sábado, 18 de janeiro de 2020

Os Anum Preto revivem o post-punk no último disco, Inferno Interno


Andam a chegar ao nosso radar novos projetos sediados no Brasil com uma peculiaridade especial: esqueceram o clima solarengo que os rodeia e vincaram por uma vertente mais sombria, ainda que bastante estimulante. Os brasileiros Anum Preto são um desses casos: editaram o ano passado o seu disco de estreia Inferno Interno que chega a Portugal numa altura em que o Inverno se afirma e os recebe de braços abertos. Numa sonoridade altamente revival a trazer à memória as bandas que fizeram o post-punk um género dominante nos anos 80 (Bauhaus, Joy Division, Siouxsie and The Banshees para mencionar alguns), os Anum Preto cantam-nos em português os choros e lamentos da inevitabilidade da existência humana.

O projeto formado por Aerson Moreira (voz, guitarra, sintetizador) e Ricardo César (baixo) em 2019, incorpora em Inferno Interno as estéticas do post-punk revival com a decadência contemporânea e sintetizada de nomes como Lebanon Hanover ou Molchat Doma e cantam-nos sobre temas como a efemeridade da vida, a "aceleração" do tempo, as sensações advindas das mais díspares experiências e toda uma parafernália de emoções que circulam a humanidade. Do disco destaque para temas como "Сигарету" - o único tema cantado em russo -; "Inferno Interno" - tema que entra no ouvido quase de instantâneo -; e ainda a cover para "Tua Alma Há de Morrer Antes que a Carne" dos 1983 que aqui recebe um tratamento mais analógico. Retóricas dançantes, texturas monocromáticas e sonoridades altamente melancólicas que fazem deste Inferno Interno um disco absolutamente nostálgico.

Inferno Interno chegou às prateleiras no final de 2019, mais precisamente a 7 de dezembro pela Miado Rouco Records. Podem comprar a versão digital aqui.


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