sexta-feira, 3 de abril de 2020

FARWARMTH lança primeiro álbum pela Planet Mu

© Filipa Pinto Machado

Afonso Ferreira, isto é, FARWARMTH é uma das mais admiráveis mentes da música eletrónica portuguesa de hoje. As suas produções nos vários quadrantes que compõem a música exploratória têm-lhe valido um justo reconhecimento dentro e fora de portas, tendo lançado edições várias, a solo e em grupo, por editoras como a portuguesa Alienação, que o recebeu com o seu primeiro longa-duração, Beneath The Pulse, em 2016, e a britânica ACR, que lhe acolheu o sublime Immeasurable Heaven em 2018.  

Momentary Glow, longa-duração de sete faixas editado esta sexta-feira, é a mais recente obra de FARWARMTH e a primeiro pela britânica Planet Mu, bastião da música eletrónica mais desalinhada que alberga trabalhos de µ-Ziq, Venetian Snares e Jlin.   

Embora tenha sido construído ao longo dos últimos quatro anos, o álbum partiu da matéria acústica recolhida em sessões com as pessoas que lhe são mais próximas, e foi gravado no âmbito de uma residência artística no Alentejo, em 2018, onde participaram artistas como Lucinda Chua, Lybes Dimem, Specimens, Zoë Mc Pherson e Swan Palace.

“Momentary Glow” encontra-se disponível nas várias plataformas digitais e pode ser ouvido desde já em baixo. Para além disso, o disco possui uma edição física, em CD, que pode ser adquirida aqui.


+

Yves Tumor lança novo álbum, 'Heaven To A Tortured Mind', pela Warp



Saiu hoje o antecipado novo álbum de Sean Bowie, isto é, Yves TumorHeaven To A Tortured Mind é o quinto álbum do cantor e produtor de Knoxville, Tennessee, e o segundo pela editora britânica Warp, depois de por lá se ter estreado com o fascinante Safe In The Hounds of Love em de 2018.  

Co-produzido por Justin Raisen, que trabalhou com Charli XCX e Sky Ferreira, Heaven To A Tortured Mind, tal como o seu antecessor, dá seguimento ao som industrial e exploratório dos seus primeiros registos sob um ângulo cada vez mais pop. “Gospel for a New Century”, “Keroscene!” e o díptico “Romanticist/Dream Palette” foram os temas que o antecederam e, na última quinta-feira, o artista americano partilhou um pequeno trailer promocional do disco nas suas redes sociais.  

Yves Tumor, que atua também sob os pseudónimos Teams e Bekelé Berhanu, deu-se a conhecer ao mundo em 2015 com o álbum de estreia When Man Fails You, lançado de forma independente, antes de se juntar ao catálogo da berlinense PAN com Serpent, no ano seguinte. Experiencing the Deposit of Faith, o último compêndio do americano lançado de forma independente, chegou em 2017 e, nesse mesmo ano, a PAN resgatou o tema “Limerence”, do seu álbum de estreia, para a sublime compilação Mono No Aware.  

Em fevereiro, Yves Tumor apresentou-se na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, para uma suada atuação a solo.


+

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Guided By Voices celebram 25 anos de 'Alien Lanes' com reedição de luxo



A Matador Records, um dos bastiões da música independente americana, anunciou uma reedição comemorativa de Alien Lanes, obra quintissencial do grupo norte-americano Guided By Voices. Originalmente editado a 4 de abril de 1995, o disco que marcou o primeiro lançamento da banda de Robert Polard pela editora americana recebe agora nova impressão em vinil multicolor. 

Composto por 28 faixas que se estendem ao longo de 41 minutos, o álbum, assim como o seu antecessor Bee Thousand, de 1994, reescreveu as regras do rock n’ roll numa época em que ainda se vivia a ressaca do grunge e da trágica morte do seu principal representante, Kurt Cobain. Aqui ouvimos um pouco de tudo, do bravado ancestral de “Game of Pricks” à power pop de “My Valuable Hunting Knife” e “Motor Away”, passando pela libertinagem punk de “Pimple Zoo”, o experimentalismo psicadélico de "Ex-Supermodel" e as baladas distorcidas de sempre (" King And Caroline "," Blimps Go 90 "," Chicken Blows “), tudo embrulhado numa produção granulenta e caseira, gravada em fita num modesto 4-track, ferramenta que, aliás, Pollard continua a usar nos dias de hoje (e com o qual gravou mais de uma centena de lançamentos, com banda e a solo).

O lançamento marca também a primeira entrada na série de reedições Revisionist History em 2020. Ao longo do ano, a Matador celebrará o aniversário de alguns dos mais importantes lançamentos do seu catálogo com novas reedições e reimpressões. Para além disso, cada um destes lançamentos será acompanhado por fotografias, footage e videoclipes raros. No caso de Alien Lanes, o disco é complementado por uma versão de alta qualidade do documentário 'Watch Me Jumpstart', dirigido por Banks Tarver em 1996.  


