sábado, 18 de julho de 2020

Os Unruly Girls lançaram um álbum epidémico


Três anos após se terem estreado nas edições longa-duração com Cruel Tales (2017) os italianos Unruly Girls regressaram às edições com Epidemic, disco multifacetado em sonoridades ora escuras ora de estética suave, mas claramente vincadas numa onda de eletrónica bastante denotada. O disco que chegou às prateleiras há cerca de três meses engloba um total de treze músicas inéditas que abordam paisagens sonoras carregadas de emoções e nuances psicológicas. Sem nunca se prenderem a um género singular os Unruly Girls pintam em Epidemic um fluxo contínuo de sons abrangentes e cativantes, num disco estimulante e desenhado para conquistar uma larga audiência.

De acordo com a banda o nome Epidemic, "foi escolhido nos estágios iniciais, tendo sido inspirado pela forma como a música pode espalhar a beleza no mundo, conectar docemente as pessoas e alimentar novos movimentos e ideias". Para a criação dessa beleza os Unruly Girls apostam em harmonias criadas entre linhas de baixo poeirentas, batidas espaciais, elementos do shoegaze e a energia frívola da eletrónica punk. O resultado é uma obra extremamente dinâmica que retrata todo um universo diversificado em emoções com base no som.

De Epidemic forte destaque para temas como "Chanson Massacre" - música integralmente cantada em francês com traços musicais inspirados na folk-ritualística -; "Black Love" - malha de rock fácil mas com um potencial enorme de hit -; "Bloody Brushing" -  tema a trazer à memória os incontornáveis Mindless Self Indulgence -;  e ainda "Narc Boyfriend" - a apresentar uma base inicial bastante funk-influenced. Se ainda não passaram os ouvidos por Epidemic podem agora fazê-lo abaixo.

Epidemic foi lançado a 21 de abril em formato digital e posteriormente em CD e vinil pelo selo Dirty Beach Records. Podem comprar a vossa versão aqui.

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20 anos do impacto De Profundis na cena gótica brasileira celebrados em nova edição


Há cerca de 20 anos foi lançada a primeira compilação De Profundis, um dos marcos da cena gótica brasileira que ajudou à consolidação de uma cena que estava espalhada em diversas localidades do país. O lançamento consecutivo destas compilações solidificou o reconhecimento de diversas bandas que hoje são referências desse panorama no Brasil e, para celebrar tal feito a editora Paranoia Musique decidiu lançar a mais recente edição da compilação, intitulada De Profundis - Spatio Socialis, que emergiu no radar no passado mês de junho. No total são 24 os projetos contemplados com músicas que viajam entre as tonalidades do post-punk, coldwave, synthwave, goth-rock e derivados que nos mostram um cenário gótico brasileiro bastante ativo, embora profundamente underground.

Na compilação podemos encontrar temas que passeiam entre os beats da música synth e industrial, e aquelas linhas de baixo marcantes da era de ouro do post-punk à escala global. Em De Produndis - Spatio Social Andromeda, In Fausto, Lunar Dream, The Downward Path, Mateamargo, Cum Mortuis, Stella Tacita, As Cinzas do Tempo, In Venus, Svartfåglars Begravning, Stenamina Boat, Neutralizze, Herzegovina, Elegia, 1983, Noturna Régia, Caligvlas, Cubüs, Signo 13, Nouvelle Vie, Mãos Fúnebres, Vox Lugosi e Dead Roses Garden constroem texturas obscuras de teclados e guitarras distorcidas com vocais que retratam a vida quotidiana em voga nas grandes metrópoles. Uma compilação desenhada para explorar um cenário que internacionalmente ainda se cinge muito às cavernas.

De Profundis - Spatio Socialis foi editada oficialmente em formato digital a 26 de junho pelo selo Paranoia Musique. O valor das vendas será revertido para instituições que auxiliam mulheres vítimas de violência doméstica. Podem ouvir o disco na íntegra abaixo.


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STREAM: Jonathan Bree - After The Curtains Close


Depois de ter sido alvo de constantes adiamentos, After The Curtains Close - o novo disco do neozelandês Jonathan Bree - viu finalmente esta sexta-feira a luz do dia. Desde a edição do terceiro disco de estúdio, Sleepwalking (2018, Lil' Chief Records) Jonathan Bree tem-se afirmado fortemente pela comunidade independente muito à conta da sua sonoridade doce e nostálgica, trabalhada ao redor de uma imagem de estética sonhadora. Os seus concertos ao vivo, envoltos de uma aura muito própria com fortes traços de paixão vincados nas entrelinhas têm mostrado a singularidade do projeto que pretende continuar a conquistar corações com a sua pop orquestral. Num disco onde a composição resultou do sentimento de perda resultante da quebra de um relacionamento importante, o cantor incorpora no produto de consumo uma certa sensação de alívio e felicidade altamente contagiantes.

