sábado, 31 de outubro de 2020

Odete, rkeat e P. Adrix na primeira compilação da Padre Himalaya










A Padre Himalaya, do produtor português Silvestre, lançou a sua primeira compilação esta sexta-feira. SUPER V/A marca o primeiro grande lançamento da editora em 2020 e reúne seis nomes emergentes do panorama da música eletrónica de hoje para seis novos temas.

P. Adrix, o misterioso produtor que acaba de lançar "Desenhos Animados" pela Príncipe, é responsável por abrir este compêndio, que reúne ainda os talentos do brasileiro DJ L I M A, a multidisciplinar artista e produtora Odete, o duo portuense Colectivo Vandalismo, DJ Problemas e rkeat, um dos pilares da colheita Think Music

SUPER V/A sucede uma série de lançamentos da Padre Himalaya em 2019, incluindo a estreia do londrino East Man no catálogo com o EP Eastern Code'Marte Instantanea' PHMIX001, de Novo MajorAll The Things, de Silvestre

O disco encontra-se disponível no Bandcamp da editora em formato físico (edição limitada em vinil) e digital. A capa é de Tiago Carneiro e Diogo Matos e a masterização de Hugo Santos.


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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A.k.Adrix anuncia novo álbum, Código de Barras, pela Príncipe


A.k.Adrix, anteriormente conhecido por P. Adrix, vai lançar novo álbum pela Príncipe. Dois anos depois de Album Desconhecido, a estreia em longa-duração, o produtor português de descendência angolana regressa com o seu segundo e muito aguardado álbum Código de Barras, agendado para sair no próximo dia 13 de novembro.

Segundo a Príncipe, muitas das 11 faixas que compõem este lançamento são, na verdade, canções ao invés dos habituais beats que nos têm vindo a prendar ao longo dos últimos dez anos. "Estes são agitadores rudes e prontos que dispensam qualquer exercício conceptual ou excesso de narrativa”, explica ainda a editora lisboeta, que destaca o single de avanço, "Desenhos Animados", pela lucidez com que sintetiza a expressão corporal reminiscente das crianças.

Em setembro, a Príncipe lançou Máquina de Vénus, o segundo LP do coletivo Blacksea Não Maya. Antes, em, março, a editora lançou o EP Kizas do Ly, de DJ Lycox, que recebe agora a sua primeira prensagem em vinil.

Código de Barras encontra-se disponível para pré-encomenda no Bandcamp da Príncipe, em vinil e digital. A capa é de Márcio Matos e a masterização de Tó Pinheiro da Silva.


Tracklist  

01. Ambiente Spiritual  
02. Positividades 
03. FL Studio, Obrigado  
04. X50 
05. Ritmo Surfista 
06. Espuma Nocturna 
07. Hotttttttttt 
08. 2 TOKES 
09. Settings 
10. F.i.l.i.p.a.d.o 
11. Desenhos Animados

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STREAM: Strawberry Pills - Murder To A Beat

 

STREAM- Strawberry Pills - Murder To A Beat

A dupla grega de dark-synth Strawberry Pills está de regresso ao posto de escuta com o primeiro longa-duração de carreira, Murder To A Beat, disco de oito faixas, pronto para fazer as delícias das pistas de dança mais góticas. O projeto de Valisia Odell e Antonis Konstantaras inspirou-se em Agatha Christie para nomear o novo trabalho e, a sonoridade resultante, incorpora elementos do movimento minimalista fortemente explorado anos 80 com algum trabalho de eletrónica à mistura. Murder To A Beat é um disco liricamente influenciado pela vida quotidiana na cidade de Atenas, que levanta questões sociais e do espectro amoroso. A tensão taciturna presente nas melodias juntamente com os vocais profundos e distantes de Valisia (a trazerem à memória um cruzamento entre Siouxsie Sioux Lynette Cerezo) tornam este novo trabalho num produto de consumo obrigatório aos fãs das andanças mais dark.

Valisia e Antonis formaram os Strawberry Pills em 2019, ano em que chamaram a atenção com o lançamento do primeiro single de carreira "Verbal Suicide" - incluído neste Murder To A Beat - malha de traços minimais altamente influenciada pela onda dark-electro, que tocou em várias rádios underground mundo fora e os os levou a alcançar um público mais amplo. Um ano depois os Strawberry Pills forjam um álbum que combina elementos de ficção, terror, morte e romance numa onda sonora escura, misteriosa e enigmática. Do novo disco forte destaque para temas como "The Voyeur" - uma ode à fotografia voyeurística de Guy Bourdin -; a balada melancólica femme fatale "Porcelain Face"; e as energéticas "Dreams" e "Icarus". Murder To A Beat pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Murder To A Beat foi editado esta sexta-feira (30 de outubro) em formato digital e vinil pelo selo Inner Ear Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Os OXES disponibilizam a faixa "Riki Creem Calls This One "Chivas Regal""

Os OXES disponibilizam a faixa "Riki Creem Calls This One "Chivas Regal""

Os OXES, banda de culto do post-rock/math-rock formada no final da década de 1990, divulgaram hoje a faixa "Creem Calls This One "Chivas Regal"", que irá integrar o seu disco, The Fourth Wall. Activos entre 1998 e 2011, os OXES eram um trio instrumental composto pelos guitarristas Marc Miller e Nat Fowler e pelo baterista Christopher Freeland. Conhecidos pelas suas performances de cariz irónico e experimental, a banda descreve a sua música como "poemas tonais de heavy metal"

The Fourth Wall é um reissue de luxo do seu LP homónimo lançado em 2000. Consistirá numa remasterização dupla em vinil feita por Sarah Register (produtora que já masterizou Protomartyr, Dope Body e Big Ups) do seu LP homónimo e da sua primeira John Peel Session, e irá conter também um booklet com fotografias e textos inéditos do seu percurso. Esta colectânea, que será incluida numa sleeve da alumínio com um gatefold pintado por Christopher Freeland, conta com a chancela da Computer Student e estará disponível a partir do dia 27 de novembro. Porém, é desde já possível fazer o pre-order do disco AQUI.


