sábado, 28 de março de 2020

NNHMN lançam novo vídeo para "Der Unweise"


Quase quatro meses depois da edição de Shadow In The Dark (2019, Oráculo Records / K-dreams Records) os NNHMN - uma das duplas mais atrativas do novo cenário da darkwave - está de regresso com novo trabalho audiovisual para o tema "Der Unweise". Há cerca de duas semanas o projeto que junta Lee Margot e Michal Laudarg pediu aos fãs para escolherem entre os temas "Der Unweise" e "Shadow", qual o que queriam ver ilustrado num trabalho audiovisual. Ganhou a poderosa "Der Unweise" e o resultado filmográfico chegou esta sexta-feira aos radares.

Num cenário sinistro - tanto quanto a aura atmosférica da música - os NNHMN começam por nos apresentar uma mulher de branco a representar o lado celestial da essência humana, à qual juntam, em contraste, as filmagens de cenários apocalípticos e misteriosos. Pelo meio surge uma figura masculina de preto em contraste com imagens de uma natureza mais resplandecente. Mais para o fim a mulher de branco toca no homem de preto e o cenário vai-se tornando cada vez mais macabro. Aproveitem para visualizar o resultado abaixo e tirar as vossas próprias conclusões.

Shadow In The Dark foi editado a 5 de abril de 2019 em formato cassete pelo selo k-dreams e em formato vinil pelo selo Oráculo Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Gloria de Oliveira - Fascination


Gloria de Oliveira é um dos segredos mais bem guardados deste estranho 2020. A artista de nacionalidade alemã e brasileira, no ativo desde 2017 apresenta em Fascination, a sua primeira compilação disco de estúdio. Numa música de texturas almofadadas, tão decadente quanto saudosa, Gloria de Olivera traz à memória as paisagens atmosféricas de uma Lana Del Rey com os ecos sedosos de uma Marissa Nadler, mas num cenário mais influenciado pelas ondas da darkwave. O disco incorpora um conjunto de dez temas que se encontram originalmente presentes em edições como Lèvres de Sang (2019) ou La Rose De Fer (2019) entre temas soltos editados exclusivamente no formato de single. Juntamente com os temas de composição própria, Fascination vem ainda acrescido de sete remixes de autoria de nomes como Gudrun Gut, Fragrance., The Wide Eye, Box And The Twins, The Wide Eye, Tellavision e Elkks.

Desta nova compilação tem-se feito ouvir em alto e bom som o tema "The Only Witness" (que teve recentemente direito a um trabalho audiovisual, disponível aqui), faixa extremamente mágica a juntar os mais doces sintetizadores a uma voz celestial tão bonita quanto imersiva. Dentro desta aura encontramos também músicas como "The Field Where I Died" - tema onde ganham foco os monocromáticos ritmos da batida eletrónica juntamente com os conquistadores vocais etéreos de Gloria de Oliveira; "Black Violets" - a ganhar um desenvolvimento na linha temporal altamente estimulante; e a balada ostensiva presente em "The Dead". A compilação pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Fascination foi editado na passada sexta-feira (27 de março) em formato CD, vinil e digital numa co-produção entre os selos Reptile Music e Cargo Records Germany. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Nils Frahm celebra Dia do Piano com álbum surpresa, Empty



"Para marcar o 88º dia do ano e como um reconhecimento a estas circunstâncias sem precedentes em que nos encontramos, o pianista, produtor e fundador do Dia do Piano Nils Frahm lança uma coleção de oito peças para piano intitulada Empty", pode ler-se no Bandcamp da Erased Tapes.

Originalmente escrito para a banda-sonora da curta-metragem que o músico alemão gravou com o amigo e realizador de cinema Benoit Toulemonde, o LP de oito faixas foi lançado este sábado, dia 28 de março, para coincidir com o Dia do Piano, que o mesmo fundou em 2015.

Empty marca o primeiro lançamento de Nils Frahm em 2020, dando sucessão ao tríptico de EPs lançados entre junho e setembro de 2019 e que foram posteriormente reúnidos na compilação All Encores.

O disco encontra-se disponível nas várias plataformas de streaming e soa assim:







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STREAM: HØRD - Bodies


HØRD - um dos incendiários nomes da vanguarda da eletrónica com base em sintetizadores - regressou esta semana às edições de estúdio com Bodies, o terceiro disco da carreira que chega dois anos depois de Parallels (2018, Avant! Records). De volta às texturas ruidosas construídas ao redor de sintetizadores abrasivos, o projeto a solo do produtor francês Sebastien Carl apresenta, ao longo das oitos faixas que comprimem este novo longa-duração, um trabalho sonoro com forte aposta em sintetizadores etéreos, batidas analógicas profundas e uma voz arrastada. Num trabalho surpreendente de texturas assimiláveis HØRD volta a deixar evidente a razão pela qual o seu nome se tem visto rotulado com selo de qualidade no panorama da música underground.

