sexta-feira, 9 de outubro de 2020

ZigurFest divulga últimas confirmações

ZigurFest divulga últimas confirmações para esta edição

Clothilde e Angélica Salvi (31 de outubro), Gabriel Ferrandini e HHY & The Macumbas (28 de novembro), Spectrum Awareness e Plant Floor Continuum (19 de Dezembro) fecham o cartaz de uma edição muito especial do ZigurFest

Depois de duas sessões ao ritmo dos 10 000 Russos, David Bruno e sua trupe, Arianna Casellas e Luís Fernandes + Joana Gama, Lamego prepara-se para receber mais oito concertos que reflectem a boa saúde da música nacional num contexto tão particular e inédito como este.

Segue-se no dia 31 de outubro a intrépida Clothilde (aka Sofia Mestre), exploradora de maquinaria vária e sintetizadores modulares caseiros no Museu de Lamego. No mesmo dia, apresenta-se Angélica Salvi (Sé de Lamego), harpista que tem na música erudita um ponto de partida para criar novos e fantásticos mundos de geografias mais distantes.


Já a 28 de novembro, as Volúpias de Gabriel Ferrandini (com Pedro Sousa e Hernâni Faustino) estreiam-se no ZigurFest em espaço a anunciar, com o seu jazz aveludado e bem noir, num exercício fulcral para perceber o presente e futuro da música improvisada feita neste burgo. Seguem-se os HHY & The Macumbas, autores do concerto mais alto de sempre na história do ZigurFest e que voltam a subir ao palco do Teatro Ribeiro Conceição. Uma repetição há muito esperada e que será certamente influenciada pela estadia prolongada de Jonathan Saldanha no Uganda na primeira metade deste ano.


A última sessão do festival faz-se com gente da casa. O dia começa com os Spectrum Awareness de João Pedro Fonseca, Inês Carincur e João Valinho, trio que une a música, as artes plásticas e performativas, num reflexo de “um impulso para forçar, misturar ou romper fronteiras estéticas e fazer desse próprio exercício de ensaio o resultado da criação” - palavras certeiras de Manuel Bogalheiro, perfeitas para adensar o mistério a revelar dia 19 de dezembro em local a anunciar.

O ZigurFest encerra finalmente com Plant Floor Continuum. Surgido a partir de um convite do festival e desenvolvido num período de residência em Lamego, esta peça junta os músicos de Sal Grosso Trio com os bailarinos da companhia de dança Busca Pólo e o artista multimédia Diogo Tudela a explorar diferentes conceitos como movimento, repetição e catarse. Mistério é a palavra de ordem, com a promessa de que será revelado no palco TRC, no dia 19 de Dezembro. 

Como sempre os bilhetes são gratuitos, devendo a sua reserva ser feita no site oficial do festival, através do email bilheteira. trc@cm-lamego.pt, ou pelos telefones 254 600 070 e 962 116 119. A lotação é limitada e todos os espectáculos seguem as mais recentes recomendações e orientações da DGS.

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Spencer Clark apresenta espetáculo no MAAT


Spencer Clark, membro dos The Skaters e de tantos outros projetos com James Ferraro, parceiro de crime por excelência, está de regresso a Portugal para uma performance a acontecer esta sexta-feira, dia 9 de outubro, no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa.  

O concerto do músico norte-americano encontra-se inserido no âmbito das Time Capsules, série sequencial de propostas curatoriais de som com curadoria de Gonçalo F. Cardoso, da editora discográfica Discrepant, que exploram os temas das "Realidades Alternativas e das Tradições Atípicas".   

“Maravilhas do Quarto Mundo” é o mote da terceira de quatro sessões de concertos, onde já atuaram nomes como Niagara, Ondness e Folclore Impressionista, e explora as possibilidades quarto-mundistas – formuladas pelo trompetista americano Jon Hassell – enquanto impulsionadoras “de um mundo sonoro em eterna mutação”.  

Assim, Clark é convidado a apresentar o seu mais recente álbum, Avatar Blue, uma “odisseia pró-planeta Terra sobre o oceano” que é também banda-sonora para a sequela imaginária do filme Avatar, de James Cameron.  O concerto acontece pelas 19h, no palco da intervenção arquitetónica Beeline, e conta com a primeira parte de Lagoss, o novo projeto de Gonçalo F. Cardoso (Gonzo, Visions Congo, Papillon, Prophetas) com os espanhóis Tupperwear (Mladen Kurajica e Dani Tupper).

As Sound Capsules começaram em julho e estendem-se até novembro, com atuações de People Like Us e Porest.


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SHANGE é o Prato do Dia de hoje do Hard Club

SHANGE é o Prato do Dia de hoje do Hard Club

O Prato do Dia de hoje é SHANGE, nome artístico de Gonçalo Lemos que marca o início do seu percurso no mundo da música eletrónica.

Após um trajeto enriquecedor por vários projetos e sonoridades diferentes, SHANGE desvenda uma viagem pelo techno, glitch e IDM com uma abordagem muito própria. Influenciado por nomes como Floating Points, Aphex Twin e Objekt, "EMBRYO", "HEADSPACE" e "headpsace REMIXED" são os seus mais recentes lançamentos com o selo da editora Chilli Pepper Fields.

