sábado, 30 de novembro de 2019

Três Tristes Tigres apresentam primeiro tema em 17 anos, "Galanteio"


Quando falamos dos anos 90 no nosso país, é inevitável não reconhecer a importância dos Três Tristes Tigres no panorama musical nacional. Nos primórdios do grupo, Ana Deus, proveniente dos BAN, e Regina Guimarães fabricavam informalmente colagens e canções, ainda antes da formação responsável pelo primeiro disco, Partes Sensíveis, de 1993. Foi então que mais tarde Alexandre Soares, ex-GNR, se juntou à banda como músico convidado, resultando daí uma alteração na sonoridade dos Três Tristes Tigres e dois novos discos de estúdio, Guia Espiritual (1996) e Comum (1998). 

Ana Deus e Alexandre Soares mantêm até hoje uma relação de trabalho com vários projetos ligados ao cinema, teatro e dança, assim como no colectivo musical Osso Vaidoso, com 2 álbuns editados em 2011 e no fim de 2016, com uma forte componente ligada à poesia e à instrumentação minimal baseada em trabalho de guitarra e electrónica.

Os Três Tristes Tigres voltaram a reunir-se em 2017 a convite do Teatro Rivoli no Porto, para interpretarem o álbum Guia espiritual, que em 1996, juntamente com o prémio “Melhor grupo nacional”, foi considerado “Disco do ano” nos prémios, do então Jornal, Blitz. A partir desse reencontro, a banda começou a tocar regularmente os seus temas antigos com arranjos que aproximam a sua interpretação à visão actual dos músicos, enquanto preparam um novo disco a sair no primeiro trimeste de 2020.



“Galanteio” é o novo tema dos Três Tristes Tigres e veio interromper um hiato de dezassete anos na criação de originais. Nele encontramos as guitarras de Alexandre Soares, a jogarem entre a vertente mais crua e eléctrica e acústica espacial, e a voz de Ana Deus a transportar, de forma livre, os textos de Regina Guimarães para as partes sensíveis, as minorias e as coisas que sussusurram. Entre a profecia e a oração, a letra enuncia desejos de cura e de evolução, embalada por sintetizadores modulares, samplers granulares e percussão acústica.

Ao vivo, os Três Tristes Tigres são Ana Deus (voz), Alexandre Soares (guitarras/harmónica), Miguel Ferreira (teclados/programações), João Pedro Coimbra (percussão e sampler) e Rui Martelo (baixo).

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Petbrick dão dois concertos em Portugal em janeiro



Os Petbrick estreiam-se em Portugal em janeiro. A dupla formada por Igor Cavalera, baterista dos históricos Sepultura, e Wayne Adams, mentor de projetos como Big Lad ou Death Pedals, vem apresentar novo disco com dois concertos no Porto e em Lisboa, dias 16 e 17 de janeiro, respetivamente.

Depois de um impiedoso EP homónimo, saído em maio de 2018, a dupla atreveu-se este ano nos lançamentos de maior duração com I, mais uma dose letal de punk, breakcore e ruído industrial lançada pela Rocket Recordings (casa-mãe para atos como Gnod, Goat ou Hey Colossus).

No Porto, o concerto acontecerá no Maus Hábitos e contará com a apresentação de Eye18, o primeiro disco dos implacáveis Krypto, projeto que junta Gon (ZEN, Plus Ultra) a Martelo e Chaka (Greengo).

Os bilhetes, que variam entre os 10€ (pré-venda) e 12€ (no dia), já se encontram disponíveis em Bol.pt, CTT, Fnac, Worten e restantes pontos aderentes. 


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Fotogaleria: Sereias [Understage, Porto]


Ontem foi o dia em que o jazz-punk pós-aquático das Sereias finalmente invadiu o Understage do Rivoli. Uma casa bem composta esteve presente nesta noite onde foi apresentado o seu álbum de estreia, O País a Arder, lançado pela Lovers & Lollypops no passado dia 5 de novembro.

Nós marcámos presença neste concerto que aconteceu no âmbito do Porto/Post/Doc 2019 e que pode ser revisitado através da fotogaleria em baixo ou aqui.

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Lisboa fria, coração quente de Robert Forster, no Musicbox


O ar está gelado, é uma Lisboa friorenta, a Lisboa desta noite.  A passo tranquilo a caminho do Musicbox, pela Rua Nova do Carvalho, eleita pelo New York Times como 'uma das favoritas do Velho Continente, a par de Paris, Londres e Milão', e hoje não está assim tão apinhada de pessoas, mas já é habitual no tempo frio. Aconchegante, a sala do Musicbox e quente, para receber e ouvir Robert Forster

Passeiam-se pelo chão as habituais rodelas de luz vermelho vivo lançadas das cúpulas em forma de arco, é o tom da sala com os focos coloridos de igual.  Aguardando Robert Forster, pela perspectiva de ouvir canções da sua carreira a solo e outras da sua carreira nos The Go-Betweens, encontrei uma sala composta por metade da lotação que foi crescendo à espera que Robert Forster entrasse em palco com a sua guitarra e encantasse com as suas canções, e como vinha anunciado no poster, acompanhado com a sua esposa Karin Baeumler, no violino. Surpreendentemente, e como o próprio explicou depois, pedindo humildes desculpas, por motivos de saúde do pai, Karin não pôde estar presente nos concertos em Portugal e Espanha, o que tornaria à partida mais difícil a Robert Forster, a tarefa de manter interessada uma plateia durante praticamente hora e meia, num concerto só com a sua voz e a sua guitarra acústica. 

