sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O Amphi 2020 já tem o cartaz fechado


O Amphi Festival 2020 regressa em julho a Köln, com uma programação de dois dias que inclui um total de 40 nomes no panorama das ambiências mais sorumbáticas. LONDON AFTER MIDNIGHT, [:SITD:], JADU e V2A são os últimos nomes que se juntam ao cartaz da 16ª edição do Amphi. Já podem oferecer aquela prenda de Natal de sonho para os vossos amigos góticos: dois dias de irreverência, amplamente tingidos de negro e num cenário incrivelmente idílico.

Depois de uma edição memorável em 2020 o cartaz deste ano volta a trazer grandes atrações, onde se destacam nomes como VNV Nation, Eisbrecher, Suicide Commando, Aesthetic Perfection, She Past Away, Frozen Plasma ou Minuit MachineO alinhamento do festival por dias já se encontra disponível e podem consultá-lo aqui.



A edição de 2020 do Amphi Festival decorre nos dias 25 e 26 de julho em Tanzbrunnen, em Köln, na Alemanha. Os passes para os dois dias têm um preço de 87€ e os bilhetes individuais têm um preço de 62€, podendo ser adquiridos aqui. Todas as informações adicionais relativas ao festival podem ser encontradas aqui.

Aproveitem ainda para ver a nossa fotogaleria da edição passada aqui.



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STREAM: Pop. 1280 - Way Station


Depois de uma pausa de mais de três anos nas edições longa-duração de estúdio, os norte-americanos Pop. 1280 regressam agora com Way Station, disco que chega tarde no ano, mas sempre a tempo de integrar as listas dos lançamentos de qualidade. A banda que integra agora um novo alinhamento e uma pele nova - na alçada da belga Weyrd Son Records - apresenta um disco tecido num novo modelo musical com a exploração de sons expansivos, ritmos melódicos e as ambiências do industrial, tão característicos do seu trabalho.

Deste Way Station, que vem dar sucessão a Paradise (2016, Sacred Bones Records), já tinham anteriormente sido divulgados o EBM industrial-inspired e super poderoso "Boom Operator" e a malha experimental "Under Duress". Além dos referidos destaque ainda para "Doves", malha clássica no currículo dos Pop. 1280; "Monument", tema colossal a reviver em grande as origens do industrial com rasgos da eletrónica contemporânea; e ainda o purgatório de "Empathetics", que não deixa qualquer um indiferente. Way Station pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Way Station foi editado esta sexta-feira (6 de dezembro) em formato vinil e CD pelo selo Weyrd Son Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.



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Daisy Mortem lançam novo disco em 2020

© Charlotte Pouyaud

Está quase a surgir nas plataformas de streaming o novo disco dos franceses Daisy Mortem. Intitulado Faits-Divers, o novo longa-duração da dupla rave/goth chega às prateleiras já em janeiro do próximo ano e, a julgar pelas faixas já reveladas, promete ser bastante intenso. Os Daisy Mortem, que agora se cingem em formato duo, têm visto o seu nome difundido pelo cenário underground europeu muito devido à sua sonoridade esquizofrénica, embebida em elementos que vão do death-rock ao electropop e se enriquecem de toadas cyber e punk com traços do hip-hop à mistura.

Agora, em preparação para um lançamento cada vez mais à vista, os Dasy Mortem continuam a mostrar-nos um pouco mais do sabor final deste Faits-Divers. Depois da alucinante "Arêtes" e da amplamente  poderosa e obscura "L'accident est inévitable", a dupla francesa apresenta agora a lo-fi witch-house lasciva "SPAM", que como o próprio nome indica, é um tema com base na sensação invasiva que o SPAM gere no ser humano. A banda explica melhor nas suas palavras:


"In "SPAM," we tell the story of an internet ghost that falls in love with a human and tries to establish contact through pop-ups and ads that become more and more hauntingly invasive..."


Faits-Divers tem data de lançamento agendada para 9 de janeiro pelo selo Napp Records.

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Lux Frágil celebra a feminilidade em palco com Mykki Blanco, Lyzza e Odete



A 20 de dezembro, o Lux Frágil, em Lisboa, recebe a primeira edição do Festive Femmes, uma iniciativa Redbull que visa dar protagonismo à feminilidade em palco. 