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Festival Para Gente Sentada regressa em dezembro

Festival Para Gente Sentada regressa em dezembro


O Festival Para Gente Sentada está de regresso a Braga, desta vez para uma edição de Natal de três dias onde se juntam alguns dos principais nomes do actual panorama musical. 

Apesar do desconcertante ano de 2020, o Theatro Circo continua a abraçar a cultura cantada em português. A 17.ª edição do festival acontece nos dias 17, 18 e 19 de dezembro e abre com os temas minimalistas da jovem artista Surma e as poéticas letras do cantautor Benjamim. A segunda noite é preenchida pela doce voz do indie brasileiro de LaBaq e por aquele que já é considerado um dos melhores compositores e intérpretes da sua geração, Samuel Úria. A terceira e última noite do festival encerra ao som dos bracarenses Ocenpsiea e do eterno rebelde Jorge Palma

Os bilhetes diários para a 17.ª edição do Festival para Gente Sentada vão estar disponíveis brevemente, pelo valor de 20€, na bilheteira do Theatro Circo, bol.pt e locais habituais. 

Festival Para Gente Sentada regressa em dezembro

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Joana Guerra edita novo álbum em novembro

Joana Guerra edita novo álbum em novembro

Quatro anos depois do aclamado Cavalos Vapor eis que chega o quarto álbum de originais de Joana Guerra, Chão Vermelho. Editado pela label berlinense Miasmah, conta com as colaborações de Maria do Mar no violino e Carlos Godinho nas percussões e objetos, para além da contribuição de Sofia Queirós Orê-Ibir e de Bernardo Barata, respetivamente contrabaixo e voz, na belíssima "Equinopes". O álbum é composto por Joana Guerra que, para além de violoncelo e voz, os seus principais instrumentos, se aventura também a usar guitarra portuguesa, guitarra elétrica e teclados.

Lançado exclusivamente em vinil, Chão Vermelho traz um ambiente de experimentação e risco que nos transporta para um cenário apocalíptico em que a extrema secura de um chão em que já nada pode crescer é interrompido a espaços por canções surpreendentes que evocam, como murmúrio ou como oração pagã, a sempre iminente possibilidade de regeneração. "O nome do disco vem inspirado na zona onde vivo, de terra barrenta, que me fascina bastante, embora a seca me cause uma sensação atroz", explica Joana Guerra. Talvez porque este chão que cobre a terra, como pele de fendas profundas, ateste o cansaço, as rugas da civilização. Ainda segundo a artista, "Chão Vermelho reflecte sobre a matéria e também o imaterial, que pisamos e a que nos ligamos".

Pequenas flores azul-metálico, um animal branco prestes a extinguir-se, pedras raríssimas que só existem em duas latitudes, o vermelho como sinal de alerta: som ecológico, mas também como sinal de renovação, como na mulher pelos seus ciclos de sangue, tudo isto compõe o universo de Chão Vermelho de Joana Guerra. E enquanto os micélios sentirem a nossa presença talvez haja esperança para esta terra, para esta mulher que nos seus ciclos de morte e renovação é telúrica de mais para ser santa.

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Drew Mcdowall explora a alegria, o terror e a elegia em novo álbum, Agalma

©Seze Devres

Saiu hoje o novo álbum do músico-compositor Drew Mcdowall. Agalma é o quarto longa-duração a solo do ex-Coil/Psychic TV e recebe o selo da americana Dais Records, que descreve o álbum como o seu “menos industrial até data”.  

O título do disco deriva do grego antigo para imagem de culto ou oferta votiva e foi inspirado "na intersecção da alegria com o terror e a elegia", explica McDowall. Este é também o trabalho mais colaborativo do escocês, que reúne os talentos de Caterina Barbieri, Kali Malone, Maralie Armstrong-Rial e Robert Aiki Aubrey Lowe para algumas das suas composições. Em “Agalma VII”, um dos nove temas incluídos neste lançamento, McDowall aventura-se pelos terrenos da manipulação da voz e do uso de auto-tune (cortesia dos egípcios Toyor El Janeh, MSYLMA e Bashar Suleiman e da inglesa Elvin Brandhi que formalizam este delicioso combo sem fronteiras).  

Drew McDowall nasceu na cidade de Paisley, na escócia, em 1961. Formou os The Poems com a então esposa Rose McDowall no final da década de 70 e colaborou com Genesis P-Orridge, David Tibet, Peter “Sleazy” Christopherson, John Balance e outros notáveis que definiram a nata da música industrial. Integrou a formação dos Psychic TV e tornou-se  membro oficial dos isolacionistas Coil, moldando a direção criativa do grupo em registos esenciais como Worship the Glitch e Musick to Play in the Dark

A mudança para Brooklyn, há vinte anos, levou-o a trabalhar com novos talentos como Hiro Kone, Puce Mary, Croatian Amor Varg . Juntamente com a artista intermedia Florence To,  McDowall tem vindo a revisitar o seminal Time Machines, dos Coil, através de um caleidoscópico espetáculo audiovisual que contemplou a edição de 2019 do festival Semibreve.

Agalma encontra-se disponível em formato digital em todas as plataformas digitais e em vinil na loja oficial da Dais Records. 

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Festival Eufonia estreia-se em Portugal

Festival Eufonia estreia-se em Portugal

ATUALIZAÇÃO: O festival foi adiado para 2021, de acordo com um comunicado no evento de Facebook.

