sábado, 2 de novembro de 2019

Sweet William apresentam-nos risos cheios de dor


Numa carreira que conta já com 33 anos, os Sweet William lançaram este ano um novo álbum altamente focado num espectro que engloba o neo-folk com claras influências do rock progressivo. Conhecidos pelas atmosferas melancólicas e frias que nos têm apresentado ao longo dos últimos anos, nem sempre a carreira dos Sweet William foi assim tão linear. Neste mais recente Laughter Filled With Pain, que nos chega ao radar com uns meses de atraso, os Sweet William apresentam um álbum com sonoridades ténues mas facilmente apaixonantes.

Temas como "Day After Day", em que o vocalista nos canta sobre o facto do tempo curar tudo, transmitindo-nos uma mensagem de esperança; "Memories" - carregada numa toada nostálgica - ou mesmo "Release Me", num folk mais experimental e vanguardista mostram que a maturidade dos Sweet William está mais que refinada. A versão em CD apresenta mais dois temas que a digital sendo que "New Wings" e "New Orizon" apenas se poderão ouvir se comprarem a versão física.

Laughter Filled With Pain foi editado a 1 de julho de 2019 pelo selo Datakill Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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STREAM: Box and the Twins - Zerfall


A dupla alemã Box and the Twins regressou esta quinta-feira às edições com Zerfall, o segundo disco de originais que chega às prateleiras três anos após a edição do disco de estreia Everywhere I Go Is Silence (2016). Conhecidos pelas suas músicas emotivas que oscilam entre o dark pop e dream wave, os Box and the Twins apresentam-nos um disco repleto em malhas melancólicas e perfeito para acompanhar as ondas mais frias características da estação.

Deste segundo LP de estúdio - que foi produzido por Josia Mazzaschi no Cave Studio em Los Angels e masterizado por Hélène de Thoury (HANTE.) - já tinha anteriormente sido apresentado o tema "The First Dream", um malha de paisagens eletrónicas obscuras cantada por uma voz abatida. Com foco na dor e tédio da existência humana os Box and the Twins trazem 10 novas faixas onde também ganham destaque temas como a badalado "Dein Herz schlägt noch", os post-punk influenced "Ashes" e "Frozen in Time" e ainda o celestial "No  Hope". O disco pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Zerfall foi editado no passado dia 31 de outubro em formato CD e vinil pelo selo Synth Religion. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

STREAM: Totem - Passage


Os dinamarqueses Totem  editam esta sexta-feira (1 de novembro) o seu primeiro LP de carreira Passage, um álbum originalmente concebido como uma homenagem ao passado, após o desaparecimento dos Metro Cult, a ex-banda do líder do projeto, Christoffer Bagge. Passage vem dar sucessão às primeiras demos feitas em casa e publicadas em 2018 e marca a primeira edição de Totem como um duo, após a inclusão da artista audiovisual Trina Echidna (Mouth Wound). 

Através de uma abordagem altamente ao estilo DIY, produzindo os seus próprios temas e vídeos, os Totem apresentam-nos agora a penumbra que integra a maioria dos temas de PassageDeste disco de estreia - que começou como uma homenagem ao passado e acabou por se transformar num desejo em destruí-lo - já tinham anteriormente sido apresentados os temas "Figment" e "A Night In Reverse". Além destes temas recomenda-se ainda a audição de "New Sun", "Lifelines" e a faixa de encerramento "Momentary", que é apresentada hoje em formato audiovisual.



Passage tem data de lançamento prevista para 1 de novembro em formato digital. O vinil está agendado para 15 de janeiro e o CD para 15 de novembro pelo selo Young & Cold Records. Podem comprar o disco aqui.


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Ritual Howls têm novo tema, "A Safe Haven From The Sun"


Em março deste ano os Ritual Howls voltaram aos destaques no cenário musical com o seu novo LP de estúdio Rendered Armor, uma coleção de oito temas a transmitirem uma mistura cinematográfica entre rock industrial com o ritmo monocromático do post-punk e as atmosferas imersivas da eletrónica dark. Elogiado pelos arranjos expansivos na alçada de uma produção louvável os Ritual Howls têm conquistado cada vez mais corações com as suas músicas melancólicas mas apaixonantes.