Do novo disco Jonathan Bree já nos tinha apresentado anteriormente a cativante "Waiting on The Moment", a incrível balada emotiva pronta para nos abraçar em amor "Cover Your Eyes"; "Kiss My Lips" - o primeiro tema em que Jonathan Bree se faz acompanhar de Princess Chelsea, no trabalho vocal - e ainda a arrepiadora "In The Sunshine". Neste novo trabalho, para além de "Kiss My Lips" - interpretado por Princess Chelsea -, Jonathan Bree contou com a ajuda de Brita Phillips no tema "Meadows In Blume" e de Crystal Choi no tema "69". Do disco, para além das mencionadas forte destaque para "Until We're Done" e o jazz-inspired "Children". After The Curtains Close pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

After The Curtains Close foi editado esta sexta-feira (17 de julho) pelo selo Lil' Chief Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Legowelt, Sonic Boom, Ralf Baecker, entre outros, para ver em Braga depois do verão



Depois de regressar à atividade em julho, o gnration, em Braga, está de volta com um reforçado programa pós-verão que promete integrar música, som, arte e tecnologia, cinema e conferências sobre o racismo e um "volume de atividade que se assemelha ao período pré-pandémico". 

O destaque maior do programa setembro/outubro é Legowelt (na foto), produtor holandês de culto que opera desde a década de 90. Apaixonado pelo cinema, o corpo de trabalho de Danny Wolfer, o seu nome verdadeiro, passa, em parte, pela conjugação da sua música, que vai do techno mais ácido e hedonista à deriva ambiental, com a sétima arte – nos últimos anos musicou várias películas de respeito, incluindo 2001: A Space Odyssey (1968), de Stanley Kubrick, Fata Morgana (1970) e Nosferatu: Phantom der Nacht (1979), ambos de Werner Herzog. É este último filme do realizador alemão, considerado um clássico do cinema de terror, que Legowelt musicará em tempo-real, com música escrita por si, no dia 23 de outubro.

Pete Kember é mais um dos destaques do programa musical do gnration. O ex-Spacemen 3 regressa pela terceira vez ao espaço, depois de uma residência artística que tinha em vista a preparação de material para um novo disco de Sonic Boom e ainda dois espetáculos, um que finalizava essa residência e outro enquanto Spectrum. Cinco anos depois dessa residência artística, Peter Kember tem finalmente novo disco: All Things Being Equal saiu em junho deste ano e coloca um ponto final no hiato discográfico de quase 30 anos. O reencontro acontece no dia 19 de setembro. 

A 26 de setembro, o baterista e percussionista português João Pais Filipe junta-se ao músico e produtor alemão Burnt Friedman, figura crucial nas desenvolturas eletrónicas que já trabalhou com notáveis como David Sylvian, dos Japan, e Jaki Liebezit, dos lendários Can. Os dois músicos trazem ao palco Eurydike, trabalho colaborativo que registaram em março pela Nonplace de Friedman. 


A artista e documentarista portuguesa Sofia Saldanha, autora da série documental áudio sobre a vida e obra do poeta português Fernando Pessoa, apresentará um novo documentário sonoro a 18 de setembro. A partir de uma encomenda do gnration, “A Trovoada” explora as várias facetas deste fenómeno natural e será mostrado ao vivo no gnration, tendo posterior reprodução radiofónica na Antena 2, coprodutora do projeto.

De 5 a 12 de setembro, o gnration dará a conhecer os projetos selecionados da edição de 2020 dos Laboratórios de Verão, programa de apoio à criação artística destinado a artistas ou coletividades do distrito de Braga. Com arranque oficial na tarde de 5 setembro, os oito projetos poderão ser vistos em vários locais do gnration até 12 de setembro. Resultante de uma parceria com os Encontros da Imagem, o gnration acolherá uma das muitas exposições da 30ª edição do festival internacional de fotografia e artes visuais. De 11 de setembro a 31 de outubro, o pátio exterior do gnration mostrará “Shine Heroes”, exposição de trabalhos fotográficos do fotógrafo uruguaio Federico Estol. A entrada para ambos é gratuita. 

