sábado, 29 de fevereiro de 2020

Kelly Finnigan estreia-se em Portugal com concerto no Auditório de Espinho


The Tales People Tell, lançado em 2019, é o álbum de estreia de Kelly Finniganartista soul que se apresenta hoje, pela primeira vez em Portugal e com apenas uma data em território nacional, no Auditório de Espinho

O multi-instrumentista americano faz-se acompanhado dos seus The Atonements para um concerto que promete resgatar a magia da soul dos anos 70, inspirada nos mestres que melhor a praticaram: Charles Bradley, Sharon Jones ou Lee Fields, sem descurar o talento e a experiência que Finnigan carrega enquanto membro dos Destruments e Monophonics

Os bilhetes ainda se encontram disponíveis para compra ao preço de 8 euros e podem ser adquiridos aqui


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Ash Code têm novo single, "1981" e uma Part Time Punks Session na mala


Os Ash Code regressaram esta semana à playlist, dois anos depois de Perspektive e com nova compilação - a conceituada sessão Part Time Punks Session - onde se inclui um novo tema intitulado "1981". Este novo disco foi gravado ao vivo no verão de 2019, nos estúdios Comp-NY em Los Angeles por Ben Hussey durante a primeira tour dos Ash Code nos Estados Unidos e engloba vários dos singles que marcaram a carreira do trio italiano ao longo dos últimos anos. O novo tema, "1981" foi apresentado esta sexta-feira (28 de fevereiro) e deverá o primeiro avanço do novo disco dos Ash Code, esperado para chegar às prateleiras no final do verão.

Juntamente com o lançamento desta nova edição, o projeto liderado por Alessandro (voz, programação), Claudia (sintetizadores, voz secundária) e Adriano (baixo) editou também um novo trabalho audiovisual para a nova mescla abrasiva de darkwave, "1981", que apresenta gravações e uma lírica inspirada na referida tour em território norte-americano. "1981" apresenta um novo trabalho vocal na discografia da banda e vê os Ash Code a aproximarem-se de sons melódicos e das atmosferas que marcaram o período "brilhante" do post-punk nos anos 80. O vídeo para "1981" foi dirigido por Elio De Filippo e pode ver-se abaixo.


Part Time Punks Session foi editado a 28 de fevereiro pelo selo Swiss Dark Nights. Podem compara a vossa cópia física e ouvir o resultado final aqui dentro.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

STREAM: Anytime Cowboy - Anytime Cowboy


Anytime Cowboy o projeto a solo do artista e designer gráfico Reuben Sawyer (The Column) edita hoje o primeiro disco de estúdio, um conjunto de 12 temas construídos ao redor de riffs de guitarra derretidos, construções minimais e uma vibe amplamente lo-fi a fustigar territórios de nomes como Syd Barret ou DIAT, num saudosismo que cruza referências dos anos 70 e 80. Numa sonoridade que é também camuflada por pequenos arranjos eletrónicos e traços mórbidos, Anytime Cowboy apresenta uma injeção curtinha de temas que conduzem aos territórios sonoros apaixonantes da música de poucos acordes e a todo um terreno solarengo made in California.

Do disco de estreia, que recebe o dístico Anytime Cowboy, já tinham anteriormente sido apresentados os temas "On The Narrow Streets" - a tecer uma gelatina experimental de ritmos situados entre o post-punk arcaico e o garage rock deprimido - e o aditivo-cativante "Chrome Angels". Além destes vale a pena destilar canções como a balada drogada "Display Case", a (des)coordenada "Crooked Nail" e o estranho e arrastado tema de encerramento "Private Host". Uma miscelânea rápida de rock lo-fi decadente, estremecido e dissolúvel, que se pode ouvir na íntegra abaixo.

Anytime Cowboy é editado esta sexta-feira (28 de fevereiro) em formato vinil e digital pelo selo Third Coming Records. O vinil traz um incrível trabalho artístico e pode ser adquirido aqui.


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Sreya anuncia novo álbum, Cãezinha-Gatinha



Cãezinha-Gatinha é o novo álbum de Sreya e o primeiro pela editora lisboeta Maternidade, que lança o segundo álbum de originais da cantora no dia 20 de março. "Calma Coração", o seu primeiro avanço, já se encontra disponível e vem acompanhado de um teledisco realizado por Madalena Fragoso.

