sábado, 9 de novembro de 2019

Rain To Rust em estreia no post-punk com Flowers of Doubt


Em 2018 o turco Mert Yıldız uniu-se a Erhan Sazlı para criarem o projeto Rain To Rust, a explorar como base uma sonoridade tingida de negro e altamente influenciada pela sensação de como a facilidade de acesso à informação e à sua abundância  tornou a arte como um produto em segundo foco. Inspirados pelas correntes do post-punk e rock gótico dos anos 80, os Rain To Rust estreiam-se agora nos discos com Flowers of Doubt, apresentando melodias familiares, mas que ainda assim conseguem tecer algumas surpresas, como é o caso da faixa "Time And Time Again", a trazer um final altamente imprevisível.

Rain To Rust - projeto a que Mert Yıldız dá voz e alma, sendo ainda responsável por toda a instrumentação criada - apresenta em Flowers of Doubt um total de oito faixas que são o culminar dos seus 20 anos de experiência no panorama da música underground. Há espaço para manusear os feitos criados por grandes bandas influentes do cenário post-punk dos anos 80, mas também um grande espaço aberto à criação de novas camadas e paisagens experimentais. Desta estreia recomenda-se a audição de temas como o já referido "Time And Time Again", "Burnt To Light" e o tema de encerramento "For When It Hurts".

Flowers Of Doubt foi editado no passado dia 2 de outubro em formato cassete e digital. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Já há 36 nomes no cartaz do Amphi 2020


O Amphi continua a bombar nas confirmações para 2020 e conta já com 36 nomes confirmados. Às primeiras duas vagas artistas divulgados - que incluiram como cabeças de cartaz VNV Nation e Eisbrecher - juntam-se agora mais quase uma dúzia de nomes prontos para incendiarem de negro os vários palcos que integram o certame do festival mais gótico da Colónia. 

Nas novas confirmações encontram-se um total de 10 nomes que nunca pisaram palco no Amphi e que se apresentarão pela primeira vez ao habitual público entre os dias 25 e 26 de julho de 2020. São eles:  MESH; ZEROMANCER; NACHTBLUT; FROZEN PLASMA; CAT RAPES DOG; DUPONT; STURM CAFÉ; THE FOREIGN RESORT; DER FLUCH e PERFECTION DOLL.

O alinhamento do festival por dias já se encontra disponível e podem encontrar todas as informações adicionais aqui. Aproveitem ainda para relembrar a edição passada do Amphi através da nossa fotogaleria clicando aqui, ou através do aftermovie disponibilizado pela organização do festival abaixo.


A edição de 2020 do Amphi Festival decorre nos dias 25 e 26 de julho em Tanzbrunnen, em Köln, na Alemanha. Os passes para os dois dias têm um preço de 87€ e os bilhetes individuais têm um preço de 62€, podendo ser adquiridos aqui. Todas as informações adicionais relativas ao festival podem ser encontradas aqui.



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3+Dead estreiam-se nas edições de estúdio no final do mês

© Damiano Sordi

Os italianos 3+Dead vão estrear-se este mês nas edições longa-duração com o homónimo 3+Dead, disco de nove temas que promete colocar em altas as atmosferas de transição entre o post-punk dos anos 80 e o shoegaze dos 90's. O trio, composto por Elisa Pambianchi (voz), Roberto Ruggeri (guitarra, sintetizadores) e Giuseppe Marino (baixo) encontra-se no ativo desde 2017, combinando os sons obscuros e eletrónicos das ondas mais escuras com o lirismo onírico do shoegaze, numa abordagem que é bastante expressiva.

Deste 3+Dead já são conhecidos os temas "Snake of June" - uma potente malha ritmos monocórdicos e uma diplomacia bastante monocromática - e "Shine", a apelar o ouvido de fãs de nomes como Slowdive pelas suas camadas sonhadoras. Enquanto o disco não chega às prateleiras, podem ficar com estes dois temas abaixo.