O Prato do Dia é servido todas as sextas e sábados de outubro, na Sala 2, do Hard Club. A entrada é livre. Não há reservas, a entrada é feita consoante a hora de chegada, as mesas são de quatro lugares. Mais informação sobre o evento aqui.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Abul Mogard, Lucrecia Dalt e Kali Malone na agenda do bimestre novembro-dezembro do gnration

  Abul Mogard, Lucrecia Dalt e Kali Malone na agenda do gnration para novembro e dezembro


Abul MogardKali Malone e Lucrecia Dalt são os três grandes destaques do plano internacional de música do bimestre novembro-dezembro do gnration. Já na música nacional o destaque vai para Três Tristes Tigres, a apresentar o mais recente e aclamado Mínima LuzCláudia Guerreiro e Filho da Mãe, com um espetáculo audiovisual desenvolvido em contexto de residência artística, e a quinta edição do OCUPA, mostra de música eletrónica e arte digital de Braga que este ano contará com Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e o cineasta Rodrigo Areias como coordenadores das sessões de exploração e improvisação.

Lucrecia Dalt regressa ao gnration em novembro, dia 7, depois de por lá se ter estreado em noite partilhada com os Pere Ubu, de David Thomas, em 2014. No era sólida, o seu novo disco, saiu no passado mês de setembro pela americana RVNG e apresenta Lucrecia Dalt numa busca por um caminho mais introspetivo, baseando-se num alter-ego fictício, Lia, que tem neste trabalho o primeiro ponto de encontro com a produtora-compositora colombiana. 

A 18 de novembro, a compositora norte-americana Kali Malone marca a sua estreia em Braga. The Sacrificial Code, o seu mais recente álbum, é um trabalho monolítico de duas horas composto por longas peças tocadas em orgão de tubos, e um dos mais admiráveis lançamentos de 2019, tendo sido considerado como o melhor desse ano para a inglesa BoomkatA convite da Galeria Zé dos Bois, a artista sediada em Estocolmo atuará no dia seguinte, a 19 de novembro, na Igreja de St. George, em Lisboa. 


Três dias depois, a 21 de novembro, os Três Tristes Tigres, de Ana Deus e Alexandre Soares, levará a palco uma das primeiras apresentações ao vivo de Mínima Luz, disco que quebra um jejum com mais de duas décadas. Cláudia Guerreiro, ilustradora, escultora e baixista nos Linda Martini, junta-se ao marido e músico, Rui Carvalho, que responde pelo nome Filho da Mãe, para uma residência artística e apresentação pública – a acontecer no dia 28 de novembro – do espetáculo audiovisual “A Azenha”, inspirado no escultor e artista modernista Jorge Vieira.

Apontado como o maior enigma na atualidade da música eletrónica sintetizada, Abul Mogard apresenta-se no gnration no dia 4 de dezembro. Depois de uma primeira apresentação em Viseu, aquando da última edição dos Jardins Efémeros, em 2018, o músico e compositor sérvio regressa a Portugal para uma digressão resultante de uma parceria com o festival Madeira Dig

Nos dias 18 e 19 de dezembro, a quinta edição da mostra de música eletrónica e arte digital OCUPA volta a fechar o ano no gnration. A primeira noite será destinada à apresentação pública do Clube de Inverno, que este ano é coordenado pelo músico Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) e pelo cineasta Rodrigo AreiasJá no segundo dia, a relação entre som e imagem em movimento será discutida ao longo de dois painéis de conversas que vão contar com Paulo Furtado , Rodrigo Areias , Fernando José Pereira e Ana Deus, com moderações a cargo de Daniel Ribas e Vítor Ribeiro. Na música, Inês Malheiro e Gonçalo Penas vão apresentar “Canal – Conduto”, disco e performance resultante de encomenda artística do gnration, e Haarvöl, coletivo de música experimental e eletrónica composto por Fernando José Pereira, João Faria e Rui Manuel Vieira, vão musicar “O Gabinete de Dr. Caligari”, filme mudo de 1920 do cineasta alemão Robert Wiene.

O programa completo pode ser consultado em www.gnration.pt e os bilhetes para o bimestre nov-dez podem já ser adquiridos em bol.pt, balcão gnration e locais habituais.

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Editora Weathervane Records lança nova compilação

Editora Weathervane Recs lança nova compilação

A quarta compilação em seis meses de existência da editora Weathervane Records apresenta uma selecção de faixas sob a etiqueta de ambient. Fazendo juz à multiplicidade de interpretações possíveis deste termo, as faixas incluídas exploram tanto seu o lado tradicionalmente mais leve, como também o seu lado mais escuro, inspirado em sonoridades industriais e ecos de música de dança, passando por paisagens quase cinemáticas que este género permite.

São 12 os produtores incluídos neste lançamento, em total provenientes de 5 países: Portugal, Brasil, Polónia, Estados Unidos e Japão, unidos pela curadoria de Oströl.

Sem concertos agendados durante muito tempo este ano, a forma principal de partilhar conhecimento e criar laços intracomunitários perdeu-se, e a primeira compilação da Weathervane Records surgiu em função disso mesmo, mantendo músicos motivados para continuar a explorar o que melhor fazem. Paralelo ao desenvolvimento da editora, também o programa Weathervane na Threads Radio* partilha a ethos de partilha e abertura da comunidade musical, juntando músicos da comunidade underground, expondo processos creativos em conversa e em jam sessions com o host e fundador da editora, Oströl.

