sábado, 12 de setembro de 2020

STREAM: Uniform - Shame


Os Uniform regressaram este mês às edições com Shame, o novo longa-duração na alçada da Sacred Bones Records que veio dar sucessão a The Long Walk (2018) e marca um novo percurso na história do projeto, com a mudança de line-up. Agora em formato trio - Michael Berdan (vocais), Ben Greenberg (guitarra, produção) e Mike Sharp (bateria) - agarram num mundo de sons industrializados, eletrónica distorcida e uma percussão frívola e crua com a característica voz das trevas para dar luz a um disco bruto e extremamente poderoso. O álbum, que se centra no tema do romance clássico, foca-se nas forças de um anti-herói no seu estado estático, enquanto medita sobre a sua vida no intervalo entre os principais eventos que ocorrem no mundo. Este conceito é desenvolvido ao longo dos oito temas que integram o álbum, num vigor imersivo e amplamente contagiante.

Numa temática que resultou da exploração dos livros de Raymond Chandler, James Ellroy e Dashiell Hammet, os Uniform apresentam em Shame um disco envolto pelo misticismo lírico num trabalho negro e recheado em guitarras abrasivas de camadas vulcânicas e sensações de exorcismo. Este resultado advém não só do facto de Mike Sharp ter assumido a bateria, mas também pelo facto dos Uniform terem aperfeiçoado os limites entre digital e analógico, eletrónico e acústico como outrora haviam feito. Do disco recomenda-se fortemente a audição de faixas como "Delco", "Life In Remission", o ruidoso "All We've Ever Wanted" e o psicologicamente denso "This Won't End Well".

Shame foi editado esta sexta-feira (11 de setembro) em formato vinil, CD e digital pelo selo Sacred Bones Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Profit Prison - Dreams of a Dark Building


Profit Prison tem colocado cá para fora temas perdidos entre o dinamismo dos sintetizadores com uma aura saudosista à mistura desde o ano 2017. A sua sensibilidade construtiva em ilusões - que são consequentemente conduzidas por auras dungeon - tem recebido forte destaque nas produções que têm emergido sob a sua alçada e volta a tornar-se referência no novo lançamento Dreams of a Dark Building. Neste novo trabalho Profit Prision arrasta todas as linhas de carácter obscuro e foca-se na construção de um disco sólido em cores e ritmos aditivos. Há espaço para a emancipação de sentimentos de amor, mas também entrelinhas de sensações mais nostálgicas.

Numa altura em que o contacto social se torna cada vez mais restrito priorizam-se cada vez mais os sons eletrónicos e Profit Prision sabe-o bem. Incluindo caminhos condutores a fortes incandescências sonoras o produtor americano aposta num disco cheio de harmonias e sintetizadores floreados, onde a voz ganha uma importância menos denotada. Desde o 80's influenced tema de abertura "Cleric" à balada "In This Hour Of Loss", Profit Prison cria um disco pronto para entreter as almas mais solitárias: suave, denso e fortemente assimilável.

Dreams Of A Dark Building foi editado esta sexta-feira (11 de setembro) em formato vinil e digital pelo selo italiano Avant! Records. Podem comprar a vossa edição aqui e reproduzir a obra na íntegra abaixo.


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Sydney Valette tem mais duas faixas prontas para erradicar a inibição


Sempre produtivo, dinâmico e incendiário Sydney Valette é sem dúvida um dos grandes achados da nova escola francesa de sintetizadores. Com composições fervorosas prontas para dar vivacidade às pistas de dança mais underground mundo fora, o artista tem consagrado o seu nome ao longo dos últimos onze anos no panorama musical da vanguarda dark. Depois de em abril deste ano ter colocado cá para fora o EP Brothers, eis que agora emergem nas plataformas mais dois registos abrasivos "PTSD" e "Knight Core", que se caracterizam como um prolongamento do anterior EP. 

Os novos temas foram lançados no dia em que se tornou oficial que Sydney Valette estava a juntar-se ao rooster de artistas da agência de concertos Voulez-Vous-Danser - uma das mais ativas promotoras sediadas na França - que deverá trazer notícias para 2021 bem melhores que as que pautam agora em 2020. Enquanto novos concertos não são anunciados, as pistas de dança caseiras podem ficar mais vibrantes com a audição integral de "PTSD" e "Knight Core", abaixo.

PTSD / Knight Core foi editado esta sexta-feira (11 de setembro) em formato cassete e digital pelo selo alemão Black Verb Records. Podem comprar os temas aqui.



