sábado, 11 de abril de 2020

As ondas negras estão em primazia no novo disco de Faust Project


Faust Project é a nova proposta criativa do produtor belga Emmanuel Gillard. A explorar em força as vertentes da música de estética negra e experimental, Faust Project lança agora o primeiro resultado longa-duração desta criação a solo: The Future Comes On Sleeping Pills. O disco, que incorpora uma tracklist de dez temas, chega cerca de dois anos após o EP Somewhere between the shadows there is a place called us (2018) e apresenta uma amálgama sonora que incorpora tensão e ansiedade no mesmo espectro. Sobrevivente da cena underground belga dos anos 90 e, após mais de 20 anos a viajar por toda a Europa, Faust Project forja agora o seu próprio universo negro com recurso a texturas da minimal wave, elementos do post-punk revival, reverb e uma eletrónica progressista.

Através de caixas de ritmos abrasivas, presentes no tema de abertura "Oktober", Faust Project começa por iniciar viagem num ritmo mais acelerado que aquele que culmina a chegada ao destino, em "Ghost Rider". Se numa primeira parte do álbum assistimos a uma aposta nas ondas do electro post-punk, na segunda parte há espaço para uma abordagem mais nostálgica, que viaja ainda por ambientes kraut-rock como experienciado em "The Hideout". Do disco - que pode agora escutar-se na íntegra abaixo-, além das supracitadas faixas destaque ainda para "Payback", "Tornado" ou "Faith and Hate".

The Future Comes On Sleeping Pills foi editado originalmente a 2 de abril em formato digital. O álbum terá também direito a uma edição física em vinil e cassete, prevista para setembro de 2020 na alçada da Analog Wasteland.


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O sol brilha negro no novo disco dos Lefki Symphonia


Com uma carreira que teve início corria o ano de 1984 na cidade de Atenas, os Lefki Symphonia forjavam os primeiros traços característicos da sua sonoridade: rock-gótico de guitarras esculturais, intercalado com uma mescla de post-punk e tendências da coldwave. A banda esteve ativa durante um período de 16 anos até ter partido para um hiatus por tempo indeterminado que culminaria em 2020, com a edição de San Ton Ilio​/​Like The Sun, o quinto registo longa-duração da banda. O projeto, liderado por Theodoros Dimitriou regressa agora, 20 anos depois para apresentar um renascimento entre almofadas negras de texturas nostálgicas, num conjunto de dez temas profundamente intensos e com traços de um romantismo tímido.

Entre atmosferas sinceras construídas sob riffs de guitarra suaves que focam as ambiências em voga no período do post-punk dos anos 80, os Lefki Symphonia abrem San Ton Ilio com "Mehri Ton Thanato", uma faixa arisca mas já a apresentar a profundidade que o seu som abrange. As tessituras monocromáticas continuam em progresso com "Me Mia" no posto de escuta, tema que mostra também uma certa inclinação da banda às abordagens do metal gótico, com riffs de guitarra abrasivos e toda uma aura mais influente. Mais calmos e nostálgicos arrancam para "Mavro Fos", "Oniro Mesa Se Oniro" e "Svise Ta Ihni", temas dominados por uma construção rítmica mais densa.

A segunda parte do disco arranca de forma semelhante às atmosferas sonoras que dão início ao registo, com o tema homónimo "San Ton Ilio" em desenvolvimento. Theodoros Dimitriou aposta num registo vocal mais ou menos constante ao longo do disco, o qual encaixa bastante bem face ao espectro sonoro de atuação instrumental que a vai acompanhando. Numa última parte caracterizada por ritmos mais lentos segue-se "Hronia Siopila" e "Minima" na tracklist, ambos a apresentarem lados mais badalados na estrutura sonora em duas faixas altamente sensíveis. Já a chegar à reta final do disco encontramos "Dakri" - uma faixa goth-rock revival - e a poética "Eki Pu O Anemos Rotai Gia Esena", que se despede do ouvinte de forma dinâmica e contemplativa.

