sexta-feira, 5 de junho de 2020

Alínea A festeja 7º aniversário na Casa das Artes Bissaya Barreto



A Alínea A, que cumpre 7 anos de atividade em junho, junta-se à Casa das Artes Bissaya Barreto, em Coimbra, para uma transmissão em direto do set em conjunto de Arnaldo Moura, fundador da Rádio Baixa, David Rodrigues, fundador da Cosanostra Coimbra, e Afonso Macedo, figura ilustre da música de dança portuguesa que abriu por duas vezes o festival Les Siestes Électroniques Portugal, que acontece desde 2018 no jardim da Casa das Artes.

A transmissão acontece às 16h de sábado, dia 6 de junho, à porta fechada, e será feita a partir do Youtube da Alínea A e do Facebook e website da Rádio Baixa.


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City Rose de regresso com "Sextons Call"


Os City Rose são talvez um dos melhores segredos que ficaram por revelar entre territórios australianos enquanto pairavam no ativo. Depois de terem anunciado o fim, corria o mês de outubro de 2019, o quarteto regressa agora ao radar para editar em formato físico e digital o EP de estreia homónimo, City Rose. Entre uma sonoridade crua de energia vigorosa e camadas excêntricas de nostalgia poética, os City Rose aportam uma atitude genuína que viaja entre o art-rock, o punk e o experimentalismo da música noiseDepois de terem colado a atenção com a reedição de "777", o grupo de Pat McCarthy, Andrew Exten, Lucy Howroyd e Hunter Auzins volta a consolidar a ideia de "banda revelação" através do tema inédito "Sextons Call".

Foi na altura de início de crescimento que os City Rose anunciaram o hiatus com o último concerto ao vivo, a ocorrer no esgotado Weird Place Festival, em Melbourne. Aquela que até à data foi última manifestação do quarteto ao vivo foi gravada e será lançada juntamente com a edição do EP de estreia que chega às prateleiras já este mês. Para antecipar o feito, os City Rose regressam com "Sextons Calls" tema inédito que volta a frisar que as guitarras destiladas são um ponto de foco para a construção da sua sonoridade trépida, inventiva e, claramente, imersiva. A acompanhar a parafernália sonora surge a voz ríspida e grave de Andrew Exten, em mais uma performance memorável. Toda uma mescla de sonoridades efusivas e com grande potencial de ascensão que pode ouvir-se agora abaixo.


City Rose EP foi gravado juntamente com Tim Powles dos The Church e o alinhamento foi cuidadosamente selecionado por forma a representar a energia bruta e frenética das primeiras malhas, além de refletir o seu dinamismo ao vivo. A verdade é que se a Europa coloca os ouvidos a sério neste disco correrá o risco de ficar viciada. Que a rosa volte a florescer para podermos partilhar essa experiência conjuntamente.

City Rose tem data de lançamento prevista para 19 de junho em formato digital e cassete pelo selo Third Coming Records. Aproveitem para fazer a pre-order da vossa cópia aqui.

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"Fallen Outside Of Memory" é o mais recente trabalho de METADEVICE


No passado dia 28 de maio, o projecto METADEVICE (André Coelho) publicou um novo trabalho, de nome Fallen Outside Of Memory. Consistindo de uma longa faixa de 16 minutos, "Fallen Outside Of Memory" é uma sequência de drones pulsantes, apontamentos rítmicos industriais e ondas espectrais de estática, invocando paisagens reminiscentes de um passado futuro.

"Fallen Outside of Memory" é uma parte do resultado de uma série de gravações efectuadas nos últimos meses e que serão atempadamente publicadas. Disponível em formato digital, este novo trabalho poderá ser escutado e adquirido na página de Bandcamp do projecto.

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terça-feira, 2 de junho de 2020

Ghost Hunt em entrevista: "II é um disco mais negro, mais sujo e mais agressivo"

© Pedro Medeiros
Os Ghost Hunt são um duo electrónico, que se divide entre Lisboa e Coimbra, composto por Pedro Chau, baixista dos The Parkinsons, e Pedro Oliveira, ex-membro do conhecido circuito noise Monomoy e responsável neste projeto pelo trabalho de sintetizador e caixas de ritmo. 

Com origem no ano de 2015, editaram o seu disco de estreia homónimo no ano seguinte pela conimbricence Lux Records e contam no currículo com passagens por festivais como o Reverence Valada, Tremor, entre outros. O segundo disco da dupla intitula-se II e chegou no dia 28 de maio às plataformas digitais com o selo da Lovers & Lollypops. Gravado na Blue House, em Coimbra, e masterizado por João Rui, II tanto nos leva a a experienciar o espaço sideral como nos trás de volta à Alemanha de Leste repetitiva dos 70s, à cena clubbing de Detroit ou aos ritmos alucinantes proporcionados pela Factory Records.

Em entrevista por e-mail, falámos com o duo sobre o novo trabalho, a paixão pela eletrónica de tonalidades mais punk, a situação atual em termos de concertos e ainda sobre sintetizadores. Fiquem com a entrevista completa em baixo.


Em que contexto surge II, o segundo disco dos Ghost Hunt?

Ghost Hunt (GH) - O segundo disco surge porque sentimos que era a altura certa para registar aquilo que andávamos a fazer. Depois de um período de experimentação, achámos que conseguimos concretizar as nossas ideias de uma forma coerente.

Quais são as maiores diferenças que sentem deste disco para o primeiro?

GH - Em comparação com o primeiro, este é um disco mais negro, mais sujo e mais agressivo, com uma vertente mais livre e experimental.

Sendo os dois membros que compõem os Ghost Hunt bastante experientes e com longas carreiras, como é que encararam este desafio de criar todo um novo projeto bastante diferente do vosso background?

