sábado, 15 de fevereiro de 2020

A compilação tributo a The Legendary Pink Dots e The Tear Garden já está disponível


Os The Legendary Pink Dots e os The Tear Garden - dois nomes maiores no espectro da música experimental a trocar nuances com o rock e a música psicadélica e eletrónica - receberam esta sexta-feira uma compilação tributo. Intitulada Love Notes to a Velvet Apocalypse, o trabalho de 19 temas integra no alinhamento a contribuição de uma grande variedade de artistas mundiais e géneros que abrangem desde o post-punk melancólico às atmosferas poderosas da música industrial sem nunca descurar das camadas experimentais que caracterizam a aura de ambas as bandas.


Poucas bandas nos últimos 40 anos conseguem orgulhar-se de ter uma carreira tão prolífica quanto os The Legendary Pink Dots. Tendo lançado mais de 30 álbuns com explorações sonoras amplamente abrangentes, a influência dos The Legendary Pink Dots é inegável. De maneira semelhante, também os The Tear Garden - formados em 1985 por Edward Ka-Spel (The Legendary Pink Dots) e cEvin Key (Skinny Puppy) - deixaram a sua marca num conjunto alargado de músicos nestes últimos 30 anos, numa discografia que inclui sete discos altamente influentes, entre singles e coleções.

Esta compilação conta com o contributo de Chase Dobson and Curse Mackey, European Ghost, Dreamscape Invocation, Kill Shelter, Zeitmahl, The Present Moment, Broken Fabiola, The Rorschach Garden, Factice Factory, The Midnight Marionettes, The Strange Walls, Bioassay, Tearful Moon, DACID, Fluxion AD, Dead Receptors, Night Terrors, Sol Sirenn e Manufactura, podendo ser ouvida na íntegra abaixo.

Love Notes to a Velvet Apocalypse foi editado na passada sexta-feira (14 de fevereiro) em formato digital pelo selo Coitus Interruptus Productions. Podem descarregar gratuitamente a vossa cópia aqui.


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Festival Serial leva Christina Vantzou, Audrey Chen, entre outros, à cidade de Évora



A segunda edição do Festival Serial acontece este mês em Évora. O evento, que tem o apoio da Câmara Municipal de Évora e a curadoria de Jorge Mantas, regressa à Igreja de São Vicente para dois dias de propostas desafiantes com alguns dos mais relevantes artistas da música exploratória de hoje. 

A música e compositora americana Christina Vantzou (na foto) é o grande destaque desta edição. A co-fundadora dos The Dead Texan, dupla que partilhou com Adam Wiltzie (dos conceituados Stars of The LidA Winged Victory for the Sullen), é um dos nomes cimeiros da música ambiental moderna e está de regresso ao país com o mais recente álbum Nº4 na bagagem. Novamente editado pela americana Kranky, que alberga trabalhos de Grouper, Tim Hecker ou Godspeed You! Black Emperor, o disco dá sucessão a uma série de trabalhos iniciada em 2011, explorando o lado clássico da música ambiente com a tenacidade e melancolia do cinema mais sombrio.

Diretamente de Nova Iorque vem Ariadne, que marca a sua estreia em Portugal com uma performance audiovisual que mistura canto sacro, música eletrónica e visuais digitais gerados em tempo real. Audrey Chen, conhecida pela sua abordagem visceral à música improvisada através de voz, violoncelo e eletrónica minimal, é mais uma das estreias do festival, que recebe ainda a música e compositora Loïse Bulot, que esteve em residência no prestigiado instituo INA GRM (Groupe de Recherches Musicales) em Paris e que apresentará algumas das suas novas composições de música concreta e eletroacústica. 

O festival contará também com a presença da harpista espanhola Angélica Salvi, que se encontra a residir atualmente no Porto e que lançou o seu primeiro trabalho a solo, Phantome, no passado mês de outubro, Vítor Joaquim, nome fundamental da música eletrónica praticada em Portugal e autor de inúmeros trabalhos para dança, teatro, vídeo e instalação, Manuel Mota e Margarida Garcia, par criativo de guitarra e contrabaixo elétrico com mais de 20 anos, e a violinista e compositora multimédia Dong Zhou, que se junta a Druuna Jaguar para uma colaboração especialmente desenhada para o festival.

Em baixo, conheçam os horários da segunda edição do Festival Serial, que regressa a Évora durante os dias 28 e 29 de fevereiro.




Sexta-feira 28 Fevereiro  
21:30h 
Vitor Joaquim 
Audrey Chen 
Ariadne  

Sábado 29 Fevereiro 
18:00h 
Dong Zhou + Druuna Jaguar  
Manuel Mota + Margarida Garcia   

21:30h 
Angélica Salvi 
Loïse Bulot 
Christina Vantzou

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STREAM: Sal Grosso - Love Is Fine


António M. Silva está de volta às edições em nome próprio com o seu projeto Sal Grosso, desta vez com a companhia de Ricardo Cabral (bateria, percussões, baixo, flauta e microfones) e José Miguel Silva (teclados, bateria, percussões e guitarra). Love is Fine é o sucessor de Lets all just go wild and put our hands in the air a bit (2018) e foi pensado durante algum tempo e concretizado em quatro dias de abril de 2019, no Quarto Escuro, no Porto.