Com curadoria do rapper, poeta, performer e ativista americano Mykki Blanco, a noite contará ainda com as atuações de Trypas Corassão, dupla brasileira composta por Cigarra e Tita Maravilha cuja performance celebra “corpos urgentes de mulheridades marginais e fúria travesti”,  Nídia,  um dos pilares femininos da Príncipe, Odete, produtora e performer cujo admirável álbum de estreia, Amarração, narra “a história da música queer” e Lyzza,  DJ e produtora brasileira que, para além de acompanhar o americano nos decks, se apresentará a solo para um set que combina baile funk com o bass sujo do hip hop e do grime.  

Em junho, Mykki Blanco encerrou o palco Pull & Bear na última noite do festival NOS Primavera Sound.


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[Review] Vivien Le Fay - Ecolalia


Ecolalia | Boring Machines | outubro de 2019
8.0/10

A italiana Vivien Le Fay estreou-se em outubro deste ano nas edições de estúdio a solo com Ecolalia, o seu primeiro exercício de eletrónica minimal inspirado em diversos conceitos artísticos e com uma forte componente na exploração de temáticas como a sociologia, dança e fotografia. Vivien Le Fay está há já algum tempo ligada ao mundo da música sendo que no seu currículo estão inseridas diversas experiências ao redor de géneros como a música noise, hardcore ou a new wave ortodoxa. Contudo, foi na exploração da nova geração da eletrónica tecida por sound designers que Vivien Le Fay encontrou (e muito bem) um novo rumo.

A artista multidisciplinar começou por trabalhar como técnica guitarra para bandas sonoras, enquanto aprofundava o seu conhecimento sobre o espectro sonoro com o trabalho em rádios locais. Esses tempos exposta a novos ambientes serviram para afincar ainda mais a sua veia criativa e altamente sensível. Submersa num mundo de composições ecléticas Viven Le Fay começou a afinar também os primeiros traços estruturais do seu novo projeto a solo. Nesta estreia com Ecolalia - termo que significa a repetição não solicitada de vocalizações feitas por outra pessoa - Vivien Le Fay apresenta seis músicas baseadas na sensação específica em que a comunicação é fragmentada e retorna ao seu estágio primitivo, que também é a condição original do caos. Para lhes dar ainda mais entoação e sentimento a artista gravou o disco na floresta que se situa na base do Monte Vesúvio, incorporando uma atmosfera indubitavelmente negra.

Tingido por momentos de suspense e muitas vezes de indefinição de um estado, Ecolalia submerge o ouvinte, grande parte do tempo, a um estado de hipnose altamente imersivo. O disco inicia através de traços minimais e sobreposições de camadas sonoras no tema "Eve", com Vivien Le Fay a mostrar-nos o seu (chamar-lhe-ia) "ouvido absoluto" para a composição, além de todo um retrato de transformação vocal altamente processada a nível eletrónico. Antecipado através da faixa "Ex self", um tema altamente denso com a eletrónica monocórdica a emergir a um estado de ânsia, Ecolalia é um disco amplamente artístico e absolutamente conquistador. Os pormenores mínimos que vão sendo acrescentados ao som base, trazem um conteúdo enriquecido e uma atmosfera envolvente e poderosa que tornam este Ecolalia, de certa forma, um disco aditivo.



Uma das faixas que sobressai nas primeiras edições é "Each point of a thought", um tema que se pode encaixar no panorama da etheral wave, onde vimos uma Vivien Le Fay a vocalizar uma atmosfera altamente sonhadora, sobreposta a um ritmo decadente e um compasso marcado pelos sintetizadores sinistros que lhe vão dando sucessão. Pura magia a acontecer em cerca de cinco minutos de duração. Não dá bem para comparar a música de Vivien Le Fay ao trabalho de artistas específicos pois o seu rigor criativo aporta uma unicidade ímpar. Outro destaque recai ainda sobre a faixa homónima "Ecolalia", que apresenta uma sample vocal sobreposta aos tons da música ancestral. Além disso e, como não poderia deixar de ser numa grande obra, Ecolalia é acrescido por um admirável final com "Elim", uma faixa moribunda tecida na forma de uma excentricidade contida.  A multi-instrumentalista italiana arrisca em grande neste disco e tece uma obra que merece definitivamente reconhecimento e aclamação entre os lançamentos do ano.

Sempre com a sua essência minimal, encontramos em Ecolalia canções altamente ricas, intensas e com forte exploração a nível da eletrónica. O disco foi gravado em colaboração com Sergio Albano (Amklon) e apresenta um conteúdo altamente desafiador, a aportar sons entrelaçados numa harmonia quase absoluta. Vivien Le Fay estreia-se nesta obra, como muitos artistas gostavam de se estrear: experientes, arrojados, imersivos e acima de tudo, com uma extraordinária maturidade que deixa qualquer ouvinte surpreendido. Ecolalia é definitivamente um disco que não pode ficar de fora dos ouvidos em 2019.



