sexta-feira, 12 de junho de 2020

DarkMAD revela alinhamento completo para 2021


Com o clima de insegurança ainda presente pela Europa a organização do DarkMAD decidiu adiar a segunda edição do festival para março de 2021, ao invés de se manter nas datas estipuladas em outubro. Os nomes já anteriormente anunciados mantêm-se no certame incluindo-se agora mais um punho de artistas que promete chamar a atenção. Para marcar na agenda: 26 e 27 de março de 2021 na Sala Groove em Madrid.

Depois de nomes maiores como Front Line Assembly, Suicide Commando, Trisomie 21 ou Ana Curra terem já sido confirmados a organização do festival avançou no início da semana com mais uma boa nova. Entre os últimos confirmados destaque maior para a dupla Boy Harsher, a dupla composta por Jae Matthews e Augustus Muller que nos últimos três anos se têm consagrado como uma das maiores bandas da eletrónica minimal de vestes negras. Ainda nos destaque vemos agora o nome de Peter Heppner, ex-vocalista dos alemães Wolfsheim que em Madrid promete agitar a plateia com um show de synthwave old-school.



Além deste dois nomes no panorama mais underground juntam-se também o produtor de electro-dark Jihad, o ambient industrial do alemão Mortaja, os DJ's Francis Teïn & Accelerated Corrosion, o DJ Paradroid e ainda um tributo especial a Adrian Borland e os seus eternos The Sound, que deverá incluir a projeção do documentário Walking in the Opposite Direction.

Os passes para os 2 dias de festival já adquiridos este ano vão manter-se válidos para a edição do próximo ano. Os bilhetes diários e os passes gerais para a nova edição podem ser adquiridos aqui. Ainda não é conhecido o alinhamento das bandas por dia, mas todas as informações adicionais relativas ao DarkMAD 2021 podem ser encontradas aqui.



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Jazz 2020 substitui a 37ª edição do Jazz em Agosto



Devido ao contexto atual de pandemia, a 37ª edição internacional do Jazz em Agosto não se realizará este ano e será substituída pelo Jazz 2020

Com a realização deste evento, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, pretende "apoiar o regresso dos músicos portugueses de jazz ao palco e ao reencontro com o público", afirma a organização em comunicado, tendo estabelecido para esse efeito uma parceria com a Associação Porta-Jazz, do Porto, e o Jazz ao Centro Clube, de Coimbra, para apresentarem um ciclo de concertos. 

Assim, o Jazz 2020 decorrerá durante dois fim-de-semana, de 31 de Julho a 9 de Agosto, com seis concertos no anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian, e dois concertos no Porto e outros dois em Coimbra, em datas e locais a anunciar.

A organização explica ainda que este evento é “uma oportunidade única para apoiar mais de 60 músicos e as equipas técnicas envolvidas”, visto que vários dos artistas incluídos na programação foram forçados a cancelar ou adiar os seus projetos.O programa inclui alguns dos projetos nacionais mais relevantes da atualidade, de Ricardo Toscano e Gabriel Ferrandini a Angélica V. Salvi (na foto) e Susana Santos Silva.

O programa completo pode ser conferido em baixo:


Lisboa, Anfiteatro ao Ar Livre, Fundação Calouste Gulbenkian  

Coreto 
Sex, 31 jul,  21:30  

Susana Santos Silva – Impermanence 
Sáb, 01 ago,  21:30  

Angélica V. Salvi – Phantone + The Selva – Canícula Rosa 
Dom, 02 ago,  21:30   

Daniel Bernardes & Drumming GP – Liturgy of the Birds 
Sex, 07 ago,  21:30  

João Lencastre – Parallel Realities 
Sáb, 08 ago,  21:30  

Lantana + João Mortágua – Dentro da Janela 
Dom, 09 ago,  21:30    

Coimbra, Jazz ao Centro Clube  

TGB III – Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão 
Data e local a anunciar  

Luís Vicente, Hugo Antunes e Pedro Melo Alves 
Data e local a anunciar    

Porto, Associação Porta Jazz  

Ricardo Toscano, Rodrigo Pinheiro, Miguel Mira e Gabriel Ferrandini 
Data e local a anunciar  

André Rosinha Trio – Árvore 
Data e local a anunciar


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Vaagner edita versão expandida de 'Eastern Nurseries', EP de estreia de Canadian Rifles



O músico e produtor português Canadian Rifles juntou-se à berlinense Vaagner para uma reedição expandida dos seus primeiros dois lançamentos. 

