sábado, 2 de maio de 2020

Rod Krieger em entrevista: "Sou da teoria que nunca se escutou tanta música quanto hoje em dia"

© Daryan Dornelles
Rod Krieger é um músico gaúcho que ao longo da sua carreira fez parte de conjuntos musicais como Os Efervescentes e Cachorro Grande, onde foi baixista por mais de 15 anos. O artista encontra-se a viver em Lisboa desde 2019 e foi na capital portuguesa que finalizou o seu primeiro disco a solo, A Elasticidade do Tempo, o qual começou a ser gravado no Brasil e apresenta sonoridades demarcadamente psicadélicas e expansivas. 

Em entrevista por e-mail, falámos com Rod Krieger sobre a sua colaboração com Arnaldo Baptista (ex-Mutantes), os seus antigos projetos, as novas influências na aventura a solo, a vida em Lisboa, a abertura do seu estudo Magic Beans, entre muitos outros assuntos.  Fiquem com a entrevista completa em baixo.


Uma coisa que reparámos quando escutámos A Elasticidade do Tempo foi que o disco abre com “Louvado Seja Deus” e fecha com “Vai com Deus”, duas músicas que falam sobre Deus. Houve alguma intenção da tua parte e se sim, qual a razão?

Rod Krieger (RD) - Não tinha notado isso até mandar o disco para masterizar, e o mais engraçado é que não partiu de mim, afinal, na abertura do álbum a fala, que deu nome à música, é do Arnaldo Baptista e a última canção é de autoria do Tony Bizarro. Fico muito feliz, pois acabo me sentindo abençoado.

O primeiro single deste disco de estreia surgiu em abril 2018, “Louvado Seja Deus”, com a participação de um dos teus ídolos, Arnaldo Baptista. O single seguinte “Todos Gostamos de Você” saiu quase ano e meio depois. Porquê este intervalo tão grande entre singles?

RD - Quando lancei "Louvado Seja Deus", a ideia era ser o baixista da banda Cachorro Grande, que lançava singles esporádicos, mas com a ruptura do grupo eu senti a necessidade de lançar um álbum, e esse hiato foi o tempo que levou o processo de finalização e gravação das faixas, além disso, eu tinha fechado o lançamento com um selo português, que depois cancelou a parceria e acabou atrasando todo o cronograma. A ideia inicial era ter lançado o disco logo que cheguei aqui, em 2019. Mas como o tempo é elástico tudo aconteceu da maneira que tinha que acontecer e fico feliz por isso.


Trocaste muitas cartas com o Arnaldo Baptista e até podes chamá-lo de amigo. Como foi a experiência de trabalhar com este artista icónico? Vês-te a trabalhar novamente com ele?

RD - Foi um sonho realizado ter contato com o culpado por eu ter escolhido o caminho artístico. As coisas foram se encaminhando e o universo conspirou para a gente se conhecer. Primeiro o lance do álbum, depois, ele me convidou para fazer um show de homenagem aos discos dele em São Paulo, onde ficamos juntos uma semana e, talvez, foi um dos tempos mais incríveis da minha vida, aprendi muitas coisas com ele. E, sim, com certeza iremos fazer mais coisas juntos, direta ou indiretamente, assim que a pandemia acabar, inclusive, quero trazer o show de homenagem aqui para Europa, e, de preferência, com alguns convidados portugueses.

Foste baixista dos Cachorro Grande durante 15 anos, onde a composição era divida por cinco elementos. Como é que funciona o teu processo de composição agora que te apresentas a solo?

RD - As composições não eram bem divididas entre os cinco integrantes, pois ficavam focadas no vocalista e no guitarrista da banda. Devido a isso, acumulei muitos rascunhos e canções que foram usadas no disco A Elasticidade do Tempo. Sempre tive muita facilidade em escrever, antes mesmo de ser baixista da Cachorro Grande era líder de um power trio chamado Os Efervescentes no qual já compunha todas as músicas. Não existe uma regra para o meu processo de composição, as músicas vêm do nada e eu só tenho o trabalho de transcrevê-las como se fosse uma psicografia.

Neste disco é bem notória a influência da música indiana, principalmente devido à sonoridade da sitar gravada por Fábio Kidesh, que foi também teu professor. De onde surgiu essa vontade de aprender sitar e porquê a sua inclusão em A Elasticidade do Tempo?