3+Dead tem data de lançamento prevista para 22 de novembro em formato CD numa co-edição entre a Icy Cold Records (podem fazer pre-order aqui) e a Swiss Dark Nights (pre-order aqui).

3+Dead Tracklist:
01. Snake Of June 
02. Ocean Drift 
03. Shine 
04. November 
05. Angitia 
06. The Thing That You Call Love 
07. Ghosts Generator 
08. Kebabtraume 
09. Rabbit Hole

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STREAM: Novgrod - Roald


Novgrod, o projeto a solo de Giel Cromphout, mais conhecido pelo seu trabalho como vocalista da banda El Yunque, está de regresso às edições com o seu oitavo trabalho de carreira, Roald, que explora as atmosferas experimentais da música com folk sempre com o seu habitual toque criativo. Numa fase mais madura da carreira, Roald apresenta um total de nove faixas, com foco na guitarra acústica, percussão em loop e colagens sonoras. As letras, mais proeminentes do que antes, concentram-se em temas como natureza, exploração e snobismo cultural.

Deste novo Roald já tinha anteriormente sido divulgado o tema "Pop", uma malha com uma duração aproximada a três minutos e altamente apelativa a fãs de nomes como Current 93, Death In June ou The Legendary Pink Dots. Num disco que aporta uma grande camada melancólica, Novgrod destaca-se pelo seu incrível sentido de imersão na música que produz. Além do tema de avanço destaque ainda para temas como "Crowd", "Hunters", "Riffles" e "Wildebeast". O disco pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Roald foi editado esta sexta-feira (8 de novembro) em formato cassete pelo selo sentimental. Podem comprar a vossa edição aqui.


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Joseph Shabason dá dois concertos em Portugal



É conhecido pelo seu trabalho com os Destroyer, do canadiano Dan Bejar, e com os norte-americanos The War On Drugs, do qual desempenhou um papel essencial na elaboração do aclamado disco Lost in the Dream. Joseph Shabason, saxofonista-compositor canadiano, estreia-se este mês a solo em Portugal: primeiro na congregação anglicana da Igreja de St. George, em Lisboa, no dia 15 de novembro, e depois no IRL, no Porto, a 17 de novembro.

A sua música situa-se na fronteira entre a música ambient e o jazz, iluminada pelos universos imaginados por Jon Hassell do quarto mundo. Inspirado pelas paisagens esparsas de Fourth World, Vol. 1: Possible Musics, disco que juntou Hassel ao cérebro e autor máximo da música ambient Brian Eno, o músico natural de Toronto encetou por uma carreira a solo em 2017, ano em que editou o seu primeiro álbum, Aytiche, seguindo as pisadas anteriormente exploradas pelos últimos. Anne, o segundo e mais recente álbum de Shabason, seguiu-se um ano depois e vê o saxofonista lidar com o trauma intergeracional, transformando entrevistas feitas com a sua mãe em composições de uma deslumbrante empatia.

O concerto em Lisboa contará com a primeira parte de Zzzzzzzzzzzzzzzzzp!, duo composto por Miguel Sá e Miguel Carvalhais, e os ingressos encontram-se disponíveis pelo custo único de 8 euros. Já no Porto, o concerto tem entrada livre.


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STREAM: 10 00 Russos - Kompromat


Chegou às prateleiras esta semana o terceiro disco de estúdio dos portuenses 10 000 RussosKompromat, que dá sucessão a Distress Distress (2017) e que os volta a projetar no cenário europeu como um dos atos relevantes na cena do kraut-rock e música psicadélica. Ao longo de cinco faixas, onde o ritmo aparenta ser palavra de ordem, os 10 000 Russos sugerem uma revolução dupla no panorama sócio-político e no próprio estado subconsciente do humano. Ao contrário do que foi assimilado no seu antecessor, este Kompromat emana uma sensação de libertação, apesar do sentimento opressivo que lhe corre nas veias.

