quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Reportagem: Angel Olsen + Hand Habits [Hard Club, Porto]


Foi no passado dia 24 de janeiro que Angel Olsen regressou ao Porto, ao Hard Club, estreando-se num espetáculo em nome próprio na cidade invicta, depois da sua passagem pela edição de 2017 do NOS Primavera Sound.

Este concerto seguiu-se a outros dois que Angel deu em Lisboa, contando com todas as suas datas esgotadas e, no dia 22, incluiu a celebração do 33º aniversário da artista. A apresentação do disco All Mirrors, o disco com a aura mais negra e pesada da carreira da cantora e que, pessoalmente, mais me agrada da sua discografia, foi o principal foco e motivo para esta nova tour e passagem pelo nosso país.

A primeira parte esteve ao cargo dos californianos Hand Habits que trouxeram na bagagem o seu disco lançado no transato ano de 2019, Placeholder. Durante cerca de 40 minutos a banda partilhou com o público a sua música maioritariamente marcada por influências folk mas a reação do mesmo não foi a mais efusiva. Ainda que banda, e principalmente a mentora do projeto Meg Duffy, mostrasse o seu agrado e felicidade por estar em Portugal e por ser sido convidada pela Angel Olsen para a primeira parte dos concertos da tour, a indiferença parecia dominar os presentes tendo sido a única exceção o single “Placeholder”, que partilha o nome com o disco.



Por volta das 22 horas entrou em palco a artista que todos desejavam ver acompanhada pela sua banda que, sem mais demoras, começaram o tema “All Mirrors”. A execução e instrumentalização deste tema (e de todos em geral) ao vivo foi magnifica e, ainda que os sentimentos e energia que transmite não sejam exatamente os mesmos que em estúdio, carrega toda uma harmonia e um tom ligeiramente mais leve tornando impossível a indiferença e apaixonando, logo de início, todos os presentes. Antes de iniciar “Spring”, a cantora, acedeu a um pedido prévio de um fã de dedicar este tema a uma certa pessoa.

Angel mostrou-se especialmente contente por tocar num concerto em nome próprio, fora de um festival, e, juntamente com os fãs, recordou o seu último concerto em Guimarães. A simpatia e felicidade da cantora era contagiante, a mesma expressou gostar muito de Portugal e que ia ser complicado, emocionalmente, abandonar o país para continuar a tour. Para além dos temas novos foram revisitados temas de discos prévios como é exemplo “Special” de Phases ou “Windows” de Burn Your Fire For No Witness, nestes temas foi possível reparar que a banda completa não foi tão bem aproveitada, notando-se, uma clara diferença no ambiente sonoro em relação às outras canções. Um dos temas mais marcantes da carreira da artista “Shut Up Kiss Me” foi anunciado como sendo novo e escrito no próprio dia, conforme esperado todos os presentes conheciam-no na perfeição e cantaram-no em plenos pulmões.



No término do concerto a banda abandonou o palco e Angel executou, a solo, um tema realmente novo, ainda sem título oficial, e imediatamente apaixonante. Após um insistente aplauso da plateia os músicos regressaram com a canção “Chances”, tema que encerra All Mirrors, e que deixou qualquer um ansioso por um regresso da artista, em breve.

Angel Olsen é uma das artistas querida do público português já desde o lançamento de My Woman em 2016 e qualquer passagem dela por território luso confirma e justifica este amor. Mesmo não sendo o maior apreciador, é impossível ficar indiferente ou não pensar neste concerto quando pensar nos melhores do ano.


Texto: Francisco Lobo de Ávila
Fotografia: David Madeira

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