sexta-feira, 17 de abril de 2020

Structures de regresso com "Sorry, I Know It's Too Late, But..."

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A banda de rough wave mais incendiária de França está de regresso ao radar com novo tema. Intitulado "Sorry, I Know It's Too Late But...", o novo single chegou esta sexta-feira (17 de março) às plataformas de streaming e já está a bombar forte. O tema de desculpas chega ao posto de escuta cerca de dois anos após terem colocado cá para fora o primeiro EP de estreia Long Life (2018, Rockerill Records) e antecipa o primeiro longa-duração dos Structures, que deverá chegar às prateleiras em setembro de 2020 sob a identificação How Does It Feel?.

Sempre com a atitude punk-rock - que deixaram bastante notória na sua passagem por Portugal integrada no Festival Monitor, em Leiria -, o quarteto oriundo de Amiens não revela pormenores adicionais além do novo vídeo de atmosferas psicadélicas onde se demonstra claro o lado mais descontraído dos novos meninos da cena. Resultado de uma colagem de gravações que integra desde os momentos de pausa em tour, breves excertos de performances ao vivo e toda uma onda despreocupada sobre Chroma Key a banda deixa as expectativas altas para o que poderemos esperar ouvir no futuro. Enquanto não são divulgados pormenores adicionais relativamente à edição do disco é ir reproduzindo "Sory, I Know It's Too Late, But..." abaixo. How Does It Feel? contará com edição da Deaf Rock Records

Aproveitem ainda para ler a entrevista com os Structures que tivémos oportunidade de realizar aquando a sua passagem por Portugal aqui.




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Einsturzende Neubauten adiam digressão para 2021



Esta sexta-feira ficou a saber-se, através do facebook oficial dos Einsturzende Neubauten, que a digressão europeia dos alemães, que começaria em Praga, a 22 de maio, e que passaria por Lisboa e Porto nos dias 25 e 26, respetivamente, foi adiada dadas as circunstâncias do novo coronavírus (Covid-19).  

As novas datas em Portugal ficam então agendadas para maio de 2021, primeiro em Lisboa, na Aula Magna, no dia 18, e no dia seguinte, a 19, na Casa da Música do Porto.  

Os Einsturzende Neubauten, atualmente formados por Blixa Bargeld, Alexander Hacke, NU Unruh, Jochen Arbeit e Rudi Moser, são um dos mais importantes nomes no que à música experimental diz respeito, tendo desenhado novas e inventivas coordenadas para a música industrial. Alles in Allem é o próximo álbum da máquina marcial de Bargeld e o primeiro desde o anterior Lament, de 2014. 

O disco serve o mote para a próxima digressão dos alemães mas de fora não ficarão, com certeza, os clássicos de sempre – "The Garden", "Haus der Lüge" e "Ich gehe jetzt" são alguns dos temas que integraram os últimos alinhamentos.  

Os bilhetes já adquiridos continuarão válidos para as novas datas e continuam à venda em bol.pt e nos locais habituais.      

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Stereoboy lança primeiro álbum em 7 anos



Está disponível a partir desta sexta-feira o novo disco de Stereoboy. Kung Fu marca o regresso de Luís Salgado às edições desde 2013, sete anos depois do último OPO, e recebe o selo da editora portuguesa O Cão da Garagem.

Stereoboy é, nas palavras do próprio, "o projecto de um gajo". "É o projeto formado pelas ideias que, na cabeça de Luís Salgado, marcham a galope de um toque e de uma batida… de um zumbido aparentemente inofensivo e ramificado em selva bruta, que transforma o projecto de um gajo na estância “krautural” a que baptizou de Kung Fu", acrescenta o atual programador do Maus Hábitos sobre o seu novo trabalho, onde explora as tessituras fabricadas da música industrial e o frenesim cósmico da escola de Berlim através de colagens digitais de recorte ambiental.

O álbum conta com a participação de João Pimenta (10000 Russos) na bateria e José Marrucho na percussão e é composto por quatro canções que podem ser escutadas agora em todas as plataformas digitais.


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STREAM: Princess Thailand - And We Shine


Princess Thailand é um nome que veio para marcar 2020. Em mote desse macro encontra-se And We Shine, o novo disco da banda liderada pela vocalista Aniela que traz um poder incrível de ação no espectro auditivo com forte vínculo às ambiências escuras. Este novo trabalho vem dar sucessão ao LP de estreia Princess Thailand (2018) e volta a colocar no posto de escuta as texturas poderosas e melancólicas - que tão bem têm caracterizado o trabalho da banda -, tornando a sua aura musical numa experiência física inspirada nos grunhidos da música noise, a sensualidade da música pop, a raiz vanguardista da no wave e aqueles traços aditivos do post-punk.