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Post Punk Strikes Back Again 3: terceira edição de regresso ao Hard Club já este sábado


O Hard Club, no Porto, acolhe no próximo sábado, dia 7 de Dezembro, a terceira edição do Post Punk Strikes Back Again 3. São seis bandas que se apresentam em palco numa maratona que tem início às 17h00, num terceiro desfile representativo do post-punk europeu.

Os Bragolin dão o primeiro concerto da tarde, o duo holandês que tem nome inspirado em Giovanni Bragolin (autor dos quadros do menino que chora), e que já esteve entre nós, no Extramuralhas, traz guitarra e órgão de riffs pulsantes e 'viciantes', é esperado shoegaze imprevisível e melodioso. Um sábado que promete surpreender ainda mais pelas 18h00, com a actuação a solo do vocalista britânico de origem nigeriana, Tobias O'Kandi, o qual se tornou conhecido entre nós como a voz dos O'Children e encarna agora uma segunda vida neste projecto de um homem só, renascendo como OKANDI.


Os NERVES, que actuam pelas 19h00, são de um intenso frenesim entre o pós-punk descontrolado, ousado e poderoso, considerando-se em igual dose, melódicos e delicados. Combinam o punk com o ska, rock e new-wave influenciados pela diversidade e natureza DIY das sub-culturas britânicas no final dos anos 70 e início dos anos 80.  Após o concerto dos NERVES, o Hard Club fecha portas reabrindo depois às 20h45 para a segunda parte da terceira grande maratona post-punk

No palco pelas 21h00, os IST IST, dizem eles que: “é preciso tocar lá fora para ter sucesso cá dentro” -, vindos de Inglaterra aterram em Portugal, fruto da sua determinação e do "trabalho duro" num cardápio recheado de música sem medo. Uma hora depois, pelas 22h00 são esperados os Hotel Lux, uma jovem banda, já com um assinalável culto de seguidores. Nascem no circuito dos pub londrinos, escrevem músicas sobre "assuntos que não interessam”, e "transformam o macabro em mágico” -, dizem. Começaram pelo punk, ska e valsa, assumindo nos dias de hoje diversas influências e estilos, superada que está entre eles, a "crise de identidade”. Post punk Strikes Back Again 3 culmina às 23h00 com a actuação do trio britânico Esben and the Witch, sediado em Berlim, com nome de um conto de fadas dinamarquês. Eles são neo-folk, post-metal e punk, também descritos como o "pop gótico perfeito", mas que, segundo eles, as suas músicas são mais um ”pesadelo pop” de sensações e de electrónica.


Bragolin, OKANDI, NERVES, IST IST, Hotel Lux, Esben and the Witch, na continuidade da força motriz do actual post-punk europeu para ver e confirmar sábado no Hard Club. A terceira edição do Post Punk Strikes Back Again 3 tem o carimbo da At The Rollercoaster.

Texto: Lucinda Sebastião

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STREAM: Vlimmer - XIIIII


Cinco meses após a edição conjunta dos EP's XIII/XIIII, Vlimmer está de regresso com mais um registo, XIIIII, que integra o seu objetivo iniciado em 2015 de lançar um capítulo musical retratado em 18 EP's. Vlimmer é um dos projetos criativos do autodidata Alexander Leonard Donat (Blackjack Illuminist Records, Feverdreamt, WHOLE) e provavelmente um dos melhores. A sua eletrónica, muitas vezes multifacetada, apresenta-se tingida de elementos que vão buscar influências aos ambientes soturnos da darkgaze com uma vibe q.b. gótica. O resultado é uma sonoridade atrativa, de fácil audição e drepleta de atmosferas sonhadoras.

A faltarem apenas três edições para o culminar desta barrativa musical Vlimmer convida-nos agora a ingressar no seu mundo de lamentações, apagando sentimentos de tristeza com a sua energia espectral. Deste novo registo - que funciona como uma rendição ao quebra-cabeça esmagador e abismal que é vida - destaque para temas como o angelical "Augenlicht", o fantasmagórico "Zielzyklus" e ainda a grande malha que encerra esta edição, "Umnachtung". O novo EP pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

XIIIII foi eidtado no passado dia 29 de novembro em formato CD e cassete pelo selo Blackjack Illuminist Records. Ambos o CD e cassete vêm acompanhados de duas magazines com edição limitada. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