Compilados num único trabalho, em cassete dupla, Eastern Nurseries reúne dois pilares definidores da discografia de Rui Andrade – o EP de estreia Eastern Nurseries, editado em 2018 pela editora com o mesmo nome, e o single complementar ‘Of Course I Still Love You / Geranium’. O disco conta ainda com duas remisturas de Dino Spiluttini (Editions Mego) e Burning Pyre (Perfect Aesthetics) e masterização de Daniele Antezza, do estúdio Dadub Mastering. A capa (na foto) é da autoria de O.R., fundador do selo que acolhe este lançamento.

A Vaagner, que tem vindo a lançar belíssimas relíquias de música eletrónica desalinhada, editou ainda mais três interessantes lançamentos nesta sexta-feira gorda – são eles Gli Spiriti Della Marca, de Carlo Giustini, The Journey, de Amethyst e Themes For A Better Tomorrow Vol. II 'Hidden Terraces', de  Sofie Birch

Podem escutar os vários trabalhos no Bandcamp da editora.


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Império Pacífico lançam álbum de estreia, Exílio



Exílio é o primeiro longa-duração de Império Pacífico. A dupla formada por Luan Belussi (trash CAN) e Pedro Tavares (funcionário) dá sucessão ao anterior EP Racing Team, editado em 2018 de forma independente, com uma mistura planante de sintetizadores aéreos e ritmos contagiantes de contaminação ácida ao longo de seis novas faixas, disponíveis a partir de hoje no Bandcamp da Variz.

O álbum foi antecedido por "Nitsusada", tema de planuras luzentes que juntou o duo a Maria Reis, uma das metades das Pega Monstro que dá voz a duas das canções de Exílio. O álbum conta ainda com a de Benjamim Castanheira. A masterização ficou a cargo de Tó Pinheiro da Silva.

Os Império Pacífico formaram-se em 2016, ano em que se estrearam nas edições pela Alienação com o EP 180, seguindo-se uma breve mas essencial passagem pela Rotten Fresh com o o homónimo Império Pacífico, em 2017. Desde então, a dupla, que integra o núcleo duro do Coletivo Colinas, passou pela última edição do festival OUT.FEST, no Barreiro, e abriu para o terrorista-pop Yves Tumor na últma noite Super Ballet, na Galeria Zé dos Bois.

Exílio encontra-se disponível para escuta no Bandcamp da Variz, onde poderão proceder também à sua compra em vinil.








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Jeff Clark's - "From Earth To Mars" (video) [Threshold Premiere]


It was back in April that Jeff Clark's - a duo made up of Charly Loyer (compositions, arrangements, vocals and live guitar) and Guillaume Jean (live bass, arrangements) - released Miserable Star, a four-track EP betting on the synthesizers and machine ambiance strength, without ever neglecting a whole dark aesthetic rounded by an incendiary power. In spite of the typical noir imagery that Jeff Clark's portray, their compositions are made up in a way that allows light and energy to break in. Constructing their own environment with influences ranging from The Soft Moon, She Past Away or Skeleton Hands, the duo is now back with the first music video extracted from Miserable Star: "From Earth To Mars".

Placing ourselves before a world influenced by dark-techno ambiances in "From Earth To Mars" Jeff Clark's offers us a new vision of the modern world not only with the imagery that it depicts but also through the lyrics where the sentence "Stop wearing a mask" is on repeat. In addition to the masks, strongly present in the design of the EP - especially in the incredible artwork accompanying the album - Jeff Clark's shows us that they are not that shy (appearing briefly in some cuts of the video) and that its sound is deeply intense.

The video for "From Earth To Mars" was realized by Isthmaël Baudry and can be watched first-hand below.


Jeff Clark's started exploring these dark, cold, and hypnotic atmospheres with the debut EP Confused (2017) but definitely intends to leave a mark with Miserable Star their first effort in the catalog of one of the most influential labels in the French darkwave panorama, Manic Depression Records. Released on April, 10th in digital format the EP can be purchased here for the amount you want.