Composto por sete temas o novo disco prende automaticamente a audição do ouvinte com o tema de abertura "First Time" - que traz à memória uma mistura camaleónica entre Camilla Sparksss e Sofia Portanet - num tema imerso em poder e caracterizado por uma exploração rítmica bastante luxuosa. Em "Sonar" começam a aparecer as primeiras características do noise-rock com uma essência independente que exploram mais pormenorizadamente em "In This Room". "Now / Where" inicia com os tons monocromáticos dominantes nas paisagens decadentes do post-punk, enquanto que "We Shine" amplifica este espectro para as texturas mais arrojadas do shoegaze com a violência da eletrónica a caracterizar os minutos finais. Já a chegar ao fim, o ouvinte é surpreendido com "Night After Day", tema que inicia numa atmosfera mais badalada para culminar num manto abrasivo de som, onde as guitarras ganham o ponto focal. Para a despedida a abanda apresenta "Into Her Skin", um trago de imersão surpreendente onde Aniela dá literalmente tudo nos acordes vocais, que encerram numa amálgama de feedback altamente intensa e artística.

And We Shine é editado na próxima sexta-feira (24 de abril) em formato vinil e digital pelos selos À Tant Rêver du Roi e Luik Records, mas já o podem ouvir na íntegra abaixo. Caso tenham ficado conquistados, aproveitem para fazer a pre-order do disco aqui.


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quinta-feira, 16 de abril de 2020

15 anos de All is Violent, All is Bright celebrados em Portugal


Celebra-se neste ano de 2020 o 15º aniversário da edição do seminal disco All is Violent, All is Bright dos God is an Astronaut. Um disco que se tornou um marco da cultura post-rock feita na Europa (tal como Young Team dos Mogwai, por exemplo) e, que gerou toda uma nova fase na vida irlandeses.

All is Violent, All is Bright foi apresentado pela primeira vez no nosso país em janeiro de 2006, aquando da primeira tour dos God is an Astronaut por cá (acompanhados pelos ainda pouco conhecidos Linda Martini). 

Depois de de uma mão cheia de regressos a Portugal entretanto, por salas e festivais, os God is an Astronaut regressam novamente para tocarem na íntegra All is Violent, All is Bright. Depois de alterações nas datas originais devido à pandemia atual, os irlandeses têm previsto o seu regresso ao nosso país nos dias 12 (Casa da Música) e 13 de outubro (Estúdio Time Out Lisboa). O preço dos bilhetes de ambos os concertos é de 22 €.

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[Review] Homem em Catarse - sem palavras | cem palavras


sem palavras | cem palavras  | Fundação GDA | janeiro de 2020
7.5/10

Homem em Catarse o projeto a solo de Afonso Dorido, regressou ao ativo este ano para nos apresentar um trabalho altamente sonante e construído entre as mais belas paisagens da nostalgia poética: sem palavras | cem palavras. Já não é nova a característica sensitiva que o músico aporta na sua obra: sempre construída ao redor de loops de guitarra, num mundo denso onde as texturas sonoras criadas nos conduzem a cenários intermináveis de auto-descoberta, com amplo foco na exploração das sensações.  Esta história começou a ser tecida corria o ano de 2013 quando chegava às prateleiras o primeiro esforço do artista, o EP homónimo Homem em Catarse - onde era já visível que as guitarras comunicavam a mensagem principal numa música estática de voz. 

Com os trabalhos sucessores, Guarda-Rios (2015) e Viagem Interior (2017), o músico passava a apresentar uma preocupação com a inserção de outros elementos no ponto de foco da sua natureza musical: desde a natureza - em grande expansão no primeiro - às origens do, por vezes esquecido, interior português e de toda uma cultura muito portuguesa. A dimensão explorativa do seu som, sempre focado na folk, ganhava novos alicerces com a voz do músico a fazer acompanhar a narrativa sonora criada. Contudo, é neste sem palavras | cem palavras que Homem em Catarse dá o salto na carreira, ao voltar às origens e apresentar um longa-duração onde o som volta a comunicar uma mensagem completa e universalmente compreendida. A exploração profunda da guitarra passa a abranger todo um novo mundo clássico, onde o piano rouba as principais atenções do registo. 



