sábado, 21 de novembro de 2020

STREAM: Akio Suzuki & Aki Onda - "gi n g a"


Akio Suzuki e Aki Onda são dois artistas sonoros japoneses que têm colaborado extensivamente ao longo dos últimos seis anos. Juntos, lançaram obras como ma ta ta bi e ke i te ki. Este LP, gi n g a, lançado pela editora indonésia Hasana Editions, é o terceiro filho dessa mesma parceria. Segundo a descrição do álbum no Bandcamp da editora, apesar de os dois artistas "diferirem em gerações (...), eles partilham uma abordagem incrivelmente inventiva, aberta e in situ para as possibilidades infinitas e variadas do som". As três faixas foram gravadas em ocasiões diferentes, entre 2014 e 2017, percorrendo três países diferentes: Alemanha, Bélgica e Grécia. A obra foi masterizada por Giuseppe Ielsi.

Akio Suzuki nasceu em 1941 na cidade de Pyongyang. Popularizou-se a partir de obras como Kaini ni Mono wo Nageru (Atirando coisas pelas escadas) - em 1963, na estação de Nagoya - e pelo LP Odds and Ends. Originalmente um estudante de arquitetura, Suzuki abandonou os estudos para aprendizar o som, tendo a Natureza como seu principal mestre. Já Aki Onda nasceu em 1967 na cidade de Nara, tendo sido membro dos Audio Sports e dos Sypnase. Ao longo das últimas três décadas, tem elaborado as Cassette Memories, um diário sonoro que serve de inspiração para diversas performances e artes visuais da sua autoria.

Esta colaboração tem dado origem a projetos que tentam fundir ao máximo possível os ruídos sonoros da vida real para com a música enquanto arte, usando instrumentos musicais de fabricação própria e a inspiração no local onde a performance ocorre. Tudo isto cria uma experiência eletroacústica com um ambiente bastante lúcido e pormenorizado.

Esta obra foi editada no passado dia 25 em formato digital e CD, podendo ser consultada e encomendada aqui.

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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

"Crisis" antecipa novo álbum de Fragrance.

"Crisis" antecipa novo álbum de Fragrance.


Há novidades de Fragrance. Depois do lançamento dos remixes para "So Typical" (assinado por Julia Bondar)" e "At Last" cunhado por Opale feat. Maya Postepski, o produtor parisiense regressa ainda em 2020 para nos anunciar que o sucessor da estreia So Typical (2019, Synth Religion) chegará às prateleiras no próximo ano. Focado na exploração de um universo musical enriquecido pelos timbres delicados, o projeto a solo de Matthieu Roche arquiteta um equilíbrio atmosférico de ritmos ora mais calmos, ora mais excitados com uma profundidade imersiva quase instantânea. Agora de volta e sem divulgar quaisquer pormenores adicionais Fragrance. avança com o primeiro tema oficial do novo registo que se dá a conhecer por "Crisis". 

Desde janeiro de 2017 que Matthieu Roche tem esculpido um caminho muito peculiar nos campos da música eletrónica. Com uma música suave, estimulante e com alguns traços da estética noir, Fragrance. tem posicionado o seu nome entre dois mundos paralelos da música: tão depressa faz vibrar uma pista de dança gótica como um club futurista de música eletrónica. Em mais um registo que espelha a sua paixão pelas correntes estéticas da synthpop com fortes influências da música club, em "Crisis" Fragrance. canta-nos na sua voz melodiosa que apesar da crise ir e voltar não devemos deixar desvanecer a vontade de dançar para afastar a dor. 


"Crisis" foi lançado oficialmente esta sexta-feira (20 de novembro) e o novo álbum é esperado chegar às prateleiras no final do primeiro semestre de 2021. O tema pode descarregar-se gratuitamente através deste link.


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Sierrα anuncia novo EP, 'All About Love'

Sierrα anuncia novo EP, 'All About Love'


A produtora parisiense Sierrα vai regressar às edições no próximo mês de dezembro como novo EP. All About Love será um trabalho composto por duas faixas e chega às prateleiras um ano depois do incendiário Gone (2019) e três depois da estreia com Strange Valley (2017). Influenciada pelas estéticas EBM, techno e synthwave de raízes profundamente obscuras, Sierrα tem vindo a construir uma obra que a cada ano se consolida numa abordagem, cada vez mais pessoal. Num território musical que segue as linhas condutoras dos trabalhos antecessores, a produtora volta a fazer tocar as sirenes com a sua força propulsora nos campos da eletrónica negra pintada pelas correntes estéticas do industrial.

Desde a estreia que Sierrα nos tem vindo a mostrar que os sintetizadores dominam o seu percurso como entidade criativa. Em Gone a artista afirmou-se ao apresentar um certo charme sensual, num disco desenhado para criar uma atitude ouvinte pela parte do ouvinte. No novo All About Love a produtora francesa traz dois novos temas que agarram nas forças mais negras de Gone, mas iniciados em ritmos opostos. Em suma, é música feita para abanar o capacete e para colocar os amplificadores a ruir som. Ainda não foi revelado nenhum tema de avanço, mas já se conhecem a tracklist, artwork e uma preview do novo álbum.