+

STREAM: NU - Diferentes Formas da Mesma Areia Morta


Gravado numa sessão em formato live e dividido em 3 faixas, Diferentes Formas da Mesma Areia Morta intitula o novo álbum de NU.

Guiada por passagens de escritores como Thomas Pynchon, Michel Houellebecq ou Malcolm Lowry, a voz que ecoa no novo álbum dos NU expressa a perda de humanidade, a alienação tecnológica e o individualismo, o medo, o impulso, a psicose e a competição feroz e generalizada que criaram o clima de decadência que paira sobre a civilização ocidental. Ou, nas palavras de Pynchon, "o mundo cada vez mais em rota de colisão com o inanimado". Os ambientes sonoros surgem do confronto deste mesmo mundo com o indivíduo comum, um desmoronar interior de significado e uma invasão silenciosa do vazio.

Nascidos em 2016, em Santo Tirso, os NU lançaram o primeiro EP Sala de Operações nº 338 nesse mesmo ano. Em 2018, gravaram o EP II e contam no currículo com passagens por palcos como Indie Music Fest, ZigurFest, Woodrock Festival, Palco RUC da Queima das Fitas de Coimbra, Basqueiral, Hard Club, Sabotage Club, Maus Hábitos, entre outros. Atualmente, a formação é composta por André Soares no baixo, Carlos Adolfo no saxofone, guitarra e percussão, Miguel Filipe Silva na guitarra, Ricardo Coelho na bateria, Rui Pedro Almeida na voz e Urbano Ferreira no teclado, electrónica e percussão.

+

∩ (intersectiō) partilha uma versão de "Medo", de Amália Rodrigues


"Num momento em que enfrentamos o medo, quer em comunidade, quer no nosso íntimo, decidi gravar e partilhar uma versão da "Medo", de Amália Rodrigues, com a qual tenho vindo a encerrar os concertos."

O projecto - símbolo de intersecção, Intersectiō em latim, - de Ricardo Nogueira Fernandes oscila entre os universos da electrónica experimental no geral e do drone, do noise, do spoken word, em particular. O ruído como matéria palpável esculpida e a palavra como expressão abstracta do figurativo.

Em setembro do ano passado lança o EP PURGA, anastilose de elementos compostos e escritos durante períodos de depressão e ansiedade, que figurou na nossa lista de 20 Revelações Nacionais de 2019.

+

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Simon Minó apresenta a sua dream-pop sombria em "Raphaëlle"


Cerca de cinco meses após ter lançado para a ribalta o seu tema de estreia "Les Nymphéas" o produtor e vocalista sueco Simon Minó (RA) regressa ao radar com novo tema, "Raphaëlle" onde revela uma onda explorativa bem mais negra e profunda que no single antecessor. Conduzida por uma percussão poderosa, envolta nos cenários coloridos e sonhadores da dream-pop e uma carregada veia da synthwave, com a sua voz sempre lúgubre, Simon Minó começa a elevar a fasquia para o que se poderá esperar no álbum de estreia, previsto para chegar às prateleiras em outubro do presente ano.

Juntamente com o lançamento do novo tema Simon Minó traz também a público um trabalho audiovisual gravado em Nova Iorque pela artista visual Jennifer Medina e o próprio Simon Minó, onde ganha destaque o ambiente movimentado da cidade e as cores que a tornam tão vívida. O novo disco do produtor foi gravado e produzido por Sydney Valette, artista que conheceu com a sua mudança de Malmö para Paris. Enquanto o disco não chega aproveitem para ver o vídeo para "Raphaëlle", abaixo.

"Raphaëlle" é editado em formato digital no próximo dia 19 de abril pelo selo Third Coming Records.


+

STREAM: Label In Disarray - Tape Five


Chegou esta terça-feira às prateleiras a primeira compilação da editora espanhola Label In Disarray, uma editora emergente à qual devem estar a par nos próximos tempos. Nascida em agosto de 2018 para apresentar ao público música maquinal com influências do techno, minimal wave, EBM, industrial, entre outros géneros efervescentes, a Label In Desarray compila agora numa edição sete temas o trabalho de sete artistas diferentes - cinco dos quais pertencentes ao catálogo da editora - Raw Ambassador, Autumns, L/F/D/M, Shun e The Sixteen Steps, aos quais se juntam ainda TYVYT|IYTYI e Crossover Network.

Descrito como uma edição de música "acid, machine funk, proto-industrial com ferramentas caseiras e bangers slow-techno informados pela EBM", em Tape Five temos uma pequena amostra do nicho de mercado ao qual a Label In Disarray pretende tomar de assalto. Numa exploração de base eletrónica que se vincula às texturas de poder imersivo, a nova cassete da editora sediada em Barcelona inclui sete temas inéditos para disfrutar como banda sonora da próxima festa caseira de sábado à noite. Iniciem a pista de dança, ao reproduzir a compilação na íntegra, abaixo.

