sábado, 5 de setembro de 2020

Também outubro vê o regresso de Rïcïnn aos discos

© Clems Souli

Quatro anos depois da estreia com Lïan a francesa Laure Le Prunenec, mentora do projeto avant-garde Rïcïnn está de regresso às edições com novo longa-duração a chegar às prateleiras já no próximo mês de outubro na chancela da Blood Music. Dona de vocais operáticos tão lúcidos quando celestiais, ao mesmo tempo agressivos e poderosos é, pelo seu lírico jeito de cantar que Laure Le Prunenec tem construído um percurso laboral invejável num universo muito único e extremamente tocante. Depois de ter dedicado o ano passado ao lançamento do novo disco de um dos seus projetos paralelos, Öxxö Xööx, Rïcïnn abraça agora um novo universo pessoal ao qual deu o nome de Nereïd.  

Embora ainda não tenha sido divulgado nenhum tema de avanço já circula desde junho o teaser de Nereïd.


Relembre-se ainda que no passado dia 30 de agosto Laure Le Prunenec fez-se acompanhar pela sua banda ao vivo para uma performance exclusiva para a Jonesy Agency, onde, além das músicas que tornaram Lïan o disco ímpar que é, foram também apresentados temas exclusivos que certamente integrarão a nova obra, ainda com alinhamento por divulgar. Podem ver a performance na íntegra aqui.

Nereïd tem data de lançamento prevista para 23 de outubro em formato vinil, CD e digital pelo selo Blood Music. Ainda não foi revelado o alinhamento, mas já é conhecida a artwork (disponível abaixo).


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ADULT. e Planet B juntam-se em "Release Me"


Perception is​/​as​/​of Deception chegou em abril para colocar os ADULT. na ribalta. O disco - extremamente coerente e aditivo - culminava em pleno a evolução que Nicola Kuperus e Adam Lee Miller têm sofrido na exploração do seu pós-modernismo distópico analógico desde o final dos anos 90. Ainda na nostalgia do sentimento iminente presente desde então, os ADULT. juntam-se agora a Justin Pearson (The Locust, Dead Cross, Deaf Club) e Luke Henshaw (Sonido de la Frontera) - que formam os Planet B - para lançarem o primeiro tema colaborativo na designação de "Release Me". 

Entre um universo de música subversiva no som e moderada na mensagem, "Release Me" incorpora a ética de trabalho dos dois grupos - o contraste entre o hardcore e o electropunk - ao mesmo tempo que cria uma colisão altamente poderosa, entre malhas de som sedutoras e um rasgo de sufoco existencial ("Can't grasp reality now or then"). Esta colisão frívola é estendida ao alcance vocal onde se, por um lado, Nicola Kuperus adiciona uma aura oculta e misteriosamente sobrenatural, por outro Justin Pearson aposta num estilo mais agressivo e provocante. O resultado é uma faixa que flui entre um ambiente de apocalipse e outro de libertação num cenário tão envolvente como imersivo.

"Release Me" foi editado esta sexta-feira (4 de setembro) em formato digital pelo selo Dais Records. Podem comprar o single aqui.


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O céu Sci-Fi dos Lebanon Hanover emerge em outubro


Em março passado, em pleno foco da pandemia pela Europa, os Lebanon Hanover traziam-nos uma réstia de esperança com "The Last Thing", single que até então iria incorporar a tracklist composta por dois temas a serem lançados num 7'' single duplo, o que se sucedeu passado mês de maio. Num contraste entre vulnerabilidade e uma energia tenebrosa e deprimida, a dupla tentava atenuar a dor resultante da incapacidade de ação tão em voga um pouco por todo o mundo. Sem que os ouvintes soubessem este tema era o primeiro resultado de Sci-Fi, o sexto disco longa-duração da banda que este ano celebra dez anos de existência. A notícia do novo lançamento foi oficializada esta sexta-feira juntamente com uma nova extração do mesmo que deu à costa sob o nome "Digital Ocean".