Agora, quase oito meses após a edição de Rendered Armor, o trio de Detroit regressa com o novo tema "A Safe Heaven From The Sun", retirado das sessões de gravação do quarto disco de originais. Segundo o vocalista e guitarrista Paul Bancell explica em press-release que este é um tema bastante pessoal 
"When I was a boy I would stare at the forest. I would look at all of the tiny places between the trees and long to live there. A safe place, a haven. As I get older, the falsehoods I’ve been fed continue to reveal themselves and at times I still stare into the trees. The thick, dark green – a safe haven from the sun"
"A Safe Heaven From The Sun" foi editado esta sexta-feira (1 de novembro) pelo selo Felte Records. Podem comprar a edição digital aqui.



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Os NNHMN lançaram uma cena especial


Ainda na euforia do lançamento do disco de estreia Church Of No Religion, e a dupla alemã NNHMN já está de regresso em altas com uma nova surpresa, através da edição do 7'' s p e c i a l que além da música traz uma artwork incrível. Numa aura mais industrial, com algumas influências techno Lee Margot e Michal Laudarg trazem uma coleção de dois temas altamente aditivos e prontos para incendiar as pistas de dança mais underground mundo fora. Se em "s p e c i a l" os NNHMN apresentam uma atmosfera bem sombria e a trazer reminiscências da EBM, em "s c a r s" a vibe é mais hipnótica e altamente imersiva.

s p e c i a l foi editado esta quinta-feira (31 de outubro) em formato digital pela própria label da banda k-dreams records. Aproveitem para comprar os singles aqui e ouvi-los na íntegra abaixo.



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Os Numb.er têm um novo preço


Um ano após a edição do disco de estreia Goodbye, os Numb.er estão de regresso com um novo 7'' intitulado Price que marca um novo processo para a banda. Com a mudança de um dos elementos da formação original, os Numb.er continuam a afinar o seu som numa vertente mais punk, criada com ansiedade e urgência. 

"Price" é a primeira amostra desta nova fase de consolidação de uma identidade por parte do projeto liderado por Jeff Fribourg, apresentando-se um single poderoso, cativante e bastante imersivo, com uma surpresa que consegue ser relaxante, mas igualmente noisy no final. Já o B-side da edição trata-se de uma nova versão da música "We Hide" presente no LP de estreia Goodbye. Podem ouvir o resultado abaixo.

"Price"/"We Hide (Redux)" foi editado na passada quarta-feira (30 de outubro) em formato digital. O vinil ainda está no processo de manufaturação e terá a edição da conceituada Felte Records. Podem fazer a pre-order da vossa cópia aqui.



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STREAM: LOVATARAXX - Hébéphrénie


Os franceses LOVATARAXX estão de regresso às edições de estúdio com Hébéphrénie o segundo trabalho de carreira que chega às prateleiras dois anos após a edição self-released de Kairos. Apostando numa estética mais synthwave, onde os ambientes obscuros e a eletrónica mais monocromática se encontram em grande foco, os LOVATARAXX trazem um disco que é instantaneamente assimilável e um bom lançamento para os amantes das atmosferas mais nostálgicas. Inspirados por nomes de renome como Fad Gadget, Minimal Compact, Tuxedomoon, Suicide ou Kas Product, os LOVATARAXX trazem um disco que vos vai animar a playlist para estes dias mais chuvosos.

Neste Hébéphrénie encontram-se temas mais antigos como "Hoop", "Ana Venus", "Prostration" e "Sidewalk" editados na edição original de Kairos, que obviamente só se encontra disponível para os que compraram o CD na altura do lançamento. Na internet pode encontrar-se um EP com o mesmo nome e com quatro músicas do LP original, que não foram editadas neste Hébéphrénie (podem ouvir esse EP aqui). Este que é o "disco de estreia oficial" já se encontra disponível para audição integral há alguns dias, mas se ainda não o fizeram podem agora ouvi-lo na íntegra abaixo.