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quinta-feira, 11 de junho de 2020

STREAM: Valentina Magaletti & Marlene Ribeiro - Due Matte


Due Matte é o novo álbum colaborativo de Valentina Magaletti (Tomaga, Vanishing Twins, etc.) com Marlene Ribeiro (Gnod, Negra Branca), fruto da residência artística Hysteria que decorreu na Sonoscopia onde as duas artistas marcaram presença, corria o mês de maio de 2019 na cidade do Porto. Quando as duas artistas se encontraram para se familiarizar com o espaço e os recursos oferecidos, gravaram algumas peças originais, desenvolvendo uma nova linguagem musical, onde a simplicidade e a complexidade criam uma maneira original de interagir sem interromper a narrativa sónica que predomina sobre as composições. Ao trabalho resultante decidiram chamar Due Matte. A redisência artística foi produzida por Francisca Marques e integrou o ciclo de 4 tempos de contacto (dois decorridos no Teatro do Bolhão e dois na Sonoscopia).

Ao longo de doze temas onde os sons são habilmente adicionados e removidos para nos levar a uma aventura no tempo e no espaço, Due Matte consolida-se como um álbum de estética avant-garde que viaja entre exercícios de música concreta, ambiências eletrónicas e uma vontade inquantificável de experimentação. Do disco forte destaque para temas como "Apples from Peru", "Due Matte", "Run for the newborn" ou "Viaggio inverso". Um tratamento auditivo muito especial que se pode assimilar na íntegra abaixo.

Due Matte é editado esta quinta-feira (11 de junho) em formato cassete e digital pelo selo italiano Commando Vanessa. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Luigi Pugliano - Stelle dell'Orsa


Três anos após a edição de Glows (2017, Delete Recordings) Luigi Pugliano está de volta ao radar com a edição de um mini EP intitulado Stelle dell'Orsa que incorpora duas composições extremamente interessantes. Com grande foco na exploração e criação de sons experimentais nos campos da música eletrónica, o produtor italiano inclui ainda de forma ténue alguns elementos da witch house, drone e música ambient em dois temas profundamente enriquecidos de desenvolvimento rítmico. Se em "Stelle dell'Orsa" o foco é a exploração de uma eletrónica mais negra e de atmosferas densas, em "Vaghe gemme" é notória uma aproximação às paisagens contemplativas da eletrónica etérea.

Juntamente com a edição do novo EP Luigi Pugliano avançou - ainda em período de promoção - um novo trabalho audiovisual para o tema homónimo "Stelle dell'Orsa" que podem visualizar aqui. Já Stelle dell'Orsa pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Stelle dell'Orsa foi editado a 11 de junho em formato digital pelo selo italiano Delete Recordings.


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"Medley McCann" é o primeiro single do álbum de estreia dos PALMIERS


Foi no passado dia 9 que saiu "Medley McCann", o primeiro single do álbum de estreia dos PALMIERS. O álbum, homónimo, sai a 20 de junho de 2020, no primeiro dia de Verão e está se encontra em pré-venda, com oferta de uma das edições anteriores para os primeiros 50 compradores.

Embora este álbum homónimo marque a estreia em disco dos PALMIERS, este quarteto formado no Porto já tem experiência ao vivo em palcos relevantes como Casa da Música, ZigurFest, Museum Festum, Festival A Porta, entre outros. O rock é a base de onde Ricardo Prado (guitarra), Tito Sousa (bateria), Gabriel Costa (teclados e percussões) e José Silva (baixo) partem em exploração de universos como o krautrock, o tropicalismo, o progressivo e o dreampop.

O álbum tem edição marcada para 20 de junho de 2020 e está a cargo da Saliva Diva. Trata-se do terceiro lançamento desta nova editora fonográfica que se pretende afirmar no underground de linguagem universal.



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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Golden Dolphin foi feita para os simpatizantes do ambient/drone


Golden Dolphin - Music for Turin Vol.1 é uma compilação que incorpora o trabalho de nove artistas presentes no panorama da música em Turim (Itália). Dedicada à cidade e ao próprio cenário musical - sempre artístico e vivo - esta compilação promete ter continuidade nos tempos próximos com recurso ao apoio dos músicos de Turim, que contribuirão para as edições sucessoras com uma música. Esta é uma iniciativa da Delete Recordings que avança para dar continuidade ao lançamento de edições, num período em que os seus lançamentos físicos se encontram suspensas. A Golden Dolphin encontra-se assim cingida ao formato digital para colocar na voga o epíteto experimental da música influenciada pelas correntes estéticas do drone e ambient.