Em 2010 em pleno centro de ação da crise económica chegava ao underground a música das trevas na alçada da dupla Lebanon Hanover, que consequentemente mudariam todo o novo cenário do revivalismo dos 80's. Dez anos mais tarde, em pleno foco de ação de uma pandemia que mudou toda a forma consolidada nas artes até então, e a própria estrutura organizacional da sociedade, a dupla volta para protagonizar mais um momento de revolução, através da tristeza.

"Digital Ocean" foi lançado juntamente com um trabalho audiovisual que, mais uma vez se foca numa produção de estética lo-fi - tão fortemente explorada pela dupla desde os primeiros tempos de carreira -, desta feita com fortes influências do cinema alemão dos anos 20, nomeadamente as produções expressionistas e vampíricas de F. W. Murnau. O resultado pode visualizar-se na íntegra abaixo.


Sci-Fi Sky tem data de lançamento prevista para 20 de outubro em formato vinil e CD pelo selo Fabrika Records. Podem fazer a pre-order da vossa cópia aqui.

Sci-Fi Sky Tracklist:

01. Living On The Edge 
02. Golden Child 
03. Garden Gnome 
04. Digital Ocean 
05. The Last Thing 
06. Angel Face 
07. Hard Drug 
08. Third Eye In Shanghai 
09. Your Pure Soul 
10. Come Kali Come

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Novo disco dos Selofan chega às prateleiras em outubro


Cinco meses depois de terem lançado cá para fora o soturno whitchy-inpired "There Must Be Somebody", os Selofan estão de regresso aos holofotes com os pormenores adicionais que caracterizam o novo disco da dupla, Partners In Hell. Anunciado para outubro o disco recebeu esta sexta-feira mais um tema que esculpe bem o caminho que os Selofan têm moldado desde que emergiram no mundo da música em 2012. Num mundo muito próprio caracterizado pela criatividade bizarra e uma ética de trabalho de cariz humanitário, a banda continua a explorar a vaga de sintetizadores experimentais, num design de som que - juntamente com a performance visual - apresenta uma produção com forte estética teatral. O novo tema de apresentação de Partners In Hell, "Auf Deiner Haut", não é exceção e, entre uma conjuntura de misticismo e vandalismo apropria-se dos ambientes que perduram nos excêntricos mundos antagónicos que invadem a alma do espetador.

"Auf Deiner Haut" segue as pisadas de "Thre Must Be Somebody" ao infundir às ondas frias de cariz dançável, os vocais assombrosos de Joanna Pavlidou e o baixo pulsante de Dimitris Pavlidis para criar narrativas completamente díspares, mas sempre guiadas por uma ligação base que perdura a cada nova criação. Entre a pista de dança e ambientes de vandalismo, Joanna lança as cartas enquanto Dimitris nos embala no saxofone. O resultado é uma dança exótica ao potencial imaginário da mente humana, a visualizar-se abaixo.


Partners In Hell tem data de lançamento prevista para 20 de outubro em formato CD e vinil pelo selo Fabrika Records. Podem fazer a pre-order da vossa cópia física aqui.

Partners In Hell Tracklist:

01. The Grey Garden 
02. Almost Nothing 
03. There Must Be Somebody 
04. Nichts 
05. Zusammen 
06. 4 a.m. 
07. Happy Consumers 
08. Absolutely Absent 
09. Metallic Isolation 
10. Auf Deiner Haut


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A Federal Prisoner já esgotou todas as edições de 'Reigning Cement'