Sem nunca descurar da pureza dos elementos naturais, o álbum tem início com "Tu eras apenas uma pequena folha", a canção mais curta do disco que abre logo espaço à sondagem de uma sensibilidade emocional tamanha, num tema dócil e simples com recurso exclusivo ao piano. Seguimos viagem com "Hey Vini!", faixa de dimensão profunda, onde o ouvinte pode voltar a tomar gosto do trabalho que Homem em Catarse tem colocado na calha ao longo dos últimos anos: as tessituras suaves das guitarras em comunhão com a leveza da eletrónica de características ambient. Sempre meigo na abordagem instrumental, Homem em Catarse constrói uma obra singular e um universo musical extremamente intimista. A primeira parte do álbum é sempre muito focada na pureza dos elementos naturais e nesta vontade de extrair do minimalismo uma profundeza artística tão bela e sem recurso a grandes tecnologias. Tanto "Lembro-me de ti mesmo quando não me lembro" ou "Marie Bonheur" trazem-nos a essência autêntica das guitarras nostálgicas - exploradas em força no  cenário post-rock -, enquanto "Hotel Saturnyo" investiga o ritmo possível de executar nos loops da guitarra, apresentando-se como o tema mais compassado destas primeiras cinco ofertas sonoras. 

Nesta poesia inerte de palavras, mas fortemente contruída em emoções e paisagens sonoras imersivas, Homem em Catarse abre a segunda parte do disco com "Calle del Amor", nova faixa com recurso exclusivo ao piano onde, mais uma vez, somos prostrados perante a estética absolutamente romântica e harmoniosa que este instrumento sonoro, sozinho, consegue criar. "Yo La Tengo" - o tema que lhe dá sucessão - volta a abraçar a guitarra, mas a colocar em pano de foco a eletrónica etérea trazendo ainda, ao posto de escuta e pela primeira vez no desenvolvimento do disco, a presença de arranjos de voz humana. Dentro das mesmas linhas da já mencionada "Hotel Saturnyo" encontramos "Danças Marcianas", aquela que é a faixa mais dominante deste sem palavras | cem palavras. Com os loops de guitarra a dominarem o ritmo inicial, Afonso Dorido pega ainda no baixo e, em conjunto com a bateria eletrónica de Pedro Sousa, constrói uma balada "neo-gótica" absolutamente conquistadora. Há ritmo - com os compassos do post-punk bastante evidentes - poder, imersão e todo um mundo de atmosferas ora negras, ora de profunda aura celestial. Sem margem para dúvidas, a melhor criação deste disco. 



Já a aproximarmo-nos do fim, voltam a estar em evidência o desenvolvimento mais dilatado e a exploração dimensional de um singular instrumento. O tema "Mar Adentro" é mesmo isso, um reflexo do próprio nome construído entre as paisagens atenuantes dos acordes de guitarra, enquanto que no tema de encerramento, "Casa dos pequenos pássaros" nos volta a colocar perante a extensão delicada que o piano nos oferece. 

Sempre em modo registo intimista, neste novo sem palavras | cem palavras, Homem em Catarse mostra um trabalho que se revela uma boa evolução na carreira, ao integrar a dimensão sonora de novos instrumentos, num álbum exclusivamente instrumental que nasceu de um poema de autoria do músico (e que se encontra presente na edição física do álbum). Além da inclusão de novas ambiências, neste sem palavras | cem palavras destaca-se essencialmente o voltar do Homem em Catarse às raízes do primeiro EP, num disco completamente composto sem uma voz a servir de guia, e com uma sonoridade bem mais matura que no início. Não é um disco de fácil apego a qualquer ouvinte, mas certamente fará as delícias dos mais sensíveis.




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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Weathervane Records reúne 20 artistas portugueses em nova compilação


“O que significa ser um músico nestes tempos?”, é a questão que Tomás Frazer, mais conhecido por Oströl, nos coloca na apresentação da nova edição do seu programa "Weathervane" na Threads Radio, dedicado à compilação que orquestrou ao longo das últimas três semanas e que ganhou forma na última quinta-feira, dia 13 de abril.  

Estado de Emergência junta 20 temas inéditos de 20 intervenientes do panorama eletrónico em Portugal, e conta com contribuições de Francisco Oliveira, músico e compositor pluridisciplinar e o autor do mote que levaria à construção deste compêndio (em março, aquando da iniciativa do Bandcamp de renunciar a totalidade das receitas para os artistas, o membro dos Terebentina moderou uma importante thread de apoio aos músicos afetados pela crise atual), Sal Grosso, carga aérea, UNITEDSTATESOF, Vasco Completo, Lyft Aym, DRVGジラ e Kara Konchar.  