Nada de mais errado. Robert Forster entrou em palco, interrompeu a primeira canção logo ao início, dando claras instruções ao técnico de som que o som não estava como ele queria na munição de palco e rapidamente indicou que a partir daí, "tudo iria correr excelentemente”, gracejando. Ganhou logo à partida a simpatia do público, simpatia esta ser já um dado adquirido numa noite em que Forster compôs bem a sala do Musicbox e com tantos concertos a acontecer em simultâneo em Lisboa, incluindo o Super Bock em Stock. Robert Forster, ele e somente com a sua guitarra, 'armado' de charme australiano, do continente de onde vêm 'coisas' tão boas como Nick Cave & The Bad Seeds ou… como The Go-Betweens, claro. 


Rodeado de fãs acérrimos, Robert Forster entregou um set longo, competente e cumpriu a tarefa heróica de tocar cerca vinte canções, ou mais, se contarmos com o encore em que não saiu de palco. Anunciou que ía ficar ali a tocar mais, porque "já não faz essas coisas (sair de palco e esperar que as pessoas peçam mais)”. Foi portanto de uma simplicidade elegante, ele, Robert Foster, grato por finalmente estar a tocar em Portugal (na noite anterior já tinha tocado no Passos Manuel, no Porto). O público também estava agradecido por ter esta oportunidade, tamanha a devoção que a plateia lhe prestou, também ele não fez por menos e introduziu logo com o tiro certeiro as canções dos The Go-Betweens. “Born To a Family” pode perder impacto em relação ao original de estúdio com a sua secção rítmica pujante e até aos arranjos de guitarras, mas ganha pontos nesta versão folk, pela simplicidade e despida de artifícios, foi uma boa entrada para este concerto, todo ele como referi, só com voz e guitarra. “I've got tickets to the best show in town, If you want to come on down and listen, I'm ready” (tenho bilhetes para o melhor concerto da cidade, se vierem até cá, estou pronto), canta Forster na belíssima “Spirit" do disco The Friends of Rachel Worth, o primeiro que os The Go-Betweens gravaram na 'América' e o sétimo da carreira, já na segunda fase da banda. 

Centrado no presente, não renegando o seu passado mas abraçando-o numa mistura coerente nos dias de hoje, ouvimos da sua carreira a solo “Let me Imagine You”, do disco com o mesmo nome, onde reconhecemos em Forster o mesmo talento de sempre de criar melodias com a sua voz simples canções evocativas de sentimentos especiais, como pudemos também confirmar na muito bonita “One Bird In The Sky” do seu álbum, Inferno. Ouvimos "Here Comes The City”, que em modo acústico gostei mais do que na gravação de estúdio pelo ritmo estrondoso que a guitarra de Robert imprimiu junto com sua voz. E no fundo, tivemos um set dividido entre canções dos The Go-Betweens, e as belíssimas canções da sua carreira a solo. "Inferno (Brisbane in the Summer)”, o single do mais recente disco (Inferno), é um exemplo disso, uma canção com fulgor e a única em que senti falta de uma banda a acompanhar Robert Forster

Mais para frente e já perto do final, um momento bonito em que o artista em plena ‘comunhão’ se fez acompanhar pelo público no refrão, nessa canção simples de bonita que é “Surfing Magazines” dos The Go-Betweens. Vão ouvir e se não estiveram lá naquela noite no Musicbox, arrependam-se. Robert Forster despediu-se com ”Rock 'n' Roll Friend”, do álbum a solo Warm Nights. Uma noite de rock n' roll, 'à la' guitarra acústica com um carismático intérprete, confortável na sua tarefa de só ele e as suas canções, num espectáculo coerente, bonito e cheio de boas memórias, levantando o véu para quem ainda (por cá) não conhece a fundo a sua carreira a solo como intérprete e compositor. Nesta noite, Robert Forster tocou para os seus amigos, para os seus ouvintes, para aqueles que o conhecem, e fez as pessoas presentes felizes de o terem por cá. 

Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Ah!PHOTO

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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Sin Festival traz Clan of Xymox e toda uma vibe gótica a Lisboa


Há um novo festival a chegar em 2020 para fazer viver em grande as paisagens mais obscuras e decadentes da música underground. Chama-se Sin Festival e chega em maio  a Lisboa numa versão de dois dias e com uma mão cheia de nomes de luxo. Entre eles destaque obviamente para os sempre históricos  Clan of XymoxInkubus Sukkubus dois nomes que nasceram na década de auge do gótico e ainda hoje nos passam os testemunhos das suas vivências.