Hébéphrénie foi editado esta sexta-feira em formato CD e digital pelo selo Unknown Pleasure Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Bestial Mouths - INSHROUDSS


Três anos depois do LP Hearthless (2016, Cleopatra Records) e dois depois do LP de remixes desse disco (Still) Hearthless (2017), Bestial Mouths - o projeto liderado por Lynette Cerezo - adiciona novos temas inéditos à discografia através do EP de cinco temas INSHROUDSS. INSHROUDSS marca o primeiro lançamento de Bestial Mouths inteiramente escrito e concebido por Cerezo, desde as raízes do projeto em 2006. Através de cada uma das cinco faixas do EP, a voz comandante de Lynette volta a trazer-nos os seus ambientes sinistros e satânicos através das suas sonoridades obscuras.

Deste novo EP INSHROUDSS - que conta ainda com a colaboração do amigo de longa data Brant Showers (∆AIMON / SØLVE) na eletrónica industrializada - já tinham anteriormente sido divulgados os temas "THE BLEED" e "INSHROUDSS" e o restante disco está agora disponível para consumo integral abaixo. Além dos referidos temas destaque ainda para a mexida "UNSHIVERES" e "IN WOUNDS", onde é notório o sufoco existencial.

INSHROUDSS EP tinha data de edição prevista para 28 de outubro, mas acabou por ser lançado esta sexta-feira (1 de novembro) em formato vinil e digital. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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LUNACY de regresso com novo tema, "Imminent"


A figura sombria da Pensilvânia, LUNACY regressa este ano às edições de estúdio com o primeiro longa-duração de temas originais que prepara o ouvinte para um ambiente submerso em distorção e que explora os reinos da música noise com uma sensação reminiscente do shoegaze e movimento psicadélico. Parece uma mistura extremamente ampla de géneros, mas acreditem que encaixam na perfeição.

A compôr música desde 2016 LUNACY lançou até à data quatro EP's e uma compilação de singles. Agora chega a vez da estreia a sério com Age of Truth, disco que aborda o envelhecimento da humanidade bem como os danos pelos quais o ser humano é responsável. Na continuação de promoção deste disco, onde ruído e melodia se focam nas palavras de ação, LUNACY avança com um novo vídeo para o segundo tema extraído de Age Of Truth, "Imminent", onde volta a mostrar que a estética audiovisual se encontra em força nesta edição. O vídeo para "Imminent" - uma faixa altamente abrasiva e poderosa - pode ver-se abaixo.



Age of Truth tem data da lançamento prevista para 22 de novembro pelo selo Third Coming Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.



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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Rod Krieger - Todos Gostamos de Você [Threshold Premiere]

© Marina Abadjieff

Rod Krieger é um músico brasileiro que atualmente se encontra a viver no nosso país, em Lisboa. E foi na capital que o multi-instrumentista finalizou o seu primeiro disco a solo, A Elasticidade do Tempo, a ser editado em março de 2020, disco esse que começou a ser gravado no Brasil após o fim da banda brasileira Cachorro Grande, da qual foi baixista durante 15 anos. 

“Todos Gostamos de Você” é a primeira amostra de A Elasticidade do Tempo e fala sobre meditação, prática do artista na altura em que escreveu este tema. Segundo Rod: "Ela é uma espécie de mensagem do nosso interior para o corpo que habitamos, um incentivo para aguentarmos as pressões do mundo real”. O tema remete-nos para as paisagens indianas, não fosse o sitar o instrumento dominante, sendo que outros elementos sonoros , como os vocais embebidos em reverb, os riffs despreocupados de guitarra e o constante caos de fundo a lembrar músicas de Spiritualized, também se destacam neste tema. 


