sábado, 22 de agosto de 2020

STREAM: Seatemples - Trópicos


No ativo desde 2016 a explorar as paredes de som construídas entre linhas shoegaze e dreampop, os chilenos Seatemples estão de regresso ao ativo com Trópicos, o segundo esforço longa-duração que chega às prateleiras cerca de três anos após terem editado Down Memory Lane (2017). Composto por 10 temas que iniciam num ritmo nem sempre fácil de prender a atenção aos primeiros instantes, Trópicos é um disco elegante cuja sonoridade vai conquistando progressivamente o coração do ouvinte. Para quem é alheio, Trópicos é a nomenclatura utilizada para se referir ao mapeamento de diferentes latitudes geográficas dentro de uma variedade de nuances e atmosferas hipnóticas que aqui tão bem descrevem o processo de produção incorporado no álbum. 

Com recurso a uma letra catártica e onírica de passagens tenuemente sombrias, os Seatemples ofuscam as melodias com feedbacks e paisagens barulhentas que criam facilmente uma sintonia no meio do caos. Do disco começa por se destacar "Holograms", tema que fará as delícias de fãs de nomes como Slowdive pela beleza insípida; "Verde Catedral" o primeiro tema do disco a puxar os limites de som da banda para toadas mais darkwave que por aí permanecem em "Chaosphere". Se em "Desierto" os Seatemples investem numa sonoridade que poderia ser descrita como um jangle gaze gótico, em "Primavera Negra" fazem vigorar uma força obtusa entre o mundo imaginado e a realidade crua. Já na reta final podemos encontrar o grande hit do disco, "Beagle 185", música preenchida em camadas vibrantes com um trabalho de sintetizadores fortemente aditivo e melódico. O resultado final pode consumir-se na íntegra abaixo.

Trópicos foi lançado oficialmente esta sexta-feira (21 de agosto) pelo selo francês Icy Cold Records. Podem comprar o disco aqui.


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O ambient e o jazz cruzam-se na estreia de Fashion Eternal



O novo lançamento do Colectivo Casa Amarela junta o produtor Vítor Bruno Pereira (Aires, Shikabala) ao baterista João ValinhoFashion is Never Finished é o primeiro esforço conjunto da dupla que se dá pelo nome Fashion Eternal, e propõe uma interrogação dos limites que delineiam a música ambiente através de um diálogo provocador entre eletrónicas abstratas e palpitações rítmicas em forma de percussão.

Através de um processo exaustivo de reapropriação – feito de cortes, colagens e repetição – Fashion is Never Finished explora "a integração (e desintegração) dos efeitos e manifestações da cultura popular sónica no quotidiano", lê-se em comunicado, orientando o ouvinte para uma "desconstrução em tempo real deste estímulo musical viciado ao qual estamos sujeitos por esta sociedade espectacular".

Gravado, misturado e masterizado por Rui Antunes nos estúdios Sprint Toast, em Lisboa, o disco encontra-se disponível no Bandcamp da CCA em formato físico (edição limitada a 30 cassetes) e digital. O pequeno teaser que acompanha este trabalho tem a assinatura de Valinho e pode ser conferido desde já em baixo.


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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Musick To Play In The Dark: o clássico dos Coil vai ser reeditado



Musick To Play In The Dark é o próximo trabalho dos Coil a receber nova prensagem. A Dais Records, que já havia reeditado dois trabalhos da banda inglesa, é responsável pela reedição do clássico de John Balance e Peter Christopherson.

Datado de 1999, Musick To Play In The Dark é o primeiro de dois trabalhos atribuídos a um estilo que os próprios apelidaram de "moon musick", informado pelas derivas da música ambient, da glitch e do minimalismo mais cósmico. Gravado durante um período particularmente fértil, no enorme estúdio vitoriano da dupla, Musick abraça o acaso através de uma reforçada atenção nos avanços da síntese e do sampling, aqui auxiliados pelos preciosos contributos de Thighpaulsandra e Drew McDowall. O resultado é um dos mais ambiciosos trabalhos da banda, uma obra progressista de eletrónicas embriagadas e o ambiente noir de um qualquer lounge obsoleto.

Originalmente lançado em CD e vinil, em edições limitadas de 2000 e 500 cópias, respetivamente, o disco recebe agora o tratamento de luxo com nova masterização e versões completas e não editadas das cinco faixas que compõem o álbum. A versão masterizada de 'Are You Shivering?', que abre este mesmo lançamento, encontra-se disponível para escuta em todas as plataformas digitais.

Musick To Play In The Dark encontra-se disponível nos seus formatos físico (em CD e vinil-duplo) e digital no próximo dia 27 de novembro.