Em Bodies HØRD compõem-nos uma banda sonora onde a synthwave vai buscar ténues influências aos anos 80, encontrando-se com ritmos eletrónicos e um ambiente sci-fi construído para que o ouvinte entre numa dimensão moderna de som arrastado. Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Bodies #14" - um convite hipnotizante à eletrónica de estética negra - e "Bodies #11" - uma faixa densa em emoções soturnas com um poder perspicaz altamente aditivo. Além das referidas, forte destaque ainda para "Bodies #02", "Bodies #04" e "Bodies #17" num disco que é psicologicamente imersivo e amplamente profundo.

Bodies foi editado na passada sexta-feira (27 de março) pelo selo Avant! Records em formato vinil e digital. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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sexta-feira, 27 de março de 2020

STREAM: Window - Endless Cycle


Os Window, dupla que une Dylan Travis (Some Ember) a Reuben Sawyer (The Column, Anytime Cowboy) editam esta sexta-feira o seu novo curta-duração, Endless Cycle, trabalho de cinco sumptuosas malhas a operarem entre os territórios da EBM, industrial e dark techno. O projeto - que conta já com alguns anos de existência ao lado de editoras de culto do mundo underground, como é o caso da Total Black e da Fallow Field - junta agora forças à iminente editora da vanguarda, a Third Coming Records, para explorar as mais diversas aplicações das caixas de ritmo, numa eletrónica desafiante, dinâmica e bastante poderosa. Marcado pela onda negra que aporta - onde ganham especialmente destaque os vocais carregados em tons de ira e revolta, os Window trazem um ciclo (quase) interminável de agitação e angústia, retratados numa onda eletrónica minimalista e psicologicamente densa.

Deste Endless Cycle tinha sido já apresentado o primeiro tema de avanço "Ashen", uma das mais estimulantes faixas do disco, a apresentar um certo rigor abrasivo e cru altamente aditivo. A par das mencionadas faixas, destaque ainda para a imersão inerte de "Desert" -  uma das mais espaciais composições do disco -; "Carbon" - que, juntamente com "Ashen", volta a apostar numa onda de sintetizadores vibrantes e energéticos a elevarem as expectativas para aquele que deverá ser o resultado ao vivo emanado pela dupla; e ainda o tema de encerramento "The Stone" a levantar da penumbra o carácter imperativo dos Window. O disco pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Endless Cycle EP foi editado esta sexta-feira (27 de março) em formato cassete e digital pelo selo Third Coming Records. Podem comorar a vossa cópia física aqui.


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Dean Blunt regressa com nova compilação, Roaches 2012-2019



Estão definidas as primeiras coordenadas de Dean Blunt para 2020. O músico e produtor britânico, que ao lado de Inga Copeland formou os seminais Hype Williams, é conhecido pela sua pegada digital enigmática e, no jeito idiossincrático que tão bem o carateriza, partilhou esta semana dois novos lançamentos nas várias plataformas de streaming.

São eles Roaches 2012-2019, uma compilação que reúne material dos últimos setes anos (e que inclui o já conhecido tema “Benidorm”, aqui repartido em setes faixas), e Stalker, uma faixa de 60 minutos que consiste num loop contínuo de “Stalker 7”, originalmente partilhado como parte de uma das suas séries de videoarte.

Os novos lançamentos sucedem o anterior Zushi, mixtape de 2019 que contou com contribuições de Yung Lean, Panda Bear, Joanne Robertson (que também entra em Roaches) e A$AP Rocky, ele que já tinha colaborado com o britânico em Soul On Fire, de 2018.

Ainda este ano, Dean Blunt partilhou o tema "WAR REPORT Freestyle". A Hyperdub, editora com quem mantém uma relação profícua, chegou mesmo a anunciar uma performance com o mesmo nome no MAAT, em Lisboa, mas o evento ficou sem efeito.





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Os pam risourié apresentam "Cinnamon Leaves"


Os parisienses pam risourié definem-se como uma banda de “bedroomgaze”, que mistura as estéticas do dreampop lo-fi com o shoegaze com letras intimistas (fãs dos Mazzy Star, dos Beach House e dos Drop Nineteens irão encontrar nesta banda vários pontos de interesse em comum).

O seu primeiro EP, Noctessa, tem data de lançamento prevista para o dia 29 de maio deste ano e será editado em conjunto pela Silico Records, pela Lofish Records e pela Araki Records. Tendo já divulgado o tema “Night Flowers” no final no ano passado, os pam risourié lançam hoje o vídeo para o tema “Cinnamon Leaves”, também presente no vindouro EP.

Enquanto esperam por Noctessa, podem visitar o bandcamp dos pam risourié, onde se encontram disponíveis todos os trabalhos do quinteto para download gratuito. 



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STREAM: Mayflower Madame - Prepared For A Nightmare


O post-punk psicadélico dos noruegueses Mayflower Madame recebe esta sexta-feira um novo capítulo sob a chancela de três editoras e sob o cunho de Prepared For A Nightmare. O trabalho que vem dar sucessão a Premonition (2018) - uma coleção de quatro faixas de canções de amor apocalípticas - e à estreia Observed in a Dream (2016) - que os levou a uma tour não só pela Europa, mas também pela América do Norte. Agora mais maturos, em Prepared For A Nightmare os Mayflower Madame aprofundam ainda mais a sua mistura distinta de psych-noir e post-punk, incluindo também elementos do shoegaze, noise-rock e uma onda bastante dark pelo meio.

