sábado, 7 de novembro de 2020

:papercutz no Village Undergound Lisboa


Depois da apresentação ao vivo de King Ruiner, em setembro, no CCBit e no início de outubro no Auditório CCOP, :papercutz regressou a Lisboa no passado dia 1, para novo espetáculo, desta feita no cenário alternativo do Village Underground Lisboa.

Neste concerto, o produtor Bruno Miguel contou com a cantora neozelandesa Maree Lawn, artista com quem já colaborou no tema “Second Days”, e a portuguesa mema., que explora sonoridades tradicionais que resultam numa eletrónica pop de tons folk e foi convidada para a reedição do tema "Do Outro Lado Do Espelho", do primeiro álbum do projecto nacional. 

A eletrónica de :papercutz é de cariz universal, entre sonoridades urbanas e exotismos tribais. Um patchwork que resulta em pleno. O objetivo musical procurado será o do globalismo, presente sem dúvida alguma em King Ruiner, álbum gravado entre o Porto, NYC, Hamburgo e Tóquio, e editado em março de 2020 pela Rossio Music

Com um desenho arquitetónico único, num puzzle de encaixes desencontrados de contentores marítimos e de autocarros de dois andares, as reminiscências do Village Underground Lisboa transportam-nos para as paisagens futuristas de TimeSquare / Blade Runner e o mundo perdido de Mad Max

Veja a reportagem fotográfica deste evento na galeria de imagens abaixo incluída.


Fotografia e texto: Virgílio Santos

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Tiago Plutão lança single de estreia "Homem da Montanha"

Plutão tem sido um mundo difícil de desvendar desde a sua descoberta; está localizado numa zona do espaço denominada Cintura de Kuiper. Através de imagens obtidas, verificou-se que Plutão possui um relevo bastante acidentado, marcado pela presença de um grande número de cadeias montanhosas. É lá que vive o Homem da Montanha, meio que a observar tudo ao longe de forma analítica e criteriosa. Atrevido, desafiador e despreocupado, vive a vida sem medos.

"Homem da Montanha" é o single que estreia Tiago Plutão nos nossos ouvidos. Uma música altamente espacial, que nos faz sentir como se os sintetizadores nos trocassem as órbitas, rodando de forma caótica ao som de backvocals hipnotizantes, mas sempre traçando piruetas musicais graciosas que só nos podem levar a um lado: um grande amor plutónico.

Os cientistas suspeitam da existência de mais luas em redor de Plutão que irão acompanhar este single de estreia, mas por agora, podem ouvir o "Homem da Montanha" em todas as plataformas online e acompanhar a sua viagem através do teledisco. 

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Audika Records edita novo álbum ao vivo de Arthur Russell




A americana Audika Records, detentora de grande parte do arquivo e propriedade do violoncelista, compositor, produtor e cantor de culto Arthur Russell, editou no passado dia 6 de novembro Sketches For World Of Echo: June 25 1984 Live At Ei, gravação ao vivo do malogrado músico de Iowa no Experimental Intermedia Foundation, em Nova Iorque.

O álbum de 10 faixas data de 1984 e traça os primeiros esboços de World Of Echo, o único álbum a solo que Russell editou antes de falecer, vítima de complicações relacionadas com o vírus HIV, aos quarenta anos. Segunda as notas oficiais de lançamento, o músico "experimenta em tempo real os efeitos do amplificação do seu violoncelo do século XVIII", balançando alternadamente entre balbúcios incompreensíveis e momentos de inspiradora clareza.

O disco inclui as primeiras versões de "Let's Go Swimming", "Keeping Up" e "Losing My Taste For The Nightlife", assim como peças nunca antes ouvidas como "Sunlit Water".

World Of Echo: June 25 1984 Live At Ei encontra-se disponível para escuta e compra, em formato digital, no Bandcamp da Audika Records. A masterização é de Timothy Stollenwerk e a capa de Alex Savello, com design de  Steve Knutson, Tom Lee e Molly Smith.



