terça-feira, 7 de julho de 2020

Rodrigo Amado, Angélica Salvi e João Pais Filipe unem-se em concerto único no Planetário do Porto


Descolar do planeta Terra, viajar pelo espaço, aterrar numa estrela quiçá, acompanhado de música ao vivo. Tudo sem sair do sofá? Esta é a mais recente proposta do Cão Danado e do Planetário do Porto. No próximo sábado, 11 de julho às 18h30, uma sessão de música improvisada ocupará a cúpula do Planetário da cidade Invicta. 

Ao saxofonista Rodrigo Amado junta-se Angélica V. Salvi na harpa e João Pais Filipe na bateria e percussão num concerto imersivo à porta fechada. O encontro será marcado por uma multiplicidade de influências partilhada pelos três músicos, do free jazz à música clássica, num discurso livre, mas disciplinado. Pela primeira vez reúnem-se três nomes badalados na cena musical contemporânea, numa oportunidade de exceção.

A paisagem multifacetada desenhada pela música coexiste com o lugar. Construída de improviso, a obra sonora será instigada pela projeção fulldome de uma viagem por galáxias próximas. Para participar, basta ligar-se à sala virtual que mimetiza o ambiente.

Adaptando-se ao período pós-pandémico e com vontade de encurtar a distância entre os músicos e o público, a experiência será alargada à web através de um canal de streaming. Construída para o efeito, a sala de concerto virtual permitirá partilhar não só o concerto sem diminuição da qualidade de som e imagem, como garante a viagem até à exosfera através do seu ecrã. A proposta acontece numa assertiva inscrição do programa Germinal, desenhado pelo Cão Danado para V.N. de Famalicão, que mais uma vez se expande ao Planetário do Porto.

Os bilhetes têm um preço de 2 € e já se encontram à venda.


+

segunda-feira, 6 de julho de 2020

St. James Park lança rework de “The Upsetters” dos First Breath After Coma


Depois da estreia com o disco Highlight, St. James Park edita agora um rework de “The Upsetters”, tema do último disco dos First Breath After Coma. A nova versão já pode ser ouvida nas plataformas de streaming.

St. James Park, o projeto a solo de Tiago Sampaio, fundador dos GrandFather’s House, surgiu em 2020 a partir da necessidade do músico explorar as sonoridades ligadas à electrónica e de experimentar novos processos de criação e reflexão. O resultado foi o disco Highlight, editado em março deste ano pelo colectivo Cosmic Burger. Composto, misturado e gravado na íntegra por Tiago Sampaio e masterizado por Rui Gaspar (Casota Collective, First Breath After Coma), “Highlight” conta com as colaborações de Lince, Noiserv e IVY. O próximo single, "Tanger" (feat. IVY) será lançado a 22 de julho.

+

[Review] XDZVØNX - Everything We Dreamt About


Everything We Dreamt AboutTRØPY | abril de 2020
8.5/10

Sediados na Polónia os XDZVØNX descrevem-se como uma organização ativa em todo o mundo, onde o objetivo é concentrar a mais avançada tecnologia juntamente com a inteligência humana num só lugar. Todos se podem juntar desde que, estejam aptos. Mergulhar no mundo dos XDZVØNX é absorver um espetro musical caótico sem, contudo, perder o fio à meada. O grupo composto por BØRA (Lýlka Kørbová) - voz, synths, tapes, mandoline - e SNUFKIN - voz, beats, synths, programação - poderia facilmente posicionar-se no espectro da vaporwave - em termos de estética visual - mas é no mundo das aparelhagens dos anos 90, com o auge dos videojogos 2D e o windows 95 em ponto de foco que criam um cenário musical a que intitulam de "sacral music". 

Todo este cenário começou a ganhar forma em 2018 quando os XDZVØNX colocaram cá para fora TAPE_01, o primeiro álbum longa-duração - a colocar em voga uma certa vibe sinistra com grande foco de exploração no witch house e algumas tonalidades do trap experimental - ao qual se sucedeu, um ano mais tarde, o EP MAYKO, onde a eletrónica arrojada e negra começou a mostrar-se evidente na sua abordagem. Se na Rússia os Ic3peak construíam o seu império bizarro, na Polónia eram os XDZVØNX que rugiam no underground com "KOLKHOZ" a tornar-se grande hit de carreira e a projetar esta dupla como uma das novas atrações da eletrónica DIY. Já com o estranho 2020 enraizado no espaço temporal, o grupo coloca cá para fora Everything We Dreamt About, o segundo longa-duração de carreira que incorpora o glitch como ingrediente principal e os projeta para as pistas de dança mais underground Europa fora, antes de vigorarem à conquista do mundo. 



