sexta-feira, 27 de março de 2020

Sal Y Amore em tempos de contenção, segundo Grand Sun


De Lisboa, Portugal: os Grand Sun são António Reis, João Ribeiro, João Simões e Miguel da Costa Gomes. Cantam sobre personagens peculiares que encontram todos os dias. Pensem neles como uma banda de sunshine-pop com influências dos anos 60 e 70, que por vezes toca rock psicadélico, na maioria das vezes com uma atitude de garage/pós-punk.

O LP de estreia dos Grand Sun, Sal Y Amore, é uma viagem sónica à mente caótica da banda e representa uma outra faceta da banda, mais crua, sem filtros e genuína. O disco é hoje (dia 27 de março) editado pela Aunt Sally Records.


Em conversa com a banda ficámos a conhecer cada uma das músicas que compõem Sal Y Amore. Ora leiam aqui em baixo:

Há pouco mais de um ano quando lançámos o nosso primeiro EP (The Plastic People of The Universe) queríamos imenso apresentar o projeto aos media e tocar ao vivo. Mas depois debatemo-nos com a realidade de percorrer o país, crescer com as adversidades, responsabilidades e lidar com os problemas que foram surgindo. E bater de frente em muitas circunstâncias.
O Sal Y Amore é a genuína representação deste momentum.

River

Certa vez vimos o Dinho dos Boogarins num concerto fazer um loop muito porreiro com a voz e achámos imensa piada a forma como eles constroem camadas de som ao vivo. Então o António virou se para a malta e disse para experimentarmos fazer uma coisa semelhante em que encaixaríamos frases soltas. Este intro acabou por dar origem à música seguinte (a She Wants You). 


She Wants You

Nós em Grand Sun inspiramo-nos mais nos métodos de fazer música do que nos resultados destes; e estas duas músicas iniciais são um perfeito exemplo disso. Aqui nesta malha a ideia foi fazer uma música em que o baixo caminhasse lentamente de forma regular e hipnótica ao longo do tempo, sempre com a mesma frase.


Veera

O nome Veera vem de Tavira e como cidade costeira que é tem esse arrasto e encanto sonhador típico do litoral tão português. Quis fazer uma música sempre na mesma nota, como a ‘I Am The Walrus’ e que soasse a um hino como a ‘Go Let It Out’. Queria que soasse aos tempos áureos dos 60’s, que soasse grande como os BJM, que tivesse o escárnio dos Pavement na ‘Spit on a Stranger’ e a brisa de uns Real Estate. Esta é uma música sobre contemplação, em que o que interessa é o processo de contemplação e não a pessoa contemplada. Houve uma pessoa que possa ter inspirado esta letra porém a Veera é um meio de justificação desta caminhada em busca de um higher self.


Feeling Tired

Este tema fala sobre a necessidade de libertação e do combate às frustrações mundanas, é um grito de guerra às imposições enraizadas; e Honey, a interlocutora/interlocutor é sujeito de amor, amizade e luxúria que queremos sempre levar connosco. Ao vivo, em casa e em todo lado espelhamos a música e queremos que venham connosco.


Dear Ruby

Está foi a primeira música a ser escrita para este LP. Estivemos fora da banda meio ano, ainda antes de lançarmos o nosso EP. Andávamos em viagem. Quando voltámos aos ensaios havia imensa vontade de fazer coisas novas e a Ruby esteve logo no primeiro ensaio. As primeiras vezes que a tocámos ao vivo eu (Simon) e o António trocávamos instrumentos.


Dear Ruby II

Ao vivo, a Dear Ruby II torna-se numa sessão de improviso entre as teclas e a bateria, e quando se fartam um do outro entra a banda toda.


Palo Santo

Outra das músicas que bem representa a metamorfose entre o nosso EP e o disco. A música chegou à banda por intermédio do António e era uma malha na onda do pop psicadélico, estilo Todd Rundgren ou Brian Wilson. Mais à frente desfizemos um bocadinho essa sonoridade fairy tail e transformar numa canção mais frontal. Curiosamente, as pessoas quando nos vêm ver ao vivo acabam por cantar o refrão da song, por ser fácil e energético, apesar da malha nem ter saído. 


Santo Palo

Terceiro momento instrumental do disco, quisemos dar uma de Yes e fazer uma track com compassos compostos. Até para nós foi um pincel acertar nos tempos mas é dos momentos mais fortes do disco.


A Picture

A importância e influência do Brian Wilson na nossa música é incalculável, e se no primeiro EP ouvia-se muito o Pet Sounds, aqui esta música veio do Smile. A nível de estrutura, acordes e até a ideia de projeto inacabado (relembrar que o Brian só lançou o Smile como idealizou, uns 40 anos depois do projeto inicial) a música vem de lá. Em termos de harmonias vocais é uma música bastante complexa e com uma série e experiências em estúdio.


Circles

Well, God bless King Gizzard & The Lizzard Wizzard for all those good vibes while dancing, shouting and croudsurfing like crazy. Às vezes pensamos nisso quando tocamos a Circles, a música com mais identidade deste disco. Sobre quão bom é expressarmos algo, ainda que esse algo seja andar em círculos.



Podem consultar em baixo as datas de apresentação do novo disco dos Grand Sun, Sal Y Amore:

25.04.2020/ Sábado/ Porto (Ferro Bar)
26.04.2020/ Domingo/ Guimaraes (Oubla)
30.04.2020/ Quinta-feira/ Barcelos (Platano Koberto)
01.05.2020/ Sexta-feira/ Viana (Cubiculo)
02.05.2020/ Sabado/ Braga (Bazuuca)
13.05.2020/ Quarta-feira/ Porto (FAUP Fest)
16.07.2020/ Quinta-Feira/ Ruilhe (Rodellus)

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