A capa deste novo single é da fotógrafa e artista visual brasileira Marina Abadjieff, amiga do músico, que também está também a morar na capital portuguesa. A estética de colagem de fotos produzidas por Marina segue a do primeiro single solo que Rod lançou, "Louvado Seja Deus", que conta com a participação do grande mestre da psicadelia brasileira, o ex-Mutante, Arnaldo Baptista

A Elasticidade do Tempo foi gravado, mixado e co-produzido por Ricardo Prado no estúdio Canto da Coruja, em Piracaia, interior de São Paulo, e depois masterizado pelo australiano Rob Grant, do Poons Head Studio, que também já trabalhou com artistas como Tame Impala e Lenny Kravitz

“Todos Gostamos de Você” chega às plataformas de streaming já amanhã (1 de novembro) Aproveitem para o ouvir em primeira mão aqui:


Rod Krieger faz-se acompanhar pelos The Telepathic Owls, banda que montou para as suas atuações ao vivo, sendo que poderão vê-los a atuar numa espécie de ensaio aberto na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, dias 20 e 27 de novembro. Estes ensaios funcionam como laboratório para os concertos de apresentação do disco a ser lançado em 2020. Rod vai experimentar em palco as diferentes versões das músicas que fazem parte do disco, aprimorar arranjos, inventar novas possibilidades e contar um pouco como foi o processo de criação das novas canções.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Noite épica no Hard Club com os Efterklang


Depois de uma passagem por Lisboa, foi a vez da “Invicta” receber os dinamarqueses Efterklang para o segundo concerto em Portugal, onde apresentaram temas do seu novo álbum Altid Sammen. O espetáculo teve lugar no dia 24 de outubro, no Hard Club, sob a chancela da Gig Club, tendo ficado o warm up da noite a cargo dos portugueses First Breath After Coma.

Foi com grande expectativa que cheguei ao Hard Club para ver os First Breath After Coma e os “cavaleiros” da Dinamarca - Efterklang. Ao entrar na icónica sala para amantes de música ao vivo, a expectativa deu lugar à surpresa devido ao escasso número de pessoas presente, já que faltavam poucos minutos para a entrada em palco da banda que faria a abertura da noite. Contrastando com a sala, ainda pouco preenchida, o palco estava majestosamente equipado e repleto de instrumentos musicais. Tudo isto se tornaria irrelevante para o que iriamos assistir nas 3 horas seguintes, em que a noite foi evoluindo num crescendo musical apoteótico.

Após um ligeiro compasso de espera, eis que o palco é “tomado” pelos First Breath After Coma. Os cinco elementos da banda de Leiria posicionaram-se alinhados, por detrás dos instrumentos, bem próximos do público, iniciando a sua performance, sob um contido aplauso. Sendo uma das bandas portuguesas mais promissoras do momento, era visível o entusiasmo do público que se deixou envolver e “desnudar” pelas sonoridades de NU (álbum editado a 1 de março de 2019, pela Omnichord Records depois dos singles "HEAVY" e "Change"). Oito faixas – descritas como oito telas – que “foram sendo pintadas por um, por outros e por uns e outros, nem sempre ao mesmo tempo. Cada um com o seu pincel, mas todos com a mesma ideia para o quadro final”, os First Breath After Coma assumem um formato mais eletrónico do que o registo inicial post-rock que os caracterizava. 


Durante cerca de 45 minutos, acompanhados pela harmonia das cordas, dos teclados e dos sintetizadores, interpretaram com uma intensidade contagiante temas como “The Upsetters”, “Change”, “Please Don’t Leave”, criando uma atmosfera que não deixou ninguém indiferente, convidando muitos dos que ali estavam ao movimentar dos corpos. Despediram-se com “I Don’t Want Nobody”, escutado por uma sala silenciosa, mas que no final reagiu com vigorosa ovação. 

Terminada a atuação da banda portuguesa, prepara-se o cenário para os senhores da noite: os Efterklang (que em português significa reverberação). A banda de origem dinamarquesa, com sede em Copenhaga e cuja criação remonta a 2000, é composta por Casper Clausen (vocais), Mads Brauer (sintetizadores, eletrónicos) e Rasmus Stolberg (baixo), mais músicos quando se apresentam ao vivo. Com vários álbuns de estúdio e EPs editados (o primeiro em 2004, Tripper), pode dizer-se que a sua música para além de eclética é ambiciosa e aventureira, sendo muitas vezes rotulada como art pop, math rock ou pós-rock, o que não é de todo incorreto, mas também não é uma verdade absoluta. Nas suas músicas, que parecem hinos cheios de emoção, combinam ritmos eletrónicos inteligentes e limpos ao lado de instrumentos “orgânicos” com arranjos frondentes, confortavelmente alinhados, onde podemos reconhecer ou ligar estas sonoridades a músicos como Bon Iver, Sigur Rós ou mesmo Matthew Dear.