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Os Shad Shadows falam de comportamentos tóxicos no novo disco


Chega às prateleiras em novembro mas já está disponível para escuta na íntegra, Toxic Behaviours - o novo disco da dupla italiana Shad Shadows (também conhecidos pelo seu trabalho como Schonwald). Luca Bandini (voz, sintetizadores, bateria eletrónica) e Alessandra Gismondi (sintetizador, voz) uniram-se pelo amor comum à música eletrónica de vertentes obscuras e começaram a escrever e a gravar as suas composições em 2014, que viriam a dar à luz Minor Blues (2015) o longa-duração de estreia. Nos anos que se seguiram a banda forjou a sua sonoridade tipicamente negra que chega agora às pistas de dança num formato mais maduro e igualmente denso. Um ano após terem colocado cá para fora Nocturnal (2019) é a vez de Toxic Behaviours chegar ao radar para embutir os seus traços característicos de música das trevas com uma pomposa sensualidade à mistura.

O primeiro tema oficial emergiu ainda no quente mês de agosto com o tema "Sad Bodies" a entrar no posto de escuta com direito a um trabalho audiovisual envolto em neons e pronto para visualização aqui. À semelhança do que trouxeram em Nocturnal (2019) em Toxic Behaviours os Shad Shadows voltam a construir uma narrativa sonora que se centra num singular conceito: o questionamento relativo ao facto dos rituais serem uma parte necessária de todas as sociedades. Expressando simbolicamente a conquista tecnológica, as gerações mortas, a violência urbana, a superficialidade e vaidade - que incorporam em si grandes traços de toxicidade - os Shad Shadows mostram que alguns rituais tornaram-se "comportamentos tóxicos" em áreas inesperadas da vida moderna. O resultado pode ser assimilado na íntegra abaixo.

Toxic Behaviours tem data de lançamento agendada para 10 de novembro em formato cassete e digital pelo selo holandês Wave Tension Records e em formato vinil pelo selo alemão Young & Cold Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui



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STREAM: Blind Delon - Chimères


Os Blind Delon regressam este mês com novidades no formato longa-duração que, além dos oito temas exclusivos incluem ainda uma nova mudança no line-up do projeto que agora se cinge ao formato dupla. Em Chimères, o novo passo promissor na carreira, Mathis Kolkoz (voz, guitarra) e Coco Thiburs (baixo, voz secundária) voltam a abraçar as linhas estéticas da synthwave suada, afastando-se dos domínios experimentais que se demarcaram fervorosamente em Discipline. Essa aposta de valência mostrou-se bem carismática logo no primeiro tema "Cigarette", um emaranhado aditivo de caixas de ritmo obtusas e tendências noire, pronto para fazer estremecer as pistas de dança mais alternativas. A energia contagiante das primeiras edições estava de regresso e a vontade de ouvir o álbum na íntegra predominava bem forte.

Cerca de uma semana depois os Blind Delon voltavam a elevar a fasquia com "Elle", o tema de abertura de Chimères, ainda mais potente que o anterior "Cigarette": monocromático, ritmado, seco e docemente vibrante. Chimères envolveu ainda na produção a partcipação de artistas como Cathedrale, Girl Sweat, Paulie Jan e Marius Mermet dos Korto. Ainda na antecipação do álbum esse trabalho colaborativo pôde ser escutado com o mês de agosto em ação e sob a nomenclatura "Sinistrose". Mais fervoroso que "Cigarette" ou "Elle", "Sinistrose (feat. Cathedrale) abria a tendência para suavizar o drama existencial e abraçar a vontade de dançar de forma hedónica. Já a poucos dias do lançamento oficial os Blind Delon trouxeram ao radar "Outrage", uma malha mais industrial influenced, ainda assim embebida pela energia vigorosa que a dupla tão bem tem abordado. Além dos mencionados temas de Chimères forte destaque para faixas como o doce "Mourir Seul" e o denso e etéreo "Noire (feat. Girl Sweet). O disco completo pode escutar-se abaixo.

Chimères foi editado esta sexta-feira (11 de setembro) em formato vinil, CD e digital pelos selos Manic Depression Records e Icy Cold Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O tempo e o espaço dissipam-se no álbum de estreia de Sarnadas



The Hum é o álbum de estreia de Sarnadas em nome próprio. Depois de anos a explorar as interseções do som, da imagem e do espaço enquanto força motriz da disruptiva Favela Discos, o músico portuense – que em tempos respondeu pelo nome de Coelho Radioactivo – atreve-se numa nova aventura a solo em dois discos e mais de quatros horas de música.

Composto por 15 peças de música esparsa, The Hum procura dissipar "o conceito de tempo em nebulosas camadas melódicas díspares", lê-se nas notas oficiais de lançamento, seja pela sucessão sem fim aparente de loops ou pelo "ajuste circunspecto de elementos" que usa para criar ambientes tão rígidos quanto mutáveis. O disco foi gravado ao longo de apenas dois dias com recurso a um único sintetizador de três osciladores, montado e desenhado por Inês Castanheira, uma mesa de mistura e a uma parafernália de pedais.

"B3 S Ildefonso Detail" é o primeiro tema retirado do disco, uma composição de 9 minutos que tanto lembra as atmosferas cintilantes dos Stars of The Lid como a escuta profunda de Pauline Oliveros. O vídeo que o acompanha, com animação do próprio, já pode ser conferido em baixo.