All About Love tem data de lançamento prevista para 4 de dezembro em formato digital. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


All About Love Tracklist:

01. All about love 
02. Unpredictable

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STREAM: Public Memory - Ripped Apparition

STREAM: Public Memory - Ripped Apparition


A eletrónica de influências dark e com forte cunho no trip-hop está em voga em Ripped Aparition, o novo esforço longa-duração do norte-americano Robert Toher sob o alter ego Public Memory. Depois de ter entrado lançado no início do ano o EP Illusion of Choice (2020, Felte Records) - que fechou um ciclo nos seus trabalhos - o produtor regressa agora com o novo Ripped Apparition que o leva a explorar novos territórios sonoros, além do eletrónica lo-fi exprimida em paisagens sombrias e recheada de atmosferas delongadas. De acordo com a nota de imprensa, "O álbum evoca um passado e um futuro degradados, que existem simultaneamente, mas estão saturados de perdas e incertezas. Escapar para outro espaço temporal não é uma opção aqui; existe apenas o presente implacável e uma tentativa de dar sentido aos sonhos e fantasias que construímos".

Desde 2016 que Public Memory contrói um mundo muito singular ao redor de sintetizadores danificados e uma percussão eletrónica e orgânica, contudo, no novo Ripped Apparition é notória uma grande exploração sonora que na obra se expressa num contraste singular entre poder e vulnerabilidade. O ritmo e a força imersiva estimulam o ouvinte em grande parte do álbum, mas é pelas paisagens mais doces que se escondem por trás, que Public Memory cria uma experiência apelativa e deambulante nas entranhas da eletrónica soft. Numa abordagem contemporânea enriquecida em referências clássicas, Ripped Apparition mostra-se como um disco de fácil assimilação que cria uma sensação de movimento inerte ao longo da cerca de meia hora pela qual o mesmo divaga no tempo. Do disco forte destaque para temas como o sedutor "Bad Orbit"; as injeções de trip-hop "Düsseldorf Witch Hat" e "Butcher"; o prepotente "Midsummer Shadow" e o contagiante e sonhador tema de encerramento "Lost Future". Podem descobrir Ripped Apparition na íntegra abaixo.

Ripped Apparition foi editado esta sexta-feira (20 de novembro) em formato digital e em vinil pelo selo Felte Records. Podem encomendar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Joao Canedo - Lonely Night Song

STREAM: Joao Canedo - Lonely Night Song

No passado fim de semana saiu o novo álbum de Joao Canedo, de nome Lonely Night SongO disco estará disponível em breve para venda física e poderá ser reservado por contacto através de qualquer uma das redes habituais. 

As noites solitárias aquando do confinamento gerado pela pandemia de 2020 trouxeram a Joao Canedo a oportunidade de sentir a criatividade para criar um novo álbum. No passado dia 23 de outubro, já trouxe à luz "Nossa Senhora das Coisas Impossíveis" e agora traz-nos a restante compilação de temas que criou.

Ainda que, talvez, de uma forma tanto ou quanto antagónica, este novo álbum pretende, através da individualidade, procurar a agregação, a identificação e a aproximação ao próximo. A solo, mas não com o intuito de, com a música solitária, procurar afastamento, senão inclusão, trazer um encontro de solidões.

Alguns temas do álbum fazer-se-ão acompanhar por um vídeo ao longo dos próximos meses. O primeiro saiu este fim de semana e foi filmado na Serra Nevada, onde o processo criativo da música teve origem. É um tema já conhecido, contudo agora apresentado numa diferente versão, "Gasta Essa Esperança". Em espírito de renovação de energias, o compositor enveredou por "pegar no tema, recosturá-lo, metê-lo na máquina de lavar e fazê-lo sair à rua lavado, com acrescentos de cores, tecidos e forma" (palavras do próprio). Longe vai o tempo em que "Gasta Essa Esperança" foi composta e tocada na guitarra de doze cordas, com paisagens serranas de fundo. Nesta road version, "Gasta Essa Esperança", ainda que em guitarra solo, apresenta-se com arranjos completamente novos, fruto do trabalho que Canedo desenvolveu com banda (baixo e bateria), das técnicas percussivas que desenvolveu na guitarra de seis cordas e, sobretudo, da modernidade que este mundo em transformação e a vida de estrada, de palco em palco, assim exigem. O planeta é hoje diferente de ontem e o ontem de anteontem. Assim aconteceu com "Gasta Essa Esperança". Da versão de disco, passando pela versão com bateria (ao vivo na Porta 253) eis que chega aqui. Se amanhã continuará igual, quem sabe?

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'Mountains' de Mary Timony recebe reedição de luxo


Mary Timony, cantora, compositora e mente criativa por trás de projetos como Helium, Autoclave e Ex Hex, anunciou uma nova reedição do seu álbum de estreia a solo, Mountains. O álbum original de 2000 recebe o tratamento de luxo no próximo dia 15 de janeiro pela Matador.

Esta reedição marca a mais recente entrada na série Revisionist History, campanha que pretende revisitar alguns dos mais importantes lançamentos da histórica editora americana que se encontram prestes a comemorar um aniversário significativo (só este ano, a Matador já reeditou trabalhos de Pavement, Yo La Tengo, Guided by Voices e Chavez).

Gravado e misturado em Boston por Christina Files e Eric Masunaga – e em Chicago por Bob Weston, que se encarrega da remasterização desta reedição – Mountains vê Timony enveredar por territórios mais áridos e confessionais, trocando os arranjos duros do trabalho que desenvolveu enquanto líder dos Helium por requintados ornamentos de piano, vibrafone e viola. 

A sua edição de luxo inclui takes originais nunca antes ouvidos de "Return to Pirates", "Poison Moon" e "Killed by the Telephone", temas que foram entregues junto com o master original há 20 anos mas que acabariam por ser omitidos do álbum final. O registo inclui também uma versão orquestral recém-gravada de "Valley of One Thousand Perfumes", produzida pelo compositor Joe Wong (Russian Doll, Midnight Gospel) e misturada por Dave Fridmann.

De modo a complementar o disco, a Matador, que acompanha cada um destes lançamentos com fotografias, footage e videoclipes raros, publicou a curta-metragem completa do realizador Brett Vapnek, Dream Machine, interpretada por Timony em 1999.