Após uma primeira edição decorrida em Berlim, o festival Eufonia chega a Portugal para três dias de eventos imersivos que têm como objetivo unir campos divergentes através do meio comum que é o som. O evento irá decorrer na ADAO, Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios, no Barreiro, entre os dias 13 e 15 de novembro (de sexta-feira a domingo).

O festival promete proporcionar mais do que apenas uma experiência auditiva ou uma abordagem académica, mostrando uma série de trabalhos artísticos e científicos multissensoriais que darão aos participantes uma compreensão concreta do impacto do som e a sua relação com a forma humana. Estas exposições irão mostrar, por exemplo, como o som estimula o cérebro e influencia a consciência, como é que pode ser acessível através do toque e do cheiro, como pode comunicar visualmente, movendo o corpo fisicamente. Serão explorados múltiplos usos do som em diferentes áreas de intersecção com a arte e a ciência.

Com base na experiência dos oradores e intérpretes, o programa inclui palestras, apresentações, performances e instalações. Tudo isto irá explorar o uso multi-disciplinar de áudio dentro da educação, inovação, saúde e arte.

Devido à pandemia do Covid-19, a lotação dos espaços será limitada.

Segue-se o cartaz completo:

Festival Eufonia estreia-se em Portugal


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Good Morning TV apresentam single "Insomniac". Disco de estreia chega em 2021

De França chega-nos Good Morning TV, banda que se dedica às facetas mais fantasistas e utópicas da pop, a trazer à tona umas vibes de Melody’s Echo Chamber, Stereolab ou Broadcast. Depois de em 2016 se lançarem com o EP de estreia homónimo, o qual se destacou fortemente tanto em França como no exterior, a banda formada por Bérénice Deloire, Barth Bouveret, Guillaume Rottier e Thibault Picot tem novidades agendadas já para o início de 2021. Falo-vos do álbum de estreia do grupo que terá como título Small Talk e será editado pela Géographie. Deste álbum fará parte o single “Insomniac”, primeira música lançada pelos Good Morning TV nos últimos 4 anos.

“Insomniac” surge assim dotada de sonoridades sensíveis, introspetivas, guiada por um piano que nos embala e que ao mesmo tempo evoca pensamentos que oportunam a mente quando tentamos adormecer. 

O vídeo foi realizado por Antoine Magnien, com inspiração na obra “work n°2811” de Martin Creed, e alimenta-se à base dos reflexos, uma espécie de exame de auto-consciência. Podem assistir em baixo.

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P.A. Hülsenbeck & Michael Schönheit - "Peak Independence" (video) [Threshold Premiere]

 

P.A. Hülsenbeck & Michael Schönheit - Peak Independence (video) [Threshold Premiere]

In order to explore the sonic potential of the Schuke organ juxtaposed with unrestrained electronic synthesis and otherworldy digital processing, Philipp Hülsenbeck and Michael Schönheit joined forces in the Spring of 2019 in order to give birth to Reaping From The Conflux, a double album condensed in a synergy of opposing musical aesthetics:  a push and pull between discordance and tranquility. If in the previous single "Entities" that aura was already evident, in the new sharp and synth-driven "Peak Independence" Hülsenbeck and Schönheit counterpoint the serenity that inhabits the repeating Basso Ostinato in its ancestor track with a bombshell of experimental electronics that involves beautiful organic textures alongside dynamic digital tones.

To highlight the Schuke organ intensity P.A. Hülsenbeck & Michael Schönheit are releasing today a new music video for the new track "Peak Independence" where we can observe its vigorous composition deformed between electronic waves. Ranging From The Conflux was composed by Michael Schönheit & Philipp Hülsenbeck and recorded by Fritz Brückner at Gewandhaus Leipzig. The new video for "Peak Independence" can be watched below first-hand.

Reaping From The Conflux is out on October 30th in vinyl and CD via the german label Altin Village & Mine. You can purchase a copy here.

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Silente leva-nos até ao seu mundo dos sonhos com o single "Em Espera"

© Nuno Mendes

Consultando o dicionário, a palavra "Silente" surge como algo "desprovido de barulho; sem ruídos ou sons; silencioso. Que não fala; que não se expressa por meio de palavras; calado". O que o dicionário não nos conta é que Silente é também o novo projeto de Miguel Dias (ex-Rose Blanket) e Filipa Caetano, e que conta com a colaboração do escritor/poeta Frederico Pedreira nas letras.

O primeiro disco de Silente é o resultado de uma paciente maturação que se estendeu pelo período 2015-2019, durante o qual o gosto pela experimentação contribuiu para alongar, sem pressas, todo o processo criativo. As primeiras gravações datam de 2015, em Mindelo, tendo sido ainda feitas gravações em Figueiró dos Vinhos, durante 2017, para a captação de baterias e percussões. No entanto, a maioria das gravações foi feita em casa pelo Miguel Dias, que ainda fez a mistura e é responsável por grande parte da instrumentação. As vozes são de Filipa Caetano, que já tinha colaborado com Miguel Dias no último disco de Rose Blanket, Nothing Ahead Nothing Behind. Para este disco contribuíram também Miguel Gomes (guitarras em 2 temas e algumas percussões), Miguel Ramos (baixo em 3 temas) e Miguel Ângelo (baterias e percussões).

O tema "Em Espera" é o primeiro a ser conhecido do disco de estreia homónimo e apresenta-se como uma procura de realidades ainda mais sonhadoras e líricas. Silente sai no próximo dia 6 de novembro.