The Hum tem lançamento marcado para o dia 30 de setembro pela Favela Discos em formato físico (em CD duplo) e digital.


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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Lizzy Young antecipa disco de estreia com "Obvious"


A art pop está em voga e Lizzy Young sabe-o muito bem. Só que decidiu agir de forma menos comum ao juntar-lhe um trago óbvio das sonoridades negras, sempre exploradas com afinco pelo underground de vestes negras. O resultado é o dark pop "Obvious" o primeiro tema que antecipa o disco de estreia Coocoo Banana, uma coleção de 10 músicas influenciadas pela pop moderna, recheadas de humor sardónico e embebidas numa poesia com tons lo-fi e batidas delimitadas para entreter. Melancólica, mas sempre com um núcleo esbatido por uma alegria deprimida Lizzy Young, aporta uma essência bastante promissora apesar de inocente e, vagamente, tímida. 

Sendo dos temas mais dinâmicos de Coocoo Banana, "Obvious" é apresentado esta quinta-feira (10 de setembro) em formato audiovisual, num vídeo que conta com a assinatura do duo GFY. Segundo Lizzy Young o vídeo para "Obvious" surgiu de um improviso baseado numa memória de Leonard Cohen e pretende comunicar-se como uma exclamação crua de afirmações óbvias, num cenário farto da sociedade corporativa dos homens brancos. Como os diretores do vídeo afirmam "não é necessário explicar se não fizer sentido". O resultado pode visualizar-se na íntegra abaixo.

Coocoo Banana foi gravado entre Nova Iorque e Brunnen, mixado por Björn Magnusson nos Specter Fix Studios em Brunnen e masterizado por Paul Gold (Salt Mastering) em Nova Iorque. 


Coocoo Banana tem data de lançamento prevista 23 de outubro em formato LP e digital pelo selo GFY. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Coocoo Banana Tracklist:

01. Can't touch can't touch 
02. Coocoo Banana 
03. Elephants 
04. Kill all the men 
05. God is pink 
06. Obvious 
07. Oh! Jupiter 
08. She farts while she walks 
09. This morning I woke up 
10. Squid juice in Hollywood

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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Lula Pena apresenta Archivo Pittoresco no jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto


No próximo dia 12 de setembro, às 18h00, no jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto, Lula Pena apresenta Archivo Pittoresco, concerto que inicia a programação do Linha de Fuga 2020 - Festival e Laboratório Internacional de Artes Performativas. A autora portuguesa apresenta o seu último disco, editado em 2017, que além dos próprios versos de Lula Pena inclui poemas de escritores como Manos Hadjidakis, Violeta Parra e Scutenaire

Linha de Fuga 2020 é a segunda edição de um laboratório de criação e festival internacional, que promove o encontro entre criadores, artistas e pensadores de diferentes origens e a cidade de Coimbra, para repensar o conceito de democracia. Realiza-se entre 12 de setembro e 4 de outubro, em diversos locais da cidade, com uma programação intensa de espetáculos, performances, oficinas, conversas, apresentações de processos artísticos e sessões de crítica em itinerários diversos pelos vários espaços da cidade, reunindo 28 artistas nacionais e estrangeiros.

O concerto tem um custo de 5€ e os bilhetes podem ser adquiridos antecipadamente através da Ticketline, do WhatsApp da Casa das Artes em go.fbb.pt/whatsappcabb ou através do contacto 912 624 531.

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CLAV Live Sessions anunciam programação para o resto do ano


As CLAV Live Session são uma iniciativa da CAISA (Cooperativa de Artes, Intervenção Social e Animação C.R.L) criada em janeiro de 2018, e focam-se essencialmente na programação de concertos de artistas nacionais e internacionais, de todos os géneros musicais. Estas sessões, que se realizam na sede do CLAV - Centro e Laboratório Artístico de Vermil, têm como objetivo a programação regular num espaço situado numa pequena freguesia rural do Município de Guimarães. 

O seu conceito foi inovador em Portugal, dando a oportunidade ao público de assistir a um conjunto de concertos intimistas utilizando como escuta auscultadores de estúdio, para um número de 25 espectadores presenciais. Para além disso, é pioneiro em Portugal também por ser o primeiro projecto de programação nacional no país a utilizar o formato misto para as suas sessões com público, transmissão online (via redes sociais e plataformas de comunicação) e todas as sessões a serem gravadas em vídeo e áudio para pós-produção e, posteriormente, divulgação no site da CAISA. Note-se que no período de confinamento devido à COVID-19, as CLAV Live Session foram o único projeto de programação regular no País que não encerrou, sendo que a única alteração foi a não existência de público no espaço físico.


A temporada do 2º semestre de 2020 já começou há dois meses, com os vimarenenses Unsafe Space Garden. A restante programação para o resto do ano está disponível em baixo.

