sábado, 14 de março de 2020

Morreu Genesis P-Orridge, vocalista dos Throbbing Gristle e Psychic-TV



Genesis Breyer P-Orridge, pioneiro da música industrial e membro fundador dos Throbbing Gristle e Psychic TV, morreu hoje, dia 14 de março, aos 70 anos. A notícia foi dada por Ryan Martin, co-fundador da editora Dais Records, e confirmada pelos dois filhos do artista britânico, Genesse e Caresse P-Orridge. P-Orridge foi diagnosticado com leucemia mielomonocítica crónica em 2017 e encontrava-se em tratamento desde então.

Músico, poeta, performer e ocultista inglês, P-Orridge foi peça fundamental no desenvolvimento da música industrial. Considerado o progenitor do género, fundou em 1969 o coletivo transgressivo COUM Transmission, cujo trabalho se expandia pelos terrenos da performance, instalação e improvisação sonora. O fim do coletivo, em 1976, deu origem aos históricos Throbbing Gristle, grupo que partilhava com Cosey Fanni Tutti, Chris Carter e Peter Christopherson e que nos ofereceu fraturantes obras como o álbum de estreia The Second Annual Report, editado em 1977 pela sua Industrial Records, ou o quintissencial 20 Jazz Funk Greats, de 1979. A banda terminou em 1981, reunindo-se duas décadas depois para uma digressão que chegou a contemplar Portugal. Ao todo, lançaram 9 álbuns de estúdio.

Em 1982, P-Orridge e Peter Cristopherson, metade inseparável dos seminais Coil, formaram os Psychic TV. Inspirados pelas movimentações psicadélicas dos anos 60,  a banda, que explorou também a performance e a videoarte, lançou importantes discos como Pagan Day, de 1984, e Allegory and Self, de 1988 (posteriormente reeditados pela Dais Records/Sacred Bones em 2017). Em 2014, o grupo atuou no festival Reverence Valada, no Cartaxo. 

Para além do seu trabalho enquanto músico e artista disruptivo, P-Orridge, que se identificava pelos pronomes 's/he' e 'h/er', ficou conhecido pelo "Pandrogeny Project", processo encetado em 1993 onde o músico e a então esposa Lady Jaye, que faleceu em 2007, sujeitaram-se a vários tratamentos cirúrgicos de modo a assemelharem-se como um único ser “pandrógino”.





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sexta-feira, 13 de março de 2020

Window trazem a EBM ao rubro em "Ashen"


Window é um dos segredos mais bem guardados de Dylan Travis (Some Ember) em conjunto com Reuben Sawyer (The Column, Anytime Cowboy). O projeto - que conta já com alguns anos de existência ao lado de editoras de culto do mundo underground, como é o caso da Total Black e da Fallow Field - junta agora forças à iminente editora da vanguarda, a Third Coming Records, para mais um curta-duração na carreira que traz o EBM e a eletrónica crua ao seu virtuosismo mais poderoso. Intitulado Endless Cycle o novo EP apresenta um grande foco na exploração de caixas de ritmo, vozes carregadas em ira e todo um mundo de sintetizadores contemporâneos a beber influências ao industrial e ao techno mais obscuro.

Juntamente com o anúncio do novo trabalho a dupla avança esta sexta-feira (13 de março) com o primeiro avanço de Endless Cycle, o tema de abertura "Ashen" que inaugura a pista de dança uma sonoridade abrasiva, hipnótica e rude. Numa energia amplamente brutal e um clima de destruição os Window apresentam uma música de confronto e agonia perante um mundo cruel e tão incerto. Enquanto o EP não chega às plataformas de streaming aproveitem para se familiarizar com "Ashen", abaixo.


Endless Cycle EP tem data de lançamento prevista para 27 de março em formato cassete pelo selo Third Coming Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Endless Cycle Tracklist:

01. Ashen 
02. Desert 
03. Endless Cycle 
04. Carbon Privada 
05. The Stone

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Bärlin - "Black Heart" (video) [Threshold Premiere]

© Florent Bibaut

In less than a month the magical aura of Bärlin's music is receiving a new chapter. Today, to low down the anxiety that prevails since they released the astonishing "The Dust Of Our Dreams", the French rock-fusion outfit is premiering another magical landscape in a form of a music video for the charismatic single "Black Heart". In a video that mixes footages of the band playing with some green-orange ambiances, the new single makes evident that even a black heart can be full of colorful emotions and enriched by full experiences that want to be shared with other's hearts.