De Kompromat já tinha sido divulgado o primeiro tema de avanço, "Runnin' Escapin'", com foco nas linhas de baixo constantes, ritmos imersivos e ambientes onde a guitarra conduz à hipnose. Além da referida faixa recomenda-se ainda a audição de "The People, na onda de uns Neu!, poderoso melancólico "Quite a Charade" e ainda o tema de encerramento "The Wheel", a mostrar um lado mais industrial nos lançamentos da banda. Kompromat pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Kompromat foi editado esta sexta-feira (8 de novembro) pelo selo Fuzz Club Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Sieben e The Manchesters na inumerável lista de noites surpreendentes no Sabotage Club


Um dia depois do Halloween. É sexta-feira e já libertas dos mascarados da noite anterior, estão mais tranquilas as ruas, agora com a movimentação nocturna habitual. Já no Sabotage, há uma certa curiosidade aguçada para ouvir The Manchesters e Sieben, numa noite que promete ser bem diversificada de sons de mistura eclética que se espera, brotar do pequeno palco deste grande clube do Cais do Sodré. Palco de sonhos concretizados e de muitos concertos que nunca deixaram de surpreender.

Esta noite não seria diferente com os The Manchesters a apresentarem uma digna actuação com: músicos experientes, teimosos mesmo, a apresentarem canções apoiadas em referências indie assumidamente de Manchester, reformulando-as com um toque de actualidade e tomando de assalto o palco com uma dinâmica que nunca viria a abrandar, mesmo num tema mais calmo com alguma influência reggae, sincopado, e mais à frente no concerto, uma urbanidade que se apresenta na música da banda e que vai mesmo buscar de forma subtil algo ao que de melhor foi feito por terras de sua majestade ou, por terras do Brexit, nos dias de hoje.


Melodiosos e bem ritmados estes The Manchesters, um grupo que conta com músicos experientes de outras formações como os Raindogs, The Fishtails ou Radio Macau, têm canções que vão buscar sim influências à musica de Manchester, cidade que lhes dá o nome, e são canções refrescantes e até alegres, diria, com um cunho pop rock, onde os arranjos de estética indie e a forma entusiasmada de o vocalista as abordar são mais fáceis de digerir e é claro que rapidamente estamos a bater o pé, com o público a aderir à festa no Sabotage. Com títulos como “Camouflage Helicopters" ou "Falling Outta Love”, percebemos de onde vêm e para onde querem ir e também no cuidado que têm com os arranjos e da forma profissional e convincente com que entregam as canções em palco. Ficámos convencidos que chegam lá. Aguardemos pelo primeiro longa duração deste grupo para ouvirmos de certo um registo convincente como o foram nesta noite aquelas dez canções no palco do Sabotage. Surpreendente foi também a presença de Matt Howden (Sieben), chamado ao palco na penúltima canção para com o seu violino abrilhantar "Seven Days”. Houve “Fire” na despedida. The Manchesters, são de Lisboa, soam a Manchester e acrescentam muito mais a tudo o que já se se fez.

O que se passou a seguir não terá sido surpresa para quem conhecia de avanço o trabalho de Sieben mas certamente terá deixado os mais incautos de boca aberta, certamente espantados com a miríade de sons que foram harmoniosamente projectados pelo PA do Sabotage ao longo de uma hora. Sieben cantou, tocou violino, gravou vozes em directo e todos os sons repercutidos em cima de bases simples ou gravadas no momento, era vê-lo carregar em pedais e tocar solos de violino, por vezes uns em cima dos outros, gravando vozes sussurradas que serviam de ritmo às canções. Canções com títulos como "Crumbs", "Kickstart The Empire!", "Jigsaw Chainsaw" ou "Ohgam The Sun”, são lindíssimas, monumentos ao virtuosismo e elegância vocal de Sieben, são sentidas em especial de cada vez que Sieben toca mais uma melodia por cima da orquestra e da camada de sons, um facto comprovado de arrepio crescente que provoca na audiência, juntando-se a ela quando tem uma folga de carregar nos seus pedais. Essa 'cacofonia' de sons elevou-se a um outro nível com o convite feito à violinista Maria Côrte (A Jigsaw), interpretando mais duas belíssimas canções a dois violinos, um momento muito especial para nós, o público, e também para a violinista portuguesa como a própria depois confessou. Foi assim esta noite com o indie rock dos The Manchesters e o surpreendente concerto de Sieben, “O Homem Orquestra". Dois bons momentos para recordar nesta já inumerável lista de noites surpreendentes no Sabotage Club.


