sábado, 24 de outubro de 2020

Serralves presta tributo a Maryanne Amacher esta semana













No dia 31 de Outubro, a Biblioteca e o Auditório de Serralves, no Porto, dedicam a sua programação a Maryanne Amacher, compositora norte-americana que se destacou na criação de instalações sonoras e ambientes multimédia de grande escala. Em questão está o evento Additional Tones, uma “homenagem, partilha e contribuição para um maior e merecido entendimento e visibilidade da obra e pensamento notáveis desta artista”.  

O seu trabalho foi pioneiro em várias áreas da criação musical e artística como a espacialização sonora, os novos media, a ecologia acústica, a inteligência artificial, a psicoacústica e a fenomenologia da perceção. Estudou com Karlheinz Stockhausen e colaborou com notáveis como Merce Cunningham e John Cage, e a sua obra tem vindo a ser alvo de eventos organizados por instituições como a Tate Modern, o ICA, o Stedelijk Museum, a Bienal de São Paulo e a própria Fundação de Serralves, que recebeu a instalação sonora, visual e performativa The Sounding of Casa de Serralves: Supreme Connections, em 2002.  

O programa, que decorre entre entre as 15h30 e as 20h, inclui uma conferência e sessão de escuta comentada por Amy Cimini e Bill Dietz, a interpretação a dois pianos de Petra por Marianne Schroeder e Joana Gama, e a estreia nacional de Perceptual Geographies, peça para sintetizador modular de Thomas Ankersmit.      

Os bilhetes encontram-se disponíveis em serralves.pt ao custo único de 7,5€. 

Update: Na sequência das restrições de circulação previstas para o período compreendido entre 30 de outubro e 03 de novembro, decretadas pelas autoridades nacionais, Serralves entendeu suspender a sua programação de eventos previstos para este período. Nesse sentido, o evento Additional Tones: A Tribute to Maryanne Amacher foi adiado para 9 de janeiro.



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Samuel Úria em entrevista: "Este nunca será um disco de escape, é demasiado atual”

© Joana Linda

Nome incontornável da cultura portuguesa dos últimos dez anos, Samuel Úria é um dos maiores cantautores cá do burgo e conta já na sua discografia com 9 registos de estúdio. A cada disco que passa vai aprimorando a sua capacidade lírica, resultando nas canções mais pertinentes e audazes que em tudo retratam a nossa condição de ser português.

Longe vão os tempos em que rodava no Portugália, de Henrique Amaro, a versão mais acústica de “Teimoso”, a qual pode ser escutada no EP editado em 2008 intitulado Samuel Úria em Bruto. Os primeiros sinais de reconhecimento por parte da crítica e do público chegaram com Grande Medo do Pequeno Mundo, disco de onde fazem parte os hinos “Lenço Exuto” e “Eu Seguro”, os quais contam com a participação de Manuel Cruz e Márcia, respetivamente. Seguiu-se depois em 2016 Carga de Ombro, disco que veio confirmar o potencial máximo de letrista de Úria, com mais uma leva de canções memoráveis, especialmente se escutadas ao vivo, como são o exemplo de “Dou-me corda” e “É preciso que eu diminua”.

Canções do Pós-Guerra é o mais recente trabalho do artista, chegou às lojas no passado dia 18 de setembro com o selo da Valentim de Carvalho, e assume-se como o disco “mais pessoal e despojado” de Samuel.

Foi numa manhã de segunda-feira que estivemos ao telefone com Samuel Úria e falámos sobre a composição de Canções do Pós-guerra e as baladas que dele fazem parte, o adiamento do lançamento previsto para abril e o seu caráter premonitório, dos tempos antigos da FlorCaveira, de algumas distrações durante o confinamento, entre outros assuntos.


O teu mais recente trabalho intitula-se Canções do Pós-guerra. Que guerras são essas a que te referes no título? A press release refere uma “guerra” interior e espiritual e ao mesmo tempo fala num falhanço coletivo.

