sexta-feira, 24 de julho de 2020

Stereoboy apresenta Kung Fu no Passos Manuel este domingo

© Ricardo Alves
Stereoboy é o projecto formado pelas ideias que, na cabeça de Luís Salgado, marcham a galope de um toque e de uma batida… de um zumbido aparentemente inofensivo e ramificado em selva bruta, que transforma o projecto de um gajo na estância “krautural” a que baptizou de Kung Fu.

Industrial como nos habituou, o novo disco de Stereoboy coloca (ainda) mais cimento numa betoneira estereofónica com resquícios de ‘ambient’, um ‘post-digital’ meio pingado e a pulsação de relógio leccionada pela escola alemã, resultando numa massa tão rija quanto marcial e capaz de edificar algo mais do que betão instrumental.

Kung Fu é um exemplo de disco capaz de nos envolver num viaduto experimental e ainda assim mostrar-nos a pop ao fundo do túnel, numa viagem titilante que conta com as colaborações de João Pimenta na bateria e de José Marrucho nas percussões e ergue, em quatro músicas peregrinas, um monumento que transfigura a cada observação que nos merece.

O novo disco de Stereoboy será apresentado pela primeira vez ao vivo em julho, dia 26, no Passos Manuel. O concerto arranca às 21h00 e os bilhetes custam 10 euros estando à venda na bilheteira do Passos.


Kung Fu foi editado em abril deste ano numa edição conjunta entre a O Cão da Garagem e a Dirty Filthy Records. A edição inglesa já se encontra esgotada.

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Sonic Boom, Joana Gama e Ricardo Toscano na rentreé da Culturgest



Este ano, a rentreé da Culturgest, em Lisboa, inicia um pouco mais cedo do que o habitual, a 25 de agosto, com o já anunciado IndieLisboa. A programação do trimestre setembro/dezembro de 2020 está marcada também por diversas estreias nacionais nos campos da dança, da música e das artes visuais, e será palco para uma série de workshops e conferências online.

Na música, o arranque faz-se a 17 de setembro com o concerto de apresentação do novíssimo álbum a solo de Sonic Boom. All Things Being Equal, lançado no passado mês de junho, assinala o fim de um hiato discográfico que durou mais de 30 anos, e acompanha a mudança do músico de Inglaterra para Sintra, onde se encontra a residir desde 2015. Dois dias depois, a 19 de setembro, o ex-Spacemen 3 atua no gnration, em Braga.

Em outubro, a 9, a pianista Joana Gama sobe ao palco do Grande Auditório da Culturgest para interpretar Das Buch der Klänge ('O Livro dos Sons' em português), obra-prima do alemão Hans Otte. No dia anterior, a pianista e o Goethe Institute apresentam uma Palestra ao Piano sobre Hans Otte, onde falará será discutida vida e obra do compositor e pianista alemão. O legado de Hans Otte será ainda desdobrado numa série de peças a solo encomendadas a um grupo de músicos e agitadores da cena musical de Lisboa: Norberto Lobo, Helena Espvall, Bruno Álvares, Violeta Azevedo, Pedro Melo Alves e Joana da Conceição são osros artistasdartistas escolhidos para o tributostributo de peças-concerto a solo a ser exibido posteriormente em formato filme.

No dia 19 de novembro, Joana Gama volta a subir ao palco, desta vez, com Luís Fernandes, para apresentar o novo capítulo do trabalho desta dupla, Textures & Lines, acompanhados por Drumming – Grupo de Percussão e Pedro Maia

Ricardo Toscano encerra a temporada da Culturgest com um concerto em homenagem ao disco A Love Supreme, do americano John Coltrane. O músico português tocará saxofone ao lado de um ensemble com um outro saxofone, um trompete, um piano, um contrabaixo e duas baterias. Para além da reconstrução do disco, que acontece no dia 18 de dezembro, Toscano regressará a cada um dos seus quatro temas para uma performance elaborada unicamente em vídeo nas plataformas online da Culturgest.


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Já são conhecidos os primeiros nomes do FMM 2021



A 22.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, que deveria estar a decorrer neste momento, irá realizar-se de 23 a 31 de julho de 2021, entre Sines e Porto Covo.

