quarta-feira, 24 de junho de 2020

ben yosei lança álbum de estreia, luz, pela Edições Fauve



Rafael Trindade deu à luz o longa-duração de estreia de ben yosei, um dos muitos alter-egos do multi-instrumnetista português que apresenta assim o seu primeiro álbum exclusivamente cantado em português. 

luz, lançado esta quarta-feira, dia 24 de junho, afasta-se das tempestades sónicas dos anteriores Red e Katzen, editados enquanto richard was airs and roses pelas Edições Fauve, dando lugar a uma pop frágil e açucarada em forma de curtas canções de devoção, a deus e a "todos os seres que de qualquer maneira tocaram a [sua] existência na Terra", pode ler-se na sua página de Bandcamp.

O álbum de dez faixas volta a receber o selo da Fauve e conta com masterização de Benjamim Castanheira, membro do Coletivo Colinas que editou recentemente Sitting Still. Luz pode ser escutado no Bandcamp e soa assim:


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terça-feira, 23 de junho de 2020

"Nós Somos" é o novo videoclip de meta_


No novo videoclip de meta_ para Nós Somos temos uma celebração moderna e contagiante da feminidade e da sabedoria tradicional.

É na escola que nos ensinam pela primeira vez o que é bucolismo, esse conceito incontornável da poesia portuguesa - uma constância eternamente associada à vivência em campo, quase imóvel. Levam-nos, até certo ponto, a acreditar que não pode haver inovação nesta paisagem, que o que é campestre vive entrelaçado com o que é do passado. 

É por isso que artistas como Mariana Bragada são necessários - sob meta_, o seu alterego artístico, o cantar feminino polifónico português é reimaginado para os nossos ouvidos habituados a sonoridades electrónicos. Em Nós Somos, os elementos de percussão escasseiam, dando a primazia às melodias e harmonias que só um coro de vozes pode produzir. Neste autêntico folclore-feito-pop, vemos um bucolismo que não parou no tempo e que celebra a energia feminina. 

O videoclip, dirigido por Ana Marta e filmado em Grijó de Parada, cria um espaço onde o passado e o futuro se encontram - todo o processo tradicional da produção de pão, desde a ceifa do trigo até à sua celebração, é realizado e interpretado numa performance imaginada por meta_. Com excertos de “Festa, Trabalho e Pão em Grijó de Parada- Manuel Costa e Silva”, documentário etnográfico de Manuel Costa e Silva, vemos melhor desenhada a correspondência entre o que foi e o que é; o mantra auditivo invocado por meta_ funde-se com a celebração do eterno retorno das Festas de Natal de Grijó de Parada, numa celebração intemporal da mulher e da natureza.

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segunda-feira, 22 de junho de 2020

STREAM: Pedro Augusto - Duas Vozes


Na passada sexta-feira saiu Duas Vozes, o EP de estreia do artista e compositor Pedro Augusto. Editado digitalmente via Lovers & Lollypops, o registo pode ser escutado no bandcamp da editora. Música de carácter visual, o EP surge um híbrido video-álbum-viagem em que a música de Pedro Augusto se deposita nas imagens criadas por Rafael Gonçalves

Pedro Augusto, sediado no Porto desde 2001, trabalha como artista e compositor musical para artes performativas e cinema. Tem vasto percurso editorial a título individual e como produtor em diversos álbuns de música portuguesa da última década. É responsável pelo arquivo Found Tapes Porto e pelo projecto musical Live Low, tendo até 2014 assinado com o alter ego de Ghuna X.

Em Duas Vozes estreia-se nos lançamentos em nome próprio, com seis temas de música não-operática, ou melhor, que não cumprem um propósito outro que não fosse construir um programa musical que pudesse ser apresentada ao vivo sem programações. Nesse sentido e apesar das devidas diferenças, encontra-se plástica e sonoramente sonoramente esteja mais próximo do trabalho desenvolvido como Ghuna X do que como o mais recente Live Low, isto porque apresenta uma sonoridade bastante frontal, viva e dinâmica, em que se vive mais do som que é produzido do que da complexidade musical. 