Texto: Lucinda Sebastião

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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Mnemotechnic - "Leak The Civilians" [Threshold Premiere]

© LoicLeCadre
The french noise-rockers Mnemotechnic are still working on the promotion of their newest release, Blinkers, this time through a new music video for the theme "Leak The Civilians". Blinkers speaks about Anthropocene and denial topics while digs deeper towards textures, noises, and sharp visceral mechanical sounds that can amaze if you're open to that kind of feelings.

Founded in 2009 Mnemotechnic brings an experimental mesh of industrial sounds with the typical atmospheres of noise-rock creating an environment full of dark fog, heavy drums and a duality between accelerated and smooth rhythms. In their third record - Blinkers Mnemotechnic offers us a trip to their crazy dynamic world inviting us to stay there. The new music video for "Leak The Civilians" raises the question about why humanity has always been trying to move away from Nature and can be watched first-hand below. 




Blinkers was released on October 11th through À tant Rêver du Roi and Kerviniou Recordz. You can buy your copy here.

UPCOMING TOUR DATES 
Nov 30 | Rennes - FR | Marquis de Sade w/ Drose 
Dec 18 | Angers - FR | Joker’s Pub w/ Polar Polar Polar Polar 
Dec 19 | Blois - FR | Aukera 
Dec 20 | Strasbourg - FR | Molodoï  w/ It It Anita / Vasgovie / Merzerg 
Dec 21 | Caen - FR | Laba w/ Bavoir 
Jan 18 | Landerneau -  FR | Festival Rives de Nuits w/ Dewaere 
Feb 7 | Lorient - FR | Hydrophone w/ Structures 
Feb 8 | Vannes - FR | La Petite Vitesse

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Guloseima lançam disco de estreia "Lollipop"


Há mais uma nova banda no panorama musical português. Falo dos Guloseima, trio de Coimbra que esteve vários anos em pausa sabática a nível musical, mas que há cerca de 3 anos se decidiu juntar. São eles André Taborda (guitarras, voz), Mário Barroso (baixo, guitarras, voz) e Pedro Leitão Couto (bateria, guitarra), e têm nas suas origens duas bandas de Coimbra do final dos anos 90, os Bigo e os Supersonic

Os Guloseima dispersam-se por Lisboa, Porto e Coimbra e gostam de classificar a sua música como simples e despretensiosa – “Música da qual é comum gostar-se mais, cada vez que se vai ouvindo”. Englobam as melodias rock vindas diretamente dos anos 90, influenciadas assim à cabeça pelos Pixies, com alguma pop lá pelo meio – oiçam “there”, o primeiro avanço de Lollipop, com direito a trabalho audiovisual.


Como vem descrito no dicionário, Guloseima é "algo apetitoso que se come sem ser por necessidade", e essa descrição assenta que nem uma luva na matriz dos Guloseima. É uma banda cuja sonoridade não é nova para os nossos ouvidos, mas que apresenta um forte cunho pessoal e nos sabe sempre bem ouvir numa tarde solarenga de outouno.

Os Guloseima lançaram no passado mês de outubro o seu mini-álbum de estreia, Lollipop, com oito faixas gravado ao longo do ano nos Isound Studios, em Coimbra. Podem ouvir aqui em baixo na íntegra Lollipop, disco já disponível no bandcamp da banda.

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Diário de bordo: The Danse Society e Wildnorthe no Sabotage Club


É já quase um diário de bordo este meu périplo de um fim de semana super sónico. Sábado, 2 de Novembro, de novo no Sabotage. Há The Danse Society e na primeira parte, o projecto nacional Wildnorthe. A boa afluência do público confirma-se. A mística do nome The Danse Society é um forte chamariz, este desejo de ver e ouvir pela primeira vez ao vivo este nome e as suas canções (ouvidas vezes sem conta nas agora velhas cassetes BASF), até porque com o passar dos anos estes continuam a fazer parte da lendária colheita de nomes consagrados dos anos oitenta, alguns mais do que outros, certamente, e continuam acesos nas almas sedentas de bons concertos e que hoje, neste caso, se deslocaram ao Sabotage.