Apesar da eletrónica brutal que exploram com afinco e ruído à mistura, os XDZVØNX optaram por abrir Everything We Dreamt About de forma contemplativa com a balada sintetizada "WHY I CALLED YOU", a primeira brisa de ar fresco antes das colunas ganharem presença com "FACE BY FACE".  Na maioria das vezes ruidosos e distorcidos entre as ondas eletrónicas que conspurcam é, quando abraçam os ritmos mais melancólicos que os XDZVØNX mostram todo um novo lado de fragilidade. Lýlka Kørbová mostra o potencial envolvente e poético da sua doce voz que é notório em temas como "PRAY" (apesar da progressão da eletrónica que culmina bem negra), "BUъъLES" e "I WANT TO FIND THIS GIRL". Equilibrando o espectro sonoro entre energia poderosa e iminente e uma aura de certo modo sonhadora, os polacos conseguem criar um ambiente altamente sinistro num mundo de violência contida onde, ainda assim, existe esperança.



Everything We Dreamt About começa por chamar a atenção dos ouvintes alheios ao projeto essencialmente pela veia eletrónica que vai beber influências a nomes como Crystal Castles e que vigora com força em temas como "THE FINAL BOSS", "PANIC" ou "NO EYES". É aqui, no meio das consolas "em crash", que nasce a vontade de explorar melhor a parafernália sonora que os XDZVØNX criam. Se nas primeiras seis músicas já há pano para enaltecidos elogios, em "YOU HAVE TO BE ALONE", a dupla aproxima-se de uma estética mais Bestial Mouths dando vida a mais um tema inquieto e perturbante que desenha o cenário de maldição numa eletrónica psicologicamente densa. Está a ser uma viagem deveras imersiva, não está? 

Mais ligados às raízes, numa segunda parte escutamos "LITZMANNSTADT (feat. BELMONDO)", a primeira faixa do disco onde SNUFKIN decide mostrar a sua voz imperativa e trazer à ribalta algumas das tendências trap e hip-hop que têm integrado alguns dos capítulos da existência dos XDZVØNX. Depois do transe desvirtuado em "PLAYGROUD", em grande destaque nesta última metade do disco podemos encontrar a faixa "STUPID SMILE", uma das criações mais avant-garde que este Everything We Dreamt About nos traz. Num tema absolutamente camaleónico que inaugura de forma celestial e caminha de forma ténue para uma vertente darkwave é, a partir da sua metade que o ritmo se perde no tempo e no espaço, sendo distorcido, amolgado e arrastado num foco de dispersão altamente difícil de assimilar. Fora de tudo o que tinha sido anteriormente abordado neste Everything We Dreamt About, em "STUPID SMILE" os XDZVØNX fazem imperar uma força sobre-humana altamente surpreendente, num experimento sonoro brutalmente artístico. Em modo despedida surge a injeção "I AM SAINT", mais uma malha macabra ao jeito de "LITZMANNSTADT (feat. BELMONDO)" que finaliza o disco em modo suspense deixando aquele trago de saciedade, bem como a vontade de beber da próxima colheita. 



Parte integrante do coletivo artístico TRØPY - cujo trabalho se foca na glitch art inspirada pela arquitetura brutalista - os XDZVØNX enaltecem em Everything We Dreamt About uma obra de expressionismo pós-moderno, criado por trás duma máscara e vastamente influenciada pela arquitetura gótica e barroca tão característica de terras polacas. A banda consegue embeber no mesmo produto estéticas que vão do witch-house, hard-core trap, nintendocore, ravepunk ou synthwave num disco que mantém uma coerência altamente assimilável de início ao fim. Produto de consumo altamente recomendável e pronto para se fazer escutar forte abaixo.