San Ton Ilio​/​Like The Sun foi editado no passado dia 11 de março em formato CD e LP pelos selos Labyrinth of Toughts e The Lab Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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STREAM: ADULT. - Perception is​/​as​/​of Deception


Dois anos após a edição de This Behavior (2018) os ADULT. regressam ao ativo com um disco ainda mais poderoso e pronto para incendiar pistas de dança mundo fora, mal estejam abertas ao público - Perception is/as/of Deception. A dupla, que conta com uma carreira bastante fértil de cerca de 23 anos, apresenta um novo ciclone pandémico de electropunk, techno e EBM que prende o ouvinte dos primeiros aos últimos segundos. O disco - que ganhou vida num espaço temporário sem janelas, criado e tingido de preto por Nicola Kuperus e Adam Lee Miller - foi construído com base numa privação de sentidos, com o foco questionar perceções e testemunhar as ramificações resultantes.

Deste novo Perception is/as/of Deception - um dos discos mais influenciados pela infusão do punk - já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Why Always Why", "Have I Started At The End" e "Total Total Damage" que mostravam já notórios elementos de frustração e apreensão fortemente presentes na edição. Além das referidas faixas destaque ainda para a aditiva "Second Nature", a agitada "Reconstruct the Construct" e a despedida "Untroubled Mind". Em Perception is/as/of Deception os ADULT. mostram mais uma vez que mantêm intacta a sua veia de profissionalismo no que toca a construções eletrónicas violentas, poderosas, abrasivas e de apoteóticas. Se ainda não o fizeram, podem escutar o resultado na íntegra abaixo.

Perception is/as/of Deception foi editado esta sexta-feira (10 de abril) em formato digital, CD e vinil pelo selo Dais Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.

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STREAM: Méi Jùn Bìng - Méi Jùn Bìng


Méi Jùn Bìng 霉菌病 - o projeto a solo do francês Ben Le Millionaire - atualmente sediado na China - apresenta um novo disco onde o synth-punk toma os decibéis ao mais alto nível, numa obra absolutamente poderosa. Ao combinar elementos da darkwave, com sintetizadores multi-camadas e a energia arrojada do punk, Méi Jùn Bìng apresenta a público um álbum fervoroso e de progressão psicologicamente densa no seu desenvolvimento, ao iniciar em ritmos abrasivos e altamente estimulantes, para camadas de som mais explorativas, numa abordagem bastante old-school e incrivelmente aditiva.

Composto por um total de dez faixas, Méi Jùn Bìng abre com "I Am A Fool", um hino do disco e uma aposta absolutamente inteligente para a sua abertura - sintetizadores em modo energia máxima, uma batida eletrónica tão cativante como doentiamente excitante e aquela voz das trevas que não tem como não adorar. Nesta bomba de abertura ganha-se obviamente vontade de explorar o resultado conjunto, que trabalha ao redor desta base, com dimensões mais personalizadas nas restantes faixas, incluindo elementos da synthwave, electro post-punk e o lado mais doce da EBM. O produtor, que já se tinha anteriormente dedicado a uma vertente mais grindcore nas décadas antecessoras, mostra agora um incrível à vontade numa abordagem de estética mais negra. Disco obrigatório onde ganham destaque temas como "Empty Glass", "Fate" e "I Am A Real Man".

Méi Jùn Bìng tem data de lançamento prevista para o próximo dia 20 de abril em formato digital, CD e cassete na casa Other Voices Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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Pedro Sousa e Simão Simões juntam-se em novo trabalho pela Favela Discos

Pedro Sousa e Simão Simões juntaram-se para uma composição de 26 minutos. Tiro e Queda assinala a primeira edição da Favela Discos em 2020 e reúne, pela primeira vez, estas duas figuras distintas da música exploratória nacional. O tema de longa-duração saiu na passada quinta-feira, dia 9 de abril, e foi gravado por Miguel Abras (Putas Bêbadas) "e misturado pelos três em sagrada comunhão", lê-se no comunicado enviado pela editora portuense.

Pedro Sousa é saxofonista e conta com um vasto número de colaborações – ao lado do percussionista português Gabriel Ferrandini formou o Peter Gabriel Duo e editou Má Arte pela Favela Discos, mas pelo seu currículo passam ainda concertos e colaborações com Thurston Moore, Alex Zhang Hungtai ou RP Boo. Simão Simões é artista multidisciplinar, baixista na banda de Maria Reis e participou numa residência artísitica com Keith Fullerton Whitman, Clothilde e André Gonçalves na última edição do Out.Fest. O seu trabalho a solo passa por um uso tátil e fragmentado do sample e podemos escutá-lo em toda sua potência no mais recente Touhcy Feely, lançado este ano de forma independente, e no anterior Strel, lançado em 2018 pela sempre atenta Rotten/Fresh.