O álbum pode ser escutado e adquirido no Bandcamp da Weathervane Records e os fundos revertem para os artistas. A capa é assinada por Diana Lucena (Edições Fauve). 


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STREAM: eNiB - Cut


Synthwave no auge máximo e o novo disco de eNIB chega mesmo a tempo de acarinhar estes conturbados tempos negros. O produtor italiano que divide a atenção também com os Echoes Of Silence, estreia-se agora a solo numa aventura focada na exploração da eletrónica de vestes negras. Emaranhada nas influências de géneros como a coldwave, minimal wave, electro dark e alguma influência do techno noir, eNIB traz um disco bastante estimulante, não só pelo artwork digital - que consome logo a atividade mental do consumidor - mas também pela estética distrativa entre sintetizadores lúcidos e camadas sinistras bastante obscuras.

Desta estreia com Cut já tinham anteriormente sido lançados os temas "No Way Out" - tema cuja lírica apela às pessoas que não estão satisfeitas com a vida quotidiana e a sua banalidade contemporânea -, "Limbo" - que faz literalmente jus ao próprio nome, num tema diversificado entre as margens da synthwave cativante e da minimal wave depressiva - e ainda "Lost", mais um tema ativo e bastante condensado por texturas almofadadas. Num disco com forte foco numa visão do fluxo da vida como confortavelmente insensível e perturbado, além dos referidos temas forte destaque para a abrasiva "Cut", a distante "Devourer" e "Intruder (Feat. donTToxique)". Cut pode ouvir-se agora na íntegra abaixo.

Cut é editado esta segunda-feira (13 de abril) em formato digital pelo selo Wave Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.



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João Vairinhos "Vala Comum" (video) [Threshold Premiere]

© Pedro Roque

João Vairinhos está de regresso às edições de estúdio desta vez no formato curta-duração para nos entregar um EP cheio de vida, mas igulamente rodeado de morte e do negrume da eletrónica mais negra. Membro fundador dos LÖBO e músico ao vivo de projetos como MURAIS, Ricardo Remédio ou Wildnorthe, o artista lisboeta avança esta quarta-feira em primeira mão, com a primeira extração deste novo registo, "Vala Comum", uma malha psicologicamente densa e isenta de voz que comunica, num só título, uma mensagem amplamente profunda de sentido.

O single é apresentado hoje (15 de abril) através de um trabalho audiovisual assinado por Mariana Vilhena, artista visual que, entre outros projetos, acompanha Kara Konchar nas suas performances ao vivo. Através da sobreposição de imagens de arquivo a preto e branco com um forte sentido rítmico e história, o vídeo estabelece um elo de ligação entre a imagem mental que o termo "Vala Comum" desencadeia na mente do espectador. Podem tirar as vossas conclusões ao visualizar o vídeo abaixo.


Relativamente ao novo VéniaJoão Vairinhos explica o que podemos esperar: 
A composição deste disco teve início em 2018 e ocorreu numa fase em que li várias obras de ficção que remetiam para contextos assentes na opressão (ideológica, material, científica, amorosa…). Dei por mim a tentar musicar algumas imagens que as páginas desses livros me ofereceram durante as leituras. Não foi um ponto de partida intencional, foi algo que aconteceu na primeira música e como gostei do resultado, deixei-me ir. Aos poucos fui percebendo que o disco estava a funcionar como uma espécie de enquadramento sonoro de uma distopia, e assumi esse resultado no nome do disco e das músicas.
Vénia foi misturado e masterizado por Pedro Barceló (Førest Fires), e conta com a participação de Sérgio Prata Almeida e Ricardo Remédio em dois temas.

Vénia tem data de lançamento prevista para 29 de abril, em formato digital pelo selo Regulator Records. As edições em formato físico têm o selo da Raging Planet, Regulator Records e Ring Leader e serão disponibilizadas em data a anunciar.


Vénia Tracklist:

01 - Chegaram 
02 - Vala Comum 
03 - Vénia

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7 ao mês com Dada Garbeck


O pianista e compositor vimaranense Rui Souza editou no passado mês de março sob o alter ego de Dada Garbeck a segunda parte da tetralogia The Ever Coming, coletânea  onde a música serve como ponto de reflexão sobre a teoria do eterno retorno e a dimensão não linear do tempo. Vox Humana reúne sete temas sintéticos embebidos em sonoridades minimais e neoclássicas, num registo em que a voz e o cariz tradicional das canções ganham uma nova importância.