RD - Sempre tive vontade de aprender esse instrumento, as bandas dos anos sessenta que incluíram o sitar nas composições me agradam muito. Já fazia tempo que eu queria estudar o instrumento, e o Kidesh caiu de paraquedas na minha vida, logo que consegui adquirir o instrumento comecei a estudar com ele o que acabou se transformando em uma amizade, aí o convite para o álbum acabou virando uma consequência.



A Elasticidade do Tempo é um disco que retrata o autoconhecimento e espiritualidade. De certa maneira pode ser visto como um disco de meditação. Podes-nos aconselhar alguns discos que consideres ideais para a prática de meditação?

RD - Vou ter dizer um único álbum, que foi um dos que mais me influenciaram. Radha Krsna Temple produzido pelo George Harrison. Posso dizer que esse foi o tempero secreto.



Depois de viveres 13 anos no caos de São Paulo e mais 2 anos na tranquilidade de Guarujá, o que te levou a mudares para Portugal?

RD - O resultado das eleições presidenciais foram cruciais, e também o fato de que eu não estava a fim de repetir tudo de novo, sempre tive vontade de tocar fora do Brasil e com a minha antiga banda era impossível. Então, a Europa acabou me puxando, e o fato de eu ter amigos que já residem aqui ajudou, junto com a facilidade de expandir o meu trabalho já que o meu disco foi gravado em português.

Que músicos portugueses conheceste e gostarias de destacar neste último ano em que viveste em Lisboa?

RD - Enquanto estou te escrevendo eu estou escutando o maravilhoso Bruno Pernadas, estou apaixonado pelo trabalho dele. Além dele, gosto muito dos rockeiros da Solar Corona, e dos Paus.

Que sítios da natureza te inspiram na cidade de Lisboa?

RD - É uma cidade portuária como a minha terra natal Porto Alegre. E o rio sempre foi inspirador, uma das coisas que eu mais gosto de fazer é caminhar pela manhã olhando para a água, é o meu momento de reflexão e meditação diária. Gosto muito das praias, mas, infelizmente, ainda não viajei o suficiente pelo resto do país, pretendo conhecer as pequenas cidades, me disseram que são encantadoras.

Estavas para abrir um novo estúdio em Lisboa, o Magic Beans, um espaço para ensaios de bandas, aulas de música, pré-produção e projetos de curadoria, mas a situação pandémica de Covid-19 estragou-te, para já, os planos. Quando isto acalmar, sempre vais avançar com esta ideia?

RD - Sim, os planos estão de pé, inclusive, assim, que essa epidemia passar eu vou fazer uma festa de arromba por lá para recuperar o tempo perdido. Hoje estou dando aulas via Skype e produzindo o disco de estreia de um artista aqui de Portugal, com previsão de lançamento para o final do ano.

Tens alguma estória caricata para nos contar dos tempos em que estavas nos Cachorro Grande e dividiste palcos com bandas como os Oasis, Supergrass, Primal Scream, Iggy Pop, Aerosmith e Rolling Stones?

RD - Infelizmente, as melhores eu não posso contar publicamente, mas posso te afirmar que a visita que os Rolling Stones fizeram no nosso camarim foi incrível, consegui beijar as mãos do Keith Richards, além de dar boas risadas com o Ronnie Wood e o Mick Jagger.

Achas que no contexto atual em que nos encontramos, que o tempo se tornou mais elástico, que temos mais tempo para ouvir discos?

RD - Eu sou da teoria que nunca se escutou tanta música quanto hoje em dia, se pararmos para pensar e observar todas as pessoas tem uma discografia no celular e andam para cima e para baixo com um fone de ouvido. Em relação ao tempo que vivemos (quarentena), acho que as pessoas podiam se afastar um pouquinho do telemóvel e prestar mais a atenção nos álbuns, ao invés de deixar a música sendo apenas trilha sonora de sua vida. Penso que as pessoas perderam um pouco o costume de apenas escutar o disco e analisar letras e encartes do álbum.

A Elasticidade do Tempo chegou às plataformas digitais a 20 de março e pode ser escutado na íntegra em baixo.




Rod Krieger une-se ao Cozinheiros do Bem - Food Fighters para ação de solidariedade

Por meio da plataforma Bandcamp, todas as vendas do disco de estreia de Rod Krieger, A Elasticidade do Tempo, terão 50% do rendimento revertido para o grupo Cozinheiros do Bem - Food Fighters. A proposta tem início desde já e, para marcar essa união da música com a iniciativa social, Krieger fará uma live no dia 9 de Maio, a partir das 20h30 em Portugal, onde Krieger vive em Lisboa, e 16h30 no Brasil, via Instagram e Facebook.  