O disco encontra-se disponível para pré-encomenda em matadorrecords.com.



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Enrico Degani e Fabrizio Modonese Palumbo lançam novo disco em dezembro

Enrico Degani e Fabrizio Modonese Palumbo lançam novo disco em dezembro
© Dana Nycz


Os artistas italianos Enrico Degani e Fabrizio Modonese Palumbo vão lançar um novo álbum colaborativo já no próximo mês. Intitulado Time Lapses, o disco nasceu de uma série de improvisações de oito peças atmosféricas e cinematográficas que aqui se apresentam enriquecidas por uma versão altamente pessoal e onírica do clássico "Over The Rainbow" - no tema de abertura e encerramento -, a única composição do álbum com recurso a voz. Depois de ter a sua estreia ao vivo na edição 2019 do Jazz is Dead Festival, Time Lapses recebe agora o merecido formato físico numa obra composta por dez temas focados num sistema pós-tonal harmónico e recheado na exploração dos mais tímidos sons da música ambient.

Em antecipação do novo registo os compositores apresentam hoje "Violet", a oitava faixa do disco que se afirma como um convite a superar o medo e a procurar a beleza. Para retratar esse feito Degani e Palumbo lançam conjuntamente um impressionante videoclipe filmado pelo artista e fotógrafo Jacopo Benassi, que aqui nos presenteia uma abordagem visual baseada na singularidade, coerência e força de estilo, numa espécie de dança corpo a corpo. Sem comunicar diretamente com o espetador, o realizador consegue extrair marcantes sensações na combinação entre som, imagem e movimento. O resultado pode visualizar-se abaixo.


Time Lapses tem data de lançamento prevista para 11 de dezembro em formato CD e digital pelo selo Auand Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


Enrico Degani e Fabrizio Modonese Palumbo Time Lapses Tracklist
Time Lapses Tracklist:

01. Over The Rainbnow (in)
02. Blop Blop Blop
03. Stardust Baths
04. Kitty
05. Postcard
06. Night Hunting
07. Shall You Dance With Me
08. Violet
09. Once I Was There
10. Over The Rainbnow (out)

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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Rue Oberkampf têm novo tema na bagagem "Negativraum"

Rue Oberkampf têm novo tema na bagagem "Negativraum"
© Tamara Skudies


Depois de terem visto o seu nome crescer grande com a edição de CHRISTOPHE​-​PHILIPPE (2019) - que os projetou em grande escala para as pistas de dança dark, Europa fora -, os Rue Oberkampf estão de regresso com um novo tema feito a convite da editora ant-zen, para uma edição limitada de um 7'' em formato vinil. Na nova edição, o grupo formado pelos ex-djs Michael, Damien De-vir e Julia de Jouy apresenta o exclusivo "Negativraum" e ainda uma versão que intitulam de "doom" feita ao tema "Caméra", retirado do álbum Waveclash (2018). Apaixonados pelos sintetizadores dos anos 80 e o início da era techno, os Rue Oberkampf são conhecidos mestres em iluminar as pistas de dança com temas propulsores, envoltos em névoa e uma certa sensação impulsiva à ação. 

Em "Negativraum" o trio volta a colocar em destaque a sua eletrónica urbana de traços sombrios, onde os vocais franco-alemães de Julia funcionam como uma veia condutora a uma viagem extremamente espacial e camuflada. Do legado da eletrónica retro às ondas frias da coldwave, os Rue Oberkampf conseguem transformar a sua música moribunda em energia cinética, apostando em melodias aditivas e desenhadas para hipnotizar quem as ouvir. "Negativraum" é mais um trabalho de excelência dos Rue Oberkampf, a incorporar no som opulentas interpretações modernas da estética minimal dos 80's, numa trip que é tão intensa quanto imersiva. Ora experimentem:


"Negativraum" foi editado oficialmente esta quinta-feira (19 de outubro) em formato vinil de 7'' com um livreto (já esgotado) e no formato digital pelo selo alemão ant-zen. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Todo um lado noisegaze no novo tema dos Ohio Mark

Todo um lado noisegaze no novo tema de Ohio Mark


Depois de se terem estreado nas edições de estúdio o ano passado com o EP Exotism (2019, sentimental), os belgas Ohio Mark estão de volta ao pano de ação com a sua versatilidade imersiva no novo tema "Frida". Dominadores da distorção e dos seus efeitos conjuntos com as intermitências da música noise, o trio sediado na Antuérpia aposta agora num tema ainda não tão estridente, mas mais vigoroso e, de certo modo, convencional. Na fórmula encontramos camadas extensas de reverb, guitarras desfocadas, sintetizadores figurativos e uma percussão com alta tendência à criação de impacto.

O novo tema "Frida" integra a segunda compilação da editora belga, A sentimental Mixtape #2 e é a quarta faixa a ser revelada, num alinhamento composto por 14 artistas. Além de "Frida" dos Ohio Mark foram já revelados os temas "A Good Time" de Shy Dog; "Molly (alt. version)" de Pauwel e "Crash/Land" de Teen Creeps. "Frida" já se pode escutar na íntegra e vem ainda acompanhada por um vídeo, disponível abaixo.


"Frida" é editado oficialmente esta quarta-feira (18 de novembro) em formato digital e a compilação do qual fará parte será editada no formato cassete a 11 de dezembro pelo selo sentimental. Podem fazer a pre-order da edição aqui.


