sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Reportagem: MS NINA + LA ZOWI [Theatro Circo, Braga]

© Theatro Circo

A noite na cidade de Braga estava igual a muitas outras desta altura do ano, em que o mau tempo cobre a cidade de tons cinzentos, e o simples facto de não chover já é motivo de contentamento. Contudo, dentro do Theatro Circo, o clima que se estava a preparar era bem diferente. 

A confirmação de La Zowi e Ms Nina foi certamente uma surpresa geral, isto apesar da programação do Theatro Circo muitas vezes confirmar alguns nomes arriscados. Esse arriscar da programação foi logo perceptível no início da noite, quando começou a ser visível a pouca afluência de pessoas na sala principal do Theatro Circo. Para além de poucos, muitos também certamente não saberiam para o que iam, isto apesar das duas artistas serem figuras maiores da música urbana espanhola. 

As pessoas eram poucas, mas o ambiente era descontraído tal como exigia o evento, e foi ficando cada vez mais conforme o dj Mark Luva ia avançando no seu dj set, fazendo com que progressivamente algumas pessoas se levantassem dos seus lugares marcados e fossem para os lugares mais próximos do palco para que, de pé, começassem a dançar ao som das passagens de músicas que foram ambientando a sala por uns bons largos minutos antes da La Zowi entrar no palco. 

Se no início esta demora em La Zowi começar o concerto e deixar o ambiente fluir ao comando do seu dj possa ter parecido excessiva para muitos, talvez a opinião tenha mudado quando esta subiu ao palco. É que a cidade de Braga não está habituada a algo assim, e muitas vezes ambientar pode ser bom para as diferenças culturais significativas, principalmente quando esta começa o concerto da melhor forma ao se lançar em grande modo em "Bitch Mode", começando assim logo por explicar em palavras diretas quem realmente ela é e como é a sua vida. 

© Theatro Circo

Rapidamente a temperatura da sala do Theatro Circo começa a aumentar, e por isso está perfeito para ela avisar desse intenso calor com "Bitch te Quemas". Fica a dica. O concerto continua com "Tu o Yo", mas foi em modo ellas que o concerto ficou melhor, quando uma das suas bailarinas se juntou ao concerto, fazendo as delícias de muitas pessoas e a reprovação certamente de algumas, sendo que num certo momento do concerto até a La Zowi diz a apontar para a dança da bailarina "Esto es solo reggaeton". Era verdade, era só trap e reggaeton, mas isso não invalida a reprovação que alguns até já deviam ter sentido logo quando perceberam que a palavra puta é utilizada extensivamente no lirismo das composições da cantora. 

O ponto alto do concerto para muitos terá sido quando essa mesma bailarina vai para a parte da frente da plateia literalmente dar tudo com um espectador. Há pessoas com sorte. E eu ali nas grades, tão perto mas tão longe. No entanto, para quem conhecer a produção de La Zowi, certamente que não consegue dizer qual foi o ponto alto do concerto no meio de tantos hinos urbanos a serem cantados naquela sala artisticamente tão bela, que ainda ficou mais sublime ao som de "Obra de Arte". 

O concerto continuou ao som de músicas como "Oscuro", e como até aí tinha sido pouca vezes pronunciada a palavra puta, seguiu-se a música "Putas", ou ainda depois  "Pussy Poppin" e "Si te Pillo", sempre com uma La Zowi sem papas na língua. É que mesmo sendo noite de halloween e haver alguns jovens mascarados no seu concerto, ela é a matriarca do trap e por isso nunca usa máscaras. 

© Theatro Circo

Certamente muitos nunca teriam visto um concerto assim, que acaba por terminar rápido e em grande ao som de "No Lo Ves", onde a poucas horas de mais um dia de Todos os Santos, La Zowi canta "Tengo dinero pa mi entierro, ¿o es que no lo ves?". É que o trap não é só ostentação na vida, mas também na morte, até porque muitas vezes são mundos que estão muito próximos. Que no entanto ela dure muitos anos para continuar a lançar verdadeiros hinos de trap, e sendo ela a matriarca, ilumine o caminho a seguir. 