Love is Fine era para ser um disco dominado pelo ambient mas, em vez disso, a liberdade sobressaiu para poder ser tudo aquilo que o ouvinte quiser que seja a cada audição. Foi tudo feito ao primeiro take, gravado com muito amor e com a ajuda de um grupo inacreditável de pessoas que acreditou que estas quatro novas faixas podiam dar em qualquer coisa. O nome é roubado a uma malha linda do twistedfreak.

Dedicado a Mark Hollis, a voz e alma dos Talk Talk que nos deixou em 2019, Love is Fine saiu ontem, 14 de feveiro, em formato físico e digital com o selo da combustão lenta records e pode ser escutado em baixo na íntegra.

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Clan of Xymox têm novo tema, "She" e um EP de remixes dedicado




Três anos depois de Days Of Black (2017, Metropolis Records) os históricos Clan Of Xymox regressam aos holofotes das novidades com "She", o novo single editado neste dia dos namorados que é editado num EP dedicado com remisturas de nomes como She Past Away, Ash Code, Antipole e Bragolin. Do EP fazem parte três remixes para o tema "She" - que são novidade absoluta - e outro remix para o tema "Loneliness", assinado por Antipole e que já tinha sido disponibilizado anteriormente nas plataformas de streaming.

Desde a sua formação na Holanda em 1984, a música mudou dos Clan Of Xymox foi mudando constantemente, sempre tentadora e muitas vezes bastante impressionante. Adaptando-se aos novos desafios musicais, sem nunca perder a qualidade, os Clan Of Xymox preparam-se, portanto, para lançar um novo longa-duração este ano e "She" é o primeiro tema de avanço do que se espera para vir. Aproveitem para escutar o tema e o EP de remixes, na íntegra, abaixo.

She foi editado esta sexta-feira (14 de fevereiro) pelos selos Metropolis Records e Trisol. Podem comprar a versão digital aqui.



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Isolated Youth apresentam a nova "ICT" (Installment Credit Transaction)


A menos de três meses de voltarem a pisar solo nacional, os suecos Isolated Youth regressam ao radar das novidades com o tema que vem dar sucessão a "Voodoo". Intitulado de "ICT" (Installment Credit Transaction), o novo single foi uma das novidades que integrou a setlist dos concertos no Porto e Lisboa em agosto passado e recebeu esta sexta-feira (14 de fevereiro) a sua versão estúdio. No novo tema a banda volta a apostar nos ritmos melancólicos, aquela voz tão doce, frágil e conquistadora e os marcantes riffs de guitarra que nos conduzem desde as atmosferas dançáveis de uns Blondie ao arrojo estético de uns Iceage.

Considerados já uma das maiores prendas que o post-punk contemporâneo nos trouxe - pela sua sonoridade delicada, distinta e de vanguarda - os Isolated Youth continuam a preparar o público para aquele que virá a ser o sucessor de Warfare (2019, Fabrika Records) - uma das grandes edições que marcaram 2019. Se tudo correr de acordo com o plano, a banda deverá lançar um novo EP em março deste ano. Até lá é abraçar platonicamente esta tão adocicada canção:



Relembramos que os Isolated Youth regressam a Portugal a 25 de abril para um concerto exclusivo inserido no festival MONITOR. Todas as informações adicionais relativas a este evento podem ser consultadas aqui.


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STREAM: Riki - Riki


Os anos 80 estão de volta ao seu auge máximo no disco de estreia de Riki, um dos projectos que nasceu para marcar este 2020. Niff Nawor - artista visual, ex-membro da banda Crimson Scarlet e um nome ativo no panorama do deathrock/anarcho-punk da Califórnia - mudou de ares no seu novo projeto a solo e abraçou a sensualidade da synthpop para nos apresentar uma coleção de oito temas prontos para fazer reviver em altas os saudosos anos 80. Depois de se ter estreado com o EP Hot City (2017) e da compilação curtinha Know Thyself Tour Demo (2018) Riki junta-se agora ao catálogo da Dais Records pronta para se tornar num nome de sucesso não só na América, mas claramente pela Europa.

Deste Riki - álbum que explora temáticas como a coragem, fisicalidade e romance - já tinham anteriormente sido apresentados os temas "Napoleon", "Böse Lügen (Body Mix)" e, mais recentemente, a malha propulsora "Earth Song". No que ficou por ouvir deste Riki ganha destaque a nostalgia e os exercícios de voz que Riki ainda não tinha tornado tão evidente existirem. Além da synthpop harmoniosa, as vibes da dream-pop e a essência da disco também estão muito em voga nesta estreia. Destaque assim para temas como "Strohmann", o celestial "Know" e o hipnotizante "Come Inside". Podem ouvir o disco na íntegra abaixo.