The clarinet has always been a distinct element in the sentimental aura of Bärlin's work. The way they inject those sensitive and memorable notes in a music world that, in a way, also conjures the catastrophic sensations of being, made they became one of the most interesting acts to get loose on. They have shown it already live - when frozen us with their outstanding performance at the goth festival - and keep exploring that sensation in the studio, with the new single "Black Heart". 

Bärlin's music atmosphere is enriched with some of the most minimal but still stunning elements they create by fusing jazz with rock in order to entice the listener. The result is a charming environment that works around time's exploration, the contrast between keen and grievous vocals and a musical sensitivity not easily overlooked. You can catch that essence by checking the new "Black Heart" single below. The video was directed by Steve Ollagnier of Les 87 Revanchards.


The Dust Of Our Dreams is set to release on March, 27th. The album will be released in vinyl and CD and you can pre-order your copy here.

Bärlin will be back in Portugal on September 26th in order to play the fourth edition of Post-Punk Strikes Back Again, a two-day festival happening in the city of Porto. You can find additional information here.


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quarta-feira, 11 de março de 2020

Explosions in the Sky vão a Paredes de Coura


Graças às intensas performances ao vivo que desde o início da carreira, os Explosions in the Sky tornaram-se um dos maiores fenómenos do pós-rock. Para além da atenção captada pela indústria musical, os seus temas são muitas vezes utilizados em bandas sonoras de filmes, séries televisivas e videojogos. 

O quarteto natural do Texas, que já conta com mais de 20 anos de carreira, é composto por Mark Smith e Munaf Rayani nas guitarras, Michael James no baixo e Christopher Hrasky na bateria. O primeiro disco, How Strange, Innocence (2000), foi lançado através da editora independente Temporary Residence e, desde então, surgiram mais oitos álbuns que continuam a afirmar os Explosions in the Sky como uma das principais bandas do movimento pós-rock internacional. 

Explosions in the Sky juntam-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom Band, Yellow Days, Daughter, Floating Points (Live), BADBADNOTGOOD, Boy Harsher, Pinegrove, Viagra Boys, L'Impératrice, Beabadoobee, Nu Guinea (Live band)박혜진 Park Hye JinslowthaiPrincess Nokia, Mall Grab, Antal, SoulwaxYves Tumor & Its BandCrumb, Sudan Archives, Sessa, The Murder Capital e HAAi para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite, See Tickets locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€. Está também disponível a compra do passe geral para o festival através do site da Via Verde, este inclui também estacionamento gratuito, 25% desconto na portagem e ainda 8€ em combustível.

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Russian Circles. A motivação de Blood Year era fazer um disco que refletisse a intensidade ao vivo


Sob o signo de Blood Year, o seu sétimo álbum, o trio de post-metal de Chicago, Russian Circles, vão regressar a Portugal para duas atuações, 18 de Março no Hard Club, no Porto, e no dia seguinte no LAV – Lisboa ao Vivo [CONCERTOS CANCELADOS, ler comunicado no fim do artigo].

Em entrevista com a banda tentámos perceber como é que ao longo da sua carreira conseguem manter o seu processo criativo fresco e interessante e, de uma vez por todas, perceber o que raio é que aconteceu em Lisboa para terem criado uma música com o nome da capital portuguesa.

Blood Year é o vosso sétimo álbum. Como é que uma banda tão experiente aborda o processo de gravação neste ponto da carreira?

Russian Circles (RC) - Ainda há alguma incerteza sobre como será o processo criativo, apesar de termos gravado até agora sete álbuns. Simplesmente não sabemos o que vai ressoar com todos da banda. Estamos sempre a tentar encontrar um espaço coletivo onde todos se sintam satisfeitos e, como todos envelhecemos e passamos por experiências diferentes, teremos sempre que recalibrar a nossa abordagem. Por fim, sempre será uma questão de três pessoas se reunirem numa sala e criarem vários riffs, mas nunca sabemos realmente como será o resultado.

Porquê a escolha de Blood Year como título do álbum? Foi um ano difícil para vocês?

RC- O nosso álbum anterior teve o nome de Guidance porque sentimos todos que estávamos à beira dessas grandes mudanças nas nossas vidas particulares, mas não sabíamos onde íamos parar. Fizemos tours bem duras por mais de dois anos e lidamos com algumas realidades bastante pesadas no processo. Houve alguns sustos de saúde na banda, dois membros em mudança de casa em pontos diferentes do país e vários outros detalhes privados que não são particularmente interessantes, mas que certamente impactaram as nossas visões do mundo. Nenhum dos detalhes é crucial para entender o tom do álbum, embora eu ache seguro dizer que definitivamente houve uma forte sensação de catarse com Blood Year.