Samuel Úria (SU) - Deixa-me só dizer que não sou eu o autor dessas palavras, embora esteja até um bocado intrigado como é que o Rui Portulez, o A&R da Valentim de Carvalho que escreveu este texto, sem falar comigo, conseguiu decifrar ali muita coisa. De facto existe esse conflito interno, existem várias guerras. Aliás, o Pós-guerra para já fascina-me enquanto geração literária. Normalmente quando se fala em Pós-guerra fala-se da altura a seguir à Segunda Guerra e a geração literária que poderia às vezes ser muito esperançosa e otimista em relação a um conflito que termina e a um mundo que parece reconstruir-se. Mais do que isso, parece-me também uma geração recrudescida e muito auto-implicativa, introspetiva. Isso de alguma maneira fascina-me, esses trejeitos literários. O Pós-guerra [o disco], por um lado tem também tem essa referência literária, dos autores do Pós-Guerra. Depois há também um bocado aquela ideia de que guerras e conflitos há sempre. Em termos semânticos, guerra pode ser muita coisa. Falar de situações pós-conflitos, sejam eles internos ou externos, seja eu um observador ou o próprio causador desses conflitos, é matéria para escrever canções e pareceu-me fixe escrever canções ao abrigo dessa noção de conflitos constantes depois de um período posterior, que não é necessariamente de reconstrução, às vezes é de maior derrube ainda.

Ao escutar o disco, este parece-nos mais direto e pessoal do que os anteriores, um olhar para dentro. Qual a tua opinião em relação a isso?

SU - Sim, eu acho que se tornou mais pessoal, há se calhar um argumento circunstancial que talvez o tenha tornado assim. O disco vem na sucessão de um EP que eu fiz há dois anos chamado Marcha Atroz. Foi a primeira vez em que cheguei a estúdio e as melodias e a estrutura das canções estavam feitas, as letras estavam feitas. Fui propositadamente sem ideias de arranjos, até a própria parte instrumental não estava completamente definida. O que eu fiz nesse EP juntamente, com o produtor Miguel Ferreira, foi ouvirmos as canções da forma mais despojada, normalmente só voz e guitarra, e percebermos onde é que o contexto da canção nos levava, olhávamos para o que é que tinhamos na sala à nossa volta, o que é que nós podiamos acrescentar às canções. Isso de alguma maneira levou a que esse EP se tornasse um objeto muito próximo de coisas que estão a acontecer agora em termos musicais. Estava muito permeável a tendências ou revivalismos musicais, porque nós fomos atrás das canções, nem fomos propriamente atrás de estilos. Apesar dos meus discos anteriores serem muito pessoais, sobretudo na parte das letras, havia sempre ou uma fuga ou uma aproximação a um universo estílistico qualquer, que me levava a desenvolver as canções de uma determinada maneira. Não aconteceu no EP, as canções foram absolutamente merecedoras daquilo que iam levar por cima. Eu quis que este disco também fosse feito da mesma maneira. Fui para estúdio numa fase inicial com muito pouca coisa feita em cima das canções, em cima do esqueleto da voz e da guitarra. O disco foi desenvolvido sempre em torno de ideias que iam surgindo e que nunca me pareciam estar a abafar quer a mensagem, quer a própria utilidade que é a personalidade. Então tornaram-se muito pessoais embora tenham sido feitas em estreito relacionamento com o Miguel Ferreira, o parceiro ideal que eu percebi que não ia remar contra a minha personalidade, mesmo que isso às vezes pudesse prejudicar o aspeto final da canção. Nesse sentido, pode não ser o meu disco mais atractivo, mas é de facto o mais pessoal e mais despojado. 

Capa de Canções do Pós-guerra

O lançamento do disco estava previsto para abril, mas acaba por sair uns meses depois, já num contexto pandémico. Sentes que se enquadra neste tal contexto mesmo tendo sido gravado anteriormente? 

SU - Enquadra-se até de uma maneira bizarra. Há palavras que eu escolhi para títulos de canções que depois se tornaram muito corriqueiras noutro contexto mas relacionadas com a pandemia, como é o caso da "Contenção". Por ser um disco em alguns momentos pessimista ou fruto de algum negrume, ou às vezes até sombrio na descrição dos tempos, tornou-se um disco também muito presente. Isso é quase assustador. É uma coincidência que eu diria infeliz porque quando projetei o disco, pensei que seria mais soturno, que iria cumprir o seu tempo de vida, iria ser um momento na minha carreira em que as pessoas vão perceber que foi necessário escrever estas canções. Em termos utilitários, eu não sei até que ponto é que as pessoas vão querer rever isso nas artes, na música ou o que quer que seja, já que estão a viver tempos soturnos. Ao contrário de algumas coisas que escrevi em discos anteriores, eu tenho a sensação que este disco saindo nesta altura nunca poderá ser um disco escape. Pode funcionar na medida em que as pessoas vão rever os tempos que estão a viver no disco, mas nunca será um disco de escape, é demasiado atual. Desafortunadamente profético. 

