sábado, 12 de outubro de 2019

Pixies em digressão - tour mundial passa por Portugal para concerto único no Campo Pequeno


Os Pixies estão em digressão e a tour mundial passa por Lisboa para um concerto único no dia 25 de Outubro, no Campo pequeno.

Pioneiros do rock alternativo norte-americano dos anos oitenta, alcançaram a sua popularidade nos Estados Unidos, contudo foi na Europa que encontraram maior sucesso com o pico da carreira a culminar nos anos noventa. A indie estridente dos Pixies resulta de uma combinação entre o punk e o surf rock, as suas canções fora do comum são maioritariamente escritas pelo vocalista e guitarrista Franck Black, nelas é frequente a alusão a seres de outro mundo, extraterrestres, assim como a temática do incesto e da “violência bíblica”. Neste regresso aos concertos, após uma pausa de cerca de dois anos, não prometem um set list, mas sim o improviso no alinhamento das canções, que segundo eles, será de acordo com a atmosfera que se fizer sentir ao longo do concerto. 


Para além das canções do novo álbum Beneath the Eyrie, (oitavo disco de estúdio) recentemente editado em Setembro, o repertório deverá incluir êxitos que fizeram o sucesso da banda. A actual tour que teve início no Reino Unido, percorre ao todo 33 cidades repartidas por 16 países.


Os britânicos Blood Red Shoes são os convidados especiais na primeira parte do concerto dos Pixies, duo composto por Steven Ansell e Laura-Mary Carter. Blood Red Shoes surgiram em 2004, o nome da banda foi inspirado numa cena do musical Swing Time de George Stevens (1936) em que a actriz Ginger Rogers, num treino intensivo, repete a mesma cena 47 vezes ao dançar com Fred Astaire, termina a sangrar dos pés tingindo de vermelho (sangue) os seus sapatos brancos devido ao seu esforço em busca da perfeição. 


Os Blood Red Shoes têm o underground punk rock como influência, com Pixies na primeira linha, mas também dizem ser influenciados pelos Nirvana, Sonic Youth, de entre muitos outros. Blur e PJ Harvey são tidos como ídolos. Cinco álbuns editados até ao momento, Get Tragic é o mais recente editado em Janeiro deste ano e é inspirado na estória da banda, feito de refrões cativantes, guitarras glam-rock e riffs electrónicos. É o que se espera ouvir desta banda neste regresso a Portugal, após a estreia no Santiago Alquimista em 2008.  

Pixies + Blood Red Shoes no Campo Pequeno, têm o carimbo da Everything Is New. As portas abrem às 19h30, o concerto tem início às 20h30. Bilhetes à venda no Campo Pequeno, FNAC, El Corte Inglês, Worten, CTT, Agência ABEP, Seetickets, Masqueticket.

Texto: Lucinda Sebastião

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David J de regresso a Portugal na próxima semana


É já na próxima semana, dias 16 (Musicbox, Lisboa), 17 (Teatro José Lúcio da Silva, Leiria) e 18 (Hard Club, Porto) de outubro, que David J regressa a Portugal para três concertos a solo em jeito de apresentação do seu novo disco.

Conhecido essencialmente pelo seu trabalho como baixista e membro fundador de Bauhaus e Love and Rockets, David J, celebra 36 anos de carreira a solo com o álbum Missive To An Angel From The Halls Of Infamy And Allure, descrito como o culminar de tudo o que criou até hoje. Este seu novo trabalho conta com a produção de Anton Newcombe (Brian Jonestown Massacre) e a sua data de lançamento coincide com a do concerto no Porto. O músico irá apresentar este novo trabalho porém é expectável que revisite alguns clássicos das suas bandas.


Os bilhetes estão à venda nos locais habituais, custando 12€ para Leiria, 16€ para Lisboa e 17€ (14.45€ com desconto para clientes da Tubitek ou na compra de bilhetes duplos) para o Porto.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Nivhek, Kali Malone, Maria W Horne, entre outros na próxima edição do Madeiradig



No que diz respeito ao circuito da música exploratória em Portugal, o festival Madeiradig é um dos mais importantes. Alva Noto, Fennesz, William Basinski, Tim Hecker, Oneohtrix Point Never ou Grouper são alguns dos nomes passaram pelo evento que se divide entre o Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, e a Estalagem da Ponta do Sol, que organiza o festival desde 2004.

Este ano, o Madeiradig decorre entre 29 de novembro e 7 de dezembro, e o cartaz da 16ª edição já é conhecido. O americano David Rosenboom e a contemporânea Frances-Marie Uitti, cujo trabalho integra inúmeras colaborações com compositores lendários como John Cage, Giacinto Scelsi e Iannis Xenakis, farão a sua estreia no acontecimento. Aos pioneiros da música experimental americana junta-se Heather Leigh, também americana cujas explorações de voz e guitarra a levaram a colaborar com atos de culto como Jandek ou o saxofonista alemão Peter Brötzmann.