STREAM: NNHMN - Shadow in the Dark


Os NNHMN encerram o ano com nova edição, Shadow In The Dark, álbum de seis temas que vem fazer sobressair a dupla no panorama da  darkwave europeia, com um dos nomes a ter em atenção no futuro. Este novo trabalho vem dar sucessão ao 7'' single s p e c i a l - cuja lado A integra a tracklist desta nova edição - e chega três meses após Church Of No Religion, mostrando uma veia ainda mais intensa e poderosa que os antecessores trabalhos dos alemães NNHMN

Com sintetizadores e caixas de ritmos a fazer emergir uma atmosfera com as vibes da darkwave e EBM os NNHM convidam-nos a entrar numa dança desenfreada tema após tema. Curioso como depois de um Church Of No Religion bastante experimental na eletrónica, a banda aposta agora em ambiências altamente aditivas e instantaneamente cativantes, prontas para incendiar as pistas de dança mais góticas mundo fora. Inaugurado de forma seminal com "Shadow in the Dark" é, contudo em temas como "Der Unweise" (A fazer lembrar os ritmos eletrónicos de Keluar/Linea Aspera) ou "Vampire" que os NNHMN nos fazem perder as estribeiras. Ora oiçam abaixo.

Shadow in the Dark foi editado esta quinta-feira (5 de dezembro) em formato CD e cassete pelo próprio selo da banda, a K-Dreams Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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Percussionista Andrea Belfi atua esta sexta-feira no gnration


O percussionista e compositor italiano Andrea Belfi eleva a bateria a uma hipnótica experiência auditiva. Strata, o novo trabalho, é o mote para a passagem por Braga no próximo dia 6 de dezembro. 

Apesar da sua já considerável discografia, Andrea Belfi é ainda um segredo bem guardado. No entanto, o músico italiano não escapa aos olhares mais atentos. O radialista e DJ Gilles Peterson atribui-lhe culto, a revista especializada Wire diz que é autor de “uma belíssima e inspirada exploração” e o jornal britânico The Guardian enumera as suas capacidades de levar um kit de bateria para além do óbvio e do esperado. Aliás, Gilles Peterson e Mary Anne Hobbs, jornalista do The Guardian, colocaram Ore, o álbum com o qual o baterista se estreia nas rodelas pela editora FLOAT, como um dos melhores lançamentos de 2017. Ore atira a bateria para uma hipnótica experiência auditiva e lança os dados: estamos perante aquilo que se prevê ser uma longa e brilhante carreira de um músico. 

Ao longo dos anos, Belfi construiu um mundo sonoro que combina um set-up de uma bateria dos tempos que correm com uma componente eletrónica. A reputação que conquistou é fruto das suas apresentações ao vivo, mas também resultado das suas inúmeras colaborações com artistas bem reconhecidos: Nils Frahm, com quem integra o projeto Nonkeen, Mouse on Mars, Jóhann Jóhannsson, Mike Watt, Circuit des Yeux, David Grubbs, entre muitos outros nomes reputáveis. Recentemente, assegurou a primeira parte da digressão mundial de Modern Boxes de Thom Yorke, feito que o levou a festivais como o icónico Montreaux Jazz Festival. Para trás, anterior às suas participações com músicos bem conhecidos da nossa praça, está uma lista infindável de colaborações e projetos diversos, que mostram a multiplicidade do músico nos diferentes domínios da música: no free-jazz, onde até tem um encontro com o português David Maranha, na conceção de música ambient e na exploração experimental, no encontro com as guitarras do post-rock ou na desafiante eletrónica avantgarde. 

Em julho deste ano, Belfi voltou aos discos, desta com um EP. Strata resulta da experimentação de Belfi sobre os ritmos magrebinos Gnawa, um género de música do norte de África que, com maior popularidade no ocidente nos últimos anos, tem conquistado a atenção de um conjunto de músicos europeus, nos quais se destacam os nomes de James Holden e Floating Points.

O concerto tem hora marcada para as 22h30, no gnration, e o bilhete tem o preço de 6 €.

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Distant Stars - "LLemanja" (video) [Threshold Premiere]


Less than a year after the stunning Robots EP the duo Distant Stars is back to business with their second LP, The Tides, expected to surprise you in less than a week! Divided between Melbourne and Caen the duo once meet at a party under a Cathedral in Normandy and decided to create Distant Stars, a trans-global project that will certainly bring you trouble falling asleep. To anticipate this release Distant Stars is premiering today the first video for "LLemanja", a weird dreamy-influenced track full of psychotic ambiances and the minimal wave rhythms. You can watch the video for "LLemanja" first-hand right now.



