ataque". Do disco - que será composto por nove faixas e terá uma duração aproximada a 78 minutos - ainda não foi disponibilizado nenhum single de avanço. Fiquem com o último Nämïdäë abaixo.


Ÿ tem data de lançamento prevista para 29 de novembro (digital) e 13 de dezembro (vinil) pelo selo Blood Music.

Ÿ Tracklist:

01. 44³ 
02. D 
03. 9C639 
04. Köböl(D) 
05. NS2 
06. Lëïth Säë 
07. 3ën 
08. Döld 
09. 999

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

STREAM: The Day I Lost My Shadow - The Traveler [Threshold Premiere]


The Day I Lost My Shadow é o novo projeto a solo de André Gonçalves, atual baterista da banda Ulfberth (que em breve lançará o seu primeiro disco) e ex-membro da banda Mother Abyss. Recentemente criou o seu próprio estúdio, de nome Adrift Studio, que se localiza em Viana do Castelo. André divide o seu tempo entre Viana do Castelo e Porto, sendo que foi no seu estúdio que teve a ideia para este projeto.

The Traveler foi o nome escolhido para o primeiro disco de The Day I Lost My Shadow. Aqui notam-se influências desde Cult Of Luna a Perturbator, onde André combina vocais mais pesados com sintetizadores distorcidos de forma a obter um casamento perfeito, vagueando pelos campos da escuridão, esperança e melancolia.

Depois do lançamento em agosto do single "A Stranger's Dream" e do lançamento há poucos dias do single "Pale Horse" (que inclui videoclip), The Traveler vê hoje a luz do dia. Um projeto que vale a pena manter debaixo de olho e que vai rodar muito por estes lados.

Três a Solo de regresso à Povoa de Varzim


O Três a Solo é um festival de músicos a solo que acontece anualmente no Cine-teatro Garrett, na Póvoa de Varzim. 
A ter lugar nos dias 25 e 26 de outubro, pelas 21h30, a 4ª edição apresenta Lula Pena, O Gajo e Yosune, no dia 26, e Vaz Oliver, Daniel Catarino e João Praça, no dia 25, num festival que se pretende intimista e de proximidade com o público. O primeiro dia, que procura dar espaço a novos artistas e estimular a sua presença regular em espetáculos nas comunidades locais, acontece no Café-Concerto; no segundo dia, os concertos decorrem no Grande Auditório do cine-teatro, com nomes reconhecidos nacional e internacionalmente. 
A organização apostou num conceito que favorece a cumplicidade entre os músicos e os espectadores. Para tal, todos os anos é escolhido um ambiente acolhedor e desenhada uma cenografia específica, para que seja reconstruída a nossa “sala de estar”. 
Nas três edições passadas, passaram por lá nomes como Tó Trips, Norberto Lobo, Peixe, Emmy Curl e Homem em Catarse. O Três a Solo é feito por pessoas da cidade que têm como objetivo dinamizar e contribuir para a diversidade da oferta artística e cultural.
Os bilhetes para o primeiro dia custam 6€, para o segundo 10€ e para ambos 12€. Podem ser adquiridos no Cine-Teatro Garrett, em bol.pt e nas lojas FNAC.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Sydney Vallete vai lançar novo EP este mês

© David Fitt

Sydney Vallete já tem preparado o sucessor do disco de celebração de aniversário de 10 anos de carreira, How Many Lives, editado em fevereiro deste ano. O produtor francês vai lançar um novo EP em outubro deste mês e sobe um degrau acima na carreira com a sua aventura por territórios russos com o novo tema "Kто болен в городе?", uma faixa altamente abrasiva nos territórios da EBM, techno e industrial pronta para incendiar as pistas de dança mais arrojadas.

Fascinado pela cultura russa desde a infância Sydney Valette recorre neste novo tema a uma máscara para apresentar a sua nova atmosfera musical que segue um caminho mais pesado e sombrio do que seus lançamentos anteriores. "Kто болен в городе?" dá seguimento à faixa "Former Life (Summer Haze)" - que também deverá incorporar o alinhamento do EP - e foi disponibilizada esta quinta-feira num trabalho audiovisual que pode agora ver-se abaixo.