Ao longo de nove temas de desenvolvimento arrastado e profundeza sumptuosa podemos absorver de perto os retratos auditivos de uma cidade que se encontra bem longe, na interpretação diversificada dos seus criadores. Desde melodias folk (logo apresentadas no tema de abertura do disco), aos exercícios de progressão de ritmo, a compilação abrange ainda paisagens densas e gélidas (como é o caso do tema de Luca Purum Nihil) ou mesmo sinistras (no tema de Onda Lunga) e ainda ambiências mais dançáveis (onde se destaca a faixa de Lo Dev Alm). Como resultado é um profundo exercício às abordagens experimentais da música eletrónica que pode agora ser explorado em pormenor abaixo.

Golden Dolphin - Music for Turin Vol.1 foi editado a 25 de maio em formato digital pelo selo italiano Delete Recordings. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Curtam aí a coldwave old-school do novo disco de XTR HUMAN


Dois anos após o EP Reflections (2018, Blackjack Illuminist Records) e seis desde que se lançaram nos longa-duração, Atavism (2014), os XTR HUMAN continuam na exploração dos sons frios que viajam entre géneros como o post-punk, o rock independente e uma certa essência britrock. Através de uma fórmula que contempla em força as atmosferas melancólicas e abraça os ambientes de beleza distópica, os XTR HUMAN criam um mundo motivador que recorre às tendências old-school para o tornar, de certa forma, intemporal. Encabeçados por Johannes Stabel - romântico de natureza, por vezes desesperado, por vezes conjurador - os XTR HUMAN apresentam um conjunto de dez novas faixas dinâmicas e expressivas, mesmo considerando que a inovação não é o seu ponto de foco.

Num disco que poderá ser do apelo de fãs de nomes como Editors, Interpol, The Wake, The Cure, New Order, Beach Fossils, Moaning ou Maximo Park recomenda-se a audição de temas como "On A Greater Scale", "On Miracles", "New Dawn" ou "Darkest Side". Interior - o disco que coloca em contexto social os limites e demónios pessoais dos XTR HUMAN - pode ouvir-se na íntegra abaixo.

Interior foi editado no passado dia 29 de maio em formato cassete, CD, vinil e digital pelo selo alemão Blackjack Illuminist Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Wladyslaw Trejo e a onda minimal de "Tu Intimidad"

© Cristina R. Vecino

Prestes a lançar novo EP Wladyslaw Trejo regressa ao radar musical com mais um tema de antecipação ao curta-duração em agenda, que segue sob o desígnio "Tu Intimidad". Numa instrumentação resultante dos sintetizadores que exploram as ondas minimais o artista espanhol compõe um single instantâneo que aborda o sexo rápido. Depois da injeção de adrenalina que nos mostrou em novembro com "MOVIDA", Wladyslaw Trejo aposta agora num tema ainda mais curto e negro que nos convida a uma viagem sombria e psicotrópica na forma de uma eletrónica de ritmos industriais e paredes de som quase paranoicas. 

"Tu Intimidad" é acompanhado por um trabalho audiovisual que segue as linhas filmográficas de trabalhos como Un Chien Andalou de Luis Buñuel, focando-se no desenvolvimento biológico de um feijão que no vídeo representa a rapidez do nascimento e crescimento da existência. O trabalho foi dirigido pelo próprio Wladyslaw Trejo e pode assistir-se na íntegra abaixo.

O novo EP de Wladyslaw Trejo segue ainda sem informações adicionais divulgadas sabendo-se apenas que chegará às prateleiras ainda este ano na alçada britânica Polytechnic Youth.



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Cursed Days tem novo tema, "черкащанка"


O post-industrial e alguma da essência witch house dão as mão no novo tema do produtor ucraniano Cursed Days, "черкащанка". Pronunciado como "cherkashanka", o nome da música refere-se a uma jovem que vive na remota e bela cidade de Cherkasy, na Ucrânia e reforça o clima de desalento experienciado ainda hoje no país. Segundo o produtor:
"A história gira em torno de um psicopata misticamente possuído, que decide matar a jovem e explodir a represa da cidade para esconder os traços do seu crime. Romantismo tentador da raiva e do desespero pós-soviéticos. Dia e noite, vivemos em orgia e morte."
Mais experimental e dissonante que nos singles anteriormente apresentados em "черкащанка" Cursed Days faz emergir um lado mais exuberante e de confronto num tema de atmosferas profundas e pintadas num clima tendencialmente obscuro.