Tivemos uma actuação muito interessante dos Wildnorthe que ali foram apresentar o seu primeiro álbum Murmur, numa elaborada prestação e de uma concentração absoluta. Ao longo da intro que deu inicio ao concerto, um ritual diferente: de olhos fixos no horizonte, de foco centrado ao fundo da sala, e se o tecto fosse céu, era para ali que estariam a olhar. Sara Inglês e Pedro Ferreira, assim planaram numa energia sonora distinta e linear até ao 'estouro' da bateria forte de João Vairinhos. Impressionaram pela concentração demonstrada, o single “Howler”, exemplo perfeito da sonoridade do grupo: teclados fortes com ritmos industriais, guitarras subtis e, lá no fundo,  uma amalgama de sons coerentemente desenhados para surpreender com as vozes de Sara Inglês e de Pedro Ferreira. “Sour” revelou uma sonoridade que porventura me fez lembrar a boa maneira de Siouxsie Sioux a cantar com a electrónica, e é nesse detalhe das prestações alternadas entre canções dos dois vocalistas que reside o charme deste grupo, certamente mais dinâmico e impactante com a bateria de João Vairinhos.


Depois de um concerto com novidades e a apresentação de um disco ainda desconhecido, acabado de sair, foi um bom momento de música ao vivo que certamente terá despertado a curiosidade e a vontade de ouvir este disco dos portugueses Wildnorthe, de quem se espera e deseja um futuro brilhante e que lhes traga, claro, muitos mais discos e concertos!

Deu-se a habitual azáfama da retirada de palco dos instrumentos, dos teclados, da pedalaria e dos restantes artefactos, a quantidade de coisas que rapidamente se mudam de um lado para o outro… a esforço porque o intervalo não convém ser demasiado longo. Num ápice, assim foi, entram em palco os The Danse Society, havia alguma ansiedade entre o público ávido de os ver e escutar ao vivo. Mas para quem não acompanhou a estória recente da banda, não saberá porventura que já não é Steve Rawlings o cantor, por indisponibilidade do mesmo. A voz dos The Danse Society há já alguns anos é agora assegurada, quer em novos discos, quer naturalmente ao vivo, pela cantora Maethelyiah, desde 2011. Assim, assistimos a uma reinterpretação do todo, a uma reinterpretação instrumental e claro, a uma vocalização diversa pelo registo naturalmente feminino do que ouvimos em disco dos The Danse Society de outrora.

Feitas as 'pazes' com esse facto e com os olhos no futuro, este grupo apresentou para além dos clássicos indispensáveis (faltaram alguns, é certo), os novos originais que deverão fazer parte de um novo registo da banda, isto para além de músicas como “Freak Show”, ou da versão de “White Rabbit” dos Jefferson Airplane, e outras canções que fazem parte dos discos já gravados na segunda vida da banda com a voz da cantora Maethelyiah. No que aos clássicos diz respeito, tivemos por exemplo “Heaven is Waiting” ou, “Danse/Move”, e claro, a famosa versão de "2000 Light Years From Home” dos The Rolling Stones. No final, sabendo ao que íamos não nos sentimos defraudados, para quem ainda não sabia do presente e futuro deste grupo poderá eventualmente ter ficado surpreendido com as mudanças, esperando ver a clássica formação reunida. Pelo que me resta constatar que são bons músicos. Vivem com um legado talvez demasiado pesado para estar sempre a fazer justiça ao nome, e fizeram-no à sua maneira. Nesta noite foram de alguma forma as novas canções que soaram melhor, talvez pela falta de expectativas ou imagem auditiva pré-concebida que não teríamos delas. Ou, como porventura acharíamos que deveriam soar. Há que dar lugar ao que é fresco, e não interessa já muito aqui olhar para o passado. Uma actuação competente e simpática destes músicos que de certo terão apreciado a maneira concentrada e respeitosa do público português no que diz respeito à escuta ávida desse passado e também do futuro. 


Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Virgílio Santos

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Simon Minó estreia-se a solo com "Les Nymphéas"


O sueco Simon Minó, mais conhecido pelo seu trabalho como vocalista da banda RA, estreia-se a solo nas edições de estúdio com o single "Les Nymphéas" que é o primeiro avanço do LP de estreia do músico a chegar às prateleiras no próximo ano. Depois de se mudar para Paris em 2018, Minó rapidamente começou a trabalhar nas suas próprias músicas devido à distância da sua cidade natal, Malmö, e dos seus colegas de banda. Nesse novo desafio de vida conheceu Sydney Valette, responsável pela gravação e produção do álbum de estreia de Simon Minó, do qual é apresentado agora o primeiro tema.

Em "Les Nymphéas" Simon Minó cria um emaranhado de paisagens melancólicas com uma forte componente ao nível da eletrónica que projetam o ouvinte para cenários altamente aconchegantes. Através da sua voz grave, com uma presença bastante marcante Simon Minó convida-nos a dançar na sombra dos seus sintetizadores sonhadores.

"Les Nymphéas" foi lançado em formato audiovisual esta quinta-feira (7 de novembro) sob a alçada da Third Coming Records. Podem ver o resultado abaixo.


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A pop dos The Omega Point vai beber inspiração ao cinema de Jodorowsky


Os The Omega Pop estrearam-se nas edições de estúdio este mês com o EP Reservoir, um conjunto de cinco canções a repescar as paisagens mais sonhadoras da pop sem nunca descurar do lado mais artístico. Este novo projeto musical é uma criação da artista/produtora australiana Alexandra Moon e do produtor/multi-instrumentista mexicano Paul del Sol e desenrola-se entre camadas de sintetizadores oscilantes, paisagens eletrónicas e atmosferas que envolvem ainda uma vibe psicadélica.

Reservoir é um disco que é contemplativo e, ocasionalmente consegue soar a desolador e sombrio. Contudo, o que nos captou mesmo a atenção para escutar este novo EP, foi o incrível vídeo para o tema homónimo "Reservoir" filmado em Berlim em piscinas vazias da DDR e estações de rádio. Dirigido numa colaboração entre Alexandra Moon e a artista surrealista israelense Hadas Hinkis, a piscina simboliza os recursos naturais da Terra e todo o cenário construído traz à memória os saudosistas cenários do cineasta Alejandro Jodorowsky.


Reservoir EP foi editado no passado dia 1 de novembro. Aproveitem para escutar o disco na íntegra aqui.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Mute Swimmer de regresso a Portugal


Mute Swimmer (Guy Dale) regressa a Portugal para uma tour de norte a sul de Portugal que começa hoje, no Atlas Hostel, em Leiria.

A sua música desafia a fácil catalogação, misturando elementos de arte performativa e conceptual com canções melódicas e um lirismo notável. Guy Dale descreveu o seu trabalho como uma espécie de ato de sabotagem – interpretando o processo de escrita e o momento da performance como a própria narrativa. Por muito que as canções de Mute Swimmer operem no tempo real da performance. Romântico, irónico e melancólico, ganhou rapidamente a fama pelas suas intensas atuações ao vivo. O seu novo disco, Air Itself, tem sido apelidado de obra prima – um disco espacial, meditativo que abraça o ambient folk, drone e o post-rock.