O novo EP tem data de lançamento prevista para 22 de outubro em formato self-release, sendo disponibilizado no Bandcamp de Sydney Valette na referida data.

Sly & The Family Drone + Stef Ketteringham em Portugal


Depois de nos terem visitado na edição de 2017 do Milhões de Festa, os Sly & The Family Drone regressam a Portugal este mês para apresentarem Gentle Persuaders, o seu mais recente longa duração, lançado em abril deste ano. O colectivo londrino irá passar por Lisboa no dia 29 de outubro, no dia 30 por Leiria para um concerto no Texas Bar e no dia de Halloween, 31 de outubro, sobe até ao Maus Hábitos no Porto para mais uma Corpo de Santo, um evento com a assinatura da Lovers & Lollipops

Em todas as datas dos Sly & The Family Drone a primeira parte estará a cargo de Stef Ketteringham, membro dos extintos shield your eyes


Black Bombaim e João Pais Filipe lançam disco conjunto em novembro


Nasce do desafio do Curtas de Vila do Conde a mais recente adição ao catálogo de discos da Lovers & Lollypops para o ano de 2019. Black Bombaim & João Pais Filipe - Dragonflies with Birds and Snake é editado a dia 12 de novembro e tem já datas de apresentação em Guimarães, CCVF (22 de novembro), Lisboa, ZDB (23 de novembro) e Porto. O LP regista assim o trabalho desenvolvido para o filme-concerto que, em 2018, juntou o trio barcelense e o percussionista para um espectáculo original em torno do filme homónimo, do realizador alemão Wolfgang Lehmann. O tema de avanço já pode ser ouvido no bandcamp da editora.

Já confirmada está também a estreia de "Black Bombaim", o documentário que registou o processo de trabalho para a criação de Black Bombaim w/ Luís Fernandes, Jonathan Saldanha e Pedro Augusto. Com realização de Miguel Figueiras e argumento de Manuel Neto, o filme regista a criação musical e a sua relação com a paisagem enquanto espaço de criação de mitologias e de somatização de fantasmas. Esta operação fílmica e sonora organiza-se numa trilogia, que é também a trilogia musical composta pela banda em processo de trabalho com três compositores distintos: Pedro Augusto, Luís Fernandes e Jonathan Saldanha. Estreia no Porto/Post/Doc em novembro.

Após o lançamento disco de remisturas para o seu LP de estreia, João Pais Filipe prepara-se para uma tour Asiática que passará pela Tailândia, Macau, Hong Kong, Taiwan e Japão. Em Outubro, o percussionista viaja, ainda, para o Perú onde fará uma residência com o mestre percussionista Manongo Mujica, que culminará com uma apresentação no Museu de Arte Contemporânea de Lima.

O FMUP Music Fest regressa para a sua oitava edição


A Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (AEFMUP) organiza este ano mais uma edição do FMUP Music Fest, estando a sua oitava edição agendada para o dia 9 de outubro, com entrada gratuita. A atividade tem como objetivo proporcionar aos estudantes uma noite de espetáculos de música ao vivo, sendo o seu programa constituído pela final do concurso de bandas do VIII FMUP Music Fest e pela atuação de duas bandas convidadas, que vêm acrescentar maior visibilidade e interesse ao evento. 

Acompanhando o crescimento exponencial que a atividade tem tido, envolvendo cada vez mais o público da cidade do Porto, o FMUP Music Fest volta este ano ao palco do Hard Club, na companhia dos QUADRA e dos FUGLY. Com as inscrições no concurso de bandas ao rubro, as 3 bandas finalistas (Phase Transition, Like I Can’t Go e Rumours) poderão ainda ser premiadas com a atuação no conceituado festival Walk and Dance, bem como com a gravação de um single num estúdio de qualidade profissional.