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@c comemoram 20 anos de carreira com concerto no Understage


Nota de imprensa: o concerto de @c, no âmbito do Understage, previsto para esta quinta-feira, dia 29 de outubro, às 23h00, no Teatro Rivoli, foi cancelado.

Os portugueses @c apresentam-se esta quinta-feira, dia 29 de outubro, no Understage do Teatro Rivoli. Para marcar os vinte anos do projeto, a dupla composta por Pedro Tudela e Miguel Carvalhais convida o artista transdisciplinar André Rangel para a criação de um novo espetáculo, “Não-Nada”.

Descrito como uma performance para som multi-canal e luz, "Não-Nada" explora "o palco, não-palco e sub-palco do Rivoli", destilando duas décadas de experimentação sonora radical de um permanente trabalho em curso.

Pedro Tudela e Miguel Carvalhais colaboram desde 2000, tendo publicado mais de duas dezenas de edições discográficas em selos tão respeitados como a portuguesa Crónica, onde editam grande parte da sua obra, ou francesa Baskeru, que editou o seminal Music for Empty Spaces em 2010. Apresentaram cerca de duas centenas de espetáculos e assinam várias instalações sonoras, sendo octo_ _ _ _, uma instalação ambiente de grande formato encomendada para a cidade de Esposende, a mais recente.

O espetáculo é uma co-produção do Teatro Municipal do Porto com a Matéria Prima e está agendado para as 23h. Os bilhetes encontram-se disponíveis em bol.pt pelo preço único de 7 euros.


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Sintetizadores old school e cowboys em voga na estreia de Cong Josie

 

Minimal wave old school e cowboys em voga na estreia de Cong Josie

Cong Josie é o alter ego hedonista do australiano Nicolaas Oogjes, mais conhecido como o líder da banda NO ZU. O projeto faz a sua estreia nas edições de estúdio esta semana com o single de 7'' duplo 'Leather Whip/Maxine' - duas declarações de intensidade latejantes a mergulhar entre as profundezas da minimal wave old school e a nostalgia jungle do rock'n'roll dos 50's. O single de estreia do artista, "Leather Whip" serve de introdução ao mundo de Cong Josie e coloca em voga a euforia do electro pop dos anos 80 com as reminiscências do post-punk industrial. Por sua vez, "Maxine" apresenta-se como uma cover de uma canção pouco conhecida de Wayde Curtiss & The Rhythm Rockers, onde Cong Josie aposta numa linha ousada, com uma voz feminina de apoio que torna o tema ainda mais sensual.

Nicolaas afirma que habitar o personagem Cong Josie permite-lhe mergulhar nas profundezas da sua psique e arrastar o que ele encontra lá, desde os movimentos mais realistas às paisagens mais surreais. Em "Leather Whip" esses traços criativos são denotados essencialmente ao nível da lírica que aborda os laços familiares de Nicolaas Oogjes com as corridas de cavalos e os direitos dos animais no contexto da cultura do homem australiano. Na sonoridade resultante oferece-se uma viagem fortemente relaxante e conduzida pelo mundo imersivo dos sintetizadores old school. Os dois temas podem agora escutar-se abaixo.

Leather Whip / Maxine é editado oficialmente esta sexta-feira (29 de outubro) em formato digital pelo selo it records. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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STREAM: João Diogo Leitão - Por Onde Fica a Primavera

STREAM: João Diogo Leitão - Por Onde Fica a Primavera

Por Onde Fica a Primavera é o primeiro registo de João Diogo Leitão, um disco a solo com música original para viola braguesa feito em Serpa, no Musibéria, e editado em álbum pela Respirar de Ouvido, em outubro deste ano.

João Diogo Leitão tem um percurso musical intimamente ligado à guitarra clássica, enquanto intérprete, assumindo- se desde cedo como um dos talentos da sua geração, tendo sido premiado e distinguido em vários concursos, destacando-se, especialmente, o 1º lugar no “Prémio Jovens Músicos” (Antena 2). A descoberta da viola braguesa – um dos muitos cordofones tradicionais portuguesas –, o fascínio pelas suas características tímbricas e o potencial inexplorado deste instrumento desencadearam uma metamorfose. Despoletaram uma urgência poética que o levou a investigar e compôr música para esta viola que surge do natural encontro entre os mundos da música erudita e música tradicional portuguesa, inovando na abordagem técnica e estética, criando um repertório próprio para este cordofone.

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"This is over" antecipa disco de estreia de Hermidgets

 

"This is over" antecipa disco de estreia de Hermidgets

O produtor italiano Hermidgets prepara-se para fazer a sua estreia nos longa-duração já no próximo mês de novembro, com The Mire e aproveita o presente outubro para nos apresentar a primeira extração do mesmo através do single "This is over". Misturando camadas sintetizadas entre os alicerces da música dark e eletrónica Hermidgets incorpora no novo tema a experiência que tem adquirido como produtor ao longo dos anos em projetos paralelos, mas aqui com um forte vinco nas melodias tristes e melancólicas. Influenciado por nomes como Depeche Mode, Sigur Rós, Woodkid, Air ou Nick Drake, o produtor cria uma ambiência textural elegante numa faixa suave, mas musicalmente rica.

Em "This is over" o trabalho lírico de Hermidgets reflete o seu amplo interesse no sentimento de tristeza, sendo que as palavras expõem uma  certa reminiscência poética. Embora o produtor considere a sua música sombria, a verdade é que o resultado da audição leva a crer que este é um tema que nos faz sentir melhor do que muitas melodias mais alegres. Juntamente com o novo tema o produtor avançou igualmente com um trabalho audiovisual que se caracteriza como uma sequência de filmagens dirigidas e editadas por Hermidgets, que se podem agora visualizar abaixo.