O seu primeiro álbum, Emocional, chegou em 2017 e contou com a participação de um ainda pouco conhecido Conan Osiris, que assinou os créditos de produção. Cãezinha-Gatinha recebe a produção de Primeira Dama e Bejaflor (que também assina instrumentais de Chico da Tina) e traz uma nova frescura à pop melancólica da autora de "59 Estrelas".

O título do disco nasce da aglutinação de dois termos que Sreya usa para descrever a sua dualidade, omnipresente tanto na linguagem como nos sons, ambientes, cores e humores das suas criações artísticas. Dividido em duas narrativas distintas, Cãezinha-Gatinha reparte-se entre uma primeira metade "do frio", escrita durante a sua estadia na República Checa e que apresenta uma aura densa e melancólica, e uma segunda metade já composta em Lisboa, "no calor",  que apresenta uma energia mais alta, leve e acelerada. 




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STREAM: Iguana Garcia - Vagas


O novo disco de Iguana Garcia já pode ser ouvido em todas as plataformas digitais. Vagas é disco repleto de pop sentimental que encaixa no embalo de uma nova década. As apresentações estão agendadas para março, dia 20 no Ferro Bar no Porto, e dia 27 nos Anjos 70 em Lisboa numa festa que contará ainda com o dj set de DJ Quesadilla e uma exposição de pintura por Rita Gancho

Quando aterrou em 2017 com Cabaret Aleatório, Iguana Garcia (moniker de João Garcia) montou um laboratório pop experimental, entre o new age dos 1980 e o rock psicadélico. Música nómada, para viajar e dançar, em formato one-man-band. Em Vagas persiste a visão de um-só-homem que se deixou dominar pelas fantasias pop que estavam sugeridas no primeiro álbum.

O fascínio por transformar os sons de alguma electrónica e pop-electrónica do passado em aventuras presentes continuam a estar na mensagem existencial de Iguana Garcia. A grande transformação de Vagas dá-se pela vontade tornar as ideias e beats em canções, momentos curtos e doces, com a cativação da dança por via de uma balada sentimental. Vagas é todo ele uma balada sentimental, um convite à dança, ou a várias danças.

Oportunamente, abre com “Os Duros Não Dançam”, um convite a levantar o pé devagarinho – muito devagarinho – para se dar início a esta dança. A espera não é longa, ao terceiro tema, e primeiro single, “Horas Vagas”, o complexo foi vencido e já se está na pista a “beber o tédio” juntamente com Iguana Garcia. Porque há melancolia neste Vagas, a mesma que existe nas canções pop dos 1980 que se transformam em bombas de pista. 

Iguana Garcia quer que o ouvinte atravesse esta aventura emocional consigo. “Gengibre Jurássico” é o momento em que dão as mãos, num registo de hit obscuro que ilumina a mais teimosa das festas de aldeia no verão. Ficou de Cabaret Aleatório as visões psicadélicas e tropicais que Iguana Garcia transforma em belas melodias. Agora as melodias, as viagens, são também canções.

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Toda uma eletrónica abrasiva em "Morrows", o novo tema dos SURE


As correntes estéticas da darkwave e synthpop são amplificadas e exploradas em pormenor no disco de estreia dos franceses SURE, 20 Years, que chega às prateleiras já no próximo mês de março. Depois de terem mostrado ao mundo o aditivo "Twenty Years" - um colapso de energia negra a conjurar EBM, dark synths e uma veia tenuemente inspirada pelas vertentes da música techno - o trio está de regresso aos holofotes das novidades com o terceiro tema de avanço, "Morrows", mais uma faixa amplamente abrasiva a emanar uma energia contagiante 

"Morrows" é apresentado através de um trabalho audiovisual de autoria de Nicolas Di Vincenzo e Gregory Hoepffner, onde a força e a bravura das ondas do mar aparecem em plano de foco e a perspetiva humana de contemplação se emancipa no seu seio. Por trás fica toda uma interpretação a cargo do ouvinte e espectador. Segundo este novo tema a banda avança: 
"Antes dos eventos que mudam a vida, é fácil afogarmo-nos na melancolia do que estamos a deixar para trás, em vez de correr do desconhecido (...). A melodia persistente e os ritmos hipnóticos fazem lembrar a corrente do oceano, algo a podemos assistir sem parar, sem nos cansarmos".
O vídeo para "Morrows" é estreado esta sexta-feira e pode ver-se em primeira mão abaixo.