Foi editado esta sexta-feira o novo projeto audiovisual de Jesse Draxler (co-gestor do selo Federal Prisoner) e todas as edições em formato físico já se encontram esgotadas. É um caso de sucesso em tempos pandémicos num projeto colaborativo que integra uma soundtrack com nomes de relevo máximo na cena industrial, noise e dark underground. Intitulado Reigning Cement o projeto ganhou inspiração num trabalho no qual Draxler participou há alguns anos, no qual um grupo de artistas de colagem recebeu um mesmo pacote de recursos visuais com os quais teve de criar uma peça artística. De forma semelhante, Draxler forneceu a cada músico de Reigning Cement 34 elementos sonoros - todos gravados num ambiente industrial barulhento do lado de fora do seu estúdio nos arredores de Los Angeles - e pediu-lhes que se limitassem a criar uma música a partir desses elementos, com a única permissão adicional de adicionarem voz, caso desejassem.

O objetivo era criar uma história circundante ao ambiente habitacional de Jesse Draxler que, além do trabalho sonoro, seria acompanhada por um registo fotográfico da zona onde os elementos sonoros de base foram gravados. O efeito global regista o efeito de caos urbano e decadência, num projeto que funciona como uma espécie de antítese ao criar um trabalho belo das cinzas de algo não considerado esteticamente apelativo. Para a conceção do projeto Jesse convidou 22 artistas, onde se encontram nomes de luxo como Chelsea Wolfe & Ben Chisholm, Greg Puciato, O FutureTrentemøller, TR/ST, Uniform e Vowws, entre outros.  O trabalho fotográfico retratado por Draxler já não pode ser adquirido, mas a soundtrack de Reigning Cement pode absorver-se na íntegra abaixo.

Reigning Cement foi editado oficialmente esta sexta-feira (4 de setembro) em três edições limitadas a 700 cópias, pela chancela Federal Prisoner. Encontra-se apenas disponível para compra a edição digital da soundtrack, que pode ser adquirida aqui.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A Amplificasom traz os NU ao Understage no final do mês


Os NU emergem da colisão entre o rock e o denso universo industrial. Um som de pulsação dura e maquinal que, aliado à literatura e à poesia, funciona como propulsor para a atitude performativa e criadora de imagem. Nascidos em 2016, em Santo Tirso, e depois de dois EPs, 2020 traz-nos o álbum de estreia Diferentes Formas da Mesma Areia Morta, gravado numa sessão live.

Guiada por passagens do escritor Thomas Pynchon, a voz que ecoa nas três faixas, o álbum expressa a perda de humanidade, a alienação tecnológica, o medo, a solidão, a psicose e a competição feroz e generalizada que impulsionam o clima de decadência que paira sobre a civilização ocidental. Ou, nas palavras de Pynchon, “um mundo cada vez mais em rota de colisão com o inanimado”. Os ambientes sonoros surgem do confronto deste mesmo mundo com o indivíduo comum, um desmoronar interior de significado e uma invasão silenciosa do vazio. É urgente ouvir os NU.

A apresentação portuense está marcada para 25 de setembro, no Understage (Rivoli), numa co-produção do Rivoli com a Amplificasom.


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STREAM: Bonifácio - Hanami



Hanami é o lançamento de estreia de Bonifácio, que compôs , gravou, misturou e masterizou o EP. O músico e produtor portuense inspirou-se numa viagem que fez ao Japão para concretizar este projeto.

Hanami é composto por quatro temas simples, contemplativos e despretensiosos de música eletrónica repleta de sintetizadores e baterias programadas.

A edição do EP está a cargo da Regulator Records e é no Bandcamp da editora que pode ser ouvido e descarregado o disco. O lançamento em formato físico está para breve, estando planeada uma edição limitada de 50 cassetes (25 brancas e 25 cor-de-rosa) que já pode ser reservada pelos contactos da editora.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Spectres anunciam novo álbum para outubro



Os britânicos Spectres estão de volta com It’s Never Going To Happen And This Is Why, o álbum mais contundente da banda até ao dia de hoje. Este trabalho novo, gravado por Alex Greaves no The Nave, uma igreja metodista do século 19 em Leeds, mostra o quarteto na sua forma mais radical e divertida, com vários convidados da cena experimental como Klein, Elvin Brandhi, Ben Vince e French Margot.