Em outubro, o gnration dará início a um conjunto de conferências e sessões de cinema que visam discutir o racismo e a discriminação racial. A primeira edição de “De que falamos quando de racismo” contará com uma conversa com a cantora moçambicana Selma Uamusse e ainda a exibição do filme “Sans Soleil”, do realizador Chris Marker. A conversa e a exibição acontecem a 29 e 30 de outubro, respetivamente. 

Resultante da residência artística no âmbito do programa Scale Travels, projeto que alia arte e nanotecnologia, desenvolvido em colaboração com o INL – Laboratório Ibérico Internacional da Nanotecnologia, o coletivo alemão Transforma, composto pelos artistas Luke Bennett, Baris Hasselbach e Simon Krahl, apresentam Appoximation (tbc), uma instalação audiovisual que inaugurará a 2 de outubro e estará patente na galeria INL do gnration até 31 de dezembro. Também no programa de exposições e instalações, o artista alemão Ralf Baecker, que foca o seu trabalho na relação entre arte, ciência e tecnologia, terá a sua estreia expositiva em Portugal a convite do gnration. Floating Codes inaugura a 16 de outubro e poderá ser vista até 9 de janeiro na galeria gnration.

A 2 de outubro, o Trabalho da Casa, ciclo que promove a criação e a apresentação de novos trabalhos por artistas locais, juntará em concerto duas bandas de diferentes gerações: La Resistance e The Nancy Spungen X

Os Indigo Quintet, grupo de Braga que navega entre o jazz e a música de câmara, vão lançar-se na composição de música original para “Procura- se Brutamontes” e “Força, Bastia”, duas curtas-metragens de Jacques Tati. O resultado final será apresentado ao vivo, em formato filme-concerto, a 9 de outubro. 

Já ao longo do mês de outubro, a 11, 18 e 25, as artistas de Braga Adriana Romero e Joana Patrão vão dar a conhecer um conjunto de trabalhos de som, vídeo, imagem e texto, que terão reprodução online nas redes sociais e no sítio oficial do gnration. 

Os bilhetes para o bimestre set-out podem ser adquiridos em gnration.bol.pt, balcão gnration e locais habituais.

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STREAM: Futuro de Hierro - Costumbres y Medidas


O industrial envolto em camadas de ritmo e fortemente movimentado entre as correntes estéticas da dark-techno vive em força no novo EP de Futuro de Hierro, Costumbres y Medidas. Figura de renome no panorama post-industrial made in Barcelona o mentor do projeto, Viktor Lux Crux, cria uma amálgama sonora de máquinas em decomposição e prestes a entrar em colapso num modelo de estética crua e mordaz. Costumbre y Medidas traça, ao longo de cerca de 20 minutos de duração, suaves transições entre subtileza e corrosão que desafiam o ouvinte a atingir dois extremos: ou o profundo desconforto com o produto resultante, ou a extrema empatia face à abordagem artística implementada.

Futuro de Hierro apresenta em Costumbres y Medidas uma metodologia bastante particular ao trabalhar com foco no som construído a partir do ruído e feedbacks aleatórios que, progressivamente, se transformam em padrões de som hipnóticos. A sua voz - poderosamente negra e embutida por uma atitude punk - juntamente com a brutalidade transmitida ao nível da eletrónica transcendem o niilismo do género, ao longo de quatro temas tão tenebrosos quanto estimulantes. Desde o EBM industrializado presente em "Cada vez más cerca" até ao cocktail de ruído "Las fuerzas grises", Costumbres y Medidas afirma-se como um disco desafiante para as mentes mais inquietas. 

Costumbres y Medidas é editado esta sexta-feira (17 de julho) em formato vinil e digital numa co-edição entre os selos Màgia Roja e Enfant Terrible/Gooiland Elektro. Podem comprar a vossa cópia aqui e escutar a obra na íntegra abaixo.


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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Soft People anunciam novo disco, 'Absolute Boys'

© Deborah Denker

Três anos depois de terem lançado cá para fora American Man (2017, self-released) os californianos Soft People estão de regresso às edições com Absolute Boys. O novo longa-duração é anunciado juntamente com o segundo tema de avanço "New Moon" que é agora apresentado no formato audiovisual. Se em American Men os Soft People abordaram questões existenciais ao redor de temas como a política americana, o apocalipse climático e a violência, em Absolute Boys a dupla apresenta uma meditação sobre o romantismo queer como uma forma de marchar contra a opressão. Com o novo tema na calha, utilizam a cadência da música, juntamente com a sua estrutura orbital e todo um ambiente visual bizarro para mostrar isso mesmo.

