sábado, 4 de janeiro de 2020

Stand Up, Clap Your Hands and Dance: Nouvelle Vague na Aula Magna


A emblemática sala na Alameda das Universidades - Aula Magna -  encheu-se para receber o 15º Aniversário dos Nouvelle Vague, em dezembro de 2019.

O projecto francês criado por Marc Collin (teclas) e Olivier Libaux (guitarras), através da tradicional chanson française, da lounge music dos cafés parisienses e da tropical bossa nova, reinventou um novo caminho com um destino já premeditado, a geração dos eighties. Ouvir temas oriundos do post-punk, do punk, do neo-romântico, da new wave fazem as delícias de todos nós. Entre o bater o pé, o sorrir, o recordar tempos de uma adolescência louca é de facto sentirmo-nos ainda jovens e, neste caso, os culpados são os Nouvelle Vague.

O cocktail musical é sem dúvida embriagante, basta ver os temas escolhidos e pensar neles à época. Não é para todos, mas a verdade é que a fórmula funciona, sendo difícil resistir-lhe. A "ordem" é para saltar das doutorais e dançar, dançar até ao amanhecer. Esta fórmula é uma das várias com que o mercado musical nos presenteou. Muitos destes temas têm também as suas versões em formato jazz, metal, cordas e até em versão lullaby. É o marketing a funcionar em todo o seu esplendor. As duas "francesinhas" que dão voz aos temas, Phoebe Killdeer e Melanie Pain, são de facto charmosas e fizeram-me lembrar as “Michelles” da "resistência francesa" da série da TV Allô Allô. A sensualidade e o sotaque cativam-nos.

Foi engraçado ouvir a plateia a cantar "Too Drunk to Fuck" (Dead Kennedys), como se de uma terapia coletiva se tratasse; ver as cantoras a descalçarem-se e a pedirem ao público "Dance With Me" (Lords Of The New Church); ver e ouvir o minimalismo de "Enola Gay" (OMD) apenas com projetores de luz verde focados no duo; e a performance zombieland de "Bela Lugosi’s Dead" do rei Peter Murphy.



Por fim, o apagar das luzes da ribalta com "In A Manner Of Speaking” dos Tuxedomoon, em formato trio, para a apoteose final.



Texto, Fotografia e Vídeo: Virgílio Santos

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M. Ward estreia-se em Guimarães em fevereiro



M. Ward, uma das vozes mais versáteis da música americana moderna, vai estar no próximo dia 1 de fevereiro em Guimarães para um concerto na Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). Antes, a 31 de janeiro, o músico e produtor californiano apresenta-se em Lisboa para um concerto na Galeria Zé dos Bois.

Parceiro da atriz Zooey Deschanel no duo She & Him, M. Ward faz também parte do supergrupo Monsters of Folk, tendo já partilhado a estrada e o estúdio com Mavis Staples, Jenny Lewis, Norah Jones, Cat Power, Neko Case, Lucinda Williams ou Peter Buck. Migration Stories, o seu décimo disco a solo, foi gravado na companhia dos músicos Richard Reed Parry e Tim Kingsbury, dos Arcade Fire, e tem lançamento marcado para o dia 3 de abril.

Os bilhetes para o concerto em Guimarães encontram-se disponíveis a custos que variam entre os 5 e 7,5 euros e podem ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), Casa da Memória de Guimarães (CDMG) e Loja Oficina (LO), bem como nas lojas Fnac e online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. Em Lisboa, os bilhetes possuem o custo único de 11 euros.




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The Last Internationale com concerto único no Porto


Os norte-americanos The Last Internationale estão de regresso ao país em abril - desta feita para um concerto único - depois de no ano passado terem percorrido Portugal por várias cidades. O projeto de Delila Paz e Edgey Pires aterra no Porto a 18 de abril para apresentar o seu mais recente disco de estúdio Soul On Fire (2019), num concerto que conta com a promoção da At The Rollercoaster

Numa carreira que se iniciou em 2013 com o EP New York, I Do Mind Dying foi, com o disco de estreia We Will Reign (2014), que os The Last Internationale passaram a ganhar maior nome ao nível internacional. A banda conseguiu adicionar ao currículo a abertura de alguns concertos para os The Who em 2015 e, dois anos depois, estava a lançar TLI Unplugged (2017). Agora a celebrar um ano da edição de Soul On Fire (2019) - o segundo disco oficial da carreira - os The Last Internationale prometem um concerto que fará experienciar que o rock não está morto.