Liz Harris, conhecida pelas suas composições bucólicas enquanto Grouper, regressa à Madeira com o seu mais recente projeto – Nivhek. Já com data marcada para Lisboa em novembro, a cantora-compositora americana passará ainda pelo festival para apresentar After Its Own Death / Walking in a Spiral Towards the House, um trabalho prolongado que junta colagens opacas de mellotron, guitarra, gravações de campo, fitas e pedais FX quebrados, desenvolvidas durante e depois de duas residências nos Açores e em Murmansk.


Drew McDowall, nome histórico da música industrial e membro dos seminais grupos Coil, Poems e Psychic TV, regressa também para a segunda data em Portugal este ano. Depois da confirmação na próxima edição do festival Semibreve, o músico britânico volta com a mesma premissa: revisitar os temas de Time Machines, disco essencial de 1998 forjado ao lado de John Balance e Peter Christopherson, membros fundadores dos Coil.

A nova música sueca também estará bem representada: Hanna Hartman, membro da Akademie der Künste, em Berlim e vencedora do prémio Karl-Sczuka de arte radiofônica e Maria w Horn, cujo trabalho incorpora síntese analógica e digital, juntam-se a um programa de luxo que integra ainda a norte-americana Kali Malone. Sediada em Estocolmo, o trabalho de Malone implementa também sistemas de síntese analógica e digital, combinadas com instrumentação acústica como o órgão, cordas, coro e instrumentos de sopro. The Sacrificial Code é o seu mais recente trabalho e um dos mais admiráveis discos de 2019.

O guitarrista português Manuel Mota e a baixista Margarida Garcia, o duo multidisciplinar GUO, formado pelos londrinos Daniel Blumberg e Seymour Wright, o lendário cantor, poeta e compositor japonês Keiji Haino e os cineastas e exploradores sonoros Priscilla Telmon e Vincent Moon, que se juntam novamente ao produtor libanês Rabih Beaini para apresentar o filme-concerto Híbridos, Os Espíritos do Brasil, completam o programa de concertos.



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The Psychedelic Furs em Portugal a 15 e 16 de outubro

Foto: Raul Umenes
The Psychedelic Furs regressam a Portugal na próxima semana, a banda dos irmãos Richard Butler e Tim Butler irá actuar primeiro no Porto, no Hard Club a 15 de outubro e no dia seguinte, em Lisboa no Lisboa ao Vivo.

Praticantes de um indie rock alternativo, são representantes do pós-punk e da new wave londrina dos anos oitenta. The Psychedelic Furs formaram-se em Inglaterra em 1977, nome inspirado numa canção de 1966 dos The Velvet Underground, "Venus in Furs”. Também não escondem a predileção por David Bowie, visível no álbum estreia homónimo editado três anos após a sua formação. Até ao momento, a discografia da banda consiste em sete álbuns de estúdio, várias compilações com os singles de maior sucesso, dois álbuns ao vivo, para além do disco gravado num das Peel Sessions, com o selo da Strange Fruit, a editora de Clive Selwood e John Peel, que durante anos foi o principal distribuidor da BBC Radio 1.


Há muito que não ouvimos falar de um novo disco dos Psychedelic Furs, animem-se no entanto os fãs, para além dos êxitos de sempre, trazem com eles nesta digressão uma novidade desde que se reuniram em 2000, a nova canção "The Boy That Invented Rock & Roll". Em curso está a gravação de um novo disco, que deverá estar concluído em 2020. Para já há um novo vinil de edição limitada de 7" polegadas, que inclui singles dos cinco primeiros álbuns, também em vinil e recentemente reeditados os sete álbuns de originais da banda.


Após a tour norte-americana com os James, no último Verão, a actual digressão que se estende pela Europa ao longo de Outubro teve início no Reino Unido, e passa na próxima semana por Portugal, seguindo depois para Espanha, Holanda, Bélgica e Alemanha.

The Psychadelic Furs no Porto e em Lisboa com o carimbo da At the Rollercoaster. Bilhetes à venda na bol.pt, FNAC, CTT, Worten e El Corte Inglês. Bilhetes físicos disponíveis na Piranha, Bunker Store, Tubitek, Hard Club podendo ser adquiridos solicitando por email para: attherollercoaster@gmail.com.