Não se restringindo a concorrentes estudantes da FMUP, permite hoje também que pequenas bandas de garagem possam tocar em excelentes palcos e ao lado de bandas de renome da música nacional, das quais se destacam das edições anteriores Killimanjaro, Prana, First Breath After Coma, Madrepaz, The Flying Cages e Zanibar Aliens. Funcionando como o que se pode chamar de uma rampa de lançamento de jovens artistas, os participantes de anteriores edições receberam já como prémio descontos em instrumentos e material de som, gravações de EP’s e atuações em festivais, sendo este o caso dos Daniel’s Dead Bird e dos Zebra Libra. Aquilo que começou por ser apenas um concurso de bandas de garagem realizado no Salão de Alunos da AEFMUP, tendo também já passado por palcos como o do Plano B e do Hard Club, teve no ano passado uma edição histórica ao realizar-se no Coreto dos Jardins da Cordoaria.



Wayne Hussey está de regresso a Portugal. A Salad Daze Tour passa este fim de semana por Lisboa e Porto

© James Bacon

Wayne Hussey, vocalista e guitarrista dos The Mission passa este fim de semana por Portugal para dois concertos acústicos. O primeiro é já no próximo sábado, dia 5 de outubro no RCA Club em Lisboa, e no dia seguinte no Hard Club, no Porto. Estes concertos integram a Salad Daze Tour do artista que celebra o lançamento da sua autobiografia Salad Daze pela Omnibus Press, editada em maio deste ano. 

Wayne Hussey, o emblemático frontman dos The Mission, é hoje considerado um ícone da cena gótica dos anos 80, começou por tocar guitarra inspirado em Marc Bolan, assumidamente o seu herói de infância. Teve o seu primeiro projeto com os The Invisible Girls, passou pelos Dead Or Alive e The Sisters Of Mercy. Foi seduzido e mais tarde corrompido, trocando a sua educação religiosa pelo seu oposto polar de encontro a um estilo de vida de hedonismo total. Desde os seus primeiros dias como Mórmon, passando pela amizade com Pete Burns nos Dead Or Alive, à sua mudança para Liverpool no final dos anos 70 e até ao fanatismo remanescente no Liverpool FC, Salad Daze é um relato abrangente da jornada pessoal e musical que Wayne Hussey fez até à formação dos The Mission. A sua autobiografia que o acompanha nesta digressão é um retrato sincero e honesto dos picos e armadilhas de uma vida na indústria da música, contada com inteligência e charme, atributos que ajudaram o artista a sobreviver e a conquistar as suas próprias ambições desenfreadas de continuar a fazer música até hoje. 


Neste regresso a Portugal, a primeira parte dos concertos é assegurada por Ashton Nyte com a sua poesia para corações partidos. A vida, o amor e o universo são as suas principais influências incluindo Kate Bush, Bauhaus, PJ Harvey, Iggy Pop, não esquecendo T-Rex e Tom Waits, de entre muitos outros. 

Cantor, compositor e produtor, natural da África do Sul, começou nos The Awakening, lançou seis álbuns a solo, e é hoje considerado pela critica um pioneiro da música alternativa da África do Sul. Atualmente a viver no Missouri (EUA), Ashton Nyte é descrito como uma espécie de génio musical. Compõe, toca e grava num estilo que combina vocais de barítono semelhantes a David Bowie e Johnny Cash, com uma instrumentação que varia entre o rock alternativo, o post-punk e o indie low-fi



Wayne Hussey (The Mission) + Ashton Nyte, têm o carimbo da promotora At The Rollercoaster. O preço dos bilhetes é igual em Lisboa e Porto, 12€ através da bol.pt, Fnac, CTT, Worten e El Corte Inglês.

