sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Bruno Pernadas & Moullinex tocam Plantasia no Auditório de Espinho


Plantasia, de Mort Garson, é um disco de culto escrito para plantas e para pessoas que as amam. Editado em 1976, é a epítome da beleza dos sintetizadores, capturada na paisagem sonora criada pelo uso pioneiro do sintetizador Moog. 

Agora, a propósito da reedição da Sacred Bones deste tesouro esquecido por muitos, Bruno Pernadas e Moullinex vão revisitar em conjunto o mundo fantástico de Plantasia, acompanhados por Diogo Sousa (bateria), Guilherme Salgueiro (teclados) e Diogo Duque (trompete). O que vai acontecer aqui vai ficar para história: uma reinterpretação-homenagem sem igual de um disco ao qual não foi dada a atenção devida.

Este concerto acontece no próximo dia 6 de março, às 21h30, no Auditório de Espinho. O preço dos bilhetes é de 8 € para o público geral e de 4 € para quem tenha cartão amigo ADE.

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Föllakzoid regressam a Portugal para dois concertos em 2020



Os chilenos Föllakzoid estão de regresso a Portugal quatro anos depois do seu último concerto por terras lusas, com um espectáculo anunciado para o Barreiro, no dia 2 de Abril. Festival Tremor, nos Açores, recebe a banda no dia 3.

O concerto no Barreiro, promovido pela OUT.RA, terá lugar na Associação ADAO e constituirá a primeira apresentação nacional do novíssimo disco I, o quarto lançamento da banda que se tem notabilizado pelo uso incessante da repetição de pequenos motivos melódicos e rítmicos em permanente contenção, equilibrando a energia primordial da instrumentação rock com o ritmo das pistas de dança mais tardias.

Os concertos, que recebem a primeira parte do espanhol ANTI S, marcam o início de uma digressão europeia com cerca de 20 datas.

No Barreiro, o custo dos bilhetes varia entre 3,5€ (sub-25) e 7€ (público geral), podendo ser ser adquiridos em bol.pt


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BADBADNOTGOOD de regresso a Paredes de Coura


Naturais de Toronto, os BADBADNOTGOOD produzem melódicos temas que navegam entre o soul-jazz de 1970, o hip hop alternativo e a electrónica. O grupo de jazz começou a conquistar alguns fãs no início de 2010 e continuou a crescer com os dois primeiros discos, BBNG (2011) e BBNG2 (2012), com versões de músicas de Kanye West, My Bloody Valentine e Feist, até que decidiram equilibrar esta fórmula vencedora com os seus próprios temas originais, como aconteceu em IV (2016), disco que que contou com a colaboração de Kaytranada e Kendrick Lamar.

BADBADNOTGOOD juntam-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom BandYellow Days, Daughter Floating Points (Live) para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 95€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva desenhada por Avelino Resende, está também disponível, por 95€, nas lojas FNAC Portugal e em fnac.pt.

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7 ao mês com LUNACY


LUNACY, um dos nomes iminentes no cenário do shoegaze contemporâneo e a figura misteriosa envolta em profundas camadas de ruído e nevoeiro, editou este ano Age Of Truth, o disco de estreia oficial na alçada da sempre atenta Third Coming Records. O registo de oito temas está já a gerar um vasto murmurinho pelo mundo fora muito por conta da sua personalidade abrasiva com foco na estética de imagem e pela abordagem revolucionária que incorpora. 

Entre o caos existencial e o estado de calma efémera, decidimos convidar LUNACY para a última edição do nosso 7 ao mês de 2019, por forma a descobrir mais sobre as raízes do projeto que nasceu em 2016. LUNACY explica-nos, portanto, as principais influências que moldaram a identidade do projeto: 

"Quando o pensamento relativo a LUNACY começou, situava-se algures entre os SWANS + "Janitor of Lunacy" da NICO. É difícil sempre identificar a influência, porque ela rodeia-nos constantemente. Não nos podemos realmente esconder nas obscuridades, uma vez que procurar álbuns interessantes está, para a maioria, a um clique com a ponta dos dedos...