A Favela afirma ainda que a edição física do disco, assim como os concertos de apresentação do mesmo, deverão ver a luz do dia assim que a situação o permitir e acrescenta alguns dos lançamentos que têm preparados para os próximos tempos – Fusco, de Nils Meisel, The Hum, de Sarnadas, a compilação In Trux We Pux I e In Trux We Pux II, de Desilusão Óptica.


Tiro e Queda encontra-se disponível no Bandcamp da Favela Discos e pode ser escutado desde já em baixo.


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sexta-feira, 10 de abril de 2020

STREAM: Jeff Clark's - Miserable Star


Os Jeff Clark's - dupla formada por Charly Loyer e Guillaume Jean (ex-membros do projeto Sharon & Tracy) - estão de regresso às edições de estúdio com Miserable Star, EP de quatro faixas a apostar em força nos sintetizadores e ambiências maquinais, sem nunca descurar toda uma estética negra e poder fervoroso. O objetivo é criar um conjunto de atmosferas escuras, frias e hipnotizantes, através das quais luz e energia sempre acabam por romper. A banda começou por explorar estas atmosferas no EP de estreia Confused (2018), mas pretende torná-lo mais evidente para o mundo ao integrar o catálogo de umas das mais influentes editoras no panorama darkwave francês, a Manic Depression Records.

O EP que rompeu hoje as prateleiras apresenta uma mescla de sonoridades que vão desde a exploração da eletrónica minimalista (presente logo no tema de abertura "From Earth To Mars") ao post-punk eletrónico vigoroso presente em "Man Watching" tema que dá por encerrado o EP. Da edição destaque para "Welcome To The Night" a mostrar um conjunto exótico entre as atmosferas exploradas por artistas contemporâneos como She Past Away ou The Soft Moon, sem nunca descurar dos atos primórdios como The Cure, e ainda a balada "Miserable Star". Miserable Star EP pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Miserable Star foi editado esta sexta-feira (10 de março) em formato digital pelo selo francês Manic Depression Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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OLMS de regresso com nova malha "BURN"


Dennis Hudson - o mentor do incendiário projeto de Michigan, OLMS - está de regresso às edições com nova faixa abrasiva a colocar em altas o lado mais poderoso dos sintetizadores negros. Depois de ter ido mais slow com "brainspirit", tema que chegou ao radar corria o mês de setembro de 2019, OLMS aposta agora numa vertente semi-industrial que vai beber influências à EBM, darkwave e a minimal wave mais poderosa numa faixa altamente aditiva e pronta para fazer suar as pistas de dança mundo fora.

Fã assumido de nomes como Ministry, Seona Dancing, New Order, Bronski Beat, Depeche Mode, The Frozen Autumn, Clan Of Xymox, Joy Division, Gang Of Four, Giorgio Moroder, entre outros, OLMS prepara-se para celebrar 10 anos de carreira, numa discografia bastante rica onde o lado mais sensual e arrojado dos sintetizadores se encontra em auge máximo.  "BURN" é o segundo tema inédito a chegar ao radar digital cerca de um ano após o artista ter lançado o seu último longa-duração de estúdio, All The Hungry Needed em agosto. O novo tema pode ouvir-se na íntegra abaixo.


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quinta-feira, 9 de abril de 2020

STREAM: Sydney Valette - Brothers


Sydney Valette tem-nos habituado a um ritmo de lançamentos alucinantes. Entre EP's, singles, compilações e remisturas o produtor francês aproveita os tempos de confinamento para fazer aquilo a que tão bem nos tem vindo a habituar na última década: música vigorosa, forte, carismática e de ritmo altamente aditivo. Nestas andanças e depois de nos ter mostrado já este ano o tema "Angel's Sword" e o EP de remixes How Many Lives o produtor parisiense avança agora com Brothers, mais um curta-duração que chega às prateleiras esta semana. No novo EP, composto por um total de seis faixas inéditas, Sydney Valette aborda a sua característica eletrónica imperativa, de traços poderosos e vivacidade fugaz.