Riki foi editado esta sexta-feira (14 de fevereiro) em formato vinil, CD e digital. Aproveitem para comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: SDH - Against Strong Thinking


Dois anos após a aclamada estreia com o Semiotics Departement of Heteronyms, os espanhóis SDH estão de regresso às edições com Against Strong Thinking, um EP de seis temas que coloca novamente no auge a sua minimal wave apaixonada. Agora com uma maturidade acrescida e um poder abrasivo já anteriormente mostrado com o primeiro tema de avanço os SDH preparam-se para se tornarem numa das novas marcas do movimento underground da cena dark. Este novo disco fala da importância de enfrentar todo esse pensamento categórico, dogmático e conclusivo (que eles intitulam de "Strong Thinking"), focando-se no facto de que é necessário dialogar com tudo o que parece inquestionável. 

Deste novo Against the Strong Thinking já tinha anteriormente sido divulgado a abrasiva "No Miracles", a chegar às paradas em janeiro para dar o ar de sua graça a este jovem 2020. Além deste tema, as audições constantes ao EP levam a destacar ainda "Your Next Story" - onde a eletrónica dos SDH vai beber claras influências às atmosferas de Boy Harsher - e ainda o tema de encerramento, "Poem Against Strong Thinking", uma balada mais etérea e melancólica com foco nas estéticas minimais a que os SDH tão bem nos têm vindo a habituar nos últimos tempos.

Against Strong Thinking foi editado esta sexta-feira (14 de fevereiro) pelo selo italiano Avant! Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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[Review] Talk To Her - Love Will Come Again


Love Will Come Again | Icy Cold Records / Shyrec | fevereiro de 2020
8.0/10

Dois anos após a edição de HOME - o EP que colocou os Talk To Her na ribalta dos novos projetos dark-influenced com nuances do rock alternativo e independente - a banda italiana formada em 2015, na cidade de Veneto, regressa às paradas musiciais com Love Will Come Again, o registo que marca a sua estreia nos longa-duração. Com uma abordagem sonora e entusiasta facilmente situada entre os campos do electro-rock e do post-punk contemporâneo, a banda formada por Andrea Visaggio (voz, sintetizador) Riccardo Massaro (baixo), Stefano Murrone (guitarra) e Francesco Zambon (bateria) tem ganho a aprovação do público mais atento muito devido à intensidade poderosa que o seu som emana no formato ao vivo. Com o novo Love Will Come Again esta atitude obscura, incisiva e ritmada é explorada em maior detalhe e o resultado sonoro emana uma certa magnificência estrondosa que surpreende a quem ouve. 

No novo disco, que se baseia inicialmente no conceito do amor como um poder avassalador e toda uma experiência mística da vida, os Talk To Her brindam-nos com um decálogo que o descreve como a lei suprema que controla e regula tudo o que nos circunda. Esta história, quase dramática, da luta eterna que existe entre o ser humano frágil e uma sociedade que não vive o amor - porque as regras absolutas, estritas e sedutoras do amor a dominam - é abordada ao longo do álbum de forma pertinente e bem estruturada, através da mescla abrasiva entre adrenalina, traços melancólicos e alguns ritmos mais badalados que apresenta. 



Tudo tem início com "Innoncence", um tema onde os sintetizadores soam suaves e a voz de Andrea nos convida a integrar uma atmosfera sonora onde a inocência se situa no ponto cor da história, e sobre como o amor é doce nesta etapa. Apesar do tom adocicado de início, "Innocence" mostra-se tudo menos alegre e serena no seu desenvolvimento. Abrindo espaço para guitarra, baixo e percussão brilharem nos minutos finais, os Talk To Her vão-nos mostrando como, emocionalmente, o sentimento de inocência se pode refletir no ser humano. Avançando Love Wil Come Again na duração, em temas como "Truth" (que se inspira nas raízes criadas em HOME mas num poder aumentado) os Talk To Her continuam na exploração do amor, exibindo o quão desafiante é lidar com emoções como a dúvida dentro de um relacionamento, ou até mesmo com o sentimento de dor e luto -  abordado em maior pormenor na incendiária "Ibisco", que serviu de primeiro avanço a este LP. Ainda no campo das faixas abrasivas destaque para "Hollow" e as suas dimensões obtusas, na lírica, que se focam na sensação de sentir-se perdido. 



Musicalmente, em Love Will Come Again é notória uma maturação face ao EP HOME, à qual acresce uma forte aposta na componente eletrónica, na mensagem das letras e, postumamente, na produção e masterização do disco. Essa coesão e progresso musical, que são vivenciados na primeira parte do LP, voltam a ser constantes na segunda parte do disco com temas como "No Other View", "The Caller" ou o já anteriormente apresentado "Away//Afraid" a mostrarem o seu vigor instrumental e abordagem musical altamente aditiva, com aquele jeito tão peculiar que os Talk To Her têm de hipnotizar o ouvinte. 