Retomando a importância do número sete, Dada Garbeck aceitou o convite de participar na edição de abril do 7 ao mês e apresentou sugestões que não influenciaram a criação quer de Dada Garbeck, quer deste novo disco, sendo apenas um conjunto de canções que ouve e que, inevitavelmente o influenciaram enquanto músico e, em essência final, enquanto pessoa.


Ravi Shankar feat Philip Glass - Offering

Este tema é-me muito querido na medida em que trabalha a música circular, própria aliás, do grande compositor Philip Glass. A combinação de cordas e sopros é absolutamente bela. Em certa medida, quase que estamos a ouvir sintetizadores rotundos, numa sopa toda ela orgánica.




José Cid - 10 000 anos depois entre Venus e Marte 

Uma obra prima em que a palavra é pequena para poder descrever. Para mim, uma obra única na música mundial. Todo o trabalho de teclados, de vozes, assim como todo o argumento, fazem deste projeto um disco com conceito e pensamento - coisa raras nos dias que correm. Para além de ser um trabalho musical de um outro planeta (passo a expressão), é também uma obra com pensamento sem ser pretensioso. As raridades fascinam-me.




Tigran Hamasyan - Shadow Theater

Talvez o músico por excelência deste século. Escolhi este disco, que é mais pesado que os restantes, mas poderia ter escolhido qualquer outro. Um pianista soberbo mas mais do que isso, um compositor planetário. É-me sempre difícil falar de uma coisa cujas palavras não chegam. Mas posso dizer que ouço regularmente este mestre. Para além disso ele junta as linguagens e escalas do seu país, e faz o seu próprio jazz.




Manuel Molina

Orgulhosamente cigano, não precisa de muito dinheiro para viver porque felizmente gosta de pão e gosta de manteiga. A relação dele com a poesia, a guitarra e o flamenco são uma lição de vida para todos nós. Posso dizer também que actualmente o tipo de música que mais ouço e exploro, é a música cigana - flamenco.




Estrella Morente

Mais uma artista do flamenco que me faz arrepiar de amor. Não há muito a dizer. É um vício ouvir esta mulher.




Nick Cave and The Bad Seeds - No More Shall We Part

O mestre das canções.
A voz.
O gajo.




Maria João

A Maria João tem das melhores vozes do panorama mundial. Isto nem sou eu que digo. Quem anda no meio, sobretudo do jazz, do free ou da música contemporânea, conhece a grande Maria João. Agrada-me sobretudo o lado dela mais experimental, as abordagens que ela faz quer da linguagem quer da pré linguagem.



Vox Humana foi editado a 27 de março com o selo da também vimaranense Discos de Platão e está disponível para audição no Bandcamp do artista.

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terça-feira, 14 de abril de 2020

STREAM: twistedfreak - Recordações do quarto amarelo


Foi no domingo, 12 de abril, que twistedfreak, projeto do produtor nacional José Silva, adiconou um novo capítulo às suas edições discográficas. Um dos primeiros nomes da família da ZigurArtists apresenta-nos em plena pandemia "a cura que precisávamos para estes dias em suspensão". Agora com o selo do Coletivo FARRA e da combustão lenta records, Recordações do quarto amarelo foi composto, gravado e produzido pelo próprio entre 2017 e 2020, em relativa discrição, sucendendo a Summer Nights (2015). A capa é da autoria de Francisco Lima.

Onde antes ouviamos influência da eletrónica progressiva de Oneohtrix Point Never, agora sentimos ecos de Basinski, Rothko, Feldman, Ligeti e outros visionários pela busca de uma linguagem universal. Talvez por isso seja um disco de emoções à flor da pele, em dilatação e na busca de uma transcendência bem real, que explora várias noções de sobreposição e introspecção. Como se o tempo se dobrasse sobre si mesmo para criar e albergar diferentes realidades e emoções.

Recordações do quarto amarelo está disponível em edição digital e pode ser escutado na íntegra no Bandcamp da combustão lenta records.

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Amnesia Scanner anunciam novo álbum, Tearless



Os Amnesia Scanner, dupla composta por Ville Haimala and Martti Kalliala, anunciaram hoje o lançamento do seu aguardado segundo álbum de originais. Tearless tem data de lançamento prevista para o dia 5 de junho, quase dois anos depois do demolidor Another Life, de 2018, e volta a receber o selo da ediora berlinense PAN.