O vídeo para "New Moon" surgiu da paixão que Caleb Nichols nutre pelo vídeo de Blind Melon para a música "No Rain" (1994), onde estrela a infame e muito amada Bee-Girl. Nichols imaginou a história da Bee-Girl contada mais de vinte anos depois: o que ela faria em 2020, durante a quarentena? O resultado é uma paisagem surrealista e estranha que personifica muito os traços da sensibilidade indie pop em que os Soft People têm trabalhado nos últimos anos. Enquanto o novo disco não chega podem absorver o vídeo para "New Moon" abaixo.

Absolute Boys tem lançamento previsto para outubro na alçada Sandwich Kingdom


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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Semibreve apresenta edição alternativa para 2020



De 24 a 25 de outubro, o Semibreve regressa para a sua primeira edição digital, convidando os participantes a interagir virtualmente com obras e performances sonoras exclusivas especialmente encomendadas para o evento. Face ao novo contexto gerado pela covid-19, o festival dedicado ao melhor da música eletrónica e artes digitais foi obrigado a pensar numa "edição alternativa, que parte da ideia de reclusão para apresentar um programa diversificado para ser apreciado a uma distância segura".

A edição de 2020 do Semibreve, que este ano celebra dez edições, acontecerá online, através do site do festival, e localmente dentro dos limites do Mosteiro de São Martinho de Tibães, em Braga. O programa será composto por peças sonoras exclusivas, mesas redondas destinadas a discutir música e arte sonora nos dias de hoje, instalações audiovisuais, transmissão de concertos ao vivo, residências artísticas e oficinas.

Jim O'Rourke, Tyondai Braxton, Beatriz Ferreyra, Keith Fullerton Whitman, Jessica Ekomane, Ana da Silva e Kara-Lis Coverdale ocuparão as salas do mosteiros com novas peças especialmente gravadas para o efeito, disponíveis presencialmente para um número limitado de visitantes e online no site do festival entre os dias 24 e 25 de outubro.  


O programa de mesas redondas será filmado profissionalmente e transmitido na Sala do Capítulo, no mosteiro. Ao todo são quatro as conversas que juntarão David Toop, Jessica Ekomane e Nuno Crespo para discutir o Físico e o Virtual no âmbito da criação contemporânea; Chris Watson, Margarida Mendes e Raquel Castro sobre som e ecologia; José Moura , Mike Harding, Nkisi e Rui Miguel Abreu sobre a lógica editorial pós-pandemia; e Nik Void, Alain Mongeau, Pedro Santos e Gonçalo Frota para discutir as implicações performativas da pandemia, com ênfase na música eletrónica e na arte sonora. Um número muito limitado de visitantes poderá participar das sessões no local.

O festival continuará a explorar a noção de reclusão através das residências artísticas de Pedro Maia, Laurel Halo, Klara Lewis, Nik Void e Oliver Coates. Os últimos quatro apresentarão o material resultante da residência, sem audiência, dentro dos muros do mosteiro. Essas apresentações, filmadas em parceria com o Canal180, estarão disponíveis como conteúdo transmitido ao longo do festival.  

O mosteiro também apresentará instalações várias audiovisuais, acolhendo o vencedor do Prémio EDIGMA Semibreve e os vencedores do EDIGMA Semibreve Scholar. Esses trabalhos também serão documentados e apresentados virtualmente.  

Os titulares de passes para a edição 2020 do Semibreve poderão transferir os seus ingressos para a edição de 2021 ou solicitar um reembolso. O acesso ao Mosteiro terá um custo de 4 euros, que será revertido inteiramente para apoiar a renovação e manutenção deste edifício histórico. A inscrição será limitada à capacidade definida pelas autoridades de saúde no momento do festival.

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MONO e A.A. Williams tocam em Portugal no próximo ano


Esbatendo as fronteiras entre o post-rock e a música neoclássica, o quarteto japonês MONO propõe-se, nas suas próprias palavras, a "comunicar o incomunicável". Movendo-se graciosamente entre delicadas melodias, evocativas orquestrações e violentas paredes de som, a música dos MONO captura e reflete as nuances de cada emoção humana – da tristeza à exultação, da serenidade à cólera –, com cada uma das suas composições a desencadear uma intensa viagem introspectiva. Depois de uma série de concertos memoráveis no passado recente, os MONO regressam a Portugal mais uma vez pela mão da Amplificasom, para uma data dupla de apresentação do mais recente álbum.