Este novo EP - que vem dar sucessão a Город Болит (2019) - toma início com "I", uma faixa de introdução com forte core na exploração das gravações de voz, onde ganha destaque, já no final, a tenebrosa voz de Trump. Numa tentativa de liberdade desta opressão Sydney Valette integra "Free" no alinhamento enquanto apresenta a sua techno minimalista que vai sendo sucedida pela EBM maquinal (presente no tema "Ambiance Survivaliste" e na despedida com "Brothers"), passando pelos sintetizadores compulsivos e altamente estimulantes a que nos tem habituado (ouvir "Safety Net" a título de exemplo), ou pelos mais badalados (como é o caso de "Bells Of January"). O novo EP Brothers pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Brothers foi editado esta quinta-feira (9 de abril) em formato digital e vinil na alçada da Oráculo Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Luar Domatrix lança novo álbum, Olho da Rua



Luar Domatrix tem novo álbum. Olho da Rua, lançado esta quinta-feira de forma independente, é um longa-duração de nove faixas que surge da vontade de “mandar cá para fora música nunca lançada”, explica Rodolfo Brita.  

“É uma coleção de faixas pelas quais tenho muito apreço, mas que nunca chegaram a ser incluídas em nenhuma das edições físicas” acrescenta ainda o membro dos Yong Yong, dupla que partilha com Francisco Silva desde 2012. Algumas dessas faixas, que estavam previstas para um outro lançamento por uma editora italiana, que entretanto faliu, servem de matéria para o disco que ganha hoje forma – música eletrónica hedonista em conflito com o seu lado mais cerebral e abastrato.  

O produtor português, que em tempos residiu em Glasgow, na Escócia, promete ainda mais dois lançamentos para os próximos tempos – Baía Stamina, a sair pela portuguesa Extended Records, e Nova Vida Passada, pela britânica Domestic Exile, foram adiados devido à pandemia do novo coronavírus, mas deverão ser editados ainda em 2020.  

Olho da Rua encontra-se disponível no Bandcamp da Ramadam Business e pode ser escutado desde já em baixo.   


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STREAM: Kaspar Hauser - Kaspar Hauser


Quatro anos depois de nos terem deixado as expectativas em altas com o EP de estreia Kaspar Hauser (2016) eis que os escoceses Kaspar Houser voltam às edições com novo curta-duração que se volta a chamar, não mais, não menos do que Kaspar Hauser. A banda formada por Anne Kastner (baixo), Josh Longton (voz, guitarras) e Andy Brown (bateria) volta a apostar numa sonoridade influenciada pelo post-punk suave e pelas veias independentes do rock alternativo num total de seis músicas de assimilação bastante fácil. Em ponto de foco ganham destaque as dinâmicas guitarras que tão apaixonadamente trazem acordes contemplativos, como nos sufocam entre ritmos imprevisíveis. 

Numa sonoridade estimulante, decadente e romântica os Kaspar Hauser oferecem uma viagem espacial e diligente onde ganham destaque temas com "Man With No Name" - amálgama de ritmos lentos a cruzar as texturas decadentes dos anos 80 com os feedbacks nostálgicos do panorama atual;  "Goodbye England's Rose" - a mostrar uma certa inspiração nos espectros sonoros de aplicação do shoegaze e algum noise-rock e, ainda, a malha de despedida "I Want You Where You've Got Me" - a repescar as paisagens deprimentes da existência delusória popularizadas por nomes como Bleib Modern. Aproveitem para reproduzir Kaspar Hauser na íntegra abaixo.