Formados por Michael, Nicolas Gregory em 2016, os SURE têm destilado uma sonoridade altamente potente vinda da batcave e que os colocou na ribalta de projetos a escutar nos próximos tempos após a edição do bastante aclamado single "Tasting Revenge" (2017). Três anos depois, regressam com o eminente 20 Years do qual já podemos ouvir "Twenty Years", "Precious Words", "Tasting Revenge" e este novo "Morrows", clicando aqui.

20 Years tem data de lançamento prevista para 20 de março em formato LP e digital pelo selo Weyrd Son Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui

20 Years Tracklist: 

01. What's Left 
02. Morrows 
03. Tasting Revenge 
04. Precious Words 
05. Twenty Years 
06. Another Girl 
07. Relief 
08. Lying Dead 
09. Sinking Story

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Isolated Youth de regresso aos EP's com Iris

© Marilia Fotopoulou

Cerca de um ano após a edição do muito aclamado EP de estreia Warfare, os suecos Isolated Youth voltam a colocar a essência frágil do romantismo na calha com Iris, o novo trabalho curta-duração que vem dar seguimento às temáticas sociais e humanas abordadas anteriormente com a estreia. O novo EP foi anunciado ao final desta quinta-feira (27 de fevereiro) na plataforma Bandcamp da banda e será composto por um total de cinco novos temas onde se inclui o já anteriormente lançado "ICT (Instalment Credit Transaction)". No alinhamento do novo trabalho faz ainda parte "Ferris Wheel", tema que a banda já apresenta ao vivo há algum tempo e que fez parte da setlist dos concertos por Portugal acontecidos em agosto passado.

Neste novo trabalho não se inclui o tema "Voodoo", a primeira novidade que o quarteto sueco lançou após a edição de Warfare. No entanto haverão mais cinco músicas que, a julgar pelo que os Isolated Youth nos têm mostrado ao longo dos últimos tempos, deverão confirmar o que já sabemos desde que ouvimos pela primeira vez aquele tão frágil "Safety": A melhor nova banda dos próximos tempos no cenário do post-punk contemporâneo. Quando se fartarem de esgotar concertos, não digam que não vos avisámos. Entretanto e até Iris ter posto de escuta garantido, é ir ouvindo "ICT".


Iris tem data de lançamento prevista para 20 de março em formato vinil pelo selo Fabrika Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Iris Tracklist:

01. Iris 
02. ICT (Instalment Credit Transaction) 
03. Humanoid 
04. 1984 
05. Ferris Wheel

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"BARBARA" dos ORDER89 é um convite inegável à pista de dança


Os ORDER89 (O89) são mais uma das novas pérolas do underground Parisiense. O trio formado Jordi (voz, guitarra, baixo) Flavien (sintetizadores) e Elliot (guitarra) lançou o ano passado o disco de estreia Bleu Acier - trabalho de dez canções intensas a explorar uma miscelânea de sons ora catárticos ora badalados, mas sempre pintados sobre um singular universo tingido de esperança e violência. O resultado é uma sonoridade límpida cheia de poder onde ganham destaque os sintetizadores vigorosos e toda uma vibe new-wave pronta para nos fazer dançar. Neste cenário e, depois de já terem lançado cá para fora os incendiários "Bleu Acier" e "Edward" chega a vez de nos porem a dançar com "BARBARA".

Apaixonados por sons futuristas e tendências estilísticas dos anos 80, os O89 vão-se posicionando, a passos largos, como um dos interessantes projetos a surgir nas entranhas do electro post-punk contemporâneo. Prova disso é o novo vídeo monocromático que chega esta sexta-feira (28 de fevereiro) a palco público. "BARBARA" é apresentado com grande foco na forma de um corpo feminino sem grande controlo nos seus movimentos de dança. Pelo meio surgem algumas filmagens de um cão, um ramo de rosas a pegar fogo e toda uma incontrolável vontade de movimentar o corpo à qual não vão ficar indiferentes. Ora experimentem:


Bleu Acier foi editado a 18 de outubro de 2019 em formato digipack e vinil pelo selo da vanguarda francesa Icy Cold Records. Podem ouvir o disco na íntegra e comprar a vossa cópia física por aqui.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Vivarium Festival regressa ao Porto no final de março


Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2017, o Vivarium Festival regressa ao Porto entre os dias 26 e 28 de março. Com um programa que cruza as áreas da música, performance, dança, artes visuais e pensamento, o evento volta a refletir sobre o impacto tecnológico nas artes e nas nossas vidas. Serão três dias de intensa programação que se estenderão à cidade: Passos Manuel, Armazém 22, Reitoria da Universidade do Porto, para além da casa-mãe, o Maus Hábitos. Em 2020, o festival ambiciona abrir um debate a partir da famosa frase de Rimbaud “Je est un autre”. Quer explorar aquilo que, pela auto-percepção da coisa viva, a diferencia do raciocínio das inteligências artificiais, com suas implicações no campo da estética e da ética. Esta exploração tomará corpo em exposições, performances, concertos e com a conferência “Je est un autre, instintos e instituições na era da tecnologia”.

No eixo do pensamento, o Vivarium organizará, assim, uma conferência de filosofia sob o tema "Je est un autre, Instintos e instituições na era da tecnologia", que contará com as participações de Laurent Goldring, Ana Falcato, Ernesto Costa, Leonel Moura, Alexandre Oliveira e moderação de Sofia Miguens. A mesma terá lugar no sábado, dia 28 de março, pelas 14h00 na Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto. 

Na música será possível assistir ao espectáculo especial dos Telectu, aqui desafiados a interpretar Belzebu & Off Off (1983-1984), o concerto dos Osso Vaidoso, projecto liderado por Ana Deus e Alexandre Soares; a compositora e multi-instrumentista Kelly Moran (na foto), o compositor de música electrónica Franck Vigroux, o produtor Lil Data e a estreia nacional da rapper americana Yatta.

Nas artes visuais, o Vivarium vai inaugurar exposições do americano Mark America, que no Porto vai apresentar uma selecção de vídeos onde explora as possibilidades do cruzamento, remistura de media, som, imagem e palavra, da identidade do autor e da sua obra; do francês Laurent Goldring, com um trabalho fotográfico e videográfico que tem como objecto a desconstrução do antropomorfismo; e Tiago Rorke, em parceria com MILL - Makers in Little Lisbon, apresenta PALAVRAS/CRUZADAS - uma composição visual generativa, interativa e colaborativa, baseada no jogo de mesmo nome, desenhado por uma plotter, enquanto os participantes enviam novas pistas ou resolvem as existentes. A destacar ainda a instalação Não tens cara de pau! do artista madeirense Marco Fagundes, a ter lugar no sábado pelas 21h30 nos Maus Hábitos.

A performance que, este ano, terá como palco principal o Armazém 22, contará com as apresentações de Youtopia, de Gustavo Monteiro (sábado, dia 28 março, 21h00), uma apresentação que questiona e desconstrói os ideais da originalidade aberta e sarcasticamente imitando (ou plagiando) as imagens de antepassados artísticos e da cultura de massas no Youtube. Na sexta, dia 27, também pelas 21h00, será estreada a performance The Perception Of, um diálogo entre a dança de Eva Klimackova, as imagens de Laurent Goldring e a poesia de Gherasim Luca. Sentir, mover, entender, dizer de repente tornam-se operações para descobrir a infinidade de estranheza de um ser vivo que resiste a qualquer classificação. 

A programação completa-se com o clubbing, este ano integrando um ciclo de curadorias entregues a festas de coletivos regulares do Maus Hábitos, e mais uma edição do E—X—S—I Encontro Expressões entre o Som e a Imagem, que propõe uma reflexão sobre a articulação entre a prática e a investigação contemporânea nos diversos domínios do som e da imagem.

Mais informações sobre este evento podem ser encontrados no site do festival.

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[Review] LARME BLANCHE - Demain Est Mort


Demain Est Mort | Unknown Pleasures Records | janeiro de 2020
8.0/10

O projeto de pop militar LARME BLANCHE - um dos mais sinistros e incógnitos projetos da atualidade a atuar nos campos da darkwave e música sintetizada - lançou o mês passado um trabalho bastante interessante para os fãs das ondas musicais mais negras, Demain Est Mort. Pouco se sabe sobre LARME BLANCHE. O projeto sediado em Paris traz, na identidade, um mistério subliminar que se marca grande na imagem que projeta na mente do consumidor: uma máscara, um homem e uma eletrónica ora cativante, ora densa e imersiva, que viaja num horizonte amplo de espectros sonoros. 

