segunda-feira, 21 de setembro de 2020

“Atira-me Água Benta” - GNR no Lisboa ao Palco

GNR Lisboa ao Palco

Os GNR encerraram o primeiro fim de semana da programação do Lisboa ao Palco, evento que decorre na Quinta da Alfarrobeira, em São Domingos de Benfica até 4 de outubro.

A abrir a noite estiveram os Cordel, um projeto dos cantautores Edu Mundo (vocal, guitarra) e João Pires (guitarra), cujas criações assumem como “um mergulho profundo nas raízes da música portuguesa e nas suas ramificações lusófonas”. Em palco estiveram acompanhados por Francesco Valente (baixo) e Joel Silva (bateria). 


Ao longo de 45 minutos foram entrelaçando melodias tradicionais, abrindo com “Outono”, tema do seu primeiro trabalho, Cordel Volume I, 2019. Deste álbum foram também escutadas “São João”, “Papel”, Coturnos”, “Digo que Devo Continuar”, “Vira Feliz” e “Se Vieres Amanhã”. Esta última já no encore, assim como um tema tocado pela primeira vez ao vivo e que muito provavelmente integrará Cordel Volume II, do qual já se encontra disponível nas plataformas digitais o single "Camélias E Camafeus". 

Terminaram o concerto com um agradecimento à organização e ao público, referindo o quão emocionante era ter tocado ao vivo, pela primeira vez desde há meses, e que sem este tipo de apoio à música portuguesa tal não teria sido possível. 

Após uma pausa, o palco é tomado pelos GNR, banda do pop-rock nacional formada no Porto, em 1980 e que soma dezenas de sucessos que marcam várias gerações. Atualmente constituída por Rui Reininho (vocal), Tóli César Machado (guitarra, teclas e acordeão) e Jorge Romão (baixo), nesta noite contaram também com a participação de Rui Maia (teclas) membro de projetos como Mirror People e White Haus e de Samuel Palitos (bateria) igualmente conhecido de bandas como os Censurados e A Naifa

O concerto foi um best off de uma carreira que completa esta ano quatro décadas. O alinhamento abriu com “O Arranca-Coração”, com passagem por vários hits como “Vídeo Maria”, “Pronúncia do Norte” “Bellevue”, “Efectivamente”, “Dunas”, “Sangue Oculto” entre outras.


Rui Reininho esteve ao seu nível, sempre com a pose elegante que lhe é conhecida, intervalando os temas com o seu refinado humor, salpicado com toques de algum sarcasmo. 

Depois de um espectáculo de grandes memórias, fica o nosso desejo de vermos uma apresentação pública em 2022, em jeito de celebração, para marcar os 40 anos de Independença, o primeiro álbum da banda.

De referir ainda que o ciclo de Lisboa ao Palco, para além de assinalar o regresso aos palcos e celebrar a diversidade da música portuguesa, pretende, com a parceria da União Audiovisual, ajudar músicos e técnicos (através da recolha de bens alimentares não perecíveis e donativos) que depois de vários meses sem espetáculos, atravessam um momento difícil no atual contexto. Nesta fase, convinha também não esquecer outros profissionais como os fotógrafos, permitindo-lhe uma cobertura total do evento sem limitação do registo fotográfico. 

Uma nota final de louvor e agradecimento à Organização desta iniciativa (C.M. Lisboa e EGEAC, com o apoio da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, produzida pela Sons em Trânsito e Tejo Music Lab) pelo seu profissionalismo e zelo no cumprimento das normas de distanciamento social e higienização/desinfeção do espaço de forma a garantir a segurança de todos os que se desloquem aos concertos. 

"Atira-me Água Benta" é um verso do tema “Vídeo Maria” (1988), que provocou polémica social e alguma celeuma nos media por alegadas heresias constantes na letra. 


Texto: Armandina Heleno
Fotografia: Virgílio Santos

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