O segundo concerto desta noite ficou a cargo da joven y guapa rainha do reggaeton Ms Nina, que veio apresentar o seu recente álbum lançado em julho deste ano, Perreando por Fuera, Llorando por Dentro. O nome do álbum já diz muito, sendo assim uma mistura entre perreo e música sentimental. Trata-se de arte portanto, e por isso mesmo, entre tantos estilos artísticos com neo qualquer coisa, podem agora acrescentar o neoperreo. 

Tal como aconteceu no concerto anterior, Ms Nina não se apresentou logo no palco quando começou o concerto, ficando o início entregue ao dj Mygal X, mas como a festa já estava iniciada, demorou menos tempo a subir ao palco. 

© Theatro Circo

Dois dias depois de ter lançado o videoclip, atirava-se a "Coqueta". E apesar de não ser verdade quando cantava "Vamos a perrearnos toda la noche", restava aproveitar ao máximo a hora de concerto para a ouvir e a ver juntamente com as suas bailarinas em movimentos sincronizados, e assim também aprender como se perrea. Aliás, todo o concerto foi um ensinamento "Rico Rico" em relação a aprender a perrear, sendo a regra básica o "palante y pa´ trás", ou seja, o mesmo ensinamento que o mestre Daddy Yankee já apregoava há algum tempo. Pam pam, boas influências dão bons resultados. 

Essa influência é tão assumida (e ainda bem), que antes de começar a tocar a música "Gata Fina", passou nada menos que "Gasolina" de Daddy Yankee. Tudo certo, porque a gata fina da Ms Nina quer gasolina. E só faltava mesmo gasolina para incendiar o Theatro Circo conforme o calor na sala ia aumentando. "Hace mucho calor aqui", dizia ela. Alguns palpitavam de que o ar condicionado devia estar avariado, mas como é que algum ar condicionado pode resistir a uma noite assim? 

Sensatos foram aqueles que foram ao bar buscar finos durante o intervalo entre La Zowi e Ms Nina para se assim se refrescarem durante o concerto. Afinal, tal como é apregoado em "Los Angeles", nada como "un poco de perreo, un poco de cerveza" até porque naquela sala estava montada uma "Noche de Verano" porque Ms Nina esteve ali para dar tudo. "Te Doy", disse e cantou ela nos inícios do concerto. Não mentiu, tal como depois se viu em "Traketeo" com a máxima de "y no pares hasta que sude", continuando depois o concerto ao som de músicas como "Y Dime", a acelerada "Danger" ou ainda "Tu Sicaria", para assim acabar em grande um concerto latino bem movido de tanto puxar para bailar.

Texto: Óscar Santos

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STREAM: LUNACY - Age of Truth


LUNACY edita hoje aquele que é definido como o seu primeiro LP oficial de carreira, Age of Truth, um disco que é um completo exercício sonoro envolto em atmosferas obscuras e muito barulho. Conhecido por ser uma das figuras mais sombrias da Pensilvânia - dado todo o mistério envolto na identidade do projeto - LUNACY tem produzido música desde 2016 à sombra dos grandes holofotes e com uma base musical que explora as reminiscências do shoegaze com efeitos psicadélicos e camadas de barulho e distorção. Em Age of Truth, LUNACY não perde as bases e cria uma espécie de caos contido que chega ao ouvinte de forma contemplativa e a artística.

De Age of Truth - dico que contou com a masterização de Oliver Ackermann (A Place To Bury Strangers) - já tinham anteriormente sido divulgados a malha de shoegaze envolta em distorção - "Perception" - e a abrasiva e noisy "Imminent", ambas suportadas por dois vídeos que refletem que LUNACY é todo um projeto artístico musical e audiovisual. Além destas faixas forte destaque para temas como "Fall of Arms", "Age of Truth" e a grande malha de encerramento, "The Ripple". O disco pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Age of Truth é editado esta sexta-feira (22 de novembro) em formato vinil e cassete pelo selo Third Coming Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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LOVATARAXX - "Prostration" (video) [Threshold Premiere]


Two years after Kairos, the French duo LOVATARAXX is back with a new piece of darkwave and electro post-punk at its best, Hébéphrénie. Inspired by great acts of the 80's and 70's like Fad Gadget, Minimal Compact, Tuxedomoon, Suicide or Kas Product LOVATARAXX manage to offer us a vibe that can be powerful and kind of "a call to action" but also monochromatic and nostalgic. In the Hébéphrénie they make it clear with both addictive and contemplative songs ready to catch you at a first-listen.