A editora reverte lucros de vendas de álbuns para causas solidárias, apoiando indivíduos na indústria da música e contribuindo para a Cantina da Cooperativa MULA do Barreiro. A capa é da autoria de Malgorzata Stryjek. A masterização das faixas é de Tomás Frazer.

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[Review] Joji - Nectar

Joji Nectar Review

Nectar // 88rising // setembro de 2020 
7.0/10 

Nectar é o segundo álbum de Joji, um artista nipónico-australiano que tem dado nas vistas no setor mais mainstream da indústria musical, após ter lançado o seu primeiro álbum - Ballads 1 - que contou com hits como “Test Drive” e “Slow Dancing in the Dark”. Porém, apesar dos seus destaques, esse álbum de estreia não passou de uma exposição de um Joji que, apesar de possuir as ideias certas, não sabia exatamente como pô-las em prática e em contexto de longa-duração. Por isso, ficou a pairar pelo ar um sentimento agridoce, junto de uma esperança de que o seu sucessor demonstrasse uma maturidade sonora e uma melhor organização de ideias. 

Ora, ao longo de 2019 e 2020, Joji foi lançando os singles de Nectar: “Sanctuary”, “Run”, “Gimme Love” e “Daylight”. Estas quatro faixas deixaram uma esperança imensa de que este segundo álbum pudesse ser algo de especial. Afinal, são canções cinematicamente melodramáticas que, se bem-postas e acompanhadas pelas peças de puzzle certas, poderiam ser uma das chaves para um dos melhores álbuns comerciais de 2020. Contudo, com o lançamento do LP, apercebo-me que o seu problema não é exatamente o mesmo do seu antecessor, isto é, Ballads 1 sofria de uma falta de química extrema dentro da tracklist e da presença de imensas faixas que deveriam ser mais trabalhadas antes de verem a luz do dia, deixando somente os singles (especialmente “Slow Dancing in the Dark”) para a memória coletiva de longo-prazo. Foi um álbum curto, mas imensamente incompleto.

Por seu lado, Nectar extendeu-se mais do que devia, deixando na tracklist final algumas faixas que saíram do forno ainda semi-cruas. Canções como “Ew”, “High Hopes” e “Normal People” estão apenas a atrapalhar a experiência, impedindo-a de ser tão completa e bem realizada quanto poderia ser. Além disso, existem faixas que parecem fazer competição umas com as outras. Tomemos como exemplo “Ew” e “MODUS”: ambas têm um sentimento de introdução de álbum, deixando fluir o primeiro ato do mesmo muito mais do que deveria. Com a exclusão de “Ew”, “MODUS” poderia servir esplendidamente como faixa de introdução, deixando o primeiro ato morrer na altura certa e passar para “Tick Tok”, uma canção imensamente impactante e esmagadora que serve como transição para uma secção mais movimentada, orelhuda e cinemática da obra (que, curiosamente, consiste essencialmente nos quatro singles apresentados anteriormente). 


Todavia, se não fosse a presença de peças de puzzle desnecessárias, Nectar seria um álbum exemplar dentro do mainstream de 2020. Afinal, vemos nele grandes destaques: além dos quatro singles e de “Tick Tock”, podemos também encontrar na tracklist pérolas como “Pretty Boy”, com as suas influências de Trap acompanhadas por uma presença fenomenal de Lil Yachty; “777”, que vai buscar o 8-bit e mistura-o com o R&B contemporâneo, criando uma onda sonora bastante retro-modernista; e “Afterthought”, com a excelente química vocal entre Joji e Benee. No entanto, estes destaques não salvam por completo a saturação sonora e lírica que o LP acaba por ter, devido à existência de faixas prescindíveis. 

No fundo, Nectar é uma experiência que – apesar das suas desvirtudes - vale a pena. Vemos uma melhor organização de ideias por parte de Joji, já para não falar da sua maturidade sonora. Além disso, podemos tirar daqui uma mão cheia de faixas que poderão ficar para a memória coletiva a longo-prazo, apimentando a discografia do artista. Já lá vai o tempo do Filthy Frank, mas a criatividade de George Miller continua bastante acesa, apenas com um nome diferente e com potencial de se desenvolver de uma forma bastante interessante.


Texto escrito por João Pedro Antunes

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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

funcionário edita novo álbum, Shichishito, pela turva


Shichishito é o mais recente trabalho de funcionário, alter-ego do produtor Pedro Tavares focado "na expressão da vida quotidiana e de todas as suas facetas", como detalha a recém-criada editora turva que sela este lançamento. 

O álbum, que retira o seu título ao artefacto cerimonial japonês com o mesmo nome, é composto por 12 temas inéditos e afasta-se do anterior Gaiden, de 2019, e do seu antecessor Aegis Um, de 2018, "pelos seus apontamentos vigorosos e pelas paisagens mais fluídas e orgânicas", que o produtor aplica em refinadas tramas de abstração eletrónica ambiental. 