Deste novo Prepared For A Nightmare já tinham anteriormente sido avançados os temas "Vultures" - canção dark-hipnótica a emancipar a beleza inerte presente nos sons profundamente soturnos e ainda "Swallow - tema surf-rock-ish a trazer à memória nomes como The Growlers e todo o solarengo sol da Califórnia. Além das referidas, destaque ainda para singles como "Never Turning (In Time)", "Goldmine" ou "Endless Shimmer". O disco - uma coleção de dez temas a incorporar a sensação invernal do seu país de origem, melancólico e sombrio, com uma vertente mais solarenga do outro lado do mundo - pode agora ser reproduzido na íntegra abaixo.

Prepared For A Nightmare é editado esta sexta-feira (27 de março) numa co-edição entre as editoras Only Lovers Records, Little Cloud Records e Icy Cold Records. Podem comprar o disco aqui.

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Noiserv apresenta quarto tema de avanço do seu novo disco

Foto: Vera Marmelo

Nesta sexta-feira, dia 27 de março, Noiserv lançou um novo tema e vídeo, sendo assim o quarto tema de avanço do novo disco de originais a lançar em setembro. Mantém assim a cadência de lançamento de um novo tema e vídeo por mês como tem feito desde dezembro do ano passado.

“Parou” é a nova canção que, numa altura particularmente difícil a nível mundial, sugere uma reflexão sobre o medo de nos concretizarmos e dos bloqueios a que nos sujeitamos para sabotar a chegada desse momento.

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From Atomic editam o seu primeiro álbum


From Atomic são uma banda nascida em Coimbra, em 2018, pela ideia de Alberto Ferraz desafiar Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto, aos quais se juntou mais tarde Márcio Paranhos.

O seu som reflecte influências de The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, Siouxsie & The Banshees, Joy Division ou Sonic Youth, buscando muito do post-punk britânico da década de 80, mas também algo do indie mais barulhento da década seguinte. No entanto, ao escutarmos os From Atomic, encontramos um som com marca própria, crua mas firmemente apoiada em melodias pop.

A urgência das palavras com que Sofia Leonor (voz e baixo) nos interpela, expõe a narrativa minimalista que se funde nas melodias ruidosas de Alberto Ferraz (guitarra). O ciclo fecha-se com uma fundação rítmica viciante e feroz, a cargo de Márcio Paranhos (bateria), que enquadra uma atmosfera simultaneamente negra e luminosa.

Em Maio de 2018 lançaram "Heaven´s Bless", uma faixa que ganhou espaço em rádios como a RUC e Antena 3. Foi incluída na colectânea A date with Gliding Barnacles (Lux Records) e integrada no CD Novos Talentos FNAC 2019.

Hoje, dia 27 de março, marca o lançamento de Deliverance, pela conimbricense Lux Records. Gravado e produzido nos estúdios da Blue House por Henrique Toscano e João Silva, tem mistura e masterização de João Rui, contando com colaboração em uma faixa de Rui Maia (X-Wife, Mirror People).

Nas palavras dos From Atomic, Deliverance apresenta-se como uma descida às profundezas inerentes ao processo de concepção de identidade. Intemporais, as palavras reagem ao impulso incontrolável de procurar entender como sentir e aceitar o mundo. Ao expor as fragilidades que tanto nos atormentam, ousamos acreditar que o que nos rodeia poderá não ser (inteiramente) real. Um sentimento de alienação corre nas veias de cada verso e cada compasso. O conflito é palpável à medida que descemos essa escuridão, mas a representação daquilo que nos define, desaba na vontade de sentir que há escolha, que podemos de alguma forma mudar a nossa natureza. O ímpeto que circunscreve este primeiro álbum é uma confrontação constante com o nosso reflexo e instiga o passado a suspirar ao ouvido, enquanto golpeia as memórias que nos escorrem pelas mãos.

O álbum já pode ser ouvido aqui, no Spotify, e pode ser encomendado em CD à Lucky Lux.

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STREAM: Igorrr - Spirituality and Distortion


Três anos depois da obra prima Savage Sinusoid (2017, Metal Blade) o quarteto gaulês mais eclético da esfera contemporânea - Igorrr - está de regresso às edições de estúdio com Spirituality and Distortion. Numa coleção que incorpora um total de 14 temas inéditos, os Igorrr voltam a juntar na mesma panela breakcore, ópera, música barroca, black-metal e toda uma criatividade eletrónica pomposa e absolutamente radical, que não passa despercebida aos que se atreverem a clicar no playGautier Serre, o mentor do projeto, sempre afirmou que ficar preso a uma singular emoção transmite-lhe aborrecimento e, por isso, encontra nos sons inconvencionais e imprevisíveis um refúgio a essa condição de liberdade condicionada. Para Gautier Serre "os sons têm uma profundidade real no alcance emocional e, combinados com a música pesada, foi algo que me levou muito a fundo, e que me levou a fazer faixas como "Downgrade Desert", "Camel Dancefloor", "Himalaya Massive Ritual" ou "Overweight Poesy" ", presentes neste novo esforço. 