Section 25 - From The Hip (1984) 

Tive a sorte de publicar um stream completo deste álbum, uma vez que é melhor representado desta forma. Este é o terceiro longa-duração da roupagem futurista post-punk embebido numa sonoridade eletrónica / sónico-retro, os Section25. Este é provavelmente o lançamento mais palatável dos Section 25 até à data - está extremamente à frente para a altura que foi lançado e totalmente alinhado com a mesma evolução dos Joy Division // New Order e foi produzido por Bernard Sumner. Este disco encaixa-se perfeitamente na evolução do catálogo extremamente bem organizado da Factory




Modern Art - Circuit Lights (1982 - 1986) 

Esta compilação é um dos trabalhos do multi-instrumentista e diretor da editora de The Color Tapes, o Gary Ramon. Ramon acabou por formar a banda de neo-psych Sun Dial. A banda encaixa-se nas linhas de minimal-synth, post-punk e música psicadélica. O Ramon é responsável pela curadoria do som e a visão da banda de forma minimalista e altamente agradável, tanto para a editora como para a sua própria música. A maioria das reedições dos Modern Art pode ser encontrada em cassete, que é o formato através do qual devem ser ouvidas, mas esta coleção em vinil é um pacote muito bem pensado. 




Skywave - Synthstatic (2004) 

Um dos meus álbuns favoritos do shoegaze de todos os tempos - de uma banda de Fredericksburg, na Virginia. Acho que conheci isto antes de ouvir o Loveless na íntegra pela primeira vez. Estou realmente feliz por ter feito isso, porque além dos Jesus and Mary Chain, eu realmente não tinha mais ninguém com quem os relacionar. O disco em si é pura felicidade sónica - um passeio emocional e melhor experienciado no volume máximo. Eu incluí o vídeo de "Don't Say Slow", uma vez que esta foi a primeira música que eu ouvi deles. A banda separou-se depois deste álbum e passou a formar projetos como A Place To Bury Strangers, Ceremony (da costa leste), Static Daydream etc. O Oliver tem masterizado o material de LUNACY há alguns anos e foi novamente incrível de ter a sua contribuição e toque sonoro neste Age Of Truth




Bowery Electric - Beat (1996) 

Este é o segundo álbum dos frequentemente ignorados, mas incríveis Bowery Electric (BE). Um amigo apresentou-me este disco há alguns anos - eu sempre fui fã das bandas mais atuais da Kranky e nunca pensei em procurar mais, mas acho que certas coisas são trazidas para dentro e para fora das nossas vidas no tempo certo. Felizmente, Beat foi o primeiro gosto que tive dos BE, que é um pouco mais eletrónico que o primeiro lançamento, mas ainda mantém os drones psicadélicos e os elementos krautrock. Este disco é hipnótico e sombrio e é um dos discos que se deve ouvir em dias cinzentos. 




Belong - Common Era (2011) 

Uma vez que não é possível postar o álbum completo, eis uma música do segundo e último álbum da dupla de New Orleans, os Belong, intitulado Common Era. Este é outro álbum da Kranky, desta vez, após a era Deerhunter / Atlas Sound de existência da editora. Este é definitivamente o álbum mais bem distribuído da banda, mas sem dúvida o melhor deles, especialmente entre aqueles que são obstinados pelas lavagens de som e ondas dissonantes. Common Era foi o disco que me introduziu a esta banda e continua a ser o meu favorito. Eu amo não saber que instrumentos são usados para gravar a música, dado que muitos deles situam-se algutrs entre os loops de guitarra, sintetizador e fitas. 