“Pode parecer uma ação pequena, mas é o que eu consigo fazer agora. Todos, inclusive, acredito, devem fazer um pouquinho, o que eles puderem fazer já vale. A revolução vem do micro, não do macro, como esse sistema capitalista sujo impôs. Lamento, quer que eu faça o quê? Isso, não sou o Messias e não faço milagres, mas sinto orgulho de poder usar a minha arte para colaborar um pouco com o bem estar das pessoas. Conheço o Júlio Ritta há 25 anos, admiro muito o trabalho que ele realiza e, por isso, escolhi colaborar com o Cozinheiros do Bem”, diz Rod.

Ao adquirir o álbum será possível fazer o download das faixas em vários formatos (.wav, .mp3, .flac, etc) e também o download em alta resolução das capas de todas as canções, bem como a do disco, criadas pela artista visual e fotógrafa Marina Abadjieff. O valor é de €5, mas, durante todo o dia 09 de Maio, este estará em aberto para que as pessoas possam pagar quanto for possível. Quem não tiver Paypal, plataforma de pagamento pelo Bandcamp, e quiser fazer uma transferência bancária, envie um email para contato@cafe8.com.br para ter acesso às contas do Brasil ou Portugal.


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Elysia Crampton lança novo álbum, A ORCORARA 2010



Elysia Crampton lançou o seu quinto álbum esta sexta-feira. A ORCORARA 2010 é o sucessor do anterior homónimo, de 2018, e marca a estreia da americana de raízes andinas pela editora berlinense PAN.

Crampton, que é conhecida por trazer a sua herança aymara para o seu trabalho, centra a narrativa do álbum à volta do trauma intergeracional dos fugitivos da violência cristã, dedicando-o à vida de Paul Sousa, que trabalhou durante anos como bombeiro interno nas montanhas de Sierra Nevada, e ao trabalho de Sage LaPena e Dr. Gretel Mendizabal Nolte. A ORCORARA 2010 conta ainda participações de Jeremy Rojas, Embaci, Shannon Funchess e Fanny Pankara Chuquimia e inclui interpretações erráticas de textos de Jimenez, Saenz, Claudel e Wright.

O disco foi originalmente encomendado e lançado em 2018 pelo Center d'Art Contemporain, em Genebra, Suíça, para o primeiro andar da 'Bienal de l'Image en Mouvement 2018 Biennale: The sound of screens imploding’, e recebe a sua primeira edição pela editora de Bill Koulligas, que promete a sua edição física, em vinil duplo, para o dia 10 de julho.

A ORCORARA 2010 encontra-se disponível no Soundcloud da PAN e pode ser escutado desde já em baixo. As vendas revertem para a American Indian Movement West / AIM SoCal.


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STREAM: The Midnight Computers - Anxious

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Depois de terem divulgado "Anxious" e "Tears" no início do mês como a primeira oferta do disco de estreia, os The Midnight Computers estão agora de regresso com a obra completa no posto de escuta. Jonathann Cast (voz, programação) e Pascal Roeder (guitarra, sintetizadores) - dois nomes já inseridos no panorama da música - juntaram-se a Alexandre Saintorant (guitarra, baixo), para fugir das raízes dos projetos paralelos e abraçar um mundo obscuro imerso em poder, sensações fervorosas e sintetizadores triplamente abrasivos. Se, nas primeiras faixas de avanço a banda apostava nas camadas nostálgicas que tiveram grande expressão com o nascimento e afirmação do post-punk nos anos 80, nas restantes músicas que integram o alinhamento a força vigora no poder translúcido dos sintetizadores e das guitarras arrojadas.

A banda natural de Lyon estreia-se agora sob o cunho de The Midnight Computers com Anxious, trabalho escrito composto e gravado no período recorde de seis meses. Apesar de, em termos artísticos, Anxious se apresentar como um disco pouco inventivo face àquilo que tem sido explorado por outras bandas dentro do mesmo espectro sonoro, encontra-se enriquecido pelo dinamismo na exploração de ritmos que é bastante notório com a reprodução sucessiva do disco. Do trabalho além das já lançadas "Anxious" e "Tears" forte destaque para malhas como "Succubus" - uma injeção de adrenalina altamente negra - "Disgrace" - onde também vigora a potência da eletrónica - e ainda "Sportsmen", a trazer à calha algumas influências do rock gótico. Anxious pode agora ouvir-se na íntegra abaixo.