O novo Kaspar Hauser EP foi editado esta quarta-feira (8 de abril) em formato digital. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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quarta-feira, 8 de abril de 2020

O EP de estreia dos De Marbre traz as atmosferas góticas à ribalta


Chegou às prateleiras em novembro do ano passado, mas só alcançou a nossa playlist agora. O novo EP dos De Marbre - quarteto francês formado no ano de 2018 e sediado em Lyon - apresenta uma injeção de som tingida pelas paisagens do post-punk e rock gótico, em três músicas singulares cantadas maioritariamente com recurso ao dialeto francês (à exceção de do tema "Sillon" que se encontra em inglês vívido). Apaixonados pela música de vestes sombrias os De Marbre misturam a essência do rock'n'roll com a poesia decadente num ambiente ambivalente onde a escuridão cria a sua própria luz. Entre guitarras translúcidas, uma bateria ritmada e uma voz tipicamente abalada pela penumbra existencialista, De Marbre traz três canções que trazem o revivalismo gótico à ribalta sem deixarem, contudo, de cair na monotonia da cópia.

Os De Marbre são formados por Stéphane Buffavand (voz, guitarra), Édouard Souillot (baixo de 6 cordas, sintetizadores), Loup Langlade (baixo) e Jocelyn Prestat (bateria) e no curto currículo de existência já dividiram palco com nomes como Varsovie, Raskolnikov e Nairod Yarg. Deste EP homónimo destaque para temas como "Sous Verre", a mostrar clara uma onda revolta - sobretudo na progressão de ritmos e nos acordes gritados de Stéphane Buffavand - e o tema de encerramento "Sillon" a apresentar uma onda de post-punk delicado e progressivo onde os acordes doces da guitarra contrastam com os ambientes monocromáticos do baixo e os ritmos efervescentes da bateria.

De Marbre foi editado em formato digital e self-released a 10 de novembro de 2019. Se ainda não os conhecem aproveitem para disfrutar o seu primeiro esforço em áudio, abaixo.


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Seabuckthorn colabora com fotógrafa Sophie Gabrielle em Through A Vulnerable Occur



O guitarrista britânico Andy Cartwright, que se apresenta ao mundo sob o moniker Seabuckthorn, editou no passado dia 30 de março o seu novo álbum de estúdio Through A Vulnerable Occur. O sucessor de Crossing (2019) resultou do diálogo promovido pela editora IIKKI, entre a fotógrafa australiana Sophie Gabrielle, responsável pela capa do álbum e pelo livro de fotografia, e o artista britânico. 

Desde 2009 a lançar discos em nome próprio, o projeto de psych-folk-drone Seabuckthorn presenteou-nos com onze novas composições de texturas atmosféricas, todas elas criadas por Andy Cartwright na guitarra, saz, charango e efeitos, contando também com a colaboração de Gareth David no clarinete em “Through A Vulnerable Occur” and “Place Memory”.


O projeto completo de Through A Vulnerable Occur foi editado em três impressões físicas (livro, cd e vinil) e deve ser experienciado de diferentes maneiras:

- o livro visto sozinho
- o disco ouvido sozinho
- o livro e o disco vistos e ouvidos juntos.

O álbum Through A Vulnerable Occur foi composto entre junho de 2019 e fevereiro de 2020 e está disponível para escuta no Bandcamp de Seabuckthorn. A edição completa (livro + CD/Vinil) pode ser adquirida aqui.

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Chinaskee lança novo single com Miguel Ângelo


Alex Chinaskee (agora só Chinaskee) é o alter ego de Miguel Gomes. Ele que antes fazia-se acompanhar pelos Camponeses, tendo editado o álbum Malmequeres e os EPs Campo e Metro e Meio. Agora, apresenta-se só como Chinaskee (voz, guitarra e beat) e a sua banda tem uma nova formação - Bernardo Ramos na guitarra, Ricardo Oliveira na bateria, Inês Matos no baixo.

Em 2019, num concerto desta banda no B.Leza, Chinaskee convidou Miguel Ângelo (Delfins) para tocar uma música do seu álbum NOVA(pop). Música essa que foi escrita por Miguel Ângelo em conjunto com Miguel Gomes e Filipe Sambado, tendo ganhado uma nova vida nesta ocasião ao vivo. Passado um tempo, Chinaskee e a sua armada decidiram gravar esta nova versão de "NOVA" sob o nome "NOVA(rock)" como presente de aniversário ao cantor dos Delfins. 

Este single foi produzido e gravado por Filipe Sambado e Chinaskee, com assistência de Primeira Dama e do Trovador Falcão, no estúdio da Maternidade na Interpress. Esta música foi também misturada por Manuel Palha em Alvalade e masterizada por Eduardo Vinhas no estúdio Golden Pony. Oiçam em baixo o resultado deste novo arranjo de NOVA.

