sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Já há nomes para o Neopop 2021

A DJ e produtora Nina Kraviz é um dos destaques da 15ª edição do Neopop.

De 11 a 14 de agosto de 2021, o Neopop regressa a Viana do Castelo para a sua 15ª edição. Depois de ver a edição de 2020 cancelada pela pandemia da Covid-19, o maior festival de música eletrónica em Portugal promete dar continuidade à tradição de receber os artistas mais entusiasmantes do circuito num ambiente incomparável.

999999999 (Live), ARTBAT, Adiel, Anastasia Kristensen, The Blessed Madonna, Cobblestone Jazz (Live), DJ Nobu, Dax J, Dr. Rubinstein, FJAAK (Live), Honey Dijon, Héctor Oaks, Loco Dice, Modeselektor (Live), Nina Kraviz, Paco Osuna, Paula Temple, Ricardo Villalobos, Richie Hawtin e o supertrio Hessle Audio (de Ben UFO, Pangea e Pearson Sound) são os nomes que compõem a primeira vaga de confirmações.

Para celebrar 15 anos de história e amor por e pela música eletrónica, o festival preparou uma edição limitada de t-shirts, disponíveis para quem efetuar a reserva do passe para os quatro dias do evento até ao final deste mês (os bilhetes podem ser adquiridos através do site da Made Of You Tickets).




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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A OUT.RA traz música de volta ao Barreiro com o Ciclo Paz & Amizade


A OUT.RA – Associação Cultural anunciou hoje o Ciclo Paz & Amizade, que em quatro sábados entre 29 de agosto e 19 de setembro trará ao Barreiro concertos de Vaiapraia, Lula Pena, Rodrigo Amado com Ricardo Toscano, João Lencastre e Hernâni Faustino, bem como uma apresentação inédita do músico local Fast Eddie Nelson, desafiado pela organização a montar um espectáculo em redor dos Pink Floyd - “Entre Barrett e a Lua” (dia 19 de setembro), como o próprio nome indica, explorará o legado mais expansivo do quarteto britânico, centrado nos seus lançamentos após a partida do fundador Syd Barrett e antes do sucesso massivo de Dark Side of the Moon.

Antes, a 29 de agosto, cabe aos Vaiapraia a abertura deste ciclo de espectáculos, com o recente e muito elogiado disco 100% Carisma na bagagem; a 5 de setembro apresenta-se a idiossincrática cantautora Lula Pena, de regresso de uma mini-digressão italiana, e a 12 de setembro é a vez de um quarteto que tem sido responsável por uma muito aguardada confluência entre correntes do jazz tantas vezes de costas voltadas, juntando aqueles que são os mais celebrados saxofonistas nacionais (Rodrigo Amado e Ricardo Toscano) à bateria de João Lencastre e ao contrabaixo de Hernâni Faustino.

Os concertos realizar-se-ão sempre ao final da tarde (18h30), no Anfiteatro ao Ar Livre situado no Parque Paz e Amizade, um espaço pouco utilizado mas cuja inauguração remonta já a 1983, sendo que o seu nome provém das jornadas realizadas no Verão desse ano, na Checoslováquia, contra a proliferação de armas nucleares.

Os bilhetes, ao preço de 5€ (ou 2,5€ para menores de 25 anos) já se encontram à venda via outra.bol.pt e pontos de venda associados, sendo a sua compra antecipada fortemente recomendada face às normas decorrentes das recomendações da DGS. Pela mesma razão, a higienização das mãos e o uso de máscara no local serão obrigatórias, estando a lotação condicionada à distância entre lugares actualmente aplicável.

O regresso da música ao vivo acontece, no entanto, um dia antes do início do Ciclo Paz & Amizade, com a apresentação, no dia 28 de agosto, das recipientes de uma das três bolsas de criação atribuídas pela OUT.RA em 2020: “Nuvem de Pó” é o primeiro dos vários momentos públicos apontados para o trabalho das ZIMA (Sara Zita Correia e Marta Ramos), duas criadoras cujo background assenta na dança e na performance que se propuseram a investir na pesquisa do som como meio complementar e não-académico de auto-descoberta. O espectáculo acontecerá na SDUB “Os Franceses”, pelas 21h30, com entrada livre sujeita ao limite da lotação e também de acordo com as normas da DGS.


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David Bruno apresenta Raiashopping ao vivo em setembro

Foto: Renato Cruz Santos

David Bruno é um multifacetado artista de Vila Nova de Gaia com várias identidades. De produtor, realizador e mente por trás do seu Conjunto Corona, às colaborações com PZ no mítico "Cara de Chewbacca". É um artista português que ama o seu país e a sua cultura, com todas as virtudes e imperfeições que lhe são inerentes. 