Anxious foi editado esta sexta-feira (1 de maio) em formato CD e vinil pelos selos Swiss Dark Nights e Manic Depression Records. Podem comprar a versão CD aqui e encomendar a versão em vinil aqui.


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FUSCO lança álbum de estreia pela Favela Discos



O primeiro trabalho de estúdio, homónimo, do músico e compositor luso-germânico Nils Meisel, que atua sob o alias FUSCO, saiu no passado dia 1 de maio pela portuense Favela Discos

Meisel é um artista de disciplina múltipla e podemos escutá-lo nos trabalhos da banda jazz-punk pós-aquatica Sereias, no post-pop combat de Lonzdale’s Fantasy ou no duo experimental Preto Marfim, que divide com Luís Figueiredo. O projecto a solo que tem vindo a desenvolver nos últimos anos é, como o nome indidca, escuro e sombrio, focado essencialmente na música eletrónica improvisada e nos ambientes sombrios de Gas ou no lado mais cósmico das eletrónicas de Manuel Gottsching.

Juntamente com o artista visual Henrikas Riskus, também conhecido por H2, Meisel transportou a estética multicolorida das suas composições para um formato audiovisual contemporâneo e irreverente que procura elevar as estéticas do passado.

Fusco encontra-se disponível nas várias plataformas digitais e a sua versão física, em cassete, pode ser adquirida no Bandcamp da Favela.


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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Iron Rose editam EP de estreia pela whitewater



O primeiro trabalho de Iron Rose chegou esta sexta-feira pela whitewater. O EP, homónimo, marca a estreia de Iron Rose pela editora portuguesa e assinala o seu primeiro lançamento em 2020.

Inspirado pelas produções lamacentas do dungeon e do black metal mais aéreo, onde o sintetizador interpreta papel fundamental, Iron Rose propõe quatro experiências de uma energia primordial e solene, feita de sintetizadores alquímicos, ambiências celestiais e melodias frágeis sem subterfúgios barrocos.

Iron Rose dá sucessão à tripleta de discos editados pela whitewater entre 2018 e 2019 – White, Water, World, Wide, Faces of Depression, de Valestine, e WW Airlines – e marca uma nova etapa no percurso tranformador da editora, que começou por explorar os terrenos mais desalinhados da música eletrónica, primeiro, encetando depois pelo pulso contagiante do fast techno e do noise mais corrosivo.

Iron Rose está disponível para escuta nas plataformas Soundcloud e Bandcamp da whitewater, onde podem adquirir o disco ao preço que acharem mais justo.






Tracklist

1. Rose de fer 
2. Raisins de la mort 
3. Lèvres de sang 
4. La nuit des traquées

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Orchids apresentam single de estreia duplo 'Dead Keys' / 'Another Day'


De Montréal, Canadá, chegam-nos os Orchids, sexteto que figura agora na família da EXAG Records. Donos de uma sonoridade que combina as distorções características do shoegaze com texturas sintéticas psicadélicas, os Orchids trazem à baila as memórias dos primeiros trabalhos dos Ride e The Verve. Liderados por Alex Cyprine (ex Quetzal Snakes), a banda canadiana anda há mais de um ano a agitar a cena rock'n'roll de Montreal, tendo mesmo partilhado o palco com Night Beats, High Dials, Scattered Clouds, Priors entre outros. 

O primeiro single duplo 'Dead Keys' / 'Another Day' foi editado a 10 de abril em formato LP 7" pelo selo da EXAG Records, e está disponível para escuta no Bandcamp

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Buzz Kull e Morgan Wright juntam-se em DSM-V

Buzz-Kull-Morgan-Wright-DSM-V-Third-Coming-Records-electronic-music

Buzz Kull e Morgan Wright juntaram-se para dar luz a um novo filho, DSM-V o novo projeto de eletrónica que mistura desde as ondas mais etéreas aos sons sintetizados com uma certa influência nas vibes industriais. Sediados entre Sydney e Melbourne os músicos australianos esculpiram um novo projeto que agora tornam público através do primeiro tema colaborativo "Into Nothing". Pintado com força entre os traços subliminares da eletrónica ligeira, a dupla começa por se apresentar entre ambiências amigáveis e uma estética camuflada em energias positivas. Longe da vanguarda brutal e dos traços techno que têm influenciado o trabalho paralelo dos artistas em "Into Nothing" são as atmosferas sonhadoras que se encontram em predominância.