Para o festival do próximo ano já estão confirmados 14 artistas e projetos musicais: Ava Rocha (Brasil), Cimafunk (Cuba), Dead Combo & Mark Lanegan (Portugal / EUA), Guiss Guiss Bou Bess (Senegal / França), Lankum (Irlanda), Lavoisier + João Bento (Portugal), Lina_Raül Refree (Portugal / Espanha), Maria João & Carlos Bica Quarteto (Portugal), Marina Satti & Fonés (Grécia), Melingo (Argentina), Muthoni Drummer Queen (Quénia), Pongo (Angola / Portugal), Rizan Said (Síria) e Third World (Jamaica).




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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Odete, Gabriel Ferrandini ou Marfox nas Noites de Verão 2020



Nuno Rebelo, Banda Fetra, Susana Santos Silva, Ricardo Toscano & Gabriel Ferrandini, Sereias e showcases da Príncipe e naive são algumas das propostas da 11ª edição das Noites de Verão, que este ano decorre em agosto e setembro no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, e no Jardim da Galeria Quadrum/Galerias Municipais, em Alvalade. 

Numa co-produção entre a Filho Único, a EGEAC, as Galerias Municipais de Lisboa e o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, a identidade do programa "segue decorrendo da perspectiva de que a arte - assim como o conhecimento - impregnada de uma dimensão ética, é um dos modos fundamentais da vida colectiva”.

O primeiro espetáculo acontece no Jardim das Esculturas do Museu Nacional de Arte Contemporânea, dia 7 de agosto, com a atuação de Nuno Rebelo, membro fundador dos Street Kids, de Nuno Canavarro, e líder dos Mler ife Dada.

A 14 de agosto a Cafetra reúne os nomes de Éme & Moxila, Iguanas, Lourenço Crespo, Maria Reis, Miguel Abras, Putas Bêbadas, Rabu Mazda e Sallim para um “espectáculo-viagem” de apresentação da sua Cafetra Banda.

A 21 desse mês é a vez da trompetista, improvisadora e compositora Susana Santos Silva. Atualmente sediada em Estocolmo, lidera grupos como Life and Other Transient Storms e Impermanence e co-lidera duos com Kaja Draksler, Thorbjörn Zetterberg e Jorge Queijo. Entre outras colaborações, tem também tocado com Fire! Orchestra,  Mats Gustafsson’s Nu Ensemble, Evan Parker, Joëlle Léandre, Mat Maneri, Paul Lovens e Hamid Drake. A 28, o embaixador da música e da cultura da Guiné-Bissau em Portugal, José Braima Galissá, apresenta um espetáculo a solo para voz e kora.

Em setembro, os concertos passam a deccorrer no Jardim da Galeria Quadrum, em Alvalade. A programação inicia no dia 4 de setembro com um showcase da editora e coletivo independente naive, que apresentará concertos de Odete, BLEID Violet. Na semana seguinte, a 11, há concertos de Ricardo Toscano & Gabriel Ferrandini e Co$tanza’s Post MODEM Orchestra. A 18 de setembro, as bandas Sereis e Sirius dividem palco numa noite de "selvajaria jazz-punk-pós-aquático” e a 25 a Príncipe Discos finaliza o programa com os sets de DJ Nigga Fox, Niágara e DJ Marfox. 

A entrada é gratuita para todos os concertos mediante levantamento de ingresso. 


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Blind Delon com novo disco em setembro. Oiçam "Cigarette" aqui


As linhas de baixo frias e os sintetizadores analógicos da máquina francesa Blind Delon estão de volta ao radar com um segundo álbum completo a caminho. Programado para chegar às prateleiras aproximadamente um ano após o lançamento de Discipline (2019, Unknown Pleasure Records) Chimères marca um novo período na história dos Blind Delon. O projeto liderado por Mathis Kolkoz (voz, guitarra) agora cingido ao formato de dupla com Coco Thiburs a ajudar nas vozes secundárias e baixo para um novo período de sua história. Depois de conduzirem a sua sonoridade em direção a ambientes mais experimentais com Discipline, em Chimères os Blind Delon apostam forte numa componente electro post-punk com algumas influências da synthwave, criando um som pronto para incendiar as pistas de dança. 

Com um futuro luminoso a ser traçado ao lado de duas gravadoras bastante influentes na cena underground europeia - Manic Depression e Icy Cold Records - os Blind Delon oferecem-nos agora o primeiro sabor emergente de Chimères através do novo single de "Cigarette". As frenéticas caixas de ritmo que ouvimos em lançamentos poderosos como Edouard (2016) ou Maniaque (2017) estão de volta com as sequências contagiantes que os transformaram numa das bandas post-synthwave mais promissoras da nova geração. Ao longo de oito novos temas cativantes, Chimères marca um processo de amadurecimento na sonoridade de Blind Delon com uma aura imersiva que proprociona aquela vontade de ouvir em loop. Podem começar por explorar essa sensação através de "Cigarette", disponível abaixo juntamente com o trabalho audiovisual.