TM - O que te motivou na composição deste disco, que é já o nono na tua carreira, se as contas não nos falham. Há alguma questão filosófica, antropológica ou sociológica envolvida?

SU - Nem sempre é premeditado. Normalmente depois de ter duas ou três canções, começo a pensar em alguma coisa que as agregue. Como há bocado estava a dizer, a temática quer linguística, quer literária e semântica do Pós-guerra serviu-me para escrever as canções. Por outro lado, de uma forma semi-adormecida, tendo sido um disco que eu escrevi numa altura em que estava prestes a fazer 40 anos, acho que isso pode ter moldado. Eu não sou fatalista, nem sou uma pessoa com medo do envelhecimento, mas não deixa de ser pelo redondo do número uma efeméride que marca. Apesar de ser um disco que pode parecer de algum ressentimento, não o é. Acho que a parte mais sombria não é de ressentimento, é de algum amadurecimento. Nisso, acho que procurei um disco amadurecido, dado o facto de estar quase a fazer 40 anos e de alguma maneira isto poder assinalar esse número redondo que estava prestes a completar. 


Dirias que o disco é mais baladeiro do que o costume, apesar de pontuado por temas de rebelião e inquietação como “Aos Pós”, “Fica Aquém” e “Contenção”? 

SU - Sim, até é curioso. Eu sou muito cioso na escrita das canções, mas depois tudo o que transpõe, como é por exemplo a parte de agendar o que vai sair primeiro e o que vai sair depois, eu dou o meu input mas já não é uma parte que me envolva tanto. Percebo até que há percepções de indústria, com as quais nem quero estar relacionado, dou carta branca a quem trabalha comigo para tratar disto. Engraçado que a maior parte das canções que saíram, tirando o "Muro", até foram as canções mais roqueiras, que não correspondem ao grosso do disco. Espero que não seja uma deceção para agora quem for ouvir. O disco contém de facto mais baladas, é menos pop, mais desacelarado, apesar de ter essas canções aceleradas e até contestatárias, como é o caso da "Fica Aquém". O disco foi em grande parte escrito no outono/inverno, normalmente quando são escritos nessa altura os discos puxam mais a canções que peçam lareira. Depois também acho que há um dramatismo inerente a algumas temáticas que puxam também pela balada mais despojada, lá está aquela questão da identidade que eu te falava há bocado, sendo um disco muito pessoal e que nesse sentido os arranjos e os instrumentos não subjugassem a identidade das canções. 
Há baladas de guitarra e voz, mas depois também há uma espécie de balada grande e eloquente, quase a forçar o foleiro, como vozes, vocoders e coisas do género, que tornam o tempo da canção numa espécie de tempo bizarro. Também fui à procura disso. Canções que eu queria que fossem absolutamente desesperadas, mesmo no sentido de serem canções que falam sobre a falta de esperança, eu não conseguiria fazê-lo num registo pop ou num registo rock mais alegre. Conseguiria num registo rock agressivo mas optei mais por fazer a balada soturna. Também tem baladas otimistas no disco, não estou refém de um só registo. Mas há muita balada.

TM - Os singles “O Muro”, “Aos Pós” e “A Contenção” são os únicos com direito a vídeo e seguem o mesmo conceito, todos eles gravados nas ruas centrais e mais movimentadas de Lisboa, apesar de serem músicas bastante diferentes. Como surgiu esta ideia?