Antes dos Mono, subirá ao palco A.A. Williams, que mostrará o porquê de Forever Blue ser um dos debuts mais aclamados dos últimos tempos. Com influências desde o post-rock até à dark folk, e fazendo também referências a nomes como PJ Harvey e Emma Ruth Rundle, a assombrosa música da artista londrina soará pela primeira vez ao vivo em Portugal nesta ocasião.

Os concertos terão lugar no Hard Club, na noite de 29 de Março, e no Lisboa Ao Vivo, a 30 de Março. Os bilhetes estarão á venda em breve.


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7 ao mês com Daisy Mortem


A celebrar seis meses da edição de Faits Divers achámos por bem dar foco ao trabalho de um dos mais ecléticos e selvagens grupos dos últimos tempos: a dupla francesa Daisy Mortem. Cindy Blurray e Vampiro Maracas têm forjado no mundo da eletrónica o seu universo musical muito próprio. Com uma dedicação contagiante que incorpora no produto de consumo todo um lado bizarro, ao escutar o trabalho dos Daisy Mortem facilmente somos projetados para uma parede de som experimental que cria uma harmonia concisa num caos constante. 

Absorvidos pela engenharia da fórmula aditiva que os Daisy Mortem têm aprimorado nos últimos anos, quisemos saber de onde veio a fonte de inspiração, não só na música, mas também na formação das suas personas. Assim, para integrar a lista de convidados do 7 ao mês, fomos até França conhecer os Cindy Bluray e Vampiro Maracas através da sua playlist. Pedimos para selecionarem sete artistas e contarem-nos a história por trás. 

Eis o resultado:



Marilyn Manson - Antichrist Superstar (1996) 

Vampiro Maracas: Nós descobrimos este álbum quando tínhamos 14 anos e ficámos completamente seduzidos por ele, pelo sentimento de fruto proibido que tivemos quando o ouvimos. Este álbum evoca imagens tão intensas. É como se sentisses que estás preso numa caverna húmida, à procura de uma saída enquanto o ouves. A maneira como ele e a sua equipa criam uma decoração e um ambiente sonoro totalmente realizados é algo que tentamos reproduzir no nosso trabalho. O álbum é tão invasivo e isso é um crédito ao incrível talento de Marilyn Manson

Cindy Bluray: Depois deste álbum, nós descobrimos os Nine Inch Nails, uma vez que foi o Reznor que produziu o Antichrist Superstar, e provavelmente descobrimos aqui a nossa influência mais profunda. Há tanta honestidade, integridade e exigência artística no seu trabalho que faz com que tu acredites que podes fazer algo de bom neste mundo.





Linn da Quebrada - Pajubá (2017) 

Vampiro Maracas: Eu vi Linn da Quebrada ao vivo quando morava no Porto há alguns anos atrás. Não se comparava a nada do que eu já vi, no melhor sentido possível. Ela desfoca as linhas de várias maneiras, desde as suas canções tropicais e industriais até à sua estética do tipo sirene aterrorizante. Existe essa qualidade bruta e crua nela que eu amo. Graças a ela, pude descobrir o baile funk e uma incrível cena brasileira que não é muito conhecida na Europa. Essas influência podem ser encontradas no nosso trabalho nos temas "Arêtes" e "Gamelle". 





Mr. Bungle - California (1999) 

Cindy Bluray: A maioria dos projetos do Patton tem uma grande influência em mim. A música dele ensinou-me algumas coisas fundamentais: como traduzir sensações cinematográficas em música, como trabalhar em várias cores e cruzamentos inesperados de géneros, como tocar com narração musical e, talvez o mais importante, como fazer uma música com elementos humorísticos sem ser irónico ou cínico. 




SOPHIE - Oil Of Every Pearl's Un-Insides (2018) 

Vampiro Maracas: Na minha opinião, Sophie é uma das artistas mais fascinantes dos últimos anos. Ela elevou com sucesso a música club através das suas produções vanguardistas e experimentais. Ela mudou completamente a maneira como eu produzo, influenciando a utilização de sons de textura, em vez de instrumentos e a forma como eu transformo e desconstruo os sons em vez de usar samples. Quando ouvi a música da Sophie pela primeira vez, foi como passar de 2D para 3D, uma evolução total. Criativamente, é realmente inspirador. 

Cindy Bluray: Eu amo como ela não usou a música do clube e as vibrações brilhantes de uma maneira irónica, mas realmente como uma maneira de expressar algo profundo e bonito. Ela também conseguiu o desafio de fazer não apenas bangers, mas também um álbum narrativo real. 