Tracklist  
 
01. Changing Forest   
02. Let's Go Swimming 
03. They And Their Friends 
04. Keeping Up 
05. Make 1, 2 
06. I Take This Time 
07. Losing My Taste For The Nightlife 
08. I Can't Hide   
09. The Boy With A Smile On His Face
10. Sunlit Water (Live 6/24/84)  


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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

"Stay Where You Are", dizem-nos os VOWWS no novo single

"Stay Where You Are", dizem-nos os VOWWS no novo single


Os VOWWS continuam a preparar território para que o sucessor de Under The World (2018, Weyrd Son Records) dê à costa. Deste modo, seis meses depois de terem colocado cá fora o cocktail de imersão "Impulse Control", a dupla regressa com "Stay Where You Are" num campo sonoro mais badalado que o antecessor. A faixa, estendida a cerca de três minutos de duração, mostra um mundo sonoro construído ao redor de camadas de texturas suaves enquanto os VOWWS nos vão consolando com o seu jogo vocal entre as entranhas mais afincadas de Matt e uma posição mais contemplativa por parte de Rizz. O single segue as linhagens exploradas no último longa-duração, caracterizando-se como um dos temas dark-pop que tão bem harmonizam as composições mais vigorosas como o caso de "Impulse Control".

Desde o lançamento de The Great Sun (2015) que Matt e Rizz têm chamado a atenção para a sua eletrónica estimulante de traços negros, contudo foi, três anos mais tarde com Under The World que os VOWWS começaram a ser vistos como uma nova força incendiária dentro do cenário underground da eletrónica contemporânea. Agora, ainda sem quaisquer detalhes relativos a um novo longa-duração, a banda prepara-nos para esse expectável cenário em "Stay Where You Are", naquele que é o segundo tema inédito da banda desde o lançamento de Under The World. Até informações adicionais serem reveladas é ir ouvindo o tema abaixo.

"Stay Where You Are" foi disponibilizado esta quinta-feira (5 de novembro) nas plataformas digitais e será lançado oficialmente em formato digital no próximo dia 11 de novembro. Podem comprar o single aqui.

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Lucrecia Dalt regressa ao gnration este sábado





Lucrecia Dalt regressa ao gnration este sábado, dia 7 de novembro, depois de por lá se ter estreado em noite partilhada com os Pere Ubu em 2014. A cantora e artista sonora colombiana apresenta-se na Black Box do espaço cultural bracarense com o seu sétimo e mais recente álbum de estúdio, No era sólida.

Editado no passado mês de setembro pela americana RVNG intl., No era sólida é um admirável trabalho de poesia eletrónica desenvolvido a partir do ponto de vista de um alter-ego, de nome Lia, que guia o ouvinte por uma ópera fantasmagórica cantada quase inteiramente em glossolalia, linguagem desarticulada, aparentemente sem nexo que Lucrecia mergulha em espectrais tratamentos de voz. 

O álbum sucede o muito aplaudido Anticlines, magnífica obra lançada em 2018 que se inspirou na experiência da colombiana como engenheira geotécnica e que lhe valeu um justo reconhecimento internacional, incluindo a entrada na lista de melhores do ano para a inglesa Resident Advisor.

O concerto está agendado para as 18h e os bilhetes já se encontram esgotados. 

Até ao final do ano, o gnration reserva ainda os concertos de Três Tristes TigresCláudia Guerreiro e Filho da Mãe e Abul Mogard, a 5ª edição da mostra de música eletrónica e arte digital OCUPA e a 2ª edição do ciclo de conversas e sessões de cinema sobre racismo “De que falamos quando falamos de racismo”


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Alice Phoebe Lou regressa a Portugal no próximo ano em dose dupla

Alice Phoebe Lou regressa a Portugal no próximo ano em dose dupla

Alice Phoebe Lou está de regresso a Portugal para apresentar o novo disco com lançamento previsto para a primavera do próximo ano. 