"черкащанка" foi editado oficialmente a 14 de maio de 2020, um ano após Cursed Days ter lançado cá para fora o EP de estreia серійне спустошення. Podem comprar a versão digital do tema aqui.


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David Bruno anuncia novo álbum, Raiashopping



Raiashopping é o próximo álbum de David Bruno. O anúncio do disco foi avançado pelo próprio através da sua página de Instagram, onde o produtor revela alguns dos detalhes do sucessor de Miramar Confidencial, lançado em setembro de 2019.

“No meu próximo disco recuarei um passo atrás nas minhas origens, navegando no nordeste de Portugal por terras raianas da Beira Alta e Trás os Montes até ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo", lê-se no comunicado. "Tardes no café, mergulhos no tanque, festas da espuma ou incursões ao outro lado da fronteira" são algumas das memórias que o autor de O Último Tango em Mafamude guarda da região e que contribuíram para despoletar a sua paixão pela Portugalidade.

"Feito em Gaia, mas a pensar na Raia”, lê-se ainda no comunicado, Raiashopping será editado no dia 1 de agosto e o seu primeiro avanço já tem data marcada: "de hoje a oito há single de avanço”.




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STREAM: Machinefabriek with Anne Bakker - Oehoe


Exercícios de exploração sonora nos campos da música eletrónica experimental, música concreta e de apelo avant-garde estão em foco no novo disco do produtor Machinefabriek em conjunto com a vocalista e violinista Anne BakkerMachinefabriek - um autodidata extremamente prolífico da música eletrónica já gravou para labels como Type, Digitalis, Dekorder, Western Vinyl, entre outros - junta-se agora à compositora e violinista Anne Bakker - artista solo com formação clássica e parte integrante de Agnes Obel ao vivo - para criar um disco de sensações multifacetadas. Intitulado Oehoe, o novo registo apresenta um conjunto de 10 novos temas, onde o ouvinte é convidado a mergulhar num mundo que se move perfeitamente entre um estado de satisfação harmoniosa a momentos de êxtase vivo em composições profundas e altamente melancólicas.

Em Oehoe Machinefabriek e Anne Bakker criam uma bela paisagem sonora entre a sobreposição do violino, da eletrónica ambiente e das improvisações vocais. Num trabalho que junta elementos tradicionais ao arroja da experimentação e curiosidade na criação de um disco distinto, Machinefabriek e Anne Bakker exalam uma antiguidade polifónica clássica, que é profundamente emocionante e divertida. Numa escala proporcional de desenvolvimento experimental há espaço para a implementação de elementos cacofónicos, recortes de harmonia e sinistralidade clássicos e todo um teor intimista em pano de fundo que pode escutar-se na íntegra abaixo.

Oehoe foi editado a 5 de junho em formato vinil, CD e digital pelo selo britânico Where To Now? Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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terça-feira, 9 de junho de 2020

Os Daisy Mortem lançaram um vídeo "Pasolini inspired" para "La Nuit Sexuelle"


Parece retirado de um capítulo à moda "The Decameron" do Pasolini mas é bem moderno e feito como o terceiro episódio de Faits-Divers, o disco que os Daisy Mortem colocaram  na calha em janeiro do presente ano. "La Nuit Sexuelle" é o tema que serve de "banda sonora" ao novo vídeo da dupla cyber-goth Daisy Mortem e que nos traz à memória o cinema inspirado pelas correntes do teatro inerte de sentido.

O título da música é uma referência ao escritor francês Quignard, que acreditava que o maior medo da humanidade não é a morte, mas a génese. No vídeo para "La Nuit Sexuelle" os Daisy Mortem retraram essa ansiedade metafísica num conto selvagem protagonizada por dois guerreiros queer. Depois de "Arêtes" e "L'accident est inévitable" os Daisy Mortem apresentaram no final do mês passado o último episódio de uma trilogia de videoclipes que explora a temática dos mistérios enigmáticos. Se ainda não o fizeram podem explorar o resultado abaixo.