À semelhança do anterior Savage Sinusoid em Spirituality and Distortion os Igorrr também convidaram uma mão cheia de convidados para a produção de sons singulares e que podem ser encontrados ao longo das ecléticas 14 faixas que incorporam o disco. Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido apresentados os temas "Very Noise" e "Parpaing", duas fervorosas malhas a mostrar na eficácia a força brutal e excêntrica que tão bem tem pautado a discografia do projeto. Além destas, forte recomendação para composições como "Nervous Waltz" - um tema camaleónico que expressa bem a essência presente um pouco por todo o disco; "Camel Dancefloor", a explorar as tendências sonoras do este; a sumptuosidade de "Lost in Introspection", com foco nos vocais tão únicos e purificadores de Laure Le Prunenec; "Paranoid Bulldozer Italiano", uma das faixas mais românticas do disco a conduzir-nos a séculos anteriores na história da música, com aquele final dissonante do hardcore metal; e ainda "Polyphonic Rust", um dos melhores temas deste Spirituality and Distortion. O resultado final é um disco que é tão violento como almofadado, pintado no som sempre tão único e característico da esfera Igorrriana

Spirituality and Distortion é editado esta sexta-feira (27 de março) em formato vinil e digital pelo selo Metal Blade Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Tommaso Mantelli - 9 Useless Tunes


O multi-instrumentista, compositor e produtor Tommaso Mantelli regressou no final deste mês de março às edições com 9 Useless Tunes, o novo trabalho em nome próprio que se foca no conceito da busca pela sinceridade. Ao longo de nove faixas compostas exclusivamente por guitarra e voz, Tommaso Mantelli apresenta a sua catarse existencialista entre faixas tímidas, doces e claras que aportam uma certa nostalgia, apesar de sempre em tonalidades claras e imunes de sensações densas. Concentrado numa estrutura musical que não é sofisticada, Tommaso Mantelli apresenta um disco onde a folk ganha um enorme destaque, tentando embalar o coração dos mais frágeis.

Deste novo 9 Useless Tunes já tinha sido apresentado anteriormente o tema "Just Around The Bend", música tipicamente acústica pintada numa voz suave que, embora cantada em tonalidades bastante comuns no meio, não deixa de ser apropriada para a sonoridade envolvente. O disco já se encontra disponível para escuta na íntegra e além da referida faixa segue destaque ainda para temas como "Bitter Sweet Doomsday", "Now And Before" e "Your Place In The Universe Is Perfect".

9 Useless Tunes foi editado esta sexta-feira (27 de março) pelo selo italiano Shyrec em formato digital e CD. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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Sal Y Amore em tempos de contenção, segundo Grand Sun


De Lisboa, Portugal: os Grand Sun são António Reis, João Ribeiro, João Simões e Miguel da Costa Gomes. Cantam sobre personagens peculiares que encontram todos os dias. Pensem neles como uma banda de sunshine-pop com influências dos anos 60 e 70, que por vezes toca rock psicadélico, na maioria das vezes com uma atitude de garage/pós-punk.

O LP de estreia dos Grand Sun, Sal Y Amore, é uma viagem sónica à mente caótica da banda e representa uma outra faceta da banda, mais crua, sem filtros e genuína. O disco é hoje (dia 27 de março) editado pela Aunt Sally Records.


Em conversa com a banda ficámos a conhecer cada uma das músicas que compõem Sal Y Amore. Ora leiam aqui em baixo:

Há pouco mais de um ano quando lançámos o nosso primeiro EP (The Plastic People of The Universe) queríamos imenso apresentar o projeto aos media e tocar ao vivo. Mas depois debatemo-nos com a realidade de percorrer o país, crescer com as adversidades, responsabilidades e lidar com os problemas que foram surgindo. E bater de frente em muitas circunstâncias.
O Sal Y Amore é a genuína representação deste momentum.

River

Certa vez vimos o Dinho dos Boogarins num concerto fazer um loop muito porreiro com a voz e achámos imensa piada a forma como eles constroem camadas de som ao vivo. Então o António virou se para a malta e disse para experimentarmos fazer uma coisa semelhante em que encaixaríamos frases soltas. Este intro acabou por dar origem à música seguinte (a She Wants You). 


She Wants You

Nós em Grand Sun inspiramo-nos mais nos métodos de fazer música do que nos resultados destes; e estas duas músicas iniciais são um perfeito exemplo disso. Aqui nesta malha a ideia foi fazer uma música em que o baixo caminhasse lentamente de forma regular e hipnótica ao longo do tempo, sempre com a mesma frase.