Sonoridades de soul, blues e jazz misturados com a feroz e cativante abordagem de Alice Phoebe Lou conquistaram a atenção de amantes de música em todo o mundo. Após o sucesso de Paper Castles, a jovem sul-africana decide romper a carência de música causada pela pandemia e apresenta um novo tema, “Witches”. A acompanhar esta estreia, Alice Phoebe Lou partilha o documentário realizado por Julian Culverhouse que mostra todo o processo criativo e de produção do seu último álbum de estúdio. 

A passagem por Portugal acontece nos dias 6 e 7 de abril do próximo ano, com actuações no Capitólio, em Lisboa e no Hard Club, no Porto, respectivamente. Os bilhetes estão disponíveis por 20 € em bol.pt, blueticket e nos locais habituais. 

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Gala Drop na Casa das Artes Bissaya Barreto este sábado

A Casa das Artes Bissaya Barreto (CABB), em Coimbra, recebe este sábado, 7 de novembro, às 18h00, o concerto inédito de Gala Drop. A banda, com mais de uma década de existência e natural de Lisboa, atua na Casa das Artes com Afonso Simões na bateria, Nelson Gomes nos sintetizadores e Rui Dâmaso no baixo.

O grupo inspira-se em sons e vibrações de diferentes lugares e épocas, com uma discografia dividida entre EPs e LPs, publicada no seu selo editorial GDR e na novaiorquina Golf Chanel Recordings.

Com uma programação regular, a CABB, primeira sede da Fundação Bissaya Barreto, é um espaço aberto à comunidade, de produção cultural diferenciada, que comemora neste mês de novembro uma década de atividade.



O concerto tem um custo de 6€ e os bilhetes podem ser adquiridos através da ticktetline.

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[Review] Kill Your Boyfriend - Killadelica

[Review] Kill Your Boyfriend - Killadelica


Killadelica | Shyrec | novembro de 2020 
7.0/10 

Psychgazers de nascença e fortemente movimentados entre as correntes estéticas do krautrock, proto-punk e eletrónica negra, os italianos Kill Your Boyfriend estão de regresso ao radar com o seu primeiro longa-duração em cinco anos, Killadelica. O novo composto sonoro é construído ao longo de onze temas onde o ponto focal rapidamente muda da pessoa que está a ser morta para o seu assassino. Daí que todas as canções do disco sejam denominadas por nomes femininos que correspondem à identidade real de mulheres mortas por serial killers. Afastando-se profundamente dessa realidade, (embora o nome da banda não o sugira tão literalmente), os Kill Your Boyfriend preferem acondicionar as emoções mais demoníacas que os evadem através de uma música profundamente bruta e compulsivamente frenética, como apresentam aqui, no terceiro disco de carreira. 

Formados em 2012 na apaixonante Veneza, os Kill Your Boyfriend são formados por Matteo Scarpa (guitarra, voz) e Antonio Angeli (bateria). Até à data lançaram dois LP's e uma panóplia de singles e EP's em várias casas europeias e americanas da vanguarda do underground. Desde então até ao novo Killadelica, a dupla italiana tem procurado afinar o seu som em torno de uma fórmula que inclui uma certa tensão sonora, um clima hipnotizante e um baseado de loops camuflado entre ruído, movimento psych e muita adrenalina. Relativamente ao conceito do novo trabalho, a banda explica que "as faixas são inspiradas nas histórias dos serial killers e nos possíveis sentimentos que os levaram a cometer gestos tão extremos, bem como motivações e emoções - vingança, ódio, busca de poder, luxúria, avareza". Talvez por isso Killadelica se apresente como um retrato sonoro mais negro e profundo que o antecessor The King Is Dead (Shyrec, 2015).