"This is over" foi editado oficialmente a 16 de outubro em formato self-released. Podem fazer o download da faixa gratuitamente aqui. The Mire tem data de lançamento prevista para 27 de novembro em formato digital.

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Oráculo Records lança compilação tributo aos Absolute Body Control

 

Oráculo Records lança compilação tributo aos Absolute Body Control

No ano em que se celebram os 40 anos da formação dos Absolute Body Control - um dos projetos mais influentes na prospeção do movimento minimal synth -, a espanhola Oráculo Records convidou 16 artistas da nova escola de sintetizadores para prestar-lhes a devida homenagem. O resultado é a compilação ABSOLUTE BODY CONTROL - 1980​/​2020 que chegou esta semana ao radar e conta com reinterpretações bastante distintas dos novos nomes em voga no movimento underground da dark electronics. Entre os convidados destaque para a abordagem de nomes como Sydney Valette, Blind Delon, Rue Oberkampf, Agent Side Grinder, LOVATARAXX ou Gertrude Stein.

Fortemente influenciados por nomes como Suicide, D.A.F. e todo o início da cena eletrónica pelo Reino Unido, os Absolute Body Control foram uma das primeiras bandas da escola eletrónica belga a terem forte ação no palco, o que levou a que vários dos seus singles aparecessem em compilações um pouco por todo o mundo. Depois do lançamento de várias cassetes e do hit "Is There An Exit?" a banda de Dirk Ivens e Eric Van Wonterghem viria a separar-se em 1984 para que os seus membros explorassem outros caminhos que mais tarde originariam projetos também influentes como é o caso de Klinik, Dive, Block 57, S/HE, MOTOR!K, Sonar, Monolith e Insekt. Depois do retorno à atividade em 2007 e 40 anos depois do início da história surge agora a compilação tributo à banda com 16 temas reinterpretados que se podem agora assimilar na íntegra abaixo.

ABSOLUTE BODY CONTROL - 1980​/​2020 foi editado esta terça-feira (27 de outubro) em formato digital, tendo ainda uma versão física no formato vinil com lançamento agendado para 5 de dezembro na chancela espanhola Oráculo Records. Reservem já a vossa cópia física aqui, antes que esgote.


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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

'Vénia' de João Vairinhos já disponível em vinil e CD

 

Vénia de João Varinhos já disponível em vinil e CD
 © Pedro Roque

João Vairinhos estreou-se este ano a solo nas edições de estúdio com um EP que cada vez mais o projeta como um grande nome de destaque nos territórios da produção nacional de vanguarda. Intitulado Vénia, o novo disco afirma-se numa toada instrumental por vezes tão conhecida e familiar como distante e surreal. Entre um cenário de caos iminente e uma profunda sensação iminente de suspense, Vénia é uma autêntica realização sonora com efeitos de produção de exímio nível. Ao longo das três faixas que compõem o álbum, João Vairinhos aposta em força nas atmosferas psicologicamente densas forjando todo um percurso autêntico que equilibra desde ambientes inertes de ritmo a cenários energéticos e de profunda catarse. 

A celebrar os seis meses que assinalam o lançamento oficial, o artista português disponibiliza agora duas novas versões físicas para esta aclamada obra, um formato dedicado em vinil - com destaque para a edição limitada a 30 cópias com uma capa alternativa assinada pelo ilustrador lisboeta André Trindade (CVSPE) - e outro disponibilizado na versão CD. As edições em vinil e CD têm o selo da Raging Planet, Regulator Records e Ring Leader e já estão disponíveis para encomenda. 

Relembre-se que Vénia foi lançado oficialmente a 29 de abril em formato digital e cassete. As versões físicas em CD e vinil encontram-se agora disponíveis para compra através deste link.

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STREAM: PARKING DANCE - Can't Explain

 

STREAM - PARKING DANCE - Can't Explain

PARKING DANCE continua imparável. O projeto a solo de bedroom post-punk assinado por Matthieu Bonnécuelle regressou este mês às edições com novo longa-duração. Intitulado Can't Explian, o trabalho que vem dar sucessão à estreia WHAT MORE? (2019, Icy Cold Records) apresenta onze novos temas que se desenvolvem entre os ritmos monocromáticos do post-punk, as atmosferas mais frias da coldwave, a aura sonhadora e distorcida do shoegaze e a energia frenética das caixas de ritmo. Can't Explain é um ensaio de diversão que volta a colocar PARKING DANCE nas playlists fora. Com pouco interesse em manter um som límpido no auge, a PARKING DANCE interessa mais abstrair do som os seus elementos aditivos numa composição musical que segue sem fórmulas ou estruturas pré-demarcadas. O objetivo é entreter o ouvinte e conduzi-lo a um profundo estado de imersão ao longo de uma banda sonora homemade.

O resultado emana essa ambição e é, de certo modo, difícil ficar indiferente às composições auspiciosas que PARKING DANCE cria. Deste novo Can't Explain - anunciado no início do mês - já tinham anteriormente sido divulgadas três faixas, onde ganharam destaque "Someday" (a ir ao encontro das produções já anteriormente apresentadas) e o pedaço de post-punk revival "Get Off". Além das mencionadas forte destaque para "Shore" - uma das músicas mais badaladas do álbum -; "Karma Paranoid" - pela sua atmosfera extremamente lo-fi e profundamente genuína, com um início que parece ter começado por erro -; a melancólica sorumbática "Shaking" e a dose de energia divertida de "Just Dance". Can't Explain pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Can't Explain foi editado na passada sexta-feira (23 de outubro) em formato CD e digital pelo selo Icy Cold Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.