+

domingo, 5 de julho de 2020

STREAM: NNHMN - Deception Island Part 1


Sete meses após a edição de Shadow In The Dark (2019, Oráculo Records / k-dreams), o EP que os consolidou como nome de relevo no panorama da darkwave contemporânea, os NNHMN regressam aos holofotes com Deception Island Part 1, o EP que inicialmente tinha sido composto para ser lançado no formato longa-duração. Como os próprios anunciaram em comunicado, a dupla passou por tempos difíceis e estranhos pelo que decidiu dividir esse produto final em duas partes. A primeira chegou no início deste mês às prateleiras e volta a afincar a ideia de que os NNHMN produzem uma eletrónica fortemente influenciada pelas correntes estéticas mais obscuras, sem nunca se prenderem a uma estrutura rígida. 

Sempre muito autónomos e caracterizados por uma personalidade extremamente humana (ao contrário do que o nome possa indicar) os NNHMN apostam agora num trabalho que os aproxima bastante das tendências sonoras exploradas por uns Boy Harsher - onde é inicialmente abordada uma eletrónica mais contemplativa embora sem perder o seu cunho dançável - e ainda cruza caminhos com a dark-techno nos últimos dois temas que compõem o alinhamento. Deception Island Part 1 volta a deixar iminente o facto de que sempre dedicados à eletrónica, os NNHMN não se deixam prender num subgénero específico, camuflando na música produzida uma imensidão de emoções. O primeiro resultado pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Deception Island Part 1 foi editado no passado dia 3 de julho em formato vinil, cassete e digital pelos selos k-dreams e Oráculo Records. Podem comprar o vosso formato preferido aqui.


+

sábado, 4 de julho de 2020

STREAM: Sofia Portanet - Freier Geist


Sofia Portanet tem conquistado os ouvidos e a atenção da crítica internacional muito à conta do seu estilo característico que coloca em voga o espírito feminino explorado com afinco nos anos 80. Numa imagem que cruza a aparência de uma Kate Bush com o arrojo de uma Nina Hagen a sua música, tipicamente doce e apetrechada dos sintetizadores da new-wave dos 80's, tem sido condecorada no meio alternativo com afinco. Depois de malhas como "Planet Mars", "Wandering Rat", "Art Deco" ou "Das Kind" - que felizmente integram o alinhamento do presente trabalho - Sofia Portanet começou a marcar um lugar de destaque nas paragens alternativas que agora consolida neste novíssimo Freier Geist.

A artista que começou por dar os primeiros passos na música corria o ano de 2018, apresenta agora um disco que reúne todo o espírito excêntrico que tem feito emergir desde então, ao longo de nove faixas extremamente cativantes e de produção luxuosa. Freier Geist volta a colocar no radar a energia motivadora de Sofia Portanet enquanto traz à memória o espírito da música disco num trabalho produzido para iluminar os tempos mais caóticos, tão em voga na atualidade. Do disco além dos temas que já rodaram em loop na nossa playlist destaque para malhas como "Menschen und Mächte" - a colocar a nostalgia em grande foco - "Waage" - a fazer rejuvenescer o post-punk trabalhado por nomes como Siouxsie & the Banshees - e, ainda, a balada celestial "Ringe". O disco pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Freier Geist foi editado esta sexta-feira (3 de julho) em formato digital pelo selo alemão Duchess Box Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.

Se tudo correr de acordo com os planos, Sofia Portanet marcará a sua estreia em Portugal no próximo dia 25 de setembro no Hard Club, Porto num concerto integrado na 4ª edição do festival Post-Punk Strikes Back Again


+

"America", segundo Sufjan Stevens


De Sufjan Stevens só podemos esperar músicas soberbas, algo grandioso. É assim que o cantautor de Detroit, agora residente em Brooklyn, nos tem habituado com as obras-primas Michigan (2003), Illinois (2005), The Age of Adz (2010) e Carrie & Lowell (2015), sem descurar a quase perfeita e extensa discografia, com algumas colaborações à mistura - em 2017 com Nico Muhly, Bryce Dessner e James McAlister, resultando no disco Planetarium, em 2019 com o pianista Timo Andres, na composição da banda sonora da peça de ballet, The Decalogue, e já neste ano de 2020, Aporia, disco editado em conjunto com o seu padrasto, Lowell Brams.