Chimères tem data de lançamento prevista para 11 de setembro em vinyl, CD e digital através da Icy Cold Records e Manic Depression Records



------------ ENGLISH VERSION ------------

The cold bass lines and analogic synthesizers of the French machine Blind Delon are back to the radar with a second full-length album cooked on the way. Scheduled to hit the shelves approximately one year after the release of Discipline (2019, Unknown Pleasure Records) Chimères mark a new period in Blind Delon's history. The project led by Mathis Kolkoz (voice, guitar) is now compressed to duo format with Coco Thiburs giving help with bass and secondary voices for a new period of their history. After leading their sonority towards more experimental ambiances in Discipline, in Chimères Blind Delon bet on a strong electro post-punk component with some synthwave influences behind, creating a sound ready to set de dancefloors on fire.

With a bright new future being drawn alongside two very influential labels in the European dark-underground scene - Manic Depression and Icy Cold Records - Blind Delon gives us today the first flavor emerging from Chimères through the new "Cigarette" single. The frenetic rhythm-boxes we have listened to in powerful releases such as Edouard (2016) or Maniaque (2017) are back with that contagious musical strings that made them turn into one of the most promising post-synthwave bands of the new generation. Over eight new catchy themes, Chimères marks a maturing process of Blind Delon's sonority with an immersive aura that will make you want to listen to it over and over again. You can start by exploring that sensation through the "Cigarette", below.



Chimères is scheduled to be released on September, 11th in vinyl, CD, and digital through Icy Cold Records and Manic Depression Records

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terça-feira, 21 de julho de 2020

Este ano o ZigurFest vai ser diferente


Em jeito de antecipação da celebração dos 10 anos do festival - que serão assinaladas com toda a liberdade e fervor em 2021 - o ZigurFest de 2020 irá apresentar uma mão cheia de concertos espalhados pela cidade e pelo tempo (entre agosto e dezembro deste ano). Entre valores emergentes e outros já estabelecidos, haverá ainda espaço para a apresentação de uma peça interdisciplinar criada por encomenda para o festival. 

Mas há mais, muito mais. Paralelamente, o ZigurFest irá construir um programa de conferências e conversas públicas, que irão decorrer em Lamego e num espaço virtual, atenuando assim as distâncias impostas pela pandemia. Regressa também o “Som do Espaço”, uma série de instalações com curadoria de Manuel Guimarães que levarão a diferentes espaços históricos da cidade peças acusmáticas exclusivas. Adicionalmente, o artista plástico João Pedro Fonseca vai assinar uma instalação para a cidade. 

Por último, está também confirmada a realização de mais uma edição da ZONA - Residências Artísticas de Lamego. Com uma open-call aberta até dia 30 de julho, tem o objetivo de impulsionar no município lamecense o desenvolvimento artístico contemporâneo e a promoção de linguagens interdisciplinares. Deste concurso serão selecionados dois candidatos, aos quais será atribuída uma residência à criação durante o período de 15 agosto a 5 de setembro de 2020. As apresentações dos trabalhos finais deverão ocorrer de 29 agosto a 5 de setembro. 

A programação integral será anunciada nas próximas semanas.


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segunda-feira, 20 de julho de 2020

As arritmias induzidas por ZXICD no seu disco novo ɅVΟѺΟVɅ


Francisco Godinho é o mentor por detrás do projeto ZXICD. O músico e sound designer oriundo de Sintra está ativo desde 2005 e conta já com mais de uma dezena de edições no seu Bandcamp, sendo ɅVΟѺΟVɅ o seu mais recente trabalho.

ɅVΟѺΟVɅ compila 13 temas novos onde reinam as paisagens eletrónicas sincopadas, ora mais lentas a lembrar uns Boards of Canada, ora dotadas de elementos glitch e experimentais, reminiscente de trabalhos de Aphex Twin ou Autechre. Esta nova edição de ZXICD foi inspirada por ideias transhumanistas, influenciadas por obras sci-fi e cyberpunk, onde se explora o conceito da humanidade fundir a sua natureza biológica e tecnológica, de modo a tornar-se eterna e em algo inclassificável.