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Da nostalgia dos Favours nasceu Made to Wait


Se são fãs da pop hipnagógica de John Maus e Ariel Pink, então vão ficar encantados com a sonoridade que os Favours vos têm para oferecer neste álbum de estreia intitulado Made to Wait. Oriundos de Toronto, o duo formado por Alex e Jacqueline já abriu para artistas como Sean Nicholas Savage, The Zolas, Calvin Love. Made to Wait foi gravado em 2019 no estúdio Candle, de Josh Korody (Japandroids, Weaves), o qual também foi responsável pela produção.


Depois de três singles muito elogiados lançados em 2018, um deles, “Stowaway”, inserido na seleção musical da série da Netflix Northern Rescue, os Favours foram apresentando nos últimos meses alguns dos temas que fazem parte do seu álbum de estreia, dos quais se destaca o single “Lux Luv”.

O lançamento do álbum veio acompanhado de um novo single “Slip Away”, tema de sensações veranis, inspirado pela obra dos Tame Impala e The Stone Roses, em que os ritmos calorosos das guitarras comandam o coro de vozes, os sintetizadores cintilantes e a linha de baixo repetitiva. “Slip Away” é um tema que nos avisa para aproveitarmos aquilo que temos antes que se acabe, mas que também nos ajuda a pôr de lado o medo do desconhecido e seguir em frente.

Made to Wait foi lançado a 7 de agosto numa edição de autor e pode ser escutado na íntegra em baixo:

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Blacklisters - "Le Basement" (video) [Threshold Premiere]


Os Blacklisters lançam no dia 28 deste mês de agosto Fantastic Man, o seu novo LP. Este foi gravado numa única sala, num único dia, e conta com a assinatura da editora francesa À Tant Rêver du Roi. Formados em 2008, o quarteto oriundo de Leeds tem uma sonoridade fortemente influenciada pelas estéticas do noise rock e do post hardcore, com aproximações a bandas como os Jesus Lizard, os Big Black e os Scratch Acid.

A acompanhar o anúncio do lançamento do disco sucessor do EP Dart, os Blacklisters lançaram o videoclips para o tema "Sports Drinks", seguindo-se a rendição videográfica do tema que dá nome ao novo disco, "Fantastic Man". Estreamos agora o videoclip para o tema "Le Basement", que retrata um universo bidimensional composto por cacofonia e emojis, ilustrado pela artista Kathy MacleodFantastic Man já se encontra disponível para pré-encomenda no website da À Tant Rêver du Roi, sendo possível fazer uma audição parcial ao disco na página de bandcamp da banda. Para ficarem a conhecer um pouco melhor a banda, podem (re)visitar a entrevista que fizemos com os Blacklisters em 2018, aquando da sua estreia em Portugal.



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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

O KARMA IS NOT A FEST regressa em 2020


Neste ano de crise pandémica à escala mundial, a cooperativa cultural Carmo'81 volta a organizar o KARMA IS NOT A FEST em Viseu, num esforço de contrariar a centralização da oferta cultural e preenchendo assim parte da lacuna criada pelo cancelamento dos festivais de verão.



Tendo este ano como palco a centenária Mata do Fontelo em Viseu, esta edição do KARMA será a sua primeira produção exclusivamente fora das portas do Carmo´81 e em nome próprio. Entre os dias 27 de agosto e 17 de setembro, a programação irá desdobrar-se entre os sons, histórias, paisagens e música na Mata do Fontelo através de 11 concertos, 1 cine-concerto, 4 criações artísticas, 4 conversas e 4 caminhadas, combinando eventos in loco e conteúdos disponíveis exclusivamente online. 

No que toca aos 12 concertos, são eles:

Dia 27 de Agosto 
18:30h - Arianna Casellas 
21:30h - Samuel Martins Coelho 
22:00h - HHY & The Macumbas 

Dia 03 de Setembro 
18:30h - Tiger Picnic 

21:30h - José Pedro Pinto apresenta Fontellum
22:00h - Cine-concerto Surdina de Rodrigo Areias, com argumento de Valter Hugo Mãe e musicado por Tó Trips 

Dia 10 de Setembro 
18:30h - Unsafe Space Garden 
21:30h - Stereoboy
22:00h - Dada Garbeck 

Dia 17 de Setembro 
18:30h - Contos e Lenga Lendas 
21:30h - AURORA BRAVA -redux-
22:00h - Filipe Sambado 


A programação começa no dia 27 de agosto com Arianna Casellas (Sereias, dos Melifluo e dos ZyGoSis) e segue com o violinista Samuel Martins Coelho (EL RUPE, Space Ensemble, Mods Colective, Escola do Rock de Coura, Estranhofone, Gnomon, Hot Air Baloon e Atic) e com os HHY and The Macumbas, que ainda estão impregnados com os vapores febris do genial Beheaded Totem. 