Progamação do 2º semestre de 2020

- 11 de Setembro: Grutera
- 16 de Outubro: Hot Air Balloon
- 13 de Novembro: Atlantic Percussion Group
- 11 de Dezembro: Spicy Noodles

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Morreu Simeon Coxe, fundador dos seminais Silver Apples



Simeon Coxe, co-fundador dos seminais Silver Apples, faleceu na última terça-feira, dia 8 de setembro, no Alabama, Estados Unidos da América. Na causa da morte estão problemas relacionados com uma doença pulmonar progressiva. Tinha 82 anos.

Nasceu em Knoxville, no Tennessee, em 1938 e fundou o grupo de eletrónica experimental Silver Apples com Danny Taylor no final dos anos 60, depois de uma curta incursão pela The Overland Stage Electric Band. O álbum de estreia, homónimo, chegou em junho de 1968 pela americana Kapp, onde estabeleceu a sua configuração pioneira de sintetizadores composta por nove osciladores de áudio e 96 controladores manuais. Montados em parte a partir de equipamentos descartados da segunda guerra mundial, Coxe veio a apelidar o aparelho de "Simeon".

O lançamento de Contact, um ano depois, valeu-lhes um processo processo judicial da companhia aérea Pan Am (a capa mostra a dupla na cabine de uma nave Pan Am repleta de parafernália e drogas). O disco acabou por ser retirado do mercado e a dupla cessou atividade, retomando o projeto em 1996 sob nova formação. Danny Taylor juntou-se novamente ao grupo em 1998 e, nesse mesmo ano, lançaram o álbum The Garden, composto por material arquivado dos anos 1970. O seu último álbum, Clinging to a Dream, foi lançado em 2016 e contemplou duas apresentações em Portugal, em Lisboa e Braga, no ano seguinte.







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“Um admirável mundo novo”


Os Ghost Hunt apresentaram no passado mês de julho, em Lisboa, o seu segundo álbum - II - encerrando assim o conjunto de sessões Takeover #1, uma parceria do Musicbox e do Teatro São Luiz.

Violeta Azevedo estendeu o tapete sonoro da noite. Com a sua flauta transversal, intercalou momentos de suavidade com outros de exuberância que, numa combinação com o keyboard (uma “verdadeira” orquestra de pedais dirigida por pés descalços), resultaram numa envolvência de paisagens musicais e  num labirinto de ambientes surreais. 

Ao longo da sua performance, o “som é esmagado por processos eletrónicos no limiar do seu propósito, a monofonia da flauta desaparece, a tessitura expande para além do imaginável”. Violeta recria um mundo fantástico de florestas encantadas, mas também de ambientes mais sombrios preenchidos por seres imaginários, fantasmagóricos, criaturas de um outro mundo, onde o bailado das luzes a incidir sobre o palco ajudou a moldar estas visões. 

O planar no mundo de “tapeçarias sonoras” de Violeta (que aposta agora numa carreira a solo, tendo colaborado com músicos como JasmimharaemFilipe SambadoSavage Ohms) foi um magnifico preâmbulo à alquimia musical dos Ghost Hunt


Depois de uma curta pausa, o duo composto por Pedro Chau (baixista dos The Parkinsons) e Pedro Oliveira (ex. Monomoy), posicionaram-se em palco para nos conduzirem, com a velocidade warp da eletrónica dos sintetizadores e do baixo, numa viagem distópica, iludindo o espaço e o tempo com as suas coordenadas sonoras. A impressão que provocam é o de sermos projetados (com esta amalgama acústica) para um filme de ficção científica, com cenários de natureza pós-apocalíptica. 

Depois do primeiro disco homónimo (Lux Records, 2016), os Ghost Hunt trouxeram, ao São Luiz, o II (LOVERS & LOLLYPOPS, 2020), uma “projeção imaginada a ganhar estranha realidade” ou não fossem os tempos que vivemos marcados por vivências de uma estranheza desconfortável, tão distante de qualquer futuro expectável. 

Com “Numbers Station” inicia-se a descolagem. Ouve-se uma voz radiofónica, a partir de uma “estação de números” que emite uma espécie de códigos numéricos, remetendo-nos para o período conspiratório, de “tonalidades cinzentas” e obscuras, do período das duas grandes guerras mundiais e da Guerra Fria. Ao longo da noite o alinhamento foi ditado, quase na integra, pelos temas do último álbum, à exceção de “Red Zone” que encerrou um deambular por um espaço sideral desconhecido, um imaginário cinematográfico de um mundo paralelo, mas que nunca esteve tão próximo da nossa realidade.


A partir das suas fontes de inspiração e influências que vão desde o krautrock, synthpop, post-punk..., os “caça-fantasmas” desenham, com mestria, uma estrutura rítmica repetitiva e hipnótica de sonâncias a devolverem-nos o passado glorioso, não distante, da eletrónica analógica, numa viagem cósmica ao amanhã. 