O sintetizador modular é, por essência, um objecto orgânico, em constante transformação selvagem, difícil de domar para que soe igual hoje e amanhã, e portanto não é de estranhar que um processo de escrita e gravação de cerca de duas semanas seja o resultado de um processo de anos na procura de uma música electrónica forte, gutural e torcida que soasse, ao mesmo tempo, própria a Pedro Augusto.

Este disco, escrito a partir de duas sequências monofónicas de um sintetizador modular, marca o início de uma série de edições que evoluirão a partir do objecto inicial através da adição de novos instrumentos. Mais à frente Pedro Augusto lançará "duas vozes e piano” ou “duas vozes e uma caixa de ritmos”. O projecto encontra no formal, no serial e no repetitivo os pressupostos para se fazer ouvir ecos da música moderna americana dos anos 60/70, da geração de John Cage, Philip Glass, Steve Reich ou Henry Flynt nestes seis temas compostos para duas vozes.

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domingo, 21 de junho de 2020

STREAM: Closed Mouth - Conversation Piece


No dia em que se celebra a "Fête de la Musique" em França, Closed Mouth - o projeto que Yannick Rault criou em 2019 - regressa ao posto de escuta português com o seu terceiro longa-duração de estúdio, Conversation Piece. O disco que incorpora na mesma tracklist 14 novos temas mostra-se uma obra bastante coesa e eclética que inclui paisagens sonoras que viajam desde a coldwave, ondas etéreas, eletrónica e uma forte dominância no revivalismo post-punk. Conversation Piece vem dar sucessão a uma série de singles que têm sido lançados desde o início do ano e faz vigorar em força as ambiências nostálgicas que predominam na personalidade do projeto.

Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido revelados os temas "A Void" - onde as atmosferas revival do post-punk entram em harmonia com uma certa visão contemporânea e ainda "Two Ways To Choose" - uma injeção de adrenalina a integrar estruturas da música rock e um poder iminente à mistura. Sem nunca perder a sua conceção essencialmente noir, Closed Mouth consegue criar um disco denso e profundo que viaja entre as paisagens mais badaladas (evidenciadas em temas como "Something Precious", "Never Getting Old" ou "Words In A Lost Box") a temas de essência mais movimentada (como é o caso de "Days Go By", "I Can See" ou "Your Eternal Sleep"). Conversation Piece pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Conversation Piece foi editado este domingo (21 de junho) em formato CD e digital pelo selo Icy Cold Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


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Jardim da Gulbenkian recebe música, instalações e performance em julho

O português João Pais Filipe junta-se ao alemão Burnt Friedman para um concerto no no Anfiteatro ao Ar Livre

A convite da Fundação Calouste Gulbenkian, a Galeria Zé dos Bois apresenta uma programação transdisciplinar para a edição de 2020 do Jardim de Verão, programa fora de portas da fundação. Pensado para “salvaguardar um espaço inclusivo", o programa parte das qualidades do jardim para explorar vários caminhos que passam pela instalação, pela performance e pela música.  

Ao longo dos três primeiros fins-de-semana de julho, o Jardim Gulbenkian transforma-se num Jardim Concreto através de três instalações –Hortus, de Patrícia Portela e Christoph De Boeck, ESTADO EROSÃO, do coletivo Berru e À Margem, de Paulo Morais.

Aos domingos de manhã, o Jardim recebe o workshop de serigrafia de máscaras da Oficina Arara. Nas tardes de sábado e domingo, a ZDB propõe duas performances de Gustavo Sumpta e uma de Tiago Barbosa, todas no palco do Grande Auditório.

As noites de sexta a domingo estão reservadas para uma programação eclética de concertos no Anfiteatro ao Ar Livre, com propostas que vão da canção à música improvisada e exploratória, passando pelo jazz, o funaná e a música erudita. 





O baterista e percussionista português João Pais Filipe junta-se ao músico e produtor alemão Burnt Friedman para um concerto no dia 4 de julho. O primeiro é o motor pulsante dos Paisiel e HHY & The Macumbas, tendo colaborado também com nomes tão icónicos da experimentação contemporânea como o malogrado Z’EV e o nosso Rafael Toral. Burnt Friedman é senhor de uma discografia vasta e que não passa despercebida aos mais atentos das ondulações eletrónicas, assinando trabalhos em grupos como Drome, Flanger ou Nine Horses, que junta o alemão aos ingleses Steve Jansen e David Sylvian, dos icónicos Japan. O programa desta noite conta ainda com um concerto do guitarrista português Norberto Lobo, auotr de primordiais obras de música primitiva a solo e membro do trio jazz-pop Montanhas Azuis.