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Não censuramos nem somos censurados por M3C

Não censuramos nem somos censurados por M3C


M3C, o projeto de pop cruel da misteriosa criatura francesa à procura do desejo, está de regresso ao foco de atenção dos fãs da cena club mundo fora com novo single, a mescla aditiva de pop sedutor e r&b carente, "CENSURE". O novo tema é a terceira criação da "barbie dominatrix" e vem dar seguimento aos já lançados temas "PORNBOY" e "KEN", numa faixa provocante, mas claramente desenhada para conquistar uma maior fatia de público comparativamente aos seus antecessores.

Em "CENSURE", M3C agarra na conhecida imagem da barbie e retira-lhe todos os ideais e padrões que ela representa, sem qualquer medo de pisar limites. A batida é aditiva, ao mesmo tempo doce e furiosa, e proporciona uma incansável necessidade de ouvir em loop por forma a encontrar o algo desejado. Através das tendências sonoras afrodisíacas M3C cria uma balada charmosa perfeita para iluminar as pistas de dança caseiras (na falta das salas dedicadas a tal). "CENSURE" foi composto e escrito por M3C, tendo contado com o auxílio de Vampiro Maracas (Daisy Mortem), na produção e mixagem.

"CENSURE" foi editado em formato digital no passado dia 10 de novembro e pode escutar-se na íntegra abaixo.


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Pierce with Arrow estreiam-se nas edições pela Dais Records


Pierce with Arrow estreiam-se nas edições pela Dais Records

A dupla de eletrónica minimal alemã - Pierce with Arrow - vai estrear-se nas edições longa-duração no próximo ano através do álbum Shatter que será ditado na chancela de vanguarda norte-americana, Dais Records. O disco chegará ao radar cinco meses depois da banda ter colocado cá para fora a malha ambient de estética minimal "For Electra" e promete colocar o trabalho colaborativo do produtor Troy Pierce e da artista audiovisual Natalia Escobar na linha da frente. Demonstração disso pode encontrar-se logo no processo criativo da banda, que admite ter começado por criar vídeos surrealistas de estética dark e, posteriormente, criado uma narrativa sonora que lhes desse força na mensagem. 

De acordo com a nota de imprensa, o novo Shatter "é uma odisséia noir fervente e lenta inspirada no mito grego de Echo e Narcissus (...)", no sentido em que se mostra como "uma evocação efetivamente perturbadora do tema central da lenda: Não há nada mais complexo do que um coração despedaçado ou um coração que não consegue amar". O novo trabalho - composto por 10 faixas que estremecem glamour e melancolia - foi anunciado esta quarta-feira (18 de novembro) e é antecipado através do tema "In the Depths of His Eyes", uma penumbra sonora psicologicamente densa que fará as delícias dos fãs de nomes como Wind Atlas ou Essaie Pas. O tema é igualmente acompanhado por um trabalho audiovisual com direção de Cornelia Thonhauser e Matze Görig, pronto para se visualizar abaixo.


Shatter tem data de lançamento previsto para 19 de fevereiro em formato vinil e digital pelo selo Dais Records. Podem fazer a pre-order da vossa cópia aqui.


Shatter Tracklist:

01. Echo 
02. Dissolving to a Voice 
03. She Pined Away 
04. Obsidian Glass (ft. Konrad Black) 
05. A Tight Passage 
06. His Rejection 
07. The Night is Ending 
08. In the Depths of His Eyes 
09. It's a Love Story, After All (ft. dBridge) 
10. Narcissus

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

O disco de estreia de The Sea At Midnight já se faz ouvir

O disco de estreia de The Sea At Midnight já se faz ouvir


O produtor Vince Grant, que se dá a conhecer musicalmente por The Sea At Midnight voltou este mês à ação com o primeiro longa-duração de carreira que o mostra o seu grande vínculo para com a estética post-punk em voga nos anos 80. O novo trabalho, homónimo, vem dar sucessão à mão cheia de singles que o produtor tem colocado cá fora desde janeiro do presente ano, altura em que se estreou no panorama com "Medicine" - tema produzido e misturado por Chris King (Cold Showers), com programação adicional na percussão assinada por Brandon Pierce (Glaare). Aqui, já a mostrar a sua veia taciturna na essência, The Sea At Midnight alavancava um percurso construído ao redor de linhas de baixo profundas e sintetizadores cintilantes, como se verifica nesta estreia.

Num disco composto por oito canções com personalidades vincadas entre as entranhas da coldwave melódica, o vigor eletrónico da darkwave e as atmosferas da dream-pop dos 90's The Sea At Midnight consegue moldar um trabalho de camadas revival numa atitude contemporânea e fortemente nostálgica. Do disco - disponível para audição na íntegra - destaque para temas como o doce "Melancholia", o sonhador "How Many Times" e cativa malha de post-punk suave "Anything About You".

The Sea At Midnight chegou às prateleiras no passado dia 6 de novembro no formato digital e self-released. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Cordiale - The Wrong Side

STREAM - CORDIALE - The Wrong Side


Os italianos Cordiale, novatos no cenário da dark synthwave, estreiam-se este mês nas edições de estúdio com The Wrong Side, o primeiro curta duração que promete distinguir-se como uma viagem genuína ao mundo dos sonhos, amor e solidão. A banda sediada em Naples pretende manter um mistério ao redor dos membros que formam o projeto, mas avança que na sua sonoridade primam influências da atitude gloriosa dos anos 80. No entanto, o primeiro retrato esculpido, The Wrong Side, mostra uma abordagem sonora que absorve vários elementos de escolas mais contemporâneas, sem nunca perder o seu teor divertido. 