Qual foi a vossa motivação antes de começarem a gravar este disco? Qual é o background de Blood Year?

RC - Fizemos uma tour pesada na promoção de Guidance, que não estava no plano inicial, mas tivemos também muitas oportunidades e conseguimos aproveitá-las, e depois de três anos no ciclo do álbum, todos concordamos que precisávamos de tornar o próximo álbum mais reflexivo das nossas atuações ao vivo. Nós gostamos de fazer discos dinâmicos, mas no palco gravitamos em direção a coisas mais pesadas e agressivas, por isso a motivação por trás de Blood Year era fazer um disco que refletisse a intensidade ao vivo.

Como foi a experiência de gravação neste disco? Tentaram algo de diferente?

RC - Não queríamos pensar demasiado nas coisas. Nos últimos álbuns tínhamos concedido tempo extra no estúdio para desenvolver certas ideias e experimentar com a produção, mas desta vez queríamos que tudo fosse simplificado. Usei bem menos efeitos de pedais e concentrei-me em tentar escrever coisas menos ligadas a tonalidades específicas. Tendemos a envolver-nos bastante na cena pós-rock, e tentámos ativamente evitar algumas das armadilhas desse estilo.

Este álbum foi produzido por Steve Albini, como foi trabalhar com uma personagem tão lendária?

RC - Gravamos no estúdio do Steve Albini, Electrical Audio, mas o Albini não teve nenhum papel no álbum. Contámos com o Kurt Ballou para projetar e produzir Blood Year porque gostámos de trabalhar com ele no Guidance.

Neste álbum têm uma música intitulada “Milano”, qual é a história por trás dessa faixa?

RC - Essa surgiu rapidamente. O Mike (nosso guitarrista) tinha vários riffs que funcionavam bem juntos, incluindo esta linha de guitarra abandonada que, por qualquer motivo, nos lembrou a banda sonora de The Godfather. Ele estava a mostrar-nos esses riffs durante um ensaio e, em vez de discutirmos um monte de arranjos diferentes, decidimos pegar neles e praticamente decidimos a estrutura da música depois de uma ou duas passagens. Habitualmente, isto envolve muitas conversas, planos, mistura de partes, edições, e ajustamentos, mas isto como que encaixou tudo no lugar. Íamos nomear a música em homenagem ao nosso amigo promotor Corrado, de Milão, por causa de toda a história de Godfather, mas estávamos preocupados que os americanos pensassem que era uma referência ao antigo modelo da Volkswagen dos anos 80.


Esta não é a primeira música com o nome de uma cidade. Estão apegados a essas cidades que vos inspiram a escrever as músicas?

RC - Sim. Muitas vezes são referências aos sítios onde os primeiros fragmentos iniciais da música foram escritos. Tipo, "Lisboa" foi baseado num fragmento de música que o Mike escreveu numa das nossas tours por Portugal. "Geneva" foi escrito numa casa na floresta perto do lago Geneva, em Wisconsin. Os títulos são apenas pequenas diretrizes para nos lembrar de onde o material se originou, mas não são o contexto necessário para o ouvinte.

Gostam de viajar ou consideram-se viajantes?

RC - Eu gosto de fazer tours e ir a novos lugares. Mas também acho que grande parte do meu tempo é gasto fora de casa que, quando não estou em tour, só quero aproveitar Seattle e os arredores do noroeste do Pacífico.

A vossa música é principalmente instrumental, é difícil ligarem-se ao público quando não tem letras na música?

RC - De modo algum. Acho que a ausência de letras permite que nossa música ressoe com um público mais amplo. Não há distração de uma personalidade maior que dite o assunto do material, para que as pessoas possam projetar os seus próprios sentimentos na música.

Acham que o processo de compor músicas com voz é muito diferente ou mais fácil do que a criação de composições instrumentais?

RC - As vozes costumam servir como ponto focal. Elas conduzem o humor, enfatizam as coisas, fornecem contexto. Deixando tudo isso de lado, temos de garantir que a música é forte o suficiente para se sustentar sozinha. Suponho que isso torne um pouco mais difícil, porque a música precisa de ser envolvente por conta própria, mas muitas das músicas que eu gosto parecem ter um vocalista apenas por expectativa cultural. Muitos ouvintes do punk, metal e hardcore tratam as vozes quase como uma reflexão tardia. Alguém já ouviu black metal e pensou "caramba, estas vozes realmente levam a banda ao próximo nível"? Metade do tempo, nem se consegue discernir o que está a ser cantado. Não estou a tentar desrespeitar essas bandas ... as vozes ainda desempenham um papel textural no álbum e um papel de entretenimento no palco. Mas a maioria das pessoas provavelmente está a concentrar-se nas guitarras e na bateria, certo? Um bom vocalista de black metal não vai salvar uma banda de merda.