No segundo fim de semana de concertos, o power duo Tiger Picnic abre as hostes com uma prova de força, seguindo-se o guitarrista José Pedro Pinto que irá apresentar a público o ináudito Fontellum e a exibição da película Surdina de Rodrigo Areias, que será musicada ao vivo por Tó Trips, o guitarrista dos Dead Combo


O terceiro fim de semana começa com uma actuação dos Unsafe Space Garden e depois, os portuenses Stereoboy sobem a palco para apresentar o seu mais recente LP, Kung Fu. O dia concluí com um concerto de Dada Garbeck.


O último fim de semana do certame inicia com uma apresentação de Contos e Lenga Lendas, um projecto da autoria de Gil Dionísio, seguindo-se os AURORA BRAVA em formato reduzido. A programação musical do festival encerra com Filipe Sambado, que irá apresentar ao vivo Revezo, o seu mais recente disco. 


É de referir que todos os concertos do KARMA estarão disponíveis online, de forma a poder fazer face às limitações de público nos eventos impostas pela Direcção Geral de Saúde. Relativamente a custos, os concertos da tarde serão gratuitos, e os nocturnos terão o custo de 6,5€. Independentemente do custo, todos os concertos requerem reserva prévia (para reservas e compra contactar karmaisafest@gmail.com)

O Carmo propõe com o KARMA à medida da realidade: seguro e realizado por profissionais disponíveis para prestar todas as informações e fazer cumprir os comportamentos fundamentais como desinfeção das mãos, distanciamento físico, uso de máscara, respeito por percursos e lugares marcados, de modo a proporcionar ao público, artistas e equipa todas as condições de segurança. 


Abaixo deixamos mais algumas informações úteis sobre a restante programação do festival:

4 Conversas 
As Conversas, realizadas em parceria com a "Iniciativa 232." (da Projecto Património), procuram abordar a temática alargada do "Espaço Público". Através de conversas informais, registadas e disponibilizadas online, fala-se das experiências, desafios e sugestões que instituições, projectos e indivíduos aceitam partilhar no KARMA. Desde a criação musical comunitária, ao uso de plataformas digitais como modelo natural de funcionamento e interação, o primeiro "set" de conversas terá convidados nacionais e internacionais, cada qual trazendo o seu ponto de vista, ainda que não esquecendo que a música é o motivador principal do KARMA. (Disponível online) 

4 Caminhadas 
As caminhadas são conteúdos disponíveis no site do Carmo´81 em que desafiamos o público a fazer o percurso recomendado no conforto de sua casa imaginando a sua presença na Mata, ou inloco com os dados ligados a acompanhar o conteúdo online:

Liliana BernardoGonçalo Mira num percurso pela Mata com a leitura da obra poética Fontelo, livro de autor de Gonçalo Mira dedicado à Mata (Disponível online);
- João Dias apresenta-nos uma visita guiada pela arte pública produzida pelo projeto Poldra (Disponível online);
- Experiência de procura sonora pelos percursos da Mata do Fontelo, a partir da criação original de Sofia Moura e Remi Gallet (Disponível online);
- Em É uma Mata não é um Parque, Hélder Viana e Paulo Barracosa explicam-nos a diferença num percurso pela ideologia adoptada na reabilitação da Mata do Fontelo (Disponível online).

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Cabaret Voltaire anunciam primeiro álbum em 26 anos



Os ingleses Cabaret Voltaire, instituição maior das desenvolturas industriais da musica eletrónica, vão lançar novo álbum. Shadow of Fear é o primeiro trabalho de originais do grupo de Sheffield em 26 anos (o último álbum, The Conversation, saiu em 1994) e chega no próximo dia 20 de novembro pela Mute.

Segundo Richard H. Kirk, que reaviveu o projeto em 2014 para uma série de performances focadas no presente, o álbum “foi finalizado quando toda a estranheza estava a começar a aparecer”, diz em referência à pandemia provocada pelo novo coronavírus. “Shadow of Fear parece um título estranhamente apropriado. A situação atual não teve muita influência sobre o que eu estava a fazer - todo o conteúdo vocal já estava no lugar antes do pânico se instalar - mas talvez devido à minha natureza algo paranóica, há indícios de coisas a acontecer de forma um bocado estranha que capturam o estado atual das coisas.”