Mas como nem só de nomes clássicos se faz um evento, o Sin Festival aposta numa programação que inclui também nomes mais contemporâneos no panorama gótico internacional como é o caso de Wulfband, Ash Code, Hapax ou Ramos Dual (bandas que, à exceção de Hapax, já passaram todas pelo incrível festival gótico Entremuralhas). A nível nacional o cartaz também está bem representado com Phantom Vision e She Pleasures Herself a abrirem palco nos referidos dias. Além das performances assinadas pelas bandas, no final de cada dia haverá ainda uma after party que contará com DJ sets de Artur Durand, Helen Cat, Maldoror e Sciphyber.



O Sin Festival decorre no primeiro fim-de-semana de maio nos dias 1 e 2 de maio no Lisboa ao Vivo. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes mas podem consultar todas as informações adicionais no link do evento, aqui. Se preferirem podem sempre consultar o site oficial do festival clicando aqui.



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EMU - "Spbarqz Crostino" (video) [Threshold Premiere]


The Italian eccentric project EMU is getting ready to release a new full-length but before they reveal the additional details there's a new stunning single ready to listen to. "Spbarqz Crostino" is the first advance of their second studio album that will hit the shelves next year. Entering within the contemporary electronic scene with spatial, immersive and clearly challenging music from the listener's point of view, EMU released last year their first studio album, EMU, a set of eleven songs focused on sound design and all the artistic aspects that surround the basis of the sound. Now they are back ready to conquer your attention with the new "Spbarqz Crostino" theme.

Before considering them as a musical project EMU prefers to be seen as sound designers considering the fact that their compositions include the entire process from collecting sounds to jarring construction of weird tunes totally out of the box. The result is an immersive universe full of magical elements and outstanding production. These guys really know what they are doing. 

About the new video, EMU explains on its own words:
"the concept on which we based the video it was actually purely aesthetic, trying to figure how we could arrange in few shots something beautiful. In particular, we like the shots of the rose and the ones of the river. Opposite to this feeling of suspense, there are the scenes of the barrels being hit or the piano hammer in the fast part."
You can check by yourself watching the new video for "Spbarqz Crostino" first-hand below.



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Emma Acs estreia-se pela Third Coming Records com novo EP


Emma Acs é a mais recente adição ao catálogo de artistas da Third Coming Records. A artista dinamarquesa lança hoje "My Beloved (Lost to Begin With)", o primeiro tema de avanço do novo EP While I Shoot from My Fortress of Delusions, que chega às prateleiras no próximo ano. Numa balada de amor pulsante, caracterizada pelos saxofones retorcidos e uma voz sedosa, Emma Acs traz-nos um cenário único que junta a "fofura" da pop à experimentação e improviso do jazz. Uma incrível canção de amor pronta para nos fazer sonhar bem alto, enquanto nos espicaça entre o (des)afinar dos instrumentos.

Quatro anos depois de Give In To Whatever (2015) Emma Acs apresenta um disco mais sombrio e experimental que marca uma rutura face às edições que antecedem este novo While I Shoot from My Fortress of Delusions: uma mistura desordenada de som juntamente a um universo lírico inspirado em temas medievais. O vídeo para "My Beloved (Lost to Begin With)" foi gravado em Berlim e dirigido por Emma Acs e a diretora alemã Kira Pohl. Podem agora visualizar o resultado abaixo.


While I Shoot from My Fortress of Delusions tem data de lançamento prevista para 31 de janeiro pelo selo Third Coming Records. Aproveitem para fazer a pre-oder do disco aqui.

While I Shoot from My Fortress of Delusions Tracklist:

01. Blessed Are the Faithful 
02. Palm Trees 
03. My Beloved (Lost to Begin With) 
04. Disarmed 
05. Into Your Heart 
06. Right Here 
07. Witch Hunt Waiting Room

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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Vodafone Paredes de Coura confirma Ty Segall e Yellow Days


Conhecido pela diversificada discografia, Ty Segall já lançou mais de uma dezena de LPs, mais de uma dúzia de álbuns e inúmeras compilações. O multi-instrumentalista, cantor, compositor e produtor, soma e segue na sua carreira a solo, além dos seus projectos paralelos como Fuzz, Broken Bat e GØGGS. Mais recentemente, e acompanhado por Freedom Band, editou Deforming Lobes (Março 2019) um disco com os melhores momentos da última tour por Los Angeles. Após anos de cedências ao seu lado mais rock, o músico norte-americano regressa ao vintage pop e ao folk-rock e apresenta First Taste, lançado em Agosto deste ano. A energia contagiante de Ty Segall & Freedom Band está de regresso ao habitat natural da música.


Desde o lançamento do EP de estreia Harmless Melodies que Yellow Days tem vindo a conquistar a indústria musical. As suas melódicas misturas de lo-fi soul unidas ao sotaque mascarado de ídolos do blues como Howlin’ Wolf e Ray Charles são a chave do sucesso deste jovem multi-instrumentista. Is Everything Okay In Your World? apresenta uma afirmação segura daquilo que o músico tem para oferecer. Fresco e ousado, o primeiro longa-duração é uma colecção repleta de respostas que contam a história da adolescência do artista britânico.