Texto: Lucinda Sebastião

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Missão cumprida: Wayne Hussey e Ashton Nyte no RCA Club, longa foi a noite em Lisboa


Com o crepúsculo típico do Outono, afinal a temperatura e a brisa que se faz sentir na face, e que nos faz abotoar um ou dois botões do casaco como que a sublinhar ainda mais a terceira estação do ano… e está sossegada, como sempre, Alvalade. E é já extensa a fila junto ao RCA Club, enquanto se espera pela hora certa numa esquina com candeeiros de luz fraca. E é já longa a noite ou pelo menos parece. As horas não perdoam, fechei a porta do taxi e entrei apressadamente para ouvir a já anunciada primeira parte do concerto do britânico Wayne Hussey.

Ashton Nyte, a voz dos sul-africanos The Awakening, que fez carreira a solo com a sua voz de barítono, de bonitas canções de toada invulgar. Já no interior da sala, quase lotada como seria de esperar, e subindo ao primeiro piso com uma visão geral da muralha humana que veste a sala, tornava-se mais difícil ainda a tarefa dos fotógrafos que pretendiam registar os momentos que ali se viviam em palco. Ashton Nyte, desenrolou de forma competente e sentida com a sua voz emotiva uma série de canções dos seus trabalhos a solo, incluindo as canções dos The Awakening. Entregou-se ali com um som equilibrado.  Quando entrei pareceu-me estar a ouvir um Johnny Cash de voz ainda mais grave… com uma singular diferença ampliada por um certo reverb e delay, quase similar à do Homem de Preto (assim era conhecido pelos seus fans, o rapaz do Tennessee, que se tivesse enveredado pelo gótico, soaria assim). Uma junção de Bowie e Cash (que influenciaram tanta gente), é o que dizem, e também foi o que me pareceu. Foram pelo menos umas boas dez canções a manter a curiosidade de as ouvir fora das suas versões acústicas, canções como “Upon The Water”, a melancolia que neste formato de guitarra e voz funcionaram tão bem, e surpresa foi ouvir a versão do “The Sound Of Silence” dos Simon & Garfunkel, uma das mais populares dos The Awakening na África do Sul.


Após este inesperado vislumbre, as canções de Ashton Nyte, são, como já disse, simples e desprovidas de arranjos mais elaborados e naquela noite em palco, prepararam bem o caminho para o que viria a seguir, e com idas ao balcão do bar ou cá fora para um cigarro, nada me fez pensar que com Wayne Hussey ainda seriam mais duas horas e quarenta minutos de um concerto acústico. Talvez que, nem a organização o esperasse, e muito menos o público. Foi uma agradável surpresa ver o célebre cantor que passou pelos The Sisters Of Mercy e que depois fundou os The Mission apresentar um concerto onde ninguém se poderia queixar da falta de empenho ou de entrega.  Bem disposto, apesar de algumas rabugices em palco com o técnico de som, mostrou-se comunicativo e brincalhão. Em jeito de celebração e sendo esta a tour de Salad Daze, livro que confesso ainda não li, mas que sei que em jeito de auto-biografia nos apresenta as suas aventuras e memórias da sua carreira musical. Goste-se muito ou não dos The Mission, foram várias e diversificadas as suas propostas musicais naquela noite, desde as inesperadas versões de “Hurt” dos Nine Inch Nails, “All along the Watchtower” de Jimmy Hendrix ou a mais previsível “Like a Hurricane” de Neil Young, que mais tarde de entre muitas outras integrou um extenso medley que incluíu a condessa descalça de Patti Smith lá mais para o final do concerto. Sentem-se os The Mission e… há algo de novo, há algo de mariachi na sua guitarra.


Ouvimos muitos clássicos dos The Mission, ou aquelas canções clássicas dos The Mission que julgávamos ter esquecido e que sabe sempre bem ouvir: “Butterfly On The Wheel” que dominou o éter radiofónico nos anos oitenta e ainda durante boa parte dos noventa (e ainda hoje); “Severina” cantada em plenos pulmões pelo próprio e pelo público, que tantas vezes coreografou os refrões, e outras que são mais próprias e pessoais para quem segue a sua banda de sempre e do parentesco com os The Sisters of Mercy. Soltou “Marian”, “Naked And Savage”, ”Mr. Pleasant”, “Garden of Delight”, ao piano ou na guitarra, Wayne Hussey desenrolou canções soturnas e mais algumas também familiares e luminosas como “Like A Child Again”. Revelou que consegue trazer as memórias de trás para a frente ou da frente para trás e trazer-nos para o agora naquele palco. Foram várias as soluções que arranjou para nos levar durante um concerto tão longo, lançando ele mesmo os ritmos pré-gravados que imprimiram a novidade e a toada mais rock ou ambiental que nos despertou do embalo das canções, que tal como no espectáculo de Ashton Nyte, se apresentaram despidas dos arranjos de banda e ali ganharam uma outra vida. No caso de Hussey, estrela maior do indie rock a escorrer de tinta (gótica), ele ali, duas horas e muito em palco sem aborrecer sobremaneira os mais fiéis, foi o que fez, juntando ainda mais quarenta minutos em cima disso. Um deleite para os fãs e para quem simplesmente lhe reconhece o valor na escrita e nas canções transversais a várias gerações e, embora longo, certamente um concerto que não se esquecerá tão cedo pela entrega. A noite em que Wayne Hussey tocou duas horas e pouco mais de meia no RCA Club, sozinho em palco perante o seu fiel público, sem os The Mission, a missão foi cumprida.



Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Virgílio Santos

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[Review] Danny Brown - uknowhatimsayin

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uknowhatimsayin | Warp Records/Fool's Gold Records | outubro de 2019 
8.3/10 

Instalando-se desde o início da sua carreira como uma personalidade audaciosa e com humor a rodos, e tendo evoluído da cena underground até ao panorama mainstream atual do hip-hop, o artista de Detroit Danny Brown dispensa apresentações. Contando com tiros certeiros na sua discografia como o colossal XXX ou o sufocante Atrocity Exhibition, o rapper de 38 anos tem-se cimentado cada vez mais como um espalha-brasas desmesurado e sem igual, ao mesmo tempo que demonstra uma adaptabilidade invejável a beats com estilos sonoros e disposições díspares a cada disco lançado. É seguro dizer que essa tendência se mantém intacta neste seu sexto álbum de originais, uknowhatimsayin, que conta com onze faixas no seu todo. 

Na cadeira de produtor executivo, Danny Brown conta sobretudo com o auxílio do histórico membro dos A Tribe Called Quest e histórico fabricante de beats Q-Tip, que é dono de um cunho sonoro de cânones mais soulful, enquadrando-o num panorama mais boom-bap, mas ainda assim com uma dose controlada de texturas leftfield pelo caminho, e que serve de veículo para a quantidade imensurável de bravado expressada pela voz caracteristicamente anasalada de Brown ao longo deste disco. Para além de Q-Tip, o rapper conta com o auxílio de mais alquimistas de som, como o colaborador de longa data Paul White, o mestre em aventuras alucinantes sonoras Flying Lotus, e um dos valores emergentes do hip-hop em recente memória, JPEGMAFIA

Quanto às faixas em si, preparem-se porque os temas vulgares tão característicos do homem estão, como sempre, em força, vindo, por exemplo, de vivências carnais que ele teve ao longo da vida, amalgamados com a anteriormente referida basófia, descrita em versos como “I ignore a whore like an email from LinkedIn” (“Savage Beast”) “I eat so many shrimp I got iodine poison” e “Got a foursome with four fours and I called it a twelve/One was chubby, one was ugly, wack as hell” (“Belly of the Beast”), entre muitos outros exemplos. Todavia, neste disco também há imenso espaço para outras temáticas de cariz mais sério, como referências a duras realidades outrora vividas de perto nas ruas, nomeadamente em “Combat” (“It’s the life that we chose, friends become foes/Nobody to trust, that’s the way life goes”) e “Change Up” (“Every other day, always some shit/I'm the underdog but I'm never over it”), mas também lembra o ouvinte de que se tem que persistir face às dificuldades que a vida traz, como no tema-título “uknowhatimsayin” (“My guy, just hol' your composure/And when you're down, it gets cold, I know, ah”) e no single “Best Life” (“'Cause ain't no next life, so now I'm tryna live my best life/I'm livin' my best life”). 



Como não podia deixar de ser, o delivery sempre polivalente de Danny Brown torna a jornada vivida e cativante do início ao fim, e o mesmo se pode dizer dos feats convidados que trazem o seu cunho inerente. Como resultado, tornam-se uma mais-valia à experiência do álbum no geral, como a participação de Blood Orange em “Shine”, que quase torna a faixa em algo saído de um álbum dos Brockhampton, ou o brand mais próprio de ostentação dos Run the Jewels demonstrado em todo o seu esplendor, casado com os beats versáteis de JPEGMAFIA, em “3 Tearz”. E falando em JPEGMAFIA, ele dá o ar da sua graça enquanto convidado de honra no refrão do assertivo “Negro Spiritual” produzido pelo alucinante Flying Lotus. Por fim, os vocais roucos do artista afrobeat Obongjayer são aquele remate inesperado, mas certeiro às faixas "uknowhatimsayin" e "Belly of the Beast".