Tape Five foi editado a 30 de março em formato cassete pelo selo Label In Disarray. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


+

Red Zebra de regresso com novo tema, "My Boss, The Robot"


Exatamente 40 anos depois de terem tocado pela primeira vez o clássico hit de carreira "I Can't Live In A Living Room", um dos nomes mais underground no período auge do surgimento do post-punk, - Red Zebra - está de regresso com um novo tema, "My Boss, The Robot", o primeiro single inédito editado nos últimos 10 anos e o primeiro material desde o lançamento de compilação The Beauties Of The Beast - The Best Of Red Zebra (1980-1983) que chegou às prateleiras em 2016 pela Starman Records

Os belgas Red Zebra formaram-se em 1978, como um quarteto de miúdos de 16 anos e inicialmente sob o cunho The Bungalows. Depois de aprenderem a tocar instrumentos mudaram de nome para Red Zebra tendo lançado o EP de estreia em 1980 que incluiu o supracitado single "I Can't Live in a Living Room", um hit de rádio e carreira e um dos clássicos temas de culto da Bélgica. Em "My Boss, The Robot" - tema que foge completamente às atmosferas sonoras abordadas no início de carreira, ao incorporar uma vibe mais rock - encontra-se integrado na nova compilação Songs and Stripes que chegará às prateleiras a 30 de abril. 

"My Boss, The Robot" foi editado esta quarta-feira (1 de abril) em formato digital pelo selo belga Wool-E. Podem comprar o single aqui.


+

The Midnight Computers estreiam-se nas edições de estúdio com 'Anxious'


Nascidos em outubro de 2019 os The Midnight Computers exploram uma sonoridade sedimentada entre o post-punk dos anos 80 e um cruzamento com as novas ondas  da eletrónica contemporânea. Com o objetivo de superar a monotonia dos seus trabalhos paralelos, Jonathann Cast (voz, programação) e Pascal Roeder (guitarra, sintetizadores) juntaram-se a Alexandre Saintorant (guitarra, baixo), para compartilhar o que os três têm em comum: uma paixão pelo sintético e obscuro lado dos anos 80. Num esforço colaborativo e tempo recorde o trio francês consegue em 6 meses escrever, compor, gravar e lançar para público o seu primeiro longa-duração de carreira, Anxious, álbum que agora anunciam.

Composto por sete temas onde vigora o poder da bateria eletrónica, o coro das guitarras e um baixo texturizado, os The Midnight Computers apresentam-nos agora as duas primeiras extrações de Anxious. A primeira, trata-se do tema homónimo "Anxious" que absorve as camadas características do electro post-punk, misturando-as ao vigor imperativo do rock-gótico. Já a segunda, chega-nos sobre a denominação de "Tears" e conduz automaticamente o ouvinte a uma atmosfera poderosa dominada por sintetizadores fervorosos e guitarras abrasivas. 



Anxious tem data de lançamento prevista para 30 de abril em formato digital, CD pela Swiss Dark Nights (podem fazer a pre-order aqui) e vinil pela Manic Depression (podem fazer a pre-order aqui).

Anxious Tracklist:

01. Anxious 
02. Succubus 
03. Laura 
04. Blinding Necessities 
05. Disgrace 
06. Murder Pain 
07. Tears 
08. Our Most Beautiful Lies (demo) 
09. Sportsmen (demo)

+

STREAM: The Black Archer - Virus


O produtor portuense The Black Archer está de regresso às edições com novo curta-duração, Virus, trabalho de quatro temas que vem dar sucessão a A New Dawn (2018) e que apresenta quatro faixas densas, envoltas pelas atmosferas mais diversas da música dark synth, witch house e glitch. O projeto a solo de Pedro Oliveira tem começado a fazer o seu nome emergir no meio da eletrónica nacional muito por culpa da sua abordagem singular apetrechada de elementos que conseguem despertar no ouvinte desde emoções apaixonadas a sensações mais fustigantes. No novo EP há espaço para a exploração de novos universos numa ambiência mais pesada que a denotada em trabalhos anteriores.

Em Virus The Black Archer apresenta um disco bastante mais intenso e imersivo do que o retratado anteriormente em A New Dawn, mostrando um certo vigor e maturidade acrescidos. Ao criar cenários eletrónicos exclusivamente instrumentais - aos quais acrescenta pontualmente alguns samples de voz - The Black Archer afinca cada vez mais a sua pegada no novo panorama da música eletrónica. Do EP grande destaque logo para o tema de abertura - "I" - que nos faz sucumbir a uma atmosfera sonora witch house caracterizada por ambientes trépidos, ainda assim comoventes e "Lucid" - tema baseado na progressão temporal, com um final surpreendentemente poderoso. Virus é sem dúvida um excelente acompanhamento para estes tempos de isolamento social. Oiçam o resultado na íntegra abaixo.

Virus foi editado esta quarta-feira (1 de abril) em formato self-released. Podem comprar a vossa cópia digital aqui.