O trabalho, que é composto por quatro temas, inicia através de "Alley of Faith" um tema esculpido entre as paisagens tingidas pelo psych-rock e os ambientes de atitude dream wave. Sendo o tema menos relacionado em termos estéticos com os seus sucessores, é um tema que mostra que os Cordiale não pretendem rotular a sua música. Prosseguindo com "The Letter" a banda italiana começa por introduzir as suas lides sombrias, numa faixa com destaque para o trabalho vocal feminino que aporta e lhe confere um toque sedutor. Por sua vez, "Morningless" é uma faixa mais badalada, influenciada por uma eletrónica de traços witch house que lhe proporcionam um ritmo nivelado. Na despedida, o obscuro "The Wrong Side" consolida-se na progressão como o melhor tema desta estreia, numa faixa cativante e extremamente equilibrada ao nível da produção. O resultado pode assimilar-se na íntegra abaixo.

The Wrong Side é editado oficialmente no próximo dia 29 de novembro, mas já pode comprar-se e escutar-se abaixo ou através deste link.


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Martin Gore anuncia novo EP para janeiro




Martin Gore está de regresso às edições a solo. O cérebro criativo dos Depeche Mode anunciou o lançamento de The Third Chimpanzee, EP de cinco faixas instrumentais agendado para sair no próximo dia 29 de janeiro. 

Escrito e gravado por Gore no estúdio Electric Ladyboy, em Santa Bárbara, The Third Chimpanzee sucede o anterior álbum MG, de 2015, e dá seguimento a uma série de posts enigmáticos publicados nas redes sociais da inglesa Mute Records, que sela este lançamento. 

O seu título deriva da obra com o mesmo nome do biólogo e autor americano Jared Diamond, e expressa uma sonoridade "não humana" influenciada pela experiência de um primata. “Mandrill”, o seu primeiro avanço, é uma "fatia feroz de electro" e pode ser conferida em baixo.

No início deste mês, Martin Gore e os restantes membros dos Depeche Mode deram entrada no Rock and Roll Hall of Fame. A banda inglesa foi apresentada pela atriz Charlize Theron, e homenageada por nomes como Arcade Fire, Chvrches e Coldplay.

The Third Chimpanzee encontra-se disponível para pré-encomenda em CD, vinil e digital. 


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O novo disco de The Joy of Nature mostra como se faz ambient folk nos Açores

O novo disco de The Joy of Nature mostra como se faz dark folk nos Açores


The Joy Of Nature é o projeto a solo do músico Luís Couto que começou as primeiras pisadas no mundo da música corria o ano de 1999. Prolífero em termos de criação e composição, o artista tem desde então colocado cá para fora incontáveis edições onde a folk é esculpida ao pormenor e levada a todas as direções a que tem direito. Cinco anos a trabalhar em compilações e alguns singles suspensos, serviram para dar forma a Until Only Mountain Remains, o longa-duração que vem dar seguimento a A Roda do Tempo (2015). Num mundo percebido como complexo e artificial, este novo trabalho pretende criar um regresso à simplicidade e pureza, em composições de desenvolvimento lento que emanam uma sensação celestina ímpar. Nele The Joy of Nature cria um retrato das paisagens açorianas com um certo toque místico de fantasia, onde a folk e a exploração das atmosferas ambient lhe conferem uma aura algures clássica, vitoriana e muito natural.

Composto por treze faixas envolvidas pela inércia da suavidade, Until Only Mountain Remains aporta uma música que, tal como as letras, foi inspirada na poesia taoísta, mostrando a faceta mais contemplativa do projeto. Esse lado doce é notório logo nos primeiros segundos que pintam "even the floating world will pass" - o tema de abertura - e continua iminente nas composições que o sucedem, até "wait for me by the winter stream", o tema que encerra o disco com amplo foco na exploração da guitarra. O álbum contou com as colaborações de J. Aernus (Wolfskin, Karnnos), Troy Southgate (H.E.R.R., Seelenlicht), Sandro Menino (Cotard Delusion, Sid & The Fall, etc.), Biagio Verdolini (Rapeciâz) e Conceição Raposo e pode ser descoberto na íntegra abaixo.

Until Only The Mountain Remains foi lançado a 30 de julho em formato CD e digital pelo selo italiano Dornwald Records.



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O Pré-Juízo Final começa hoje e decorre até final do mês

O Pré-Juízo Final começa hoje e decorre até final do mês

Pré-Juízo Final são sessões de ocupações artísticas e musicais a decorrer no Ferro Bar, durante as próximas duas últimas semanas de novembro, nos dias 17 a 20 e ainda nos dias 24 a 27.

Com o envolvimento de mais de 20 artistas da cidade do Porto, que se juntam para uma ação essencialmente de cariz social e de chamada de atenção para a situação que se vive, visa defender e destacar a importância social e cultural de artistas de música e das salas de programação musical.

Será solicitado ao público que adira aos donativos voluntários conscientes, sendo que parte desse valor total angariado será para entregar à União Audiovisual e o restante do valor será para ser distribuído pelos artistas e outros profissionais envolvidos neste evento. 

Ainda sobre a União Audiovisual, que tem feito um trabalho valiosíssimo em recolher alimentos doados e distribuí-los por profissionais do sector do espectáculo, que se encontram em sérias dificuldades, não tendo dinheiro sequer para garantir a sua alimentação e das suas famílias, vai haver naturalmente um ponto de recolha de alimentos no Ferro durante estes dias, para facilitar a contribuição de todos os que possam e queiram ajudar estas famílias neste período difícil.



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"Hotel Saturnyo" é o novo single do mais recente álbum de Homem em Catarse

"Hotel Saturnyo" é o novo single do mais recente álbum de Homem em Catarse

"Hotel Saturnyo" é o novo single do mais recente sem palavras | cem palavras de Homem em Catarseeditado no início deste ano invulgar de 2020, com chancela da Fundação GDA.