Podem espreitar, de seguida, todas as datas desta tour:

Leiria, Atlas Hostel - 7 novembro
Lisboa,  Crew Hassan - 8 novembro
Famalicão,  Binnar Fest 9 novembro
Porto,  Ferro Bar - 10 novembro
Vila Real,  Cais da Villa - 11 novembro
Bragança,  JP Rock Café - 12 novembro


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Sajjra, Up-Tight e Zut Zomm Za na primeira edição do Festival 9v



O espaço cultural IRL, situado na Rua de Justino Teixiera, no Porto, junta-se à Favela Discos e à Circolando para a 1ª edição do Festival 9v. O evento, que acontece no CACE Centro Cultural entre 8 e 9 de novembro, propõe uma "selecção eclética de sons eletrizantes e paisagens sónicas distorcidas", com um cartaz que reúne nomes dos mais diferentes quadrantes da música contemporânea.

Sajjra (na foto), o projecto a solo de Chrs Galarreta, é um dos destaques desta edição. Nome maior da música experimental Sul-Americana, o músico do Peru traz ao palco um espetáculo que funde a tradição andina às técnicas de hardware hacking. Também no cartaz estão os japoneses Up-Tight, trio psicadélico da família dos Acid Mothers Temple com uma afinidade musical aos misteriosos Les Rallizes Dénudés

O programa conta ainda com a estreia de Zut Zomm Za, um projecto que une o poeta-performer Nuno Marques Pinto (Nu No) ao manipulador sonoro e co-fundador da editora peruana Aloardi, Krapoola. Em modo de comemoração dos 20 anos da companhia de teatro e dança Circolando, os membros do coletivo Favela Discos juntam-se para um concerto onde serão tocados instrumentos que fizeram parte dos diversos espectáculos da companhia ao longo das últimas duas décadas.

Martirium, Em Chame, DJ Froggystyle e VSO completam o cartaz.

Os bilhetes encontram-se disponíveis em pré-venda nos locais habituais a preços que variam entre os 5 (bilhete diário) e os 10 euros (passe geral).


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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Fotogaleria: Weyes Blood [gnration, Braga]


A cidade dos arcebispos acolheu ontem uma das melhores cantautoras da atualidade. A norte-americana Weyes Blood regressou a terras lusas, desta vez ao gnration (onde já tinha atuado em 2015), para a primeira de duas datas em Portugal este ano, onde apresentou o mais recente e muito aclamado disco Titanic Rising.

Nós marcámos presença neste memorável concerto, que pode ser revisitado através da fotogaleria em baixo ou aqui.

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STREAM: Plainbow - Super Super Super [Threshold Premiere]


Plainbow are an alternative shoegaze band from Hertfordshire, England, formed in 2019 by Olly Samuel (drums), Ben Pidgeon (bass) and Seb Pidgeon (vocals, guitar). Influenced by classic shoegazing bands as well as post-rock and prog rock, they aim to forge a new path instead of retreading old ground. After publishing two tracks on Bandcamp under the moniker Rocket Falls, the band decided to change their name. Super Super Super is their debut EP.

This release includes four dreamy tracks with a tight rhytmic section and ethereal soundscapes created by the guitars. If you're a fan of bands like Slowdive, Swervedriver and Ringo Deathstarr, don't let songs like "Distemper" and "We Are the Earth You Are the Air" go unnoticed.

Super Super Super is out on November 8th on tape (run of 70 transparent blue tapes) and digital. It will be released via Hidden Bay Records . You can stream it here:

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Sabotage recebe festival feminino de celebração do documentário "Ela É Uma Música"


No dia 7 e 8 de Novembro o Sabotage recebe um festival programado em torno do filme de Francisca Marvão, com várias das bandas femininas intervenientes no documentário. Ela é Uma Música é um documentário de descoberta pelo mundo do rock em Portugal, na voz das suas ilustres desconhecidas: as mulheres.

Depois da estreia no IndieLisboa e exibição em algumas cidades do país, são oito os projetos musicais retratados que sobem ao palco do Sabotage num mini-festival de dois dias com o rock no feminino em destaque, terminando com a super banda criada para o filme com 13 músicas em palco. As duas noites arrancam com curtas projeções de cenas inéditas do filme, e terminam com DJ sets de Cláudia Guerreiro (Linda Martini), Lena D'Água e Cinderella's Big Score.