JPEGMAFIA - Veteran (2018) 

Cindy Bluray: Com os naughtybabysub, um dos meus projetos paralelos, tocámos em Nova York há alguns anos atrás com ele. Então eu fiz uma pequena tour pela França com ele antes da sua explosão no panorama. Eu realmente aprendi profundamente com essa experiência. Todas as noites ele dava tudo, cativava as pessoas. Como alguém que vem do nada e faz tudo de forma DIY, com uma abordagem de vanguarda, mas popular ao mesmo tempo. O Peggy realmente faz-me dedicar mais a ser um artista. Além disso, a abordagem "veterana" de ruídos, amostras e intervalos foi uma grande influência para criar o som de Faits Divers





Bauhaus - Burning From The Inside (1983) 

Vampiro Maracas: Descobri este disco quando tinha 15 anos e estava de férias com o meu tio. Embora seja muito escuro, ainda consigo obter uma vibração energética tão animada dele. Há um lado selvagem e intenso neste álbum que eu amo. Estilisticamente, eles terão criado uma mistura de medieval, gótico e pop com referências super interessantes, como a música deles sobre o Antonin Artaud, um dramaturgo francês de vanguarda. Eu vi-os ao vivo em Portugal há dois anos... foi incrível. A presença elegante e teatral de Peter Murphy no teatro é definitivamente uma grande influência nas nossas apresentações ao vivo. 

Cindy Bluray: O Peter Murphy tem essa intensidade do bruxismo, quase xamânica na sua voz que me influenciou bastante e me ajudou a encontrar a minha maneira de cantar. É mesmo selvagem, cru, possuído. Há algo eternamente vivo na voz dele. 





Mindless Self Indulgence - Frankenstein Girls Will Seem Strangely Sexy (2000) 

Cindy Bluray: Esta é uma das bandas que salvou a minha vida. Essa mistura caótica e histérica de sensualidade, homossexualidade, estupidez, música eletrónica punk-hip-hop da selva emocional foi a minha salvação. Houve um momento na minha vida onde eu literalmente ouvia os MSI todas as manhãs para ter forças para me levantar e tomar banho. Com humor e raiva, há um sentimento invencível que realmente te ajuda a lutar. Além disso, como um cantor bissexual a gozar consigo, foi realmente algo único quando eu era adolescente. Obrigado Jimmy por isso. 




Se quiserem saber mais sobre os Daisy Mortem aproveitem para os seguir através do Facebook ou pela sua página do Bandcamp, onde podem comprar o seu mais recente disco Faits Divers





------------ ENGLISH VERSION ------------ 


In order to celebrate the six-month mark of the Faits Divers, we decided to focus on the work of one of the most eclectic and wildest groups of recent times: the French duo Daisy Mortem. Cindy Bluray and Vampiro Maracas have forged their very own musical universe in the electronics world. With a contagious dedication that incorporates a bizarre side into the consumer product, when listening to the work of Daisy Mortem we are easily projected to an experimental sound wall that creates a concise harmony in constant chaos.

Absorbed by the engineering of the additive formula that Daisy Mortem has improved over the last few years, we wanted to know where the source of inspiration came from, not only in music but also in the formation of their personas. So, to join our 7 ao mês guest list, we went to France to meet Cindy Bluray and Vampiro Maracas through their playlist. We asked them to select seven artists and tell us the story behind it. 

Here is the result:




Marilyn Manson - Antichrist Superstar (1996)

Vampiro Maracas: We discovered this album at 14 years old and we were completely seduced by it, by the forbidden fruit feeling we had when we listened to it. This album evokes such intense imagery; you'll feel like you’re stuck in a humid cave, looking for an exit, while listening to it. The way the team with him creates a fully-realized sonic decor and environment is something we try to reproduce in our work. The album is so invasive and this is a credit to Marilyn Manson's incredible talent. 

Cindy Bluray: After this album blew our mind we discovered Nine Inch Nails, as Reznor produced Antichrist Superstar, and we found probably our deepest influence. There's such honesty, integrity and artistic exigency in his work, that makes you believe you can do something great in this world. 





Linn da Quebrada - Pajubá (2017)

Vampiro Maracas: I saw Linn da Quebrada live when I was living in Porto a few years ago. It was like nothing I'd ever seen, in the best possible sense. She blurs the lines in so many ways, from her songs that are both tropical and industrial to her aesthetic as a terrifying siren. There is this raw and crude quality about her that I love. Thanks to her, I was able to discover baile funk and an incredible Brazilian scene that isn't very well known in Europe. You can see this influence in our songs "Arêtes" and "Gamelle".