Está agora de volta com Raiashopping, um disco onde o artista dá um passo atrás na sua árvore genealógica. Um álbum inspirado em histórias pessoais vividas num Portugal profundo, selvagem e (infelizmente) desertificado que nos leva numa viagem por terras raianas da Beira Alta e Trás os Montes. Agora resta convidar-vos a entrar neste universo imaginário luso-kitsch que cruza a realidade e a ficção, dos filmes de acção aos bailes de verão.

Os concertos de apresentação do novo álbum acontecem no mês de setembro em três datas: dia 5 na Casa do Capitão (Lisboa), dia 12 no Hard Club (Porto) e dia 18 no Theatro Circo (Braga). Os bilhetes já se encontram à venda.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Luar Domatrix lança vídeo para o tema "Bo Teias"



2020 tem sido um ano atípico, mas nem por isso infrutífero para Luar Domatrix: Olho da Rua, a estreia em longa-duração do produtor português, saiu no passado mês de fevereiro, seguindo-se Nova Vida Passada, lançado em junho pela inglesa Domestic Exile, e o mais recente EP Baía Stamina, selado pela portuguesa Discos Extendes no mês de julho.

Agora, o membro dos Yong Yong lança-se para os visuais com o primeiro vídeo promocional de Baía Stamina. O tema escolhido para o efeito é "Bo Teias", que abre esse mesmo lançamento, e o vídeo que o acompanha, dirigido por Sara Graça, encontra-se disponível para visualização a partir desta quinta-feira, dia 13 de agosto.


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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Cinco Discos, Cinco Críticas #59


Num ano perdido no que toca a espetáculos ao vivo resta-nos consumir em grande escala os poucos lançamentos que vão emergindo mundo fora. No radar de julho fizeram escutar-se forte do nosso lado os mais recentes trabalhos de Yo La Tengo - We Have Amnesia Sometimes (2020, Matador Records); Maufrais - Luxury Of Complaint (2020, Sound Grotesca); Daisy Mortem - Faits Divers (2020, NAPP Records); Neptunian Maximalism - Éons (2020, I, Voidhanger Records) e Vlimmer - XIIIIII/XIIIIIII (2020, Blackjack Illumininst Records). 

Assim, numa viagem multifacetada entre diversos territórios e géneros musicais convidamo-vos a clicarem no play enquanto (re)descobrem os mencionados lançamentos na íntegra. A nossa honesta opinião sobre os mesmos pode ler-se abaixo.


We Have Amnesia Sometimes | Matador Records | julho de 2020

7.8/10 

We Have Amnesia Sometimes é provavelmente o álbum mais meditativo dos Yo La Tengo, banda que tem vindo a marcar o panorama da música indie nas últimas décadas. Os autores de Painful e I Can Hear the Heart Beating as One presenteiam-nos este ano com um lançamento diferente do habitual, composto por cinco improvisos de música drone. Gravado na sua sala de ensaios com apenas um microfone, estes são minimalistas, longos e repetitivos. Todos eles se focam em notas e acordes sustentados ou repetidos inúmeras vezes, introduzindo esporádicas melodias subtis ou a presença, em algumas faixas, de ritmos percussivos sob os quais assentam as harmonias. 
Os Yo La Tengo são conhecidos pelas suas canções, mas mostram-se igualmente capazes de criar ambientes sonoros onde a nossa mente pode andar à deriva. Aqui não há vozes, refrões ou solos a que nos possamos agarrar, apenas texturas sonoras contemplativas e devaneadoras com as quais podemos relaxar, fechar os olhos e viajar para locais imaginários reconfortantes.
Rui Santos