Distant Stars got their name influenced by a track from the ULTRAVOX's tune "Hiroshima Mon Amour" where we can listen to "somehow we drifted off too far, communicate like distant stars", similar to the concept that raised Distant Stars as a musical project. Their new album, The Tides, brings us 10 tracks that sound primal and sophisticated, constructed under a contemporary bass throb, retro synth and those timeless vocals unbound by language or other useless constraints. The result is both a powerful and contemplative release that will definitely blow your mind. 

The Tides is out on December, 11th through Detonic Recordings and it will be available in cassette and CD. You can pre-order the album here.

The Tides Tracklist:

01. Brothers And Sisters 
02. LLemanja 
03. Complete 
04. Bite Back 
05. Souvenir (featuring Greg Weir) 
06. Luc Sur Mer 
07. Reaction Time 
08. 100Billiion 
09. Slowburn 
10. Bleeper

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WEARETHESHADOW - “Disappearing into autumn’s clear breadths”


Noites Urbanas (23 de novembro) no Barracuda (Clube de Roque) foram marcadas pelas sonoridades atmosféricas, densas e envolventes dos IAMTHESHADOW, uma das poucas bandas que em “Portugal mantém ativa a cultura darkwave underground”.

Este Projeto, criado em 2015 por Pedro Code (voz, synths e guitarra) ao qual se juntou, em 2016, Vitor J. Moreira (synths) e Rui Geada - Herr G (baixo e guitarra), é fortemente inspirado pelas sonoridades profundas e penetrantes dos anos 80. Como os próprios o descrevem, o seu trabalho assume-se como “um romance sombrio, onde a melodia e as palavras tocam profundamente, perpetuando o desejo que transpõe e supera, sem medo”.

Foi com alguma expectativa e curiosidade que entrámos no Barracuda, espaço alternativo e acolhedor, um dos poucos clubes de rock do Porto (e muito provavelmente do país, o que nos leva a pensar que são “uma espécie em vias de extinção”). A escolha do local pareceu-nos perfeita, já que o Clube se situa numa das ruas que ladeia a Estação de São Bento, considerada uma das zonas mais underground da cidade. O interior em formato de “túnel”, com teto baixo, causou-me alguma apreensão claustrofóbica, sentimento que se foi desvanecendo ao ver-me rodeada por rostos sorridentes, muitos deles bem familiares, desaparecendo, por completo, com a entrada em palco dos IAMTHESHADOW.

Ao longo de mais de uma hora a banda proporcionou-nos uma ambiência melódica consolidada numa eletrónica bem vincada, com intensos laivos de darkwave, revisitando temas dos seus três álbuns: Everything in This is Nothing (2016), All our Demons (2017) e Embracing the Fall (2018).

Foi com uma música do último álbum, “feito para vangloriar a beleza do outono e abraçar a chegada dos meses mais frios do ano”, que deram início ao espectáculo, ouvindo-se “Into Your Eyes”. Prosseguem com “Ashes”, “This Violence”, “Draw A Line” (que é acompanhada pelos presentes, a convite de Pedro, com palmas ritmadas), “All I know”, seguida da mais introspetiva “Fall A Part” e “Everything In This Is Nothingness”.


Tivemos ainda direito a “A View From a Hill” (tocada ao vivo pela primeira vez), cover dos The Chameleons que integra “A Tribute To The Chameleons: Soul In Isolation” (label Z22), “There Is Nothing More To See” (recebida por fortes aplausos), enganosamente, porque faltavam ainda “Flowers Come Winter” e a derradeira “Embracing The Fall”


Ao longo de todo o concerto foi visível a cumplicidade em placo, entre os três músicos, e a empatia com a audiência num ambiente familiar. Nesta noite os IAMTHESHADOW presentearam-nos com “melodias altamente cativantes e bonitas, pintadas num cenário tipicamente negro, onde a dança” foi também “palavra de ordem”. O serão continuou, animado pela dupla de DJ’s Hollow (Manuel Santos) & Thormentor (Armando Marques).

Aguardemos agora o já anunciado novo álbum, Pithblack (label Cold Transmission), para continuarmos a “Sonhar, ouvir e sentir” como o fizeram de forma sublime, numa noite onde todos se reuniram, para pintar a tela We Are The Shadow!