Seguramente, uknowhatimsayin é no fim de contas um registo digno do progresso alucinante que Danny Brown tem tido ao longo desta sua aventura. Pode-se talvez argumentar que o revamp sonoro aqui tomado a cargo empalidece um bocado em comparação com diligências criativas anteriores como Atrocity Exhibition, mas todavia tem o seu próprio charme irreplicável, além de que compensa bastante com uma inesperada leveza que bate mais certo com o delivery desenfreado do Danny Brown, para não falar dos feats convidados a fazerem parte da jornada. Expectavelmente, uma coisa é certa, sendo essa de que este álbum tem já o lugar cimentado na lista dos melhores do hip-hop feito este ano.

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Swans de regresso ao Hard Club em 2020

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Numa ocasião única em território nacional, a banda veterana do movimento no-wave Swans, liderada pelo sempre enigmático Michael Gira, irá regressar no dia 10 de maio do próximo ano ao Hard Club no Porto. O pretexto para tal ocasião será o novo álbum do projeto leaving meaning, a ser lançado no dia 25 de outubro, mas também haverá certamente espaço para outros temas populares da longa carreira da banda. Gira irá ter consigo neste alinhamento do coletivo os membros Christoph Hahn, Phil Puleo e Christopher Pravdica, para além de Dana Schecter (Insect Ark e ex-Angels of Frost) e um dos nomes maiores da eletrónica experimental atual Ben Frost.

A primeira parte estará a cargo do ex-membro da banda Norman Westberg, e os bilhetes já podem ser adquiridos por este link.

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Wildnorthe anunciam disco de estreia, Murmur

© João Pascoal

Os portugueses Wildnorthe, dupla composta por Sara Inglês e Pedro Ferreira, vão lançar o seu primeiro disco longa-duração este ano mas as notícias não se ficam por aqui. O sucessor do EP Awe (2015, Ranging Planet) chamar-se-à Murmur, já tem o primeiro tema de avanço divulgado - "Howler" - e marca um período em que a dupla se junta a João Vairinhos (The Youths, LÖBO, Ricardo Remédiopara juntos, proporcionarem um futuro promissor de concertos hipnotizantes e altamente obscuros. A darkwave em Portugal nunca esteve tão viva.

Quatro anos depois da estreia os Wildnorthe trazem-nos nove temas inéditos que nos projetam aos mundos sinistros da eletrónica mais dark, com notadas influências de géneros como o industrial, synth-wave e electro post-punk. No novo tema de avanço, "Howler" - a trazer reminiscências de Depeche Mode - temos a primeira amostra do interesse da dupla em temas como a natureza, morte e pela beleza que os sítios mais negros e improváveis aportam. Agora disfrutem aí desta malha:


Murmur chega às prateleiras já este mês de outubro numa co-edição entre a Regulator Records e a Raging Planet

Murmur Tracklist:

01. Descend
02. Death Is Precious
03. Savage Eyes
04. Sour
05. Howler
06. Branch
07. Passage
08. Murmur
09. Foresee

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Portrayal of Guilt in interview: "It's an honor to be a part of this festival (Amplifest)"


Portrayal of Guilt is an american hardcore punk/screamo band formed in Austin (Texas). Right now they are in a tour with Touché Amoré and Deafheaven, with whom they will play at Amplifest next weekend

They make their Portugal debut on the Amplifest stage, still in the aftermath of the buzz and admiration generated by their debut album Let Pain Be Your Guide - a record that, paying a nostalgic tribute to the nineties screamo, rejuvenates it influenced by post-punk, industrial, among others. This debut, which is expected to be memorable, is scheduled for October 13, on the Oitava Colina Stage. 

We had the opportunity to ask them a few quick questions between shows ahead of the festival (via e-mail), and here is the result.

Threshold Magazine (TM) - Hello there! It's a pleasure to talk with you guys. Have any of you ever been to Portugal? Do you know any bands/musicians from here?

Portrayal of Guilt (PoG) - No, this is our first time in Portugal. We’re happy to finally make it out there. And we do not know much about the portuguese music scene.

TM - Are you guys looking foward to Amplifest? Did you already know the festival?

PoG - Absolutely. It’s an honor to be a part of this festival. We’d only learned about it this year, but are very excited and appreciative nonetheless.

TM - Which bands are you most curious to play with/see at the festival?

PoG - We’re stoked to see Inter Arma and Pelican on the date we play.




TM - You've got a new EP and a brand new split with Soft Kill. What else can we expect this year?

PoG - We have another split in the works and will be writing for another full-length once we return from this tour.

TM - Which bands/artists have influenced you guys the most?

PoG - Countless. Hard to name one.

TM - You are currently on an European tour with Touché Amoré and Deafheaven. What's it like sharing the stage with these two great bands?

PoG - It’s incredible. We’ve been fans of both bands for years, so it is very cool to be able to tour with them, especially here in Europe.