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Lovers & Lollypops lança clube para acesso a conteúdos exclusivos e realização de concertos


É lançado esta semana o Clube Lovers & Lollypops, uma nova plataforma online, através da qual a editora e promotora portuense disponibilizará um série de conteúdos de acesso exclusivo ligados ao seu universo. Concertos, conversas, programas de autor, mixtapes curadas e acesso a edições a preço especial são algumas das possibilidades que os subscritores terão ao seu dispor. Alojado na plataforma Patreon, o Clube Lovers & Lollypops tem como principais objectivos a manutenção do trabalho de edição da editora, assim como a criação de novas alternativas de apresentação e comunicação para os músicos e artistas com quem trabalha. 

O Clube Lovers & Lollypops terá 3 opções de subscrição mensal. A básica, no valor de dez euros, que dará acesso aos conteúdos digitais que serão lançados, a intermédia, no valor de 25 euros, onde, para além das novidades digitais, os utilizadores poderão escolher discos do catálogo da editora, e uma avançada, no valor de 50 euros, que permitirá o acesso a todos os conteúdos das outras mensalidades, mais um disco à escolha de uma prateleira seleccionada em outras editoras.

O arranque do clube é dado com uma grelha que integra o primeiro episódio de Help Center: An Oral Story with..., um programa mensal de conversas com alguns dos artistas que inspiram a editora que percorrerá uma história pessoal ou musical. O convidado de abril é o multinstrumentista americano Laraaji. Na vertente musical, serão disponibilizadas as gravações do concerto de apresentação de Phantone, de Angélica V Salvi, na St. James Anglican Church, uma mixtape curada por Dj Quesadilla sobre os quinze anos da Lovers & Lollypops, uma conversa-performance entre José Roberto Gomes (Killimanjaro/Solar Corona) e o brasileiro Sessa, e o acesso ao disco que juntou os portugueses Black Bombaim aos ingleses GNOD, Black Gnod - Inner Space Broadcasts Volume 3. No cinema, a proposta é para o documentário de Miguel Filgueiras rodado durante a residência de criação do disco Black Bombaim w/ Jonathan Saldanha, Luís Fernandes & Pedro Augusto

Destaque ainda para o acesso antecipado a Sun Oddly Quiet, o segundo disco de originais do percussionista João Pais Filipe, que contará ainda com um concerto de apresentação, em streaming no dia 24 de abril. O acesso a este concerto será dado também a membros externos ao clube, através de um sistema de donativos que servirá para garantir o pagamento do artista e da equipa técnica envolvida.

Os primeiros 50 subscritores receberão, em casa, a reedição, em K7, de Um Ano de Bailarico, compêndio celebratório do primeiro ano de actividade da Lovers & Lollypops. Os detalhes sobre o projecto, as suas mensalidades e a programação para abril podem ser consultados no site da editora.



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terça-feira, 7 de abril de 2020

"Li Shuwen" é o segundo tema de avanço de Kung Fu, novo disco de Stereoboy


Já se encontra disponível, em vídeo e em streaming, o segundo dos quatro temas que compõem Kung Fu, o novo tomo editorial no universo de Stereoboy com edição marcada para dia 17 de abril.

Praticante de Bajiquan, de Li Shuwen dizia-se ter a destreza suficiente para não ter que golpear o mesmo oponente duas vezes. "Li Shuwen" é também o nome desta segunda música gravada por Luís Salgado com as colaborações, à bateria, de João Pimenta, e nas percussões, de José Marrucho, e a segunda marca de um disco marcial, que se constrói na conquista constante da experimentação. Batida a batida, zumbido a zumbido, som a som, Kung Fu evolui numa marcha krautural onde cada novo espaço transcende o que lhe antecede.

O LP será editado via O Cão da Garagem e Dirty Filthy Records e pode ser adquirido em pré-venda aqui. O vídeo para o novo tema foi gravado numa sessão ao vivo, Casota Sessions #3, da autoria do colectivo com o mesmo nome.