Os ritmos e melodias de ɅVΟѺΟVɅ foram conseguidos a partir de um trabalho de percussão ultra-preciso, executado através de sequenciadores em forma de geometria euclidiana e ímpares, enquanto as melodias e harmonias foram principalmente guiadas por programas probabilísticos de IA. Muitas dessas experiências foram depois transpostas para hardware (sintetizadores e caixas de ritmo), onde a natureza interna dos seus sequenciadores deram aso a outros pequenos acidentes que, curiosamente, originaram algumas das melodias mais "bonitas" do álbum.

A ideia inicial de XZICD para ɅVΟѺΟVɅ era sonorizar experiências indutoras de ansiedade, encapsuladas em câmaras hiperbáricas cheias até a borda com ambientes distópicos e frios, no entanto, na opinião do próprio produtor, o resultado final soa mais humano do que o esperado, mantendo uma certa qualidade alienígena.

ɅVΟѺΟVɅ foi editado oficialmente no passado dia 18 de maio em formato digital pelo selo Detroit Underground. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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B Fachada lança novo álbum, 'Rapazes e Raposas'


Hoje, dia 20 de julho, B Fachada lançou através do Bandcamp o seu novo álbum Rapazes e Raposas. Este é o seu primeiro lançamento desde Viola Braguesa X, de 2018.

O cantautor tocou viola braguesa, baixo, teclados e sintetizador modular na gravação do disco, realizada entre março e maio deste ano. Rapazes e Raposas pode ser ouvido e comprado em formato digital aqui.

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[Review] City Rose - City Rose


City Rose | Third Coming Records | junho de 2020
8.5/10

Poucas bandas trazem uma história peculiar como a que os City Rose se orgulham de nos contar. Sediados num continente longe da máquina reprodutiva europeia estávamos em 2017 quando o quarteto australiano estava a colocar cá para fora o primeiro tema de carreira "Contortionist", uma malha entranhada nas vísceras da música punk, rude como a revolta e completamente recheada de guitarras em fúria prontas para incendiar o leitor. Até lá, concertos caracterizados por uma parafernália de som ímpar, muito suor e dois anos a forjar uma sonoridade tão contemporânea quanto clássica. Ainda antes daquela que poderia vir a ser uma explosão luxuosa mundo fora, os City Rose entediaram-se e em 2019 consideraram que tinha chegado a hora de se despedirem do olhar público. Até lá aos ouvidos do público internacional deixariam em formato digital "Contortionist", "Crackling Amber" e aquela amálgama de som poderosamente intensa, "777", estas últimas duas últimas repescadas para o alinhamento de City Rose EP que nos chegou aos ouvidos graças ao olhar sempre atento de uma das mais inspiradoras editoras da atualidade: a Third Coming Records



Formados em 2016 inicialmente no formato duo com o objetivo de criar um projeto expressivo de interesses comuns, rapidamente Pat McCarthy (baixo) e Andrew Exten (voz) consolidaram o seu núcleo com a junção dos membros Lucy Howroyd (bateria) e Hunter Auzins (guitarra). Iminentes na cena underground australiana, o quarteto começou a esculpir o seu nome como um dos atos de relevo a atentar nos próximos anos, com a abertura dos concertos de IDLES na Austrália onde evidenciaram a sua música crua de energia vigorosa, mas altamente dinâmica e viciante. Com uma voz grave e ríspida a pintar o desenvolvimento frutífero criado através da conjugação de som entre baixo, guitarra e bateria, a sonoridade dos City Rose é um mundo contagiante de emoções que traz à memória todo um ambiente de caos desenvolvido entre uma sensibilidade doce com grande foco artístico. Tudo parecia estar encaminhado para o percurso correto não decidissem os City Rose colocar o projeto em hiatus corria o mês de outubro de 2019, logo após terem dado o seu último concerto de carreira, até à data, no esgotado Weird Place Festival, em Melbourne. 

Não alheia a este extremamente promissor projeto a franco-dinamarquesa Third Coming Records quis dar-lhe o merecido destaque à escala global com a edição física das músicas que ficaram cingidas ao formato ao vivo e que chegou o mês passado às prateleiras no formato cassete. Os City Rose decidiram sair da cave para reviver o punk deprimido numa energia brutal, ao longo de quatro temas envoltos num poder excêntrico e recheados de camadas cruas e sujas que apaixonam quem os ouve. Ali situados entre os territórios de uns Birthday Party com uma revolta adocicada pelo meio e toda uma sensação de decadência constante, os City Rose deixam o território australiano para partir à conquista do mundo, mesmo que agora isso tão pouco lhes valha. E é essa mesma atitude que os enaltece como projeto musical. 