Ty Segall & Freedom Band e Yellow Days juntam-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoods, Black Country, New Road, IDLES, The Comet Is Comet, (Sandy) Alex G, Mac DeMarco, Tommy Cash e Squid para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso às margens do Rio Coura de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 95€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva, está também disponível, por 95€, nas lojas FNAC Portugal e em fnac.pt.


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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Nouvelle Vague estão de volta a Portugal na próxima semana


É já no próximo dia 3 de dezembro, que os Nouvelle Vague dão o primeiro de seis concertos, no nosso país, para celebrar 15 anos da edição do seu álbum homónimo de estreia (2004), em formato acústico.

Esta tour nacional, que marca a efeméride de terem atingido, com o seu primeiro álbum, o lugar cimeiro no top de vendas em Portugal, Europa e Estados Unidos, tem um carácter ainda mais significativo, dada a relação da banda com o nosso país, relação essa que começa com o primeiro concerto, no Lux (2005), em que os bilhetes esgotaram no dia em que foram colocados à venda. A lealdade do público português foi agraciada através da gravação e edição de dois discos ao vivo, Aula Magna (2CD e dvd) e Acoustic, disponíveis exclusivamente no mercado nacional.

Nesta digressão acústica, estarão em palco Marc Collin e Olivier Libaux, e as suas vocalistas mais icónicas e acarinhadas, Phoebe Killdeer e Melani Pain, que nos presentearão com temas clássicos e inéditos. 



Com o carimbo da Fusion by Lemon, Faro será a primeira cidade a recebê-los, seguindo-se Lisboa (4 de dezembro), Coimbra (5 de dezembro), Leiria (6 de dezembro), Guimarães (7 de dezembro), terminando no Porto (8 de dezembro).

Os bilhetes para estes espetáculos oscilam entre os 23€ e os 25€.

Texto: Armandina Heleno

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ZDB aponta Ron Morelli para 2020



O ano ainda não terminou mas a Galeria Zé dos Bois já se encontra a engendrar os planos para o próximo ano. À agenda de 2020 do espaço lisboeta, que já contava com as atuações esgotadas de Angel Olsen e Hand Habits no Capitólio, junta-se o próximo capítulo das noites Bola  de Cristal a 7 de fevereiro. 

Depois de receber DJ Nigga Fox, Hieroglyphic Being, João Pais Filipe e Gabber Modus Operandi, o aquário da ZDB acolhe a eletrónica contundente de Ron Morelli, produtor americano e cabecilha da essencial L.I.E.S., plataforma que alberga alguns dos mais sagazes temas das pistas de dança. No catálogo da editora podemos encontrar trabalhos de Bookworms, Tzusing ou Broken English Club, mas o trabalho de Morelli estende-se ainda a uma afiada discografia a solo e um profundo apreço pela Hospital Productions, editora de Dominik Fernow (Prurient, Vatican Shadow) que acolhe grande parte do seu trabalho.

A entrada possui o custo 10€ e os bilhetes encontram-se disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB.



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RUE OBERKAMPF são a terceira adição no cartaz do MONITOR 2020


O terceiro e último nome da semana a ser revelado para a quinta edição do festival MONITOR é mais uma das estreias que teremos oportunidade de ver em primeira mão em Leiria, a 25 de abril. Trata-se então dos alemães RUE OBERKAMPF que prometem trazer uma eletrónica poderosa e bem negra para nos fazer dançar até o sol se pôr. Ainda sem certezas, mas há altas probabilidades de serem os responsáveis por encerrar a quinta edição do festival MONITOR, uma vez que são profissionais no ramo do DJ Set, não fossem todos os seus elementos djs apaixonados pelos sintetizadores dos anos 80 e o início da era techno.

Ao país, o trio traz na bagagem o seu mais recente disco de estúdio CHRISTOPHE​-​PHILIPPE (2019, Young & Cold Records), um disco com influências claras do dark techno alemão com muita EBM à mistura e, claro, a veia eletrónica francesa que se encontra implícita na própria nomenclatura da banda e na voz bilingue de Julia de Jouy. Tudo a tirar a roupa!



RUE OBERKAMPF juntam-se assim aos já confirmados SKEMER e PYRIT para atuar na Stereogun, em Leiria, a 25 de abril de 2019. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes mas poderão consultar todas as informações adicionais aqui.

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Alberto Montero em dose dupla por Portugal esta semana

© Patricia Gázquez
O espanhol Alberto Montero passa esta semana pelo país em dose dupla e muito bem acompanhado na apresentação do seu mais recente disco de estúdio La Catedral Sumergida. Natural de Valência, Alberto Montero traz na bagagem um disco envolto em influências onde se encontram Debussy, a música psicadélica, a pop e uma profunda fantasia pronta para contagiar os ouvintes mais sensitivos. O artista chega a Portugal a 29 de novembro data onde atua em Ponte de Lima, no Teatro Diogo Bernardes e segue posteriormente para Espinho, onde subirá ao palco do Auditório de Espinho no dia 30 de novembro.