Released this month, the official debut album of the band is comprised of eleven songs where you can find mesmerizing themes as it is the case of "Prostration", premiered today through a new music video. In the audiovisual for "Prostration" we can watch a strange mix of scattered footages that together explore the metamorphosis of bodies and emotions. It shows characters seeking for an Ideal far away from the Kafkaesque and absurd world around them. Watch it first-hand below.



Hébéphrénie was released in November, 1st through Uknown Pleasures Records and it is available in CD and digital. You can buy your copy here.

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The Waterboys de regresso a Portugal para concerto único no Campo Pequeno


Os The Waterboys estão de regresso a Portugal para um concerto que acontecerá já no final deste  mês, na próxima quarta-feira 27 de Novembro. Com eles, trazem as canções do mais recente disco Where the Action Is, editado pela Cooking Vynil em Maio deste ano, para um concerto que promete ser um momento de celebração da folk-rock com que o grupo de Mike Scott nos tem vindo a presentear há mais de três décadas. Mike Scott, cantautor e carismático intérprete, uma espécie de 'Bob Dylan da Escócia', de voz forte, sempre com o coração na boca, é a figura central desta lendária banda.

Certamente que, para além das novas canções, serão escutados também os clássicos obrigatórios que fazem sempre dos concertos dos The Waterboys uma emotiva festa. Não faltarão certamente as canções intemporais tais como “Don't Bang The Drum”, "Fisherman's Blues" , ”The Pan Within”, e claro "Whole of The Moon", "Trumpets" ou "A Girl Called Johnny”, de entre muitas outras canções clássicas desta banda fundada em 1983. Será uma festa de reencontro dos The Waterboys com os fãs portugueses, que deste modo, voltam ao local onde, rezam as crónicas, deram um magnífico concerto no final da década de oitenta.


Texto: Lucinda Sebastião

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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

STREAM: Novanta - Some Are Stars


Novanta é o projeto iniciado pelo italiano Manfredi Lamartina (guitarra, sintetizador), ao qual se junta agora Agostino Financo Burgio (bateria). Inspirados pela música dos anos 90, apresentam um som com características de dream pop, pós-rock e shoegaze.

O seu novo EP, Some Are Stars, conta com quatro músicas trabalhas durante os últimos três anos. É editado hoje, dia 21 de novembro, via Seashell Records. Pode ser adquirido em formato digital ou em cassete. Podem encontrar mais informações aqui.

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Idles e (Sandy) Alex G em Paredes de Coura


Em tempos autoproclamados como uma “banda zangada” do Reino Unido, hoje assinam um manifesto que nos puxa para a realidade da sociedade actual e afirmam-se como detentores da honestidade e de um vislumbre autêntico da humanidade. IDLES apresentam letras poéticas e íntimas mascaradas por um gritante punk rock impossível de não contagiar os ouvidos mais atentos. O tão esperado regresso da banda britânica a Portugal num explosivo concerto agendado para a 28.ª edição do Vodafone Paredes de Coura.

Também do Reino Unido, The Comet Is Coming chegam ao habitat natural da música. O trio formado por Shabaka Hutchings, Dan Leavers e Max Hallett já tem um albúm, Channel the Spirits, de 2016, que lhes valeu uma nomeação para o Mercury Prize. Donos de sonantes temas que incorporam elementos do jazz, electrónica, funk e rock psicadélico, a banda inglesa traz até à Praia Fluvial do Taboão o mais recente disco, editado este ano, The Afterlife. 

Cantor, compositor e guitarrista (Sandy) Alex G construiu a sua história na indústria musical graças a um íntimo lo-fi pop que combina fortes sensibilidades melódicas e uma peculiar performance carregada de sonoridades arrebatadoras. Natural da Pensilvânia, transformou uma carreira de gravações caseiras publicadas no Bandcamp numa afirmação musical com o lançamento de um disco através da editora Orchid TapesDSU (2014). House of Sugar é o mais recente álbum do jovem músico que marca a sua estreia em Portugal no palco do Vodafone Paredes de Coura


IDLES, The Comet Is Comet e (Sandy) Alex G juntam-se aos já confirmados Pixies, Parquet Courts, Woods e Black Country, New Road para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso às margens do rio Coura de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 95€. 