Baseado num poema de cem palavras este disco sem palavras | cem palavras, de cariz instrumental tem em "Hotel Saturnyo" uma viagem sem sair de um quarto de hotel, profícua em devaneios, circular, constante, acelerada e intensa; porque a nossa mente não encerra em nós as maiores viagens. Imagina-se a sensualidade dos olhos, as estrelas, os voos rasantes, as alucinações, num retiro de partilha onde as mentes se tornam movediças. Para lá do poder do olhar  do reflexo dos pensamentos, visões psicotrópicas mostram-nos que a partilha e a imaginação nunca terão barreiras. Hotel Saturnyo não é amar e partir. A partilha dos amantes aqui é viajar, ou não fosse o amor ‘uma casa viajante com raízes’, como diz o poema.

O vídeo foi realizado pelo conterrâneo Miguel F e tem a participação da atriz Andreia Ruivo.

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FESTIVAL EMERGENTE no Capitólio | 29 de novembro 2020

 

Num ano atípico, a edição 2020 do Festival Emergente terá lugar no Capitólio, no dia 29 de novembro, entre as 16 e as 22 horas. 

A Transiberia Productions, organizadora e promotora deste evento, decidiu, em vez de o cancelar e fazendo “jus ao seu nome e à sua missão”, reinventar o Emergente. Assim, esta 2ª edição do Festival reveste-se de num novo formato - presencial e em live streaming - num só dia, numa nova localização e com carácter reforçado, apostando na exploração de outras possibilidades e no apoio aos jovens talentos nacionais. 

Ao palco do Capitólio subirão os cinco projetos vencedores do concurso “Super Emergentes” - Lana Gasparøtti, Cri The Coeur, Meta, Hause Plants e Dream People - aos quais se juntam os convidados Cíntia, Rui Rosa e Fugue, a abrir e a encerrar o Festival.

Os bilhetes para este evento (que conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Capitólio e várias parcerias) encontram-se disponíveis na Meoblueticket e nos locais habituais (se adquiridos até 21 de novembro - 10 euros, a partir desta data 15 euros).

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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

STREAM: Bling Rodent - Constant Smile

STREAM: Bling Rodent - Constant Smile

Os suecos Bling Rodent estrearam-se na passada sexta-feira nas edições de estúdio com Constant Smile, um disco de toadas nostálgicas e decadentes, mas vai altamente inspirado na beleza luminosa da música pop. A banda, cujo nome foi inspirado numa receita de uma bebida (disponível nesta descrição) afirma como principais influências o trabalho de nomes como Leonard Cohen, PJ Harvey and David Bowie, mas o conjunto sonoro resultante embebe traços de outras paisagens sem, contudo, perder a sua unicidade. No core estão as quatro faixas de tons badalados que assumem proporções de poder iminente num disco altamente equilibrado e de nostalgia inerte.

Com início em "No Driver", os Bling Rodent começam por prender o ouvinte pela catarse sonora que criam num início badalado que rapidamente numa dimensão vigorosa e imersiva de energia. Se os segundos iniciais emanam uma certa aura de Marissa Nadler e Chelsea Wolfe, é na mudança de ritmo que os Bling Rodent criam um ambiente de distorção sonora abrasivamente conquistador. Apesar disso não deixam ainda de surpreender quando, em "Desert Sidewalk" decidem apostar num ambiente místico muito próximo ao da pop negra com a presença da vocalista relembrar nomes como Glória de Oliveira. Em suma, um retrato de nostalgia cruzada com camadas suaves num trabalho vocal meio viciante. 

Na segunda parte, apesar de "Underwater Waters" apresentar um clima inicial pouco envolvente, é uma faixa que surpreende pela progressão que apresenta por volta dos 2'40m de avanço. Aqui destaca-se essencialmente o incrível trabalho nos vocais de apoio, além das contagiosas guitarras estridentes que o acompanham. Já na despedida, encontra-se a faixa que serviu de apresentação ao disco e é provavelmente a melhor pérola do álbum, "Constant Smile". Iniciada em tons soturnos, é pela interação dos sintetizadores que os Bling Rodent surpreendem ao criar um universo luminoso, fantasioso e tão inspirado nas correntes dream wave que facilmente prosta o ouvinte para uma dimensão completamente díspar da realidade.

Constant Smile foi mixado e masterizado por  Ruben Engzell (Ossler, Christian Kjellvander, Iris Viljanen, EPs Trailerpark) e mostra um lado doce, equilibrado numa dark pop concisa e pronta para se consumir na íntegra abaixo. O EP foi editado esta sexta-feira (13 de novembro) em formato digital pelo selo francês Icy Cold Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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STREAM: Molchat Doma - Monument

STREAM: Molchat Doma - Monument

A banda sensação bielorussa Molchat Doma regressou esta sexta-feira passada às edições com Monument, o terceiro disco de estúdio do trio que vem dar sucessão a Etazhi (2018, Detriti Records). Depois de terem alcançado um sucesso imprevisível com o tema "Судно (Sudno)" que rapidamente se tornou um hit à escala mundial, a banda assinou em janeiro deste ano um contrato com a auspiciosa Sacred Bones que levou à conceção do novo disco Monument e os prepara para se consolidarem como uma das novas bandas marco na prospeção das sonoridades mais underground. O registo anunciado em setembro, foi antecipado através da tímida "Не Смешно / Ne Smeshno", a estimulante "Дискотека / Discoteque" e, mais tarde sob o cunho "Ответа Нет / Otveta Net", uma doce representação da melancolia em voga nos tempos que correm. Contudo, as grandes pérolas ainda estavam para descobrir.