Faits-Divers chegou às prateleiras no passado dia 9 de janeiro pelo selo Napp Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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Closed Mouth - "Two Ways To Choose" (video) [Threshold Premiere]

Closed Mouth - "Two Ways To Choose" (video) [Threshold Premiere]

Closed Mouth is a musical project created by Yannick Rault in 2019 that brings a suitcase with influences ranging from post-punk to new wave, also contemplating the sound atmospheres of genres such as coldwave, gothic-rock, ambient, shoegaze or electronic music. Known by its active presence in the underground scene - with a series of EP's and singles already release, besides two full albums - the French project is back with Conversation Piece, the third long-player. Over the 14 new themes featured on the tracklist, Closed Mouth bets in a dense, unpredictable, and confusing universe that will instantly catch your attention.

In anticipation of the recently announced album Closed Mouth also advances with the two first new themes: "A Void" and "Two Ways To Choose". If in the first ("A Void") we are introduced to the post-punk revival atmospheres intercepted with modern art-rock, in "Two Ways To Choose" the project bets on a garage identity with a conquering adrenaline injection promoted by the catchy synthesizers. Between the exploration of dynamic, lo-fi, and typically dark rhythms, Closed Mouth paints his characteristic and multifaceted environment in a passionate and contagious way. Definitely worth to listen.

To raise higher the expectations about this Conversation Piece, Closed Mouth now advances with a new audiovisual work for "Two Ways To Choose" - a gloomy portrait tinted by flashes of black strobe - which can be premiered below. The video is directed by Yannick Rault himself, who gradually shows us his identity, in a very "Nosferatu inspired" visual work.



Conversation Piece is out due June, 21st in CD and digital via the French label Icy Cold Records. You can pre-order the album here.

Conversation Piece Tracklist:

01. Intro 
02. Days Go By 
03. I Can See 
04. Something Precious 
05. Interlude 1 
06. Never Getting Old 
07. A Void 
08. Your Eternal Sleep 
09. Interlude 2 
10. Two Ways To Choose 
11. Your Mind 
12. Words In A Lost Box 
13. Worthless 
14. Voices

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

STREAM: Zaliva-D - Immorality



A dupla de Pequim Zaliva-D está de volta às edições com o segundo lançamento pela editora holandesa Knekelhuis. Um ano depois de Calling, demolidor EP lançado pela editora de Xangai SVBKVLT, Li Chao e Aisin-Gioro Yuanjin juntam novamente esforços em Immorality, um compêndio de quatro faixas inéditas que equilibra brutalismo industrial com arranjos originais para instrumentação chinesa.

Gravado após a segunda digressão europeia da dupla, o disco baseia-se nos conceitos de armazenamento de dados e na forma como estes conseguem superar qualquer limite, seja físico, digital ou mental. Intercalando o hedonismo das pistas de dança com as viagens alucinantes da música psicadélica, Immorality assume-se como um tratado de comunhão e companheirismo feito em tempos de isolamento.

Masterizado no estúdio Bradenburg, em Amsterdão, o EP encontra-se disponível para escuta em todas as plataformas digitais. A capa é da artista visual Fenna Fiction.

Em nota de rodapé, a Knekelhuis, que está a editar um novo lançamento por mês até ao fim do ano, promete novo trabalho de De Ambassade para os próximos tempos.






Tracklist

01. Long Journey 
02. Speed Of Faith 
03. Immorality 
04. Sick Step

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Cinco Discos, Cinco Críticas #57


Em revisita às edições que marcaram os últimos três meses no panorama da música underground e independente podemos encontrar os Window com o seu Endless Cycle EP (2020, Third Coming Records); em território português destacam-se os lobo mau com na casa dele (2020, self-released); passamos para ambientes mais etéreos com a eletrónica cativante dos DSM-V - Into Nothing/Function (2020, Third Coming Records); prosseguimos viagem até a Toronto para ouvir o novo disco das Pantayo, o homónimo Pantayo (2020, Telephone Explosion) e, para finalizar, culminamos na Califórnia com destino ao surpreendente The Mother Stone (2020, Sacred Bones Records) de Caleb Landry Jones.

As opiniões relativas aos mencionados trabalhos podem ser lidas abaixo, acompanhadas pelo respetivo player.