Cabaret Voltaire - Double Vision VHS (1982) 

Eu sinto que há muito para ser dito sobre os Cabaret Voltaire (CV) - eles estavam completamente à frente do seu tempo e são uma influência proeminente na dance music underground e no EBM que é popular hoje em dia. Este EP, que foi eventualmente adicionado como bónus no 12" The Crackdown, de 1984, é a representação perfeita do mundo de LUNACY. The Crackdown foi o meu primeiro sabor dos CV, mas a introdução ao tema "Double Vision" foi o que realmente me fez me apaixonar pela banda. Ter o visual distorcido para acompanhar a música é o acompanhamento perfeito - bonito, mas ainda assim perturbador. 




Blonde Redhead - Fake Can Be Just as Good (1997) 

Misturada no mundo do grunge e do shoegaze dos anos 90, havia uma visão diferente dos Sonic Youth + the Swirlies. Quando fui introduzido a este álbum pela primeira vez, a minha mente ficou impressionada, especialmente quando percebi que, mesmo na época em que vivemos, muitos álbuns podem ser ignorados ou podem, ainda, ser redescobertos. As composições deste álbum sempre se destacaram para mim; o facto de que tu não precisas ser tradicional, mesmo quando estás preso a um determinado grupo ou género. Este álbum também se destaca, já que tem a Vern Rumsey dos UNWOUND no baixo. 




Para ficarem a saber mais sobre LUNACY, aproveitem para seguir o projeto no Facebook ou no Bandcamp, onde podem comprar o seu trabalho. Por favor, atentem que Age Of Truth, o novo álbum está quase esgotado. Comprem a vossa cópia aqui antes que seja tarde demais. 



--------------- ENGLISH VERSION ---------------


LUNACY - one of the imminent names on the contemporary shoegaze scene and the mysterious figure shrouded in deep layers of noise and fog - release this year its official debut album Age Of Truth, under the ever-attentive Third Coming Records. The record of eight themes is already generating a vast murmur around the world, largely because of its abrasive personality focused on image aesthetics, besides the entire revolutionary approach it incorporates. 

Between the existential chaos and the ephemeral state of calm, we decided to invite LUNACY to the last edition of our 7 ao mês of 2019, in order to discover more about the roots of the project that was born in 2016. LUNACY explains to us, therefore, the main influences that shaped the identity of the project:

"When the thought of LUNACY began it was found somewhere between SWANS + Nico's Janitor of Lunacy. It’s hard to always pinpoint influence because it constantly surrounds us. We cannot really hide from the obscurities anymore as crate-digging is, for most, a click of the fingertips…"

Section 25 - From The Hip (1984)

I was lucky enough to post a full stream of this album, as it is best represented that way. This is the third full length from post-punk turned electronic // sonic retro futuristic outfit, Section 25. This is probably the most palatable release from section 25 so far - it’s extremely ahead of its time, and is right in line with the same evolution of Joy Division // New Order and was actually produced by Bernard Sumner. The record fits perfectly in the evolution of the extremely well-curated Factory catalog. 




Modern Art - Circuit Lights (1982 - 1986) 

This compilation record is of the works of multi-instrumentalist and The Color Tapes label runner Gary Ramon. Ramon eventually went on to form the neo-psychedelic band Sun Dial. The band fits within the lines of minimal synth, post-punk and psychedelic tape music. Ramon is responsible for curating sound and vision minimally and tastefully both for the label and in his own music. Most of the Modern Art re-issues can be found on cassette, which is how they were intended to be heard, but this collection on vinyl is a beautifully well thought-out package. 