Além dos trabalhos colaborativos mencionados em cima, os cincos anos que se seguiram a Carrie & Lowell têm sido bem preenchidos para Sufjan. Lançou em 2017 um versão ao vivo e um conjunto de de demos deste mesmo disco, participou na banda sonora do aclamado filme de Luca Guadagnino,  Call Me By Your Name, com dois majestosos temas, "Mystery of Love" e "Visions of Giddeon", e ainda uma versão remisturada por Doveman do tema "Futile Devices".


O artista está a preparar para finais de setembro o lançamento de um novo disco de originais, The Ascension, cuja capa podem ficar a conhecer em cima. A acompanhar este anúncio, Sufjan disponibilizou também "America", single atmosférico e espiritual com a duração de 12 minutos, uma espécie de casamento entre a sonoridade inventiva e caótica de The Age of Adz e a faceta folk intimista e taciturna de Carrie & Lowell.

Uma canção de protesto contra a doença da cultura americana, é assim que Sufjan descreve "America", originalmente escrita durante as sessões de gravação de Carrie & Lowell, mas regravada mais tarde. Ainda sobre "America", Sufjan conta que:

"I was dumbfounded by the song when I first wrote it, because it felt vaguely mean-spirited and miles away from everything else on Carrie & Lowell. So I shelved it. But when I dug up the demo a few years later I was shocked by its prescience. I could no longer dismiss it as angry and glib. The song was clearly articulating something prophetic and true, even if I hadn’t been able to identify it at the time. That’s when I saw a clear path toward what I had to do next.”

O single "America" será editado a 31 de julho em formato vinil de 12", juntamente com o labo B, “My Rajneesh”, temá que não fará parte de The Ascension, com lançamento  digital marcado para 10 de julho. 

+

sexta-feira, 3 de julho de 2020

GNOD e João Pais Filipe juntam-se para novo álbum, Faca De Fogo



Faca de Fogo é o resultado da junção entre o coletivo-terrorista-noise inglês GNOD e o percussionista português João Pais Filipe. O álbum recebe a chancela da Rocket Recordings e reúne as duas instituições da música exploratória para quatro longas composições onde o pulso motorik da kosmische alemã interseta a invenção livre do jazz e do drone mais abstrato.

Segundo as notas de lançamento disponíveis no Bandcamp, o primeiro encontro entre os ingleses com o músico português aconteceu no festival Milhoes De Festa, em Barcelos. A relação provou ser tão proveitosa  que o projeto se expandiu para um plano mais formal, com três dias de ensaios no ateliêr de Filipe e uma performance de apresentação desse mesmo material no Maus Hábitos, no Porto.

Forjado sob o espírito da espontaneidade e intuição, Faca de Fogo manifesta o elo incendiário entre a natureza polirrítmica de Filipe e os mantras repetitivos dos GNOD, que se unem para um trabalho que gira em torno dos conceitos da unidade temática e dos elementos que a compõem. 

O álbum encontra-se disponível desde esta sexta-feira, dia 3 de julho, no seu formato físico e digital. Podem escutá-lo nas várias plataformas digitais.




+

Gaika junta-se à NAAFI para novo álbum, Seguridad



Num ano distópico marcado pelas efemérides da Covid-19 e pelos tumultos anti-racistas um pouco por todo o mundo, torna-se urgente ouvir a palavra de Gaika, MC e produtor de Brixton, Londres que regressou esta sexta-feira, dia 3 de julho, com novo e aguardado álbum, Seguridad.

O longa-duração de nove faixas marca a estreia do inglês pela mexicana NAAFI, editora-coletivo sediado na Cidade do México que opera um pouco por toda a América Latina e que serve de plataforma para DJs e produtores como Lao, Tayhana, Omaar, Debit, Wasted Fates e Lechuga Zafiro - todos convidados de Seguridad.

Em entrevista ao The Quietus, o músico britânico refere que a sua relação com o México vai desde a sua infância, tendo tomado conhecimento do catálogo da NAAFI desde cedo. O vínculo com a label veio a estabelecer-se através do produtor Lao, que o convidou para atuar na celebrada noite de final de ano da NAAFI, Puerto Escondido, em 2018. 