[Review] Kill Your Boyfriend - Killadelica

Com uma atitude de tristeza ao refletir que a maioria destas emoções assustadoras ainda se encontra em ação na sociedade moderna, os Kill Your Boyfriend iniciam então a história de Killadelica com "Anula", faixa de notas arrastadas por uma amálgama de ruído sonoro e uma voz apática. Para explorar um pouco do transe sentido em cenário de plena performance, a dupla italiana avança com "Jean" - um dos temas que serviu de antecipação a este novo trabalho a uma semana do lançamento - que se apresenta fugaz, além de profundamente imersivo. No mesmo ritmo frenético encontramos "Natasha", mas é quando "Nancy" se faz escutar bem alto que encontramos o passado frívolo e sedutor a que os Kill Your Boyfriend tão bem nos habituaram e que, apesar da letra ("Fear, fear, fear, fear, fear"), aqui não nos faz sentir qualquer fobia. Apesar de possessivo "Agave" é mais uma corrente de saudosismo passado numa vertente sonora meio industrial e bastante kraut.

A meio do álbum encontramos "Belle", tema emocionante que se inicia num nevoeiro em tensão para progredir, lentamente, até um ambiente sonoro cru com fervorosas influências de nomes como The Jesus & Mary Chain ou Suicide. Uma das músicas menos violentas na abordagem, mas contudo, sol de pouco dura. Com "Marie" em desenvolvimento, os ambientes sinistros e sentimentos incontroláveis voltam ao plano de ação, com uma veia sonora a abraçar os campos severos e negros da música industrial. Na mesma balança encontra-se "Elizabeth", o single que serviu de apresentação a este Killadelica e que culmina um equilíbrio perfeito entre o experimentalismo eletrónico de Ghosts (2016) e o proto-punk "Ulrich" (2017). 


Com o enredo cada vez mais intenso, "Eve" agrava o cenário ao apresentar um ritmo de intensidade fogosa prolongado, que sonicamente se encontra mais afastado das ambiências negras e mais próximo de um estado alucinogénio, que igualmente corrói a alma.  "Aileen" é mais subtil na execução embora não esconda os gritos, a pressão e o delírio sentidos no ato da morte. Para fazer com que as pessoas que deram título ao álbum não sejam esquecidas, os Kill Your Boyfriend apostam numa espécie de ritual sonoro em "Kathy", o tema de despedida, onde os instrumentos parecem apresentar tragos de arrependimento, mas igualmente um ambiente de profundo relaxamento e nostalgia. 

Menos vanguardista que Ghosts, mas sonoramente mais devastador que The King Is Dead, o novo Killadelica é um álbum de identidade profundamente sombria e repleto por devaneios comportamentais em ação. Mesmo que o conceito central se foque na exploração de uma temática considerada macabra por muitos, a verdade é que o novo som dos Kill Your Boyfriend consegue criar um equilíbrio conciso entre a aura pesada explorada no contexto e a vibe musical estridente que emana. Longe de ser um disco moribundo, Killadelica apresenta uma dimensão vívida de certas emoções disruptivas, sem nunca deixar de entreter o ouvinte.

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Ece Canlı estreia-se a solo com "Animancia"

Ece Canlı estreia-se a solo com "Animancia"
Foto: Renato Cruz Santos

Ece Canlı não nasceu no Porto, mas é aqui que tem construído uma carreira como artista, música e investigadora, explorando, através da voz, os estados liminais de corpos agonizados e demonizados, a narratividade contrafactual, o "delinking" corporal e mental. É por cá que tem trazido novas dimensões extralinguísticas a projectos como os Nooito (duo com a harpista Angélica V. Salvi), os Live Low (banda portuense iniciada por Pedro Augusto) ou Cobra'Coral (trio vocal com Catarina Miranda e Clélia Colonna).

Agora, estreia-se a solo, naquele que é o primeiro tomo de Vox Flora, disco a ser editado a 27 de novembro pelo selo Lovers & Lollypops. "Animancia" é um dos oitos temas gravados em residência artística em Alpendurada, na proximidade com uma natureza que serve de fio condutor para o disco e que, assim como a relação do homem com o mundo em redor, se habita de céu e de inferno, de luz e escuridão. O vídeo, realizado por Luís Sobreiro, pode ser visto de seguida.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Rodrigo Cuevas apresenta 'Tropico da Covadonga' em Portugal esta semana



O asturiano Rodrigo Cuevas apresenta-se em Portugal esta semana para uma série de concertos, em estreia, no âmbito do Misty Fest. O primeiro espetáculo acontece esta quinta-feira, dia 5 de novembro, no Museu do Oriente, em Lisboa, seguindo-se o Auditório de Espinho, sexta-feira, e dia 8 de novembro o Convento São Francisco, em Coimbra.