A dupla, que passou pela última edição do festival Mucho Flow, descreve o novo trabalho como "um álbum de rutura com o planeta", propondo uma reflexão sónica de como é "experimentar a Terra num momento em que o colapso está a emergir como a narrativa predominante". Apesar de ter sido pensado e produzido antes da pandemia do novo coronovírus, o disco surgiu como resposta a outras ameaças de ordem vária, nomeadamente as pressões ambientais sentidas na sua terra-natal na Finlândia. 

O anúncio do disco vem ainda acompanhado de um novo tema, "AS Going", que recebe a participação da DJ e produtora brasileira LYZZA e sucede o anterior avanço "AS Acá", lançado em novembro de 2019 e que juntou os finlandeses à cantora peruana Lalita

O vídeo febril de "AS Going", dirigido por Marc Elsner, já se encontra disponível e pode ser conferido em baixo, juntamente com a capa e a respetiva tracklist de Tearless.






Tracklist:  

01. AS Enter
02. AS Tearless (feat. Lalita)  
03. AS Flat’ (feat. Code Orange)  04. AS Trouble  
05. AS Acá’ (feat. Lalita)  
06. Call Of The Center (interlude)  
07. AS Too Late 
08. AS Going’ (feat. LYZZA)  
09. AS Labyrinth  
10. AS U Will Be Fine

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Glaare de regresso com "Mirrors"


Três anos depois de se estrearem de forma expansiva com To Deaf And Day (2017, Weyrd Son Records) os norte-americanos Glaare regressam ao ativo com o primeiro tema retirado daquele que virá a ser o segundo registo longa-duração da banda. Intitulado "Mirrors", o novo single serve de avanço para antecipar o segundo disco de estúdio do agora quarteto que segue ainda sem grandes pormenores divulgados, além do título Your Hellbound Heart. Juntamente com este novo tema a banda avança também com um trabalho audiovisual assinado pelo baterista da banda, Brandon Pierce, onde o papel principal é dividido ora por Rachael Pierce ora por Iphi (Foie Gras).

Mantendo na origem a imagética sinistra e provocativa que tem caracterizado a personalidade da banda desde que arrebataram 2017 com o denso To Deaf And Day, os Glaare mostram-se agora mais maturos e com nova formação. Brandon e Rachael Pierce mantêm-se como a mastermind do projeto - na bateria e voz/performance - juntando-se agora a Marisa Prietto (baixo) e Rex Elle (guitarra) para criar uma onda sonora minimalista, construída ao redor de uma eletrónica tensa e de influências obscuras. O resultado final poder espreitar-se abaixo.

Your Hellbound Heart deverá atingir as prateleiras no final do verão de 2020 via Weyrd Son Records. Até lá é ir ouvindo:


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Novo single duplo de jelly the astronaut


O synthwave tem crescido cada vez mais nos últimos tempos, e tempos de quarentena não servem para o parar. jelly the astronaut, projecto de um homem italiano que prefere manter-se em anonimato, é dos mais recentes projectos do género e, vindo directamente de Milão e juntando darkwave à mistura, edita agora Nothing Better e Halfway Happy, uma edição dupla de sintetizadores hipnóticos. 



Gravados a partir de Brenta Base Records, o quarto-feito-estúdio pessoal de jelly the astronaut, os dois singles contrapõem-se - Nothing Better é um manifesto de darkwave, com uma tez lo-fi inconfundível e vocais distantes e atmosféricos. Por outro lado, Halfway Happy é dono de uma intemporalidade distante, de uma absorção das correntes de electrónica progressiva da escola de Berlim dos anos 70 em slow motion. Dois lados da mesmo moeda, os novos singles de jelly the astronaut serviram para confortar o fã saudosista de synthwave. 

Munindo-se de guitarra, piano, sintetizadores digitais e voz, o italiano incógnito estreia-se com um par de faixas que abrem o apetite para mais. Felizmente, jelly the astronaut compremete-se a continuar com estes exercícios de criatividade, que descreve como exercícios catárticos para ser libertado de uma realidade pouco acolhedora. Os ecos e as reverberações que cobrem estas composições simples mas cativantes criam esse mesmo escapismo e convidam-nos a ficar por lá, a flutuar no espaço com jelly the astronaut.

Nothing Better e Halfway Happy de jelly the astronaut, a escutar em baixo.