Skywave - Synthstatic (2004) 

One of my favorite shoegaze albums of all time - from a band based out of Fredericksburg, Virginia. I think I was introduced to this before I heard Loveless in full for the first time. I’m actually glad that I did because, besides the Mary Chain, I really had no one else to really relate them to. The record itself is pure sonic bliss - an emotional ride and best experienced at full volume. I included the video for "Don’t Say Slow" as it is the first song I was introduced to from the band. The band split up after this record and went on to form projects like A Place To Bury Strangers, Ceremony (east coast), Static Daydream etc.. Oliver actually has been mastering the LUNACY material for a few years now and it has been great getting his input and sonic touch on Age Of Truth



Bowery Electric - Beat (1996) 

This is the second album from the often overlooked, but incredible Bowery Electric (BE). I was introduced to this record from a friend a few years ago - I had always been a fan of more current bands on Kranky records and never really thought to look further, but I guess certain things are brought in and out of our lives at the right time. Luckily, Beat was the first taste I had of BE, which is a bit more electronic than the first release, but still retains the psychedelic drones and krautrock elements. This record is hypnotic and moody and is a go-to on cold grey days. 




Belong - Common Era (2011) 

Unable to post the full album, here is a song from the New Orleans based duo, Belong's second and final album Common Era. This is another album from the Kranky label and this time coming after the Deerhunter/Atlas Sound era of the label's existence. This is definitely the band’s most well-distributed album, but arguably their best especially amongst those who are die-hards for the washes of sound and dissonant waves. Common Era was my introduction to the band and remains a favorite. I love not knowing what instruments are used to record the music, as a lot of it sits somewhere between guitar, synth and tape loops. 




Cabaret Voltaire - Double Vision VHS (1982) 

I feel like there is a lot to be said about Cabaret Voltaire (CV) - they were completely ahead of their time and they are a prominent influence on underground dance music and EBM that is popular today. This EP, which was eventually added as a bonus 12'' to 1984's The Crackdown, is the perfect representation of the world of LUNACY. The Crackdown was my first taste of CV - but the intro to "Double Vision" is what really made me fall in love with the band. Having the warped visuals to go with the music is the perfect accompaniment - beautiful, yet disturbing.




Blonde Redhead - Fake Can Be Just as Good (1997) 

Mixed in the world of 90's grunge and shoegaze was a different take on Sonic Youth + the Swirlies. When I was first introduced to this album, my mind was blown away, especially coming to the realization that even in the age we’re living in, that a lot of albums can be overlooked or can still be rediscovered. The songwriting on this album always stuck out to me; that you don’t have to be traditional even when pinned to a certain group or genre. This album also sticks out as it has UNWOUND's Vern Rumsey on bass.



If you want to know more about LUNACY make sure you follow the project on Facebook or Bandcamp page where you can buy their work. Please note that Age Of Truth, the new album is almost sold out. Grab your copy here before it's too late.



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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Paredes de Coura confirma Floating Points


Amplamente reconhecido pela participação em vários programas de rádio e inúmeras pistas de dança do Reino Unido, o produtor e DJ Sam Shepherd transforma a sua paixão pelo funk, R&B e avant-garde jazz em orquestrais composições de house e techno. Após alguns singles e EPs Floating Points conquistou o público com a estreia de Elaenia, de 2015, o primeiro longa-duração que muitos acreditam ser a introdução ao estilo híbrido de Shepherd. Mais recentemente, o lançamento de Crush (2019) volta a afirmar a singularidade de uma actuação de Floating Points

Floating Points (Live) junta-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom BandYellow Days Daughter para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 95€. O Fã Pack FNAC Vodafone Paredes de Coura, que inclui o passe geral para o festival e uma t-shirt exclusiva desenhada por Avelino Resende, está também disponível, por 95€, nas lojas FNAC Portugal e em fnac.pt.

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11 bandas juntam-se ao cartaz do Vagos Metal Fest 2020


Uma mão cheia de novidades no Vagos Metal Fest, mesmo a tempo da quadra natalícia. Entre talentos emergentes e regressos aos palcos, são, no total, 11 bandas que se juntam ao cartaz do festival para 2020.