Quais são as vantagens e desvantagens de ser uma banda pequena (apenas 3 membros) na composição de música instrumental?

RC - Não acho que haja desvantagens. Há menos opiniões. Menos conflitos de agendamento. Menos pessoas a pagar. Menos pessoas a amontoarem-se no palco. Menos batalhas de frequência.

A vossa banda apareceu numa mistura de pós-metal e pós-rock, ainda acham que o público se identifica com esse tipo de género musical?

RC - Eu realmente só ouço falar de pós-metal e pós-rock quando somos entrevistados. Caso contrário, esses géneros não significam muito para nós. Eu sei que existem pessoas por aí que gostam da nossa banda e gostam de muitas coisas que são sonoramente semelhantes ao que fazemos. Mas estamos apenas a ouvir Guru Guru e Mortiferum e a tentar escrever músicas que nos fazem felizes. Não estamos preocupados com a forma como as pessoas o categorizam.

Daqui a quatro anos a vossa banda celebrará o 20º aniversário, sentem a necessidade de renovar o vosso som? Se sim, como a banda faz isso?

RC - Não iremos forçar mudanças na banda. Nós vamos apenas escrever o que nos faz feliz. Os Lungfish não alteraram a sua trajetória ao longo dos dez álbuns. Por que é que nós o deveríamos fazer?

Como acham que os jovens Russian Circles olhariam para a música que lançaram este ano?

RC - Eu acho que eles ficariam entusiasmados. E acho que eles ficariam surpresos por ainda estarmos a fazer isto.



Entrevista por Hugo Geada



Comunicado da Amplificasom

Os concertos de Russian Circles e Torche agendados para os próximos dias 18 e 19 de março em Lisboa e Porto foram cancelados, em resultado do adiamento da tour da banda. A decisão acontece como resposta às medidas preventivas que têm vindo a ser adoptadas, a nível internacional, para o controle do alastrar dos casos de Coronavírus. A Amplificasom irá proceder à devolução dos bilhetes de acordo com a directrizes clarificadas abaixo. 

A declaração da banda: 

"It’s with heavy hearts that we’re announcing the postponement of our European tour with Torche due to the increasing government pressure to limit public events in the wake of the coronavirus. We’ve been watching the day-by-day developments closely and all the patterns seem to indicate that the measures imposed by countries like Italy will likely be the model for most of Western Europe in the next few weeks, effectively cancelling the majority of our shows. We have already had several concerts cancelled on us and we’ve been asked to postpone our performances by several additional promoters. Ultimately, we anticipate that the situation will get worse before it gets any better. Beyond government restrictions, we also have to consider the health of our audiences and the people working our shows. We’ve played shows with broken fingers. We’ve played shows with vomit buckets hidden behind our amps because members of the band we’re dealing with stomach flus. We’ve played shows days after members have come out of surgery. We’ve played through any number of physical, emotional, or financial hardships, but unfortunately we have to make an exception this time around. It pains us to postpone the tour, but for the sake of our audience, our colleagues in the clubs, and ourselves, we feel it’s best to reschedule the tour for later in 2020. That said, we are keeping our fingers crossed that the situation improves in time for Roadburn Festival in mid-April as we are still planning on performing as scheduled. We apologize for the inconvenience this may have caused anyone but we will be back soon. Stay safe and take care of each other."

DEVOLUÇÃO:
Bilhetes comprados online na Amplistore: Devolução disponível a partir de 11 de Março.
Bilhetes comprados no Hard Club, Louie Louie, Bunker Store e Piranha: Devoluções em dinheiro a partir de12 de Março. Obrigatório apresentar bilhete. 
Bilhetes comprados na Glamorama e Flur: Devoluções em dinheiro a partir de12 de Março. Obrigatório apresentar bilhete. 

Qualquer dúvida poderá ser esclarecida através de amp@amplificasom.com. 

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O ZigurFest regressa no final de agosto para a sua décima edição


O ZigurFest está de volta a Lamego pelo décimo ano consecutivo. De 26 a 29 de agosto, o zigurFest 2020 chega à sua 10ª edição e abraça Lamego com o já habitual mote “Em cada rua um palco, Em cada palco uma descoberta”.

Numa edição que promete ser verdadeiramente especial, perdemo-nos nas ruas e recantos da cidade para vos trazer o que de melhor tem sido feito na criação artística contemporânea nacional. Marquem no calendário e tracem no vosso mapa: vão ser 10 locais em 4 dias de concertos, residências artísticas, workshops e exposições, tudo gratuito. Imperdível o suficiente para ficar nos escritos de uma história da qual queremos que façam parte.