TM -  Do you think the screamo scene is getting more and more fans?

PoG - Hopefully.

TM -  Can you tell us which albums have you enjoyed the most the were released this year?

PoG - Cloud Rat’s Pollinator is probably my favorite album to come out this year so far.


TM -  Any emerging bands from Texas that you can recommend us?

PoG - Street Sects, Total Abuse, Three Rose Charm, Skeleton.



TM -  Thanks, guys. See you very soon!


Be sure to check out their latest EP Suffering Is A Gift and don't miss them: 5 PM on the Oitava Colina Stage.


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[Review] Leopard Skull - Welcome Home


Welcome Home | EXAG Records | setembro 2019
8.0/10

Leopard Skull, é assim que Harm Pauwels, multi-instrumentalisma de Ghent, Bélgica, se apresenta a solo no mundo da música. Deu os primeiros passos em 2014, quando gravou os seus três primeiros temas e foi convidado a dar o primeiro concerto no Incubate Showcase Festival, na Holanda. Partindo destas canções, Leopard Skull começou a estar mais atitvo, ora a tocar em garagens locais e eventos da cena psicadélica, ora a marcar presença em festivais internacionais, como foi exemplo o Lugano Buskers Festival, na Suíça. Nas suas atuações ao vivo Leopard Skull faz-se sempre acompanhar pelos The Hunters.

Foi no ano de 2017 que Leopard Skull se estreou nos registos discográficos, com o EP homónimo a ser lançado pela editora belga Belly Button Records. Mais recentemente, no passado mês de setembro, o artista belga trouxe ao mundo Welcome Home, o seu primeiro longa-duração pelas mãos da EXAG Records, editora de Bruxelas, por onde já saíram trabalhos de SLIFT e Phoenician Drive, bandas que passaram recentemente pelo nosso país.


À primeira audição, num serão familiar, Welcome Home soou muito a Beatles, como disse a minha mãe. Sim, é verdade, as influências da fase mais tardia e psicadélica dos Beatles estão todas lá, mas após várias audições, consegui entender a personalidade de Welcome Home, assim como todas as suas influências.

Welcome Home é iniciado pelo tema “7 Nights at The Week”, o qual resume bem as sonoridades que vão ser abordadas ao longo deste disco. Este tema introdutório apresenta também um interessante arranjo de instrumentos de sopro. Segue-se “Breakfast”, um dos temas mais fortes de Welcome Home, tanto a nível musical – transporta-nos facilmente para os anos 60 - como lírico “Your Breakfast always keeps me sane / Your coffee will get me awake / When I’m feeling numb in my head / You use your tricks to make me feel great”. Outra influência bem notória em Welcome Home é a do neozelandês Connan Mockasin, da sua voz característica e dos seus ritmos de guitarra, principalmente nos temas “I Want to Go” e “Birthday Cake”. O tema “Big Leaf” apresenta-nos uma faceta lo-fi pouco comum neste disco, ao jeito de Ty Segall.

“House” é a faixa com maior duração deste álbum, aproximadamente 8 minutos, e a mais bela deste conjunto de 12 canções. Os seus primeiros minutos têm o único propósito de nos embalar-nos até casa, guiados por um conjunto de sintetizadores sonhadores. Por sua vez, os minutos finais desta faixa mostram um Leopard Skull mais virado para as sonoridades características do britpop, assim como o tema seguinte “People I Don’t Know”, que parece retirado da discografia dos Oasis.


O primeiro single a ser conhecido de Welcome Home foi o tema “My Thoughts”, o qual me despertou logo a atenção para este trabalho e me levou a querer ouvir mais de Leopard Skull. “My Thoughts” está envolvido numa atmosfera sintética e em algum reverb, sendo a par de “House”, o tema que mais gente irá atraír até este álbum. A percussão também tem espaço para brilhar neste disco, principalmente em “Sun”, tema que traz à tona a sonoridade dos Foxygen.

Welcome Home é um disco que reúne a melhor psicadelia dos anos 60 e 70 e lhe dá um toque de contemporaneidade. Marcado por sonoridades que não são de todo originais – é cada vez mais difícil ser-se inovador no mundo saturado da psicadelia -, este disco apresenta uma coleção de músicas bem produzidas, com uma interessante componente lírica e uma atmosfera lisérgica muito própria.