Demain Est Mort é o primeiro trabalho longa-duração na carreira do artista e torna-se uma edição ainda mais especial se tomarmos em consideração que vem acrescida de um acontecimento singular: em seis anos de atividade como editora, esta é a primeira vez que a Unknown Pleasures Records "assina contrato" com um artista cuja identidade real é desconhecida. A razão, incorpora todo um enriquecido mundo lírico - lúcido e desiludido - que se envolve numa poesia e atitude irreverente. Se pouco há para apresentar sobre a história do artista fixemo-nos então na obra para descobrir mais. 

A abrir espaço sonoro com ambiências bastante Boiler Room-ish em "Paris La Nuit" - aquele que é talvez um dos hits deste novo disco -, LARME BLANCHE começa por mostrar um retrato bastante real da decadência da nova Paris: "Paris la nuit, tu sens la mort, le crack et l’ennui". Às escuras da luz do dia a cidade é um pedaço narcótico de tédio, autodestruição e abatimento social. É pois, neste cenário de sinceridade sinistra auspiciosamente engenhosa e esbatida pela eletrónica que, LARME BLANCHE começa por consciencializar o ouvinte que Demain Est Mort é um disco mais pesado que aparenta e Paris não é uma cidade tão linda como os postais retratam. 



Prosseguimos ritmos com "88Mph" e LARME BLANCHE aproveita a deixa para fazer cair um pouco da máscara: "Je suis un romantique, dépressif // J’aime Joy Division et le spleen des Smiths // Je suis un androgyne compulsif // David Bowie jusqu’au bout de ma vie // Je suis un guerrier subversif (…) J’ai le Velvet dans le sang Et Suicide dans le cœur". OK, então até agora temos: LARME BLANCHE vive numa Paris deturpada, gosta de Joy Division, Smiths, David Bowie, Suicide, Velvet Underground, Death In June, NON e Sol Invictus é um romântico deprimido, guerreiro, compulsivo e compõe grandes malhas com caixas de ritmos e conjugações sonoras altamente aditivas. 

Seguem-se, portanto duas potentes faixas envoltas em ritmos abrasivos e atmosferas altamente poderosas que nos permitem explorar mais: "Nibiru" - uma faixa que aborda o quão destrutivo o amor pode ser - e "Taiga" - um reflexo sobre a crueldade humana e a necessidade de agir perante um mundo em decadência: "C’est le malaise tout autour de moi // Culture du vide et de l’ego roi” (…) Alors que se profile la sixième extinction de masse // Il m’apparaît de plus en plus clairement et simplement // Que je préfère mon chien //  À tous ces putains d’humains!". LARME BLANCHE não quer saber da extinção da raça humana, mas o bem-estar e beleza da natureza e dos animais são preocupações claras. Contemporâneo no som e na atitude. 



Com "L'Obscurité De Tes Doigts" a fazer-se escutar no alinhamento somos também expostos a um novo ambiente sonoro e traços de personalidade que LARME BLANCHE até então não nos tinha mostrado evidentes. Há uma força explorativa de sonoridades industriais num tema absolutamente experimental e de produção rigorosa. O mais curioso é que esta foi a primeira música que o artista da máscara compôs para este projeto. Foi pois, neste ambiente de sintetizadores distorcidos e surrealistas que LARME BLANCHE quis deixar uma das suas influências no cinema - Gaspar Noé - especialmente no filme Enter The Void, que o próprio afirma ser o seu filme preferido de todos os tempos. Nesta onda e, inspirado por correntes como a EBM e o techno mais dark, LARME BLANCHE segue viagem com "Seppuku" - a vestir-se de uma sonoplastia inicial que inclui samples de uma gravação de voz de Yukio Mishima. Um tema profundamente existencialista que fala sobre escolhermos o nosso próprio destino, com base em convicções e ideiais: "Je préfère mourir debout // Que m'agenouiller devant // Tous ces fous". Pois bem, chegamos assim à conclusão de que LARME BLANCHE é um homem de ideais e prefere morrer de pé do que ajoelhar-se perante loucos. Um dos grandes! 

Mas não ficamos por aqui no que toca a surpresas. Na sequência do alinhamento rapidamente somos emancipados por todo aquele lado clássico presente em "Overdose D'Epicure", um tema profundamente enriquecido pela presença espontânea do saxofone de Quentin Dubarry a conduzir este tema a um arrojo estético altamente apaixonante. Uma das maiores pérolas deste Demain Est Mort e mais um tema a trazer algumas referências cinematográficas à mistura, nomeadamente o Blue Velvet de David Lynch. Antes da despedida, o tema mais político de todo este trabalho, "Assez!". A abrir com uma atmosfera retrowave meia marciana, pode ouvir-se posteriormente na letra, "Quand rouge et brun, virent au jaune // Paris cramé, Paris calciné", uma clara referência à crise dos coletes amarelos e aos caos que emerge quando dois ideias extremistas entram em conflito. 