Muito do cerne de It’s Never Going To Happen And This Is Why foi concebido durante a tour europeia de Condition, o último longa-duração da banda (editado em 2017). Havia um desejo na altura de experimentar escrever músicas mais curtas para "tentar encolher 8 minutos de desolação em 3", de modo também a por os nossos ouvidos a zumbir nos concertos impetuosos de Spectres. Músicas como o explosivo tema de abertura 'Idolise Us!' (que mostra a banda a aplicar a sua nova fórmula com um efeito estonteante), 'The Boats' e 'Murder Castle', as melodias para limpar o palato 'Define 'With'' e 'Emasculate Symphony', assim como a guilhotina lenta em chamas que é 'I Was An Abattoir' a fechar o álbum, foram todas convocadas e transformadas em demo nessa tour.

Capa concebida por Matt Dickson
O resultado é um disco que mostra a banda mais a adicionar do que subtrair. Desenvolvendo através da destruição. Seria fácil para a banda ser arrastada para o abismo que o trabalho anterior criou, e fazer a coisa certa para os seus ouvidos e mentes, mas há um impulso sádico dentro de cada Spectre que os arrasta infinitamente de volta ao seu purgatório aural, e desta vez, eles estão a deleitar-se nele.
It's Never Going To Happen And This Is Why vai ser editado no dia 30 de outubro. 'An Annhilation Of The Self', o primeiro single de avanço, pode ser escutado em baixo.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Autechre anunciam novo álbum, 'SIGN'



Os ingleses Autechre estão de regresso às edições. SIGN, o próximo trabalho da máquina de Sean Booth e Rob Brown, chega no próximo dia 16 de outubro pela britânica Warp e traz 11 novos temas.

Com apenas uma hora de duração, uma novidade em relação à extensão dos últimos lançamentos, SIGN sucede uma prolífica série de lançamentos ao longo dos últimos anos que inclui a pentalogia Elseq, de 2016, um conjunto de quatro sessões na rádio online inglesa NTS, em 2018, e as sete parcelas da série AE_Live, lançadas em abril deste ano. Em junho de 2019, aquando do trigésimo aniversário da Warp, os Autechre disponibilizaram um download gratuito com duas horas de material inédito gravado entre 1989 e 1993. 

O disco encontra-se disponível para pré-encomenda via AE_STORE, Bleep e Boomkat, em CD, vinil e download digital. A capa e a respetiva tracklist de SIGN podem ser conferidas em baixo.



Tracklist

01. M4 Lema 
02. F7 
03. si00 
04. esc desc 
05. au14 
06. Metaz form8 
07. sch.mefd2 
08. gr4 
09. th red a 
10. psin AM 
11. r cazt


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Orquestra XXI passa pelo CCOP no próximo domingo


Num verão atípico para a música nacional e para os espaços que a acolhem, a Orquestra XXI, a Lovers & Lollypops e o Círculo Católico de Operários do Porto juntam-se no próximo dia 6 de setembro para potenciar novos encontros.

Tradicionalmente ligada aos grandes auditórios, a Orquestra XXI abre-se, em setembro, a novas formas de apresentação, com um concerto ao ar livre, em formação adaptada às circunstâncias actuais, que propõe um programa composto por obras de compositores contemporâneos de referência, com destaque para a estreia nacional de "Radio Rewrite", de Steve Reich.

Projeto premiado que congrega músicos portugueses residentes no estrangeiro, a Orquestra XXI foi criada em 2013 e apresenta-se regularmente em Portugal, sob a direcção do maestro Dinis Sousa. Este verão, no lugar da habitual digressão por algumas das principais salas de espectáculos portuguesas, a Orquestra XXI desenhou uma série de concertos de carácter informal e intimista. Do programa constam, assim, obras de Iannis Xenakis, Giacinto Scelsi, para além das estreias nacionais de "Abandoned Time" (para guitarra eléctrica e ensemble), de Dai Fujikura, e "Radio Rewrite", de Steve Reich, peça com inspiração declarada na cultura pop/rock, em que o compositor reelabora fragmentos de dois temas da banda britânica Radiohead.