SU - A ideia foi mesmo passar por todas as canções do disco. Elas não estão a sair pela ordem das faixas mas há um vídeo contínuo, com princípio, meio e fim, uma espécie de passeio por Lisboa. Os vídeos foram feitos em dois dias, mas eu estou com a mesma roupa para não haver erros de gravação. No início pensou-se em fazer um plano de sequência, mesmo com o lado contínuo absolutamente assumido, mas por outro lado também acho que isso ia levar para uma espécie de truque e para um lado artificioso que eu não queria que estivesse associado. Isto não tinha de ser um show de mestria de quem realizou, fazer a coisa de uma vez só. Não se fez este plano de sequência mas fez-se uma sequência quase real, com muito poucas coisas que foram repetidas ou refeitas. É uma viagem por Lisboa que faz sentido, porque apesar de o disco não ter sido todo gravado em Lisboa, foi quase todo escrito em Lisboa, eu escrevo muito a passear pelas ruas e vivo ali perto. 


TM - Neste disco, apesar de contares com o contributo de outras vozes em temas como “Aos Pós”, “Cedo” (participação de Monday) e “A Contenção”, não há nenhuma colaboração assumida como em trabalhos anteriores. Com que artista, vivo ou morto, gostarias de partilhar o microfone?

SU - Tenho tido a felicidade de colaborar com muita gente que admiro e de me ter tornado amigo dessas pessoas. Felizmente sou uma pessoa muito resolvida nesse aspeto. Claro que se me perguntares se eu gostava de participar com monstros sagrados, sou um fanzaço do [Bob] Dylan. A verdade é que eu não sei se aguentava um dueto com Dylan porque a minha postura em palco seria de fanboy, incapaz de articular uma palavra, por isso não sei se seria a melhor opção. Por afinidades absolutamente musicais mas até espirituais, eu acho que se pudesse fazer um dueto com o Johnny Cash seria muito feliz, morreria muito feliz. Eu já vou morrer muito feliz só pelo facto de já ter privado com a música dele.

TM - Sentes que este ano tiveste oportunidade de ouvir mais música? Houve algum disco que tenha marcado particularmente, além de Canções do Pós-Guerra? E livros?

SU - Na altura em que estou a escrever canções eu tento ouvir muito pouca música. Durante a quarentena não estive propriamente deprimido mas como tinha um disco para sair, música era um tema de algum sufoco. Não foi um ano em que ouvi particularmente muitas coisas novas, confesso. Até me refugiei mais em discos que me soassem a discos feitos numa sala, de explorar quase o cabin fever e perceber que houve gente que sobreviveu a estarem no mesmo sítio durante muito tempo. Ouvi coisas mais antigas e despojadas. Não andei muito no périplo das novidades, embora houve coisas que entretanto apareceram e eu gostei bastante. 
Li bastante e ando um bocado fascinado com um jornalista e escritor americano, Robert Caro. Escreve biografias de gente poderosas nos Estados Unidos, coisas absolutamente deliciosas, apesar de serem densas. Estou a gostar muito da abordagem, uma espécie de sociologia intemporal sobre questões que tendem à volta do poder, da busca e do uso do poder. Apesar de se centrar em pessoas muito específicas, há uma espécie de lição moral e universal subjacente à história do mundo vista pelos olhos de quem tem e exerceu poder, de quem foi cego ou foi altruísta em relação à maneira como usou o seu poder. Estou muito fascinado com a escrita desse senhor que já tem 80 e muitos anos e continua muito lúcido a escrever os seus livros. 

TM - Como é que te ocupaste na quarentena? Dirias que o confinamento foi produtivo?

SU - Foi muito pouco produtivo em termos daquilo que eu poderia fazer para a minha profissão. Escrevi muito pouco, compus muito pouco ou nada. Por achar que se estivesse a escrever ou compor, estava a trair canções que estavam encurraladas, não tinham por onde sair e eu não lhes tinha dado o devido destaque. Não queria trair as canções que ficaram por mostrar em abril e que só vão ser mostradas agora. Por outro lado, isto não foi especialmente lisonjeiro para a minha fisionomia, comi e cozinhei muito. Cozinhar era o meu grande prazer, fazia ementas e planeava muito aquilo que ia cozinhar, até porque tinha de fazer compras online durante algum tempo e as compras só vinham passado uma ou duas semanas. Não foi a coisa mais saudável mas foi uma maneira da minha mente ficar saudável durante estes tempos. 

TM - Do que mais sentes falta dos tempos em que editavas e fazias parte da FlorCaveira?