Por fim, "Le Dernier Soupir" esculpe, no meio de camadas eletrónicas psicologicamente densas e de aparência industrial, um sample vocal introdutório a fazer lembrar o clássico monólogo de Lucky na peça En attendant Godot. Para esclarecer qualquer mal-entendido o início de "Le Dernier Soupir" é construído ao redor do discurso de André Malraux, feito no funeral de Jean Moulin, um herói francês da II Guerra Mundial. A faixa mais longa do disco abre com um clima tenso que acaba por culminar num final incendiário, especialmente naquela mudança abrasiva de ritmo sentida por volta dos quatro minutos de avanço, onde as caixas de ritmo e as pinceladas da minimal-wave voltam a estar em foco. É, neste ambiente de vibrações altamente propícias à dança, que se termina a análise de todas as informações recolhidas sobre LARME BLANCHE: sinistro, interessante, romântico deprimido, idealista e claro, um pouco revolucionário no carácter. 

Demain Est Mort é um disco que mostra mais sobre o projeto parisiense do que o seu rosto poderia alguma vez revelar. Ao longo de nove músicas ora estimulantes, ora desafiantes e construídas ao redor da exploração de uma eletrónica da vanguarda, LARME BLANCHE apresenta-nos todo um lado eclético e sem limites que surpreende essencialmente por nunca cair na monotonia. Demain Est Mort é um álbum que foge às conceções tendencialmente estilizadas na eletrónica influenciada por correntes obscuras, sendo um bom pontapé de avanço para uma carreira musical que só agora começa a ganhar formas. Se nestas nove músicas já sabemos que LARME BLANCHE além de misterioso é um projeto extremamente interessante e repleto em referências culturais, certamente que as futuras edições trarão mais surpresas. Até lá é consumir Demain Est Mort.



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Festival Apura leva LVI e Jesus the Snake ao Salão Brazil


O Festival Apura, em 2020, à semelhança das edições anteriores, irá desenvolver alguns eventos isolados com o objetivo de continuar a ser uma plataforma de exposição artística de projetos nacionais que queiram apresentar as suas obras na cidade de Coimbra.

Como tal, o primeiro evento do Festival Apura em 2020 será já dia 28 de Fevereiro (Sexta-Feira) no Salão Brazil, em que serão apresentados dois projetos artísticos no palco histórico conimbricense: LVI e Jesus the Snake. As actividade continuam com É UMA ESPÉCIE DE RAVE, no Edifício Aqui Base Tango, no espaço ODD, com a presença de dois artistas emergentes, Willow (604 Freaks Records) e Taxsh.

O bilhete para as atuações no Salão Brazil têm o custo de 6€. 



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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

MC Yallah & Debmaster juntam-se à programação da ZDB


Em abril, a Galeria Zé dos Bois recebe a estreia nacional da rapper ugandesa MC Yallah, que atua no espaço lisboeta ao lado do produtor Debmaster. Kubali, o álbum de estreia da dupla, é o mote para a atuação que acontece no dia 3 de abril (atuam na mesma semana no festival Tremor, nos Açores). 

Mais uma amostra da sempre fértil cena eletrónica do Este de África, que tem vindo a receber justos aplausos da crítica especializada com os mais variados lançamentos da Nyege Nyege Tapes, MC Yallah atingiu maior falatório aquando do lançamento de Ndi Muzaki, single distinto que contou com a produção de Jay Glass Dubs e que marcou a sua estreia pela Hakuna Kulala, o mesmo selo que editou o seu primeiro álbum, Kubali. A produção robusta, a cargo do francês Debmaster, assim como a entrega e flow alucinantes de Yalla valeram à dupla uma honrosa menção na lista dos melhores lançamentos de 2019 para a Wire, que colocou o disco na 13ª posição.

A primeira parte do concerto estará a cargo de a lake by the moon

Os bilhetes já se encontram disponíveis e possuem o custo único de 8 euros.