Os bilhetes para o concerto dos The Last Internationale já se encontram à venda nos locais habituais com um desconto de pré-venda até 31 de março, custando 12€. A partir desta data o valor fixa-se nos 15€. Todas as informações adicionais relativas a este concerto podem encontrar-se aqui.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Está quase à porta o eclético Grauzone Festival


O holandês GRAUZONE FESTIVAL é já um dos mais aclamados e ecléticos festivais a nível europeu e acontece já no segundo fim-de-semana do mês de fevereiro com uma programação diversificada onde a música e a arte se complementam. Este ano, 2020, será o primeiro ano em que o festival se expande ao formato dois dias, para celebrar os novos sons em voga. Além da forte aposta nos nomes que prometem agitar os próximos tempos, o festival também integra nomes consagrados, todos influenciados pelo cenário da música underground, new wave, da eletrónica à psicadélica e experimental. 

Na edição deste ano - que será a sétima na história do festival - destaque para nomes maiores como Thurston Moore Group, Test Dept., Stephen Mallinder (Cabaret Voltaire) ou Linea Aspera, sem nunca descurar das atrações do novo cenário como os epiléticos Shortparis,  a figura do novo EBM QUALCabaret Nocturne ou Panther Modern - os novos gritos da eletrónica belga e norte-americana, respetivamente.

A distribuição por dias será a seguinte:

7 de fevereiro | Sexta-Feira

Thurston Moore | The Murder Capital | Shortparis | Test Dept. | Jozef van Wissem | Legowelt Music | Parrish Smith | QUAL | Hante. | BLURT | Cabaret Nocturne | SKEMER Los BitchosEsya | Pasiphae | E.T. Explore Me | Tousch | Jelly.

8 de fevereiro | Sábado

Shame | Damo Suzuki feat members of Kikagaku Moyo, BO NINGEN, Minami Deutsch | Ariel PinkMarissa Nadler |  Tamaryn | Stephen Mallinder | Linea Aspera | Black Marble | Group A | De Ambassade | Job Sifre | Automatic | Lee Ranaldo & Wild Classical Music Ensemble | U-Bahn | Unmoor Kiva | Ofra | OZGUR BABA | Los Bitchos | Bragolin | Panther Modern | DJ Dorien.


GRAUZONE FESTIVAL decorre entre os dias 7 e 8 de fevereiro em vários locais da cidade The Hague na Holanda. Os passes gerais têm um custo de 67,50€ e os bilhetes diários podem ser adquiridos por 37,50€, clicando neste link. Todas as informações adicionais relativas a este evento podem ser encontradas aqui.


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Talk To Her estreiam-se nos discos em fevereiro


Depois do estrondoso concerto que deram na quarta edição do festival MONITOR em Leiria, os Talk To Her preparam-se agora para lançar o seu primeiro longa-duração de carreira que chega às prateleiras dois anos após o EP HOME. Intitulado de Love Will Come Again, o disco contará com um total de 10 faixas das quais faz parte do alinhamento a já divulgada "Away/Afraid". No novo disco, que se baseia no conceito do amor como um poder avassalador, uma experiência mística da vida que pode ser o mais difícil, os Talk To Her brindam-nos com um decálogo que descreve o amor como a lei suprema que controla e regula tudo ao nosso redor. As faixas que o compõem descrevem toda a jornada que o antecede e sucede.

De regresso com um poder ainda mais forte ao nível instrumental, em Love Will Come Again a banda italiana posiciona-se cada vez mais como um dos novos atos a ter em atenção no meio underground sem nunca descurar o ambiente do rock independente e alternativo que lhes é tão familiar. O novo disco - uma mescla abrasiva de adrenalina com traços melancólicos - chega às prateleiras em fevereiro e contém temas altamente surpreendentes. Enquanto o lançamento não chega aproveitem para assimilar "Away/Afraid".


Love Will Come Again tem data de lançamento prevista para 14 de fevereiro numa co-produção entre a italiana Shyrec e a francesa Icy Cold Records. O disco contará com edição em CD, vinil e digital.

Love Will Come Again Artwork:


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

SDH anunciam segundo LP, Against Strong Thinking


Dois anos após a edição do primeiro disco Semiotics Department of Heteronyms, o projeto de sintetizadores de Andrea P. Latorre e Sergi Algiz, SDH regressam em fevereiro, também na alçada italiana com novo disco, Against Strong Thinking. O novo disco foi anunciado esta quinta-feira (2 de janeiro) e segue para já sem nenhum tema de avanço divulgado. Sabe-se, no entanto, que serão seis os temas inéditos inclusos neste novo trabalho.