Os vários temas escutados perspetivam um outro mundo; um mundo preenchido por sonoridades que assentam numa dicotomia que oscila entre atmosferas densas e inabitáveis, e o flutuar num espaço melodioso de grande beleza auditiva e visual. 

À música, Pedro Chau e Pedro Oliveira, aliaram a projeção em tela de imagens espaciais. Este formato multimédia intensificou o ambiente vivido por um público que se deixou conduzir nesta viagem a um “Admirável Mundo Novo” em que, ao longo de quase uma hora, nos foram administradas doses de “soma” mantendo-nos, sempre, num elevado nível de felicidade. E agora?... 


Texto: Armandina Heleno
Fotografia: Virgílio Santos

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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Micachu & The Shapes mudam de nome, anunciam novo álbum



O projeto de pop experimental Micachu & The Shapes está de regresso sob um novo nome e formação. A banda da cantora-compositora Mica Levi chama-se agora Good Sad Happy Bad – o mesmo título do último disco dos Micachu & The Shapes, datado de 2015 – e tem novo álbum à vista: Shades é o primeiro lançamento do grupo sob esta nova designação e o seu primeiro tema, homónimo, já se encontra disponível.

Para além da rebatização do grupo, também a formação sofreu algumas alterações: Raisa Khan, que se encarregava originalmente dos teclados, passou a assumir as vozes principais, substituindo a posição de Mica Levi, que agora se limita à guitarra e vozes ocasionais. Mark Pell mantém a sua posição como percussionista e CJ Calderwood, a mais recente entrada na formação, junta-se como multi-instrumentista.

Durante o silêncio criativo do grupo, Mica Levi levou a cabo uma respeitada carreira a solo como compositora, editando várias obras em nome próprio para filmes e documentários. Em 2016, compôs a banda sonora de Jackie, do realizador Pablo Larraín, tendo sido nomeada para o Óscar de Melhor Banda Sonora Original no ano seguinte. Já este ano, Levi escreveu a trilha para uma nova curta-metragem da conceituada fotógrafa Nan Goldin.

Shades sai no próximo dia 16 de outubro pela editora francesa Textile. O vídeo para a faixa-título, realizado por Tony Harewood, pode ser conferido em baixo.




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Cinco Discos, Cinco Críticas #60


O mês de agosto é o mês preferencial de férias, de descanso, para relaxar na praia, contemplar as florestas e os rios. É também um mês em que geralmente abunda a disponibilidade para atualizar as nossas bibliotecas musicais, explorar novos lançamentos e géneros, reouvir clássicos. 

Na 60ª edição do Cinco Discos, Cinco Críticas reunimos apreciações dos mais recentes trabalhos de Crush Of Souls - Bad Trip (2020, Third Coming Records), Sreya - Cãezinha Gatinha (2020, Maternidade), Pain of Salvation - Panther (2020, InsideOut Music), A.G. Cook - 7G (2020, PC Music) e Gator, The Alligator - Mythical Super Bubble (2020, edição de autor).

Nesta edição marcada pelo ecletismo, tanto podemos conviver com a pop inovadora e pegajosa, como ao mesmo tempo sentir o peso da progressividade metaleira, degustar um pouco de experimentação ruidosa e selvagem e ainda dançar ao som do típico rock garageiro. O cardápio é vasto e cabe-vos decidir o que querem tomar. 


Bad Trip | Third Coming Records | julho de 2020

7.0/10

O verão já se instalava de forma ténue pela Europa quando Crush Of Souls, o novo projeto criativo de Charles Rowell (Crocodiles, Flowers of Evil, Issue...), anunciava a sua estreia em formato curta duração na alçada da produtiva Third Coming Records. Intitulado Bad Trip, o disco - que nasceu de uma mudança geográfica na vida de Charles Rowell e o impacto fértil que resultou dessa modificação de espaço – começou por ser anunciado com o lançamento de "Pain & Ecstasy" um retrato da decadência e estética experimental que vigorariam em força no novo trabalho. Essa construção ruidosa resultante de feedbacks perturbantes, guitarras arrojadas e sintetizadores propulsivos embebe neste trabalho uma linha estética selvagem que, conjugada entre os mundos do art-rock, darkwave, post-punk, e/ou noise, alcança uma atmosfera sonora a trazer à memória o estilo único dos lendários Alien Sex Fiend.
Paris proporcionou sem dúvidas uma nova palete sonora e uma perspetiva experimental ao trabalho que Charles Rowell nos tinha mostrado desde então. Essa sensação emana logo nos primeiros minutos de Bad Trip presentes na abertura sci-fi em “Time Worm”, onde um saxofone sem rumo nos presenteia uma imensidão de prazer a relembrar um pouco do que os Niechęć consolidaram no seu segundo disco de estúdio. Segue-se um rock selvático de entranhas decadentes presente em “Kick”, “Pain & Ecstasy” e, mais tarde no homónimo “Bad Trip” e ainda uma pausa futurista com “Dog Bitten Cross”. Na abordagem explorativa encontramos, por fim, “Confusion”, uma amálgama sonora brejeira influenciada pela novo escola do techno underground europeu.
Ainda em modo revelação e de procura por um rumo singular, Bad Trip é um EP bastante diversificado e de abordagem criativa que possivelmente dará luz a um futuro de matéria consolidada e influente. Até lá, fica a amostra.
Sónia Felizardo