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STREAM: Rïcïnn - Nereïd

 

STREAM: Rïcïnn - Nereïd

Rïcïnn regressou este mês às edições de estúdio com Nereïd, o seu segundo esforço longa-duração a abraçar uma experiência de uma encarnação num mundo material harmonizado pelos ritmos da natureza. O disco, que foi sendo composto enquanto Laure Le Prunenec estava em tour com os Igorrr, apresenta-se como um exercício vocal extremamente carismático e com uma força poderosa ao nível dos instrumentais absolutamente conquistadora. No resultado final tiveram impacto alguns dos membros de Igorrr, Corpo Mente e Öxxö Xööx, além de Travis Ryan (Cattle Decapitation) e Eran Segal (guitarras e texturas). Apoiado por instrumentações clássicas, barrocas e a voz sempre operática a que Rïcïnn nos tem habituado, este Nereïd representa todos os movimentos, nuances da vida e as suas complexidades, tal como a artista reflete na artwork do álbum.

Em suma Nereïd é um disco imprevisível que se abastece de inesperadas explosões de terror, cada uma sagrada por si mesma, numa obra que incorpora uma estonteante capacidade para tocar o ouvinte. Anunciado em agosto o disco viu até à data serem divulgadas duas faixas de avanço, a abismal "Doris" e a distopia sonora "Psamatäe". Além dos mencionados temas, forte destaque para faixas como a ritmada "Nereïd", a apoteótica "Artäe" e as sonhadoras "Ëon" e "Thaliäe". Nereïd reflete uma maturação no processo de composição da artista francesa que abraça agora uma abordagem eletrónica mais experimental e vigorosa, num disco ainda mais marcante que o antecessor. A obra completa pode escutar-se na íntegra abaixo.

Nereïd foi editado na passada sexta-feira (23 de outubro) em formato CD, vinil e digital pelo selo finlandês Blood Music. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Fotogaleria: Clã [Teatro Sá da Bandeira, Porto]

 Fotogaleria: Clã [Teatro Sá da Bandeira, Porto]

Foi no passado dia 24 de outubro que os
Clã apresentaram Véspera, o seu novo álbum, no Teatro Sá da Bandeira. O alinhamento juntou as novas músicas aos maiores clássicos do sexteto portuense, não abrindo espaço para momentos mortos. A banda, profissional e bem disposta, mostrou estar em excelente forma e conquistou uma audiência visivelmente entusiasmada.

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O novo álbum dos USA Nails mostra bem o seu carácter revolucionário

 

O novo álbum dos USA Nails mostra bem o seu carácter

Trabalhadores revolucionários, os USA Nails estão de regresso às edições de estúdio com o massivo Character Stop. A banda que passou por Portugal há cerca de dois para mostrar a sua atitude crua e absolutamente devastadora tem trabalhado desde então afincadamente ao redor de uma sonoridade astuta a conjugar traços revivalistas do punk em profunda harmonia com os elementos insípidos da noise-rock e o resultado tem produzido uma série de singles, mixtapes, EP's e LP's de passagem mas com traços marcantes visíveis. Um ano depois de Life Cinema (2019) Daniel Holloway, Gareth Thomas, Tom Brewins, e Steven Hodson regressam com um disco que é ainda mais violento e abrasivo, pronto para colocar os amplificadores a rugir som, mas igualmente marcante e memorável.

O disco anunciado em agosto começou por ser mostrado através do progressista "Revolution Worker" e prometia trazer ao radar mais 11 novos temas repletos em elementos punk, com guitarras camufladas e um poder violentamente energético. Cerca de dois meses depois do anúncio os USA Nails mostram em Character Stop - o quinto disco de estúdio na carreira - que nem o confinamento nem a incerteza permanente os inibiram de se desvirtuar eficazmente na progressão do seu som, que aqui se apresenta maturo e cheio de elementos absolutos. 

Além de "Revolution Worker" e "I Don't Own Anything" - que serviram de antecipação a Character Stop -, do novo disco recomenda-se fortemente a audição de temas como "How Was Your Weekend?", "Preference For Cold" e "Wallington" - faixas que apresentam um interessante novo rumo ao som que os USA Nails nos têm mostrado, com algumas influências de nomes como Slint e Fugazi - e ainda o divertido "Temporary Home". O novo disco pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Character Stop foi editado na passada sexta-feira (23 de outubro) em formato vinil, CD e digital pelos selos Hex Records (USA) e Bigoût Records (França). Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Luís Pestana anuncia álbum de estreia pela Orange Milk Records



Luís Pestana anunciou o lançamento do seu primeiro álbum. Rosa Pano marca não apenas o regresso do músico e produtor lisboeta às edições, mas também a estreia no catálogo da americana Orange Milk Records, selo importante na confecção de oníricas obras de vaporwave moderna que editou, entre outros, trabalhos de Machine Girl, Foodman e Fire-Toolz.  

Depois de uma jornada proveitosa enquanto guitarrista dos extintos LÖBO, Pestana voltou-se para o conforto do seu quarto e para os meios que tinha à mão para elaborar pequenas relíquias em forma de ficheiros digitais. Temas como “Mare “Mare e "Adormecida" marcaram um afastamento do seu passado post-metal e passaram a abraçar a força insustentável da ambient e do drone. “Sangra”, o primeiro tema a sair de Rosa Pano, surge três anos depois de Pestana se ter lançado pela primeira vez a solo e demonstra um abordagem mais aérea e pastoral para com a música eletrónica.  

O disco está agendado para sair no a 27 de novembro, em cassete e digital, e servirá de pano de apresentação para o concerto a ter lugar no Lux Frágil, em Lisboa, na próxima quinta-feira.