O bilhete tem um custo de 10 € para o público geral, sendo gratuito para os membros do Clube Lovers & Lollypops.

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Arab Strap regressam com primeiro tema em 15 anos



Os escoceses Arab Strap estão de volta. “The Turning of Our Bones” é o primeiro tema original da banda de Aidan Moffat e Malcolm Middleton desde The Last Romance, álbum que assinalou o fim da carreira da dupla em 2005. Uma outra música, "The Jumper", estará disponível no lado B do lançamento físico do single, a sair no dia 23 de outubro.

Inspirado nos rituais tribais do povo malgaxe, de Madagascar, “The Turning of Our Bones” é, segundo as notas de lançamento oficiais, "um encantamento, um feitiço voodoo para ressuscitar os mortos”. O tema, que ronda os 5 minutos de duração, em pouco se afasta do trabalho presente no último LP, com as baterias eletrónicas a pautar o humor petulante de Moffat ("é tudo sobre ressurreição e devassidão", refere ainda em comunicado).

Em 2016, os Arab Strap reúniram-se para uma série de performances ao vivo, tendo passado pelo festival NOS Primavera Sound no ano seguinte. Desde o fim do grupo, em 2006, tanto Middleton como Moffat enceteram pelas suas carreiras a solo – o primeiro em nome próprio, o segundo como Lucky ou L. Pierre.





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Lorr No lança 'Alergia' pela Favela Discos



Alergia é a estreia em longa-duração de Nuno Loureiro como Lorr No. A nova aventura do guitarrista dos Fugly – e o mais recente membro dos Solar Corona – pelos terrenos das eletrónicas mais abstratas aterrou na última terça-feira, dia 1 de setembro, pela portuense Favela Discos, quatro anos depois da edição de Learning Exercises on How To Move On, que assinou como Mada Treku em 2016.

Assumindo o sintetizador – que usa para criar diálogos complexos entre texturas, breaks e vozes indistintas – como ferramenta principal, Alergia retrata a faceta mais subterrânea e percutiva do músico-produtor, que desde 2019 tem vindo a explorar as atmosferas lúgubres das caves da música alternativa portuguesa em sets que oscilam entre a dureza do techno, a energia do jungle e a deriva do ambient.

Em julho, Lorr No participou na compilação inaugural da editora Turva com o tema “alfg1”.

Alergia recebeu masterização de Rafael Silva e encontra-se disponível para escuta no Bandcamp da Favela Discos. A ilustração é de Vasco Lé e o design recebe a assinatura de Loureiro.


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terça-feira, 1 de setembro de 2020

STREAM: Bardino - Centelha


Centelha é o nome do novo trabalho dos Bardino, que foi editado no passado dia 25 de agosto. Com uma nova formação em trio, a banda demonstra neste álbum um registo menos linear e menos ligado ao rock que os anteriores. 

A banda do Porto desenvolve agora uma narrativa sónica e textural mais consistente e concetual, com aproximações à eletrónica. Se fecharmos os olhos nas primeiras notas, podemos imaginar o sol transformado em caleidoscópio numa reta estendida pelas planícies alentejanas, com 40 graus a baterem-nos na testa. À medida que o disco avança, somos transportados até ao fluxo calmo de um rio, onde um cacho de uvas se banha em delírios tropicais. Do seu néctar brota o vinho que tão bem acompanha a música dos Bardino - suave, fresca, repleta de cores e de vida, com aroma frutado e, ao contrário do líquido de Baco, excelente companheira de viagem. 