Nos destaques de Love Will Come Again é de mencionar também "View (Reprise)" - faixa inteiramente instrumental, onde a banda italiana nos inflige o vazio emocional e o estado de pânico e angústia que advêm de experiências do foro amoroso, abordando ambiências sonoras que tão pouco sabíamos existir – e, ainda, o gigante tema de encerramento "Confessions" - malha texturizada entre a sensibilidade da música ambient e drone - onde o ouvinte é confrontado com uma veia altamente experimental e vívida que, no contexto do disco, se foca na exploração dos nossos fantasmas interiores e no facto de que perdermo-nos é o caminho para nos voltarmos a encontrar. E como nem só de sons psicologicamente densos e de emoções instáveis se faz um álbum, ou constrói uma história sobre o amor, os Talk To Her também incutem neste Love Will Come Again um som mais badalado com faixas como "Set Me Free". No geral o disco funciona também como mensagem e um call-to-action relativamente ao quão difícil está a tornar-se gerir e lidar com os mais variados tipos de emoção numa sociedade que corre a um ritmo tão acelerado. 




Há dois anos afirmámos que HOME, o EP de estreia dos Talk To Her era "Um bom pontapé de saída para uma banda que ainda virá a dar que falar" e a verdade é que tão pouco errados estávamos. Cerca de um ano depois a banda estava a confirmar o primeiro concerto de carreira a nível internacional (que tanta sorte tivemos ser por cá em Portugal no tão querido MONITOR) e, agora, com um poder ainda mais forte ao nível instrumental, em Love Will Come Again os Talk To Her posicionam-se cada vez mais como um dos novos atos a ter em atenção no panorama da música underground que junta darkwave, post-punk moderno e rock independente no mesmo espectro. Love Will Come Again é claramente um disco maduro, coeso e de qualidade aumentada que não deve ser deixado de lado nas edições que prometem marcar 2020.



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JE T'AIME - "The Sound" She Pleasures HerSelf Remix (video) [Threshold Premiere]


JE T'AIME - the new addictive scream of modern post-punk - is back. Almost a year after putting out its astonishing debut LP, the French galvanizing outfit is releasing today a new remix EP titled en négatif - REMIXES, as a celebration to Valentine's Day. For those who don't know, JE T'AIME has been growing like fire between de underground European musical scenario since the release of Je T'Aime (2019, Icy Cold Records/Manic Depression), an album that is raw, dirty, controversial, but highly addictive and incredible, just like love. 

en négatif - REMIXES contains a total of five tracks signed by four contemporary names in the darkwave scene: She Pleasures HerSelf, Ash Code, Zus and Ambassador 21. In the album you can find new interpretations for tracks such as "The Sound", "Dance" and "Hide & Seek". To celebrate the release of this new EP, JE T'AIME is also premiering today a new version for the original "The Sound" music video, in which both theme and video are remixed by She Pleasures HerSelf. JE T'AIME's singer Dany Boy explains why did they choose the Portuguese quartet to inaugurate the guest list:
"In this first chapter, we invited David Wolf, producer of She Pleasures HerSelf, who are on the same label as us, Manic Depression. They're coming from Portugal and we like their sound and universe which are quite close to ours. In addition to making us this remix David also offered us a revision of our first video clip of this song, crazy guys".


Regarding en négatif - REMIXES, the singer Dany Boy continues the story:
"We've always liked to hear remixes made by other artists. I can still remember the pleasure I had listening to remixed albums like Noir Désir's One Trip One Noise and Massive Attack's No Protection for a long time. (...) The second band invited on this project is Ash Code, an Italian trio that produces a darkwave sound that we like very much.  I met them briefly on the NCN Festival in 2018 when I was doing the sound for Saigon Blue Rain. Ambassador21 is a Belarusian band of pure industrial music in which Crazy Z. plays guitar. Lovely and passionate people who love to party as much as we do. And to finish we offer you two remixes by Zus, an extremely talented Versailles friend, he is notably the guitarist of Chenille, a crazy French experimental metal band."
en négatif - REMIXES is being released this Friday (February 14th). You can buy and stream the full piece by clicking here.

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Filipe Sambado em entrevista:"Revezo é um disco que assume um privilégio"

© Diogo Vasconcelos & Xipipa
Filipe Sambado é um dos artistas nacionais que mais tem dado que falar nos últimos anos, seja pela sua veia artística – editou três discos de originais entre 2016 e 2020 e produziu inúmeros projetos – seja pelo seu lado mais ativista, de luta pela igualdade - veja-se o mais recente cancelamento do concerto no Hard Club, Porto, devido à sala de espetáculos ter recebido um comício do Chega.

Para já, 2020 tem sido um bom ano para o artista, com a edição de Revezo (24 de janeiro, Valentim de Carvalho) o seu terceiro disco onde a pop contagiante dá a mão à música popular portuguesa, explorando novos ambientes e estéticas, e com a participação no festival da canção com o tema "Gerbera Amarela do Sul".

Em entrevista por telefone no passado dia 23 de janeiro, falámos com Filipe Sambado sobre a composição de Revezo e as suas influências, a participação no festival da canção, o modo como prepara as suas atuações, entre outros assuntos.




Neste novo disco, Revezo, notámos uma mudança da produção e estética face aos álbuns anteriores, Filipe Sambado & Os Acompanhaste de Luxo (2018) e Vida Salgada (2016). É um disco mais eletrónico, folclórico, onde as flautas ganham um novo destaque e as guitarras passam para segundo plano. O que motivou essa mudança?