Veera

O nome Veera vem de Tavira e como cidade costeira que é tem esse arrasto e encanto sonhador típico do litoral tão português. Quis fazer uma música sempre na mesma nota, como a ‘I Am The Walrus’ e que soasse a um hino como a ‘Go Let It Out’. Queria que soasse aos tempos áureos dos 60’s, que soasse grande como os BJM, que tivesse o escárnio dos Pavement na ‘Spit on a Stranger’ e a brisa de uns Real Estate. Esta é uma música sobre contemplação, em que o que interessa é o processo de contemplação e não a pessoa contemplada. Houve uma pessoa que possa ter inspirado esta letra porém a Veera é um meio de justificação desta caminhada em busca de um higher self.


Feeling Tired

Este tema fala sobre a necessidade de libertação e do combate às frustrações mundanas, é um grito de guerra às imposições enraizadas; e Honey, a interlocutora/interlocutor é sujeito de amor, amizade e luxúria que queremos sempre levar connosco. Ao vivo, em casa e em todo lado espelhamos a música e queremos que venham connosco.


Dear Ruby

Está foi a primeira música a ser escrita para este LP. Estivemos fora da banda meio ano, ainda antes de lançarmos o nosso EP. Andávamos em viagem. Quando voltámos aos ensaios havia imensa vontade de fazer coisas novas e a Ruby esteve logo no primeiro ensaio. As primeiras vezes que a tocámos ao vivo eu (Simon) e o António trocávamos instrumentos.


Dear Ruby II

Ao vivo, a Dear Ruby II torna-se numa sessão de improviso entre as teclas e a bateria, e quando se fartam um do outro entra a banda toda.


Palo Santo

Outra das músicas que bem representa a metamorfose entre o nosso EP e o disco. A música chegou à banda por intermédio do António e era uma malha na onda do pop psicadélico, estilo Todd Rundgren ou Brian Wilson. Mais à frente desfizemos um bocadinho essa sonoridade fairy tail e transformar numa canção mais frontal. Curiosamente, as pessoas quando nos vêm ver ao vivo acabam por cantar o refrão da song, por ser fácil e energético, apesar da malha nem ter saído. 


Santo Palo

Terceiro momento instrumental do disco, quisemos dar uma de Yes e fazer uma track com compassos compostos. Até para nós foi um pincel acertar nos tempos mas é dos momentos mais fortes do disco.


A Picture

A importância e influência do Brian Wilson na nossa música é incalculável, e se no primeiro EP ouvia-se muito o Pet Sounds, aqui esta música veio do Smile. A nível de estrutura, acordes e até a ideia de projeto inacabado (relembrar que o Brian só lançou o Smile como idealizou, uns 40 anos depois do projeto inicial) a música vem de lá. Em termos de harmonias vocais é uma música bastante complexa e com uma série e experiências em estúdio.


Circles

Well, God bless King Gizzard & The Lizzard Wizzard for all those good vibes while dancing, shouting and croudsurfing like crazy. Às vezes pensamos nisso quando tocamos a Circles, a música com mais identidade deste disco. Sobre quão bom é expressarmos algo, ainda que esse algo seja andar em círculos.



Podem consultar em baixo as datas de apresentação do novo disco dos Grand Sun, Sal Y Amore:

25.04.2020/ Sábado/ Porto (Ferro Bar)
26.04.2020/ Domingo/ Guimaraes (Oubla)
30.04.2020/ Quinta-feira/ Barcelos (Platano Koberto)
01.05.2020/ Sexta-feira/ Viana (Cubiculo)
02.05.2020/ Sabado/ Braga (Bazuuca)
13.05.2020/ Quarta-feira/ Porto (FAUP Fest)
16.07.2020/ Quinta-Feira/ Ruilhe (Rodellus)

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quinta-feira, 26 de março de 2020

Ghetthoven lança primeiro tema em três anos, Learn How



Ghetthoven lançou hoje o seu primeiro tema em três anos. "Learn How" junta o cantor e artista portuense aos conterrâneos Minus & MRDolly, que assinam os créditos de produção, e é descrita pelo próprio como "um mergulho no disco e uma viagem cheia de força, liberdade e amor".

"Learn How" é o primeiro single de Ghetthoven desde “Jupiter Chemistry”, faixa de 2017 que contou com a participação de BPTSM na produção e de Sophia na voz. Antes, o músico de nome Igor Ribeiro embarcou na tour Hypersex, de Moullinex, e editou o seu álbum de estreia, My Sadistic World, pela Biruta Records.

O tema encontra-se disponível nas várias plataformas de streaming e soa assim:





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STREAM: Frederico Gonçalves - Dias de Ninguém


Após um hiato de alguns anos e o envolvimento noutros projetos, sem nunca deixar a composição e a escrita de lado, Frederico Gonçalves, regressa a solo e dá-nos algo mais que uma viagem, algo mais que uma reflexão, dá-nos uma perspetiva intrigante da dimensão humana, de nós próprios que o leva ao encontro de si mesmo, encarnando nas suas letras e nas suas melodias, os seus (e os nossos) sentimentos e conflitos internos e fazendo deles a sua força e a sua redenção, redescobrindo os seus verdadeiros anseios há tanto adormecidos e sobretudo a exorcizar os seus fantasmas e a valorizar a nossa curta e frágil existência humana. 