Mr. Bungle  - California (1999) 

Cindy Bluray: Most of Patton's projects have a great influence on me. His music taught me a few fundamental things: how to translate cinematographic sensations into music, how to work on multiple colors and unexpected genres crossing, how to play with musical narration, and, maybe the most important, how to do music with humoristic elements without being ironic or cynical. 





SOPHIE - Oil Of Every Pearl’s Un-Insides (2018) 

Vampiro Maracas: In my opinion, Sophie is one of the most fascinating artists of the last few years. She successfully elevated club music with her avant-garde and experimental productions. She completely changed the way I produce, influencing my use of textural sounds instead of instruments, and how I transform and deconstruct the sounds instead of using standard samples. When I first heard Sophie’s music, it was like going from 2D to 3D, a total evolution. Creatively, it’s truly inspiring. 

Cindy Bluray: I love how she didn’t use club music and glittery vibes in an ironic way, but really as a way to express something deep and beautiful. She also succeeds in the challenge to do not only bangers, but a real narrative album. 





JPEGMAFIA – Veteran (2018) 

Cindy Bluray: With naughtybabysub, one of my side projects, we played in New-York a few years ago with him. Then I had a little tour in France with him before he blew up. I really learned deeply from this experience. Each night he was giving everything, captivating people. As someone coming from nothing, doing everything DIY, with a very avant-garde approach but popular at the same time, Peggy really makes me devote deeper into being an artist. Also, the "Veteran" approach of noises, samples and breaks was a big influence to create Faits Divers’s sound.





Bauhaus - Burning From The Inside (1983) 

Vampiro Maracas: I discovered this album when I was 15 years old on vacation with my uncle. Though it’s pretty dark, I still get such a lively energetic vibe from it. There is a wild, intense side to this album that I love. Stylistically, they’ll have a blend of medieval, goth and pop with super interesting references, like their song about Antonin Artaud, an avant-garde French dramatist. I saw them live in Portugal two years ago… it was incredible. Peter Murphy's elegant and theatrical stage presence is definitely a big influence on our live performances. 

Cindy Bluray: Peter Murphy has this witchy, almost shamanic intensity in his voice that influenced me a lot and helped me find my way to sing. It's just wild, raw, possessed. There's something eternally alive in his voice. 





Mindless Self Indulgence - Frankenstein Girls Will Seem Strangely Sexy (2000) 

Cindy Bluray: This is one of the bands that saved my life. This chaotic, hysterical mixture of sexyness, gayness, stupidity, jungle punk hip-hop electronica emocore saved me. There’s a moment I literally listened to MSI every fucking morning to give me the strength to get up and shower. With humor and rage, there’s an invincible feeling that really helps you to fight. Also as a bisexual singer making fun of himself, it’s really something that was unique when I was a teenager. Thanks Jimmy for this. 




If you want to know more about Daisy Mortem make sure you follow them on Facebook or at their Bandcamp page where you can buy the recently Faits Divers.




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terça-feira, 14 de julho de 2020

Tó Trips no regresso dos concertos ao Jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto

© Raquel Castro 
Tó Trips é um dos guitarristas portugueses com maior reconhecimento das últimas duas décadas, quer seja na companhia de Pedro Gonçalves, com quem assume os Dead Combo, tal como nos Lulu Blind, nos Santa Maria Gasolina em Teu Ventre, onde foi um dos membro da fase final da banda, ou no projeto colaborativo Timespine, juntamente com Adriana Sá e John Klima.

O artista lisboeta apresenta também um par de registos a solo, sendo o primeiro datado de 2009, Guitarra 66, editado com o selo da Mbari, seguindo-se em 2015 Guitarra Makaka – Danças a um Deus Desconhecido, disco composto por 6 cordas acústicas e uma melancolia virtuosa a experimentar géneros como a morna ou outros incatalogáveis.

Esta visita do guitarrista ao Jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto no próximo sábado, 18 de julho, surge poucos dias após o lançamento do seu novo disco de banda-sonora Surdina, filme de Rodrigo Areias. Este novo trabalho com o carimbo da editora Revolve "entrança fado e flamenco, blues e tango”, numa língua só sua e que, “Desencarnado do contexto em que foi criado, permite sentir e sonhar para lá dos sentidos que o permearam”, como critica a jornalista Ana Patrícia Silva.

Os bilhetes têm o custo de 6€ e pode ser aqui adquiridos.