Shadow of Fear marca também o primeiro lançamento de Kirk como membro único do grupo e foi gravado ao longo de várias sessões no estúdio Western Works, em Sheffield, durante o período de inatividade da banda. "Vasto" é a primeira amostra do disco, uma odisseia com mais de sete minutos capaz de cruzar os universos agitados do techno com as propriedades sónicas da dub e da kosmische alemã. O tema pode ser conferido desde já em baixo, juntamente com a capa e respetiva tracklist do disco.





Tracklist  

01. Be Free  
02. The Power (Of Their Knowledge)  
03. Night Of The Jackal  
04. Microscopic Flesh Fragment  
05. Papa Nine Zero Delta United  
06. Universal Energy  
07. Vasto  
08. What's Goin' On 

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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O Fantasma da Morte Psíquica já se faz ouvir


Ainda em ressaca de Suite Nº Zero a Morte Psíquica continua imparável e já tem novo disco no posto de escuta. Desta feita trata-se de um novo curta-duração, intitulado O Fantasma, que chega às prateleiras quatro meses depois de Suite Nº Zero ter feito estremecer as playlists mais underground mundo fora. Sérgio Pereira reergueu os Morte Psíquica das cinzas e agora representa-nos a nós (portugueses) pelo Canadá e pelas raízes de um mundo globalizado com uma sensibilidade sobrenatural e irradiada pela beleza da poesia neorrealista que pauta nas letras das suas canções. Num percurso que a cada lançamento se torna mais maduro, sem se deixar cair na monotonia, Morte Psíquica investe forte numa música tradicionalmente triste, mas absoluta em sentido. 

A abrir o trabalho com "Domingo de Primavera" cedo se denota a maturação da sonoridade que Morte Psíquica emancipou ainda aquando o lançamento de Fados de Além, ou mesmo Maneirismos - a primeira edição lançada como projeto a solo. Entre guitarras dedilhadas, tímidas, mas com uma dimensão extraordinária, Morte Psíquica assinala o seu traço de decadência limítrofe, entre a beleza da solidão e amargura de existir em sociedade ("Não, não é cansaço, é uma quantidade de desilusão que me estranha na espécie de pensar. É um domingo às avessas"). E se "Ascese" engloba as artimanhas das edições anteriores, "O Fantasma" surpreende pelo trabalho de sintetizadores em harmonia com as guitarras que cruzam a essência post-punk dos anos 80 com os traços obscuros da coldwave contemporânea. Para terminar surge "Carta Do Panóptico" um doce hino de despedida que traz à memória os incontornáveis Dead Can Dance, numa composição 100% portuguesa e embevecida pela alma genuína que a Morte Psíquica tão bem nos transmite.

O Fantasma foi editado esta sexta-feira (14 de agosto) em formato digital pelo selo Zodiaque Musique. Podem comprar a vossa cópia aqui e reproduzir a obra na íntegra abaixo.


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Novas confirmações para o Vodafone Paredes de Coura 2021


A 28.ª edição do Vodafone Paredes de Coura está agendada de 18 a 21 de Agosto de 2021. L’Impératrice, Mac DeMarco, Mão Morta, Nu Guinea, The Comet Is Coming, Yellow Days e Yves Tumor & Its Band juntam-se aos já confirmados Alex G, BADBADNOTGOOD, Beabadoobee, Floanting Points (Live), HAAi, IDLES, Jarvis Cocker presents JARV IS…, Mall Grab, Pixies, Princess Nokia, Slowthai, Squid e Woods. 
Depois de uma pausa de um ano, a Praia Fluvial do Taboão voltará a acolher o que de melhor existe na actualidade musical. A maior parte dos artistas integrava o cartaz para a cancelada edição deste ano, sendo Mão Morta e Jarvis Cocker os únicos nomes até agora agendados cujos concertos não tinham sido anunciados para 2020. 

Os passes gerais para o Vodafone Paredes de Coura 2021 podem ser adquiridos na App oficial do festival, bol.pt, See Tickets e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 110€. Todos os bilhetes adquiridos para o Vodafone Paredes de Coura 2020 são válidos para a edição de 2021. Para isso, é obrigatório efectuar a troca do bilhete do Vodafone Paredes de Coura 2020 por um bilhete válido para a edição de 2021. 

Para aqueles que, infelizmente, não puderem comparecer nas novas datas, podem pedir o reembolso do valor do bilhete adquirido, directamente no ponto de venda, entre os dias 1 e 15 de Setembro de 2021. O pagamento dos reembolsos acontecerá depois, entre os dias 16 e 30 de Setembro 2021.

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