Em ambos os concertos, Alberto Montero contará com a colaboração de oito jovens músicos da Escola Profissional de Música de Espinho que formarão um octeto de cordas, entre violoncelos, violas e violinos, para acompanhar alguns dos temas em concerto. Todas as informações adicionais relativas ao concerto em Ponte de Lima podem encontrar-se aqui. Já para o concerto em Espinho é clicar aqui para mais detalhes.


Informamos ainda que estamos a oferecer bilhetes para o concerto no Auditório de Espinho, a 30 de novembro, pelo que, se quiserem poupar uns trocos devem tentar a vossa sorte aqui.

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terça-feira, 26 de novembro de 2019

Fotogaleria: Phantom Vision + NU:N + La Chanson Noire [RCA Club, Lisboa]


O RCA Club, em Lisboa, recebeu no passado dia 15 de novembro uma noite bem negra que reuniu o rock, o blues, o gótico e a música de cabaret numa só sala em Alvalade. O destaque vai claramente para a apresentação do novo álbum dos Phantom Vision, Guilty, sexto trabalho de originais da banda de Lisboa recentemente editado pela norte-americana Cop International. A primeira parte do evento ficou a cargo do trio NU:N (Nothing Unveils Nothing) composto por Francisco Vaudeville, Pedro Eternal e Tarannis M., e de La Chanson Noire, projecto bucolico-depressivo com raízes fincadas no folclore português mas adaptadas à atualidade via cultura punk. 

Todas as atuações da noite podem ser revisitadas em fotografias, através da fotogaleria abaixo.


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A tempestade psicadélica dos Primal Scream no Hard Club


Foi no passado dia 6 de novembro que fomos até ao Hard Club para assistir a mais uma passagem dos lendários Primal Scream em Portugal. A histórica banda psicadélica, composta atualmente pelo co-fundador Bobby Gillespie (vocais), Andrew Innes (guitarra), Martin Duffy (teclas), Darrin Mooney (percussão) e Simone Butler (baixo) voltou a trazer um concerto a terras lusitanas, depois de o ter feito pela última vez na prévia edição do NOS Alive.

Tanto no Porto como no Alive, vieram apresentar a compilação Maximum Rock’n’Roll – The Singles, o que serviu de mote para a celebração dos mais de 30 anos de carreira da banda escocesa. A noite do concerto estava mais chuvosa e friorenta do que se tem estado nos últimos tempos, e por isso as pessoas que iam chegando à Ribeira refugiavam-se da chuva dentro do Hard Club, aproveitando para socializar um pouco antes da festa. Por volta das 21h30 e com a lotação da sala a meio-gás, os portuenses Fugly deram início ao seu concerto de abertura neste evento.



Depois de editarem o seu disco de estreia em 2018, os Fugly puseram-se à estrada para levar Millennial Shit aos vários cantos de Portugal e da Europa. Um disco muito bem conseguido, poderoso e rápido que vieram mais uma vez apresentar à sua cidade natal do Porto. Tocando aqui também algumas músicas em antevisão ao seu próximo registo discográfico, que deverá sair em 2020. Toda a energia que os Fugly emanaram do palco, através das suas guitarras cheias de distorção e uma bateria potentíssima, originou um concerto que não passou despercebido às pessoas que chegaram cedo ao recinto.



Com a sala a encher no final desta atuação, já se notava o entusiasmo no ar pelos escoceses que estavam prestes a pisar o palco. É como se o público fosse um barril de pólvora. Pois quando os Primal Scream chegaram, e começaram a tocar, a faísca deu-se e a explosão foi imensa. A banda liderada por Bobby Gillespie começou as festividades com “Don’t Fight It, Feel It”, do seu mais aclamado álbum Screamadelica, o que levou os presentes à loucura. A banda tocou um bocado de todo o seu repertório, desde Give Out But Don’t Give Up a Chaosmosis, com o já referido Screamadelica em destaque nesta setlist. Os solos enormes de Andrew Innes iam-se destacando na sonoridade, com Bobby a emanar carisma e energia a partir do palco, sempre muito activo e sorridente para o seu público. Os pontos altos desta noite foram sem dúvida “Loaded” e “Movin’ On Up”, provocando uma onda de cânticos e festejos que ecoaram por toda a Ribeira do Porto. Um ambiente perfeito, comprovado pelas caras de felicidade visíveis na plateia ao cantar estas músicas.

Após hora e meia de concerto, e depois de um encore que contou com uma performance incrível de “Come Together”, os Primal Scream despediram-se sob um enorme aplauso de um público certamente satisfeito. Acabando assim mais um grande concerto desta lendária banda escocesa em terras portuguesas.



Texto: Tiago Farinha
Fotografia: Francisca Campos

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Ondulações e um inebriante cheiro a maresia invadem Casa da Música


Depois de uma passagem pelo Tivoli, foi a vez da Casa da Música (Porto, 19 de novembro) mergulhar e deixar-se arrastar pelas ondas de Adriana Calcanhotto, num desaguar de emoções em Margem, nome do seu último álbum e mote para uma tournée por vários países. 