Após a pausa “forçada” (que nos deixa sempre impacientes) e o fim do “rodopio” dos técnicos em palco, fez-se silêncio e os olhares viraram-se para o cenário onde iriamos assistir a momentos de pura magia.  No palco, vão ocupando posições os famosos “sete”, preenchendo, por completo, o espaço. Ao trio original juntaram-se Siv Øyunn na bateria, Christian Balvig na guitarra, Tatu Rönkkö e ainda Indrė Jurgelevičiūtė no kantele (instrumento típico finlandês que faz lembrar uma “arpa horizontal”). O líder da banda, Casper Clausen (a residir há 3 anos em Lisboa), começou a entoar, na sua língua materna e numa perfeita atitude de sedução com o público, o tema de abertura “Verden Forsvinder”. Ouvem-se aplausos e é em momentos como este que percebemos que a música não tem fronteiras linguísticas. Se entendi uma palavra do que cantou? Não, mas para mim, como para todos os que o escutavam, isso não era importante. O entendimento era sensorial, não linguístico.  Segue-se “Supertanker” em que à voz de Caspar se vão juntando em coro, as vozes cristalinas da baterista e da “kantelista”, como se de um canto de sereias se tratasse. No final soaram os tão merecidos aplausos com o vocalista a agradecer e a expressar a sua enorme satisfação por estar de volta ao Hard Club, seis anos depois.


Um dos momentos mais emocionantes da noite surgiu com “Vi er uendelig” onde o frontman dos Efterklang deposita toda a sua “arrepiante” capacidade vocal e o público, que apesar de não falar dinamarquês, o acompanha trauteando a letra. Foram momentos de grande beleza e encantamento que transpareciam no olhar de todos os que se deixaram envolver pela voz, a melodia e o sorriso cativante de Casper. O público foi saboreando temas como “Uden ansigt”, “I dine øjne” e “Havet løfter sig”. Mas foi com “Hold mine hænder” que se deu a simbiose perfeita entre a banda e o público. Casper avança até à primeira linha e entoa cada palavra como se todos as entendessem. A emoção tomou conta da sala quando a audiência começou a repetir as palavras à medida que ele as ia proferindo. Casper, emocionado, não se conteve em dizer que tinha sido um dos momentos mais belos que viveu e perguntou se havia algum coro na sala. Este momento de emoção alucinante ficou registado na página oficial dos Efterklang, onde no dia seguinte se podia ler: "The singing along in Porto yesterday especially blew our minds. Sounded like a stadium". Foi com este momento épico que terminou a primeira parte do concerto.

Instantes depois, regressam, agora em inglês, com “Alike” (Magic Chairs, 2010) e o vocalista, já sem casaco (peça do guarda-roupa que nos saltou à vista na sua entrada inicial em placo), põe uma plateia inteira a dançar quebrando assim a sonoridade mais acústica e introspetiva da primeira parte. Talvez um dos momentos mais altos e celebrados da noite aconteceu com “Modern Drift”, que, tal como em mim, deve ter “impactado” em arrepios nos que ali se encontravam. Seguiu-se-lhe a não menos emblemática “Cutting Ice to Snow”, tema do álbum Parades (2007). Casper pede silêncio e o público acede. O concerto prossegue com os Efterklang a revisitarem êxitos como a belíssima “Sedna” e “Monopolist” do seu primeiro álbum (Tripper, 2004). Com “The Ghost” (Piramida, 2012), a banda deu por terminada a sua atuação, alinhados na frontline para um agradecimento coletivo. A chuva de aplausos teimou em não abrandar o que os fez regressar para o derradeiro tema “Dreams Today” (Piramida, 2012).