O nome da dupla vai buscar influência ao Diagnostic Statics Manual Revision Number 5, um manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais. Sem, contudo, evidenciar a existência de embaraços mentais, a música dos DSM-V circula-se entre o poder iminente da eletrónica fustigante perspetivando tornar-se um ponto predominante na cabeça dos ouvintes. O primeiro trabalho da banda - um single duplo - chegará às prateleiras no formato cassete e o primeiro tema de avanço "Into Nothing" pode agora reproduzir-se na íntegra abaixo.


Into Nothing​/​Function é editado a 29 de maio em formato cassete pelo numa co-edição entre os selos Burning Rose Third Coming Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

dsm-v-buzz-kull-into-nothing-function-tracklist-third-coming-records
Into Nothing/Function Tracklist:

01. "Into Nothing"
02. "Function"

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6 discos para ouvires nesta sexta-feira

Ilustração: Emma Shore/Bandcamp

Pela segunda vez este ano, a plataforma online Bandcamp volta a retirar todas as suas taxas. Durante 24 horas, e de modo a apoiar a comunidade musical atingida pelo novo coronavírus, todas as compras feitas no site revertem totalmente para os artistas e editoras. A iniciativa nobre aconteceu pela primeira vez no último dia 20 de março e movimentou cerca de 4 milhões de dólares, 15 vezes mais que um dia normal de compras. O feito poderá voltar a repetir-se esta sexta-feira, dia 1 de maio, por isso reúnimos seis lançamentos, nacionais e internacionais, que achamos que deves conhecer neste dia especial.



V/A – Um Ano de Bailarico

Originalmente editado em 2006, em CD-R, Um Ano de Bailarico comemora o primeiro aniversário da Lovers & Lollypops, que reúniu 21 temas celebratórios num compêndio essencial para situar o período pré-Milhões de Festa da editora portuguesa. A receita proveniente das vendas desta compilação será doada, na sua totalidade, ao serviço de apoio a sem abrigos da Porta Solidária do Centro Social da Senhora da Conceição, no Porto. 








Niagara – Pais & Filhos

Pais & Filhos é o regresso dos Niagara às edições. O sucessor de Apologia, de 2018, chega novamente pela Príncipe  e é composto por sete faixas de uma electrónica liquefeita tão impressionista quanto espiritual. O novo disco de Sara Eckerson e dos irmãos António e Alberto Arruda é descrito como um “ensaio sonoro psicodinâmico”, desenhado de forma espontânea e a partir de uma raíz acústica percussiva reminiscente das teorias do quarto mundo de Jon Hasell





V/A – Berga Malhas Vol.1

A primeira compilação do coletivo multidisciplinar O Bergado chegou esta sexta-feira pela recém-criada Berga Malhas, que reúne a nata do coletivo que nos ofereceu os incendiários Terebentina. O primeiro volume deste compêndio inclui, segundo Luís Gigante, takes antigos, músicas de confinamento e contribuições especiais dos amigos e artistas que são próximos ao coletivo.









bod [包家巷] – Music for Self Esteem

bod [包家巷]  é a mais recente adição ao catálogo da YEAR0001, editora que alberga os trabalhos de Yung Lean, Bladee e companhia. Music for Self Esteem saiu no passado dia 30 de maio e compila três anos de trabalho em 37 faixas que vão das composições eletrónicas emo às rotas desalinhadas da música club experimental, passando por momentos de tenra introspeção em piano e arranjos originais para instrumentação tradicional chinesa, tudo embrulhado numa produção pristina e altamente intimista.





Moor Mother – Clepsydra

Um lançamento que ganha pelo conceito: uma coleção de sons e gravações de campo para escritores, artistas e criativos que experienciam momentos de bloqueio criativo, trazidos por nada mais, nada menos que Camae Ayewa, mais conhecida por Moor Mother. Composto por 11 faixas cuidadosamente selecionadas pela ativista e poeta americana, Clepsydra propõe o antídoto necessário para acabar com qualquer dia de procrastinação. Tudo o que precisam é de um lápis, uma folha em branco, phones, um local para escrever e um copo de água (palavras da própria).






V/A – In Order to Care

Special Request, Call Super, Shanti Celeste, Peach, FAUZIA, Barker, James Massiah, India Jordan e o português Silvestre são alguns dos mais de 40 artistas que a R&S Records e Raj Chaudhuri reúniram em In Order to Care, compilação montada em apenas nove dias com o propósito de apoiar o serviço nacional de saúde do Reino Unido. Todos os artistas e pessoas envolvidas no disco ofereceram os seus serviços gratuitamente e os lucros revertem na totalidade para a produção de equipamento protetor pessoal para profissionais de saúde.