  

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Com as pistas de dança encerradas os NNHMN fazem a festa

 

Com as pistas de dança encerrada os NNHMN fazem a festa

Desde que começaram a emergir o seu nome no cenário da eletrónica dark underground os NNHMN têm conquistado cada vez mais espaço no mercado e movimentado um grande número de fãs muito graças à sua personalidade amigável e carácter musical amplamente imersivo. Sem grandes concertos no currículo é pelo amor dedicado ao que fazem - com produções a serem editadas a um ritmo alucinante - e pelo espírito de pertença que emancipam nas redes sociais que, a dupla constituída por Lee Margot e Michal Laudarg tem cultivado uma opinião bastante positiva e coerente ao redor do seu trabalho. 

Depois de terem em julho passado Deception Island Part 1, (entre uma mão cheia de temas inéditos compostos no período embrionário, pelo meio) a banda regressa agora aos holofotes com o EP que lhe dá sucessão. Intitulado Deception Island Part 2, o novo disco é composto por seis faixas inéditas apresentando-se como mais uma bomba pronta para incendiar as pistas de dança caseiras mundo fora. Do novo lançamento destaque para faixas como "Cold Eyes" - a mostrar todo o potencial futurista da dark techno - e a vigorosa malha de encerramento "Education Lost", a fazer lembrar as ambiências abrasivas de nomes como Petra Flurr. O disco pode escutar-se na íntegra abaixo.

Deception Island Part 2 foi editado esta terça-feira em formato digital pelo selo Oráculo Records. A edição física no formato vinil chega às prateleiras a 5 de dezembro. Podem reservar a cópia física aquiRecorde-se  ainda que os NNHMN lançaram na passada segunda-feira (26 de outubro) um novo trabalho audiovisual para o tema "The River of Fire" que pode visualizar-se aqui.


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"MAN'S BEST FRIEND" é o novo grito de revolta dos HIDE

 

"MAN'S BEST FRIEND" é o novo grito de revolta dos HIDE

O primeiro tema inédito dos norte-americanos HIDE desde que lançaram o abrasivo Hell Is Here (2019, Dais Records) chegou ao radar na passada quinta-feira sob o desígnio "MAN'S BEST FRIEND". O novo lançamento vem dar sucessão ao EP KILL YOUR HEAD que em fevereiro nos fez relembrar dois temas originais de The Jesus Lizard e Born Against, - "BLOCKBUSTER" e "WELL FED FUCK", respetivamente - abstendo-se ainda de notícias relativas a um possível sucessor do segundo longa-duração. 

Com os concertos e a respetiva tour pela Europa em stand by por tempo indeterminado, a dupla composta pela "desumana" Heather Gabel e o revolucionário Seth Sher voltam a criar em "MAN'S BEST FRIEND" uma eletrónica sonora altamente bruta e efervescente repleta pelos rasgos poderosos da música industrial e o desconforto imersivo das ondas noise. Com o purgatório em mente, resultado da assimilação brusca da instrumentação inóspita, os HIDE conseguem criar um mudo sonoro enaltecido em caos e angústia. "MAN'S BEST FRIEND" não é exceção.

"MAN'S BEST FRIEND" foi lançado oficialmente a 22 de outubro em formato self-released e pode ser descarregado gratuitamente seguindo este link.


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Long Voyage Demos & Acustic Live, o novo disco dos Cello: 20 anos depois, o futuro que hoje é passado, no presente

© Carlos Didelet

A Threshold Magazine esteve à conversa com Cristina Martins, vocalista dos Cello e com o baixista Pedro Temporão. Falámos dos Cello, de França, de mod, da 2Tone, de Almada e do lançamento do novo disco agendado para o dia 30 de Outubro. 

É o regresso dos Cello, banda de culto portuguesa, de topo no indie nacional da década de noventa - e de vanguarda, de Portugal, alcançaram a Alemanha, Itália, França, Bélgica, Holanda, México, Hong Kong. Deram inúmeros concertos, ainda hoje, temos saudades deles. A banda dissolveu-se no princípio de 2003 após três álbuns de originais e um disco de remisturas. Aqui fica um pouco da estória, da História dos Cello.

Contem-nos em poucas linhas (ou nas linhas que entenderem) a estória dos Cello, de como começaram?

Pedro Temporão - Os Cello começaram por ser uma banda instrumental, isto em 1992. Éramos três elementos, eu, o José Nave e o Carlos António Santos. Já tínhamos estado juntos nos Actvs Tragicvs. Nesse mesmo ano juntou-se à banda a Cristina Martins. No início de 1993 editámos duas cassetes com alguns dos temas que viriam a fazer parte do primeiro álbum, também de 1993, Alva, com o selo da Symbiose. Neste primeiro álbum ainda usámos a língua portuguesa em algumas canções. Nos álbuns seguintes a língua francesa ficou definitivamente como a língua oficial da banda.


Alguma relação em especial com França? A voz da Cristina molda-se muito bem ao sotaque francês e empresta uma beleza especial às canções dos Cello, sotaque perfeito, diria mesmo, nativo.

Cristina Martins - Não há uma relação direta com França, mas sim com a língua. Na época eu tinha um contacto muito estreito com a língua francesa por dois motivos: estava a tirar o meu curso, na Faculdade de Letras de Lisboa, de Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Portugueses e Franceses e em simultâneo trabalhava num organismo francês em Lisboa (Câmara de Comércio Luso-Francesa). Por outro lado, a língua francesa é, quanto a mim, uma língua já de si muito musical, muito melódica e quis arriscar essa tentativa da escrita de canções em francês. O primeiro álbum é, se reparares um misto de músicas escritas em francês e português. A experiência foi bem aceite pelos restantes elementos da banda e assim o francês prevaleceu como língua oficial da banda. Posso ainda acrescentar que na altura ouvia algumas bandas francesas como por exemplo Les Negresses Vertes, ou os West Side Boys.