Filipe Sambado (FS) - Foi um bocado ao encontro de uma aproximação que eu já vinha a fazer no disco anterior, nalguns temas, como o “Dá Jeitinho”, “Dono da Bola” ou o próprio “Só Beijinhos”, que também tem assim um início já a sugerir um ritmo mais para o Chula. Depois o que acabou por acontecer foi que a determinado momento dos arranjos do disco comecei a perceber qual era a linha do disco, já pelas guitarras que eu tinha feito, a forma como estava a encaixar as palavras nas canções, começou-me a fazer sentido fazer uma exploração maior e com rigor de lugar, que é uma coisa que eu não vinha a fazer com tanto cuidado.  Tenho sentido a necessidade de que a música além de ser de um tempo seja também de um lugar. Para mim a melhor forma de transportar estas canções e estas palavras seria com este tipo de arranjos e de cuidado. A inclusão da flauta deve-se antes do mais por já tocar há muito tempo com a Violeta, uma amiga próxima com quem eu já tinha tocado em Jasmim, queria incluí-la neste novo disco. O trabalho percussivo deveu-se a um período em que foquei as minhas atenções em artistas mais específicos dos anos 60 e 70, nomeadamente o Fausto e o José Afonso. Também houve ali uma fase em que a Rosalía se tornou muito importante e me ajudou de certa forma com o El mal querer, ajudou-me a tentar fazer essa ponte entre uma linguagem mais atual e uma linguagem mais folclórica, mais portuguesa. 

Indo de encontro ao que disseste anteriormente, em Revezo parece que há uma fusão de letras modernas com música popular portuguesa e de intervenção. Voltando aos discos anteriores, já se notava este cariz interventivo em algumas das músicas.

FS - Exato. Era uma coisa mais ou menos presente, neste disco foi mesmo uma decisão de balizar as influências, uma tentativa mais consciente, não estar a fugir a um conceito. Normalmente a fase em que passo aos arranjos é uma fase mais demorada, não tem a ver só com a parte da composição, é uma coisa em que eu estou cuidadosamente a aperaltar as canções. Neste disco foi um processo mais moroso, achei importante a determinada altura, quando comecei a perceber o caminho das canções, tentar começar a ouvir mais algumas coisas e focar-me mais nesse sentido. No caso do disco Filipe Sambado & Os Acompanhaste de Luxo é um bocado indiferente porque foi um trabalho feito com uma banda inteira. Na Vida Salgada houve um período em que ouvia mais uma coisa, outro período em que ouvia outra coisa. Em Revezo esse período dos arranjos, o encerramento acontece numa altura em que eu decido que queria ouvir as manhas dos mestres, queria estar focado nisto, sem me deixar influenciar por tanta outra música que vou pesquisando. A minha pesquisa cingiu-se mais a este lado de ouvir quem já o tinha feito tão bem, essa apropriação da nossa música folclórica passando para música do seu tempo, e como é que eu poderia fazer também alguma investigação através de música folclórica e tentar pô-la no meu tempo. É esse tal cruzamento, naturalmente com temas mais atuais por serem meus e dos meus dias, mas com essa noção geográfica. 

Falaste nos Acompanhantes de Luxo, eles vão fazer parte desta nova tua vida?

FS - Agora numa fase inicial os únicos que me vão estar a acompanhar é o Primeira Dama e o Chinaskee, que é agora quem está a tocar a bateria. Antes do Chinaskee tinha estado o Luís Barros, que tinha gravado o outro disco. Depois vai estar também a Violeta na flauta e o João Pratas nos backing tracks, o lado mais eletrónico dos beats. No futuro, na possibilidade de ter cachets para tudo, voltarei a incluir o Alexandre Rendeiro (Alek Rein), que tocava a guitarra, e incluir também o C de Crochê, o baixista, dando uma dinâmica mais orgânica aos concertos. Agora nesta fase inicial, só consigo contar com uma formação mais curta, é sempre a fase do arranque, perceber por onde é que podemos ir. Depois mais para frente queria também incluir algumas vozes, como é um disco muito carregado de vozes e harmonias, queria poder ter mais gente em palco também a cantá-lo.

Na performance do festival da canção vais conseguir ter mais pessoas em palco ou vão ser só os três?

FS - O Festival da Canção é sempre com playback instrumental, não podes estar a tocar. Vou estar em palco com mais 5 pessoas a cantar, um grupo de quatro coralistas e a Vera Vera Cruz, que fez as vozes dessa música no disco. A apresentação há de ter os meus toques pessoais em relação ao que eu possa querer fazer.