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A tatuagem e a música encontram-se em Lisboa no Lisbon Tattoo Rock Fest 2019


A convenção internacional de tatuagem de Lisboa, conhecida como Lisbon Tattoo Rock Fest, está de regresso para a edição de 2019 nos dias 29, 30 de novembro e 1 de dezembro. O festival representa um encontro mundial de profissionais e amantes da arte corporal, tendo como propósito a troca mútua de ideias e o contacto com novas tendências e produtos da indústria da tatuagem. A música ao vivo é também uma das grandes atrações do evento. 

Na edição de 2018 passaram cerca de 9 mil visitantes pelo festival, um crescimento significativo que se traduz no alargamento do seu perímetro a 4 áreas adicionais à Sala Tejo. Desta forma, destaca-se a criação de uma área dedicada ao body piercing, assim como a promoção de workshops práticos dedicados aos profissionais e a abertura de uma área exterior com comida de rua diversificada. Como tem vindo a ser usual, o festival premeia a qualidade dos trabalhos feitos no recinto pelos tatuadores presentes por via de várias categorias. Entre elas, são premiadas a melhor tatuagem de cada dia e a melhor tatuagem do evento em geral, prémio a ser atríbuido no domingo. Cada trabalho tem uma inscrição adicional de 5 €, donativo a reverter a favor de uma instituição de caridade a anunciar. 

Surgindo com um conceito pioneiro que alia a cultura da música rock e o mundo da tatuagem, o Lisbon Tattoo Rock Fest aposta em nomes reconhecidos da música nacional e internacional: Fast Eddie Nelson, Go Baby Go, Pink Pussycats from Hell, Ugly Kid JoeMadball e Carnivore A.D., estes últimos com estreia absoluta em Portugal. Segundo a organização, "é importante criar diversos focos de animação e surpreender o público de forma constante". Assim, está também prevista a atuação do coletivo britânico The Fuel Girls, presença assídua em eventos do género, com um surpreendente espetáculo de fogo e de expressão corporal. 

É nesta profunda sinergia entre a arte da tatuagem e a música que a convenção tem atraído inúmeros visitantes de toda a parte, quer profissionais, quer curiosos, colocando a cidade de Lisboa no mapa do cada vez mais cativante universo alternativo da tatuagem. 

Os bilhetes já se encontram à venda em toda a rede Blue Ticket e locais habituais, tendo um custo de 25 € (passe geral) e 10 € (bilhete diário).


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As Sereias invadem o Understage na próxima semana


No próximo dia 29 de novembro, o palco do Understage/Rivoli servirá para apresentar o disco de estreia de Sereias, intitulado O País a Arder.

Enquanto o país arde de tédio, as Sereias mergulham uma vez mais com o seu jazz-punk pós-aquático nas águas turvas do junk-zapping pré-píxelástico de Francisco Laranjeira. Um concerto de Sereias promete um ambiente imersivo e sinestésico. Arquivos de filmes super 8, fitas VHS, ruído analógico, video-feedback e glitch, manipulados ao vivo através de instrumentos virtuais e software dedicado, interagem com a poesia mordaz de A. Pedro Ribeiro e seus mascadores sónicos de barba rija. Durante a performance serão usadas imagens dos filmes "Porto Abril 1975", "O 11 de Março de 1975" e "O 25 de Novembro depois…" de José Alves de Sousa, realizados nas ruas do Porto durante o PREC. 

O concerto, uma co-produção Rivoli/Lovers & Lollypops, acontece no âmbito do Porto/Post/Doc 2019 e o preço do seu bilhete é de 7 €.