Para além dos Cello e dos Actvs Tragicvs, o universo dos Cello expandiu-se também por outros projectos/universos musicais, Corsage, The Manchesters, por exemplo.

Pedro Temporão - Eu continuei, com os Raindogs, Corsage, The Fishtails, Os Magnéticos. Actualmente com The Manchesters e Corsage. A Cristina ficou-se só com os Cello. O Zé na altura tocava nos Coty Cream e também tocou com o Farinha Master dos Ocaso Épico. O Carlos seguiu comigo para os Raindogs e Corsage.

A vossa representação musical é bastante universal e é admirável a presença no espectro sonoro, assim como todo o trabalho mostrado até hoje. Os Cello continuam a marcar essa presença com este novo a quem chamas "de velho" disco, uma novidade, no entanto, contém inéditos, fala-nos deles.

Pedro Temporão - Os inéditos contidos neste disco são cinco temas que ficaram de fora do terceiro álbum Long Voyage, por uma questão de opção não foram levados para estúdio para a gravação do álbum. Os outros temas são demos de temas desse mesmo álbum.

Capa de Long Voyage Demos & Acustic Live

E ainda somos brindados neste disco com temas gravados ao vivo, de uma das vossas actuações na Fonoteca Municipal de Lisboa, uma raridade. Demonstra bem memórias representativas do quão excelente foi a década de noventa para os Cello e também para nós, que pudemos assistir e agora reviver com este disco o vosso  regresso. Foi difícil escolher o alinhamento?

Pedro Temporão - O alinhamento foi escolhido entre temas dos nossos dois primeiros álbuns e dois ou três inéditos que viriam a fazer parte do álbum seguinte, editado pouco tempo depois. Escolhemos ainda uma versão (foi a primeira e a única vez que tocámos um tema de outra banda), "Nice Dream" dos Radiohead. Esta versão foi uma escolha do José Nave. Neste concerto foi a única vez na minha vida que toquei guitarra ao vivo. E ainda tivemos um baterista convidado. Nice Dream" ficou neste novo disco como faixa escondida.

"Nice Dream" é uma canção tão bonita, agora a (re)descoberto neste disco. Onde podemos adquiri-lo?

Pedro Temporão - Através da editora Zona 22 ou através da banda. Vai estar ainda à venda na Drogaria Central, em exclusivo, em Almada.


Almada, que sempre pulsou pela música no que toca a novas criações de projectos nacionais. Numa altura em que o panorama artístico, cultural está fortemente condicionado, sei que os Cello continuam a aparecer ao vivo, mas como DJs. tanto a Cristina Martins como o Pedro Temporão.

Pedro Temporão - Estes DJs set são cada vez mais raros. Todos sabemos porquê. A Cristina ainda fez parte, como DJ, de um colectivo com a Elsa Garcia e a Sofia Filipe, chamado Swinging Sisters. Faziam noites regulares em Lisboa. Eu com a Cristina iniciámos esta actividade conjunta quando tínhamos a loja Two Tone Store e assim fazíamos festas mensais ligadas à loja, em Almada.

A Two Tone, uma loja muito ligada ao movimento mod, de que tanto gostamos. Consideram-se um dos principais representantes desta cultura em Portugal?

Pedro Temporão - Naturalmente que sim. O mod é a nossa bandeira. Seja pela loja, pela música, pela roupa, pelas Lambrettas, é mesmo o "a way of life” (sorrisos).

Cristina Martins - Muita gente confunde o nome "Stone" com "Tone". O nome Two Tone vem da editora 2Tone, que existiu em Inglaterra nos anos 80, foi fundada pelo Jerry Dammers, dos Specials e remete para bandas (que tanto gostamos!) como: The Specials, Madness, The Beat, The Selecter, The Bodysnatchers, Elvis Costello, Rhoda Dakar... entre outros. Com o nome da loja, Two Tone Store, fizemos também, em parte, uma certa homenagem ao movimento ska 2tone dessa época, mas fomos ainda mais atrás, aos anos 60, buscar o movimento mod que se liga, numa linha de continuidade, ao movimento 2Tone dos 80...

E não poderia haver melhor estilo de vida, quanto a nós, afinal, a música e a moda sempre estiveram interligados e, neste caso também com aviões à mistura na sua origem. O símbolo usado pelo movimento mod é originário da pop art e foi baseado no símbolo usado nos aviões da RAF (Força Aérea Real do Reino Unido) durante a Segunda Guerra Mundial, popularizado por Keith Moon (The Who), de espírito vivo até hoje. 

Pedro Temporão - É isso. E foi quando o Keith Moon apareceu com uma camisola branca de gola alta com o target, numa sessão de fotografias dos The Who em 1964, que o símbolo ficou associado ao movimento mod para sempre. Sim, o mod e a música. Até parece que nada mais importa! (sorrisos).


Pode-se dizer que se trata de um “Long Voyage” até aos dias de hoje, fica no tempo o segundo álbum de originais dos Cello. Temos muito mais para escutar com este novo lançamento, há uma vasta, intensa actividade vossa pelas redes sociais, no mod e na música. Onde vos podemos encontrar? 

Pedro Temporão - Podem-nos encontrar nas páginas e grupos ligados ao momento mod, mods Portugal, mod64, Dance Craze Mod Society, at the club, Blitz Club, Feijó mod ska club e por aí fora, na página dos Cello e tudo no Facebook.


Long Voyage Demos & Acustic Live inclui demos, algumas de temas originais nunca antes editados do terceiro álbum dos CelloLong Voyage. Inclui também canções de um concerto acústico gravado ao vivo na Fonoteca Municipal de Lisboa a 30 de Maio de 1998.

Entrevista por Lucinda Sebastião

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