Vencedor de dois Prémios da Música Independente Espanhola para Artista Revelação e Melhor Álbum de Músicas do Mundo e Fusão, Rodrigo Cuevas apresenta, pela primeira vez em Portugal, o espectáculo multimédia Tropico da Covadonga, um bate-pé ao etnocentrismo capaz de unir os mundos divergentes do rural e do urbano. 

Em 2019, a meias com o músico, compositor e produtor espanhol Raül Refree, editou o muito aplaudido Manual de Cortejo, álbum admirável onde a tradição galega e asturiana se cruza com as rotas desalinhadas da eletrónica moderna. É uma obra de difícil categorização que reflete a verdadeira engrenagem entre tradição e modernidade, entre a vida na montanha (Cuevas reside atualmente no alto das montanhas de Vegarrionda, nas Astúrias) e a luta interminável pelos valores da liberdade individual e de género.

Em entrevista ao Público, conduzida esta quinta-feira por Mário Lopes, o artista elabora sobre o seu novo espetáculo: 

"É um paralelo imaginário, um lugar emocional a que podemos aceder quando ouvimos uma mulher a cantar a um rapaz, quando participamos num baile, quando cantamos uma canção. Entras num estado de espírito um pouco mágico. Cantamos e dançamos e o cansaço desaparece. Podemos dançar horas e horas e horas. Deixamos de ser nós para sermos um pouco mais. Um ser humano, simplesmente, em comunhão com todos. Ao entrar nessa vibração comunitária, estamos no Trópico de Covadonga. O meu desejo é levar pessoas que nunca o viveram a senti-lo.”

 



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IAMX com concerto único no Lisboa ao Vivo em abril

 

IAMX com concerto único no Lisboa ao Vivo em abril

Depois de um ano marcado pelos adiamentos e cancelamentos dos espetáculos planeados, a promotora portuense At The Rollercoaster começa a fazer os planos para um 2021 mais próspero. Nas novas adições ao calendário do próximo ano encontra-se IAMX, o projeto a solo de Chris Corner (vocalista dos Sneaker Pimps) que regressa a Portugal quase seis anos após a sua última passagem pela cidade Invicta. O concerto - único no país - encontra-se agendado para 24 de abril e terá lugar no Lisboa ao Vivo (LAV) num espetáculo inserido na tour de promoção do seu mais recente disco de estúdio Echo Echo.

Chris Corner fundou os IAMX corria o ano de 2004, num projeto que além do foco na composição musical, centrava em si uma exploração fortemente artística. Com um universo musical vastamente rico - a incorporar elementos da synthpop e rock eletrónico com baladas emocionais, passando por alguns cenários do espectro industrial e burlesco - IAMX ganhou frutífero destaque no panorama underground pela sua voz marcante, abrangente e melódica. No novo disco Echo Echo, IAMX transforma os ambientes eletrónicos a que nos habituou nos últimos trabalhos para os colocar num pedestal acústico, que certamente em Lisboa funcionarão em harmonia com as novas regras impostas na participação de espetáculos ao vivo. Este concerto contará ainda com o apoio de banda nos teclados e bateria.


O concerto de IAMX no LAV está limitado a 350 lugares sentados, respeitando as regras de segurança recomendadas pela DGS. Os bilhetes para este concerto encontram-se à venda por 25€ até 31 de março, data a partir da qual o preço se fixará nos 30€. Todas as informações adicionais podem ser consultadas na página de Facebook da promotora At The Rollercoaster.