The Omnious Circle, Arsea, High Fighter, Uburen, Alekto, Sotz', Lyfordeath, Veneno Califórnia, Leeks Inc., Apotropaico e Solar juntam-se ao cartaz do festival que acontecerá nos dias 30, 31 de Julho e 1 de Agosto, na Quinta do Ega, em Vagos (Aveiro). Estes nomes juntam-se assim aos já confirmados Behemoth, Testament, Eluvietie, D.R.I., Asphyx, Unleash the Archers, Trollfest e Harakiri for the Sky.

Os últimos passes 3 das do Vagos Metal Fest 2020 a 80€ estão disponíveis até dia 25 de dezembro e podem ainda ser adquiridos em www.vagosmetalfest.com e locais habituais. Assim que este lote esgotar, o preço aumenta para 85€.

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Yves Tumor na próxima noite Superballet da ZDB



A Galeria Zé dos Bois encerrou a década com novo site e o anúncio de mais dois serões para 2020. Yves Tumor é o grande destaque do novo leque de confirmações para o próximo ano, que conta ainda com a presença do cantor-compositor americano M.Ward (a 31 de janeiro).   

Sean Bowie, que se dá pelo nome de Yves Tumor, é o convidado da segunda noite Superballet, que este ano contou com a participação das produtoras Coucou Chloe e Shygirl. Na bagagem, o músico americano traz o admirável Safe In The Hands of Love, terceiro disco de originais de Tumor e o primeiro pela respeitada editora britânica Warp.

O concerto em Lisboa, que acontece no dia 1 de fevereiro, marca o regresso de Yves Tumor a Portugal depois de uma última atuação na oitava edição do festival NOS Primavera Sound.

A dupla Império Pacífico, composta por Luan Bellussi e Pedro Tavares, regressa aos palcos para o concerto de abertura do americano.

A entrada para o evento possui o custo único de 15€ e os bilhetes encontram-se disponíveis online em bol.pt.




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STREAM: PARKING DANCE - WHAT MORE?


PARKING DANCE, o projeto a solo de Matthieu Bonnécuelle nascido em 2017, estreia-se na casa francesa Icy Cold Records com WHAT MORE?, o primeiro LP oficial de carreira que chega às prateleiras um ano após BORDEL (2018). Bonnécuelle habituou-nos desde o início aos seus ritmos frenéticos pintados em toadas post-punk e com texturas beedroom espelhadas em cada esquina. Um a sonoridade tipicamente colorida com estruturas rítmicas monocromáticas e traços do psych-rock que chega no final de 2019 para colocar PARKING DRIVE no radar dos próximos projetos na cena dark underground.

Deste novo WHAT MORE? já tinha anteriormente sido divulgada a pop-rock sonhadora de "A34BYE". Além desta do alinhamento deste novo LP fazem ainda parte "WANNABE" e "LUVBOY" (presentes no disco GOOD BOY); "REJECTED", "TINY MOONS" e "OUR RIGHT" (presentes em BORDEL); "SURPRISE" (retirada de TA RACE) e ainda "OVERNOON" (do disco FOCK). As restantes músicas são temas inéditos e podem ser descobertas na íntegra abaixo.

WHAT MORE? foi editado esta segunda-feira (16 de dezembro) em formato vinil pelo selo Icy Cold Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

STREAM: Les Tétines Noires - Analog Anthomologies


Após um período de 20 anos em hiatus a banda de culto underground francês, Les Tétines Noires, juntaram-se em 2018 para uma mão cheia de concertos em celebração da reedição dos seus três álbuns pelos selos Infrastition e Manic Depression. Agora, de regresso, a banda apresenta uma compilação que reúne uma seleção de temas do período de atividade compreendido entre 1981 a 1997 e ainda duas canções inéditas - "Head Hole" e "Lady Memory". Demorou um tempo para reconstruir os arquivos, escolher as músicas que fariam parte da edição e encontrar uma boa embalagem para uma compilação tão intensa como Analog Anthomologies, mas o resultado chegou e é altamente aditivo. 