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terça-feira, 10 de março de 2020

Calhau! lançam novo álbum pela Discrepant


Tau Tau é o novo álbum dos artistas multidisciplinares Calhau! e o primeiro pela Discrepant. Formado pelo casal Alves von Calhau e Marta von Calhau, que para além da música repartem a sua atividade pela pintura, a escultura, a ilustração e outras formas de artes visuais, o projeto conta já com 15 anos dedicados aos terrenos mais abstratos da música eletrónica exploratória. 

O novo disco chegou na passada sexta-feira, dia 6 de março, pela editora de Gonçalo F. Cardoso (Gonzo), a mesma que acolheu a dupla com um tema para o primeiro volume da Antologia de Música Atípica Portuguesa, em 2017, e sucede o anterior Ú, de 2016. 

Tau Tau oferece uma visão libertina do imaginário folclore e da música tradicional portuguesa, manifestando a voz – um elemento que já se encontrava presente nos lançamentos anteriores – como peça-central deste lançamento. É um trabalho que engloba uma dimensão muito visual, onde as vozes se traduzem em movimento e o uso arbitrário dos sons revela uma forte sensibilidade à arquitetura da estética.

Tau Tau encontra-se disponível para audição nas diferentes plataformas de streaming e pode ser adquirido em versão digital e vinil no Bandcamp da Discrepant.


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STREAM: UNITEDSTATESOF - Selections 1


A Rotten \ Fresh continua dar bons e largos passos no panorama eletrónico português, e a mais recente novidade é a edição de um novo LP de UNITEDSTATESOF, moniker de João Rochinha (Monkey Flag, PURGA). Ele que tem vindo a mostrar malhas em diversas compilações, como a sua mixtape na série WET ou o EP colaborativo Look Me While I T, onde convoca gravações de campo, percussão muito subterrânea e texturas electrónicas do poço num quase drone demasiado inquieto.

Selections 1 chega como o sucessor directo de Selections 0, tendo sido produzido e masterizado pelo próprio artista. Um disco que parece ter elementos mais complexos que o disco anterior, com um som mais nítido e cristalino, o que comprova a evolução de João Rochinha tanto como músico ou produtor. Se nos deitarmos num lugar confortável a ouvir o Selections 1, os drones introspectivos levam-nos numa viagem às galáxias mais distantes e belas na nossa mente. Podem comprovar isso aqui em baixo.



Este álbum vai ser editado em cassette e formato digital (via Rotten \ Fresh), os quais podem adquirir aqui. A edição da cassette é limitada a 80 unidades, e vai ainda contar com um lado B de remisturas feitas por Odete, TERRORRIBA, Florian T M Zeisig, Superalma Project, Arad Acid, Concrete Fantasies x Hydrarchy, FARWARMTH x Swan Palace, Ondness e Oströl.

Vai também haver um evento especial de lançamento de Selections 1, a realizar-se no dia 14 de março no Cosmos Campolide. Este evento contará com uma sessão de escuta ajudada pelo coletivo 00:NEKYIA, dj set por incumbência de DJ Privilégio e, por fim, concerto de UNITEDSTATESOF acompanhado em modo live por Guilherme Rodrigues (saxofone) e Miguel Fernández (bateria), com projecções originais em 8mm a cargo de Henrique Varanda. As entradas têm o custo de 2 euros, 6 se quiserem levar a cassette convosco para casa.

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Bruno Pernadas e Moullinex reinterpretaram Plantasia em Espinho


Dia 6 de março, no Auditório de Espinho, Bruno Pernadas (teclados), Moullinex (teclados e baixo), Diogo Sousa (bateria), Guilherme Salgueiro (teclados) e Diogo Duque (trompete, flauta e teclado) reinterpretaram Plantasia, álbum lançado por Mort Garson em 1976. Uma série de plantas rodeavam os instrumentos no palco, algumas delas levadas por membros do público, e sons tropicais preenchiam a sala.

Plantasia foi composto por Mort Garson num sintetizador Moog. O compositor escrevia canções e fazia arranjos para artistas pop, rock e soul como Doris Day, Glen Campbell e Isaac Hayes, mas a sua carreira mudou de rumo quando descobriu este novo instrumento. Foi um pioneiro da música eletrónica e terminou a década de 60 a compor um álbum para cada um dos signos do zodíaco. Foi só anos depois que surgiu a sua obra mais marcante, Plantasia, um álbum feito para plantas e os seus donos. O seu lançamento foi limitado, sendo apenas incluído na compra de uma planta na loja Mother Earth, em Los Angeles, ou na aquisição de um colchão num outro local. No entanto, é agora um disco de culto que foi marcando cada vez mais ouvintes ao longo do tempo. Este impacto a longo prazo deu origem a uma reedição pela Sacred Bones e reflete-se também no nosso país, com esta série de concertos iniciada o ano passado.