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segunda-feira, 13 de abril de 2020

[Review] PAAR - Die Notwendigkeit der Notwendigkeit


Die Notwendigkeit der NotwendigkeitGrzegorzki Records | março de 2020
9.0/10

O novo grito da cena underground da Alemanha - PAAR - iniciou carreira corria o ano de 2015, quando colocavam cá para fora o tema "She Brings The Rain", o primeiro esforço colaborativo de estreia que começava a refinar uma aproximação fustigante aos cenários abandonados de cor, num reino de tessituras negras e desoladas. Ainda sem uma característica de unicidade precoce, a banda destilava uma base sonora à qual quatro anos mais tarde, em 2019, acrescentaria os elementos que agora inspiram esta estreia em Die Notwendigkeit der Notwendigkeit. Estávamos em abril de 2019 quando o trio formado por Ly Nguyen, Rico Sperl e Matthias Zimmermann colocava no posto de escuta HONE, EP de quatro faixas embalado em atmosferas sonhadoras, conduzidas por sintetizadores brilhantes e uma voz dinâmica absolutamente conquistadora. 

Conduzindo-nos calmamente às paisagens monocromáticas da minimal e coldwave modernas, a banda apresentava ainda assim um mundo ambíguo, ao ser fortemente influenciado por uma aura melancólica, mas de vivacidade brutal. Numa sonoridade a incorporar as vibrações do post-punk dos anos 80 em conjugação com uma maquete muito contemporânea, os PAAR criavam então o seu corpo musical composto por batidas minimais e sintetizadores almofadados, refinados entre um jogo de guitarras fugaz, linhas de baixo atraentes e uma voz altamente querida a amenizar qualquer brutalidade ecoada pela instrumentação circundante. HONE foi o EP que mostrou, sem margem de dúvidas, que os PAAR tinham algo a oferecer ao mundo, mas esse produto só se tornou evidente com este novo Die Notwendigkeit der Notwendigkeit

Não referindo apenas a produção geral do álbum - que se tornou estrondosamente obtusa -neste novo longa-duração prima essencialmente toda uma lírica que comunica mensagens profundas e existencialistas, mas também a capacidade condutora e progressiva que os PAAR têm para nos guiar entre mundos bruscos de incerteza, esperança e desilusão. O álbum, anunciado em fevereiro, viu a luz do crepúsculo a 20 de março tendo anteriormente sido promovido com "Rework", a primeira extração do trabalho a apostar em força nos sintetizadores analógicos, camadas de ritmos poderosas e adocicadas por uma suave estética negra, numa onde de confronto com a obediência ("We just do what we’ve been told // and we can’t remember // who we were before") e a solidão existencial ("I and I we are dust // I and I we catch fire // I and I we swim under the storm"). 



Através de uma força vigorosa - não tão denotada outrora - os PAAR começam por abrir a sua nova obra de arte com "Common Crimes", uma malha catártica recheada por um desenho de guitarras absolutamente faustoso e uma progressão de ritmos deliciosa. No meio, uma voz que nos conduz a uma realidade muitas vezes não equacionada: "When We're Awake // We're dreaming of a life in red // wishing to push all the boundaries // wishing to overcome our fears // but in the end we just turn off the light", mas sempre vivida. Numa metodologia de conforto existencial os PAAR voltam a surpreender com o tema que lhe dá sucessão "Beauty Needs Witness". Inicialmente construído ao redor das ambiências noise e feedbacks de guitarra popularizados por nomes como My Bloody Valentine, os PAAR vão abrindo lugar para o seu mundo de decadência poética não só sentido na estrutura sonora, mas mais uma vez, nas palavras que nos declamam: "our eyes got weak // and our brain got thin // we won’t be there // to see success or sin". Já a fechar o lado A do LP, em "Modern" os PAAR surpreendem com o trabalho vocal vastamente celestial que lhe dá fim. 

A necessidade da necessidade, afirmam eles no título que escolheram para nomear este primeiro esforço longa-duração. Escrito originalmente em alemão, a língua do país que acolhe a sua residência, os PAAR trazem inerte em Die Notwendigkeit der Notwendigkeit um mundo sonoro extremamente cativante e necessário nos dias que correm. Uma amálgama sonora altamente aditiva e pronta para nos fazer dançar. O lado B do LP abre com "Pure", o único tema do LP a ser repescado do anterior HONE (2019) e que, aqui, se apresenta retrabalhado com uma gravação aprimorada e um trabalho vocal extremamente refinado. Torna-se então, óbvia a evolução dos PAAR como banda: mais seguros, mais poderosos e cada vez mais conquistadores. 