Seguridad chega dois anos depois de Basic Volume, o álbum de estreia de Gaika pela Warp, e um ano após a mixtape HEATERS 4 THE 2 SEATERS, selada também pela editora britânica. Podem encontrar o disco em todas as plataformas digitais.







+

Luar Domatrix estreia-se pela Discos Extendes com Baía Stamina



2020 está a ser um ano preenchido para o incansável Luar Domatrix. Depois de em abril nos ter dado Olho de Rua e de ter editado Nova Vida Passada pela inglesa Domestic Exile, em junho, o projeto a solo do produtor e membro dos Yong Yong, Rudi Brito, regressa com novo EP, Baía Stamina.

Lançado esta sexta-feira, dia 3 de julho, pela portuguesa Discos Extendes, Baía Stamina é inspirado pela cultura club local de Glasgow, onde o músico passou uma longa temporada, e invoca tanto a utopia hedonista das baleares como a beleza magnífica de uma qualquer baía na costa italiana. Entre as cinco faixas que compõem este disco encontra-se uma remistura do duo escocês General Ludd, que dá novo brilho ao tema “Bo Teias”.

Baía Stamina encontra-se disponível para escuta no Bandcamp da Discos Extendes, no seu formato físico (prensagem em vinil de 300 cópias) e digital.





+

Crush of Souls estreia-se num art-rock decandente e experimental


Charles Rowell (Crocodiles, Flowers of Evil, Issue...) mudou-se de Nova Iorque para Paris para absorver as tendências estéticas em voga pelo underground europeu. Enquanto forjou docemente o seu primeiro trabalho de estúdio sob o pseudónimo Crush of Souls, aproveitou também para aplicar novas fórmulas que, em projetos paralelos, outrora seriam imprevisíveis. A cidade forneceu o cenário e a vivacidade da cena dark underground, o que estimulou a criatividade de Charles Rowell ao ponto de criação de um disco altamente diverso entre os mundos do art-rock, darkwave, post-punk, e/ou noise. No ponto de destaque, a imensidão garantida pelo saxofone, que chama logo a atenção nos minutos finais de "Pain & Ecstasy", o primeiro tema de avanço da obra.

Num disco coeso que reflete bem o título que lhe dá nome Crush of Souls começa por chamar a atenção com um dos temas mais "orelhudos" do disco. Numa vibe que traz à memória o estilo único dos lendários Alien Sex Fiend"Pain & Ecstasy" é um retrato da decadência e estética experimental que vigoram em força no novo trabalho. Num tema instantaneamente imersivo, de guitarras arrojadas e sintetizadores propulsivos, Crush of Souls começa por convidar o ouvinte à pista de dança num ambiente afável, enquanto o prepara para um show abusivo de castração fortemente presente nos minutos que culminam o tema (e que à memória nos trazem os vanguardistas polacos Niechęć). Enquanto o EP não chega é ir ouvindo "Pain & Ecstasy" em loop abaixo.


Bad Trip tem data de lançamento prevista para 31 de julho em formato cassete e digital pelo selo Third Coming Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Bad Trip Tracklist:

01. Time Worm 
02. Kick 
03. Pain & Ecstasy 
04. Dog Bitten Cross 
05. Bad Trip 
06 Confusion

+

Spitzer remisturam "Precious Words" dos SURE


Em março do presente ano os franceses SURE colocaram no radar 20 Years (2020, Weyrd Son Records), o disco que os lançou nos radares do underground europeu, num trabalho conciso de energia contagiante. Não alheios a este facto os companheiros de nacionalidade, Spitzer, foram repescar uma das mais abrasivas faixas do trabalho - "Precious Words" - para desacelerar o ritmo e vestir o tema de uma aura altamente hipnótica. O resultado é uma remix imersiva e densa que entra extremamente bem no ouvido.

A remix para "Precious Words" emerge cerca de quatro meses após os Spitzer terem lançado uma cover para o tema "Darkness Before Dawn", original dos Killing Joke (e que pode escutar-se aqui). A dupla constituída pelos irmãos Damien Bregère e Mattieu Bregère lançou ainda no início do ano o EP Ask For More que pode ouvir-se aqui.

"Precious Words (Spitzer Remix)" chegou às plataformas de streaming no passado dia 30 de junho. Podem ouvir o resultado na íntegra abaixo.