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PAAR - "CRACK" (video) [Threshold Premiere]

© Matteo Prandoni

In April this year, the new scream of Germany's underground scene - PAAR - released their recent EP HONE and are now making sure you won't forget it through a new music video for the opening track, "CRACK". Musically starting with dreamy atmospheres conducted by shiny synthesizers PAAR calmly conducts us to the monochrome landscapes of the contemporary minimal wave. However, it is on the audiovisual spectrum that we can profoundly watch their ambiguous dark side. Ambiguous because it is influenced by a melancholic aura but it is also a song full of colors. They make it kinda clear in the new music video for the theme "CRACK", that is being premiered today.

PAAR forge a sound that includes both the vibes of the 80's new wave and post-punk scene in a musical body composed of beats and minimal contemporary synthesizers which they refine with happy textures and a highly immersive and sweet voice. In the music video for "CRACK" PAAR drugs us and turn us around into a world that can be sinister, dark, but also vivacious and full of emotions. The video was produced by DAS DIKTAT and you can watch it below.


HONE was released on the 2nd of April in vinyl, CD, cassette and digital format. You can buy your copy here.

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STREAM: NAIROD YARG - Nairod Yarg


Os franceses NAIROD YARG estrearam-se nas edições de estúdio este ano com o LP homónimo composto por onze temas que trazem em altas o revivalismo do rock gótico. Com uma forte aposta nos sintetizadores e uma certa veia coldwave a dupla composta por Rudy Centi e Sébastien Ficagna - cujo nome vai buscar influência ao personagem Dorian Gray (que escrito ao contrário forma Nairod Yarg) - apresenta um disco poderoso e incendiário de audição fácil para os fãs das ondas underground dos 80's.

Multifacetado e característico, este Nairod Yarg foi lançado em formato vinil graças a um movimento de crowdfunding. Do disco já tinham anteriormente sido divulgados os temas "The Garden", "the Rhum and Me" e "Déesse", sendo que as restantes faixas se podem ouvir, abaixo.

Nairod Yarg foi editado em formato vinil no passado dia 26 de setembro. Podem comprar a edição física aqui. O disco foi disponibilizado para streaming esta quarta-feira (20 de novembro).



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Dedos Bionicos celebra 12º aniversário já este sábado


A promotora Brigantina Dedos Bionicos está prestes a cumprir doze anos de existência e nada melhor que uma festa bem regada já no próximo sábado, dia 23 de novembro, para celebrar tal ocasião.

Junta na mesma noite o rock visceral e sobrenatural dos Slumberland, a estreia da catarse exploratória de OVal, a música vinda de vários hemisférios do DJ FITZ, e a cena eletrónica de Midnight, tudo no velhinho e recatado Pavilhão do IPDJ, situado na Rua dos Gatos, em Bragança.

Há espaço ainda para uma exposição de cartazes retrospetiva destes 12 longos anos da promotora, no Museu do Abade de Baçal de 22 de novembro a 14 de dezembro.

Os bilhetes têm o custo de 6€ e o arranque do evento está marcado para as 22h00.

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Tiago Sarafado apresenta-se na Casa das Artes Bissaya Barreto a 23 de novembro


Tiago Sarafado é o nome de um músico tão prolixo quanto indecifrável. Arrumador de heterónimos como Distances, Delicate, Phrase Infinitiva, Tear Souvenir, ou simplesmente JCCG, para dar alguns exemplos mais notáveis, reúne estas identidades digitais sob apenas um nome, Tiago Sarafado

As muitas músicas e discos publicados online neste período oferecem um desafio de criptografia para decifrar o puzzle, tal o cuidado posto em cada nova identidade digital e sobretudo as estratégias de criação que parecem ir empurrando para o absurdo os limites de um velho computador portátil, como bem se percebe pelo nome que escolheu para um dos seus mais antigos alter egos, Spinning Beach Ball of Death, a lembrar aquela assustadora bola colorida que os computadores Apple nos mostram quando fomos longe demais no que lhes pedimos. 

O músico vai integrar o programa de Residências Artísticas da Casa das Artes Bissaya Barreto onde estará a preparar um concerto inédito com entrada gratuita já no dia 23 de Novembro.

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A Z U L  C A L C A N H O T T O


Adriana Calcanhotto regressou a Portugal para findar a trilogia iniciada com Marítimo em 1998, enfrentou a Maré em 2008 e desembarcou num porto de abrigo com Margem em 2019. O Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, encheu-se de pessoas, no dia 16 de novembro, para a acolherem e lhe mostrarem “o seu bem-querer". Adriana sentiu de perto esse apego.