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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

The Danse Society celebram 40 anos de carreira em 'Sailing Mirrors'

 

The Danse Society celebram 40 anos de carreira em 'Sailing Mirrors'

Os ingleses The Danse Society comemoram este ano o 40º aniversário de formação do grupo e, para a celebração do feito, lançaram em setembro passado o sétimo disco de carreira, Sailing Mirrors. O disco cujo processo de produção e gravação tomou cerca de dois anos, resultou de uma seleção rigorosa de 60 canções que foram refinadas a nove episódios sonoros que aqui exploram a vida passada, presente e futura dos The Danse Society. Fortemente diferenciados das raízes que os levaram a tornar-se uma banda lendária no cenário da música underground, o grupo britânico - que da formação original inclui apenas o guitarrista Paul Nash - distingue-se pelos vocais femininos, num álbum que considera marcar "uma evolução no som e na produção". O som dos The Danse Society perdura ainda na nostalgia, mas ele evoluiu com o tempo sempre à procura de trazer de algo diferente, escuro e incomum que tentam explorar mais afincadamente no novo Sailing Mirrors.

Desde a reformação da banda em 2011, após um período de hiatus iniciado em 1987, os The Danse Society lançaram três álbuns - Change of Skin (2011), Scarey Tales (2013) e VI (2015) - sempre na liderança vocal de Maethelyiah e mantendo-se autênticos ao cenário underground que sempre lhes foi tão querido. No novo disco a banda puxa os alicerces da composição explorados até então para criar um disco obscuro, repleto em orquestrações com alguns elementos da música blues e um solo de theremin, além das influências óbvias do post-punk, onde se tornaram mais aclamados. Do disco forte destaque para o death-rock revivalista "Danse Away Your Love"; o post-punkish "Valerio's Theme" e o neo-folk transformado em rock gótico "And I Wonder If". Sailing Mirrors pode descobrir-se na íntegra abaixo.

Relembra-se que Sailing Mirrors foi editado oficialmente a 1 de setembro de 2020 em formato vinil, CD e digital. Aproveitem para comprar a vossa cópia física aqui.


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Superalma Project - "The Millennial Obsession With Starting Over" (video) [Threshold Premiere]

 

Superalma Project - The Millennial Obsession With Starting Over (video) [Threshold Premiere]

A few months after releasing the Universal Observer Device EP (2020), Superalma Project is back with a new full-length titled The Endeavour To Understand that will hit the shelves at the end of the current month. The new album comprises thirteen new singles highly worked around experimental electronics and today the Brazilian producer is showing us the first advance from it, "The Millennial Obsession With Starting Over". In a path totally opposed to what Superalma Project has shown us alongside the years, with this new track he includes some influences from the breakcore and baroque scene where he can easily find some traces of what producers like Igorrr or Ruby My Dear have been doing. All of this within an incredible fast adrenalin injection ready to be taken down below.

According to the press release, this new album "sounds like some sci-fi amalgam of post-internet Dracula sounds, 90’s Asian movie soundtracks, digital soundscapes, and dreamy glitch, but it’s also a very personal journey". That mentioned journey reflects the feelings of hardness lived by Igor Almeida as a Brazilian citizen living in Portugal and his consequent attempt in finding an identity outside of the homeland, starting all over. "The Millennial Obsession With Starting Over" is the first cut to present those disturbing emotions and is now being premiered along with a music video that portrays a strong social and political message behind: "peace among us // war to the tyrants". The full video can now be watched below.

The Endeavour To Understand is set to release on November 26th via Glamour Label in digital + card usb flash drive + A3 poster. You can pre-order the album here.