Logo após subir ao palco, a banda abriu o espetáculo com a faixa-título do álbum. A tracklist original foi cumprida, mas o que ouvimos foi uma versão renovada das músicas originais. Logo à partida se notou uma grande diferença: a inclusão de uma bateria, algo que não acontece no álbum de ’76. Os sintetizadores estiveram próximos dos timbres originais, mas os sopros foram mais uma adição genial que acrescentou, por exemplo, um lado mais sentimental a “Concerto for Philodendron and Pothos”, com a trompete, e uma atmosfera exótica a “Symphony for a Spider Plant”, pela flauta. Esta reinterpretação dos temas foi mais groovy, mais longa e mais jazzy, abrindo espaço para diversos solos. “Swingin' Spathiphyllums” foi transformada num jazz tropical solarengo, enquanto que "Ode to an African Violet" teve direito a uma versão dançável que podia entrar num álbum de synth pop dos anos 80.

O Plantasia de Bruno Pernadas e Moullinex é alegre, divertido e aconchegante. Uma expansão das músicas originais que nunca lhes retira o espírito e a magia que já possuíam. Foi muito bom presenciar uma homenagem tão bonita num concerto tão único. Uma reinterpretação deslumbrante de um álbum intemporal.


Texto: Rui Santos
Fotografias cedidas pelo Auditório de Espinho | Academia

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STREAM: o Candido - Sons Ininterruptos


No passado dia 3 de março saiu o novo EP d'o CandidoSons Ininterruptos, que conta com o apoio da produtora brasileira Mente Vazia

Este EP traz consigo quatro composições, que tem como tema recorrente as reflexões sobre o ser na cidade, junto de alusões ao amor romântico. Nos 20 minutos de duração do EP, o Candido apresenta-nos um leque de diversos géneros, relacionando-se com o rock dos anos 70, o post-punk e a MPB. As quatro canções apresentam arranjos mais intrincados e ousados do que o material do primeiro EP, apontando a melhoria da banda como um grupo de fato.

As performances d'o Candido dialogam com a música brasileira desenvolvida durante os anos 60 e 70 como Gal Costa e Milton Nascimento, bandas dos anos 90, como Stereolab e Cornelius e o post-punk desenvolvido nos anos 70, como Television, envolvendo essas referências com uma estética contemporânea. A relação do ser, como substantivo e como verbo, com a cidade é assunto muito abordado nas canções, por vezes permeadas por um romantismo ingénuo e sensível.

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Ritual Howls, Bestial Mouths e Velvet Kills ofuscam a Sterogun em junho


Para quem acompanha religiosamente o programa de rádio Unidade 304 era já certo e sabido que os Ritual Howls fariam a sua tão aguardada estreia em Portugal em junho - o design do cartaz de mais um episódio relâmpago do FadeInFestival denunciava-o tão bem e aquela data por anunciar (inserida na tour Europeia) ficava mesmo a matar em terras lusas. Também - para os ouvintes regulares - muito previsível se foi tornando que, juntamente com os Ritual Howls, subiriam a palco os familiares Bestial Mouths que se estrearam em Leiria no ceio de celebração de mais um festival Entremuralhas, em 2017. Este domingo passado, depois de mais uma emissão sempre incrível da Unidade 304 tornou-se expectável que toda esta celebração de amor e romance depressivo fosse acompanhada pela nova crush da cena electro-dark-goth, os queridinhos Velvet Kills

Esta poderia ser a história do MONITOR em versão mais pequena, mas vai mesmo ser mais uma edição bombástica do FadeInFestival, cujo primeiro episódio-relâmpago acontece já a 5 de junho na tão futurista Stereogun. A melhor parte desta história é que estamos há cerca de oito anos à espera de ler a notícia que os Ritual Howls se vão estrear em Portugal e esse marco está a acontecer neste momento. A banda liderada por Paul Bancell, Ben Saginaw e Chris Samuels traz a Portugal a sua sonoridade altamente emotiva onde as guitarras sentimentais nos fazem tecer lágrimas interiores. A Portugal a banda apresenta o mais recente disco de estúdio Rendered Armor (2019, Felte Records).