Esta viagem por praias e oceanos iniciou-se com Marítimo (1998). A segunda vaga surge com Maré (2008), dando à costa em Margem (2019). Esta trilogia ao mar reúne, num conjunto de canções, como a própria cantora e compositora brasileira expressou, “um ambiente de mar e de dança, de movimento, de levar e trazer, de ondulação e impermanência”, a fazer lembrar o ritmo, muito próprio, dos oceanos, que neste espaço de 21 anos foram mudando, dramaticamente, e enfrentam hoje o flagelo do plástico, da poluição, da “pegada ecológica”.  

A noite fria e chuvosa emoldurava um quadro que em nada convidava a uma saída. Esta resistência provocada por um “inverno prematuro” foi-se dissipando, desaparecendo, por completo, com a entrada na sala Suggia, onde a pouco e pouco foram tomando assento todos aqueles que ali se deslocaram para ouvir Adriana.  

No palco, o cenário era minimalista. Um pano azul pendurado a fazer lembrar uma onda, um background preto, um ciclorama que ao longo do espetáculo foi mudando como se o dia desse lugar à noite e a noite passasse para o dia, num contínuo movimento de rotação.   

Adriana entra em palco de vestido negro, traçado por uma rede e adornada por um manto de “voile” que esvoaçava a cada movimento. Ouve-se “Mais uma vez, Vem o mar, Se dar, Como imagem, Passagem, Do árido à miragem”, os primeiros 5 versos de "Maré", seguida de “Porto Alegre”, “Mais feliz” e “Era para ser”. Em “Dessa Vez” a cantora muda de roupagem, trocando o manto pelo violão. Ao entoar “Devolva-me”, o espetáculo ganha intensidade com o instrumental e o back vocals. No final o público reage com fortes aplausos e assobios de ovação.  

O alinhamento prossegue com “Quem Vem Pra Beira do Mar”. O silêncio é quebrado pelo ruído de fundo das ondas a enrolar na areia, a música e as palavras entoadas por Adriana que se entranham, em cada poro da pele, nos arrepiam e nos fazem estremecer com a sublime intensidade poética.  


“Futuros amantes” (cover de Chico Buarque) foi recebida com uma chuva de aplausos e “O príncipe das marés” transportou-nos para uma outra dimensão. Adriana declama o poema ao som da bateria e de uma dança. Alguém descreveu Adriana como detentora de movimentos graciosos, mas também com “Algo de psicadélico e selvagem que brota do seu interior”. Sente-se o cheiro auditivo de “Maresia” que convida o público a um acompanhamento ritmado de palmas.  

Adriana fica imersa numa luz que lhe define suavemente os contornos. Ao ouvir-se “Entre por essa porta agora” o público reage efusivamente a uma das mais belas canções de amor -“Vambora” - fazendo coro com a artista. Os aplausos no final passam a um acompanhamento ritmado, a convite do baterista, dando início a “Marítimo”, no qual a cantora imprime uma ténue e dócil sonoridade. Inesperadamente, surpreende-nos ao “empunhar” um borrifador numa mão e na outra uma espécie de megafone, proferindo “atenção população”. É desta forma que vai apresentando os músicos que a acompanham: Rafael Rocha nos tambores, percussão, assobio e vocal; Bruno Di Lullo no contrabaixo; Bem Gil na guitarra. 

Adriana faz, nesse momento, a primeira referência à partida de José Mário Branco e deixa uma mensagem política sobre a importância de salvarmos a Amazónia. “Ogunté” é um hino de alerta para as questões ambientais e o estado do planeta. Tudo muda com “Lá Lá Lá”, onde o espetáculo foi crescendo e a batida ritmada de palmas foi uma constante. 

Chegamos à “Margem” marcada por uma generosa vénia de Adriana. “Meu Bonde” e o flashar cadenciado das luzes anunciam o fim do concerto, não sem antes se ouvir do público: “Maravilhosa”! 

Uma nova chuva de aplausos reclama o encore, ao qual Adriana acede. Ao contrário do expectável, não canta. Começa a falar do tempo. Do tempo que muda, do tempo de já não termos o privilégio de sermos contemporâneos de José Mário Branco. Um ramo de cravos no palco marcou a sua presença ao longo da noite, tendo sido depois distribuídos pela primeira fila. É-lhe feita então a homenagem com a declamação de “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” de Camões (soneto que inspirou José Mário Branco). Em jeito de confissão diz que ainda pensou em cantá-lo, mas que lhe soava estranho a forma como pronunciava as palavras em brasileiro. Foi um momento de grande emoção para todos os presentes. 

Recomposta, Adriana prossegue: “Eu não formei uma banda, eu peguei uma banda. Assim é mais fácil. Eles quando tocam sozinhos são o Tou no Trio. Eles quando estão no Porto são Tou no Porto”. Refere ainda que apesar da sua juventude se vão apropriando de músicas e, perante a perplexidade do público começam a cantar o tema “Bem Bom”, cantado pelas “Doce”, há décadas, que acaba por acompanhá-los em coro. 