+

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Petbrick e Deaf Kids juntam-se para novo álbum, Deafbrick



Da multiplicação dos londrinos Petbrick (de Iggor Cavalera, baterista dos Sepultura) com os brasileiros Deaf Kids nasceu Deafbrick. A nova banda junta-se ao catálogo da britânica Rocket Recordings, que nos tem vindo a oferecer portentosas obras do rock mais abrasivo e livre (por aqui editam nomes como GNOD, Goat e Hey Colossus), para um promissor álbum que promete juntar o ruído concreto dos primeiros com o punk-metal lisérgico dos segundos.

Os dois grupos juntaram-se pela primeira vez para uma performance no festival Roadburn Festival, em 2019, seguindo-se uma atuação explosiva no The Lexington, em King's Cross, que consolidou a simbiose entre estas duas bestas e que os levou a desenvolver um projeto que ganha vida no próximo mês de setembro, dia 4.

"Força Bruta" é a primeira amostra de Deafbrick, cujo vídeo podem conferir em baixo. 

A pré-venda do disco, que merece prensagem em vinil de cor, será lançada sexta-feira, dia 3 de julho, para coincidir com o último dia livre de taxas do Bandcamp.





+

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Musicbox volta ao ativo com ciclo de concertos no Teatro São Luíz



De portas fechadas e sem poder retomar a sua programação artística no local habitual, o Musicbox lançou o desafio à EGEAC e ao Teatro Municipal São Luiz de se apropriar do espaço para um ciclo de concertos. Com o desafio prontamente aceite, Takeover #1 - Musicbox no São Luiz junta o clube e o teatro municipal numa parceria da qual resultam 9 sessões de música ao vivo, a decorrerem de 9 a 12 e de 15 a 19 de julho.

Takeover #1 leva ao palco da Sala Luis Miguel Cintra do São Luiz várias bandas do panorama atual da música nacional. Poderão ver esta programação em baixo, assim como as datas e o preço dos respectivos bilhetes.


Linda Martini
9 de julho - 21:00 - 15€

B.Leza apresenta Baile Sentado
10 de julho - 21:00 - 12€

Batida apresenta: The Algorithm is not African!
11 de julho - 21:00 - 13€

Lavoisier apresentam Miguel Torga por Lavoisier: Viagem a um Reino Maravilhoso +
João Bento
12 de julho - 21:00 - 10€

Márcia (solo)
15 de julho - 21:00 - 12€

The Legendary Tigerman (one man band) com special guest: João Cabrita
16 de julho - 21:00 - 15€

Moullinex
17 de julho - 21:00 - 15€

Bruno Pernadas
18 de julho - 21:00 - 10€

Ghost Hunt apresentam II + Violeta Azevedo
19 de julho - 21:00 - 8€

+

Novo álbum dos Uniform chega em setembro

© Ebru Star

Dois anos após a edição de The Long Walk (2018, Sacred Bones Records) e sob novo line-up - com Mike Sharp a assumir a posição de baterista - os Uniform preparam-se para fazer movimentar as correntes industriais com novo disco. Intitulado de Shame, o quarto longa-duração da banda chega às prateleiras em setembro e arranca já com o primeiro tema divulgado, "Delco". Sem grandes paleios a banda apresenta aquilo que tem consolidado com afinco nos últimos anos: um tema vulcânico a juntar o poder abrasivo das guitarras, com uma percussão crua e uma eletrónica distorcida à qual se junta aquela obscura, ainda assim cativante voz de Michael Berdan.

Segundo o vocalista, o álbum centra-se no tema do romance clássico, focando forças num anti-herói e no seu estado estático, enquanto medita sobre a sua vida no intervalo entre os principais eventos que ocorrem no mundo. Esta temática resultou da exploração dos livros de Raymond Chandler, James Ellroy e Dashiell Hammet, enquanto os Uniform estavam em processo de composição. O primeiro disco da banda em formato trio traz oito temas inéditos que fazem vigorar a energia do industrial metalizado com uma percussão muscular digna de uma experiência psicologicamente densa. Enquanto o disco não se encontra disponível para audição integral, fiquemos com "Delco".