Os EPs Nómada e Alvorada lançados em 2019 serviram de rampa de lançamento para o seu primeiro registo de longa duração - Dias de Ninguém - que foi lançado no passado dia 21 de março. Este é um mergulho numa viagem interior marcada pela redescoberta da felicidade, simplicidade e liberdade humana.

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'Poison' (de NONE) revisitado


Dois anos e três meses depois de NONE - o projeto solo da alemã Anna Nin - ter lançado cá para fora o segundo disco de estúdio Poison, recuámos no tempo para descobrir uma peça que na altura se deturpou das edições de estúdio rodadas por estes lados. Poison é um disco que vem dar sucessão a uma mão cheia de trabalhos de estúdio com a assinatura de NONE entre os quais se incluem os LPs Vacuum (2017, Black Verb Records), Odium (2017), Decem (2018) e Heat (2019, Squall Recordings), entre incontáveis edições em formato EP's e singles. Podíamos, muito bem ter pegado na edição mais recente de NONE, mas preferimos escolher uma edição bastante singular onde as atmosferas negras da coldwave pautam em sintonia com a decadência soturna da eletrónica dark.

Comecemos viagem pelo mais óbvio, colocar no posto de escuta "Wailing", o tema que tem a responsabilidade de dar início a este Poison. Enquanto os sintetizadores vão criando a sua essência hipnótica e condutora, por sobre cenários sinistros dignos de um conto de fantasmas, começamos por explicar que Anna Nin foi buscar o nome deste projeto, NONE, à liturgia das horas - a oração pública e comunitária oficial da igreja católica. Segundo a artista este edifício religioso deixou-lhe gravadas na memória más lembranças durante o seu processo de crescimento numa pequena região religiosa do norte da Alemanha. Talvez por isso, em certas passagens, a sua música reflita um certo santuário de adoração do negro, onde o caos é contido numa onda expansiva onda de eletrónica etérea. 

No alinhamento sucede-se "Blacks Veils", tema onde ganham foco as camadas coloridas da dream-pop, sem que NONE deixe de fora o negrume existencial que paira na mensagem que traz a público: o resultado de lidar com ansiedade, depressão, tristeza, solidão, saudade e auto-aversão. Neste vazio e baixa de auto-estima, NONE introduz "Insomnia", canção tingida por sintetizadores nostálgicos, uma voz sedutora e uma coldwave contemplativa da beleza que o sentimento de vulnerabilidade aporta. Na mesma linha encontramos "The World Won't Listen", embora com NONE a mostrar uma certa confiança inerte na forma como canta - que apesar de matizada em reverb - se torna mais forte e evidente que nas canções que a antecedem.



Dentro das linhas mais poderosas e sombrias encontram-se temas como "Black", "Slow", "Low" ou "Poison" onde os sintetizadores expansivos e as caixas de ritmos se conjugam para dar voz a uma eletrónica ora espacial - no caso de "Black" e "Low" -; ora estimulante -no caso de "Slow" -; ora psicologicamente densa como é o caso de "Poison". NONE não deixa, contudo, que esta tendência soturna se torne o foco da exploração sonora abordada em Poison, mas sim um elemento fulcral ao seu desenvolvimento. Além dos temas inéditos, Poison vai ainda buscar alguns temas a edições anteriores, sendo portanto, um bom pontapé de partida para iniciar a exploração do trabalho discográfico da produtora alemã. Do total das 17 canções que fazem parte do alinhamento do disco há cinco que foram repescadas de edições como Odium (2017), Alienari (2017) e Narcomania (2017).

Num álbum que inclui desde a conjugação entre camadas mais saudosas de veia rítmica a ambiências texturizadas cantadas numa voz desolada, destacam-se também temas como "Vibe" - faixa bastante mexida a garantir um efeito de imersão quase instantânea por parte do ouvinte - e "Dreams", tema que dá por encerrado o disco de forma estritamente sideral, ainda assim com um certo trago de positividade à mistura. Numa duração aproximada a quase uma hora, Poison convida-nos a uma viajem concisa entre os territórios da coldwave e darkwave de aura sensitiva, sem nunca se desvirtuar do seu principal sentido: a forma de Anna Nin expurgar os seus demónios existenciais e se conectar com almas em situações similares.

Poison foi editado oficialmente a 1 de dezembro de 2017 pelos selos Uknown Pleasures Records e Black Verb Records. As últimas edições físicas em formato CD podem ser adquiridas aqui.




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King John apresenta disco de estreia hoje às 17h no seu Instagram


King John é António Alves. Multi-instrumentista e produtor, King John nasceu e foi criado na ilha de São Miguel nos Açores, passou a sua adolescência e os "jovens" 20's em diferentes procuras, mas é em 2015 que a música se torna a escapatória final para o corpo e a mente. Com alguma experiência ao vivo, King John já actuou em festivais como o Tremor, Maré de Agosto e A Porta, e em salas conceituadas do país como o Musicbox, Popular Alvalade e Sabotage Club.