GH - O nosso background acaba por ser uma parte muito importante deste projeto, já que a ideia foi sempre usar as nossas referências musicais (e não só) para criar algo que soasse diferente e pessoal.

De onde surgiu a paixão por esta punk eletrónica? Talvez dos discos dos Suicide ou dos Silver Apples? 

GH - Essas duas bandas são bastante influentes e o espírito do punk está sem dúvida presente na nossa música, mas é apenas uma pequena parte de tudo o que nos influencia.

Vocês vão lançar este disco em plena pandemia, numa altura em que a previsão de dar concertos ao vivo é bastante incerta. Este cenário não vos assusta?

GH - O cenário atual é assustador para qualquer pessoa, por motivos óbvios. Enquanto músicos, mais do que medo, sentimos alguma tristeza por não podermos partilhar a experiência de tocarmos estes temas com um público à nossa frente, já que gostamos muito de tocar ao vivo.

Artwork de II
Planeiam assinalar o lançamento do disco de alguma forma especial? Talvez com alguma atuação em livestream?

GH - O lançamento do álbum será assinalado com uma atuação em livestream, a partir do CCOP, no Porto, no próximo dia 5 de junho às 18h30. 

[O bilhete para a apresentação custará 5 € e a lotação da sala será feita de acordo com as regras estabelecidas pelas entidades competentes. Os membros do Clube Lovers & Lollypops terão a opção de assistir ao concerto de forma gratuita. À semelhança do que tem acontecido, a apresentação será transmitida, em sinal aberto, no YouTube da Lovers & Lollypops, com apelo ao donativo consciente. Mais informações aqui].

O single de apresentação deste disco tem como nome “New Ceremony”. Pode esta servir como uma carta de apresentação do que será o futuro da música ao vivo? Novas cerimónias e novos rituais em concertos por parte tanto dos músicos como dos fãs?

GH - É uma ideia interessante. O nome do tema já existia antes de tudo isto acontecer, mas é um exemplo do poder que a música tem de se adaptar às mais diversas circunstâncias da nossa vida. Por isso, depois daquilo que se passa neste momento, é uma nova forma de interpretar este tema.


Em termos instrumentais, é impossível não reparar nas camadas e no tratamento exímio dos sintetizadores. Consideram-se “geeks” ou colecionadores de material musical, nomeadamente dos referidos anteriormente?

GH - Não, de maneira nenhuma. Para nós, o equipamento é sempre secundário, o im portante é a música. Os instrumentos são apenas um meio para chegarmos a um fim.

Se sim, qual é, para vocês, o vosso instrumento mais valioso?

GH - Para nós, o valor do instrumento reside apenas nas possibilidades musicais que nos dá. Como tal, um pequeno teclado Casio pode ser mais inspirador e, como tal, mais valioso que o melhor dos sintetizadores.


No vosso Bandcamp têm um álbum gravado na casa de Jacco Gardner. Se pudessem escolher a casa de um músico qualquer, vivo ou morto, onde é que gostavam de repetir esta experiência?

GH - Não é bem um álbum, foi apenas uma sessão em que gravámos alguns temas ao vivo. Se pudéssemos gravar em casa de um músico à nossa escolha, podia ser o Michael Rother, mas poderíamos referir muitos outros. É uma escolha quase impossível.

Antes de terminar, gostávamos de saber o que é que tem ouvido nos últimos tempos. A quarentena serviu para atualizar a vossa biblioteca musical?

GH - Sim, a quarentena permitiu-nos ter mais algum tempo para ouvir música. Temos ouvido algum Jazz, Soul, Funk, compilações de Indie e eletrónica e projetos mais recentes como Peel Dream Magazine e Mosses.


II está disponível para audição integral no Bandcamp dos Ghost Hunt, podendo ser adquirido em formato digital.



Entrevista por Hugo Geada

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domingo, 31 de maio de 2020

STREAM: Lebanon Hanover - The Last Thing


De regresso ao radar com novo EP na calha - The Last Thing -, os Lebanon Hanover começam também a preparar território para um aguardado novo longa-duração. A dupla formada por William Maybelline (QUAL) e Larissa Iceglass voltou às playlists numa altura em que o atual problema de saúde pública assolava severamente a Europa. Com o anúncio da edição de um novo single duplo, chegava também às prateleiras o primeiro resultado audiovisual de "The Last Thing", a retratar a enorme decadência existencial passada com o isolamento social. Sem nunca descurar do seu ambiente morbidamente romântico, a dupla que voltou a reviver o gótico no cenário musical da atualidade, traz agora em The Last Thing dois temas interessantes com uma grande surpresa a emergir.

Se, em março passado, a banda nos avançava com um "The Last Thing" - tema a resguardar-se nas atmosferas sonoras que os Lebanon Hanover têm explorado com afinco - com o novo single "Shatter Matter" a dupla prepara o ouvinte para uma nova evolução sónica nas ambiências melancólicas e decadentes que até então nos haviam habituado. A distorção ganha foco principal num single amplamente influenciado pelas correntes estéticas da música industrial, ainda assim quebrado pelo ritmo da depressão que os Lebanon Hanover aportam na personalidade. Vulnerabilidade e combustível energético a fervilhar em plena harmonia num EP que pode consumir-se  na íntegra abaixo. O aguardado sucessor de Let Them Be Alien (2018, Fabrika Records) deverá chegar às prateleiras ainda no final do presente ano.

The Last Thing foi editado este sábado (30 de maio) pelo selo Fabrika Records em formato vinil e digital. Aproveitem para comprar as últimas cópias em vinil aqui.


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