Numa sonoridade que poderia ser descrita como um circo teatral, caótico e cru, os Les Tétines Noires trazem uma compilação fervorosa que faz revisitar numa esplêndida pausagem os nostálgicos ambientes da onda gótica dos anos 80. Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido mostrados os temas "Freaks" e "Envers et contre tête" e ainda a faixa inédita "Head Hole". Além destes, forte destaque para malhas abrasivas como "Crazy Horse", a abrasiva "Hill House" e ainda o surrealismo de faixas como "Head Horse" ou a onda EBM e industrial de "Washing Head". A compilação pode ser agora absorvida na íntegra e proporciona uma experiência auditiva amplamente conquistadora. 

Analog Anthomologies foi editado esta terça-feira (7 de dezembro) em formato vinil numa co-edição entre os selos Manic Depression Records e Icy Cold Records. Podem comprar o disco aqui.



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Post-Punk Strikes Back Again 3: edição memorável levou-nos da melancolia ao júbilo no Hard Club


Porto, com o frio do Outono. Chegada a altura de assistir ao Post-Punk Strikes Back Again 3. Seis nomes no cartaz prometem, são novidade, são novos projectos.

Os Bragolin deram o primeiro concerto da tarde. O duo holandês que tem nome inspirado no pintor italiano Giovanni Bragolin (autor dos quadros do menino que chora), havia tocado no dia anterior em Lisboa, junto com os portugueses She Pleasures HerSelf. De Lisboa até ao Porto, os Bragolin trouxeram com eles os mesmos teclados e as mesmas guitarras, e à hora certa, marcada para as 17h na sala 2 do Hard Club, ali estavam eles a arrancar com o feedback, forma original de dizer: "Olá, aqui estamos nós!”.

Num palco enfumaçado, num clima de autêntico nevoeiro no interior da sala e com o público maioritariamente colado ao palco, deram um concerto sóbrio e competente. Ao longo de 45 minutos de espectáculo de sons minimais, trocaram entre si teclados e guitarras, numa cumplicidade correcta e sincronizada entre Edwin van der Velde e Maria Karssenberg, com a discreta presença de Adam Tristar a completar o trio de músicos de postura própria e singular na maneira com sentem a música que fazem. De riffs pulsantes (vibrantes) em punho, deram-nos a conhecer as novas canções do álbum estreia I Saw Nothing Good So I Left, numa excelente (surpreendente) performance. Deram 'ares' à electrónica de Anne Clark, e até fizeram lembrar Depeche Mode, que numa vertente mais gótica até poderiam soar assim. Despediram-se com um «Thank you and have a good night».




E tivemos, tivemos de facto uma noite boa. Adivinhava-se ainda maior, melhor porque mais para a frente tínhamos mais cinco concertos para assistir, e… começámos muito bem com este aquecimento de post-punk, que viria a ‘atacar' ainda com mais força mais à frente, num desfecho sónico de todo imprevisível.

Foi deveras surpreendente o concerto que se seguiu, e era grande a curiosidade de escutar Tobias O’Kandi, a solo como OKANDI. O vocalista britânico de origem nigeriana, conhecido entre nós como a voz dos O’Children, entusiasmou bastante pela forma como tomou conta do palco e encarnou bem esta sua segunda vida neste projecto de um homem só. Veio acompanhado do guitarrista Darrell Hawkins, de poderosos riffs de guitarra e de samplers infalivelmente debitados do infalível Mac. Do palco, a voz e a figura (impressionante) de Tobias numa invulgar performance, ou como um só homem enche o palco.