“Eu fico assim sem você” teria sido o desfecho perfeito deste espetáculo. Mas o público não o permitiu e os músicos regressaram ao palco para rematar a noite com “Esquadros”. 

 Adriana sai do palco de cravo na mão e sob uma tempestade de aplausos! 

Texto e fotografias: Armandina Heleno

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Rui Andrade em entrevista: "Sinto que trabalhar sob um alias foi muito libertador"



Co-fundou a editora experimental madeirense Colectivo Casa Amarela, é uma das metades da dupla HRNS, que partilha com Afonso Arrepia Ferreira (FARWARMTH) e o autor do seu próprio selo, a recém-criada Eastern Nurseries. Rui Andrade, 26 anos, é um dos mais prolíficos produtores do panorama da música electrónica em Portugal e, a avaliar pelo seu extenso currículo, o músico baseado no Porto não tem intenções de abrandar.

O seu novo álbum, Atoll, chegou em setembro sob a forma de um novo alter-ego, Canadian Rifles, e explora a dor provocada pela perda de um ente querido – Clarinha, a cadela de estimação de Andrade, morreu atropelada em dezembro de 2018. É a sua segunda aventura nos lançamentos de maior duração este ano, depois de em junho se ter estreado com o EP Eastern Nurseries, o primeiro lançamento sob a alçada da editora com o mesmo nome.

Em jeito de promoção do álbum de estreia dos HRNS, Naomi, Andrade embarcou numa digressão pela Europa que integrou ainda algumas datas de promoção do seu novo disco a solo, tendo atuado ao lado de nomes tão respeitados como Paul Jebanasam, Yair Elazar Glotman ou Mats Erlandsson

Em entrevista por email, Rui Andrade debruçou-se sobre a produção de Atoll, alter-egos e o futuro da Eastern Nurseries. 




O que motivou a criação da Eastern Nurseries?  

Precisava de ter essa liberdade e de sentir que controlava todas as partes do processo. Tem sido um processo desafiante qb, até porque me propus a fazer merdas que nunca tinha explorado. Masterizei todos os discos que lançamos, comecei a fazer capas, tive de aprender a lidar com templates e impressoras, encomendar cassetes, comprar decks em segunda mão e duplicar cassetes uma a uma sentado na minha sala de estar. Tudo isso foi relativamente novo para mim, mas estou muito satisfeito com os primeiros meses e pela ideia de estar a criar uma plataforma em que possa reunir e unir pessoas que admiro e pelas quais tenho um profundo apreço. 

A cassete parece ser um formato que te agrada. Saudosismo? 

Creio que a cassete já passou há muito o timing do revivalismo. Ainda é dos formatos físicos mais baratos e compactos, são pontos que não se podem discriminar; o primeiro principalmente, especialmente quando estás a gerir uma editora mínuscula com o teu salário. Sinto que a música que faço soa bem em fita, mas nasci em 1993, vivi os últimos dias da era da cassete, não vou estar com merdas e dizer que sinto saudade porque mal me lembro o que isso era. Em 2020 tenciono continuar a lançar em cassete, mas podes contar com lançamentos exclusivamente em formato digital também. 

Canadian Rifles marca uma nova fase na tua carreira. As tuas produções continuam a ser um produto individual, mas desta vez sob um novo alter-ego. O que motivou a mudança de nome? E quais são as principais diferenças entre o Rui Andrade e Canadian Rifles? 

Sinto que trabalhar sob um alias foi muito libertador. Quis cortar um cordão umbilical com o passado e criar um espaço onde pudesse reimaginar a minha música de novo e distanciar-me de mim próprio nesse processo. Continua a ser um projecto a solo, mas quase que visto de cima numa espécie de perspectiva “bird’s eye”. Sinto que Canadian Rifles pode ser aquilo que eu quiser e deixa que me esconda ou exponha à minha vontade. 

Atoll é o teu álbum de estreia como Canadian Rifles. Podes explicar um pouco da ideia por trás do disco? 

Parti para o disco enquanto em simultâneo trabalhava no Naomi com o Afonso. Olhando para trás, para mim ambos os processos viveram muito um do outro. Não fazia ideia do que iria ser, nessa altura Canadian Rifles não existia. A minha vida mudou muito durante o período que levou ao “Atoll”, de concretizar o sonho de tocar em casa no MadeiraDIG a perder a Clarinha poucas semanas depois, houve o melhor e o pior, saí duma relação, mudei-me duas vezes, enfim, percebes a ideia. Olhar para o “Atoll” agora é quase como ver uma escala de tempo geológico lol. As ideias pareciam vir de fora para dentro, é difícil explicar. 

Como foi o processo de gravação?  

Foi um disco que me viu aprender a usar instrumentos novos, a grande diferença “técnica” passa por aí. Comprei um baixo e fodi algum dinheiro num ou outro sintetizador muito específico. Grande parte do disco nasceu pela inocência de explorar todos essas novas portas e ferramentas. 

O teu trabalho tende a ser bastante pessoal. Ao longo da tua carreira, exploraste desde as tuas relações amorosas aos acontecimentos mais imprevisíveis da vida, como foi o caso da Clarinha. Sentes que a dor é o maior combustível para a tua produção? 