Ao longo de quase duas horas de concerto, foi revisitando vários temas destes álbuns, acompanhada por Rafael Rocha (vocal, bateria, tambores, percussão, assobio), Bruno Di Lullo (contrabaixo) e Bem Gil (guitarra).

Os três trabalhos levam-nos a pensar o quanto Adriana gosta da brisa marítima, da maresia, tal como o sublinha num dos temas tocado no encore. O vento, a cor azulada das águas e os longos passeios à beira-mar certamente lhe darão o bem-estar, pessoal e criativo, de que a artista necessita.

A consciência para o estado dos oceanos e a chamada de atenção para as questões ambientais é uma constante também em alguns dos seus trabalhos mais recentes, nomeadamente no guarda-roupa, nos cenários em palco e nas artes visuais dos seus vídeos. O seu “figurino” é um alerta para os sucessivos atentados ecológicos que o mundo, diariamente, vai assistindo na televisão e nas redes sociais,
incomodado, mas infelizmente demasiado sereno.

“Ainda tem o seu perfume pela casa | Ainda tem você na sala | Porque o meu coração dispara...” Vambora!


Texto e Fotografia: Virgílio Santos

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O MONITOR 2020 já tem data e chega em abril


Chegaram as tão aguardadas notícias da quinta edição daquele que já é considerado o melhor festival de post-punk e minimal wave do país: o MONITOR. A Fade In - Associação de Acção Cultural anunciou na manhã desta quarta-feira (20 de novembro) que o festival regressa à Stereogun, como habitual, mas no próximo ano com uma alteração na data. Ao invés de maio passa a ser abril o mês que abriga as sonoridades de vanguarda do panorama underground mais contemporâneo. Marquem na agenda: 25 de abril, para celebrar a liberdade sem estereótipos.

Ainda não foram divulgados os nomes que integrarão o cardápio da edição de 2020, mas sabe-se que o primeiro nome a ser divulgado passará no próximo domingo (24 de novembro) a partir das 23 horas no programa de rádio Unidade 304. Se ainda não o são, aproveitem para se tornar membros aqui.

A edição do MONITOR de 2019 contou com nomes como Potochkine, Talk To Her, Structures, Semiotics Department of Heteronyms, Tango Mangalore e Marta Raya. Enquanto não são conhecidos os nomes da quinta edição, podem recordar a reportagem do ano passado clicando aqui.


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Zé Menos estreia disco "O Chão do Parque" no Cinema Trindade a 22 de novembro

© João Marques

O segundo disco de Zé Menos (antes conhecido como Kap), O Chão do Parque, é um esforço criativo com imaginário sugestivo, inteiramente produzido e escrito pelo próprio. Na linhagem de outros rappers com uma expressão artística bem definida como Slow J, Nerve ou Keso, o músico portuense Zé Menos desenvolveu um álbum críptico, poético e único: através duma alegoria às folhas que caem das árvores caducas no Outono, explora por vias sonoras imersivas e dinâmicas as diferentes fases de maturação individual, e questiona-se sobre a educação e o seu impacto. Desabafa sobre frustração e angústia, sobre solidão.

O segundo álbum de Zé Menos será editado a 29 de novembro pela Biruta Records, mas antes disso, merecerá uma sessão (única) audiovisual no Cinema Trindade a 22 de novembro, que servirá para apresentar pela primeira vez o álbum duma forma que foge da normalidade  das sessões de escuta conhecidas e se apropria da versão comum habitada pela arte do cinema. 
O ponto de partida para esta ideia de 'estreia de álbum' é acima de tudo uma reflexão sobre como a música é lançada e como se processa o contacto do público com a obra musical, em específico o primeiro contacto" explica o próprio músico. 
Para dar atenção completa ao álbum, inverteu-se a intenção do cinema: nesta sessão, o foco é claramente na música de Zé Menos e a imagem projetada na tela servirá o propósito de acompanhar as várias transições sonoras (e emocionais). Aos créditos do álbum juntam-se também o design e ilustrações desenvolvidas por Teresa Arega e o vídeo do álbum criado por Vasco Loja