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Morreu Tony Allen, lenda do afrobeat



Morreu Tony Allen, lenda do afrobeat e órgão pulsante do grupo África 70, de Fela Kuti. A notícia foi avançada esta sexta-feira pelo site de notícias Sahara Reporters. A causa da morte ainda não é conhecida, mas o empresário do do mítico baterista nigeriano, Eric Trosset, afirmou que o óbito não tem qualquer relação com o novo coronavírus. Tinha 79 anos e morreu em Paris, França, onde habitava desde a década de 80.

Foi um dos mais influentes bateristas da cultura popular e esteve na génese do afrobeat, estilo cunhado por Kuti que funde a percussão tradicional iorubá com os ritmos do jazz, do funk e dos princípios da música highlife. Autodidata, começou a tocar bateria aos 18 anos, influenciado pelas palpitações jazz de Max Roach, Art Blakey e Kofi Ghanaba

Na década de 60, conhece o conterrâneo e mítico multi-instrumentista Fela Kuti, que acompanhou na banda de jazz Koola Lobitos, primeiro, e depois nos Africa '70, onde foi baterista e diretor musical até 1979, ano em que se separa do grupo. O peso de Tony Allen na banda era tal que Kuti chegou mesmo a dizer que, sem a sua bateria, o afrobeat não teria existido.

Dos anos sem Kuti conta-se uma muito influente carreira a solo e um sem fim de colaborações – trabalhou com Jimi Tenor, Manu Dibango, Moritz Von Oswald, Jeff Mills, Charlotte Gainsbourg, Flea ou Damon Albarn, com quem formou os The Good, the Bad & the Queen. Rejoice, o seu último disco, saiu no passado mês de fevereiro e juntou-o ao falecido trompetista sul-africano Hugh Masekela.

A última passagem de Tony Allen por Portugal aconteceu na Casa da Música, no Porto, em julho de 2019. O baterista atuou ao lado do dj e produtor americano Jeff Mills, com quem editou Tomorrow Comes The Harvest em 2018. O regresso ao país estava originalmente marcado para o mês de maio, dia 26, no Teatro da Trindade, e em setembro regressaria ao Lisb-On Jardim Sonoro, onde atuou pela última vez em 2017, para mais uma atuação ao lado de Jeff Mills. 




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STREAM: João Vairinhos - Vénia


João Vairinhos consagra-se com o passar do tempo num dos maiores produtores da eletrónica obscura em Portugal. Sempre muito na sombra dos holofotes, essencialmente pelo seu trabalho como baterista em outros projetos onde a sua presença não é tão dominante como nesta nova edição a solo, chega agora a altura do produtor se reafirmar. Num trabalho de curta duração onde Vairinhos foi beber inspiração a várias obras de ficção científica nasce agora uma pequena brisa explorativa de som camuflada entre o negrume da existência e a própria redutibilidade do ser, tudo isto expresso nas ambiências fustigantes que pautam em grande força na obra. Sem medo de soar dissonante do conceito de romantismo formulado há alguns séculos, João Vairinhos apresenta um disco que cai bem nos estranhos que caracterizam o novo modernismo.

O EP tem abertura com "Chegaram" single de vestes industriais que projeta o ouvinte para um ambiente vasto em destruição que, na essência, consegue recriar na mente do ouvinte aquilo que David Cronenberg conseguiu apresentar nos olhos dos espectadores: um surrealismo inerte num mundo sinistro. Na já anteriormente apresentada "Vala Comum" - o tema que serviu de entrada a este EP - João Vairinhos traz em evidência a sua veia criativa inspirada em elementos eletrónicos de abordagens artísticas a lembrar The Knife, sobretudo nos segundos iniciais do tema. Contudo, é exatamente com o seu desenvolvimento que se torna óbvia a capacidade criativa e progressista que João Vairinhos tem em recriar ambientes densos, psicologicamente densos e envoltos numa aura negra desoladora. Já no single que dá por encerrada a obra, o tema homónimo "Vénia", o produtor arrasa com uma eletrónica texturizada nas paisagens da música ambiente. Nada em Vénia é desolador, mas tudo é grandemente intenso e profundo. O disco pode consumir-se na íntegra abaixo.