Texto: Lucinda Sebastião

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Reportagem: A estranha dança dos Minami Deutsch [Musicbox, Lisboa]


Consigo compreender porque é que a falta de comunicação em concertos entre banda e público pode levar certas pessoas a torcer o nariz e a afetar a sua opinião sobre o espetáculo ao vivo. Os japoneses Minami Deutsch estiveram em cima do palco do Musicbox Lisboa no último sábado, 20 de setembro, e nem no desconfortável silêncio das pausas entre músicas trocaram uma única palavra com a audiência. Se bem que eles nem precisavam. A comunicação fez-se, exclusivamente, através da música e ainda bem.

O quarteto, equipado com os seus instrumentos (todos de cor preta), vieram apresentar o seu rock psicadélico tingindo com hipnóticos e repetitivos ritmos kraut. Esta repetição podia ter sido outro fator que poderia desencorajar alguns ouvidos. No entanto, é errado pensar que esta repetição gera monotonia. O concerto abriu com "Futsu Ni Ikirenai", aquela que podia ser mais uma faixa onde as guitarras conferem texturas a uma simples (mas eficaz) linha de baixo, acompanhada por uma bateria presa num compasso quaternário, contudo, quando esta inesperadamente recebe uma deliciosa distorção leva com que uma porção respeitável da audiência comece a… dançar. Para além dos passos de dança, este fuzz gerava efusivos headbangs, ou apenas um ligeiro e contemplativo abanar da cabeça. Era claro que não estávamos perante mais uma banda de rock psicadélico genérica e que havia muitos conceitos para desconstruir e inibições para derrubar.

Os Minami Deutsch fazem parte da editora Guruguru Brain, com sede repartida em Amesterdão e em Tóquio, e tem como missão mostrar ao mundo uma bela fatia da melhor música feita no underground japonês. Os seus conterrâneos Kikagaku Moyo também fazem parte desta label e, se estes se caracterizam pela música de cariz mais espiritual, que nos remete para paisagens primaveris de florestas cobertas de densas árvores, os Minami Deutsch levam-nos a paisagens com influências muito mais urbanas, algo sentido "em Can’t Get There", faixa cujo ritmo pulsante e as inquietantes melodias de guitarra transportam os mais sonhadores ouvintes para uma viagem às ruas de Tóquio (algo que também influenciou os realizadores do belo videoclip desta faixa) e toda a ansiedade e emoção que estas podem conferir.

No final do concerto, Taku Idemoto foi o porta voz da banda e despediu-se dos seus fãs após (um merecido) encore com um simples “Thank you very much”, únicas palavras (com exceção daquelas que faziam parte das músicas) que foram dirigidas do microfone colocado em cima de palco. Não podemos confundir esta atitude com arrogância ou antipatia. Os Minami Deutsch agradeceram de forma humilde a calorosa receção da audiência portuguesa, mesmo tendo estado em Portugal ainda este ano em agosto no Sonic Blast Moledo, e abandonaram o palco apenas quando sentiram que a sua missão tinha sido um sucesso.

Uma mistura entre influências orientais e alemãs, o concerto destes japoneses pode ter passado despercebido a muita gente, mas é certo que para as pessoas que estiverem presentes nesta sala tão depressa não vai ser esquecido. Tanto pela componente visual das coloridas projeções psicadélicas que a banda utilizou para ilustrar o seu concerto como pela componente musical, com repetitivas melodias que irão ressoar e ocupar espaços nas mentes dos ouvintes, que certamente seriam ocupados para lembrar importantes detalhes das suas vidas pessoais.



Texto: Hugo Geada
Fotografia: Virgílio Santos

Comet Gain editam novo álbum pela Tapete Records

© Phil Bower

Fireraisers Forever! é o novo álbum dos Comet Again, com data de lançamento marcada para 11 de outubro.

"O último LP foi um abraço gentil, interior e melancólico às 2 da manhã, mas o estado do mundo fez com que fôssemos obrigados a aumentar a confusão e tornar algo mais brutal e imediato. Desafiando nosso último LP, agora a tristeza da noite tardia transforma-se em manhã raivosa." É assim que a banda caracteriza o disco, editado pela editora alemã Tapete Records. Foi gravado numa sala de estar no norte de Londres com James Hoare (The Proper Ornaments/ Ultimate Painting) e Joseph Harvey-Whyte (Hanging Stars) e produzido pelo baterista MJ Taylor.