Peter Evans, aclamado trompetistas das últimas duas décadas, é mais um dos destaques do programa de música do Jardim de Verão 2020. Após quatro edições da residência “Som Crescente” no espaço da Galeria Zé dos Bois, o músico americanofaz uma espécie de súmula do trabalho que aí desenvolveu, convidando João Carlos Pinto, João Costa e de Almeida, João Gato, João Valinho, José Almeida e Samuel Gapp para esta apresentação. Depois, o trompetista junta-se a João Barradas e Damien Cabaud para uma colaboração inédita.


O programa inclui ainda concertos de B Fachada, Calhau!, Julinho da Concertina, Luís Severo, Marco Franco com Joana Gama e Tiago Sousa, Maria Reis, Orquestra Gulbenkian, e Selma Uamusse, a performance ANIMAL ANIMAL, com direcção de Tiago Barbosa e o concerto Ruin Marble, de Alexandre Estrela, Gabriel Ferrandini e Pedro Tavares.


Programa

SÁBADOS E DOMINGOS, DE 4 A 19 DE JULHO, 10:00–20:00 
Jardim Concreto, com as instalações Hortus, de Patrícia Portela e Christoph De Boeck, ESTADO EROSÃO, do coletivo Berru e À Margem, de Paulo Morais.  

SEXTA, 3 DE JULHO 
21:00 Concerto de Maria Reis 
Concerto Ruin Marble, de Alexandre Estrela, Gabriel Ferrandini e Pedro Tavares  

SÁBADO, 4 DE JULHO 
21:00 Concerto de Norberto Lobo 
Concerto de João Pais Filipe e Burnt Friedman  

DOMINGO, 5 DE JULHO 
10:00 O Diabo da serigrafia, workshop de serigrafia pela Oficina Arara 
21:00 Orquestra Gulbenkian, dirigida por Joana Carneiro  

SEXTA, 10 DE JULHO 
21:00 Orquestra Gulbenkian, dirigida por Nuno Coelho  

SÁBADO, 11 DE JULHO 
17:30 Primeira lição de voo. Pobre não tem metafísica, performance de Gustavo Sumpta O melhor mundo possível, performance de Gustavo Sumpta 
19:00 ANIMAL ANIMAL, performance de Tiago Barbosa e Cláudio da Silva 
21:00 Concerto de B Fachada 
Concerto de Julinho da Concertina  

DOMINGO, 12 DE JULHO 
10:00 O Diabo da serigrafia, workshop de serigrafia pela Oficina Arara 
17:30 Primeira lição de voo. Pobre não tem metafísica, performance de Gustavo Sumpta
O melhor mundo possível, performance de Gustavo Sumpta 
19:00 ANIMAL ANIMAL, performance de Tiago Barbosa e Cláudio da Silva 
21:00 Concerto Som Crescente, de Peter Evans 
Concerto de Peter Evans, João Barradas e Demian Cabaud  

SEXTA, 17 DE JULHO 
21:00 Concerto de Marco Franco, com Joana Gama e Tiago Sousa 
Concerto de CALHAU!

SÁBADO, 18 DE JULHO 
17:30 Primeira lição de voo. Pobre não tem metafísica, performance de Gustavo Sumpta 
O melhor mundo possível, performance de Gustavo Sumpta 
19:00 ANIMAL ANIMAL, performance de Tiago Barbosa e Cláudio da Silva 
21:00 Concerto Luís Severo 
Concerto de Selma Uamusse  

DOMINGO, 19 DE JULHO 
10:00 O Diabo da serigrafia, workshop de serigrafia pela Oficina Arara 
17:30 Primeira lição de voo. Pobre não tem metafísica, performance de Gustavo Sumpta O melhor mundo possível, performance de Gustavo Sumpta 
19:00 ANIMAL ANIMAL, performance de Tiago Barbosa e Cláudio da Silva
 21:00 Concerto do grupo de metais da Orquestra Gulbenkian



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