De uma estatura digna de um jogador de Basquetebol, de um impressionante impacto visual no meio de todo aquele fumo que povoava a sala 2 do Hard Club, falou connosco com um: «Hi guys!» e seguiu com a nova versão do "Dead Disco Dancer”, original dos O’Children aqui apresentada de uma forma mais sincopada, electrizante e de uma poderosa energia: «God bless you», continuou ele enquanto o suor lhe escorria da cara. Houve muita entrega e o sentimento espraiou-se pela sala afora. Foi "Christine" que fez dançar (e que potência), mais rock e com a intervenção do guitarrista na voz, que com ele fez um dueto. Darrell Hawkins, que até ali estivera completamente entregue à dança com a sua guitarra em concentração absoluta, surpreendeu com a sua entrada ao microfone e imprimiu ainda mais ritmo. Mesmo quando um sample se soltou em contratempo na altura errada pelo pé errado, Tobias soltou um sorriso encarando como uma piada o percalço. Este é o projecto de um homem só acompanhado de um guitarrista. - «Thank for your love, you are beautiful» e ficaríamos ali a noite toda a ouvir OKANDI. Despediu-se com um «Thank my people, obrigada, have a good night… have a good night… have a good night…». Terminou dez minutos antes da hora prevista num Hard Club cheio de gente a bater palmas por mais.

Saímos para o intervalo. Que grande concerto. Que mais poderá ser tão impactante assim? - Nerves. Poderosos. Foi de facto de um intenso frenesim a actuação dos NERVES. Pós-punk 'descontrolado', ousado, melódico e delicado. Punk, ska, rock e new-wave influenciados pela diversidade e natureza DIY (Do It Yourself, ou faça você mesmo). Jack Evans, a voz, figura central dos NERVES, passeou-se pelo palco de cigarro na boca, e entregou tudo ali logo à primeira canção, ele e os seus gritos 'que cantam'. Foi uma actuação de 'nervos', em menos de cinco minutos despiu o casaco e depois a camisa deixando a descoberto as tattoos que lhe vestiam o tronco. Em igual tempo, vestiu de novo o casaco, despiu-o, cantou, fez do tripé o seu par numa dança eufórica como se de um 'alter' se tratasse. Imprevisível actuação. Performance explosiva a todo o momento da primeira até à última canção. O momento em que o casaco de Jack esvoaça e aterra de forma inesperada em cima da cabeça de Mike Wood, que nem uma nota desafinou na sua guitarra baixo. 



Três canções depois, Jack Evans 'atira' ao público um primeiro cumprimento: «Yeah, yeah, thank you, thank you» e sai do palco para ir buscar mais um cigarro e dá com a mão na guitarra de Mike, não desalinhando o baixista… Foi uma sucessão de inesperados. Curioso o assobio ao microfone, parabéns ao técnico de som, que com os decibéis em tamanha carga amplificada suavizou os nossos ouvidos. - «Fuck’n’roll…!» afinal Jack Adams encarnou tudo isso, aquela postura rebelde que já conhecemos em John Lydon (Sex Pistols), por exemplo. Das coreografias com o tripé até ao ajoelhar-se em palco, como se algo segredasse para as entranhas da terra, enfim, puro frenesim… sonoro e visual. Por esta época em que tudo se transforma com novidade, ouvir, ver coisas diferentes. Surpreendentes NERVES e as suas canções, guitarras rasgadas, títulos estranhos: “Bruxism” ou “C.L.A.R.M”, títulos punk de estética punk-post, trocaram a ordem das palavras neste festival de sucesso imediato perante os post-punkers presentes. E foi assim, com o concerto dos NERVES, que se deu por concluído o primeiro périplo do Post Punk Strikes Back Again 3.

A sala 2 do Hard Club fechou e voltou a reabrir tal como combinado às 20h45 para a segunda parte do já considerado festival post-punk.