Um público delirante acompanhou com palmas ritmadas o som do piano. Este seria o final de um concerto que ficará na memória de todos os que tiveram o privilégio de o “viver” in loco, numa sala que apesar de não ter atingido a sua capacidade máxima, nos pareceu a todos “sobrelotada”. A banda dinamarquesa encarregou-se de a preencher com a sua entrega e notável prestação. Os Efterklang, assim como todos os que ao Hard Club se deslocaram nessa noite, foram a prova viva que salas de lotação esgotada não são condição sine qua non para espetáculos de excelência. Estes acontecem com a mestria de grandes performers que conseguem envolver e “agarrar” os presentes até ao último milésimo de segundo e deixar marcas para memória futura. Foi isso que aconteceu com os Efterklang

Resta-nos agradecer noite inesquecível que nos proporcionaram, na esperança de um Até Breve!

Texto: Armandina Heleno
Fotografia: Ah!PHOTO

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Fórum do Futuro leva Lafawndah ao Porto



O Fórum do Futuro está de regresso ao Porto. De 3 a 9 de novembro, 52 artistas reúnem-se na cidade para debater as travessias do legado colonial, 500 anos após as efémerides da circum-navegação de Fernão de Magalhães.

O ator norte-americano Danny Glover, a cientista indiana Vavanda Shiva, a curadora e investigadora portuguesa Filipa Ramos e o programador cultural Gareth Evans são alguns dos destaques do programa que promete "pensar processos de ocupação, tanto territorial como cultural". 

Também presente estará Lafawndah, cantora e produtora cujo álbum de estreia, Ancestor Boy, é um dos mais admiráveis de 2019. A sua música, que circula entre os ritmos encantatórios da música de dança mais ritualista, bebe tanto de Nina Simone como de Bjork ou Kate Bush, tendo vindo a adquirir falatório a nível global pela forma como desafia os padrões da música pop.

O seu percurso conta já com vários destaques e colaborações, desde a celebrada performance com Tirzah e Kelsey Lu no Southbank Centre de Londres ao trabalho conjunto com a música, performer e compositora japonesa Midori Takara, apresentado no Barbican Centre.

O concerto, que marca a estreia de Lafawndah no Porto, acontece dia 6 de novembro na Casa da Música

Ainda no campo da música, a produtora, DJ e escritora CRYSTALLMESS apresenta o projeto multidisciplinar In Memory of Logobi, que inclui um DJ set e uma composição audiovisual (com vídeos, GIFs, imagens de arquivo e digitalizações 3D) onde a artista francesa pretende estabelecer um mapeamento multidimensional do Logobi, explorando o cruzamento entre alienação pós-colonial, tecnologia e a cultura DIY.

A entrada para os espetáculos é gratuita mediante levantamento de bilhete (2 por pessoa), e os bilhetes encontram-se disponíveis no local da sessão, no próprio dia, a partir da hora de abertura da bilheteira. 


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Fotogaleria: Amplifest [Hard Club, Porto]


O muito aguardado Amplifest regressou no passado dia 12 de outubro, três anos depois da sua última edição. O Hard Club abriu mais uma vez as portas ao "melhor fim de semana do ano", que contou com casa cheia em ambos os dias. Esta edição contou com grandes nomes que exaltaram o ecletismo, a vanguarda e o talento num fim-de-semana onde todos foram cabeças-de-cartaz. Alguns nomes foram repetentes nestas andanças, como Amenra e Deafheaven, enquanto outros foram novidades no festival, como Touché Amoré, Daughters ou Birds in Row

Nós marcámos presença neste memorável fim de semana organizado pela Amplificasom, que pode ser revisitado através das fotogalerias em baixo ou aqui e aqui.


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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Sieben e The Manchesters no Sabotage Club a 1 de novembro


São as noites do Sabotage Club, que na próxima sexta-feira, dia 1 de Novembro trazem até Lisboa, Sieben ou Matt Howden também conhecido como o homem orquestra. Em formato one man show promete uma mistura de sons hipnóticos onde o violino e a sua voz carregada de vocalizações soturnas serão dominantes. Estilisticamente, a música de Sieben combina elementos clássicos, populares e folclóricos. Os seus discos são conceptuais de linguagem realista, outros de conteúdo mais abstracto e visceral, gothpunktronic como o próprio define no seu site. O mais recente trabalho de Sieben, Kickstart, The Empire!, será o motivo da visita mas não só. Em Portugal é também conhecido pela seu trabalho na banda portuguesa Raindogs ou como violinista dos Soul Invictus banda inglesa que tem por cá um certo culto. 