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

STREAM: Angélica Salvi - Phantone


A harpista Angélica V. Salvi lançou hoje Phantone, o seu longa duração de estreia que conta com a assinatura da Lovers & Lollypops. O disco foi anunciado no mês passado através dum teaser videográfico gravado por Frederico Lobo no Mosteiro de Rendufe no âmbito do Encontrarte de Amares – o qual contém parte do tema "Solidago" –  e foi já apresentado  no passado dia 5 no Out.FestBarreiro. No dia 24 deste mês, Salvi irá estrear-se na sessão 3 das Jameson Urban Routes que terão lugar no Musicbox em Lisboa – uma noite que irá partilhar com a norte-americana Kelsey Lu (bilhetes a 12€ e mais informações aqui) regressando no dia 30 ao Porto para uma sessão intimista na St. James Anglican Church que contará com honras de abertura da performer e investigadora Ece Canli (bilhetes a 6€ e mais informações aqui).

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Falta uma semana para o regresso dos The Comet is Coming a Portugal


Daqui a exatamente uma semana acontece o regresso dos The Comet is Coming a Portugal, pela mão da Gig Club.

Os The Comet is Coming vêm de Londres e resultam da junção entre três dos muitos músicos e artistas que constituem a nova vaga jazz britânica. Liderados pelo carismático e génio prolífero Shabaka Hutchings, que antes nos visitou em junho numa performance com os seus Sons of Kemet no segundo dia do festival NOS Primavera Sound, o trio nomeado para o Mercury Prize de 2016 (aquando do lançamento do excelente álbum de estreia The Comet Is Coming) regressou este ano às edições com o muito aguardado segundo disco de originais, de nome Trust in the Lifeforce of the Deep Mystery, e também com o seu recém-lançado EP The Afterlife.

Os britânicos dão assim mote a uma nova vaga de atuações com Portugal novamente no mapa dias 16 e 17 de outubro, no Hard Club (Porto) e Lux Frágil (Lisboa), respetivamente.

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Iceage dão concerto na ZDB



Os Iceage passam por Portugal em outubro e novembro para duas datas em Lisboa e Guimarães. Depois de encerrarem o cartaz da próxima edição do festival Mucho Flow, que este ano festeja os 10 anos da promotora e editora vimaranense Revolve com dois dias de música distrubuídos por 3 salas, a banda de Elias Bender Rønnenfelt, vocalista do grupo dinamarquês, passa por Lisboa para um concerto na Galeria Zé dos Bois no dia 31 de outubro.

Beyondless é o mais recente disco dos Iceage, editado em maio de 2018 pela editora norte-americana Matador, a mesma que editou os anteriores You're Nothing, de 2013, e o poderoso Plowing Into the Field of Love, de 2014. A banda, que se encontra neste momento em estúdio a preparar o sucessor de Beyondless, poderá apresentar "algumas surpresas no alinhamento", afirma a organização.

Este marca também o regresso dos dinamarqueses a Lisboa, onde atuaram pela última vez em 2018 aquando da última edição do festival Jameson Urban Routes.

Os bilhetes para o concerto em Lisboa encontram-se disponíveis ao preço único de 15 euros e podem ser adquiridos na Flur Discos, Tabacaria Martins e na própria ZDB.


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Fotogaleria: Luís Severo [gnration, Braga]


No passado dia 28 de setembro, estivemos presentes no gnration para assistir à atuação do cantautor Luís Severo, num concerto inserido na Braga Music Week. O artista trouxe consigo O Sol Voltou, disco mais pessoal e confessional que editou sem qualquer aviso prévio na primavera deste ano. 

Fiquem com o registo fotográfico dessa noite, a cargo da lente de Ana Carvalho dos Santos.

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Russian Circles e Torche passam em Portugal em 2020


2020 já mexe. A Amplificasom anunciou esta manhã que Russian Circles e Torche vão passar por terras lusas em março do próximo ano. 

A banda de Chicago regressa a Portugal para apresentar Blood Year, o novo capítulo de uma colecção já repleta de clássicos como Station, Geneva ou MemorialO quarteto floridiano de sludge/stoner Torche estará encarregue da primeira parte de ambas as datas a marcar desde já na agenda: 18 de março no Porto (Hard Club) e 19 de Março em Lisboa (LAV – Lisboa ao Vivo).

Os bilhetes já se encontram à venda na Amplistore e têm o preço de 22 €.


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Foreign Poetry em entrevista: "O processo para este disco foi muito espontâneo"



Os Foreign Poetry são Danny Geffin e Moritz Kerschbaumer. Danny é inglês, Moritz austríaco e ambos tocam vários instrumentos e escrevem canções. Conheceram-se em Londres, durante o verão de 2011, quando tocavam em projetos diferentes mas cruzaram -se na mesma noite no The Ritzy, em Brixton - Moritz com Luís Nunes, mais conhecido por (Walter) Benjamin e Danny como metade dos Geffin Brothers.
Grace and Error on the Edge of Now é o nome do segundo disco dos Foreign Poetry, editado no dia 20 de setembro via Pataca Discos. Um disco com sonoridade a lembrar rock-psicadélico sem rock nem psicadelia - mais próximo de folk ou anti-pop. Com referências como Arthur Russell, The National, Lambchop e Future Islands, há diferentes estilos ao longo do álbum, assim como diferentes universos temáticos, somando-se numa meditação sobre a conexão espiritual.