Enquanto o álbum não está disponível, podem ouvir os singles de avanço "Mid 8Ts" e "We're All Fucking Morons".

Nadah El Shazly passa pelo gnration na próxima sexta-feira


Nadah El Shazly, a estrela maior da nova música do Cairo, passa já nesta sexta no gnration em formato banda. Em 2017, estreou-se com Ahwar, um disco soberbo que abriu os horizontes para as novas produções egípcias. Depois da estreia a solo em Portugal, Nadah El Shazly regressa agora para se apresentar em formato banda.

Aquando da revolução egípcia, em 2011, Nadah El Shazly era ainda uma jovem rapariga que, como muitos outros jovens egípcios, desejava um futuro melhor para o seu país e onde depositava sonhos que lhe pareciam inatingíveis. Longe estava de imaginar que, em apenas quatro anos passados sob a Primavera Árabe, começaria a construir aquele que é até ao momento o seu único disco. Nadah, um prodígio entre muitos na recente e prolífera cena musical underground do Cairo, começou por cantar músicas dos punks Misfits, mas foi na produção eletrónica que encontrou o caminho para se libertar e ser incorreta com as fronteiras dos géneros musicais, algo que Nadah sempre faz questão de realçar nas suas entrevistas.

Ahwar (árabe para “pântano”), o seu único álbum, lançado na Nawa Recordings, editora do multi-instrumentista Khyam Allami, é um reflexo dessas fronteiras que Nadah tenta quebrar. Ao longo de dois anos, compôs, escreveu e produziu, contando com o companheirismo, arranjos e composição dos amigos Maurice Loca e Sam Shalabi, músicos egípcios que com o norte-americano Alan Bishop formam os The Dwards of East Agouza. Gravado entre o Egipto e o Canadá, Ahwar conta ainda com a cumplicidade no romper de fronteiras sonoras por parte de uma nata de músicos avant-garde de Montreal, todos eles integrantes na ensemble Land of Kush, liderada por Sam Shalabi. Em cinco composições que apresentam Nadah como uma das artistas equilibradamente mais arriscadas do mundo árabe, encontra-se ainda uma versão abstrata de um clássico da música egípcia: “Ana 'Ishiqt (I Once Loved)”, de Sayyid Darwish, autor do hino do país e pai da música popular egípcia.

Com 30 anos de idade, Nadah El Shazly levou já o seu disco aos quatro cantos do mundo, dos mais respeitados festivais às salas mais atentas, apresentando-o a solo a maior parte das vezes, mas por outras, cada vez mais frequentes, acompanhada pelo conterrâneo Cherif El Masri (guitarra e sintetizadores), Elsa Bergman (contrabaixo) e Konrad Angus (bateria), formação com que se dará a conhecer em Braga e mostrará o porquê da tamanha aclamação a Ahwar, num momento em que todos já esperam o seu sucessor.

Os bilhetes possuem o custo de 7 euros e podem ser adquiridos em bol.pt, balcão gnration e locais habituais.  




Mucho Flow com cartaz fechado



Foi hoje revelado o programa completo da próxima edição do Mucho Flow, o festival dedicado à divulgação das novas tendências da música contemporânea que este ano se estende, pela primeira vez, a dois dias. Em jeito de celebração, o festival vimaranense comemora os dez anos de atividade da editora e promotora Revolve, que organiza o evento desde 2013, e traz mais um cartaz de matriz surpeendentemente eclética. CIAJG (Plataforma das Artes de Guimarães)Edifício dos CTT e São Mamede CAE são os espaços que acolhem o festival durante os dias 1 e 2 de novembro.