Cãezinha Gatinha | Maternidade | julho 2020

8.0/10

Cãezinha Gatinha é um disco feito de opostos. O segundo álbum de Rita Moreira, que responde pelo nome artístico de Sreya, foi escrito entre a República Checa, onde residiu durante oito meses, e a cidade de Lisboa, onde vive desde de sempre. É a partir deste contraste de climas e geografias – entre os invernos frios da Europa Central e o calor prazenteiro da capital portuguesa – que a cantora parte para uma aventura contagiante contada a partir de duas narrativas distintas: a cãezinha e a gatinha, o frio e o calor. 
Se na primeira metade somos assombrados pelos fantasmas de uma experiência furada, feita de amores e caminhos desalinhados, na segunda somos projetados para um processo revigorante de redescoberta pessoal que abre com a agitação eletrónica de “Canção do Desapego” (há traços de B Fachada na produção de Bejaflor) e avança para a energia de “Calma Coração”, aqui a representar a essência felina da Sreya renovada.
E se estes dois lados representam a dualidade inverno/verão, a canção “Iceberg […]”, que se situa entre os dois, representa o clima incerto da primavera, entre as chuvas de abril e os dias ventosos de maio. É uma canção grande feita de pequenos nadas – como são as de Maria Reis e Sallim – que expurga as mágoas do passado para iniciar um novo e  necessário ciclo de aceitação.
Filipe Costa



Panther | InsideOut Music | agosto de 2020

7.3 / 10

Os veteranos suecos da música progressiva mais pesada Pain of Salvation lançam o seu décimo-primeiro álbum, Panther, pela InsideOut Music. A banda é conhecida por dar uns twists comedidos mas substanciais a cada novo álbum na sua fórmula musical de metal/rock progressivo (com as polirritmias, variações soft/hard e síncopes da praxe) com um certo cariz alternativo ali no meio, que são por sua vez canalizadas por uma considerável carga emocional - cortesia do seu vocalista e mastermind Daniel Gildenlow. Neste álbum, composto ao todo por oito faixas, a banda tomou uma direção um bocado mais esotérica e mais virada para a eletrónica. Há que dar crédito a banda, que parece aqui estar a dar o litro para a fórmula resultar. Mas no seu todo, há uma ou outra fava que não acrescenta grande coisa ao alinhamento, como os esquecíveis “Restless Boy” e “Fur”, ou a  “Keen to a Fault” cuja única distinção é o seu refrão pujante (o tema-título, apesar de forte, também conta com o seu rap manhoso no início), e as letras - que evocam temas como empoderamento mas geralmente acabam por ser pouco inspiradas - também não ajudam ao caso. Todavia, quando o álbum se torna bom, torna-se bastante bom (pelo menos, instrumentalmente) como no início de álbum bastante empolgante em “Accelerator”, a vibe mais obscura adequada a uma faixa chamada “Unfuture”, “Wait” e “Icon” a serem discutivelmente as faixas mais proggy do alinhamento, e “Species” a demonstrar uma alma característica com instrumentação acústica mais presente. Em conclusão, é um álbum inconsistente, provavelmente resultante da sua própria ambição e de não conseguir cumpri-la em pleno, mas tem os seus momentos bastante aprazíveis que demonstram a vontade constante da banda em evoluir o seu som da maneira que bem lhe convier. 
Ruben Leite



7G | PC Music | agosto de 2020

8.0/10

Produtor, compositor, fundador da editora PC Music e colaborador de Charli XCX, Hannah Diamond e Jónsi, A. G. Cook foi um dos principais propulsores da música pop e eletrónica mais inovadora dos últimos anos. Após ocupar um papel importante, mas fora de foco em diversos discos, lançou finalmente o seu álbum de estreia, 7G. Composto por 49 faixas divididas em 7 partes, este é um showcase dos talentos e polivalência de A. G. Cook, que aborda diferentes géneros musicais e sonoridades em cada secção do disco. O nome de cada uma das 7 partes corresponde ao seu instrumento principal: Drums, Guitar, Supersaw, Piano, Nord, Spoken Word e Extreme Vocals. 
Com quase 3 horas de duração, 7G tem muito para oferecer a ouvintes com variados gostos musicais. Vai do minimalismo da música ambiente ao caos e rapidez do drill 'n' bass, passando por IDM, glitch, pop, bubblegum bass e até música clássica (em “Waldhammer”). Na secção focada em guitarras há espaço para inesperadas canções intimistas que remetem para o indie folk ou o rock alternativo, destacando-se nessa faceta “Being Harsh”, cuja sonoridade faz lembrar Alex G. A tracklist integra maioritariamente composições originais, mas há espaço para uma série de interpretações de temas de Blur, Taylor Swift, The Strokes e The Smashing Pumpkins, entre outros.
7G resume as explorações sonoras que A. G. Cook tem realizado ao longo dos últimos anos, mas este continua a trabalhar e o lançamento do segundo álbum, Apple, é já no próximo dia 18 de setembro.
Rui Santos