A dupla - que se estreou o ano passado em Portugal na quarta edição do festival MONITOR em Leiria - faz parte da gestão da editora Cønjuntø Vacíø e da banda de post-punk Wind Atlas, apresentando em SDH uma sonoridade mais orientada para a música pop e espacial. Até novas notícias serem reveladas, fiquem com o novo teaser divulgado em dezembro de 2019.



Against Strong Thinking tem data de lançamento prevista para 14 de fevereiro pelo selo AVANT! Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Against Strong Thinking Tracklist:

01. Suffer 
02. No Miracles 
03. Your Next Story 
04. Four Arms 
05. You Pt. 12 
06. Poem Against Strong Thinking

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Mohammad Reza Mortazavi no 88º aniversário do Teatro Rivoli



2020 marca o 88º aniversário do Teatro Rivoli. De 16 a 19 de janeiro, o Teatro Municipal do Porto desvenda um pouco do que se faz ao longo do ano com vários espetáculos, instalações e concertos que atestam a sua programação caraterísticamente pluridisciplinar.

No campo da música, o grande destaque deste ano vai para o percussionista iraniano Mohammad Reza Mortazavi, que se apresentará no sub-palco do Rivoli no dia 18 de janeiro para um concerto com o carimbo da Matéria Prima. Figura de relevo nos circuitos da música exploratória, o músico construiu uma reputação infame entre os mais canónicos percussionistas persas ao desenvolver mais de 30 novas técnicas de tocar os instrumentos tradicionais da região. Em 2017, juntou-se a Burnt Friedman para um EP colaborativo enquanto Yek. Em 2018 lança um outro EP, Focus, desta vez a solo sob a alçada da editora portuguesa Padre Himalaya. O seu último trabalho, o longa-duração Ritme Jaavdanegi, recebeu edição pela francesa Latency no passado mês de outubro.

Ainda na música, a Sonoscopia irá apresentar o espetáculo Phonopticon, um modelo de criação e representação sonora coletiva inspirado na arquitetura do Panopticon, o icónico edifício projetado por Jeremy Bentham no século XVIII. Os espetáculos acontecem dias 17 e 18 de janeiro.

O veterano Errol Arawak (King Earthquake) encerra as comemorações aos comandos do sound system português dos Mystic Fyah. A noite, que terá lugar no café do Rivoli no dia 18 de janeiro, será iniciada com um tributo da Favela Discos às sonoridades dos metais da cultura dub.   


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10 000 riffs de pura adrenalina: The Parkinsons e Conan Castro and The Moonshine Piñatas no Sabotage


Na passada sexta-feira (20 de dezembro) rumámos ao Sabotage para uma noite em que o punk rock tomou conta do palco. Os responsáveis pela “alta voltagem” e pela adrenalina, que contagiou uma casa cheia, foram Conan Castro and The Moonshine Piñatas e The Parkinsons.

As boas-vindas estiveram a cargo dos barreirenses Conan Castro and The Moonshine Pinãtas, emergindo no cenário garage-punk-rock nacional em 2014, caracteriza-os uma sonoridade que nos conduz para um ambiente repleto de ritmos “febris” e riffs desvairadamente enérgicos. A banda composta por cinco elementos lançou o seu álbum de estreia, Cataplana América, em 2017 (Hey! Pachuco Records) e em 2018 um split LP com os Planeta Quadrado (Monotone/Groovie). Durante quase uma hora a bateria, as guitarras, o baixo e os “vocais raivosos” fizeram-nos esquecer que lá fora a “Elsa” tinha atacado em força. Era impossível ficar indiferente ao rasto sonoro que ressoava na sala, já que cada tema era um convite à dança, ao movimento e a fazer coro com a banda.



Os Castro conseguiram transportar-nos para um imaginário de sons hipnotizantes e elementos musicais cujas raízes remetem para uma fronteira México/Estados Unidos, dando corpo a uma banda sonora para todos os que ambicionam um dia cruzar ilegalmente a fronteira. A grande energia em palco transbordou efusivamente para o público, num “diálogo” bem sintonizado, em que o vocalista acabou por se juntar aos fãs, terminando o concerto debaixo de fortes aplausos e de grande furor.