Centelha, gravado no início de 2020, é um álbum que não precisa de mapa nem de GPS. Orienta-se muito bem sozinho, seja a grande velocidade pelas autoestradas, contornando as inevitáveis rotundas das estradas nacionais, e por vezes sob a trepidação dos imprevisíveis caminhos de cabras. Guiados pelos teclados de Rui Martins, com Nuno Fulgêncio a alimentar a bateria e Diogo Silva a fazer vibrar o motor com o seu baixo, os Bardino soam a uma banda experimentada que não receia a experimentação. Do Porto para o mundo, via Saliva Diva, a Centelha acaba de se iluminar.



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STREAM: Folclore Impressionista - A New Sensation: Music for Television



Saiu hoje o mais recente trabalho de Folclore ImpressionistaA New Sensation: Music for Television recebe o carimbo da Russian Library, que se estreou nas edições com um lançamento do colectivo, e nasce da relação transmutável entre o "espaço e o tempo", lê-se em comunicado oficial, utilizando a televisão como "campo espectral por excelência". 

Sem pretensão de se tornar um estudo sociológico, e excluindo a hipótese de assumir como manifesto – como é o caso de The Revolution Will Not Be Televised, do grande Gil Scott-Heron – A New Sensation: Music for Television procura "olhar para o que nos rodeia de forma crítica e sob um ponto de vista distinto do normal".

O disco encontra-se disponível a partir de hoje, dia 1 de setembro, em formato físico (edição em vinil de 200 exemplares) e digital, sendo que podem encontrá-lo nas várias plataformas de streaming. Para além disso, a Russian Library disponibilizou uma série limitada de 30 exemplares que inclui um 7' com o tema inédito "Sound and Vision".





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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

7 ao mês com O Manipulador


Nesta edição do 7 ao mês falamos com O Manipulador, a one-man-band de Manuel Molarinho, influenciada por bandas de rock alternativo e ética DIY, que encontra inspiração em paisagens industrias abandonadas, nos ritmos e melodias das conversas e na experimentação. A originalidade do músico tem passado pela criação de peças e canções somente através do uso do baixo, pedais, loop station e voz, dando ao baixo o papel principal de instrumento de percussão, textural e melódico. 

As escolhas de Manuel Molarinho refletem os 7 lançamentos que mais os influenciaram enquanto artistas, e são também as nossas sugestões para esta edição do 7 ao mês.

"Sou um gajo de discos, vou tentar escolher 7 que representem momentos importantes do meu crescimento inicial enquanto músico. Deixo de fora muitos discos e espelhos de movimentos que foram fundamentais para mim."


Sonic Youth - Experimental Jet Set Thrash And No Star (1994) 

Qualquer disco da discografia deles podia estar aqui. É a minha banda favorita. Este foi o primeiro disco que ouvi deles, quando o meu irmão mais velho me estava a tentar indoctrinar com música de jeito. Na altura nem liguei muito mas lembro-me que a melodia de voz da "Skink" me ter ficado por ser tão pouco usual e quase não musical. Aos Sonic Youth devo o amor pela experimentação, pela não suposto, pela anti-música e pelo mais importante dogma que sigo - "Kill yr idols".


Dream City Film Club - Dream City Film Club (1997) 

Ainda hoje me custa a perceber como esta banda se mantém tão desconhecida. Este álbum começa com uma das músicas mais bonitas que ouvi na vida, que podia figurar ao lado "Wicked Games" como uma das melhores músicas de amor que já foram feitas.

O instrumental é sujo e nervoso e a escrita do Sheehy é tão honesta que fica difícil encontrar paralelo. Às vezes roça o ressabiado e é muitas vezes mesmo incorrecta. Encontro poucos escritores de canções que tenham tido a coragem de mostrar o seu verdadeiro reflexo, de expôr o melhor e o pior de si com uma força tão bruta.