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Gary Olson in interview: "The collaboration seemed natural as we’ve been friends for nearly 20 years"

© Åke Strömer
Gary Olson is the lead singer and songwriter for Ladybug Transistor, a group that has shaped psychedelic and chamber music over the past 25 years, but is now on hold. The experienced indie rocker joined Ole Johannes Åleskjær and his brother Jorn, who met Gary many years ago when the band Loch Ness Mouse crossed paths with Ladybug Transistor on tour, resulting in an album that is a tale of two cities, or rather, two studios; one in Hayland, Norway and the other in Flatbush, Brooklyn.

Over an eight-year period, Gary visited Ole's studio-barn in the idyllic setting near the Swedish border and came up with the basis for the songs the three had written. Gary then took the recordings back to Brooklyn, where he added voices, horns and strings in his studio. The recordings returned to Norway for producer Ole to finish the tracks. By the end of 2019, this set of eleven songs naturally flourished on an album.

We spoke with Gary Olson to understand his motivation to start a "solo" career, how the collaboration with the Norwegian brothers Ole and Åleskjær became a reality and the sensations behind his new record. Read the full interview with Gary Olson below.


You are the lead singer and songwriter of Ladybug Transistor, an influential band when it comes to chamber, psychedelic and indie pop that released many studio albums in the past 25 years. What made you start a solo career?

Gary Olson - Ladybug had a long run and took a very extended break after Clutching Stems. I got busy with making other people’s records and kept on putting my own music on hold. Ole Åleskjær called me one day with the idea of a collaboration and inspired me to focus on writing and singing again. I just needed that little push. In essence it’s not a true “solo” record as it’s written with both Ole and his brother Jorn, but it’s a vehicle for my voice and trumpet so we called it Gary Olson rather than giving it a terrible band name. That also allows us to keep the live presentation flexible whether it’s a duo, trio or full band with strings.

What is your first memory of music?

GO - A lot of hymns as my dad was a Lutheran minister so I was in church every Sunday.  Unfortunately a lot of that music was pretty joyless. For pop music it was mostly disco (The Hustle!) or the Beatles early on. Those Beatles compilations with the red and blue covers.

When it comes to sitting down and writing a song, where do you tend to start?

GO - For this album it was often with a sketch of a song or riff that the Åleskjær brothers would send me in demo form. I’d listen repeatedly on walks in Prospect Park with my headphones on until something formed with words and melody. Things tend to begin phonically with me and find their own way. Sometimes it takes a while for it to all distill.

Where did the idea to record an album with the Norwegian brothers Ole and Åleskjær come from?

GO - Ole proposed the collaboration. It seemed natural as we’ve been friends for nearly 20 years and had always talked about doing something.


Gary Olson artwork
The album was recorded in two different places, Hayland, Norway and Flatbush, Brooklyn. Why does it sound much more American, recalling the sonority of Destroyer and Yo La Tengo, than Nordic?

GO - I don’t know, does it? I would think that a bit of the Norwegian landscape had crept into the record. At the same time I don’t think I’ve ever made an album that sounds like “New York City”. Ladybug was really the opposite of that.

What took you 8 years to finish the record?

GO - Well, that’s a myth. I would have hoped to have recorded an entire trilogy in 8 years! I‘m guessing the confusion stems from the release day of the last Ladybug record which was nearly 9 years ago.

You suggest that this album should be heard “in a moving train facing the window. Close your eyes and feel the sunlight pass between the trees. Open your eyes slowly and realize you've missed your stop, repeat”. Although contemplative, do you consider it a upbeat and optimistic?

GO - Yeah, I guess that was a little pretentious of me! I reckon I was just trying to say it’s best to listen too if you’re a bit relaxed. Maybe a good one to do the dishes to!


Can you tell us something about “Postcard from Lisbon”?

GO - It’s an imaginary postcard from one brother to another sent from a prison. At the time we wrote it I had never been to Lisbon but I nearly got stuck there in March when things began to get bad with the pandemic. In those days when they were cancelling flights to New York so I was considering making it my new home. It was a strange time to be a tourist but I really loved Lisbon. I walked for hours every day!

What is the song that you keep playing on the repeat now?

GO - At this moment I have "Fisherman" by the Congos stuck in my head. I’ve listened to it so many times over the years that I don’t even need to put the record on. Such a unique production by Lee Perry and distinct personality with the singers. The best kind of sensory recall.

Gary Olson was released on May 29th, in CD, LP and digital format via Tapete Records. You can buy the album here


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