Mythical Super Bubble | edição de autor | setembro de 2020

7.5/10

Os Gator, The Alligator são quatro rapazes de Barcelos, Eduardo da Floresta, Ricardo Tomé, Filipe Ferreira e Tiago Martins, e trazem consigo boas doses de fuzz e garage rock de tonalidades psicadélicas. Já foi assim em 2018 quando Gator, o jacaré hiperativo, nos presentou com Life is Boring, retratando os dilemas e emoções mais comuns do dia-a-dia, o medo, o amor, a raiva, o aborrecimento, as conquistas, as derrotas. 
Num ano mais complicado para todos nós e para o Gator, em que poucas foram as oportunidades de viajar e de conhecer novas realidades como ele tanto queria, foi altura de se reinventar e procurar alternativas. Surgiu assim Mythical Super Bubble, uma jornada em formato quest, que põe de lado as questões que regem a vida e assume uma dimensão cósmica e utópica.
Mythical Super Bubble apresenta-se com oito faixas curtas repletas de eletricidade. Os primeiros três temas “Pact”, o single “Feral Rush” e WShiny Endless Glow” parecem pertencer ao mesmo universo sonoro, com transições bem fluídas, quase como só estivesse a ser interpretada uma única canção. Depois do ritmo frenético inicial, é nos possível recuperar o fôlego com os minutos iniciais de “Gumba Lumba World”, a canção que mais faz jus à temática aventureira que abunda neste trabalho. Mas como este disco não foi feito para descansar as pernas, as descargas atingem valores máximos em temas como “Strikes and Gutters” e “Burst”.  
Mythical Super Bubble é um bom disco de rock cru e energético, especialmente recomendável àqueles que já há muito não põe os pés num concerto para dançar. O lançamento está agendado para o final do mês.
Rui Gameiro

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Lisboa ao Palco | 20 concertos | 10 noites


É já no próximo sábado, 11 de setembro, que David Fonseca e Joana Espadinha dão início ao ciclo de concertos de “Lisboa ao Palco”, que junta em cartaz vários artistas como os GNR, Moonspell, Pedro Abrunhosa, entre outros.

Serão 20 concertos, 10 noites (de 11 de setembro a 4 de outubro), a terem lugar na Quinta da Alfarrobeira, em São Domingos de Benfica, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Lisboa e EGEAC, com o apoio da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica e a produção da Sons em Trânsito e da Tejo Music Lab, com o objetivo de assinalar o regresso aos palcos e celebrar a riqueza e diversidade da música portuguesa. 

A Quinta da Alfarrobeira, local emblemático que após 3 séculos da sua construção viria a transformar-se num espaço que pretende reunir e aproximar os cidadãos ao poder local, dando corpo a uma intervenção política, sociocultural muito mais direta e próxima das pessoas, acolhe o evento que terá uma lotação máxima de 600 lugares sentados, em conformidade com as normas de distanciamento social, higiene e segurança enunciadas pela Direção Geral de Saúde. 

Os bilhetes para os vários concertos encontram-se à venda, pelo preço de 15€ (por noite), na Blueticket, nos locais habituais e no recinto, nos dias de espetáculo às 19h00 e aos domingos às 17h30. 

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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Fotogaleria: José Pedro Pinto apresenta Fontellum + Cine-concerto Surdina de Rodrigo Areias musicado por Tó Trips [Karma is not a FEST, Viseu]


Neste ano de crise pandémica à escala mundial, a cooperativa cultural Carmo'81 voltou a organizar o Karma is not a FEST em Viseu, num esforço de contrariar a centralização da oferta cultural e preenchendo assim parte da lacuna criada pelo cancelamento dos festivais de verão. Tendo este ano como palco a centenária Mata do Fontelo em Viseu, esta edição do Karma será a sua primeira produção exclusivamente fora das portas do Carmo´81 e em nome próprio. Entre os dias 27 de agosto e 17 de setembro, a programação irá desdobrar-se entre os sons, histórias, paisagens e música na Mata do Fontelo através de 11 concertos, 1 cine-concerto, 4 criações artísticas, 4 conversas e 4 caminhadas, combinando eventos in loco e conteúdos disponíveis exclusivamente online. 