The Endeavor To Understand Tracklist:

01. Noise Exposure Is Becoming The New Secondhand Smoke 
02. Love Is A Many-Splintered Thing 
03. The Dangerous Illusion Of Missile Defense 
04. We Created Poverty And Algorithms Won't Make That Go Away 
05. Google Spies On Us, And We Pay 
06. The Millennial Obsession With Starting Over 
07. Silence And Powerlessness Go Hand In Hand
08. You’ll Easily Get Lost In Modern Societies’ Boredom And Meaninglessness
09. The Endeavour To Understand
10. Liberals Dominate The Entertainment Industry
11. Radio Fake Scares Nation
12. As The Past Recedes, The Future Looms
13. Forget Nineteen Eighty-Four

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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Grutera em entrevista: "Os temas soavam-me sempre a memórias"

© Sérgio Santos


O guitarrista Guilherme Efe é quem dá vida a Grutera, projeto que tem alimentado o melhor da música instrumental portuguesa. O primeiro trabalho, Palavras Gastas, chegou em 2012, o mesmo ano em que o artista se viu representado na compilação dos Novos Talentos FNAC. Seguiram-se O Passado Volta Sempre, gravado no Mosteiro de Cós em 2013, e Sur Lie, álbum gravado em 2015 na Herdade do Esporão. Só passado cinco anos surgiu um novo registo intitulado Aconteceu, com data de edição prevista para maio, mas devido ao contexto atual em que nos encontramos Grutera adiou o seu lançamento para 11 de setembro. 

Aliado ao facto de a música ser essencialmente uma forma de expressão ao vivo, Grutera pôde assim mostrar Aconteceu no último mês de Setembro, tendo passado por Pombal, pelas Clav Live Session, em Guimarães e pela Casa de Cultura, em Setúbal.

Este disco, que já de si era bastante pessoal, retratando memórias e pessoas que são queridas ao artista, intensificou ainda mais os seus sentimentos saudosistas face a todo este distanciamento.

A conversa completa com Grutera pode ser lida em baixo.


Aconteceu é o teu quarto disco de estúdio e surge cinco anos após Sur Lie. Porquê este longo hiato nas edições e nos palcos quando os teus primeiros três discos foram gravados num intervalo de 3 anos?

Grutera - Tive de escolher entre compor e tocar ao vivo, visto que comecei a trabalhar e a tirar uma pós graduação e estava a ser muito complicado conciliar tudo.

O lançamento do disco estava previsto para maio, mas devido ao contexto pandémico em que nos encontramos, este teve de ser adiado para setembro. Custou-te muito tomar esta decisão e sentes que foi o mais correto a fazer?

Grutera - Não, foi o mais correto, tínhamos esperança que conseguíssemos fazer alguns concertos de apresentação e felizmente tem sido.


Aconteceu soa a um disco veranil, como a capa e a sonoridade parecem assinalar, e ao mesmo tempo um disco de carga emocional mais densa e de coleção de memórias. De onde surgiu a inspiração e como funcionou o processo de composição?

Grutera - Fui compondo ao longo destes anos e por isso quando ia ouvindo os temas soavam-me sempre a memórias. Eu também gosto muito de fotografia analógica e de recordar momentos. Por isso foi imediato para mim fazer a ligação, a música para mim também pode ser como a fotografia - cápsulas do tempo.

Houve alguma música que tenhas tido maior dificuldade em compor ou gravar?

Grutera - Não, foi tudo muito tranquilo - apenas a "Braga de Marilu" precisou de mais uns takes devido aos loops.

Podes-nos contar qual é a tua primeira memória de música?

Grutera - É ser ainda muito puto e ter de ir para as aulas de música na escola contrariado - era a minha pior disciplina.

Atuaste recentemente em Pombal e tens agora mais duas atuações agendadas para o mês de setembro. Sentes que as energias e as sensações provenientes das tuas atuações podem ser semelhantes às experienciadas no passado, mesmo tendo em conta as restrições impostas?

Grutera - Sim, acho que está lá tudo. Talvez em concertos mas expansivos não se consiga, mas como o que eu faço é muito intimista, acho que é fazível.

Além da guitarra, que outros elementos sonoros levas para o palco?

Grutera - Apenas a guitarra e um punhado de pedais.

Sentes que este ano tiveste oportunidade de ouvir mais música? Houve algum disco que tenha marcado particularmente, além de Aconteceu? 

Grutera - Tenho ouvido bastante música, acho que a discografia que ouvi mais foi de Rhye.

Como é que te ocupaste na quarentena? Dirias que o confinamento foi produtivo?