Luxury of Complaint | Sound Grotesca | abril de 2020 

7.5/10 

Os Maufrais são uma banda formada por Sam (baixo), Phil (percussão), Ryan (vocais) e Chester (guitarra). Oriundos do Texas e inspirados pela trágica história de Raymond Maufrais ou talvez pelo mito urbano gerado em volta da constância da palavra "Maufrais" nos passeios de Austin, este quarteto lançou o seu primeiro trabalho na primavera deste ano, que conta com uma edição em cassete pela Sound Grotesca
A introdução de Luxury of Complaint é uma espécie de marcha fúnebre - "solitude and sadness / weakness exposed / all happiness dissolves / stuck in self-anguish / but I can’t avoid the fall" - que desemboca na primeira faixa oficial da cassete, "Preferred Death", também ela bastante deprimente - "nothing right in my head / disappointed everything in my path / wish it wasn’t that way but / I forget". "Christian Contradiction", a terceira faixa de Luxury of Complaint, é uma crítica à religião organizada, à qual se segue "Sustain", o momento mais positivo do disco e um testemunho à perseverança de triunfar face a enormes adversidades. Por oposição, "Rigor Mortis" - "I can’t move / I can’t yell / I only watch the days go by and let this world sink further into hell" - e "No Lease On Life", a última faixa do disco, falam dos sentimento de apatia e resignação ao absurdo e à inconsequência da existência humana. 
Na véspera do desaparecimento de Vern Rumsey, membro fundador dos incontornáveis Unwound, eis um disco que não poderia existir sem a sua herança. Fãs dos Velvet Underground, dos Beat Happening e dos Minutemen, têm aqui pouco com que se entreterem - o disco, afinal de contas, dura menos de 10 minutos - mas muito por onde se inspirarem.
Edu Silva



Faits Divers | NAPP Records | janeiro de 2020 

8.0/10 

Cerca de dois anos após o primeiro EP de carreira La Vie C'est Mort (2018) os Daisy Mortem regressaram ao radar com Faits Divers o disco de estreia que marca um grande período de maturidade face ao que anteriormente nos tinham mostrado. Com uma eletrónica de difícil acesso - sorumbática, violenta e extremamente imprevisível - os Daisy Mortem têm criado uma estrada de curvas e contracurvas erradicada na excentricidade dos aparelhos digitais que lhe sucumbem. As, letras de cariz estranho e ousado são obtusas e aportam um sentimento rave bastante vívido num cenário de caos iminente e confusão existencial. Com referências culturais e artísticas num grande espectro de atuação, os Daisy Mortem estão a criar uma sonoridade que roça a música de qualidade intragável a produções de luxo amplamente coesas e aditivas. 
Faits Divers começou por ser apresentado através de "Arêtes", o primeiro single a axompanhar o episódio de estreia da minissérie de vídeos de promoção do disco, que contou ainda com o hit de condução noturna "L’Accident Est Inévitable" e a curta-metragem Pasolini-inspired "La Nuit Sexuelle". Composto por nove músicas criadas num âmago eletrónico amplamente poderoso, Faits Divers encontra-se recheado em criações esquizofrénicas feitas para fazer abanar a anca sem sentir culpa. Desde o arrojado tema de abertura homónimo, passando pelo marcante "Mange tes Morts" até à faixa de eurodance "Étoils", Faits Divers marca um progresso muito agradável na carreira de uma banda que tem muito para ensinar e acrescentar ao cenário atual. 
O resultado é um disco que convoca sentimentos de desordem, mas de profunda inibição quando é amado, como é o caso deste Faits Divers. Um 8/10 perfeitamente sólido.
Sónia Felizardo




Éons | I, Voidhanger Records | junho de 2020 

8.0/10 

Resumir a experiência de ouvir Éons dos belgas Neptunian Maximalism pode ser traduzido por uma frase utilizada pelo antigo treinador do Benfica, Rui Vitória: "Estas coisas são para campeões, se fosse fácil não era para nós". 
Efetivamente, ouvir Éons não é uma experiência fácil. É um álbum de duas horas e oito minutos, que mistura o free jazz de John Coltrane, com o drone dos Sunn O))) ou dos Earth e o noise dos Swans (a crítica do Bandcamp cita ainda as "inspirações globais dos Goat", mas sinto que isso era ir longe de mais) e que pretende desafiar a audição do ouvinte com as suas ambições desmedidas. 
Sim, é um álbum que não é para todos os ouvidos, mas podemos garantir que se decidirem tirar um momento do vosso dia (ou vários, é um álbum longo, podem fazer uma pausa pelo meio sem se sentirem julgados), o sentimento de catarse ao longo desta experiencia irá compensar o desafio. 
Entre saxofones expirados selvaticamente, acordes com afinações gravíssimas e cânticos xamânicos, Éons é um álbum que mexe com as nossas entranhas, que altera a perceção do ouvinte e que expande a possibilidade do que é possível fazer com instrumentos musicais.
Hugo Geada






