terça-feira, 10 de março de 2020

Bruno Pernadas e Moullinex reinterpretaram Plantasia em Espinho


Dia 6 de março, no Auditório de Espinho, Bruno Pernadas (teclados), Moullinex (teclados e baixo), Diogo Sousa (bateria), Guilherme Salgueiro (teclados) e Diogo Duque (trompete, flauta e teclado) reinterpretaram Plantasia, álbum lançado por Mort Garson em 1976. Uma série de plantas rodeavam os instrumentos no palco, algumas delas levadas por membros do público, e sons tropicais preenchiam a sala.

Plantasia foi composto por Mort Garson num sintetizador Moog. O compositor escrevia canções e fazia arranjos para artistas pop, rock e soul como Doris Day, Glen Campbell e Isaac Hayes, mas a sua carreira mudou de rumo quando descobriu este novo instrumento. Foi um pioneiro da música eletrónica e terminou a década de 60 a compor um álbum para cada um dos signos do zodíaco. Foi só anos depois que surgiu a sua obra mais marcante, Plantasia, um álbum feito para plantas e os seus donos. O seu lançamento foi limitado, sendo apenas incluído na compra de uma planta na loja Mother Earth, em Los Angeles, ou na aquisição de um colchão num outro local. No entanto, é agora um disco de culto que foi marcando cada vez mais ouvintes ao longo do tempo. Este impacto a longo prazo deu origem a uma reedição pela Sacred Bones e reflete-se também no nosso país, com esta série de concertos iniciada o ano passado.


Logo após subir ao palco, a banda abriu o espetáculo com a faixa-título do álbum. A tracklist original foi cumprida, mas o que ouvimos foi uma versão renovada das músicas originais. Logo à partida se notou uma grande diferença: a inclusão de uma bateria, algo que não acontece no álbum de ’76. Os sintetizadores estiveram próximos dos timbres originais, mas os sopros foram mais uma adição genial que acrescentou, por exemplo, um lado mais sentimental a “Concerto for Philodendron and Pothos”, com a trompete, e uma atmosfera exótica a “Symphony for a Spider Plant”, pela flauta. Esta reinterpretação dos temas foi mais groovy, mais longa e mais jazzy, abrindo espaço para diversos solos. “Swingin' Spathiphyllums” foi transformada num jazz tropical solarengo, enquanto que "Ode to an African Violet" teve direito a uma versão dançável que podia entrar num álbum de synth pop dos anos 80.

O Plantasia de Bruno Pernadas e Moullinex é alegre, divertido e aconchegante. Uma expansão das músicas originais que nunca lhes retira o espírito e a magia que já possuíam. Foi muito bom presenciar uma homenagem tão bonita num concerto tão único. Uma reinterpretação deslumbrante de um álbum intemporal.


Texto: Rui Santos
Fotografias cedidas pelo Auditório de Espinho | Academia

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