Expandindo a grandeza minimalista das paisagens revival da new wave e post-punk dos 80's, o novo Monument foi escrito e gravado durante o período de quarentena da banda em Minsk e mostra-se como um avanço consciente, não só na composição, mas essencialmente ao nível da produção que projeta uma imagem cristalina e aposta na infusão de elementos vastamente criativos. Num disco prepotente e imersivo, os Molchat Doma voltam a mostrar, com afinco, uma nova prova sólida e eficaz de que o seu trabalho, mesmo recheado por traços de nostalgia e linhas melancólicas, possui um grande poder de conquista. Temas como o retrowave futurista "Утонуть / Utonut", a gótica "Удалил Твой Номер / Udalil Tvoy Nomer" ou o divertido badalado "Ленинградский Блюз / Leningradskiy Blues'" são paragem obrigatória na audição do registo e podem assimilar-se conjuntamente abaixo.

Monument foi editado na passada sexta-feira (13 de novembro) em formato vinil, cassete, CD e digital pela Sacred Bones Records. As versões em vinil e cassete já se encontram esgotadas, mas podem adquirir o formato CD ou digital clicando neste link.


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STREAM: First - First

STREAM: First - First


Os First começam a construir um caminho bastante peculiar no novo panorama da música underground. Depois de se terem estreado em abril passado nas edições curta-duração, com o homónimo First, a dupla formada por Pieter Vochten e Jasmin Smolders volta a apostar na sua vertente fértil com uma edição longa duração que compila não só o primeiro EP de carreira, mas também quatro novas faixas inéditas. Esta é a segunda edição da banda na alçada belga sentimental records, um ano depois do seu single de estreia "Losing" ter feito parte de A sentimental Mixtape #1. Em tempos de crise no mercado a dupla não se deixou intimidar e, desde então, tem explorado com afinco um percurso musical que, embora fortemente enraizado nas sombras do estrelato, apresenta uma luz vanguardista, profundamente sedutora e desafiante.

Com um foco ativo na exploração de uma eletrónica minimal, de vertentes sombrias, onde a voz conquistadora de Jasmin Smolders emana um poder eminente, os belgas First não se deixam prender a uma fórmula de criação musical única. Evidências disso podem encontrar-se logo na audição dos temas do novo EP, como "Restless" - de ambiências orgânicas e tribais - e sucessiva passagem para "Desire" - um retrato iniciado entre os ângulos da música ambient que progride para uma eletrónica psicologicamente densa no desenvolvimento. Entre as novidades podemos encontrar ainda "Control" - um tema que mostra o incrível controlo vocal de Smolders e a sua personalidade etérea e sonhadora - e ainda "Slowly", a aportar uma eletrónica vigorosa e direcionada para impulsionar os corpos ao movimento. A edição que compila os dois EP's dos First pode agora escutar-se na íntegra abaixo.

First foi editado na passada sexta-feira (13 de novembro) em formato cassete e digital pelo selo belga sentimental records. As cópias físicas em cassete já estão esgotadas, mas a edição digital ainda pode ser adquirida aqui.


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Os KORINTHIANS voltam à ação com novo vídeo para "Icarus Airlines"

Os KORINTHIANS voltam à ação com novo vídeo para "Icarus Airlines"


Quase a celebrarem um ano da edição do disco de estreia Chaos Control, os belgas KORINTHIANS voltam à ação com novo trabalho audiovisual para o tema "Icarus Airlines". A banda formada por Mattias De Backer (guitarra/voz), Ruben Masson (baixo/moog), Jeroen Weckhuyzen (sintetizadores/voz) e Kenny Voet (bateria/samples) tem desde 2016 trabalhado numa sonoridade que junta a melancolia dos anos 80 com uma estética romântica e dark wave influenced, faz questão de relembrar a energia fugaz que acompanhou o processo de produção e composição de Chaos Control. Para tal anuncia agora o segundo tema de extração que vem dar sucessão ao último "Beat".

Numa linha musical a seguir as tendências estéticas de nomes como Interpol, "Icarus Airlines" vem acompanhado de um vídeo dirigido por Elke Bastien que começa por se focar no nascimento e criação da vida para - por volta dos dois minutos de desenvolvimento - apresentar um avião da "Icarus Airlines", que indubitavelmente traz à memória o icónico trabalho audiovisual de "Die To Live" dos Agent Side Grinder. Podem visualizar o resultado final abaixo.


Chaos Control foi editado a 14 de dezembro de 2019 em formato vinil e CD. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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A eletrónica sombria dos Spectrograph ganha corpo em 'A Giant Leap of Faith'

 

A eletrónica sombria dos Spectrograph ganha corpo em 'A Giant Leap of Faith'

A eletrónica de vertentes post-industrial dos Spectrograph vai ganhar o primeiro capítulo já no final do mês de novembro, através do novo registo curta-duração A Giant Leap of Faith. O EP, comprimido a quatro faixas, consolida um período de oito anos de experimentação que o produtor e DJ Phiorio (Metroline Limited) e a cantora / multi-instrumentista Virginia Bones (Geography Of The Moon) tão bem forjaram nas entranhas mais negras da música underground. Escondidos na cave, os Spectrograph não se inibiram, contudo, de colocar em ação o plano teórico que têm detalhado desde 2012 e, avançam agora, com o aperitivo de entrada "Dead Kittens" - tema hipnotizante construído ao redor de loops desconcertantes e atmosferas arrastadas.