All the Good Men that Did Ever Exist é o primeiro disco de longa duração de King John, que traz consigo uma sonoridade Blues e Rock n´Roll com influência de grandes artistas como Charles Bradley, Andrew Bird e The Arcs.

É o conceito que está por trás do disco que vem dar nome ao mesmo: recordar e homenagear todos os grandes homens e mulheres que existiram e existem no mundo. O artista acrescenta: "Pessoas que lutaram e lutam pelos nossos direitos e liberdades; Pessoas que ajudam a preservar a nossa mãe natureza; Pessoas que contribuem para as artes; Pessoas que estão presentes no nosso dia-a-dia e que nos tornam mais fortes e equilibrados."

King John junta-se à vaga de concertos a partir de casa e apresenta hoje (26 de março) o seu disco de estreia pelas 17h no seu Instagram. Saibam mais aqui
   

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Voltereta regressa às edições de estúdio com Nubla

© Melina Pereyra

Com um currículo que engloba mais de uma década de obras musicais, Voltereta, o projeto a solo do artista multidisciplinar Feli Navarro, volta a reunir em nova edição de estúdio um conjunto de canções eletrónicas de onda ambient que reúnem a potência do techno melódico à profundidade do som de atmosferas densas. Num estilo fluído e bastante abrangente o novo disco do produtor - Nubla - chega às prateleiras cinco anos após Castigo Al Mar (2015, Traum Schallplatten) e quatro desde o lançamento do EP Cabezas Bien Altas (2016, Sr. Nadie Subcultura Recordings). Juntamente com o anúncio do novo trabalho chega também esta quinta-feira (26 de março) às plataformas digitais o primeiro tema de avanço "Ímpetu", apresentado através de um trabalho audiovisual e integrado no formato curta-duração juntamente com outros dois temas, "Giro" e "Lumay". Podem escutá-lo aqui.

Nubla reflete o último período de Voltereta em Barcelona (antes de se mudar para Cádiz), sendo um álbum que, na temática, aborda o conflito e a luta constante com a cidade, o impulso que surge da necessidade de mudança e como o corpo vive e sente todos estes estímulos. Neste primeiro avanço, "Ímpetu" tenta passar essa ideia ao ouvinte manifestando como o movimento pode ser um motor inspiracional para encontrarmos novos caminhos numa paisagem aparentemente nebulosa. O ímpeto é esse movimento e energia, que nos fornece o estado mental necessário para iniciar qualquer ação. O produtor explica melhor o conceito através do vídeo disponibilizado para o tema, que pode  agora visualizar-se abaixo. 


Nubla tem data de lançamento prevista para 17 de abril pelo recém-lançado selo espanhol Làdeli Editions. Enquanto o disco não chega às pratelerias podem ir ouvindo estes três novos temas aqui.

Nubla Tracklist:

01. Faro Fulgor 
02. Ímpetu 
03. Hechizo Baile 
04. Cese 
05. Avance Victoria 
06. Captura 
07. Fuerte Bengala 
08. Árbol

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quarta-feira, 25 de março de 2020

[Review] Isolated Youth - Iris


Iris | Fabrika Records | março de 2020
8.5/10

Os Isolated Youth regressaram este ano às edições para o arranque da nova década com um trabalho onde a sensibilidade e a fragilidade pautam em sintonia com a agonia do existencialismo e a revolta por um cenário apaixonante e de conforto. No core está toda uma essência poética de vanguarda, emocionalmente estimulante e pronta para acarinhar um mundo carente de benevolência. Depois da estreia avassaladoramente mágica com Warfare (2019, Fabrika Records) - considerada uma obra prima entre a crítica especializada - chega agora a vez de Iris, um novo marco de carreira que abandona as paisagens sonoras mais fustigantes para abraçar e beleza insípida que vigora no olhar. Iris é uma palavra de vários sentidos e os Isolated Youth deixam-no tão claro em todos os elementos que preenchem este novo trabalho, desde a capa - onde figura o retrato de um parente antigo de Axel e William Mårdberg, que teve o seu papel como uma iris no passado - às próprias composições sensitivas e à poesia de uma realidade não desejada, mas sempre tão vívida. 

The machine starts spinning. 

A arrancar com "Iris", o tema homónimo deste novo esforço curta-duração, os Isolated Youth continuam por dar sucessão à fórmula iniciada em Warfare, embebendo as camadas monocromáticas do post-punk num mundo estimulado pela sobreposição de instrumentos e pela consequente progressão dinâmica a que nos vão conduzindo - ora sedosos e encantadores, ora embevecidos por uma energia frígida. "Iris" foi o segundo tema de avanço e chegou às plataformas a 6 de março, duas semanas antes do lançamento oficial do álbum. Caracterizado pela sua letra altamente romântica e desolada: "You’re the light // that I try to hold // A beacon in a dark street // A snowflake // I try to keep  // intact // forever // falling"; sempre consciente das intermitências da vida: "And even if you go // don’t shut the door // You’re my Iris // forevermore", os Isolated Youth mostram em pleno o seu estado de maturidade face ao jovial aspeto que ancoram. 