Os dinamarqueses Iceage, que também cumprem uma década de existência este ano, são o grande destaque do certame, juntando-se assim ao já confirmado duo finlandês Amnesia Scanner e ao grupo rock britânico Heavy Lungs, assim como os portugueses Dada Garbeck, Chinaskee e o supergrupo Montanhas Azuis, composto por Norberto Lobo, Marco Franco (que também vai tocar a solo) e Bruno Pernadas. A banda de Elias Bender-Ronnefelt regressa a Portugal depois de duas atuações de apresentação do mais recente disco Beyondless em 2018, no Porto e em Lisboa.





A nova música dinamarquesa é ainda representada por um showcase especial da editora escandinava Posh Isolation, também ela a celebrar dez anos em 2019, com a tripleta Damien Dubrovnik, composto pelos fundadores do selo Christian Stadsgaard e Loke Rahbek, que também atua a solo enquanto Croatian Amor, e a cantora-compositora CTM a servir como amostra para uma das mais preciosas labels da década.

De Nova Iorque chega-nos Hiro Kone, que ao lado da produtora espanhola Jasss, também presente no cartaz, e do britânico Mun Sing, membro dos demolidores Giant Swan, prometem trazer a faceta mais fabril da música eletrónica a Guimarães. A germânica Born In Flamez e a MC americana Bbymutha estreiam-se em Portugal no festival, e os portugueses Holocausto Canibal alargam os horizontes do festival à música mais extrema. Djrum, Gabriel Ferrandini, Tendency e Dj Lynce completam o certame.

Os passes gerais encontram disponíveis online ao preço promocional de 25 euros até 25 de Outubro.




John Grant é a nova confirmação do Festival Para Gente Sentada


Poucos músicos serão tão brutalmente autobiográficos na sua obra como John Grant. Desde o início da carreira a solo, em 2010, com o aclamado Queen of Denmark, um álbum de orquestrações grandiosas, no qual exorcizava um passado de viciado em álcool e drogas. Aliás, na vida deste norte-americano, o público e privado (con)fundem-se sob a forma arte, como quando anunciou publicamente, durante um espetáculo, que era seropositivo ou quando, na ressaca de um desgosto amoroso, se mudou para a Islândia e compôs Pale Green Ghosts, o disco que lhe abriu os horizontes musicais para os encantos da pop eletrónica. Love Is Magic é o mais recente álbum de originais que continua a surpreender com a mistura crescente do uso da eletrónica aos ruídos dos sintetizadores analógicos. A arte de John Grant junta-se a esta edição do Festival Para Gente Sentada no dia 16 de novembro. 

Nos dias 15 e 16 de novembro, Braga volta a receber mais uma edição do Festival Para Gente Sentada que este ano já conta com a confirmação de Jonathan Wilson, O Terno e Sensible Soccers

Os bilhetes para a 16.ª do Festival Para Gente Sentada já estão disponíveis na bilheteira do Theatro Circo, gnration, bol.pt e locais habituais. Os passes para os dois dias do festival podem ser adquiridos por 40€ enquanto o bilhete diário tem um custo de 25€.



terça-feira, 1 de outubro de 2019

STREAM: Ohio Mark - Exotism

Bem versados na reverberação e ruído, os Ohio Mark estreiam-se nas edições de estúdio com um curta-duração que é uma ode ao shoegaze contemporâneo. Composto por um total de seis faixas as músicas dos Ohio Mark caracterizam-se pela sua distorção que vai sendo construída ao redor de vozes em reverb, guitarras desfocadas e sintetizadores figurativos do drone com uma percussão altamente fervorosa a criar o máximo de impacto.

De Exotism já tinham sido anteriormente divulgados os temas "Lucid Lake" (integrado na primeira mixtape da editora belga), "Shimmers of Darkness in Voids of Happiness" e "Slice Xll". O disco - que será do agrado dos fãs de ambientes manipulados e contorcidos - pode reproduzir-se na íntegra abaixo. Além dos já referidos temas recomenda-se ainda a audição de "ASCII Faces" e "Exotism". 

Exotism EP foi editado na passada sexta-feira (27 de setembro) em formato digital e cassete pelo selo sentimental. Podem comprar a vossa versão aqui.