+

STREAM: Morte Psíquica - Suite Nº Zero


Cerca de dois anos após a edição do aclamado EP Maneirismos (2018, Z22), a Morte Psíquica - projeto a solo do multi-instrumentista Sérgio Pereira - está de regresso ao radar  com Suite Nº Zero. O sucessor de Fados do Além (2016) chega num período que marca uma nova era na história do projeto. Depois de se ter mudado de Portugal para o Canadá, a distância geográfica impediu que a Morte Psíquica continuasse avante como banda completa, cingindo-se na atualidade ao projeto a solo de Sérgio Pereira, o mentor. Contudo, não deixou nunca de perder a essência nostálgica e decadente, além do conteúdo poderoso da lírica que faz acompanhar as composições sonoras. Talvez por isso possamos afirmar com certeza que Morte Psíquica é um dos melhores projetos portugueses na atualidade, a atuar dentro das estéticas do post-punk contemporâneo e das tonalidades mais góticas da música rock.

Suite Nº Zero foi anunciado em fevereiro juntamento com a edição do tema "Labirinto" - uma malha melancólica tecida entre as paisagens sonoras que tão bem marcaram o período da música gótica nos anos 80 e com uma letra assentada na poesia decadente e existencialista. Se, já com Maneirismos e em Fados do Além, era notório que a Morte Psíquica acima de um projeto musical é um projeto de poesia negra, neste Suite Nº Zero isso tornou-se claro logo com a edição de "Labirinto" onde escutamos: "Uma coisa que me põe triste é que não exista o que não existe" - e, torna-se cada vez mais evidente nas composições comprimidas neste novo trabalho. Por exemplo, em temas como "Fado da Vertigem" podemos ouvir: "Quando olho para mim // não me percebo // tenho tanto a mania de sentir // que me extravio às vezes // ao sair, das próprias sensações que eu recebo". No tema "Em Teu Sonho Acordado" - uma das melhores criações do disco - Sérgio apresenta um incrível trabalho vocal com uma poesia existencialista altamente conquistadora: "Ah, como gostaria de sorrir dos desejos que oculto, velhas uniformes vestes de palhaços esquecidos (...) Ah, como seria belo reviver o passado que relembro irado por o vento o ter levado (...) Ah, como dói a dor que não se sente, ofuscada pela anestesia da paixão (...) Ah, como gostaria que as almas dos sábios ardessem em munício na ignorância dos que do ódio se alimentam (...) Ah, como dói saber que a mentira prevalece e o ódio não se esquece." Já na música de despedida, "O Conforto do Desconforto", Sérgio Pereira arrasa com "Meu cérebro faz lembrar descomunal jazigo // nem a vala comum encerra tanto morto // o tédio, fruto infeliz da incuriosidade // alcança as proporções da imortalidade".

Caros ouvintes, encontramos a nova Florbela Espanca destes novos anos 20! 

Dos oito temas que integram o alinhamento incluem-se os já anteriormente apresentados "Olham e Sorriem", "Sensações Descontroladas" e "O Conforto do Desconforto", presentes no EP Maneirismos (Z22, 2018) e ainda "Fado da Vertigem", tema presente na coleção Z vinte e dois compilation que, em Suite Nº Zero, se apresentam regravados e remasterizados. Aproveitem para explorar este novo trabalho da Morte Psíquica, com toda a atenção que ele merece, abaixo.

Suite Nº Zero é editado esta quarta-feira (1 de abril) em formato CD e digital pelo selo Zodiaque Musique. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


+

Troublemaker Records: o colectivo que luta pela igualdade


Pessoal de Lisboa já ouviu com toda a certeza falar da Troublemaker Records, editora/coletivo fundada em 2018 na capital  e que já levou os seus artistas a salas como a Galeria Zé dos Bois, Musicbox, Titanic Sur Mer, Crew Hassan, ADAO - Associação Desenvolvimento Artes e Oficios (Barreiro), sendo também responsável por alguns sets na conceituada Rádio Quântica.

Com o intuito de ser um porto seguro para artistas únicos e genuínos que nem sempre tiveram oportunidade de expor o seu own self, seja pela sua orientação sexual ou pelo tom de pele, a Troublemaker Records pretende criar um movimento contemporâneo capaz de redefinir a visão que temos atualmente do R&B, soul e da eletrónica mais intimista, utilizando a sua arte para expressar as próprias experiencias e visões sobre a vida. E quer também poder chegar a outras partes do país que não sejam só Lisboa.

A Troublemaker Records é a casa de artistas como Killian, Ness, Herlander, Odete Phoebe, tendo editado alguns trabalhos de estúdios nos últimos dois anos, onde a produção é sempre de fino detalhe e recorte.


Herlander

A primeira edição da label lisboeta foi da responsabilidade de Herlander, a 30 de setembro de 2018, com o EP de estreia 199. Este trabalho é a carta de amor de Herlander dirigida a casa, uma homenagem ao local onde cresceu, contando-nos a sua história, os problemas que um jovem enfrenta ao crescer entre os 18 a 20 anos: os estudos, o primeiro emprego, decidir qual é o próximo passo. É nesta viagem que o artista encontra o amor e molda a sua vida em torno dele, ignora todas as decisões pendentes e vive uma história de amor turbulenta e doentia, porém bela e nostálgica. "Monochromatic Game Boy" foi o single de apresentação deste EP que funciona à base de colagem sonora de samples, um pouco ao estilo dos The Avalanches, mas aqui numa faceta mais pop. Ao que parece, Herlander está a preparar o lançamento de um novo EP este ano ainda, resta-nos aguardar pacientemente.