Aos Ritual Howls juntam-se, então, os Bestial Mouths, projeto de eletrónica fervorosa e arrojada liderado pela norte-americana Lynette Cerezo que, em Leiria, regressa para uma performance que promete ser bem mais potente que a conseguida no Castelo, em 2017. Com elementos cénicos altamente presentes na performance será - na sua música de difícil audição, caracterizada pelas influências do industrial, melodias sinistras, sons distorcidos e vozes estridentes - que o concerto dos Bestial Mouths promete tomar distinção. Até à Stereogun a banda traz o seu mais recente registo de estúdio, INSHROUDSS (2019).



Os "omnipresentes" Velvet Kills são, então, o projeto que terá a honra de abrir esta magnífica noite com início marcado para as 22h00. A dupla - que já conquistou os corações das labels mais atentas no cenário da música underground de reminiscências góticas - participa pela primeira vez na programação cultural com carimbo da Fade In para colocar em pano de fundo a sua sonoridade hipnótica que conjuga desde sintetizadores imersivos e vagos às ambiências acesas e vigorosas. Tudo a tirar a roupa!



Os bilhetes para este incrível e exclusivo evento no país já se encontram à venda e têm um preço único de 20€. Podem comprar os ingressos aqui, link que vos teletransporta para todas as informações adicionais relativas ao primeiro episódio relâmpago do Fade In Festival. O evento no Facebook segue aqui.

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Paredes de Coura confirma HAAi


A DJ/produtora natural de Londres, traçou como objectivo realçar as características psicadélicas inerentes à dance music. O gosto musical de HAAi, único e diversificado, desmistifica detalhes e personagens escondidos em cada uma das faixas. Os seus sets navegam entre linhas de baixos fortes, em pausas que explodem num estrondoso techno e inúmeros elementos de percussão. 

Residente no prestigiado clube londrino Phonox, onde durante dois anos foi responsável pelas longas noites de sábado à noite, a música de HAAi alcançou milhares de seguidores que a acompanharam em eventos memoráveis como o Sónar Festival, Glastonbury e Boiler Room

HAAi junta-se aos já confirmados PixiesParquet CourtsWoodsBlack Country, New RoadIDLESThe Comet Is Coming(Sandy) Alex GMac DeMarcoTommy CashSquid, Ty Segall & Freedom Band, Yellow Days, Daughter, Floating Points (Live), BADBADNOTGOOD, Boy Harsher, Pinegrove, Viagra Boys, L'Impératrice, Beabadoobee, Nu Guinea (Live band)박혜진 Park Hye JinslowthaiPrincess Nokia, Mall Grab, Antal, SoulwaxYves Tumor & Its BandCrumb, Sudan Archives, Sessa  e The Murder Capital para mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura que está de regresso à Praia Fluvial do Taboão de 19 a 22 de Agosto.

Os passes gerais podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, Eventbrite, See Tickets locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€. Está também disponível a compra do passe geral para o festival através do site da Via Verde, este inclui também estacionamento gratuito, 25% desconto na portagem e ainda 8€ em combustível.


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STREAM: Gamo - NUBLA, ANTÍFONA!


Gamo é um projeto a solo música experimental da responsabilidade de Miguel Pinto, produtor de 19 anos vindo de Sintra. Com um enorme leque de influências musicais que vão desde Panda Bear a Talk Talk, Gamo estreou-se nas edições em 2018 com o EP homónimo e com um single, "Jura Paris", ambos editado pela Cachupa Records

O álbum de estreia NUBLA, ANTÍFONA! chegou hoje (10 de março) às plataformas digitais e foi composto, gravado e produzido pelo próprio entre Setembro de 2019 e Fevereiro de 2020. Deste lançamento faz parte o recém-lançado single "X COPOS D SOL", uma onírica faixa de chamber pop instrumental.

NUBLA, ANTÍFONA! marca a nova incursão do artista por territórios ambient e pode ser escutado na íntegra em baixo.

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[Review] Tisiphone - Koma Forte


Koma Forte | Icy Cold Records / Automate Records / Atomic Folik | fevereiro de 2020
8.0/10

Os Tisiphone - trio francês que tem ganho uma acarinhada reputação nacional muito à conta das absolutamente marcantes prestações ao vivo que garantiu em Portugal - regressou este ano às edições após um período de quatro anos a refinar ideias. Sempre propensos à exploração de sonoridades mais escuras, bastante ecléticas e sem se prenderem a conceções únicas, os Tisiphone apresentam-nos agora uma breve injeção de adrenalina esculpida entre traços dinâmicos e uma certa veia humorista. Num conjunto de seis temas com uma duração aproximada a cerca de 30 minutos de duração, a banda mostra uma maturidade notória e toda uma sede em explorar uma vasta gama de estilos complementares entre si.