City Rose EP foi gravado juntamente com Tim Powles dos The Church e apresenta um total de quatro singles profundamente estimulantes e construídos numa base progressista extremamente sedutora. Quando surgiu, em maio, o relançamento inesperado de "777" - uma mistura entre um rock ruidoso com uma veia experimental efusiva - os City Rose claramente ganharam um destaque no meio underground. Aquela vibe Nick Cave, transmitida pela forte presença vocal de Andrew Exten, com a atitude art-punk que os Iceage fizeram vibrar na década passada tornava absolutamente aditiva a fórmula sonora que os City Rose estavam a criar. Essa tendência voltou a ser denotada com o lançamento do apoteótico "Sextons Call", mais uma malha de estética noir pronta para queimar alguns neurónios pelo meio. Com guitarras ora destiladas ora estridentes a abrirem espaço para uma voz tão embriagada quanto marcante, os City Rose vão forjando a sua sonoridade amplamente imersiva ao longo de cerca de 25 minutos tendencialmente ruidosos e criativos. 

Antes deste tão nobre EP chegar já tinham sido anteriormente lançados os temas "777", "Crackling Amber" e, no período de antecipação do álbum, "Sextons Call" que na obra se fazem acompanhar pelo violentamente belo "Mourn", o último dos temas que tinha ficado fechado a sete chaves até a Third Coming Records decidir dar-lhe o devido tratamento no formato fita. Tal como as composições que o antecedem, "Mourn" é mais uma das criações dos City Rose que começa por ganhar vida no meio da instrumentação em profundo caos. Esta amálgama abrasiva de som desafinado que os City Rose constroem - para a seguir lhe incorporarem uma construção harmónica e ritmada - faz o ouvinte atingir um estado de ora profundo conforto, ora profunda agonia, o que na experiência final resulta numa sensação densamente exótica e de cariz amplamente artístico. 



Os City Rose são talvez um dos melhores segredos que ficaram por revelar entre territórios australianos enquanto pairavam no ativo. Depois de terem anunciado o fim em 2019, o quarteto regressou este ano aos holofotes para editar este incrível EP de estreia homónimo graças à engenhosa força visionária da Third Coming Records. Entre uma sonoridade crua de energia vigorosa e camadas excêntricas de nostalgia poética, os City Rose aportam uma atitude genuína que viaja entre o art-rock, o punk e o experimentalismo da música noise num disco absolutamente viciante e com um potencial gigante de crescimento. Enquanto os membros exploram agora projetos paralelos deixam também para trás um marco inverosímil na história do punk/post-punk moderno. Se continuassem ativos certamente que se consolidariam como uma das novas atrações no panorama underground. Apesar disso uma coisa é certa, todos esperamos que o seu adeus aos palcos e ao estúdio não seja permanente.


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Larsen criam toda uma nova experiência musical via Patreon


Depois de serem obrigados a cancelar a tour Europeia e a reagendar a gravação do novo álbum, os italianos Larsen decidiram revelar as ideias que refletem o seu processo criativo através de uma série de sessões gravadas ao vivo por Paul Beauchamp no O.F.F. Studio em Torino. O resultado consolida uma série de improvisações cujos sons, ritmos, melodias e texturas podem ressurgir de outras formas em possíveis lançamentos futuros. Para revelarem o documentário completo e obterem fundos para cobrir os custos de gravação do disco, os Larsen abrem esta segunda-feira (20 de julho) o seu canal Patreon, num projeto que terá a duração de seis meses e consistirá num lançamento de seis sessões - uma por mês - até dezembro de 2020.

Desde 1995, que os italianos Larsen têm trabalhado com afinco no cenário musical do rock-experimental tendo lançado até à data 17 álbuns longa-duração e 4 EPs e garantindo colaborações ao lado de nomes como Johann Johannsson, Michael Gira, Martin Bisi, Lustmord, Deathprod, entre outros, o que os fez alcançar forte destaque internacional. O último trabalho da banda data de 2019 sob o cunho Arrival Vibrate, sendo um álbum tributo ao falecido compositor e experimentalista americano Z'EV baseado no poema do mesmo nome. Agora num projeto que junta ouvintes e banda os Larsen pretendem trabalhar em força naquele que será o seu 18º disco com sessões exclusivas aos subscritores.

Podem juntar-se ao Patreon dos Larsen aqui.


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