"Apesar desta caracterização distinta no universo de cada álbum", explica ainda a editora em comunicado, "existe uma forte ligação entre eles, uma relação quase que simbiótica entre a espada “Shichishito”, o escudo "Aegis Um" e a side story "Gaiden". As diferentes abordagens entre cada um destes lançamentos confluem no traçado contínuo que compõe o grande arco desta história, diluíndo as fronteiras entre instrumentação e sampling num registo "sereno e ponderativo".

Masterizado por Benjamim Castanheira, Shichishito encontra-se disponível a partir desta quarta-feira, dia 7 de outubro, em formato digital e físico (edição limitada em CD). A capa recebe a assinatura de Pedro Tinôco nos desenhos e de Daniel Martins (AALTAR System) no design.

Em julho, a Turva estreou-se nas edições com o seu primeiro lançamento, TRV001, que reúniu oito temas de oito artistas diferentes. 


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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Old Jerusalem atua no Understage em dezembro


O projecto Old Jerusalem iniciou actividade em meados de 2001, tendo gravado um registo de apresentação em dezembro desse ano em conjunto com os Alla Polacca. Este registo de estreia do projecto marca também o início da actividade pública de Francisco Silva – o mentor da banda – enquanto escritor de canções.

Depois de alguns concertos e de participações em várias compilações, o projecto Old Jerusalem lançou em janeiro de 2003 o álbum de estreia, April, produzido por Paulo Miranda e editado pela saudosa Bor Land. Desde aí Old Jerusalem tem mantido um nível de actividade regular, entre concertos, edição de novos registos e colaborações com outros artistas, não só como músico/intérprete (The Unplayable Sofa Guitar, Green Machine, The Neon Road, entre outros), mas também como autor, tendo desenvolvido a este título trabalho com artistas tão diversos quanto Carlos Bica, Bernardo Sassetti, Blind Zero, Mandrágora, Kubik ou Krake.

Este concerto no Understage a 12 de dezembro, organizado pela Amplificasom, abre um novo ciclo na vida do projecto, servindo de antevisão a um novo álbum – o oitavo de Old Jerusalem – a ser editado em fevereiro de 2021 e com distribuição assegurada via Sony Music. O disco, intitulado Certain Rivers e misturado por Chuck Zwicky, conta com a colaboração de Peter Broderick, que dá voz ao single de apresentação, “High High Up that Hill”. Mais informações sobre o evento aqui.


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'Killing Of' é o nome do novo trabalho dos Sensor


Killing Of é o nome do primeiro registo editado em formato físico dos Sensor. Este novo trabalho foi gravado por João Guimarães e tem grafismo por Micaela Amaral (Amplifest, Mécanosphere, etc.). 

Sensor (Rafael Fernandes, Sigmund Snopek IV, Raul Silva e André Coelho) é um coletivo de improvisação sonora a partir dos detritos fragmentários de algumas das expressões musicais marginais da segunda metade do século (deep roots jazz, metal industrial e alt-rock), cristalizado num diálogo precário e instável entre vozes instrumentais de guitarra, saxofone, bateria e electrónicas. 

A música de Sensor é o resultado de um processo essencialmente performático suportado na intenção de criação de um fluxo transmissivo de sons e imagens, com o objectivo último, e sempre altamente imprevisível, da descoberta de entendimentos e emoções consensuais dentro de paisagens-limite.

Para adquirirem este novo CD basta enviar um mail para sensorstimulus@gmail.com. Entretanto, podem conhecer outros registos da banda aqui.

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Cinco Discos, Cinco Críticas #61

 

Cinco Discos Cinco Críticas 61

Com o pé assente no último trimestre do ano começamos a selecionar os discos que marcaram este menos pomposo 2020, enquanto vamos explorando novo material. Com algumas edições agendadas para o final do mês já a dar que falar, fazemos um apanhado dos lançamentos que pautaram o mês de setembro e daqueles que já deram à costa nestes primeiros dias de outubro. 

Dos trabalhos que rodaram na nossa playlist segue assim destaque para os novos discos de Pet Shimmers - Trash Earthers (2020, self-released); Oh Sees - Protean Threat (2020, Castle Face Records); Bonifácio - Hanami (2020, Regulator Records); EartheaterPhoenix: Flames Are Dew Upon My Skin (2020, PAN); e, por fim, French Police - "Feo / Craving You" (2020, Icy Cold Records).

As opiniões relativas aos mencionados trabalhos - que aqui de apresentam de géneros tão díspares entre si - bem como os players disponibilizados para a audição das obras podem agora consumir-se abaixo. 