O registo progride com "Eis", um dos temas mais energéticos do disco - fortemente influenciado pelas correntes da darkwave e post-punk contemporâneos - que ganha destaque essencialmente no trabalho entre guitarra e baixo construído desde o início, até alcançar o êxtase numa ambiência mais rock'n'roll, onde a guitarra passa a dominar todo um cenário apoteótico. Vigor para dar e vender. Por sua vez, "Lakes" aproxima-se das tendências já enraizadas no panorama por bandas como Second Still sem, contudo, perder o ar da sua graça. Para fechar o álbum de forma surpreendente, tal como o começaram, os PAAR escolheram "Metal" para a despedida. O tema, que abre numa estética meia industrial, rapidamente se transforma numa mescla de sintetizadores propulsivos, onde Ly Nguyen nos volta a cativar com os seus gritos motivadores: "Control"! Numa letra mais romântica que a presente nos temas antecessores ("I want you to be near me // to save me from the afterlife // I want you to defend me // It’s everything I needed from you // fear is the most I fear") os PAAR mostram-nos um dos sentimentos que mais transgride o controlo humano: o medo. E tudo isto cantado e tocado sem nenhuma aversão ou temor. 

Os PAAR são sem dúvida uma das melhores descobertas da atualidade: uma banda de atmosferas escuras recheada de uma elasticidade sonora pegajosa, escura e violentamente bela. Em Die Notwendigkeit der Notwendigkeit o trio mostra uma maturidade bastante afincada numa produção estimulante e cheia de traços minimalistas e atmosferas de som complexas. As batidas simples e intrigantes que nos apresentaram no EP de estreia ganham neste LP toda uma harmonia contagiante e imersiva à qual integram sintetizadores elegantes exíguos, com texturas abrasivas oriundas das guitarras em angústia e de um baixo monocromático que destila emoções puras. No conjunto ganha também destaque a voz de Ly Nguyen cantada em texturas ora doces, ora imperativas, que resultam num disco amplamente acarinhado. Sem dúvida uma edição a marcar este estranho 2020.


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domingo, 12 de abril de 2020

Wild Maui apresenta primeiro single do EP de estreia


"Devil Awake" é o primeiro single de apresentação de Magnetic Solitude, EP de estreia de Wild Maui. Uma faixa onde se dá o confronto com a parte mais negra que existe dentro de nós e que vamos tentado esconder do mundo, por vezes até de nós próprios. A componente visual é extremamente importante neste vídeo que combina a música com a luz e as texturas visuais com o sentir, convidando a uma partilha mútua entre artista e ouvinte/espectador. 


Wild Maui é o projecto a solo de André Ferreira, onde este reaviva o seu lado mais selvagem e, em simultâneo, estimula o seu lado mais frágil e maneável.

O EP será composto por 4 faixas. São 4 histórias cobertas de dicotomias que oscilam entre a luz e o breu. A sonoridade contempla estilos como new wave, dark pop e witch house, mantendo sempre uma estética firme de um ritmo eloquente que impulsiona o movimento corporal. Visualmente, cada música é acompanhada por uma produção cuidada e uma imagética negra, ofuscante e algo romântica na sua essência.


As 4 faixas que contam a história de Magnetic Solitude serão apresentadas uma a uma, em linhas cronológicas específicas, e vão formar o seu uno aquando do lançamento do EP no dia 9 de outubro.

O single está disponível em todas as plataformas digitais e pode ser visto e escutado aqui:

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Eigreen estreiam-se com "It's On"


De Coimbra chega-nos Eigreen, projeto formado por Francisco Frutuoso, guitarrista de Flying Cages e baixista de Pinhata, ao qual se juntou a sua irmã gémea Luísa, com quem desde pequenino cantou ilustres como Sérgio Godinho, Fausto Bordalo Dias e Caetano Veloso.

Eigreen resultou de muitos anos de espera, paciência e aprendizagem. O que em tempos foi um projecto solitário, aos poucos e poucos foi-se tornando em algo maior e melhor, contando com uns quantos amigos de longa e de curta data, entre eles Rui Martins, baterista dos Flying Cages e dos Defrosted Pork Chops.

Com a pausa temporária dos Flying Cages e Pinhata e com várias demos no bolso gravadas há 7 anos, Francisco tentou a sua sorte e mostrou-as aos amigos e aos seus companheiros da Blue House. Das demos surgiram as primeiras canções com cabeça, tronco e membros do projeto que conjuga estilos tão diversos como o trip-hop, indie rock, jazz ou downtempo.

A primeira amostra de Eigreen é o single "It’s On", uma comemoração de felicidade desmedida, derivada do prazer na descoberta de algo novo, a trazer à memória ecos de Julie & The Carjackers ou mesmo de Bruno Pernadas.

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