Texto: Armandina Heleno
Fotografias e Vídeos: Virgílio Santos

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

"Ask Yourself" é a nova malha de Panther Modern


Panther Modern, o novo projeto criativo de Brady Keehn (fundador dos extintos Sextile) está de regresso com novo tema que vem dar sucessão ao EP de estreia, Los Angeles 2020. "Ask Yourself" é o nome da nova malha que faz emergir a eletrónica retro e techno inspired de Panther Modern em grande num tema altamente cativante. Se com o EP Los Angeles 2020 Brady tinha deixado claro que os sintetizadores e o conceito do moderno estavam em voga na sua nova faceta, na nova malha "Ask Yourself", sem prescindir desses elementos, há ainda um acrescentar das ambiências que outrora explorou em Sextile, nomeadamente no último EP 3.

"Ask Yourself" foi editado esta terça-feira (3 de dezembro) em formato digital e lançado através de um novo vídeo que foca em grande plano a vibe retro, numa viagem onde vemos Brady Keehn difuso entre a luz e uma viagem de carro bastante intensa. Aproveitem para visualizar o vídeo para "Ask Yourself" abaixo.


A nova faixa foi ainda disponibilizada na plataforma Bandcamp com uma versão puramente instrumental que pode escutar-se aqui.

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The Waterboys em Portugal, fortes foram os aplausos no Campo Pequeno


As luzes do Campo Pequeno nesta noite em Lisboa brilham mais forte. 

Imaginava eu, um grupo de músicos, prodigiosos e druidas das canções de saber anglo-saxónico, viessem transportados como se de um feitiço do mago Merlin fosse, dele e da sua habilidade de ler as estrelas e de manipular o destino que elas previam e de como se de magia se tratasse, tocarem para nós. 

Mike Scott e restantes 'bardos' entraram em palco pelas 21h45 e rapidamente o clima de festa instalou-se quando, após a canção inicial “When Ye Go Away”, tocou em todos. Tocaram logo de seguida, “Fisherman's Blues”, arrecadando a primeira grande ovação da noite seguido de um: «boua nouite Luisboa» por Mike Scott, que seguiu cantando acompanhado pelas duas vozes femininas a entoar em coro harmonias num crescendo deslumbrante e… arrepiante, numa altura em que o violino de Steve Wickham elevou as notas que subiram até à recém restaurada cúpula do Campo Pequeno. 


”Medicine Bow”, de toada mais 'roqueira' em ritmo animado… e os The Waterboys seguiram tocando e cantando o “Ladbroke Grove Symphony”, do álbum Where The Action Is, o mais recente trabalho da banda. Tocaram mesmo a faixa título, com os coros em regime gospel e as teclas com o som Hammond (o órgão eléctrico criado por Laurens Hammond em 1935) ao modo dos anos 70. Os solos de guitarra de Mike Scott que (e)levaram o blues n’ rock ao repertório dos The Waterboys desta noite, fizeram o resto. "Old England” e o público no emaranhado de sons a sentir-se confortavelmente um familiar da banda, enquanto que “Still A Freak” os (e)levou para onde Mike Scott quis, a nível da sua mais recente criação musical, ao blues (hard) rock. “Nashville, Tennessee”, do disco Out Of All This Blue, seguiu pelo mesmo caminho com destaque para os solos de teclas de Brother Paul (nome artístico do Sr. que toma conta das teclas sozinho quando Scott está na guitarra, e também numa divertida analogia aos (!) Kiss) e que belas notas tocou de seguida em ''This Is The Sea’', num registo mais intimista, e ainda bem, pois é através das canções intemporais de arranjos mais despidos que a voz de Mike Scott nos toca verdadeiramente e tem espaço para brilhar na sua melhor conveniência. 

E brilhou de forma magnífica em “We Will Not Be Lovers”, os coros ao bom e velho estilo gospel da dupla feminina (uma novidade neste regresso a Portugal), a dançar e a mostrar que as canções do disco Fisherman's Blues são para serem servidas em regime live até atingirem um clímax, numa… (como dizer outra vez?) ligação aos céus - é lá que a música chega, de lá para aqui, daqui para lá, o som - o único que consegue cruzar o céu e a terra sem os habituais problemas da gravidade e do oxigénio, seja em baixa ou em alta altitude. 