Trash Earthers | edição de autor | outubro de 2020 

8.2/10 

Meses depois de se estrearem com Face Down in Meta, os Pet Shimmers estão de volta com Trash Earthers. Quem ouviu o álbum de estreia da banda inglesa ou o trabalho a solo do vocalista e guitarrista Oliver Wilde estará familiarizado com a sonoridade do novo disco. Predomina um pop lo-fi psicadélico no qual o ruído de fundo é aconchegante, mesmo nos momentos de maior distorção. Fazem lembrar (Sandy) Alex G, mas os arranjos maximalistas produzidos de forma pouco tradicional conferem-lhes uma personalidade própria e distinta.
Trash Earthers é mais consistentemente cativante que Face Down in Meta, não havendo momentos enfadonhos, apesar de não contar com faixas tão arrebatadoras como as viciantes "Super Natural Teeth" e "Mortal Sport Argonaut". Ainda assim, há muito a apreciar, sejam os riffs de "Coattails", a instrumentação arrojada de "Uhtceare" ou as melodias vocais de "The Mouth Of". Cada faixa tem algo a oferecer.
Se procuram uma abordagem fresca ao psicadelismo do século XXI, aqui têm uma resposta. Com apontamentos de shoegaze ou indietronica, violinos misturados com sintetizadores e loops eletrónicos, múltiplas vozes a cantar em simultâneo e detalhes deliciosos, os Pet Shimmers não desiludem.

Rui Santos




Protean Threat | Castle Face Records | setembro de 2020

7.0/10 

Há uma piada sobre os Osees (ex-Orinoka Crash Suite, OCS, Orange County Sound, The Ohsees, The Oh Sees, Thee Oh Sees, ou Oh Sees), publicada na Hard Times, que diz que "De alguma forma, um novo álbum dos Thee Oh Sees foi lançado antes do seu novo álbum".
É assim que às vezes nos sentimos a acompanhar a altamente prolífica carreira dos californianos. No seu vigésimo terceiro disco (!), depois das canções mais imediatas e explosivas de Floating Coffin ou Carrion Crawler / The Dream, ou um breve romance com o heavy metal em Orc e Smote Reverser, nesta nova fase da carreira continuam a explorar uma novas formas de composição musical.
No disco anterior, Face Stabber (2019), um colossal álbum duplo de 1h20, já tinham sido expostas algumas destas ideias, com um ritmo roubado aos alemães pioneiros do krautrock, o disco pecava pelo excesso. Protean Threat, com "apenas" 38 minutos, é mais conciso e permite ao ouvinte mergulhar e desfrutar dos delírios do líder do conjunto, John Dwyer, que tão depressa nos oferece uma malha funk, em "Red Study", ou uma descarga de energia garage rock repleta de fuzz, em "Terminall Tape", como um espetáculo de sintetizadores, em "Wing Run".
Apesar de não ser o disco mais apelativo da sua discografia, Protean Threat, é mais um miminho de Dwyer e companhia e uma prova que o grupo se apresenta numa forma invejável, aliás, até ao final do ano ainda vamos ter mais dois lançamentos do conjunto. Panther Rotate, um remix de Face Stabber, sai no dia 11 de dezembro, e Metamorphosed, EP com cinco canções que foram deixadas de fora do disco de 2019.

Hugo Geada


Hanami | Regulator Records | setembro 2020 

8.0/10 

A música ambient é sem margem para dúvidas um dos grandes motores da produção nacional nos tempos que correm. Com vários produtores das mais diversas regiões geográficas a ganharem renome lá fora (e obviamente cá dentro), pelas produções vanguardistas que criam, abre-se também cada vez mais espaço para acolher novos projetos da nova escola da eletrónica portuguesa. Bonifácio é um dos novos nomes a juntar-se ao cenário e promete bem vir dar que falar nos vindouros tempos. A aposta é da Regulator Records - a casa portuguesa mais iminente no cenário underground - e dos próprios ouvintes que, em cerca de duas semanas já (quase) esgotaram as edições físicas disponibilizadas.
O produtor sediado no Porto colocou cá para fora no mês passado o seu primeiro registo de estúdio, o EP Hanami que guarda na alma uma série de experiências assimiladas por João Bonifácio aquando uma viajem ao Japão. No total são quatro os temas inéditos com que o produtor nos presenteia, nos quais forja o seu rumo muito próprio condensado entre camadas luminosas, sintetizadores despretensiosos e uma bateria tão suave quanto hipnotizante.
O argumento começa a tornar-se realmente bom quando acompanhamos a progressão imersiva de "Hanami" o tema de abertura do EP que viaja a um ritmo hedónico entre a doçura da pop eletrónica e os sentimentos alucinogénios da correria social evidenciada no séc. XXI. Já em "Eki" é notório o abrandar de ritmo numa faixa onde o sentimento de contemplação é a palavra de ordem. Dinâmico na abordagem, Bonifácio consegue criar um sentimento absolutamente belo com a sua abordagem musical suave, mas igualmente vigorosa. Em "Tori", tema mais alegre, surge à memória a synthpop eletrizante de nomes como Crystal Castles, mas aqui bem emoldurada entre uma nuvem de névoa. Já "Neko" despede-se em formato absolutamente soporífero como uma malha de dimensões arrastadas e prontas para fazer ingressar numa viagem absolutamente contagiante e inesquecível.
Hanami é um excelente pontapé de avanço para uma estreia no formato curta-duração - suave, translúcido, sedutor e a deixar aquela vontade no fim de querer ouvir mais e mais.