Os portugueses The Manchesters aquecem o palco antes do concerto de Sieben. Este é um grupo que consolida um som claramente britânico nas suas inspirações com uma mistura que se pretende actual do "Madchester dos Stone Roses e a mordacidade dos The Smiths”. A participação no Day of the Lords, compilação da Zona 22 que reúne bandas portuguesas num tributo a Joy Division, fez nascer os The Manchesters, grupo que inclui elementos dos Cello, K4 Quadrado Azul, Corsage e Raindogs

The Manchesters regressam ao Sabotage Club pela segunda vez este ano, após o concerto de apresentação do EP estreia Seven Days.


Texto: Lucinda Sebastião

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O terceiro álbum dos Tristan da Cunha chega em novembro


Os Tristan da Cunha são uma dupla italiana que pratica uma sonoridade post-rock com uma aura ambient e drone, com recurso exclusivo a bateria e guitarra. Formados por Luca Scotti (bateria) e Francesco Vara (guitarra) em agosto de 2016 a banda prepara-se agora para lançar o terceiro disco de carreira, Onda do Mar, que abrange novos campos de experimentação, num álbum mais maduro e com uma produção melhorada. Nesta evolução a banda não esquece, contudo, as raízes e volta a abordar a temática do mar na discografia. Convém referir, portanto, que o seu nome vem da ilha Tristan da Cunha situada no meio do Oceano Atlântico, e caracterizando-se como uma das ilhas mais remotas do mundo

Juntamente com o anúncio do novo disco os Tristan da Cunha lançou o primeiro tema de avanço, "Too Deep For Us", que como o próprio nome indica é uma malha bem profunda para os amantes das paisagens do post-rock. Pronta para nos levar ao mundo imersivo no fundo do oceano, a música vem acompanhada por um simples trabalho audiovisual que pode ver-se abaixo.


Onda do Mar tem data de lançamento prevista para 23 de novembro em formato CD numa coedição entre os selos I Dischi del Minollo, CASETTA, Brigante Records and Productions e Delphic Records e cassete pelo selo Teschio Dischi (podem comprar aqui).

Onda do Mar Tracklist:

01. A Sea God, Or Something Similar 
02. Onda do Mar 
03. Too Deep For Us 
04. Birds of Passage 
05. Outro

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Pop. 1280 laçam novo disco em dezembro


Depois de três discos na conceituada casa Sacred Bones Records, os Pop. 1280 vão lançar o sucessor de Paradise (2016) na belga Weyrd Son Records. O quarto disco de originais da banda sediada em Nova Iorque chega às prateleiras no último mês do ano e vê agora revelado o primeiro tema extraído do disco, dos onze que compõem o alinhamento, "Under Duress". Sem se descurarem das raízes do industrial e reminiscências punk que têm caracterizado a sua discografia os Pop. 1280 apresentam um tema que é minimal, mas ainda assim bastante denso, poderoso e perspicaz.

Segundo a nota de imprensa, a génese deste novo disco surgiu quando a banda já estava nos toques finais do seu terceiro trabalho de estúdio, quando descobriram que o baterista Andrew Chugg ia deixar a banda.  Pouco tempo depois o teclista Allegra Sauvage também deixou a banda e os Pop. 1280 apresentam-se agora em formato renovado, num disco que promete ser bem mais experimental que o anterior.


Way Station tem data de lançamento prevista para 6 de dezembro em formato vinil e CD pelo selo Weyrd Son Records. Podem fazer a pre-order da vossa cópia aqui.


Way Station Tracklist:

01. Boom Operator 
02. Under Duress 
03. The Convoy 
04. Doves 
05. Hospice 
06. Monument 
07. Empathetics 
08. Leading The Spider On 
09. The Deserter 
10. Home Sweet Hole 
11. Secret Rendezvous

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