Shame tem data de lançamento prevista para 11 de setembro em formato vinil, CD e digital pelo selo Sacred Bones Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Shame Tracklist:

01. Delco 
02. The Shadow of God's Hand 
03. Life in Remission 
04. Shame 
05. All We've Ever Wanted 
06. Dispatches from the Gutter 
07. This Won't End Well 
08. I Am the Cancer

+

OIÇAM: Tarmak

oicam-tarmak

A banda belga Tarmak surgiu em 2015, quando o guitarrista Sander e o baterista Simon começaram a tocar numa banda anterior chamada State of Time. Acontece que, quanto mais tocavam juntos, mais esses elementos começavam a acumular ideias que não batiam certo com a identidade musical da sua banda na altura. Depois da separação dessa banda, eles continuaram a tocar juntos regularmente e a começar a desenvolver uma nova identidade musical mais de encontro as sensibilidades sonoras dos dois membros da banda, a quem se juntou eventualmente o baixista Geert.

Com uma tendência para bandas como Tool, Opeth, Russian Circles e Cult of Luna, eventualmente os três músicos começaram a pouco e pouco a criar uma base fundada no cruzamento entre o metal progressivo e a sonoridade mais atmosférica do post-rock/post-metal, e a identidade musical deles enquanto conjunto surgiu naturalmente. O EP de estreia da banda lançado este ano, Plow, comprova isso ao longo das suas quatro faixas. A música deles é puramente instrumental - havendo vocais muito esporádicos - e caracteriza-se por ter uma abundância de dinâmicas, intensidades diversas e grooves, demonstrando uma versatilidade sonora e conceptual que convida os ouvintes a várias audições para apreciar melhor as faixas. 

Ouçam o EP Plow em baixo.
 

+

Vodafone Paredes de Coura anuncia primeiros nomes e informações para 2021


O Vodafone Paredes de Coura irá regressar nos dias 18 a 21 de agosto de 2021.

Em 2021, o anfiteatro natural da música irá acolher um cartaz com nomes emblemáticos como Pixies, Jarvis Cocker, antigo frontman dos Pulp, e os britânicos IDLES. A eles juntam-se o hip hop de Tommy Cash, Princess Nokia e slowthai,  o jazz dos BADBADNOTGOOD e as composições indie de Alex G e Beabadoobe. Os Woods vão misturar folk e rock, os Squid mostrarão o seu punk experimental e os Viagra Boys irão arrasar com o seu pós-punk. No que toca à música eletrónica, os nomes confirmados até agora são Floating Points (live), Mall Grab e HAAi.

A partir de 2 de Julho de 2020, às 12:00, os passes gerais para o Vodafone Paredes de Coura 2021 podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite, See Tickets locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€.

Todos os bilhetes adquiridos para o Vodafone Paredes de Coura 2020 são válidos para a edição de 2021. Para isso, é obrigatório efectuar a troca do bilhete do Vodafone Paredes de Coura 2020 por um bilhete válido para a edição de 2021. Esta troca deverá ser feita no ponto de venda onde foi adquirido, a partir do dia 15 de Julho. A troca está garantida até ao dia 31 de Março de 2021.

Para aqueles que, infelizmente, não puderem comparecer nas novas datas, podem pedir o reembolso do valor do bilhete adquirido, directamente no ponto de venda, entre os dias 1 e 15 de Setembro de 2021. O pagamento dos reembolsos acontecerá depois, entre os dias 16 e 30 de Setembro 2021.

+

Panaviscope apresenta novo vídeo


Panaviscope é o projeto musical e visual do suíço Alex Duloz. O seu álbum de estreia, Like the Sun, será editado em outubro deste ano pela How Bad Pretty Bad RecordsPanaviscope lançou o ano passado o EP Kiss Yourself to Death, que pode ser ouvido em plataformas como o Spotify e o Youtube.

"Sham", o terceiro single de apresentação de Like the Sun, é acompanhado por um vídeo realizado pelo próprio Alex. A música lida com questões sobre reflexão, realidade e desilusão. Tanto o vídeo como a letra recorrem ao espelhamento de ideias, opondo diferentes conceitos e reforçando diferenças.
 