Sónia Felizardo 




Phoenix: Flames Are Dew Upon My Skin | PAN | outubro de 2020 

8.0/10
 

Imaginem um cenário de caos e destruição, num mundo pós-apocalíptico, onde a eletrónica - ou mesmo a eletricidade - não é garantida. É aqui que reside o mote para Phoenix: Flames Are Dew Upon My Skin, o aguardado regresso de Alex Drewchin, isto é, Eartheater às edições pela germânica PAN, que sela o quarto longa-duração da cantora-compositora americana.
Concebido no final de 2019 durante uma residência artística de 10 semanas em Zaragoza e concluído em Nova Iorque em março deste ano, Phoenix afasta-se dos mundos distópicos de Trinity - fabulosa mixtape que antecedeu este lançamento e com um maior foco na experimentação club - para dar lugar a uma obra devocional que tem na viola e nas propriedades da instrumentação acústica os ganchos que alimentam esta criação. Drewchin reuniu, para isso, os talentos de Marilu Donovan e Adam Markiewicz, do duo art-pop LEYA, e de cinco membros do grupo de conservatório espanhol Ensemble de Cámara CSMA e o resultado é um conjunto coeso de canções que têm tanto de familiar como de alienígena, combinando harpa, arranjos de câmara e os mantras melíferos da cantora de modo espiritual e quase-profético.
"É interessante como o som acústico é muitas vezes pensado como algo do passado quando, hipoteticamente, se uma merda atingir o ventilador e não houver energia, se a energia acabar, quem é que vai continuar a tocar música?". A questão, levantada pela nova-iorquina em entrevista à inglesa The Face, torna-se ainda mais pertinente com o atual contexto que atravessamos: no ano de todas as batalhas, poderá o futuro da música passar por um retorno à sua forma mais primitiva? A resposta, para Drewchin, parece assentar numa visão positiva perante as potencialidades renovadoras do acústico e na forma como estas podem moldar o nosso estado de espírito.

Filipe Costa
 




"Feo / Craving For You" | Icy Cold Records | setembro de 2020 

7.0/10 

Os norte-americanos French Police retornaram ao radar no final do mês de setembro para nos brindar com mais dois temas inéditos recheados pelo iluminismo dos sintetizadores nostálgicos e pela decadência existencialista num 7'' single delicado e fortemente assimilável. "Feo / Craving For You" é o nome que lhe dá título e o primeiro registo da banda desde que chamou a atenção em julho passado após a reedição em formato físico de Haunted Castle (2020, Icy Cold Records).
Importada diretamente dos Estados Unidos para a Europa, a sonoridade dos French Police consegue tão rapidamente ir beber influências ao post-punk sonhador fortemente popularizado na Rússia como às terras norte-americanas da synthpop e do dream-rock independente, criando uma atmosfera melancólica rica, cativante, badalada, mas sempre com um ritmo iminente e impulsor. A banda de Brian Flores, Jesse Flores, Jose Vega, Geo Zavala e Avolyn tem uma grande facilidade em navegar por entre os limiares da música depressiva (como é logo notório na faixa de abertura "Feo"), ainda assim longe das tonalidades estáticas, mas fortemente movimentada por harmonias que colam facilmente ao ouvido, sem nunca soarem ocas ou cabisbaixas.
A Icy Cold Records tem apostado em força na divulgação das bandas do post-punk moderno e os French Police são mais um projeto que mostra em voga o potencial da editora como elemento olheiro. A sua sonoridade doce, envolvente e amplamente melódica faz querer ouvir este 7'' single em loop, sem lhe associar qualquer sentimento menos feliz. A escutar abaixo.

Sónia Felizardo

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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

NNHMN mostram um pouco mais do passado em "Tulips"

 

NNHMN mostram um pouco mais do passado em "Tulips"

No início de setembro os alemães NHMHN colocaram cá para fora um EP de temas inéditos cuja composição e produção remontava ao período embrionário do projeto, quando, na altura ainda se davam a conhecer pelo dístico Non-Human Persons, ainda no início da sua abordagem tipicamente escura às vertentes eletrónicas. Desse projeto embrionário surgiu um feto - no formato curta-duração - ao qual chamaram No Fear /back catalog/ - e que colocaram disponível nas plataformas de streaming o mês passado. A história por trás deste lançamento pode ser acompanhada neste artigo.

Neste outubro a dupla escolheu também a primeira sexta-feira do mês para disponibilizar mais um tema inédito, desta feita intitulado "Tulips" - em mote de celebração de mais uma sexta-feira em que o Bandcamp abdicou das comissões de venda em prol dos artistas e editoras. O tema, camuflado entre os sintetizadores luminosos, caixas de ritmo monocromáticas e uma voz dissipada entre uma nuvem de fumo, volta a frisar o motivo dos NNHMN estarem a cultivar bem forte o seu nome pela cena underground alternativa europeia. Sonoridades densas, imersivas e obtusamente absorvidas por um estado de hipnotismo sempre inerte. 

"Tulips" foi editado esta sexta-feira (5 de outubro) em formato digital e a faixa pode escutar-se na íntegra abaixo (podendo ainda ser adquirida aqui).


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STREAM: Anytime Cowboy - Damaged Brain EP

 

STREAM: Anytime Cowboy - Damaged Brain EP

Reuben Sawyer levou apenas 10 meses para colocar cá para fora um novo registo na alçada Anytime Cowboy após o lançamento de estreia homónimo, em fevereiro passado. O mais incrível não é ter levado apenas 10 meses (se não descontarmos o tempo que usou para investir no EP dos Window do qual também faz parte ou no EP de The Column laçado em março passado - o que irá dar uma média de cerca de 3,3 meses de investimento em cada um), mas sim, verificar que há uma progressão qualitativa neste novo registo. Sem colocar de parte os riffs de guitarra derretidos e os arranjos eletrónicos de traços mórbidos que pautaram a edição de estreia, no novo Damaged Brain EP, Anytime Cowboy explora uma nova faceta de sintetizadores que prostra o seu som a um espectro de assimilação mais forte. 