A Threshold Magazine esteve à conversa com o duo multi-nacional sobre as suas influências musicais, o novo álbum e o processo criativo por detrás de Foreing Poetry.


De onde veio o nome Foreign Poetry? Qual é a história por trás do projeto?

Foreign Poetry - Nós conhecemo-nos há muito tempo e tocámos noutras bandas juntos. A música surgiu através da escrita em conjunto sem planos, cresceu e está a crescer naturalmente. O nome surgiu enquanto estávamos em Portugal, tínhamos uma lista de nomes e esse destacou-se para nós.

Em relação à composição, podem-nos dizer como funciona o vosso processo de gravação? O que vos inspira na sala de ensaios?

Foreign Poetry - O processo para este disco foi muito espontâneo, o Moritz felizmente tem o seu próprio estúdio, o que nos permitiu passar lá um tempo sem ter que olhar para o relógio. Escrevemos e a gravámos quase em simultâneo, o Danny às vezes gravava os vocais na casa dele em Brighton, então era uma mistura entre estar no estúdio a escrever juntos e a trabalhar nas músicas individualmente. Quando viemos a Portugal, usámos o Studio 15A durante uma semana, onde gravámos principalmente bateria com o António Dias, Luís e o Danny e também algumas guitarras, teclas e percussões.

Grace and Error On the Edge of Now é o vosso álbum de estreia como Foreign Poetry. Sobre o que fala e quais são as suas principais influências?

Foreign PoetryGrace and Error On the Edge of Now foi feito numa época em que vivíamos em extremos, um dos quais era focar muita atenção no processo criativo. Conversávamos muito até altas horas da noite sobre o que sentíamos ser importante para nós e como encarávamos assuntos como política, amizades, amor e todas as coisas que estavam nas nossas cabeças. Foi um momento em que nos conhecemos melhor e estamos ansiosos para mostrar isso no próximo álbum, que provavelmente será um processo muito diferente, já que as nossas vidas mudaram tanto desde então. O título descreve esse momento da nossa vida. Os extremos, a alegria e os erros.


Porquê a longa espera entre os singles "Sparks" e "MHL" (2018) e o lançamento de Grace and Error On the Edge of Now (20 de setembro de 2019)?

Foreign Poetry - Tivemos um início muito rápido e estávamos extremamente empolgados e entusiasmados. Mesmo que nada disso tenha morrido, fizemos umas jogadas erradas e tivemos que adiar as coisas. Foi difícil ficar com um disco finalizado por tanto tempo, mas às vezes as coisas boas demoram mais e a aprendizagem para nós foi enorme.

Como foi trabalhar com Luis Nunes (Benjamin)?

Foreign Poetry - Conhecemos o Luís há 10 anos e trabalhámos com ele desde então em várias coisas. Para este disco, ele veio ter connosco um dia quando estávamos em Lisboa para tocar bateria em algumas músicas, e fomos ao 'submarino' dele em constante evolução por alguns dias, para dar mais um tratamento de mixagem e obter um par extra de orelhas no disco.

Que lembranças têm da vossa estadia no Alentejo?

Foreign Poetry - O Danny nunca esteve no Alentejo e o Moritz foi para lá de férias uma vez e gostou bastante.


Voces são um projeto oriundo de Londres, no entanto, decidiram lançar um álbum pela editora portuguesa Pataca Discos. Como isso aconteceu? Vocês são admiradores de outros projetos e bandas da Pataca?

Foreign Poetry - A ligação Pataca veio através do Luís, quando ele se apresentava como Walter Benjamin, o Moritz tocou teclas para ele e chegou a ir a Portugal para dar uns concertos, onde conheceu o JP, o proprietário da gravadora. Mostramos-lhe em agosto no que estávamos a trabalhar e ele adorou. Nós admiramos muito Bruno Pernadas, Tape Junk, Benjamim, YCWCB e todos os outros projetos que giram na família Pataca.

Como foi tocar no NOS Primavera Sound em 2018?

Foreign Poetry - Foi uma sensação incrível. Recebemos uma receção calorosa da equipa e do público do festival.

Que músicas têm ouvido repetidamente nas últimas semanas?

Foreign Poetry - Spiritualized - "I Think I’m In Love"; His Golden Messenger - "Devotion"; Jonwayne - "Jumpshot"; Jonathan Wilson - "Ballad of the Pines".



Entrevista: Rui Gameiro e Tiago Farinha

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