+

terça-feira, 30 de junho de 2020

Lucrecia Dalt anuncia novo álbum, No era sólida

© Camille Blake

Lucrecia Dalt vai editar novo álbum em 2020. No era sólida é o quarto longa-duração da música e compositora colombiana e o primeiro desde Anticlines, magnífica obra de poesia eletrónica lançada pela nova-iorquina RVNG Intl. em 2018 (ingressou numa minidigressão por Portugal nesse mesmo ano). 

É precisamente por este selo que o novo álbum de Dalt chegará, dia 11 de setembro, às plataformas digitais e respetiva prensagem em vinil. Enquanto o seu álbum anterior se inspirava na profissão de Dalt como engenheira geotécnica, o seu novo álbum baseia-se numa personagem fictícia, Lia, que tem neste trabalho o primeiro ponto de encontro com a colombiana.

“Disuelta” é o seu primeiro avanço, peça de eletrónicas ominosas que acompanham a voz sedutora e alienígena de Dalt. O tema é enriquecido por um enigmático vídeo (autoria do português Pedro Maia), que poderão encontrar em baixo.

Parte das receitas de No era sólida revertem para a associação Tierra Digna, uma organização que trabalha para defender as comunidades colombianas afetadas pelas políticas económicas que impactam os direitos humanos e o meio ambiente.

Ainda este ano, Lucrecia Dalt lançou Anticlines Outtakes, compêndio que reúne alguns esboços do álbum de 2018. 







Tracklist


01. Disuelta 
02. Seca 
03. Coatlicue S. 
04. Ser boca 
05. Espesa 
06. Di 
07. Suprema 
08. Revuelta 
09. Endiendo 
10. No era sólida

+

VOLSK estreia-se nas edições pela Capital Decay com Scorpio Rising



Scorpio Rising é o longa-duração de estreia de VOLSK pela Capital Decay. O álbum, composto por noves faixas de "sintetizadores melancólicos, batidas ásperas, linhas de baixo EBM e vozes distorcidas”, pode ler-se no Bandcamp da editora lisboeta, chegou esta segunda-feira, dia 29 de junho, e assinala o primeiro lançamento da Capital Decay em 2020.

Francisco Antão, que assina edições enquanto VOLSK desde 2013, partilha ainda o projeto Domestika com Mauro Ventura (editaram Gliding Blade em 2018) e tem levado a cabo uma proveitosa relação com VSO, com vários trabalhos sob a alçada da Mera

Scorpio Rising encontra-se disponível no Bandcamp da Capital Decay, em formato digital e físico (prensagem em CD altamente aliciante, trabalhado por Antão em parceria com Miguel Béco).





+

segunda-feira, 29 de junho de 2020

STREAM: John Poubelle - Pléistocène Supérieur


A produtora francesa Louise Burgers fez este mês a sua estreia nos longa-duração com Pléistocène Supérieur o primeiro trabalho sob o alter-ego de John Poubelle. Entre camadas sonoras fortemente trabalhadas ao redor da música eletrónica experimental, Louise Burgers cria um cenário extremamente atraente e dinâmico onde coloca em desenvolvimento aquilo que poderia ser intitulado de música de igreja imaginária. Num trabalho integralmente composto, tocado e gravado de forma autónoma, Pléistocène Supérieur consegue projetar na sala de difusão, uma certa sensação de imperfeição crua, mas igualmente bela e celestial que Louise Burgers esculpe para que soe distante no tempo e espaço. 

Entre ruído camuflado, sonoridades colocadas na mesa cirúrgica, reverências evocativas, batidas lúdicas e uma voz profundamente pura, John Poubelle produz uma viagem de dez temas de vanguarda e desenvolvimento lento por forma a criar um álbum diversificado, mas extremamente coerente. Da estreia Pléistocène Supérieur forte destaque para temas como "Catastrophe piment" - onde a exploração do ruído como material musical ganha corpo (e se mantém vigorosa em "56 fois le tour du soleil") -, o escrutínio sonoro de sufoco e agonia presente em "Poison", e ainda as paisagens inspiradas no trabalho dos Dead Can Dance, fortemente vincadas em "Soldo degli angeli". Ao resultado final - uma exploração interior psicologicamente densa - a artista cunha de punk frágil. Podem descobrir esta definição por vós mesmos reproduzindo o trabalho na íntegra abaixo.

Pléistocène Supérieur foi editado a 25 de junho em formato cassete e digital pelo selo Commando Vanessa. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


+