Aphex Twin - Drukqs (2001) 

Não é um disco que tenha ouvido assim tanto como outros que estão nesta lista mas teve uma influência enorme na minha vida. Antes de ouvir este disco dizia de boca cheia que música electrónica não era para mim. Mudei radicalmente e para sempre a minha opinião depois do Drukqs. Desconcertou-me e abriu-me a cabeça.


Lovage - Music To Make Love To Your Old Lady By (2001) 

Fui lá parar uns anos depois do disco sair, por ser um projecto com o Mike Patton. Na altura andava a ouvir muito Mr. Bungle e Fantômas mas a estética é bem diferente daquilo que estamos habituados a ouvir do Patton. Lovage é uma espécie de reinvenção de um Barry White urbano do século XXI. Como o próprio título indica, é música para pinar. Adoro a forma como elogia a luxúria e superficialidade de maneira bem bonita, profunda, leve e divertida e ultimamente tem voltado a rodar com intensidade na minha playlist. Foi, junto com Antipop Consortium, uma das razões para me aproximar de algum Hip Hop e da Loop Music em geral.



The Mars Volta - De-loused In The Comatorium (2003) 

Este foi outro disco que não me entrou à primeira, mas quando entrou foi um vício. Já era fã acérrimo de At The Drive-in mas a energia criativa deste álbum fez as delícias da minha pós-adolescência. Acho que foi o disco que acompanhou mais a minha fase mais criativa (em quantidade), em que as ideias surgiam em catadupa. Muitas noites de litrosa comprada na bomba e volume no máximo.


Dead Combo - Vol. II - Quando A Alma Não É Pequena (2006) 

Acho que há discos que nos explicam uma identidade coletiva. Este é um deles - ouves e percebes o que é ser português. Um bocadinho como com a música do Paredes, quando ouves estás dar um abraço ao país inteiro e a todos os vizinhos que sabem quem és. Para mais há uma qualidade enorme na música dos Dead Combo. Não pinta um Portugal antigo ou arcaico, pinta-o com todas as cores das pessoas que o vão transformando. Este disco em específico foi responsável por muitas horas e memórias da minha vida.


Liars - Drum's Not Dead (2006) 

Se há algo que procuro na música é a capacidade de um disco me provocar sensações que não só não consigo nomear como não encontro nenhum outro que me faça sentir o mesmo. É o caso deste. Se calhar até ouvi mais vezes o anterior deles (They Were Wrong, So We Drowned) mas este disco é, para mim, uma obra prima. Não é um disco para todas as alturas. Ouço nele um certo niilismo que nem aconchegante chega a ser, uma aceitação de uma total falta de esperança, de um fim. Não consigo mesmo explicar, acho-o único e, não sei se é esquisito dizer isto, mas se soubesse que ía morrer, era este o disco que queria ouvir.



Aproveitem para seguir O Manipulador nas redes sociais e passem pelo seu bandcamp para estarem a par dos seus últimos lançamentos.

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domingo, 30 de agosto de 2020

'Uau Novo EP!' de Silvestre



Uau Novo EP! é o mais recente trabalho do produtor lisboeta Silvestre. Composto por quatro faixas (cinco na sua versão digital) e duas remisturas de Lilocox e DJ Firmeza, o novo lançamento do boss da Padre Himalaya aterra novamente pela inglesa Meda Fury, depois de por lá se ter estreado com Yeah EP em 2019.

Equilibrando ambientes viperinos típicos do grime com palpitações rítmicas do gqom, do samba e do kuduro, o novo EP de Silvestre aposta numa renovada atenção no tratamento da voz enquanto elemento central das suas produções. "Paga O que Deves", o primeiro tema a sair desta nova fornada, estreou no passado dia 14 de agosto no canal 4:3, da plataforma online Boiler Room, e pode ser conferido desde já em baixo.

Uau Novo EP! encontra-se disponível nos seus formatos físico, em vinil de quatro faixas, e digital e pode ser escutado desde já no Bandcamp da Meda Fury.





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