É pessoal porque é meu, não sou capaz de fazer música de outra forma, nem posso expressar-me por mais ninguém. Não tento que seja uma merda que não é, mas discordo que a dor seja o maior combustível. Interessa-me música que sangra, mas num sentido bem mais abrangente. A dor e o luto marcam, muito, mas também o amor, a família ou a amizade. São tudo faces diferentes da mesma moeda. 


Este é o teu trabalho mais colaborativo. Para além da participação do Afonso, encontramos também a colaboração inédita com o Miguel Béco (Kara Konchar). Podes aprofundar um pouco a tua relação com o trabalho colaborativo?


Quis trazer um maior número de pessoas para este disco, senti que não o conseguia acabar sozinho. Senti que reforçava o fio condutor do disco, a ideia da crescente importância da solideriedade na sociedade moderna, o senso de comunidade e uma tentativa de desbanalização das relações humanas. O trabalho colaborativo interessa-me muito, a ideia de que o todo é maior que a soma das partes. Ainda esta semana saiu o primeiro passo duma colaboração com o Chris (Burning Pyre) que ambos prentendemos extender, há nova música de HRNS também. Colaborar vai ser sempre parte integral da minha maneira de trabalhar.  




Editaste o teu disco pela editora belga Audio Visuals Atmosphere. Como nasceu a tua relação com o Niels Geybels, fundador do selo? 

Estou muito feliz que tenha acontecido, a Audio Visuals Atmosphere era uma editora que seguia há algum tempo e que respeito muito. Na altura em que fechei o disco e antes sequer de ter recebido o master do Jesse, fi-lo chegar ao Niels. Recebi uma resposta na semana seguinte, nunca tínhamos falado antes mas depressa percebemos que tínhamos uma visão idêntica em relação ao que fazer com o álbum. Tenho a certeza que não foi a última vez que cruzamos caminhos 

Esta não é a tua primeira vez a editar por um selo estrangeiro. Lançaste o teu último disco em nome próprio pela britânica ACR, em 2017, e este ano editaste o álbum de estreia de HRNS pela Warm Winter Ltd. Sentes que a tua música é melhor representada no estrangeiro? 

Não acho que seja uma questão geográfica, num passado mais distante já tive experiências menos conseguidas a lançar por selos estrangeiros, e vice versa. Acima de tudo há que existir aquele clique e conexão com quem está por de trás da editora, é essencial que toda a gente tenha o mesmo foco e respeito mútuo pelo trabalho de cada uma das partes. Tive muita sorte em ter conhecido o Adam (ACR, Warm Winters Ltd.), foi alguém que se tornou um amigo próximo e isso torna tudo bem mais fácil. 

O teu trabalho tem também um sentimento muito romântico que se estende para além da música. É possível encontrar uma estética muito própria ao longo dos teus projetos, desde o uso peculiar da imagem nas diferentes capas às notas que vais deixando na descrição dos teus trabalhos. Quais são as tuas maiores inspirações? 

Lembro-me de dizer ao Niels que na altura em que estava a compor o disco estava super interessado em pintura renascentista, Durer, Cranach etc. Gosto muito da forma como a mitologia e a humanidade se relacionam, a morte, a religião, anjos e demónios não nos seus sentidos literais mas como representações da nossa humanidade e dos nossos problemas e dilemas. Eram tudo temáticas que me estavam a interessar na altura. O que me inspira muda com o as minhas obsessões na altura. Agora acordo de madrugada para ver um lançamento do Falcon Heavy, portanto quem sabe haha. 

Estiveste recentemente em tour pela europa, onde atuaste tanto em dupla como a solo. Conta-nos um bocado da tua experiência. 

Foi surreal, conhecemos pessoas fantásticas. Ter a oportunidade de tocar lá fora pela primeira vez e partilhar o palco com artistas como o Paul, Yair, Mats, a malta de 9t Antiope, etc foi super inspirador e estou muito agradecido por essa experiência. Todos os concertos foram muito diferentes também, passar dum club em Berlim para um set às duas da manhã numa sleepover no coração de Praga... uma matiné pós-rave num bosque com um gerador a diesel, um concerto numa carruagem de elétrico em Bratislava. 

Como é que tens visto a evolução do panorama da música electrónica em Portugal?  

É estranho como o mundo e inclusive a Europa parecem ter fronteiras cada vez mais vincadas, mas no que toca à música e à arte, é cada vez mais complicado olhar para dentro e isolar uma ideia ou um movimento. No entanto acho que há uma geração muito talentosa de artistas baseados em Portugal neste momento. Muitas editoras e projectos interessantes têm surgido e encontrado o seu espaço. Continua a faltar público, uma comunidade mais activa e salas com mais condições, e apoios. Sinto que se tem feito muito com muito pouco. 

Quais são os teus próximos planos?  

Para já estou a orientar os próximo lote de lançamentos da EN, que sairá em Janeiro. Haverá também uma reedição dos dois primeiros EPs de Canadian Rifles em parceria com outra editora e que será anunciada a seu tempo.

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