SU - Eu continuo a fazer parte da FlorCaveira, este disco vai ter também o seu selo. Uma das coisas que eu tenho saudades é ter acesso a palcos pequenos, isto é mesmo verdade. É uma coisa estranha para se dizer e que não eu diria nos tempos da FlorCaveira, em que às vezes sonhava pisar os palcos grandes que agora felizmente consigo ocupar. Por acaso nem era a pessoa mais ambiciosa e falava disso com algum gozo infantil.
Há sítios mais pequenos que agora me estão vedados por uma questão de sei lá, se eu negociar com um sítio pequeno depois não consigo negociar com um sítio grande. Coisas desse género. Como se tornou absolutamente a minha profissão, eu tenho de dar sempre primazia aos sítios que me são rentáveis, não estou a falar só em termos monetários, embora isso também seja muito importante, mas também em termos de carreira. Se eu puder dar um passo em frente que seja um passo grande, vou tomá-lo e não vou prejudicá-lo com retrocessos. Então tenho saudades às vezes de sítios mais espontâneos e recônditos que hoje em dia nos estão um bocado vedados. Eu acho que não estarão vedados para sempre porque imagino que se continuar numa espécie de progressão em termos de carreira, posso conseguir estar num patamar de estabilidade que me vá permitir depois fazer os precursos que bem me apetecer. Ainda não tenho esse à vontade com aquilo que posso fazer, não controlo completamente este jogo e então tenho mesmo muitas saudades de sítios, sei lá, mais sujos e inaudíveis, com público hostil. 

TM - Tens algum exemplo assim de um sítio desses? Agora em Lisboa cada vez vão havendo menos sítios assim.

SU - Sim, havia um sítio em Alfama, que por acaso não sei se ainda existe, que era o Arcaz Velho. Lembro-me de uma noite em que na altura vivia em Évora e vim para Lisboa tocar. Foi um concerto em que estavam uma meia dúzia de pessoas a assistir, mas no palco a cantar, uma coisa improvisada e sem preparação alguma, estava a malta toda da FlorCaveira, o B Fachada, o Diego Armés, o Jorge Cruz, malta dos Pontos Negros. Gente que até teve algum sucesso discográfico e se tornou emblemática para uma geração de músicos portugueses estavam ali num sítio esconso e a tocar para meia dúzia de pessoas. É uma noite que eu tenho como memorável, apesar de ser mais memorável para quem estava a tocar do que para as seis pessoas que estavam a assistir.

No início mês de outubro, o artista apresentou Canções do Pós-Guerra no Teatro Tivoli, BBVA, Lisboa, e na Casa da Música no Porto. No próximo dia 24 é a vez do Teatro Diogo Bernardes, em Ponte Lima. O disco pode ser escutado na íntegra em baixo.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Favela Discos documenta cenário da música experimental do Porto em nova compilação



O coletivo portuense Favela Discos lançou hoje o primeiro volume de In Trux We Pux, compêndio que se propõe "a registar e expor um conjunto de correntes sonoras e de práticas colaborativas que se tem desenvolvido no cenário da música experimental e improvisada feita no Porto", lê-se nas notas oficiais de lançamento.

Composto por seis temas, este disco contém "uma selecção de músicos provenientes de diferentes campos da música electrónica", explica ainda a Favela, que convidou vários intervenientes a colaborarem e produzir uma faixa inédita. Do cerebralismo dos @c à exploração sem forma dos Well, passando pela síntese digital de Lorr Nu ou pela expressão libertária do Colectivo Vandalismo, In Trux We Pux 01 é um documento valioso para o melhor entendimento do atual panorama criativo da cidade.

O disco encontra-se disponível para escuta no Bandcamp da Favela Discos, que disponibilizou também um número limitado de cópias em vinil. A masterização é de Rafael Silva e a capa nasce do esforço coletivo de Nuno Oliveira, na fotografia, e Rita Castilho, no design.

O próximo volume da coleção, In Trux We Pux 02 - Desilusão Óptica, sairá em novembro e apresentará uma peça conduzida pelo colectivo na edição de 2017 do Serralves em Festa





 

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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Festival Semibreve acontece este fim de semana no Mosteiro de Tibães



De 24 a 25 de outubro, o Semibreve regressa para a sua primeira edição digital, convidando os participantes a interagir virtualmente com obras e performances sonoras exclusivas especialmente encomendadas para o evento. A partir da ideia de reclusão, o SEMIBREVE 2020 apresenta "um programa pensado para ser usufruído à distância, mas sem descurar a participação da comunidade na qual se insere". 