Num momento em que já se respirava a humidade, fruto da exaltação dos corpos, que dançaram, cantaram e esbracejaram ao ritmo dos sons ferventes da primeira banda, era a vez dos The Parkinsons colocarem o Sabotage em pleno estado de “ebulição”. A banda de culto conimbricense surge em 2000 com Victor Torpedo (guitarras) e Pedro Chau (baixo), quando se mudam “temporariamente” para Londres, juntando-se-lhes Afonso Pinto (voz) e Chris Low (bateria, retirando-se da banda em 2002). Em constante mutação e irreverência lançam o primeiro álbum em 2002, A Long Way to Nowhere (Pierce Panda), Reason to Resist em 2004 (Curfew Records). Depois de um interregno de vários anos surge Back to life (2012, Garage) e The Shape of Nothing to Come (2018, Rastilho), contando este último com a participação de Ricardo Brito (bateria) na conceção da nova moldura sonora.

Quando os The Parkinsons entraram em cena, o ambiente aqueceu ainda mais. Mal começaram a sua atuação foi desde logo percetível como é que esta banda consegue conquistar os seus fãs. Envoltos numa energia física e sonora incomparáveis, o público não lhes resiste, deixa-se contagiar pela sua “insanidade” saudável; junta-se ao frenesim dançando e cantando como se não houvesse amanhã.



As incursões de Afonso Pinto pelo público adentro são como que mergulhos no mar, numa tentativa de agitar as águas. Começa a sentir-se o mosh e uma atmosfera húmida de suor de quem salta e dança ao ritmo da banda. A interação, a simbiose entre o público e os músicos é um crescendo ao longo de todo um alinhamento “desalinhado”. A barreira entre palco e sala não existe. Com o chão escorregadio, as paredes e posters molhados, no baterista podia ver-se o “fumegar” do tronco nu, no vocalista (também em tronco nu) o suor a escorrer-lhe pelo corpo. Sentia-se o “bafo” húmido no ar, o embaciar dos óculos e das lentes das câmaras fotográficas.

Numa envolvência eletrizante, terminam com o clássico “So Lonely”, onde se pôde presenciar tudo aquilo que os The Parkinsons são bons a fazer: transmitir energia e levar o público ao rubro, como qualquer boa atuação de rock'n roll o deve ser. Havia público no palco, músicos fora dele, com o refrão a ser cantado em uníssono. A banda despede-se, assim, depois de nos “provar” uma atitude e vigor nem sempre fácil de explicar, mas que toda a gente sente e que nos faz libertar de impulsos primitivos que guardamos para nós, e que ficam à espera de momentos como este para virem ao de cima. 

Vivemos uma noite ao som de um punk-rock feito, em igual medida, de caos e sorrisos e sobretudo de uma energia avassaladora. Foi uma grandiosa celebração pré-natalícia. A irreverência caótica, o “ambiente selvagem” que destrói qualquer fronteira entre banda e público, explicam porque é que muitos continuam a considerar os The Parkinsons uma das melhores bandas portuguesas ao vivo.



Texto: Armandina Heleno
Fotografias e vídeos: Virgílio Santos

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Bonança em dia de tempestade: Timespine na ZDB


Adriana Sá, John Klima e Tó Trips compõem o “bizarro musical triângulo” que se mostra quando bem entende, como foi o caso na noite da tempestuosa “Elsa”, que nos assolou na quinta-feira passada (19 de dezembro), mas que na Galeria Zé dos Bois, o tempo foi de bonança e tranquilidade.

É um projecto intermitente, que viaja de quando em quando, em 2013 com Timespine e no ano passado com Urban Season, trabalhos editados pela label Shhpuma, que alberga no seu catálogo sonoridades variadas como jazz, blues rock, folk, world, & country, post-rock, eletrónica minimal, o abstrato, o improviso, o free

Ouvir Timespine é quase uma “violação” nos dias musicais que correm, como que se fossemos assaltados, na rua, nos transportes públicos e nos media, pois são um bom exemplo de uma espécie de “contra-cultura” ao consumismo musical do mainstream.



A sonoridade de Timespine é quase como ir ao psicólogo: deitar-nos no sofá e deixar fluir os pensamentos: os que nos apoquentam ou os que nos fazem salivar, mas que ocultamos. A música é introspetiva e apreciá-la é um chá de tisanas, ver o relaxar do nosso corpo com se tivéssemos acabado de fazer amor e pensar no amanhã sem grandes preocupações. O prazer é lento. É como ver um filme a preto e branco e testar a nossa capacidade de absorção. Timespine recria “uma torrente hipnótica de dedilhados suaves e não convencionais, eruditos e improvisados”.

Podem revisitar este evento, através da reportagem fotográfica aqui incluída.



Texto, fotografia e vídeo: Virgílio Santos

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