XIIIIII/XIIIIIII | Blackjack Illuminist Records | julho de 2020 


7.0/10 

Alexander Leonard Donat (Blackjack Illuminist Records, Feverdreamt, WHOLE) está quase a concluir o seu objetivo de lançar 18 narrativas sob o moniker Vlimmer. Num projeto, que teve início em novembro de 2015, Vlimmer pretende retratar a história de um jovem que procura descobrir o que o levou a tonar-se na pessoa danificada que é, ao longo de 18 EP’s. Segundo o artista este "estrago" emocional sentido pelo jovem é resultado da sua desastrosa viagem no tempo que o trouxe de volta ao presente numa mente disfuncional. 
Se no episódio 15 que culminou exatamente na tentativa do protagonista em retornar ao presente, tendo ficado preso num lugar desolado, sem noção de tempo e espaço; no episódio 16 (XIIIIII), o jovem comete um assassinato à meia-noite, rouba as chaves da vítima e entra no seu luxuoso apartamento, onde finalmente desmaia. Por sua vez, o capítulo 17 (XIIIIIII) retrata um sonho febril onde o protagonista é preso, julgado por assassinato e condenado. Sonoramente essa mudança de ação é bem denotada entre as diferenças de abordagens exploradas nos dois EP's. Se, por um lado XIIIIII se destaca pelo aumento da experiência imersiva no som, num disco poderoso a embeber influências da darkwave contemporânea à dream wave e post-punk clássico, em XIIIIIII Vlimmer dá aso à exploração das intermitências do som numa eletrónica contemplativa de ritmos lentos e profundidade aumentada. Apesar disso Vlimmer consegue criar uma forte coerência entre as duas partes num disco de fácil audição. 
Enquanto o destino do jovem não é desvendado pode explorar-se a sua dimensão sensacionalista abaixo, num trabalho onde se recomenda a audição de temas estimulantes como "Taubheit" ou "Kopfkante".
Sónia Felizardo




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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

h0b0 lança primeiro EP redo


Uma das promessas da label Chilli Pepper Fields, h0b0, muniu-se da sua voz, da sua guitarra de doze cordas e do seu computador, e com esses componentes, criou aquele que iria ser o seu primeiro registo. 

O EP, denominado redo, é formado no seu todo por um conjunto de 17 loops perfeitos - que individualmente, nunca ultrapassam a duração de cerca de um minuto - compostos pela força única do projeto Rolando Babo (vocalista da banda Bearbug), e cujo propósito é fazer o ouvinte divagar pelo imaginário sonoro do artista, em iguais partes denso e delicado, surreal e familiar, e que serve de fio condutor para a representação das suas perspetivas acerca da vida.

Em baixo, disponibilizamos o bandcamp onde se pode comprar o EP físico em cassete (estando disponível nas plataformas digitais como Spotify e Apple Music a partir de dia 21 de agosto), e também apresentamos o link para o seu site oficial que detalha a história por detrás das músicas.

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domingo, 9 de agosto de 2020

Novo disco de Jackson VanHorn chega em outubro


O norte-americano Jackson VanHorn tem forjado os seus traços sonoros nos últimos anos com um currículo bastante dinâmico que teve génese em 2007 com a sua banda paralela TV Ghost. Contudo, seriam apenas sete anos mais tarde, em 2014, que as raízes como produtor e multi-instrumentista a solo começariam a florescer sob a identidade Crossed Eyes que, apesar de um marco na história pessoal de Jackson VanHorn teriam uma existência limitada. Dois anos mais tarde, em 2016, as tamanhas influências de diversos mundos das artes e letras marcariam uma nova ascensão em nome próprio que deu nascimento ao primeiro longa-duração do músico intitulado Blood (2017). Agora, num estado mais consciente sobre um mundo incerto e, depois do EP hvn (2019), Jackson VanHorn regressa ao radar com novo longa-duração em duas das casas do movimento de vanguarda francesa na cena dark: a Manic Depression e Icy Cold Records.

Intitulado After The Rehearsal o disco contará com 10 temas inéditos dos quais são já conhecidos os temas "Saturnine" - que chegou decadente e poético na essência em maio do presente ano - e "Pierrot", o novíssimo tema que ganhou na passada terça-feira (4 de agosto um novo trabalho audiovisual) disponível para visualização abaixo. Badalada na essência a sonoridade de Jackson VanHorn consegue ser suave, nostálgica e doce apesar da clara perceção negra sobre um mundo perdido. After The Rehearsal reflete esse estado que poderá ser assimilado na íntegra em outubro.


After The Rehearsal tem data de lançamento prevista para 18 de outubro em formato cassete e vinil numa co-edição entre os Icy Cold Records e Manic Depression Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


After The Rehearsal Tracklist:

01. hallucination 
02. pierrot 
03. sunday 
04. saturnine 
05. mantra 
06. precarious line 
07. faces 
08. fold 
09. white flowers 
10. another world

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