Estávamos em 2016 quando o trio composto por Léonard, Clara e Susanne lançou o primeiro esforço longa-duração, o homónimo Tisiphone que rapidamente os colocou na ribalta dos novos projetos franceses a ter em consideração nos tempos vindouros. Tal feito conduziu-os a uma estreia absoluta nacional inserida no festival MONITOR e, um ano mais tarde, em 2017 na segunda edição do Post-Punk Strikes Back Again, altura em que já traziam na bagagem o intenso e amplamente absorto "Hereux Je Suis", tema que serve de abertura a este Koma Forte. Numa criação musical onde a percussão funciona como o principal fio condutor da experimentação sonora concebida, os Tisiphone apresentam a público uma das suas melhores criações: uma música teatral envolvida por guitarras abrasivas e uma percussão violenta onde Clara se emancipa para aquele que é uma das suas melhores criações. Uma Nina Hagen renascida e redescoberta em territórios onde reina a francofonia. Poderosa deusa francesa das emoções impetuosas. E depois de um "temaço" destes, como não ser feliz? 



Segue-se no alinhamento "Nasty Kids", faixa inaugurada por calmas paisagens rítmicas onde Clara nos canta e suspira as primeiras letras em inglês. Esta é também uma das composições que inicia numa aura mais nítida e sonhadora do que as edições anteriores, mas que rapidamente se transforma num mundo explorativo de caos contido entre sintetizadores marciais, guitarras robustas e a conjugação sedutora dos gritos de Clara com a imperativa voz de Léonard Stefanica. "Who is a deserter?" pergunta-nos Clara enquanto nos consciencializamos que os Tisiphone certamente não serão. 

"Atomic Tissue (Paulin)", o tema que serviu de apresentação a este novo Koma Forte é o último single do Lado A do LP e instaura todo um novo ambiente de energia teatral com as ondas sonoras a adquirirem um ritmo acelerado, caracterizado pelo baixo sumptuoso e todo um carácter de puro entretenimento que é explorado em detalhe no trabalho audiovisual que o acompanha. 



Com o lado B colocado começamos por ouvir "Exil" aquela que é a faixa mais experimental na discografia do trio de Lyon. Uma produção tipicamente punk, com guitarras cruas que se destaca pelas primeiras experimentações da banda em Auto-Tune. Clara digitaliza-se na voz e os Tisiphone apresentam-nos todo um admirável mundo futurista a conduzir-nos para um ambiente cinematográfico envolto em neons, numa cidade densamente populada e envolta pelo cenário de diversão já anteriormente explorado em "Atomic Tissue (Paulin)". 

"Bully" segue as pisadas iniciais de "Nasty Kids" ao envolver-se com ambiências mais calmas e sintetizadores progressivos, que fazem entrar em ação o lado mais tépido do trio francês. Naquele que é o tema mais longo deste Koma Forte, os Tisiphone constroem uma paisagem libertadora nas entrelinhas dos ritmos mais badalados, enquanto nos preparam de forma sossegada para a mais incendiária faixa deste Koma Forte, a despedida com "Rageux". Caixas de ritmo efervescentes são acompanhadas por sintetizadores descoordenados e todo um clima cru, que dão início àquela que é definitivamente uma das pérolas do álbum. Poderosos cinco minutos de som que viajam entre o minimalismo sintético, o impulso do punk, a insobriedade do art-rock, a potência da eletrónica e a abrasividade dos vocais em revolta. Mistura altamente irada, mas sonicamente estimulante.



Numa performance que em palco prima pela personalidade cénica e teatral, é já na versão em estúdio, que podemos tomar um certo gosto do vasto espectro sonoro que rodeia as produções dos Tisiphone e que é fortemente marcado pela exploração ao nível rítmico, num disco que junta humor, adrenalina e sons badalados na mesma panela. Koma Forte apresenta-se um EP bastante diverso em harmonias áudio onde sobressaem elementos lo-fi, a percussão por vezes espelhada com ritmos tribais (que confere um claro toque ancestral à música resultante) e claro, todo o jogo de vozes e manipulação vocal que se apresenta em grande destaque. Koma Forte é uma edição interessante, ao mostrar uma certa imprevisibilidade nos sons que aborda e por apontar uma nova direção eclética no trabalho musical dos Tisiphone. A banda lança um conjunto de seis faixas ambiciosas que, embora não esperadas pelos ouvintes, resultam numa sintonia vigorosa e num registo bastante peculiar e criativo dentro das ambiências que lhe deram origem.



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