No ano em que assinala dez edições, o festival de música eletrónica e arte digital acontecerá online, através do site do festival, e localmente dentro dos limites do Mosteiro de São Martinho de Tibães, em Braga. O programa será composto por peças sonoras exclusivas, mesas redondas destinadas a discutir música e arte sonora nos dias de hoje, instalações audiovisuais, transmissão de concertos ao vivo, residências artísticas e oficinas.

Jim O'RourkeTyondai BraxtonBeatriz FerreyraKeith Fullerton WhitmanJessica EkomaneAna da Silva Kara-Lis Coverdale ocuparão as salas do mosteiro com novas peças especialmente encomendadas para o efeito, disponíveis presencialmente para um número limitado de visitantes e online no site do festival entre os dias 24 e 25 de outubro. 


O programa de mesas redondas será filmado profissionalmente e transmitido na Sala do Capítulo, no mosteiro. Ao todo são quatro as conversas que juntarão David ToopJessica Ekomane e Nuno Crespo para discutir o Físico e o Virtual no âmbito da criação contemporânea; Chris WatsonMargarida Mendes e Raquel Castro sobre som e ecologia; José Moura , Mike HardingNkisi e Rui Miguel Abreu sobre a lógica editorial pós-pandemia; e Nik VoidAlain MongeauPedro Santos e Gonçalo Frota para discutir as implicações performativas da pandemia, com ênfase na música eletrónica e na arte sonora. Um número muito limitado de visitantes poderá participar das sessões no local.

O festival continuará a explorar a noção de reclusão através das residências artísticas de Pedro MaiaLaurel HaloKlara LewisNik Void e Oliver Coates. Os últimos quatro apresentarão o material resultante da residência, sem audiência, dentro dos muros do mosteiro. Essas apresentações, filmadas em parceria com o Canal180, estarão disponíveis como conteúdo transmitido ao longo do festival.  

O mosteiro apresentará também várias instalações audiovisuais, acolhendo o vencedor do Prémio EDIGMA Semibreve e os vencedores do EDIGMA Semibreve Scholar, cujas obras serão documentadas e apresentadas virtualmente.  

Os titulares de passes para a edição 2020 do Semibreve poderão transferir os seus ingressos para a edição de 2021 ou solicitar um reembolso. O acesso ao Mosteiro terá um custo de 6 euros, que será revertido inteiramente para apoiar a renovação e manutenção do mosteiro. 

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Nosferatu, de Herzog, sob o signo de Legowelt


Esta sexta-feira, dia 23 de outubro, o gnration, em Braga, recebe o produtor holandês Legowelt para um filme-concerto já esgotado. O músico de nome Danny Wolfer musicará em tempo-real o clássico do cinema de terror Nosferatu: Phantom der Nacht (1979), do realizador alemão Werner Herzog.

Peça central das conjeturas eletrónicas da Holanda, Legowelt é um dos mais admiráveis produtores a operar nos círculos do house e do techno, contando mais de três décadas dedicados à causa. Apaixonado pelo cinema, o corpo de trabalho do holandês passa, em parte, pela conjugação da sua música – que vai do techno mais hedonista à deriva ambiental – com a sétima arte: nos últimos anos musicou várias películas de respeito, incluindo 2001: A Space Odyssey (1968), de Stanley Kubrick, Fata Morgana (1970) e Nosferatu: Phantom der Nacht (1979), ambos de Herzog. O último, com banda-sonora original dos alemães Popol Vuh, será musicado ao vivo e em tempo-real pelo produtor, que se apresentará rodeado de sintetizadores para um espetáculo com música escrita por si.

Este mês, o gnration revelou a programação dos últimos dois meses do ano, com Abul Mogard, Lucrecia Dalt e Kali Malone entre os destaques do plano internacional.