Revezo soou-me a álbum otimista, tanto a nível das letras como da sonoridade, e também muito ambicioso. Há alguma temática principal neste álbum e, já agora, de onde vem o nome Revezo

FS - Eu não pensei muito na temática quando o estava a fazer, apercebi-me de um lado transversal ao disco, há qualquer coisa que aproxima as canções todas umas das outras. Será provavelmente o sinónimo de lar. Não sei se é um disco muito otimista, não sei se o ponto mais forte é esse, acho que é um disco que assume um privilégio ou pelo menos a capacidade de eu me aperceber dos privilégios que tenho. É um disco que se foca muito nessa ideia, de casa, da família, de fatores de conforto, carinho, como solução para problemas de coisas simples como querer voltar para casa depois de um dia de trabalho. Por exemplo, o "É tão bom" é uma música que fala sobre o excesso de vida noturna que eu estava a fazer durante um período e a forma como comecei a encontrar na família um certo apaziguamento, porque se calhar essa vida noturna estava a ser feita numa fase em que tinha a cabeça mais em alvoroço. Comecei a encontrar um lugar mais meu e é isso que chamo no fundo de casa e família. Não tem de ser literalmente uma casa, é mais nessa sensação de liberdade que eu sinto. Daí eu achar que sou privilegiado, porque o simples facto de poder ter uma vida em que tenho uma casa nos dias que correm já é por si um privilégio muito grande. Eu poder ter voz enquanto pessoa já é mesmo uma coisa muito privilegiada. 
O título Revezo foi um feliz encontro, lembrei-me do nome porque a palavra é muito bonita e, ao pensar no seu significado, começou a ganhar cada vez mais força, por ser uma prática agrícola que faz tanto sentido enquanto metáfora de vivência, essa ideia de teres de ter um campo com funções rotativas em que está um pasto a crescer para o gado comer e depois troca. É um bocado como nós somos obrigados a levar a nossa vida, a deixar sempre alguma coisa a repousar para poder usufruir depois, isto com a devida tranquilidade. 

Tens algum tema favorito no disco?

FS - Eu estou muito satisfeito com todos agora, ainda não tenho nenhum favorito. Quando começar com os concertos vou começar a ver. Acho que vai ser mais por exclusão, vou percebendo quais são os preferidos ou quais ainda não me cansam. 


O primeiro single de Revezo, "Jóia da Rotina", teve direito a um vídeo simbólico em que funde o tradicional, as vestimentas são o que salta mais à vista, com novas formas de ver o mundo. Podes-nos contar a ideia por detrás deste vídeo?

FS - Eu deleguei completamente a criação do vídeo a um realizador (Miguel Afonso) com quem já tinha trabalhado num filme em que entrei como ator. Dei-lhe esse espaço, disse-lhe só que queria um vídeo muito bonito e que gostava que ele interpretasse o disco e tentasse colocar a sua visão no vídeo da música. Ele mandou-me inicialmente a primeira proposta de script e para mim foi muito fácil começar a encontrar justificações e aproximações do disco e, naturalmente, dar também algumas sugestões. É um vídeo que apresenta muito bem a síntese desse lado mais tradicional, de adulterar a tradição e o folclore com um lado mais plástico. O resultado do vídeo acaba por ser isso, a forma como a canção vai sendo explicada com imagens, essa ideia das novas tradições, novas famílias comunitárias, é um reajuste aos tempos e de aceitação da mudança que é necessária. 

Voltando ao Festival da Canção, és um dos compositores e interpretes que lá vão estar. Como é que surgiu essa oportunidade de participares neste concurso tão icónico da cultura nacional?

FS - De há uns anos para cá funciona por convite. Eu fui convidado pelo Nuno Galopim, atualmente o responsável do festival. Eu já andava a pressentir que isso ia acontecer, já ouvia alguns rumores de pessoas mais próximas a organizar o festival e comentava com a minha namorada que gostava de não participar. Não vi nada com bons olhos a minha participação num concurso, num evento mediático com este tipo de julgamentos e opiniões e que me fazia alguma confusão. Mas depois acabou por aparecer de facto o convite e nessa altura é que tens mesmo de decidir se sim ou sopas. Comecei então a avaliar os prós e contras e a perceber de que forma é que me divertiria a fazer isto e de que forma seria justo e honesto estar a participar num formato que não me é próximo e no qual até me sinto um bocado desconfortável. Decidi fazer uma canção propositada para o festival, não era suposto integrar o disco, mas acabou por acontecer, para aproveitarmos o momento de promoção, aliar os dois aspetos. 
À partida estava bastante reticente com a participação, mas comecei a perceber que seria se calhar mais proveitoso para mim enquanto montra de visibilidade mediática, poderia ser importante no sentido de desenvolvimento de carreira. Embora as coisas me tenham estado a correr um bocadinho melhor ao nível da massa crítica e da imprensa, não é significativo na qualidade da minha vida, não é uma coisa que eu possa dizer “estou tão bem que um bocadinho mais não me faz falta”. Na verdade, até faz e, portanto, esse lado do aproveitamento da carreira pesou na decisão. Fazer uma canção que eu atiraria com um propósito e uma direção mais concreta ao festival também me deixou mais satisfeito com a participação. Agora já não me via de outra forma, estou mesmo contente com a participação e acho uma coisa positiva, acima de tudo. 

Já tens ideias para o outfit e a performance a apresentar lá no festival?

FS - Não, eu quero deixar ainda em suspense porque estou a fechar alguns detalhes, não sei o quão plausível é levar algumas das coisas que eu quero levar. Também não quero estar a correr riscos de depois não acontecer e não ser tão bom (risos). Como é um programa de televisão nós temos algumas limitações de tempo de trocas e tudo mais, então há sempre uma ou outra coisa que pode não ser possível recriar no fim. 