Endless Cycle | Third Coming Records | março de 2020 

7.5/10 

A trabalhar nas entranhas territoriais do EBM, industrial e techno dark, os Window regressam com todo o vigor, poder e imersão em Endless Cycle. A primeira edição da dupla que junta Dylan Travis (Some Ember) e Reuben Sawyer (The Column, Anytime Cowboy) no catálogo da iminente Third Coming Records mostra como eles são um segredo bem guardado no mundo das intermitências da escuridão underground. O projeto - que conta já com alguns anos de bagagem e lançamentos pela Total Black e Fallow Field - regressa agora em Endless Cycle com cinco fustigantes temas a explorar em força as caixas de ritmo, numa eletrónica que é crua, dinâmica e rodeada de atmosferas poderosas. 
Marcado pelas ondas negras que aporta - onde ganham especialmente destaque a voz carregada em ira e revolta -, os Window apresentam um ciclo (quase) interminável de ansiedade, retratada numa onda eletrónica minimalista de energia amplamente brutal. Exemplo fidedigno destas ambiências industriais da penumbra pode ser encontrado na faixa homónima "Endless Cycle", noutras vertentes em "Desert" - a explorar um ambiente sonoro onde a dark-techno vigora em força - e ainda em "The Stone", o tema que o encerra. A par disso, há também espaço para exploração de sintetizadores apoteóticos e aditivos, como se sente logo com o tema de abertura em "Ashen" ou ainda em "Carbon", uma das mais estimulantes faixas da obra onde tanto Dylan Travis como Reuben Sawyer dão a sua interpretação vocal (a par do que já tinha sido feito anteriormente em "Endless Cycle"). 
Em suma, Endless Cycle é um retrato musical poderoso que conspurca confronto e agonia num mundo tão incerto e curel. Uma bomba atómica de energia negra para consumir em cassete.
Sónia Felizardo



na casa dele | self-released | abril de 2020

7.5/10 

Os portugueses lobo mau apresentam-se como uma trindade de talentos unidos como unha com carne, na forma da dualidade vocal de Lília Esteves e David Jacinto e dos acordes da guitarra de Gonçalo Ferreira. Com o primeiro álbum na casa dele, os lobo mau apresentam uma sonoridade geralmente serena e enraizada na folk ora acústica, ora elétrica, mas sempre direto ao assunto e sem grandes pretensões ou artifícios insinceros. 
Ao longo do álbum, os três elementos do projeto demonstram o seu ponto mais forte: uma afinidade mútua e invejável, culminando numa força única que guia o ouvinte por um emaranhado de vozes melodiosas e harmoniosas, de acordes dedilhados cativantes e, de outras texturas sonoras como contrabaixo ou o violoncelo que batem certo com a atmosfera geral tomada a cabo. E é por via deste aglomerado sonoro que o ouvinte é transportado para relatos de histórias e vivências de convívio, de amizade e amor… em suma, uma "celebração" do que é - para o bem e para o mal - tido como corriqueiro e mundano nesta vida agridoce (fazendo lembrar nomes como J.P. Simões e outros cantautores a braços com as agruras do dia-a-dia). 
De modo geral, na casa dele é uma experiência bastante agradável e com uma sensação bastante familiar, graças a um equilíbrio certeiro entre os elementos dos lobo mau e as suas letras empáticas que certamente ressoarão com quem as ouvirá. De mau, este lobo tem pouco.
Ruben Leite