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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Adriana Calcanhotto, B Fachada e Selma Uamusse na programação dos últimos dois meses do ano no Theatro Circo

Adriana Calcanhotto, B Fachada e Selma Uamusse na programação dos últimos dois meses do ano no Theatro Circo

Para os meses de novembro e dezembro, o Theatro Circo apresenta um conjunto de espetáculos nas áreas da música nacional e lusófona, teatro e dança, revelados agora para que a cultura e arte continuem presentes no dia a dia do seu público.
  
O primeiro espetáculo de novembro, mais propriamente no dia 7, será o aguardado regresso da cantora e compositora luso-moçambicana Selma Uamusse, que apresentará o novo trabalho de originais, Liwoningo, disco este produzido por Guilherme Kastrup, vencedor de um grammy pelos discos A Mulher do Fim do Mundo e Deus é Mulher de Elza Soares. O segundo disco de Selma Uamusse conta também com a participação de alguns elementos dos brasileiros Bixiga 70, dos moçambicanos Chenny Wa Gune, Milton Gulli e Lena Bahule e do korista Mbye Ebrima, da Gâmbia. No dia seguinte, 14, será o pianista Tiago Sousa a apresentar o seu novo álbum Oh Sweet Solitude, sucessor de Um Piano nas Barricadas (2016). 


No 28 de novembro, a artista brasileira Adriana Calcanhotto regressa ao Theatro Circo para apresentar novo disco Margem. Fecha desta forma a trilogia marítima iniciada com Maritmo (1998) o primeiro que explicita a sua paixão pelo mar e Maré (2008), seu sétimo disco, que reforça a ambiência oceânica. Margem permite, em palco, o encontro destes três projetos marítimos, separados por dez anos cada um e por diferentes aventuras musicais entre eles. 


Em dezembro, no dia 5, será a vez de B Fachada pisar novamente o grande palco do Theatro Circo para apresentar o novo disco Rapazes e Raposas, trabalho aclamado pela crítica nacional como um dos meus melhores discos de originais. 


No dia 11 de dezembro, em comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, e após ter levado este espetáculo a três grandes salas açorianas, Sara Miguel reúne alguns dos músicos com quem mais gosta de tocar para trazer ao Theatro Circo um tributo ao jazz como música de intervenção e à cantora Nina Simone, uma das artistas simultaneamente mais geniais e mais incompreendidas da história do estilo, com o espetáculo “A Voice For Freedom”. 

No dia 12 de dezembro, os artistas St. James Park e Cláudia Guerreiro (Linda Martini) apresentam o espetáculo Häxan baseado em Malleus Maleficarum, um guia alemão do século XV para inquisidores. Häxan é um estudo de como a superstição e o desentendimento de doenças e em particular da doença mental poderiam levar para a histeria das caças às bruxas. Escrito e dirigido por Benjamin Christensen em 1922, este é um filme de terror e ficção mudo em estilo documentário, que mostra a evolução da bruxaria, desde as suas raízes pagãs. St. James Park e Cláudia Guerreiro vão apresentar uma peça para sintetizadores e instrumentos de corda que servirá de banda sonora para o filme sueco-dinamarquês.

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

STREAM: O Triunfo dos Acéfalos - OX

STREAM: O Triunfo dos Acéfalos - OX

O Triunfo dos Acéfalos regressa com um novo EP - OX - lançado no passado dia 10 de outubro. Trata-se do quinto lançamento da banda de Santo Tirso, depois de OTDA (2015), Hausaufgaben (2016), Malhas (2016) e A Batalha de Mohács (2018).

Sobre o EP, a banda explica: "Gravado e produzido esporadicamente entre julho e outubro de 2020, um disco que representa o ambiente que nos rodeia e no qual vivemos. Esta é a nossa resposta a tudo isso: não toleramos a intolerância. Dizem que a maior falha da música de intervenção é ser um produto do seu tempo - para nós, isso é bom! Queremos ver um futuro em que estas músicas sejam antiquadas e em que aquilo contra o qual lutamos seja finalmente enterrado."

A banda  de música experimental e electro-punk é composta atualmente por Luís Barreto (voz, guitarra, eletrónica) e Joana Ferreira (voz, eletrónica), iniciado em 2015. Junta a ética do punk às possibilidades infinitas da música eletrónica moderna, aliando guitarras, sintetizadores e noise a beats intensos.

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