Odete

Odete é uma artista multidisciplinar que divide a sua atividade por várias editoras, tendo lançado em junho de 2019 o seu trabalho mais reconhecido até agora numa edição colaborativa da Troublemaker e Rotten \ Fresh, outra label lisboeta de génese DIYAmarração é o disco de que se fala em cima, o seu primeiro longa duração, "um disco visceral que tem tanto de alienígena quanto de pessoal e revelador", que veio suceder o EP Matrafona editado em 2018 pela Naivety e que assume um contexto marcadamente autobiográfico, uma junção de influências sonoras que percorre a história da música queerOdete quer com a sua música eletrónica desconstruída e toda a sua arte performativa lutar contra o sexismo, a transfobia e o patriarcado, conquistando um papel de destaque na cena club nacional e internacional. No passado dia 27 de março, a artista juntou à sua coleção discográfica um novo EP, Water Bender, editado com o selo da londrina New Scenery.




Ness

NESS é o alter ego de Vanessa Costa, projeto que nasceu nas ruas de Sintra e nos contou a sua perspectiva sobre o que é viver num mundo onde desde pequena teve que aprender a definição de auto-descoberta, independência, perdão e discriminação racial. O seu primeiro single, "Karma", chegou aos nossos ouvidos em 2018, repleto de influências R&B, soul e eletrónica, afirmando a sua inquietação lírica e graciosidade pela melodia, e abriu caminho para MESS, EP de estreia editado em setembro de 2019. Produzido por PHOEBE, MESS é composto por cinco temas, onde se inclui o single "Karma", dotados de texturas sintéticas e melancólicas, interligados por uma confusão de emoções fundidas em letras mascaradas sobre o passado de NESS. Mais recentemente, a 22 de feveiro deste ano, NESS mostrou mais uma nova faixa "how much i cared will never reach it's peak".




PHOEBE

PHOEBE é o projeto de Bruno Gonçalves, mentor deste coletivo que aqui retratamos e reúne artistas talentosos e multifacetados. Produtor que também participa nos trabalhos de NESS e Killian, PHOEBE apresenta aqui a sua face, a sua maneira de sentir o mundo. AFFECTION é o álbum de estreia e chegou-nos às mãos numa altura em que estava tudo a olhar para as listas dos melhores discos de 2019, isto é, 18 de dezembro. É um álbum sobre os primeiros amores, amores imaturos, intensos mas inseguros, em que se questiona se o sentimento é reciproco. Em AFFECTION as texturas são suaves e oníricas, as vozes envolvem-se em reverb, transformando este no projeto mais sonhador da Troublemaker. "Reciprocity" foi o tema escolhido para dar a conhecer PHOEBE ao mundo e fala sobre solidão e falta de reciprocidade.




Killian

Diogo Sanches é quem dá a voz ternurenta e delicada a Killian. Em 2017 esteve presente no Festival Termómetro, mas foi em 2018 que o falatório se intensificou com várias atuações na capital. O EP de estreia, Flawed Ego, prometido para 2019, chegou finalmente às lojas digitais a 24 de março, e retrata a personalidade de Killian, artista que tem uma paixão pela psicologia e procura compreender o ser humano e as suas razões de ser. Em Flawed Ego, Killian reune os singles que foi lançando nos últimos anos, aos quais se juntaram dois novos temas, e analisa metodicamente os seus sentimentos, emoções e motivações, sonorizadas por texturas próximas do R&B de cariz confessional mas também dançável. Killian contou com a colaboração de Bruno Gonçalves (PHOEBE) na produção exímia deste seu registo de estreia.




Todas as edições dos artistas da Troublemaker Records podem ser aqui escutadas e adquiridas. Para ficarem a saber mais sobre eventos e novas edições, basta seguirem a página de Facebook da editora.

+

segunda-feira, 30 de março de 2020

Unsafe Space Garden em entrevista: "Muito facilmente se começa a levar tudo demasiado a sério"


Os Unsafe Space Garden são o filho de Nuno Duarte, apadrinhados por Alexandra Saldanha e Diogo Costa. O trio presenteou-nos a 13 de março com o seu primeiro longa duração com o selo da recém-criada Discos de Platão. Guilty Measures traz consigo dez melodias pop bem caóticas e bem-humoradas.

Um ano depois da sua estreia com o EP Bubble Burst e com a natural maturação da chegada à idade adulta, a composição e execução deste disco foi o processo de aceitar o caos na descoberta do que é a vida terrena.

Em entrevista por e-mail, falámos com os Unsafe Space Garden sobre a sua origem, as suas influências e o processo de composição em Guilty Measures, entre outras temáticas. Leiam a entrevista completa em baixo.