Na segunda noite de concertos, o multi-instrumentista José Pedro Pinto apresentou ao vivo e a público o ináudito Fontellum, uma peça sonora que ele compôs para dar resposta a uma encomenda do Carmo'81 para esta edição do Karma. Seguiu-se a exibição da película Surdina de Rodrigo Areias, a qual foi musicada ao vivo por Tó Trips, atual guitarrista da dupla Dead Combo.


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The Dirty Coal Train voltam como Dirty Coltrane e anunciam novo disco


Depois de um álbum duplo cheio de convidados (Portuguese Freakshow), e um álbum em trio gravado "ao vivo em estúdio" no Brasil (Primitive), os The Dirty Coal Train voltam a baralhar e a dar cartas novamente. Desta vez, assinam o disco novo como Dirty Coltrane, tal como faziam no início da banda, voltam a esta assinatura no ano em que celebram 10 anos de projecto. Depois parece que reduziram os convidados nas gravações para centrar grande parte da instrumentação no duo Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues

O disco abre com um "I'm a one-trick-pony with a broken leg", como quem avisa e assume que o núcleo duro dos temas é o habitual garage com a energia e fórmula do punk. Mas ao invés de serem "antiquados", a banda tem no disco lugar para coisas "fora da caixa" como também é costume. São exemplo disso as escolhas de covers no Volume I: um tema freefazz de Ornette Coleman e uma versão para um tema dos DeCanja, a primeira banda onde Ricardo e Beatriz tocaram juntos, no qual convidaram a vocalista original da banda Miss Volatile para cantar e Pete Beat dos Act Ups para a bateria. Mas não se enganem, este Volume I é punk e "rock sem merdas" típico do duo. Mesmo a versão de Ornette Coleman deve tanto ao saxofonista e a Sun Ra como aos Stooges e aos MC5.

Capa do Volume I
Já o Volume II parece funcionar como o "Lado B" da moeda. Não o típico lado das sobras mas sim um local onde o duo pensou "Ok, aqui temos carta branca para expandirmos ainda mais o que nos der na telha". O tema de abertura "Millennial Kid" é um garage punk de nove minutos sobre fake news e manipulação de opinião pública. O tema "Indian heart" é um poema da escola Captain Beefheart lido em cima de uma manta de sons à-la Morton Subotnick. Ninguém reconheceria os Dirty por este som mas, no entanto, para quem tem seguido o trabalho do duo também não é uma experiência de todo estranha. Engraçado que talvez as sonoridades mais atípicas deles sejam nas novas versões para dois temas da primeira demo tape (gravada a solo por Ricardo), em ambas acompanhados pelo violino de Maria Côrte: "Waltz" e "The Neurotic Bartender". 

Capa do Volume II
Dirty Coltrane Volume I e II vai ser editado por uma edição em LP de vinil + CD ou uma edição limitada em LP de Vinil + cassete. O primeiro single de avanço a este álbum, "One Trick Pony", está disponível para audição em baixo.

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Jan Garbarek e China Moses no 46º Festival Internacional de Música de Espinho



A 46.ª edição do Festival Internacional de Música de Espinho arranca no próximo dia 25 de setembro e traz à cidade sete concertos. O saxofonista Jan Garbareck e a cantora soul China Moses são alguns dos destaques do evento que este ano decorre num período mais espaçado do que o habitual, entre setembro e dezembro.

Com epicentro no auditório da Academia de Música de Espinho, o programa arranca com um concerto da Orquestra Clássica de Espinho com o pianista espanhol Javier Perianes, a 25 de Setembro, num espetáculo que assinala os 250 anos do nascimento de Ludwig van Beethoven.

A intérprete e apresentadora televisiva China Moses, apontada como estrela em ascensão no panorama norte-americano, irá percorrer diversos estilos da música negra americana no dia 2 de outubro. A acompanhar a americana estará a Orquestra de Jazz de Espinho, conduzida por Daniel Dias e Paulo Perfeito.

A 30 de Outubro, os colectivos portugueses FIME Ensemble e Drumming GP, com solos de percussão de Miquel Bernat, irão explorar a obra Music for 18 Musicians, do compositor minimalista americano Steve Reich.

Já o norueguês Jan Garbarek, que actuará a 21 de novembro com o percussionista indiano Trilok Gurtu, propõe um espetáculo que antecipa elementos de improvisação livre e música tradicional escandinava. No mesmo dia, os italianos Théo Ceccaldi e Roberto Negro apresentam um espetáculo para violoncelo e piano.

A 46ª edição do FIME acolhe ainda dois concertos de música barroca na Igreja Matriz de Espinho. A 1 de outubro, o colectivo francês Le Poème Harmonique explora os Ofícios das Trevas e, a 6 de dezembro, o grupo Le Banquet Céleste, composto a soprano Céline Scheen, o contratenor Damien Guillon, o tenor Thomas Hobbs e o baixo Benoît Arnould, protagonizará "três das cantatas de Natal de Bach", explica o presidente do conselho directivo da Academia Alexandre Santos.




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