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Sessa vai a Paredes de Coura


Antigo membro e fundador da banda paulista Garotas SuecasSessa já é um nome conhecido para os mais atentos à cena musical brasileira e americana. Grandeza não é apenas o seu disco de estreia, é também uma afirmação na sua carreira a solo, a descoberta de um espaço que lhe permite explorar a sua visão sobre aquele que é o enorme território sonoro brasileiro. São onze temas que nasceram como uma homenagem ao seu país, onde nos cruzamos por caminhos traçados por Caetano Veloso e Tom Jobim: a visceralidade e sensualidade a cada palavra e os melódicos arranjos sonoros. A complexidade na arte de Sessa surge do esforço de condensar toda a riqueza de ritmos e texturas da música cantautoral brasileira. Um novo caminho para descobrir na 28.ª edição do  Vodafone Paredes de Coura
 
Sessa junta-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom Band, Yellow Days, Daughter, Floating Points (Live), BADBADNOTGOOD, Boy Harsher, Pinegrove, Viagra Boys, L'Impératrice, Beabadoobee, Nu Guinea (Live band)박혜진 Park Hye JinslowthaiPrincess Nokia, Mall Grab, Antal, SoulwaxYves Tumor & Its BandCrumb e Sudan Archives para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite, See Tickets locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€. Está também disponível a compra do passe geral para o festival através do site da Via Verde, este inclui também estacionamento gratuito, 25% desconto na portagem e ainda 8€ em combustível.


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Já são conhecidos os primeiros nomes do FMM 2020


O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, o festival da “música com espírito de aventura”, regressa a Sines e Porto Covo de 18 a 25 de julho de 2020. 

As primeiras confirmações do programa de concertos desta 22.ª edição são Amadou & Mariam with Blind Boys of Alabama (Mali / EUA), Ava Rocha (Brasil), Mon Laferte (Chile), Niño de Elche (Espanha), Nitin Sawhney (Reino Unido), Rasha Nahas & Band (Palestina), Rhiannon Giddens with Francesco Turrisi (EUA / Itália) e Third World (Jamaica).

A 22.ª edição do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo realiza-se de 18 a 25 de julho de 2020. De 18 a 20 de julho, o festival estará sedeado na aldeia de Porto Covo. No dia 21, transita para a cidade de Sines, onde permanece até dia 25.

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Old Time Relijun - "We Start The Fire" (single) [Threshold Premiere]


The chameleonic American outfit Old Time Relijun has reunited after a 10-year hiatus period and is now back to scene with some exciting news: a brand new album is being cooked and a tour around Europe is being prepared, which will also be their first in Europe in the last 12 years. The tour also celebrates the 25th anniversary of Old Time Relijun's date of formation.

To celebrate the fact this Wednesday the Washington-based trio is premiering the first new outcome from the upcoming album, expected to hit the shelves in the Fall. Titled "We Start The Fire" the new single explores an experimental and groovy jelly with catchy tunes and eclectic instrumentation, and is conducted over an entertaining voice work bringing to memory the LCD Soundsystem leader, James Murphy. "We Start The Fire" shows us a little bit of the mark that Old Time Relijun has been working out over the years giving us a sweaty, compulsively danceable track ready to be consumed in a loop.


If you are interested in getting to know how they sound live and in case you are living in the roots of Europe, make sure to catch them in your favorite city!

OLD TIME RELIJUN LIVE

April 16 Milano (IT), Serraglio 
April 17 Verona (IT), Kroen 
April 18 Ivrea (IT), ZAC 
April 19 Bologna (IT), Freakout 
April 21 Madrid (ES), Wurlitzer Ballroom 
April 22 Lyon (FR), Le Sonic 
April 23 Schaffhausen (CH), Taptab 
April 25 Paris (FR), Gare XP 
April 26 Cherbourg (FR), L’autre Lieu 
April 28 Liverpool (U.K.), Kazimier Stockroom 
April 29 London (U.K.), PinUps 
April 30 Lille (FR), La Malterie 
May 1 Bruxelles (BE), Magasin 4 
May 2 Leffinge (BE), Café De Zwerver 
May 3 Mannheim (DE), Brandherd 
May 5 Halle (DE), Hünermanhattan 
May 7 Prague (CZ), 007 
May 8 Vienna (AT), Klanggalerie 
May 9 Nova Gorica (SLO), Mostovna 
May 10 Padova (IT), Centro d’Arte

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Gong juntam-se ao cartaz do Gouveia Art Rock 2020



O Gouveia Art Rock, considerado um dos mais importantes festivais de música progressiva da Europa, confirmou hoje a presença de mais um nome histórico da música contemporânea. O grupo britânico Gong, do falecido Daevid Aellen, junta-se aos já confirmados Fil'mus, The Knells e Soft Machine (que Aellen ajudou a fundar).