De onde surgiu o nome Unsafe Space Garden?

Unsafe Space Garden (USG) - Unsafe Space vem da crença de que devemos aceitar o caos e o Garden é a relvinha maravilhosa onde um gajo se deita e colhe as flores do ter sido capaz de enfrentar o dito caos.

Podem-nos contar a história por detrás do vosso projeto?

USG - Tudo começou com uma amizade, depois um raio numa testa, seguido de uns papiros em tinta vermelha que nos trouxeram, depois de muitas aventuras, até ao preciso momento em que respondemos a estas perguntas.

Como funcionou o processo de composição de Guilty Measures? Houve alguma diferença relativamente ao EP de estreia, Bubbleburst?

USG - Foi ligeiramente diferente. Primeiro porque levou foi mais tempo por ter surgido muito mais material. Em vez de cinco temas, como no EP, havia uns treze e desses treze ficaram dez. Ainda assim, cada um deles passou por um processo de maturação, houve uma pausa entre compor e produzir, o que gerou um certo distanciamento. Houve músicas que foram completamente alteradas após esse período, como é o caso da "You Broke My Shell", e outras que apareceram só após esse período, como é o caso da “The Nonsensical Tsunami”. No EP, não houve esse tempo nem a coragem para isso tudo.



Há alguma temática associada a este novo disco?

USG - Sim. O disco é uma reflexão sobre o sentimento de culpa, sobre as emoções no seu auge e a possibilidade de se tornarem prisões.  É sobre o ser-se humano, e andar aqui, sem saber bem porquê nem como.

Que discos é que andaram a ouvir durante a gravação de Guilty Measures?

USG - Ouvimos muitos discos como limpa sabores durante as gravações, assim como a novela do R. Kelly, sugestões do Pedro Ribeiro, que nos gravou e misturou e masterizou o disco.

O que vos motivou a compor músicas tão caóticas, teatrais e, acima de tudo, divertidas e descomprometidas?

USG - Uma vez que se passou aquele limite de decência num momento de criação mais corajoso, o nome que se tem no cartão de cidadão deixa um bocado de fazer sentido. Depois ris-te muito de ti mesmo e do que tu achas serem problemas. Há uma liberdade muito grande nisso, que leva ao absurdo e a gostar muito dele como meio para transmitir ideias. Depois entra na mesma aquele medo de se parecer parvo/ruidoso/dramático e é preciso voltar a saber não ter medo quando se sobe ao palco ou quando se lança algo novo. Muito facilmente se começa a levar tudo demasiado a sério. Ao fazer um projeto assim, não se pode nunca cair nesse erro, caso contrário torna-se contraditório e desonesto.



Neste disco de estreia podemos escutar dez canções bastante diferentes entre si, mas que têm em comum a psicadelia e o experimentalismo. Que instrumentos é que usaram para as gravar?

USG - A formação normal: bateria, baixo, guitarra elétrica, guitarra acústica, synths e vozes. Depois alguns instrumentos de percussão, incluindo um ao qual decidimos chamar de João Miguel porque não conhecíamos o nome. É basicamente um pau com um fio numa das pontas o qual segura um engenho qualquer de madeira. Ao rodar, produz um som muito caricato, usado por duas vezes no disco.

Podem falar-nos sobre a música “Balcony Panoramics”? Há alguma música que queiram destacar?

USG - É acerca do perspetivar o que se está a passar e surgiu porque vivíamos num sótão que tinha uma varanda com vista sobre a cidade. Sempre que tudo parecia assustador, bastava lá ir para perceber que tudo é apenas uma grande coisa estranha e que está a acontecer sempre das mais pequenas formas. De algum modo, assistir ao modo como os dias se desenrolam numa varanda muito alta, coloca em perspetiva o que quer que seja que estejamos a passar. É uma música sobre esperança e um bocado um apelo para que nos dirijamos às mais variadas varandas, que podem ser o que nos apetecer, de modo a cairmos na terra.
Gostamos particularmente da “Confessing My Lila”, por ser tão especial para nós de diferentes maneiras, e por ter sido a que mais dores de cabeça criou.


Já têm concertos marcados para apresentarem o novo disco?

USG - Sim, e não. Com o Covid-19 ninguém sabe bem o rumo dos próximos meses. Mas se alguém nos quiser convidar para tocar quando a poeira assentar, estamos cheios de vontade.

Quais os artistas e/ou álbuns que têm ouvido nas últimas semanas?

USG - O novo disco do King Krule, Erykah Badu, D’Angelo, Le Mystère des Voix Bulgares, Anna Meredith, DakhaBrakha, Jorge Ben JorA Tábua de Esmeralda, Andy ShaufThe Party.


Gravado e masterizado por Pedro Ribeiro, Guilty Measures está disponível para audição integral no Bandcamp dos Unsafe Space Garden, podendo ser adquirido em formato digital.