Foi o som que ali esteve. Mas ainda há vida e eloquência nas letras de Mike Scott e nas mais recentes canções como pude constatar em “Morning Came Too Soon”, de Out Of This Blue. A canção “The Pan Within”, foi, a seguir, realmente muito especial. Somente com Mike Scott e Steve Wickham em palco, os dois com a canção despida de quaisquer teclas ou secção rítmica (foi esta a primeira canção que Wickham gravou com os The Waterboys, e que o levou ao seu ingresso na banda). Só um pouco depois o nível do aplauso se tornou a repetir no encore com “A Girl Called Johnny” e a inesperada versão de “Purple Rain” de Prince, a fechar a noite com os coros das duas vocalistas em uníssono com a guitarra e voz de Mike Scott e a banda em pleno ajuste sonoro para esta versão realmente lindíssima que tocou sem dúvida o coração de todos. 


Naquela noite, no Campo Pequeno, foi assim que estiveram os The Waterboys: ambivalentes, entre o passado e um outro lado virado para as novas canções, talvez menos europeias, com um som mais vintage, ora mais norte-americano. Afinal, Mike Scott, agora actua de chapéu à cowboy, é o rock n' blues norte-americano e a música de inspiração irlandesa, ou escocesa, fundidos num concerto que teve nos momentos de revisitação do passado da banda os seus momentos mais fortes, e fortes foram os aplausos.

Texto: Lucinda Sebastião

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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

José Camilo lança o seu terceiro longa-duração com o selo da FlorCaveira


Depois de lançar o EP Sem rei nem rock no ano passado, José Camilo está de volta às edições com Subterrâneo, o terceiro longa-duração deste "punkautor" lisboeta. 

Considerado por muitos como a nova promessa da FlorCaveira (editora responsável pelo nascimento de bandas como B Fachada e Samuel Úria), a sonoridade de José faz lembrar tanto o rock pisgado dos Rádio Macau como o ronco letrado dos Mão Morta. É a partir deste tom agreste que surge agora Subterrâneo, um disco devotado à nobre e esquecida arte de confiar mais nos desastres do que nas delícias, com edição no passado dia 15 de novembro.

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Passatempo: Ganha bilhetes para a Punch Session #8 no Titanic Sur Mer


Os LaGardère são um trio que se aventura destemidamente pelos territórios da indie pop tropical. A banda oriunda de Lisboa lançou no passado mês de novembro (dia 8) o seu segundo trabalho de estúdio, Uma Vida Anunciada, sucessor de No Lugar do Fim do Mundo, editado em 2018, e dão assim seguimento a um percurso de quem parece estar cá para ficar.

Uma Vida Anunciada é um disco sentido, que resulta de um período de intensa criatividade e convívio musical por parte de uns LaGardère mais instalados na sua pele, mais seguros do que querem e mais próximos de quem os ouve. As letras deste trabalho são como uma banda desenhada que representa a vida de alguém com um coração tão cheio, que seria impossível de arrumar num só peito. Alguém que se lança a ver o que a vida traz e que em vários momentos nos convida a fazer o mesmo. 



Em parceria com o a promotora Ás de Espadas, estamos a oferecer 2 bilhetes duplos para a Punch Session #8, que se realiza no próximo dia 13 de dezembro (sexta-feira) e que contará com o concerto de apresentação do novo álbum de LaGardère, assim como com as atuações de Ditch Days, Drunkyard e Too Many Suns. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo.

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.

2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.



3. Preencher o seguinte formulário:



O passatempo termina no próximo dia 11 de dezembro às 20h00. Os bilhetes serão então sorteados de forma aleatória através da plataforma random.org. Boa sorte!



Atualizado às 19h20 de 12 de dezembro de 2019. 

Os vencedores do passatempo são: Beatriz Bastos e Pedro Mateus.

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Give Up To Failure antecipam disco de estreia com "All I Wanted"


Os polacos Give Up To Failure estão de regresso com novo tema, "All I Wanted" que é também o primeiro avanço do disco de estreia que deverá chegar às prateleiras no próximo ano. O novo single vem dar sucessão a "Ties", tema disponibilizado em abril deste ano, que foi, entretanto, removido das plataformas online para chegar mais tarde em formato remasterizado. Se não o chegaram a ouvir, "Ties" mostrava uns Give Up To Failure a apresentar um ambiente situado entre o post-punk e as ambiências do post-rock a fazer lembrar as atmosferas poderosas e decadentes de nomes como Bleib Modern.

Agora com as guitarras cintilantes em grande foco e uma névoa soturna no carácter, os Give Up To Failure apresentam "All I Wanted" o primeiro tema composto pelo novo line-up (que inclui Mark Magick, Krzysztof MlynczakDominik Poltorak, Rafal Wekiera e Michal Szczypek) e também a primeira extração do primeiro disco de carreira que segue ainda sem data de lançamento anunciada. Darkgaze fresquinho a fazer subir as expectativas pela bastante aguardada estreia em longa-duração.
O tema "All I Wanted" foi editado esta segunda-feira (02 de dezembro) pelo selo Requiem Records. Podem ouvir o resultado abaixo.