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João Pais Filipe lança tema de avanço para segundo disco a solo


Baterista, percussionista e escultor sonoro, João Pais Filipe tem vindo a construir uma carreira musical assente na quebra constante do que já foi feito. Desde os primeiros passos com Sektor 304 até aos lançamentos a solo, tem vindo a circular, com impressionante destreza, pelos mais diversos géneros e linguagens artísticas. Hoje assina um estilo que lhe é único, habitado pelas constantes influências das várias colaborações e projectos que integra. Membro dos HHY & The Macumbas, Paisiel e CZN, João Pais Filipe tem editado e criado também com nomes como Burnt Friedman, com quem editará em maio um registo a meias com a referência Jaki Liebezeit, Steve Hubback, Fritz Hauser, Evan Parker, Marcello Magliocchi, GNOD ou Rafael Toral

Em Sun Oddly Quiet, o segundo disco de originais a ser editado numa parceria entre a Lovers & Lollypops e a Holuzam a 24 de abril, volta a reenquadrar o conhecimento adquirido. Recorrendo a um kit de bateria desenhado por si e à sua medida, entrega-nos um novo set de temas entre a pista de dança e o mantra, a provar a omnipresença de um dos mais activos e criativos músicos dos últimos anos em solo nacional. O single, XV, foi lançado no passado dia 1 de abril, em vídeo da autoria de Maria Mendes.

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

STREAM: The K. - Amputate Corporate Art


Amputate Corporate Art é o terceiro álbum do trio belga The K., oriundo da cidade de Liège. Influenciada pelo rock alternativo dos anos 90, a banda canta sobre amor, vida, dor e ternura. Já deram concertos em vários países europeus e regressam agora após um hiato de três anos, com um novo baixista na formação.

A banda promete riffs sólidos, ritmos de bateria pesados e uma série de melodias viciantes. Se procuram de uma boa dose de rock e punk, encontrem-na aqui. O álbum está disponível em vinil e CD.

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[Review] Les Tétines Noires - Analog Anthomologies


Analog Anthomologies | Manic Depression Records / Icy Cold Records | dezembro de 2019
8.0/10

Após um período de cerca de 15 anos em hiatus, a banda de culto do underground francês, Les Tétines Noires, juntou-se em 2018 para uma mão cheia de concertos em celebração da reedição dos seus três primeiros álbuns de carreira, Fauvisme et pense-bête (1990), Brouettes (1991) e 12 têtes mortes (1995). A banda, formada em 1980 quando Emmanuelle Hubaut e Goliam tinham apenas 13 anos, lançaria o seu primeiro single oficial de carreira nove anos mais tarde, em 1989, intitulado de "Crazy Horse" e incluído na compilação La Relève da extinta editora Boucherie Productions. Com o segundo álbum na calha, Brouettes (1991), os Les Tétines Noires ingressaram numa tour mundial que faria não só elevar a sua música de estúdio a produto de qualidade, mas essencialmente erguer as suas performances ao vivo como um retrato de poder ativo: salas finalizadas em penas, açúcar, vapor de incenso, decibéis saturados e espectadores maioritariamente bêbados. 

Para encerrar 2019 de forma surpreendente o grupo francês apresentou já na despedida do passado ano, em dezembro, uma compilação que reúne uma seleção dos melhores temas do período de atividade compreendido entre 1980 a 1997 e ainda duas canções inéditas - "Head Hole" e "Lady Memory". Esta copilação - intitulada Analog Anthomologies - reúne exclusivamente o trabalho do grupo entre os supracitados anos e antes dos Les Tétines Noires mudarem o seu nome para LTNO, que além das iniciais para o nome original da banda, também apresentava um segundo significado - Limited Teen Noise Orgasm. Demorou um tempo para reconstruir os arquivos, escolher as músicas que fariam parte da edição e encontrar uma boa embalagem para uma compilação tão intensa como Analog Anthomologies, mas o resultado chegou e é altamente aditivo, além de revivalista. 