+

Cinco Discos, Cinco Críticas #55



Do Japão ao Brasil, passando pela Polónia, Escócia e América do Norte, a 55ª edição do Cinco Discos, Cinco Críticas coloca no radar os novos trabalhos de Gezan, com o disco KLUE (2020, 13th records); Haroldo Nono, com We're Almost Home (2020, Bearsuit Records); Michał Olczak com o seu marcante zgubiłem się (2020, 𝓰𝓵𝓪𝓶𝓸𝓾𝓻.𝓁𝒶𝒷𝑒𝓁); Wasted Shirt - o novo projeto criativo de Ty Segall com Brian Chippendale do qual nasce Fungus II (2020, Famous Class) e, por fim, VRUUMM projeto sediado em São Paulo que traz o segundo disco Tony Brizza (2020, Freak) à calha.

Os mencionados discos estão em revisão abaixo, acompanhados dos respetivos players para que tirem as vossas próprias conclusões:


KLUE | 13th records | janeiro de 2020 

7.5/10 

A banda de shamans do noise rock frito Gezan lançou no passado mês de janeiro o seu quinto álbum de originais de seu nome KLUE. O álbum, a contar total de treze faixas, é toda uma espécie de ópera psicadélica trippy com toda uma paleta cromática que se estende dos sons mais obscuros até ao mais vibrantes, e surpreendentemente, como que fluem bastante bem entre elas para formar uma faixa longa e coesa no seu todo. A confeção sonora consiste basicamente numa orgia de main vocals bizarros (que rangem de passagens mais nasaladas até growls mais intensos) e ritmos marciais intercalados com cânticos que parecem vindos de rituais todos marados (nomeadamente em faixas como "EXTACY", "Kunkoku" e "TOKYO") e sons com ADN que deve muito ao hardcore punk ("Sekiyoubi") que casam bem com uma temática bastante virada para intervenção sociopolítica (como explicitamente descrito em "Free the Refugees", por exemplo). 
Enquanto que algo desta envergadura é certamente ambicioso e urgente, infelizmente perde alguma pedalada em algumas partes chave do álbum devido a um punhado de faixas mais fracas. Ainda assim, este álbum é certamente uma experiência com momentos interessantes, tendo argumentos suficientes para ser considerado por aqueles que querem sonoridades desafiantes e/ou que simplesmente soam a fritaria pura e dura para o ouvido humano.
Ruben Leite



We're Almost Home | Bearsuit Records | março de 2020 

7.5/10 

Harold Nono não é um nome novo dentro do panorama da produção musical. O músico sediado em Edimburgo, conta com uma discografia pomposa e bastante dinâmica que inclui cinco álbuns a solo até o momento entre outras séries de edições, que gravou com artistas em projetos colaborativos. A sua música desafiadora, explora a essência do classicismo, juntamente com elementos de vanguarda do jazz e uma eletrónica bastante camuflada em efeitos e tendências estéticas. Quatro anos depois do seu último esforço em nome próprio, Ideeit (2016), o músico escocês regressa com We're Almost Home, uma coleção de 13 temas que exploram desde sensações mais vigorosas e brutais a sonoridades calmas e contemplativas. 
São quase 20 anos que solidificam a sua experiência como produtor. Desde 2002 o produtor também juntou-se a nomes como Eric Cosentino - com quem lançou Plenty Time (2013) sob o moniker Jikan Ga Nai; Hidekazu Wakabayashi com quem lançou um disco self-titled em parceria; o projeto electro-acústico Taub; e ainda com a dupla japonesa N-qia onde surgiu o projeto Haq - do qual resultou o álbum mais recente Evaporator (2019). Ao longo dos anos Harold Nono foi adquirindo uma certa sensibilidade para a composição que se encontra fortemente estratificada em We're Almost Home. Há espaço para explorar sensações desde o desconforto, inerência, contemplação e a decadência das máquinas. 
Num exercício de sound-design, onde entram em ação os elementos futuristas, sci-fi e uma certa poesia na conjugação de elementos experimentais, We're Almost Home apresenta-se como um disco de relevância afincada, onde cada pormenor sonoro é embutido com um sentido muito focado: conduzir o ouvinte a um mundo novo onde a era industrial, clássica e romântica são revisitadas e imersas num cenário contemporâneo.
Sónia Felizardo