No palco pelas 21h00, os IST IST, vindos de Inglaterra aterram em Portugal, fruto da sua determinação e do "trabalho duro" num cardápio recheado de música sem medo. E são realmente trabalhadores especiais da estética musical onde se inserem. Guitarras, teclados ambientais, minimalistas, sempre ritmados mesmo quando as canções são de compasso mais lento como em “Preacher's Warning”, e ao ouvir essa canção até parecia que juntaram (instrumentalmente) os Placebo e os Interpol numa só banda com Ian Curtis na voz (!). Não pode ser coisa má, deste modo o concerto seguiu com a assistência compenetrada num certo estado de adoração, hipnotizados pelo baixo e pelas guitarras, com a batida de puro post-punk da bateria, teclados subtis a desenharem a teia sónica da banda, e tomo como exemplo “You’ re Mine”, resumindo a sonoridade da banda a fortes canções de estética post-punk, mesmo o que se quer para este festival. Não foram os mais originais na sonoridade apresentada mas a receita ideal para o sucesso perante este público exigente, uma vez que agregam as qualidades necessárias: melodias melancólicas e atitude rock com a guitarra e baixo post-punk 'old school' com o som mais característico de entre todas as bandas presentes neste cartaz, como ficou demonstrado, por exemplo na canção “Emily”.



Os Hotel Lux, uma jovem banda britânica com um assinalável culto de seguidores. Escrevem músicas sobre "assuntos que não interessam” e "transformam o macabro em mágico”. Ainda mais jovens do que hoje, começaram por tocar punk, ska e valsa, assumindo por esta altura diversas influências e estilos, superada que está entre eles "a crise de identidade”. Têm algo dos Madness, de Clash e de Specials, numa postura adoravelmente adolescente, mas de barba rija. Apresentaram um tema novo "Parent of You and I”, bonita canção. Jovens precoces que vão beber a tantas fontes e extraem o que melhor a criatividade possibilita nessas inspirações. "English Disease” tem muito de “London Calling” mas afinal, são os Clash e os Madness de tantas bandas que habitam a pós-puberdade destes rapazes que apresentaram ali, no Hard Club, um concerto surpreendente à medida de cada canção, e que canções! “The Last Hangman”, “Tabloid Newspaper”…  Sangue novo, e carisma com muita poesia irreverente.



A última actuação do Post-Punk Strikes Back Again 3 culminou às 23h00 com a actuação do trio britânico Esben and the Witch, sediado em Berlim, com nome de um conto de fadas dinamarquês. Eles são neo-folk, post-metal e punk, também descritos como o "pop gótico perfeito", mas que, segundo eles, as suas músicas são mais um ”pesadelo pop” de sensações e de electrónica, despindo-se completamente da última componente nos dias de hoje, pelo menos ao vivo neste concerto, com pinceladas de metal e rock gótico de lirismo e melancolia absolutos nos momentos mais 'calmos'. O concerto começou com algumas questões de munição em palco levantadas pelos músicos, as quais foram sendo resolvidas à medida do tempo. Um concerto pontuado por momentos de tranquilidade sonora absoluta em que as conversas do bar chegaram a sobrepor-se com um burburinho que chateou os mais atentos… mas logo as guitarras finais de “No Dog” a fazer lembrar ao início os The Cure, em ”The Hanging Garden” sobrepuseram-se ainda mais, com a voz e os momentos avassaladores com a bateria a dar o mote.

Muda a tonalidade prata das luzes para vermelho vivo, o cenário é de calor mas voz de Rachel é cortante em “Dig Your Fingers In”. Foram porventura o projecto menos post-punk que se apresentou neste festival, sinal da latitude sonora da organização que apresentou um menu variado. Não foram de fácil degustação estes Esben and the Witch, tamanha a melancolia negra que apresentaram, mas com certeza para os mais atentos trouxeram recompensas. E por falar em recompensas sentimo-nos verdadeiramente recompensados com este Post Punk Strikes Back 3, as seis horas que passámos na sala 2 do Hard Club valeram imensamente pela diversidade e qualidade dos projectos que desfilaram pelo palco, com a simpatia e profissionalismo com que a At the Rollercoaster recebe o público fiel, cada vez maior neste tipo de eventos. Foi um festival único e singular e aguardamos todos de certeza com expectativa a próxima edição.





Texto: Lucinda Sebastião
Fotografia: Francisca Campos

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