Relativamente às tuas atuações, como é que escolhes a roupa, é uma continuação do teu dia a dia ou crias uma persona própria para o palco?

FS - É um bocado a mesma coisa, a única diferença é que se calhar cuido um bocadinho mais da maquilhagem. Não é em todos os concertos que eu vou mais montado. Há concertos em que estou um bocado mais assustado ou amedrontado, e acabo por também ficar um bocado mais standard, mais normativo na minha roupa, na minha maquilhagem. Há dias que no dia a dia até estou mais montado do que em concertos. A diferença dos concertos é que eu tenho ali normalmente uma hora antes de ir para o palco e tenho mais atenção ao detalhe da maquilhagem, às vezes não tenho e não consigo ter tanto cuidado. As roupas que eu uso em concerto são literalmente as roupas que uso no meu dia a dia, são as que eu tenho. A roupa que visto escolho em função de quão corajoso eu estou para assumir a minha expressão. Há dias em que não tenho de facto essa coragem porque me sinto olhado, não me sinto confortável com o julgamento dos outros. Por estar mais envergonhado, mais amedrontado acabo por não conseguir, porque ainda sinta alguma pressão, embora seja uma coisa em que já vou tendo cada vez mais confiança. 

És um artista muito associado ao transformismo e ao movimento queer, cada vez mais ao longo da carreira. Como é que tens gerido as reações?

FS - Tento ter cuidado para não ser confundido o espaço que eu ocupo. É uma coisa que é importante. Eu sei que tenho uma expressão queer. Acima de tudo é isso, logo faz-me assumidamente estar a defender um tipo de expressão. Eu não posso ocupar um espaço que não é meu. Eu nunca tive que sair do armário, por exemplo, é um espaço que é de alguém, eu não posso ocupar o espaço de uma voz homossexual ou transsexual. O meu sítio, o sítio que eu ocupo no espaço queer é acima de tudo de expressão, a minha expressão a nível de roupa e indumentária. É este o lado queer que eu tenho e naturalmente apoio todas as lutas interseccionais que possam haver. Sou completamente a favor da liberdade e da justiça. Tenho só de ter cuidado é com o espaço de fala que possa não ser meu. Aquilo que eu quero é poder andar vestido como bem me apetece, isto é a parte que me toca. O resto é a parte com quem eu sinto empatia e não tanto uma coisa que me toca diretamente. 
Acontece-me ser visto como homossexual e o problema disso não é eu estar a ser visto como homossexual, isso é me completamente indiferente, o problema é quererem que eu tenha a voz de alguém que sofre com uma coisa que eu não sofro. Eu posso sofrer com outros problemas, com outro tipo de julgamentos que se devem única e exclusivamente à maneira como eu me visto. Eu tenho uma relação empática por esses problemas, mas não posso falar por eles, não tenho esse direito, é um direito que é deles. Eu posso é dar-lhes espaço, dar visibilidade a essas pessoas para poderem falar, é isso que eu tento fazer quando introduzo essas temáticas nas minhas músicas. Espero que com isso as pessoas falem de um assunto e que ele se normalize. 

Revezo foi editado a 24 de janeiro pela Valentim de Carvalho em formato físico e digital. Podem adquiri-lo aqui.

Próximas datas de apresentação de Revezo:
14 Fevereiro - Porto, Maus Hábitos
28 Fevereiro - Vila Nova de Santo André
27 Junho - Lisboa, Centro Cultural de Belém

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Bing & Ruth regressam a Portugal em maio



Bing & Ruth, o aclamado coletivo de câmara contemporâneo liderado pelo pianista David Moore, regressa a Portugal em maio para dois concertos no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia 9 de maio, e no dia seguinte na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.

O anúncio foi feito hoje nas redes sociais do grupo americano, que promete trazer "muita música que não existia" nas anteriores digressões pela Europa e Estados Unidos. Depois de nos terem visitado pela última vez em 2017, ano em que editaram No Home of the Mind, quarto disco de originais e o primeiro pela 4AD, os Bing & Ruth apresentam-se mais uma vez em Portugal para apresentar os temas que irão fazer parte do seu próximo álbum. 

O concerto em Lisboa contará com a primeira parte da harpista espanhola Angélica Salvi, que traz ao palco o seu primeiro álbum a solo, Phantone.




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Ulfberth e First Came The Shadow passam pelo Woodstock 69 no final do mês


No final do presente mês, o palco do Woodstock 69 recebe UlfberthFirst Came The Shadow, em mais um evento organizado pela seteoitocinco.

A inauguração do evento brinda-nos com os portuenses Ulfberth, autores de Process of Clarity, o álbum estreia da banda que abalou a forma como a música pode ser intensa e reter a catarse das emoções através de um electrão de trovadoras melodias. Um álbum de múltiplas indecisões que não é nada simples de pronunciar ou rotular. O dado mais adquirido que a sua audição nos oferece é a batalha entre sentimento e a atitude e são as encantadoras linhas entre o ritmo e a harmonia. Que ele é fabuloso rumo a vários sentidos e alargadas satisfações, não pode haver dúvidas. 