Vénia foi editado esta quarta-feira (29 de abril) pelos selos Raging Planet, Regulator Records e Ring Leader. Hoje (dia 1 de maio) o Bandcamp está mais uma vez a abdicar das comissões pelo que, por cada edição que comprarem na plataforma estão a apoiar a 100% os artistas e as editoras. Comprem o novo EP do João Vairinhos aqui.


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Giek_1 releases her new EP "ESCAPE"


Giek_1 have just released ESCAPE, her new ambient pop record produced by Frenquency.

Dutch multifaceted artist Giek_1 have been in a tour de force to release a series of 6 EPs and 15 videos since late 2019. ESCAPE is the continuation of this massive effort, constituting their second EP in half a year. Distancing herself from the more experimental nature of their previous EP TWISTED TRANSCENDENCE, Giek_1 settle for a more careful and controlled relationship with pop music, finding comfort in the multi-textured productions of Frenquency

ESCAPE translates a certain vapour-like quality associated with dissociation into music. Each track hovers and creates an ambiance that is proper of impermanence, with reverberated voices and dreamy trip-hop production. Ironically, it is phenomenally catchy, capturing the ephemerality of its sound in a sea of pop sensitivity, with slight dissonances creating an eerie atmosphere and sense of unfamiliarity - the pop canons are all present, but this is not what you would expect from a pop record. 

Giek_1's new album paints recollections of Eartheater's more recent work, FKA Twigs and Chromatics with its many sound manipulations and layers. The voice plays a crucial role in creating the plurality of Giek_1 with its many materialisations in pure stereo delight. ESCAPE was released on the 1st of May and can be heard below.


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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Arca partilha primeiro single de KiCk i, “Nonbinary”



Depois de avançar alguns detalhes sobre o seu próximo disco em conversa com a Garage Magazine, em março, Arca partilhou esta sexta-feira o primeiro single de KiCk i. “Nonbinary” marca assim o primeiro trabalho da artista pluridisciplinar desde @@@@@, faixa de 62 minutos que serviu como peça complementar ao seu projeto &&&&&, de 2013, e que recebeu transmissão da rádio online NTS no passado mês de fevereiro.  

“Nonbinary”, que é também a faixa de abertura do novo álbum, vem acompanhada de um vídeo realizado por Frederik Heyman, que reimagina a famosa obra de Botticelli, O Nascimento de Vénus, na figura robotizada de Alejandra Ghersi. "Estou a pedir reconhecimento de que temos múltiplos eus sem negar que existe uma unidade singular", explicou em abril à Paper Magazine. "Quero ser vista como um ecossistema de pequenos estados independentes, sem perder a dignidade de ser um todo".  

Sobre KiCk i, que sucede o essencial homónimo de 2017, desconhecem-se ainda informações relativas à sua data de edição, mas sabe-se para já que conta com a participação de Björk (Arca produziu os dois últimos álbuns da artista islandesa), Rosalía Shygirl e SOPHIE.  


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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Festival EM REDE leva a música do Barreiro às casas do país



EM REDE é um festival online que apresenta, ao longo de três dias, quase duas dezenas de concertos de músicos barreirenses cuja principal ocupação é, na sua esmagadora maioria, a criação artística. Beatriz Nunes, Berlau, Minguito (na foto) e Van Ayres são alguns dos nomes que actuam no festival que acontece nos dias 1, 2 e 3 de maio.

A iniciativa, moderada pela OUT.RA e pelo Município do Barreiro, funciona como uma mostra da diversidade e riqueza do tecido cultural do Barreiro, com espaço para o jazz, para as canções, para o hip-hop, a electrónica e a experimentação, juntando nomes emergentes a outros já com um percurso consolidado e amplamente reconhecido.

O festival online será emitido no canal youtube do Município do Barreiro, que garante o acesso ao público de forma totalmente gratuita.