As reserva de bilhetes para a sessão de apresentação do álbum "O Chão do Parque" podem ser feitas aqui

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Slumberland em Portugal esta semana


A estreia dos Slumberland em Portugal acontece em dose dupla: o Teatro Gil Vicente em Barcelos, recebe o grupo de Antuérpia já esta quinta-feira, 21 de novembro, em mais um episódio do Triciclo. Já no sábado, 23 de novembro, comemora-se no Pavilhão do IPDJ, em Bragança, o 12º aniversário da promotora Dedos Biónicos

Estes concertos servirão de apresentação ao vivo de Sea, Sea, Sea Drifter/See, See, See Drifter, LP editado no início deste ano com selo Consouling Sounds.

Jochem Baelus assumirá a maquinaria num arsenal que reúne agulhas de tricô, secadores de cabelo, máquinas de costura e antigos projectores de vídeo e a ele juntar-se-ão dois bateristas - Alfredo Bravo (Flying Horseman/Antwerp Gipsy Ska Orkestra) e Frederik Meulyzer (Stray Dogs/Pakman).

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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Fotogaleria: DarkMAD 2019


No passado mês de outubro fomos até Madrid para marcar presença no novo festival gótico da capital espanhola, o DarkMAD. Decorreu no fim-de-semana de 25 a 26 de outubro e deixou na memória uma série de lembranças que tão cedo não se esquecerão. Por lá passaram nomes mais históricos como Fields Of The Nephilim, CovenantLords Of Acid, Ancient Methods, Signal Aout 42, A Split Second, The Cassandra Complex entre outros artistas de renome no panorama atual como She Past Away.

O sucesso do festival foi tanto que a próxima edição já está confirmada. Até lá, ótima oportunidade para se rever as fotografias das atuações das bandas na sempre atenta lente do fotógrafo Miguel Silva. Ora espreitem:



Fotografias: Miguel Silva

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Paredes de Coura anuncia primeiros nomes para edição de 2020


A emblemática banda de rock alternativo Pixies regressa ao anfiteatro natural da música após o histórico concerto de 2005. Os norte-americanos voltam a pisar o palco do Vodafone Paredes de Coura para apresentar o mais recente álbum Beneath the Eyrie, lançado em Setembro de 2019. Elementos de punk rock e indie rock estiverem sempre presentes nas melodias da banda natural de Boston, mas foi no final de 1980, com a afirmação do rock alternativo, que os Pixies delinearam o seu percurso na história do mundo da música. Vistos como uma inspiração musical nas carreiras de Nirvana, Radiohead e Smashing Pumpkins, Pixies são uma das primeiras confirmações para a 28.ª edição do Vodafone Paredes de Coura

Também dos Estados Unidos, os Parquet Courts, herdeiros da audácia de Pavement e Guided By Voices, chegam para apresentar o quinto álbum de originais Wide Awake!. A mistura de letras sarcásticas com a energia visceral do punk começou a ganhar forma no seu segundo álbum Light Up Gold (2012). Desde então, e à boleia desta tão comprovada fórmula, os Parquet Courts continuam a conquistar a crítica especializada e o público português. 

O que em 2005 começou por ser um projecto solitário de Jeremy Earl é hoje uma banda que mistura influências tão distintas como ruídos avant-gard, pop psicadélico, folk-rock, jazz Etíope e pop Africano. De créditos firmados e após onze álbuns, Woods chegam às margens do Rio Coura acompanhados do mais recente disco Myths 003.

Riffs de metal misturados com frenéticos apontamentos de jazz é uma hipótese (mas muito injusta) de descrever a experiência musical que é ouvir os temas de Black Country, New Road. Naturais da cidade de Cambridge, o versátil grupo de sete jovens artistas formou-se posteriormente à separação dos Nervous Conditions, projecto de pós-punk experimental constituído por alguns dos actuais elementos. As marcantes actuações no bar Brixton Windmill já deixam rumores na cena musical e alimentam a curiosidade da crítica especializada. A confirmação no Vodafone Paredes de Coura marca a estreia da banda em Portugal. 

Em 2020, o festival está de regresso nos dias 19, 20, 21 e 22 de Agosto. Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 95€. 

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