Grutera - A aprender muitas coisas que nunca tinha tempo para aprender, mas nada relacionado com música de facto.


Aconteceu está dispónivel para escuta integral no Bandcamp do artista.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Álbum de estreia de Tettix Hexer editado pela primeira vez em vinil



The Great Vague vai receber a sua primeira edição em vinil. Originalmente lançado em março em formato digital, num esforço coletivo que juntou as respeitadas editoras dinamarquesas Janushoved e Big Oil, o álbum de estreia de Tettix Hexer recebe agora o tratamento físico através da francesa Third Coming Records.  

Figura ativa na cena eletrónica de Copenhaga, Tettix Hexer é o projeto do produtor e designer de som dinamarquês Jens Leonhard Aagaard. Descrito como uma “ode a todas as músicas extintas e uma ode a todas as músicas que ainda estão por nascer”, The Great Vague coabita um arco contínuo assente na mais moderna produção contemporânea: eletrónicas hiperativas, breakbeats desarticulados e paredes torrenciais de shoegaze desconstruído formam um corpo devocional que se situa entre a experiência liminar de Matthewdavid e a euforia emocional do trance mais melancólico.  

O disco encontra-se disponível para encomenda a partir desta sexta-feira, dia 6 de novembro, no Bandcamp da Third Coming Records. No entanto, devido à pandemia, a editora está a enfrentar alguns atrasos no fabrico das cópias, pelo que estas deverão ser enviadas apenas no final do próximo mês de janeiro.





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Fantastic Planets apresenta-se ao mundo com 2 álbuns surpresa


Foi nestes tempos difíceis de isolamento profilático que Carlos de Jesus, guitarrista/vocalista de Sunflowers, encontrou tempo e inspiração para lançar um novo projecto, Fantastic Planets. Usando algumas apps do seu smartphone, Carlos compôs loops e sequências, improvisando melodias e criando camadas idealizadas como "música de fundo" para viagens, conversas, jantares, caminhadas e afins. 

Deste processo todo resultou Music For Interplanetary Travels Vol. 1 e Vol. 2, dois álbuns retirados das profundezas sonoras do espaço, abordo desta nova nave espacial que é Fantastic Planets. Ambos os registos estão exclusivamente disponíveis para ouvir no bandcamp d'O Cão da Garagem (link disponível aqui). Oiçam.


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domingo, 1 de novembro de 2020

Actors têm novo tema no radar, "Love U More"

 Actors têm novo tema no radar, "Love U More"


Os Actors já se encontram a trabalhar no sucessor de It Will Come To You (Artoffact Records, 2018) e apresentaram esta semana a primeira extração oficial desse novo trabalho. Intitulado "Love U More" este é o primeiro single do quarteto de Vancouver sob nova formação, com a adição de 
Kendall Wooding no baixo e voz. 

A banda liderada por Jason Corbett têm conquistado um grande público no cenário da música gótica - não só pela América do Norte, mas também com forte expansão pela Europa - muito à conta da sua sonoridade aditiva que mistura reminiscências do post-punk dos anos 80, com as tendências estéticas da new-wave e fortes vínculos à darkwave contemporânea. Agora em "Love U More" os Actors empurram as atmosferas do som para um mundo mais melódico, conduzido pela beleza insípida dos sintetizadores e um jogo de voz tendencialmente suave e tocante. 

Menos arrojados face ao que nos têm habituado, em "Love U More" é notória uma aposta numa onda mais synthwave com vozes emotivas e um ritmo atraente que se prende facilmente na cabeça às primeiras audições. Para apresentar o novo tema os Actors avançaram também com um trabalho audiovisual de cariz necrófago, com direção de Peter Ricq e papel principal interpretado por Bianca Isabella Caroca, que pode agora ver-se abaixo.

Acts Of Worship, o sucessor de It Will Come To You, deverá ver a luz do dia no primeiro trimestre de 2021 pela chancela Artoffact Records. Até lá é sintonizar "Love U More" no posto de escuta.


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