Iris começou por ser anunciado corria o antepenúltimo dia do mês de fevereiro (27, para precisar), duas semanas depois de William Mårdberg (guitarra), Axel Mårdberg (voz, guitarra, sintetizadores), Egon Westberg Larsson (baixo) e Andreas Geidemark (bateria) colocarem cá para fora "ICT (Instalment Credit Transaction)", a primeira extração do disco. A fazer um contraste sincero entre as atmosferas dançáveis de uns Blondie até ao arrojo estético de uns Iceage, "ICT" é um tema de ritmos melancólicos, dominado pela sempre tão doce, frágil e conquistadora voz de Axel à qual se junta um incrível trabalho minimalista faturado pelos acordes de guitarra, linhas de baixo e a sempre propulsora bateria de Andreas. Além das texturas sonoras o grande distintivo de marca dos Isolated Youth situa-se na unicidade vocal e o estilo tão próprio que Axel Mårdberg equaciona nos esquemas vocais que transmite a público.  A sua singular forma de declamar palavras entre uma voz profundamente delicada, em contraste com uma quase "violência feroz" com que as proclama, aporta um efeito tão cativante quanto sedutor. E isso é sem dúvida um efeito que não está ao alcance de um projeto qualquer, mas lá está, os Isolated Youth não são uma banda qualquer.



A fechar o lado A do disco encontra-se "Humanoid", uma faixa que foge do dinamismo rítmico a que os Isolated Youth nos têm vindo a habituar, abrindo o seu leque de exploração a ondas sonoras mais badaladas, onde vigoram em força os acordes acolhedores das guitarras e uma temática de alienismo face ao ritmo acelerado e desumano que a sociedade atual toma. Na mesma palete sonora e conceptual encontramos "1984" - uma referência ao clássico de George Orwell - num tema focado nas estruturas sociais e no tempo que o antecede. Apesar da linha temporal que menciona é, acima de tudo, no conteúdo da mensagem que os Isolated Youth nos desvendam mais mistérios de toda a sua natureza como projeto musical. A sua poesia abstrata que relata tão afincadamente os problemas que corroem a mente dos mais frágeis, sem que estes estejam conscientes da sua própria situação é explícita em frases menos evidentes e construções sonoras suaves. A título de exemplo analise-se os últimos dois versos da primeira estrofe: "The working class is undead // and we’re the isolated youth". Numa crítica ligeira à sociedade atual há um reflexo relativamente ao facto da maioria dos trabalhadores se mover ao redor de sonhos vazios e objetivos ainda por preencher. A máquina continua a rodar, mas sem um fim delineado. Neste sentido o próprio conceito de "juventude isolada" é uma referência à alienação pela qual cada pessoa passará ao parar para refletir nesta observação nefasta de velocidade e produção em troca de uma simples passagem de tempo. 

Para encerrar Iris os Isolated Youth escolheram "Ferris Wheel" - tema que tem encerrado as suas performances ao vivo de forma magistral - e que aporta tão bem a essência de uma juventude isolada: existencialismo decadentista, a esperança de tempos melhores e a revolta relativamente à sensação de impotência. Axel ecoa melhor a ideia nas próprias palavras: "Even if I lose it all // Even when I fall // One more time // before the heart attack // The machine keeps spinning". A lua continua a girar à volta da terra e o mundo à volta do sol, e contra isso o enaltecido controlo humano nada pode. Nesta corrente niilística os Isolated Youth voltam-nos a contagiar com a fórmula tão eficaz presente nas suas composições matemáticas: expor a fragilidade humana a um universo emaranhado de sons dinâmicos para criar uma voz revolucionária e ativa num mundo petrificado de generosidade. Sem, contudo, destruírem a ideia de que não há uma solução avistável, os suecos arranca com uma mensagem muito forte em esperança, mostrando de forma desvanecida que o segredo para a alteração da nossa realidade está dentro de nós mesmos.



Fazendo uma análise mais profunda do disco, a iniciar pelo nome que o representa, no seu sentido figurado, iris pode significar ora paz, ora bonança o que vem solidificar ainda mais a mensagem que o quarteto sueco começou por transmitir com o primeiro EP da carreira e que mantém cada vez mais aceso com o passar do tempo: "a call to arms". Além do significado literário, também a sonoridade dos Isolated Youth se mostra evoluída neste novo Iris, abraçando uma aura mais celestial de texturas almofadadas que não se encontrava tão vincada na primeira edição. Embora Iris não seja uma edição tão vigorosa como a obra prima que é Warfare - em termos de poder, imersão e intensidade de som - é claramente um disco mais assimilável por um espectro alargado de ouvintes e é isso que lhes emancipa cada vez mais os horizontes para se tornarem numa das bandas mais marcantes desta nova década. Elevando cada vez mais as expectativas para o tão aguardado longa-duração de carreira, os Isolated Youth ganham, neste Iris, tempo para cunhar o seu nome e a sua forte mensagem na linha da frente do meio alternativo e independente, não só na Europa, mas cada vez mais, mundo fora. 

The machine keeps spinning.



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