Em estreia exclusiva em Portugal, os First Came The Shadow escolheram a cidade do Porto para integrar a digressão que irá passar por Espanha para a apresentação do seu primeiro álbum, que em breve será editado. A banda francesa, de Nice, estreou-se em 2018 com a edição do Ep Premonition, um conjunto de 5 temas absolutamente devastadores. Um mini-álbum de exímio e delicado encanto com pontas fortes na linha ambiental com os ingredientes de uns Mono e com as armas táticas com a qualidade de uns Caspian. Será uma experiência inédita e, seguramente, um conselho arbitrário a não perder.

Este evento acontece no dia 29 de fevereiro e tem hora prevista para as 22h30. O preço dos bilhetes é de 7 €.

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Festival Walk and Dance está de regresso a Freamunde com 16 artistas em cartaz


Está de regresso em abril a sexta edição do Walk & Dance. A ter lugar entre 8 e 11 desse mês em Freamunde, o festival duriense volta a dar grandes motivos para uma visita ao norte do país.

Nesta edição, o festival afirma a sua importância no panorama da música nacional, e por isso, a programação não poderia ser outra. Com uma escolha atenta, eclética e inclusiva, podemos encontrar nesta edição nomes já bem conhecidos como: ​Sensible Soccers​, ​X-Wife​, PAUS, David Bruno​, ​The Twist Connection​, ​White Haus e ainda, grandes apostas para o que aí vem como ​Bia Maria​, ​Rumours​, ​Foque​, GoBabyGo, ​Cafe Ena​, ​Cano Guru​ e ​Little Friend​. No final dos concertos a festa continua e há ainda espaço para a dança, Pedro Tenreiro​, ​Dj Farofa e ​Matko Destrokanov​ assumem as despesas do clubbing. 

Os bilhetes para o evento já estão à venda, custam 20 € (passe geral) e 10 € (passe diário).



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Vivien Le Fay - "Ecchymosis" (video) [Threshold Premiere]


The Neapolitan artist Vivien Le Fay is back with new visuals for "Ecchymosis", the fourth track taken from her latest studio album Ecolalia. Emerging from the magma of Mt. Vesuvius in Naples, Vivien Le Fay's work has a big focus on the sound and non-musical form with a free approach that doesn't stand in any particular "school". With a curriculum contemplating diverse experiences around genres such as noise, hardcore music or orthodox new wave, in Ecolalia Vivien Le Fay explores a whole new generation of electronics woven by sound design and experimental aesthetics. All of this within a core constructed under a mantle of avant-garde sensitivity.

"Ecchymosis" is being premiered today through a music video directed by the visual artist Sara Bonaventura where she intertwines frame by frame drawn/cut-out animation or stop motion, video synthesis, analog/digi shot, found-footage, embracing a DIY ethic and aesthetic. The video fits perfectly the sound staring by showing us the very beginning of something through some frames of what is looking like a cell. The footages start to get blur into a colorful artwork that suddenly changes their appearance as soon as the rhythms in the music take a different path, displaying us some random pictures of eyes.

The final message is up to you to solve. But you can check the video to get some hints.


Ecolalia - the debut album from Vivien Le Fay - was released on October 25th in vinyl and digital through the italian label Boring Machines. You can stream the full album and purchase your copy here

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PPSBA: Porridge Radio nas confirmações e nova data


Post-Punk Strikes Back Again (PPSBA) tem novidades: os britânicos Porridge Radio como nova confirmação e uma pequena alteração nas datas de realização do evento, antecipando o início para um dia antes. Assim, o festival acontecerá a 25 e 26 de setembro de 2020, sexta-feira e sábado respetivamente e não a 26 e 27 de setembro como anunciado anteriormente.

Já quase a fechar cartaz, juntam-se agora ao primeiro dia de festival o rock alternativo e experimental, com influências punk dos Porridge Radio. O quarteto de Brighton - considerado uma das próximas atrações no cenário contemporâneo, pela energia fervorosa que projeta ao vivo e pelas letras influentes para a nova geração - estreia-se assim em território português para apresentar os temas do novo álbum, Every Bad, que tem lançamento previsto para 13 de março pela Secretly Canadian e do qual já podemos ouvir quatro temas.


A quarta edição do PPSBA acontece nos dias 25 e 26 de setembro no Hard Club. Os bilhetes serão postos à venda assim que o cartaz completo for divulgado, o que acontece já no próximo mês de fevereiro. Todas as informações adicionais podem ser consultadas aqui.

POST-PUNK STRIKES BACK AGAIN 4 
HARD CLUB - 25 e 26 de setembro de 2020 

Female VOX Edition | 25.09.20 
Porridge Radio (Reino Unido)
Tamaryn (Estados Unidos) 
Tisiphone (França) 
Sofia Portanet (Alemanha) 
New Pagans (Irlanda do Norte) 

Male VOX Edition | 26.09.20 
I Like Trains (Inglaterra) 
Bärlin (França) 
Then Comes Silence (Suecia) 
Vlure (Escocia) 
Fabricators (Inglaterra) 
Plastic People (Portugal)

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