Em quatro temas de desenvolvimento bastante encurtado Anytime Cowboy oferece-nos uma injeção saudosista dos territórios rock dos anos 70, juntamente com uma estética musical dinâmica que repesca desde os elementos da música psych à jungle pop, o surf-rock decadente e o ambiente cru das abordagens lo-fi. O resultado é mais uma edição que volta a sublinhar o seu humor tão característico que em Damaged Brain EP se revê numa paisagem cómica e perturbada da cultura americana. 

Damaged Brain EP foi editado na passada sexta-feira (2 de outubro) em formato cassete e digital pelo selo Third Coming Records. Podem comprar a vossa cópia aqui e reproduzir o trabalho na íntegra abaixo.

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STREAM: EVACIGANA - Fortuna

 

STREAM: EVACIGANA - Fortuna

As paisagens contemplativas e experimentais do rock são exploradas com afinco no novo curta-duração dos portugueses EVACIGANA. O quarteto nascido em 2018 nas Caldas da Rainha conta ainda com uma curta discografia mas com uma produção de estado avançado. Na base injetam o que chamam de "rock angular e espástico", com as camadas alternativas da música pop e as texturas vigorosas da eletrónica, fundido a sonoridade resultante de forma natural e orgânica. A banda é formada por João Moreira (voz/guitarra), Filipe Nunes (baixo/voz/teclados), Rúben Lopes (guitarra/voz) e Alexandre Bandola (bateria/voz) e começa agora a criar o seu terreno próprio ao misturar de forma livre influências que vão desde o rock/metal alternativo de bandas como os Deftones, à eletrónica de uns Boards of Canada, deambulando ainda pelo meio de géneros como o shoegaze, o jazz e o trip-hop.

Com vastas influências adquiridas no panorama de produção nacional, os EVACIGANA forjam o seu caminho mais próprio ao injetarem uma dose de experimentalismo que incorpora desde as bases do rock mais negro (como é audível logo na faixa de abertura do novo registo "Fósforo") às estruturas dinâmicas e livres do rock de fusão - que tão bem aprimoram em "Tempo Morto" - e ainda à doçura melancólica criada por loops e feedbacks de guitarra, tão presente no tema de despedida "Fortuna". O álbum pode assimilar-se na íntegra abaixo.

Fortuna foi editado em formato digital na passada sexta-feira (2 de outubro) em formato self-released e pode ser adquirida aqui.

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Os Ploho vão lançar novo disco em dezembro

 

Os Ploho vão lançar novo disco em dezembro

Os Ploho são mais uma das novas atrações no cenário da nova escola russa. A banda que se iria dar a conhecer em Portugal este ano, pela primeira vez, na abertura dos concertos dos irmãos Motorama acabou por adiar a tour para o vindouro ano. No meio tempo foram cozinhando o sucessor de Пыль (Pyl) editado em setembro do ano passado que chegará às plataformas digitais em dezembro e às prateleiras em fevereiro. O novo trabalho intitulado Фантомные Чувства (Phantom Feelings) foi anunciado na passada sexta-feira (2 de outubro) e, juntamente com o anúncio, o trio avançou também com o primeiro tema de avanço "Между нами" (Between Us) que volta a repescar aquelas atmosferas nostálgicas e sedutoras a que nos têm vindo a habituar nos últimos lançamentos. 

O trio fundado em 2013 que tem explorado uma sonoridade ao redor dos elementos monocromáticos da música post-punk e minimal-wave, ganhou maior destaque ao nível internacional em 2018 com a edição do longa-duração Куда птицы улетают умирать (Where the birds fly away to die) que os levou a serem reconhecidos nos Estados Unidos. Tingidos pela nostalgia no corpo e voz, os Ploho produzem uma sonoridade contagiante que é enriquecida pelos riffs sonhadores de guitarra, as camadas sintetizadas e uma aura geral altamente carinhosa e apelativa.  Enquanto o disco não chega é ir reproduzindo "Между нами" (Between Us) na íntegra abaixo.