zgubiłem się | 𝓰𝓵𝓪𝓶𝓸𝓾𝓻.𝓁𝒶𝒷𝑒𝓁 | fevereiro de 2020 

8.7/10 

Michał Olczak é um jovem músico polaco que lançou o mês passado zgubiłem się, o seu novo álbum, pela 𝓰𝓵𝓪𝓶𝓸𝓾𝓻.𝓁𝒶𝒷𝑒𝓁. Este navega pelos mares da música eletrónica mais progressiva, mas inclui ingredientes muito variados que dão origem a paisagens sonoras densas e admiráveis. Para além de gravações de campo feitas em estações ferroviárias e os locais que as circundam, inclui instrumentos acústicos e eletrónicos, desde o saxofone, que é aproveitado na faceta mais jazzística do disco, aos elementos mais glitchy e assumidamente digitais. 
zgubiłem się significa "estou perdido", e a verdade é que este álbum, tão dinâmico e imprevisível, faz com que nos percamos dentro dele. "pociąg do białegostoku" começa com um ambiente misterioso que vai descendo de intensidade e culmina num solo de saxofone envolto em sons distorcidos; "nocny bieg" apresenta um drone que se dissolve num desabafo jazz com uma bateria explosiva; "za dużo", pela sua progressão de acordes e pela nova presença da bateria, tem o seu quê de triunfante e épico, mas termina com uma batida eletrónica quase dançável. 
Todas as partes encaixam, algumas tão distintas das antecedentes que é impressionante como as transições são tão subtis. Este é um álbum de sensações opostas, onde a paz e a agitação estão sempre de mãos dadas, surgindo uma de cada vez em primeiro plano.
Rui Santos



Fungus II | Famous Class | fevereiro de 2020 

7.0/10 

Ty Segall dispensa introduções. Brian Chippendale pode não ser um nome que todos os amantes de música alternativa reconheçam, mas se dissermos que é o senhor mascarado responsável pela bateria dos Lightining Bolt, talvez desperte um clique. Apesar das diferenças entre o loirinho, um dos mais prolíficos guerreiros do garage rock no Séc. XXI, e o touro que comanda os ritmos maníacos e caóticos do duo de noise rock baseado em Providence, Rhode Island, os dois juntaram-se neste casamento, de nome Wasted Shirt, e podemos afirmar que é um casamento bem barulhento. 
O seu primeiro filho é Fungus II, que se tivesse uma forma física bem que podia ser o bebé do filme Eraserhead de David Lynch, e é uma experiência que leva os dois músicos a testarem os seus limites. A grande maioria das músicas apresentam-nos descargas energéticas, tanto da guitarra como da bateria que nos fazem sentir no meio de uma batalha onde nenhum dos músicos quer admitir a exaustão. Por isso, no meio deste despique, tanto Ty como Brian martelam os seus instrumentos até o primeiro desistir e cair no chão exausto. Felizmente, isso não acontece e somos prendados com nove faixas delirantes em excesso de velocidade. Em "Zepellin 5" a bateria é espancada sem piadade enquanto a guitarra distorcida apresenta uma melodia e ritmo hipnótico, tudo isto acompanhado por back vocals alegres e catchy (desta vez é Segall a cantar, mas Chippendale também empresta a sua maníaca voz em diversas faixas). Na última faixa, "Four Strangers Enter the Cement at Dusk", os Wasted Shirt, mais uma vez a surpreender, optam por uma marcha instrumental, lenta e sinistra, num stoner doom que deixaria os Melvins orgulhosos para encerrar o disco. 
Este super-grupo faz jus ao seu nome e é uma das experiências musicais mais alucinantes do ano. É uma incógnita se este projeto vai ter uma sequela ou se vai ser apresentado ao vivo, mas, até lá, ficamos com uma banda sonora ótima para correr a maratona ou para quando precisarmos de destruir uma das paredes de nossa casa com uma marreta.
Hugo Geada



Tony Brizza | Freak | fevereiro de 2020 

7.0/10

Corria o ano de 2014 quando o saxofonista Anderson Quevedo (que acompanha artistas como Criolo, Bixiga 70, Otto, Emicida e Trupe Chá de Boldo) fundou os VRUUMM, um projeto musical com um objetivo bem claro: transportar a cultura dos samples para o universo do jazz de conceção moderna. Desde então a banda passou a desenvolver as suas paisagens sonoras características com a integração de samples melódicas, batidas suaves e uma presença dominadora do saxofone na essência. 2015 viu o primeiro álbum ser lançado, ao qual sucederiam posteriormente os EP’s RAGGAVRUUMM (2017); Segue no Caminho (2017) e Gomes Smit é o Terror! (2018). Agora, 5 anos depois da estreia, os VRUUMM regressam ao ativo com Tony Brizza, um conjunto de oito faixas que combinam elementos do jazz com soul, funk e disco, para criar um disco arrojado e artístico. 
Com o objetivo de "criar paisagens sonoras tanto para a alma como para o corpo", os VRUUMM apresentam em Tony Brizza um conjunto movimentado de acid jazz que inclui vertentes tradicionais da música popular brasileira, da música erudita e uma certa cultura hip-hop na conceção de oito faixas puramente instrumentais. O resultado traz à memória uma junção entre Bad Bad Not Good, Kamasi Washington, David Bruno e Bruma, sem nunca descurar das influências que Anderson Quevedo deixa claras: desde Miles Davis a James Brown, passando por Eumir Deodato e King Crimson (cujo disco VROOOM VROOOM serviu de inspiração ao nome da banda). 
Deste Tony Brizza destaque para faixas como "The Ditch Dimension" - a elevar o pedestal do saxofone; “Brizzas Também Amam" - onde entram no ataque os riffs românticos da guitarra elétrica; o brutal "Fake News" e ainda "Peraí" - a mostrar uma progressão rítmica de excelência com cunho VRUUMM.
Sónia Felizardo


+