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Filmmaker estreia-se já este mês no Porto


O produtor colombiano Filmmaker aterra em Portugal em estreia absoluta para um live act único no país que acontece dois dias depois do Natal, a 27 de dezembro no Ferro Bar, em mais uma edição da NOISE A GO-GO. O produtor encabeça o evento que contará também com a presença do produtor portuense Gekiga Warlord e ainda um DJ set assinado por Arrogance Arrogance. A oitava edição da NOISE A GO-GO promete celebrar o terminar de mais um ano de forma sorumbática e psicologicamente densa.

Filmmaker traz a Portugal o seu mais recente LP Spectral e o EP Noire Times - ambos editados em outubro do presente ano - e uma curta, mas bastante aclamada carreira dentro da eletrónica de estéticas dark, techno, minimal wave, etc. Faunes lançou-se como Filmmaker em 2018 e em menos de dois anos tem uma discografia à qual integram doze as edições, uma delas pelo conceituado selo Detriti Records.


Os bilhetes para o evento já estão disponíveis em pré-venda e têm um preço de 10€. No dia, à porta, podem ser adquiridos por 12€. Podem encontrar todas as informações relativas a este evento aqui.

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Já são conhecidos os horários do Post-Punk Strikes Back Again 3


É já no próximo sábado (7 de dezembro) que o post-punk volta a atacar a Invicta. Com um cartaz que contempla seis nomes a atuar no panorama contemporâneo das ambiências underground, a terceira edição do Post-Punk Strikes Back Again contará com quatro estreias em território nacional e dois repetentes numa tarde e noite que farão as temperaturas aumentarem pela zona do Hard Club.

Depois do warm-up que contou com Holygram no passado dia 29 de novembro, sobem agora a palco os britânicos Nerves, IST IST, OKANDI, Hotel Lux e Esben and the Witch que se juntam aos holandeses Bragolin para o último evento do ano da alçada da At the Rollercoaster. Esta segunda-feira (2 de dezembro) foram divulgados os horários dos concertos, que ficam assim afixados abaixo.



Os bilhetes para os seis concertos do festival têm um preço de 30€ e podem ser adquiridos na Bol online, FNAC, CTT, Worten e El Corte Inglês. Além destes podem comprar os bilhetes físicos na Tubitek, Bunker Store, Piranha e Hard Club (onde estarão igualmente disponíveis no do dia do concerto). Todas as informações adicionais podem ser encontradas na página de Facebook da promotora At The Rollercoaster ou aqui.

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Ceephax Acid Crew, CZN, Supa e Lynce tocam este mês no Pérola Negra


Segundo episódio do ano para a Em Bruto, a mensalidade da Lovers & Lollypops que, a cada dois meses, questiona os limites do clubbing no Pérola Negra. Propondo um olhar, em movimento, sobre os movimentos mais emergentes e subterrâneos da música electrónica, a sessão de dia 13 de dezembro traz Ceephax Acid Crew, CZN (João Pais Filipe e Valentina Magaletti) e as escolhas musicais de Supa e DJ Lynce, dois nomes obrigatórios das pistas de dança da cidade. 

Numa altura em que os produtores de música electrónica se habituaram a subir a palco apenas de computador em braços é, cada vez mais raro, encontrar quem, em defesa da criação do único, prefira trazer consigo todo um estúdio. Não é o caso de Andy Jenkinson, o alias artístico de Ceephax Acid Crew. Nome maior do acid techno, na senda de nomes como Squarepusher ou o incontornável Aphex Twin, o britânico insiste em ocupar o espaço de actuação com um imponente arsenal de armas analógicas, tocando, ao vivo, cada uma das trilhas que do alinhamento. Diálogo aberto prometido para a estreia nacional de um dos últimos grandes mestres D.I.Y. da cena electrónica. 

Começou em 2018 esta história de amor entre João Pais Filipe e Valentina Magaletti. Pela altura em que lançaram Golden Path, autêntica peça sonora composta com tambores e diferentes percussões. O reencontro da dupla, que está a preparar novo disco, está prometido para dezembro. A noite termina com as misturas sedutoramente obscuras e espontâneas da portuense Supa e o inconformismo e irreverência da figura incontornável que é hoje DJ Lynce.

Os bilhetes já se encontram à venda por 8 €, sendo que passam para 10 € no próprio dia.

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