O programa pode ser consultado em baixo:

Dia 1 Maio
21h30. Tiago Sousa
22h00. Valu
22h30. Nicotine's Orchestra
23h00. Minguito
23h30. Opus Pistorum
00h00. Van Ayres

Dia 2 Maio
21h30. Gil
22h00. Beatriz Nunes
22h30. Kyra
23h00. Nada Nada
23h30. San Fona
00h00. Berlau

Dia 3 Maio
16h30. George Silver
17h00. Catarina dos Santos
17h30. Fast Eddie Nelson
18h00. Jorge Moniz
18h30. Y Basics
19h00. My Noisy Twins

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terça-feira, 28 de abril de 2020

Rabu Mazda regressa com novo EP, Todo Mundo Sabe



Leonardo Bindilatti, mentor de projetos como Iguanas e Putas Bêbadas e um dos fundadores da essencial Cafetra Records, regressou esta semana às edições enquanto Rabu Mazda, trabalho que tem vindo a desenvolver sozinho desde o inicio da sua adolescência, quando começou a produzir beats com o Ableton, e que ganha uma nova vida com Todo Mundo Sabe, um conjunto de 6 músicas “para dançar e imaginar um futuro colorido e cheio de ritmo”, sublinha em comunicado.  

Afastando-se da energia primitiva que carateriza os seus primeiros lançamentos, mas sem descurar do seu caracter lúdico, Bindilatti oferece um trabalho instável em géneros e abordagens musicais, explorando os vários ritmos da experiência urbana como o kuduro, a tarraxinha, o baile funk e o footwork, mas também da house e de outras tendências que animam as pistas de dança de hoje.  

Todo Mundo Sabe marca a estreia do músico pela editora brasileira 40% Foda/Maneiríssimo e pode ser escutado nas várias plataformas digitais.


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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Birds Are Indie colecionam memórias em Migrations - The travel diaries #1

© Francisca Moreira
O trio de Coimbra Birds Are Indie reservou o ano de 2020 para revisitar os seus 10 anos de histórias e memórias. 10 anos é muito tempo, principalmente para uma banda que começou sem (se) dar conta. Foram acumulando diversas viagens, umas físicas e outras sonoras e com a dificuldade de estar muito tempo no mesmo lugar, foram migrando entre conforto e desprendimento, atravessando latitudes bem conhecidas e meridianos algo esquecidos.

O seu ninho foi construído em forma de bedroom pop, com a folk pelo meio, numa postura DIY minimalista, própria dos primeiros voos, tal como aconteceu com Belle and Sebastian, Yo La Tengo, Moldy Peaches ou Juan Wauters. Com o tempo, as asas da sua pop foram crescendo e aproximaram-se do rock que lhes foi ensinado por nomes como Lou Reed, Dean Wareham, Black Francis e Stephen Malkmus.

De modo a manter alguma normalidade e alegria no nosso quotidiano durante estes tempos de incerteza e confinamente, os Birds Are Indie juntaram-se à Lux Records para assinalar esta data tão respeitável, resultando dessa união o lançamento de Migrations - The travel diaries #1. Este foi o primeiro de dois volumes distintos, o #1 em CD (editado a 17 de Abril) e o #2 em vinyl (este a ser editado em 2021). Ambos os formatos contarão com a revisita de 5 canções da sua discografia anterior, reinterpretadas e regravadas. Mas como a música lhes parece surgir naturalmente, haverá também lugar para mais 10 faixas novas, estando 5 delas no CD e outras 5 no vinyl.


Com mistura e masterização de João Rui no estúdio conimbricense Blue House, todas as faixas tiveram a participação no baixo e algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano, e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker.

Em Migrations está muito presente a ideia de ida e regresso, seja porque o disco vagueia entre diferentes períodos na vida musical e pessoal de Ricardo Jerónimo, Joana Corker e Henrique Toscano, seja porque o mote para as letras que o compõem é a sua própria inquietude, ora desamparada, ora desafiante. No fundo, quem vive entre o aqui e o ali, prefere é estar além, como a mestria de Variações tão bem sintetizou.



“Instead of watching telly” é uma canção originalmente incluída, em 2012, no há muito esgotado álbum de estreia dos Birds Are Indie, How music fits our silence, e foi uma das escolhidas para ser regravada, com novos arranjos, fazendo agora parte de Migrations - The travel diaries.

Migrations - The travel diaries #1 está disponível na íntegra no Bandcamp da banda para audição gratuita.




Podem consultar em baixo as datas da tour dos Birds Are Indie que, se tudo correr pelo melhor, se irá realizar principalmente em setembro e outubro, entre Portugal e Espanha.

11 SET/ Festival Xiria Pop, Carballo
25 SET/ Teatro da Cerca de São Bernardo, Coimbra
7 OUT/ Costello, Madrid
8 OUT/ Asklepios, Valladolid
9 OUT/ Sala Creedence, Zaragoza
10 OUT/ Llimac Elèctric, Lleida
16 OUT/ Avenida, Aveiro
4 DEZ/ Casa da Música, Porto

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