Confiram em baixo o alinhamento completo deste festival:

QUI, 07 NOV:
- 23h00 As Gaijas
- 23h40 Frankie Wolf
- 00h20 Savage Ohms
- 01h00 Matriarca Paralítica

SEX, 08 NOV:
- 23h00 Anarchicks
- 23h40 Decibélicas
- 00h20 Panelas Depressão
- 01h00 Ela é Uma Banda

Os bilhetes já se encontram à venda - separadamente por noites - na Vinil Experience e Sabotage Club e têm o custo de 10€.

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terça-feira, 5 de novembro de 2019

28ª edição do Guimarães Jazz prestes a começar

guimaraes-jazz-2019-comecar

De 7 a 16 de Novembro, a vigésima edição do festival Guimarães Jazz irá trazer treze concertos espalhados pela cidade, nos palcos do Centro Cultural Vila Flor, do Centro Internacional das Artes José de Guimarães e do Convívio Associação Cultural. O programa primará principalmente por um cruzamento de várias gerações, origens e estilos.

No cartaz contam-se imensos nomes que primam para genialidade e pelo virtuosismo, tais como o baterista mexicano Antonio Sanchez (responsável pela banda-sonora do vencedor de Óscar de melhor filme 2015 Birdman, do compatriota Alejandro González Inarritu), o trio Ikizukuri (que inclui o saxofonista alemão Julius Gabriel, colaborador da banda Sonar Corona) e o saxofonista Charles Lloyd (que conta com colaborações com várias personalidades como B. B. King, Brad Mehldau ou The Doors). 

Além dos concertos, irá haver também várias atividades paralelas, como as várias animações musicais que irão desfilar em pontos imprevisíveis da cidade, as oficinas de jazze também as jam sessions do Café Concerto do CCVF, sendo que estas duas últimas iniciativas estarão a cargo do saxofonista-tenor Geof Bradfield, um dos músicos em voga na cena jazz de Chicago que também irá estar presente no programa de concertos.

O programa completo poderá ser consultado aqui, e os bilhetes dos concertos (entre 5€ a 15€) ou a assinatura do festival completo (90€) poderão ser comprados nos locais habituais.

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DJ Nigga Fox, Odete e Gabriel Ferrandini numa noite em Berlim


Na noite de 9 de Novembro, que marca o trigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, 27 colectivos, promotores e clubs de diferentes países europeus são convidados a co-programar uma noite em um dos clubs da capital alemã, parceiros do projecto European Club Night, dando assim o exemplo para uma Europa sem fronteiras ou barreiras, numa época marcada pelo ressurgimento do nacionalismo. É neste contexto que a Galeria Zé dos Bois convida os portugueses DJ Nigga Fox, Odete e Gabriel Ferrandini a tocar no ACUD MACHT NEU

Rogério Brandão, conhecido nos dancefloors como DJ Nigga Fox, é um dos exemplos maiores da música da Príncipe Discos, desde 2013 quando lança o EP O Meu Estilo, seguido de Noite e Dia, 15 Barras e o EP Crâneo pela Warp Records no ano passado. De volta à Príncipe, lança este ano o LP Cartas Na Manga.  O seu som é marcado pela junção das mais diversas referências sonoras, que acabam por criar algo único e impossível de categorizar. 


Odete cria um corpo de trabalho multidisciplinar que combina música, texto, performance e arte visual. Tanto o seu primeiro álbum Matrafona como o mais recente Amarração têm um contexto marcadamente autobiográfico. Uma junção de influências sonoras que percorre a história da música queer


Há 3 anos Gabriel Ferrandini, baterista português nascido na Califórnia, decidiu dedicar-se à composição, faz então uma residência artística na ZDB. Neste projecto a solo explora os contrastes entre sons acústicos e amplificados, usando a sua bateria com pedais de distorção e feedback. As suas performances intensas fazem questionar as fronteiras do que é música.


Podem encontrar todas as informações adicionais sobre este evento aqui.


Por opção do autor, este artigo não segue o novo Acordo Ortográfico.

Texto: Guilherme Caeiro

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