Numa base sonora inspirada por referências do art-rock, os primórdios do punk a energia do industrial e um maneirismo decadente do rock-gótico, os Les Tétines Noires preparam-nos para fazer viver nestes novos anos 20 o que não nos foi possível experienciar nos antigos anos 90. A sua sonoridade poderia ser facilmente descrita como um circo teatral, caótico e cru onde a experimentação e os ambientes avant-garde se encontram em força. Mas para perceberem melhor a sua essência interpretem este projeto como se os Cramps e os Alien Sex Fiend tivessem um filho com os traços histéricos de David Bowie e uma voz à la Sex Gang Children, tudo isto feito há cerca de 30 anos atrás e mantido numa certa penumbra dos radares comerciais. 



A nova compilação abre com o tema "Freaks" que, a julgar pela própria letra e denominação é uma clara referência ao clássico filme Freaks (1932), onde ficou popularizada a cena do casamento de figuras estranhas e a clássica frase "We accept you, one of us!". Aqui, na música dos Les Tétines Noires sem o "One Of Us" na letra, mas a deixar bem claro que quem os ouve também é um deles. Além de "Freaks" de Fauvisme et pense-bête (1990) foram ainda escolhidos para esta compilação os temas "Les Captains" - uma malha soturna com um trago bastante desenvolvido ao rock-gótico que os Christian Death popularizaram e sempre com a energia cinematográfica e teatral que os Lés Tétines Noires trazem à tona - e ainda "Crazy Horses", o primeiro tema oficial de carreira enquanto banda. 

No lado A encontramos ainda "Hill House" - a apresentar toda uma aura sinistra inicial que abre espaço para a exploração brutal da dimensão crua que os Les Tétines Noires abrangem - e "N&M (Histoire de Lady Na)" - uma intensa mistura entre elementos surrealistas, dissonâncias sonoras e uma voz gastricamente frustrada. Ambos estes temas fazem originalmente parte do segundo disco de carreira da banda Brouettes (1991) e abrem espaço para a apresentação do primeiro dos dois temas inéditos que incorporam a tracklist de Analog Anthomologies: "Lady Memory". Vigorosa no andamento e claramente gótica na essência. 



O lado B de Analog Anthomologies inicia com nova faixa inédita, "Head Hole", a apresentar fogosos sintetizadores emaranhados com a catarse apoteótica das guitarras e toda uma conjugação entre uma voz feminina operática (a proporcionar um dos momentos altos da presente compilação) e a voz cimentada de Emmanuelle Hubaut. Já as restantes composições que integram Analog Anthomologies são retiradas do último trabalho da banda sob o cognome Les Tétines Noires - 12 têtes mortes (1995). A viagem é inaugurada pela aragem surreal e amplamente industrial presente em "Head Horse", continuando rumo num conceito mais nonsense e com forte vínculo à música noise como é o caso de "Enver set contre tête". 

Em "Washing Head" os Les Tétines Noires vão mais a fundo explorando em detalhe uma vibe mais eletrónica com influências no rigor e virtuosismo poderoso da música industrial. Se o rock-gótico e as tonalidades surrealistas da música soturna pareciam até então o grande foco no produto da banda francesa, nesta faixa mostram claro que a eletrónica experimental contextualizada num ambiente industrial também lhes serve um bom pano para mangas. Talvez por isso, já a chegar à reta final, os Les Tétines Noires apostem em três faixas um pouco afastadas da abordagem inicial, ainda assim embebidas numa experimentação afincada com paisagens sonoras que vão do ensaio sonoro "Teo Tertem" até à lo-fi music, em foco na despedida com "Tête Molle". 

Analog Anthomologies é um excelente pontapé de partida para apresentar o trabalho dos Les Tétines Noires aos ouvintes que até então não estavam a par da discografia produzida pela banda. Ao longo de treze temas o grupo francês faz uma escolha rigorosa das faixas em que trabalhou durante a década mais fértil e consegue recriar na memória dos insipientes da sua existência até então, uma experiência auditiva conquistadora, surpreendente e acima de tudo bastante criativa. Redescobrir as faixas de Analog Anthomologies entre cerca de 25-30 anos após serem lançadas cria toda uma imagem mental de um cenário musical interessante e fervoroso perdido no negrume das luzes da ribalta. Agora reencontrado na alçada das editoras-irmãs Manic Depression Records e Icy Cold Records, Analog Anthomologies recria toda uma viagem entusiasmante relativa ao poder certo e absorvente das suas prestações ao vivo, que tão explícito se encontra nas gravações em estúdio.



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