Mais um dos nomes fundamentais da cena de Canterbury, tal como os Caravan e Soft Machine, os Gong exploraram uma paleta musical diversa que cruzou jazz, psicadelismo e rock progressivo de modo distinto, e são hoje tidos como figuras pioneiras do rock espacial. Pela sua formação, sempre em mutação, passaram figuras tão notáveis como Charles Hayward, Steve HillageKevin Ayers e  Bill Bruford.

A atual formação dos Gong, que acompanhou o fundador Daevid Allen na gravação do seu último álbum, I See You (2014), é composta por Kavus Torabi, Dave Sturt, Fabio Golfetti, Cheb Nettles e Ian East, que editaram os mais recentes álbuns do grupo – Rejoice! I’m Dead!, de 2016, e o novo The Universe Also Collapses, de 2019.

A 17ª edição do Gouveia Art Rock acontece nessa mesma cidade no fim de semana de 1 a 3 de maio.


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Blind Delon de regresso com o intenso "I Have No Fear"

© Tristan Haddad

Os Blind Delon estão de regresso com novidades, desta feita em formato curta-duração com o EP People of God, que é composto por dois temas inéditos e ainda dois remixes dedicados com assinatura de Maelstrom e Umwelt e chega às prateleiras no próximo mês de março. Esta nova edição vem dar sucessão a The Sheep (2019) - também ele um EP de duas faixas com dois remixes dedicados - e dela já podemos ouvir o primeiro tema de avanço "I Have No Fear", abrasiva faixa a puxar os Blind Delon para um percurso cada vez mais na vanguarda da eletrónica dark e mais afastado dos sintetizadores floreados que marcaram os primeiros registos.

A banda que se formou em 2016 como o projeto a solo de Mathis Kolkoz é agora um trio ao qual se juntam Théo Fantuz (Memento Maurice) e Coco Thiburs foi buscar influências para gravar este novo trabalho aquando a sua residência numa vila próxima de Roma, tecendo uma obra que se divide em dois capítulos. O primeiro foi mostrado esta semana sob o cunho "I Have No Fear" e pode ouvir-se abaixo.



People of God tem data de lançamento prevista para 20 de março em formato vinil e digital pelo selo Intervision. Podem fazer pre-order do disco aqui.

People of God Tracklist:

01. I Have No Fear 
02. I Have No Fear (Maelstrom Remix) 
03. The New Prayer 
04. The New Prayer (Umwelt Remix)

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Paredes de Coura confirma Sudan Archives


A compositora e produtora autodidata Brittney Parks aprendeu a tocar violino enquanto jovem em Cincinnati, cidade onde cresceu em Ohio. O seu padrasto, Derrick Ladd – empresário musical que trabalhou com L.A. Reid e Babyface – introduziu Parks e a irmã gémea a uma carreira pop, mas esta primeira abordagem na indústria foi de curta duração.  Após a mudança para Los Angeles, e os conhecimentos em tecnologia musical através do uso de um tablet, Sudan Archives começou a produzir sonoridades misturadas com voz e instrumentos de corda e a criar composições cada vez mais inspiradas na sua paixão pela música Sudanesa.  

O EP homónimo surgiu em 2017 e foi logo seguido pelo lançamento de Sink. Na produção do seu primeiro LP, Athena (2019) Sudan Archives contou com a participação de vários convidados, como Paul White, Rodaidh McDonald e Wilma Archer.
 
Sudan Archives junta-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom Band, Yellow Days, Daughter, Floating Points (Live), BADBADNOTGOOD, Boy Harsher, Pinegrove, Viagra Boys, L'Impératrice, Beabadoobee, Nu Guinea (Live band)박혜진 Park Hye JinslowthaiPrincess Nokia, Mall Grab, Antal, SoulwaxYves Tumor & Its Band e Crumb para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite, See Tickets locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€. Está também disponível a compra do passe geral para o festival através do site da Via Verde, este inclui também estacionamento gratuito, 25% desconto na portagem e ainda 8€ em combustível.


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