Into Nothing/Function | Third Coming Records | maio de 2020 

8.0/10 

Os DSM-V - dupla que junta Buzz Kull e Morgan Wright no mesmo corpo musical - estrearam-se nas edições de estúdio com um single duplo Into Nothing/Function que chega às prateleiras para atenuar as saudades da eletrónica etérea de vestes negras. Oriundos da Austrália, os artistas tomaram a decisão de formar um novo projeto criativo cuja sonoridade consegue metamorfosear-se entre o poder iminente da eletrónica fustigante e as paisagens contemplativas da eletrónica etérea. 
Para se apresentar ao mundo a dupla não escolheu uma comum nomenclatura, preferindo arriscar num acrónimo que traz um conceito intrínseco por trás. DSM-V apresenta as letras iniciais do Diagnostic Statics Manual (Revision Number 5), um manual feito pela Associação Americana de Psiquiatria que define como é feito o diagnóstico de transtornos mentais. Sem, contudo se prenderem a uma música focada em transtornos mentais, é evidente que estes colapsos tão em voga na sociedade moderna circulam nos sintetizadores aliciantes que compõem a cassete. Se em "Into Nothing" os DSM-V arriscam numa veia contemplativa e ideia de um mundo relativamente estável, em "Function" a banda contrasta as harmonias com sintetizadores mais negros que repescam os traços estéticos da EBM, sem nunca descurar as paisagens contemplativas e de pura estabilidade. 
Em dois temas absolutamente cativantes, Buzz Kull e Morgan Wright manuseiam o seu estilo típico na criação de uma essência coerente que faz o ouvinte destilar entra as ondas negras e quentes, sem nunca perder o meio termo no ritmo. A aguardar o que estes meninos nos guardam para o futuro, que parece ser bastante promissor.
Sónia Felizardo



Pantayo | Telephone Explosion | maio de 2020 

7.5/10 

Kulintang é o nome de um instrumento composto por vários pequenos gongos dispostos horizontalmente. Estes são tipicamente acompanhados por diferentes tipos de gongos que são suspensos verticalmente e pelo dabakan, um tipo de tambor. Kulintang é também um estilo musical tocado com estes instrumentos que existe há séculos no sudeste da Ásia. Está presente em regiões da Indonésia, a Malásia e as Filipinas, entre outros países. É nas Filipinas que as Pantayo têm origem. São um quinteto feminino queer com sede em Toronto, Canadá, que mistura o kulintang tradicional com sonoridades mais modernas. 
Os gongos estão constantemente presentes ao longo de Pantayo e são origem de estranheza e complexidade, sejam eles o foco ou o suporte dos outros instrumentos. A sua inclusão nunca quebra o lado R&B e pop das canções, mas dá um sabor especial a cada uma delas: eleva a suavidade de "Divine" com jogos rítmicos entre diferentes tipos de gongos, enfatiza a urgência transmitida por "Taranta" e contrasta com os vocais melodiosos de "Eclipse", por exemplo. 
O álbum demonstra uma vontade de experimentar, de abordar diferentes sonoridades. Por vezes isto é conseguido através de transições bruscas, ocorram estas entre faixas ou dentro de uma só, como em "Bahala Na". Pantayo pode ser considerado um showcase das possibilidades do kulintang, mas há ideias que são trocadas por outras antes de serem completamente exploradas e a falta de resolução aí sentida é insatisfatória. 
Pantayo é uma união improvável que resulta num disco acessível, mas peculiar. Uma boa introdução ao kulintang para ouvintes que nada ou pouco conhecem desse estilo musical.
Rui Santos



The Mother Stone | Sacred Bones Records | maio de 2020

9.0/10 

É inevitável por vezes ficarmos com inveja do talento das outras pessoas. Especialmente, quando elas se excedessem em mais do que uma arte. Vem à cabeça, por exemplo, Donald Glover, que começou a carreira como ator (das excelentes séries Atlanta ou Community) e humorista de stand-up e que, como Childish Gambino, alter-ego musical, está na linha da frente dos mais inventivos rappers e músicos que usam o hip-hop como ferramenta para se exprimirem. 
A mais recente pessoa de quem tenho inveja é Caleb Landry Jones, ator de Garland, Texas, conhecido por ter entrado em filmes como Get Out ou Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (ambos os filmes foram, em 2018, nomeados a Melhor Filme do ano nos Óscares) ou na continuação da série Twin Peaks, em 2017, e que agora do nada se lança numa carreira a solo como músico. 
O excelente The Mother Stone, com selo da Sacred Bones Records, musicalmente, deve tanto aos delírios psicadélicos de Syd Barrett ou de Frank Zappa, como à orquestração instrumental eximia dos artistas que elevaram o chamber pop a um género na vanguarda como os Beach Boys no Pet Sounds ou, ainda, o trabalho de Kate Bush em Hounds of Love
Até ver, este disco, que soa como um musical produzido dentro de um circo, criado por Caleb é um dos melhores e mais frescos lançamentos dos últimos tempos e levanta a curiosa questão. Como irá Caleb conciliar a sua carreira de ator com a de músico. Esperamos que a resposta seja: bem.
Hugo Geada


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