Фантомные Чувства (Phantom Feelings) tem data de lançamento agendada para 25 de dezembro em formato digital pelo selo americano Artoffact Records. O disco será editado também nos formatos CD e vinil e a pre-order destas edições pode ser feita aqui.

ploho-Фантомные Чувства

Фантомные Чувства (P
hantom Feelings)
 Tracklist:

01. Между нами 
02. Прости
03. Добрые люди
04. Камни
05. Оставайся со мной
06. Нулевые
07. Танцы в темноте
08. Старые фильмы
09. Песни окон и стен

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Novo tema de Minuit Machine já incendeia pistas de dança

 Novo tema de Minuit Machine já incendeia pistas de dança


Cerca de duas semanas após o anúncio do sucessor de Infrarouge (2019, Synth Religion) as Minuit Machine regressam ao radar com novo tema "Don't Run From The Fire" a primeira extração do novo EP com o mesmo nome, que chega à prateleiras dentro de duas semanas. Este trabalho será o quinto lançamento da banda e traz consigo quatro faixas inéditas que voltam a mostrar a transformação e evolução progressista face ao que Hélène de Thoury (instrumentais) e Amandine Stioui (voz) nos têm vindo a habituar. Agora numa vertente mais negra da eletrónica, com ligeiras abordagens às estéticas EBM e dark techno, Don't Run From The Fire é um disco que aborda as dimensões emocionais do medo e do desejo e como elas afetam os seres humanos. Essa ideia é retratada logo na artwork que acompanha o trabalho, ao mostrar um escorpião como metáfora - ou fugimos do medo ou ficamos parados prontos para o ataque.

Neste cenário, Don't Run From The Fire é talvez o disco mais negro da dupla, focando-se na ideia de tentar assumir o controlo quando o mundo circundante é caótico e perigoso. Uma obra que nos incita a lutar, por quem somos e queremos ser e cuja mensagem se erradica logo na faixa de avanço: "Don't Run From The Fire, Fight!". O novo tema chegou às plataformas digitais esta sexta-feira (2 de outubro) e veio acompanhado por um trabalho audiovisual que se pode absorver abaixo.


Don't Run From The Fire tem data de lançamento prevista para 16 de outubro em formato vinil, digital e CD pelo selo francês Synth Religion. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

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domingo, 4 de outubro de 2020

Novo disco dos Pharaoh Overlord chega em novembro

 

Novo disco dos Pharaoh Overlord chega em novembro

Os finlandeses Pharaoh Overlord regressam no próximo mês às edições de estúdio com 6, o sexto disco de carreira que canaliza o amor do grupo pela monomania danificada pelo krautrock em sons motorizados e conduzidos pelos sintetizadores vorazes que pautaram o lançamento antecessor. Numa abordagem gélida - essencialmente transmitida pela voz - mas esteticamente cativante - pela abordagem progressista reconfortante da eletrónica que envolve o registo os Pharoah Overlord conseguem criar um clima de interesse e imersão instantânea que os favorece no mercado circundante. A amostra está visível no lançamento que serve de apresentação ao registo, "Without Song All Will Perish" uma aditiva construção de sonoridades decadentistas reinventadas num panorama mais disco de traços retro.

Em 6 os Pharaoh Overlord tecem uma mistura entre sonoridades artificiais e orgânica com vocais fora de ordem desenhados numa estética difundida pelo metal. O novo disco foi escrito e composto quando a pandemia começou a dominar os eventos mundiais em 2020, o que afetou fortemente a inclinação lírica deste registo. O trabalho destaca-se por ter resultado mesmo apesar da separação entre os próprios membros da banda, bem como do isolamento imposto no confinamento. Apesar disso 6 procura canalizar experiências negativas numa mudança positiva. Enquanto o principal não chega à mesa, o prato de entrada "Without Song All Will Perish" pode consumir-se abaixo.

6 tem data de lançamento esperada para 13 de novembro em formato CD, vinil e digital na casa Rocket Recordings. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


6 Tracklist:

01. Path Eternal 
02. Arms of the Butcher
03. Without Song All Will Perish
04. Tomorrow’s Sun
05. Blue Light Hum

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Os Disorientations lançaram uma curta-metragem chamada "Wandering"

 

Os Disorientations lançaram uma curta-metragem chamada "Wandering"

Cerca de dez meses após se terem estreado nas edições do estúdio com o EP Close To Disappering (2020, Wool-E), os belgas Disorientations regressaram ao panorama na passada semana com "Wandering", o primeiro tema inédito desde o lançamento de fevereiro. O trio oriundo da Antuérpia volta a apostar na fórmula baixo-bateria-guitarra, tingindo a sonoridade resultante com camadas energéticas, vocais graves e uma atmosfera complementada por feedback noisy e o ritmo monocromático do post-punk popularizado nos anos 80. Apesar da sonoridade facilmente assimilável é, essencialmente, na sua filosofia introspetiva sobre a vida que os Disorientations começam por fortalecer o seu nome no cenário underground.

No novo trabalho audiovisual para a faixa "Wandering" tornam isso claro. Através de um vídeo completamente pintado numa escala preto e branco a banda começa por contar a história de um casal a enfrentar uma crise emocional. A curta-metragem começa a ganhar fórmula quando as personagens centrais são focadas em close-up, perto do primeiro minuto de duração. Rapidamente o espetador é convidado a viajar na memória às produções de excelência de nomes como Ingmar Bergman. Embora sem nunca ouvirmos a voz dos nossos personagens principais, os Disorientations fazem questão de explicitar a sua comunicação verbal através das legendas, de forte carácter filosófico, à semelhança dos trabalhos que pautaram o cinema Europeu dos anos 60. O grande ponto de entretenimento surge no momento de tensão das personagens que, ao invés de se agredirem fisicamente optam por ingressar numa dança coordenada.

"Wandering" foi tornado público esta sexta-feira (2 de outubro) através da página do youtube da banda. Podem assimilar o vídeo e a faixa na íntegra abaixo.



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