Rico em texturas ásperas e mecânicas A Giant Leap of Faith caracteriza-se, na essência, pelo ritmo denso e as ambiências noir e psicóticas que daí advêm. Através de uma abordagem noise minimal nos ângulos sonoros explorados e uma voz que, quando presente estimula sensações inquietas é, pela atitude de vanguarda no campo experimental que os Spectrograph ganham destaque. A dupla, que afirma Death In June, Vatican Shadow, The Cure ou Dead Can Dance como influências na sua música, costura os elementos aprendidos à priori numa produção distinta e subversiva que agora vê a luz do dia no aguardo EP de estreia. "Dead Kittens" antecipa o disco e faz-se acompanhar por um vídeo assinado por LESS THAN ONE que pode agora visualizar-se abaixo.

A Giant Leap of Faith tem data de lançamento prevista para 27 de novembro em formato digital pelo selo inglês Depths Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Spectrograph-a-giant-leap-of-faith
A Giant Leap of Faith Tracklist:

01. Dmbt
02. Dead Kittens
03. A Giant Leap of Faith
04. If You Think You Can Fly

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domingo, 15 de novembro de 2020

7 ao mês com ∩ (intersectiō)

7 ao mês com ∩ (intersectiō)


∩ (intersectiō) deu-se a conhecer ao mundo o ano passado através do EP PURGA, uma produção eletrónica com forte componente artística, a juntar não só as linhas digitais da música mas toda a estética palpável através do lançamento conjunto com oito fotografias no formato analógico. A história de PURGA não ficaria cingida contudo a 2019, pelo que neste 2020 voltou a receber uma versão dedicada no formato livreto de 16 páginas, numa edição limitada a 25 edições cujas últimas cópias poderão ser adquiridas aqui.

Ainda nas vibes dos seus exercícios sonoros - altamente criativos e com grande foco no formato visual - decidimos convidar o Ricardo Nogueira Fernandes, mentor do projeto ∩ (intersectiō) a participar na edição de novembro da nossa rubrica mensal 7 a mês, para nos ajudar a decifrar sete nomes no panorama da música que tiveram uma ampla influência não só no seu trabalho como produtor, mas igualmente na formação de alguns traços como pessoa. Os discos podem agora encontrar-se abaixo, e seguem acompanhados das palavras do produtor num exercício que explica as raízes da ação.

"Um processo que tem o seu quê de ingrato por deixar de parte uns tantos quantos discos. Tentei então fazer uma seleção de álbuns que me influenciaram quer ao nível musical quer ao nível pessoal. E, como as duas dimensões se cruzam é, em parte, um testemunho do que sou." 

 

DJ Shadow - Endtroducing (1996) 

O Endtroducing foi uma escola de aprendizagem das técnicas de produção com base em sampling numa altura em que o acesso a informação técnica sobre o assunto não se encontrava tão disponível como hoje em dia, seja pelo Youtube seja pelo belíssimo portal que é o WhoSampled. Foi também um meio de acesso a um universo de produção de instrumentais que ia muito além das balizas estilísticas dos beats de hip hop, quer na estrutura da composição quer nas fontes sonoras, mas também na exímia comunicação quase não verbal de certas temáticas. 


Jaylib - Champion Sound (2003) 

Este álbum, além de me ter dado a conhecer o trabalho do J Dilla, foi o próximo nível do impacto que a editora Anticon tinha tido na minha formação musical. A perceção de que era possível, recorrendo sensivelmente às mesmas fontes de sampling e máquinas dos beatmakers de boombap, criar algo que coloca em causa muitas certezas dentro da produção de hip hop. Era como se o Coltrane tivesse pegado numa MPC e numa SP-12 e tivesse começado a estilhaçar todos os alicerces.


The Velvet Underground & Nico - The Velvet Underground & Nico (1967) 

Para mim é dos álbuns mais importantes da história do rock. A aparente candura da melodia e da voz da Nico contrasta com o ruído que surge inesperadamente e com as letras de temas marginais. Diria que é um equilíbrio entre uma sólida escola clássica de rock com uma necessidade de experimentalismo. Nesse sentido ter-me-á levado a conhecer Sonic Youth, que também mergulham incessantemente num caos controlado. Este disco também salienta a importância do álbum como peça artística, como um todo, com uma coerência sonora, estilística e estética. 


Tim Hecker - Virgins (2013) 

O Virgins foi a introdução a um tipo de eletrónica que desconhecia à altura. O processo de composição por edição destrutiva, loops cuja perceção do fim e início se esbatem pela sua aleatoriedade e uma estrutura livre foram pontos que influenciaram de forma determinante o meu trabalho e que me levou a outros como o William Basinski, The Caretaker, Lawrence English ou mesmo Éliane Radigue. A familiaridade dos instrumentos reconhecíveis contrasta com a estrutura desconcertante das composições. 


Altar of Plagues - Teethed Glory and Injury (2013) 

Numa Amplitalk do Amplifest, James Kelly referia que os vocais em registo gutural são gratuitos caso não sejam para expressar sentimentos de dor ou condição social desfavorável. Este é um álbum bastante emocional, de emoções extremas, e usa, sem preconceitos estilísticos, as ferramentas necessárias para atingir esse fim. Apesar de ter uma base identificável de black metal, a introdução de elementos dissonantes, drones, entre outros recursos da eletrónica, é um enriquecimento e não um mero adorno na transmissão destes estados dilacerantes.



Arca - Arca (2017) 

Este álbum foi basilar na minha perceção e aceitação da minha fragilidade. Ver um homem (à data) colocar-se numa posição de tal vulnerabilidade foi inspirador e fortificante. Deu-me um certo alento e segurança no processo de aceitar que o meu EP teria voz, com letras bastantes íntimas, e que a persona seria um meio de explorar uma sonoridade e sinceridade extremas. Apesar de os álbuns da Arca não serem facilmente comparáveis entre si, este é sem dúvida uma charneira no trabalho dela. A verbalização adicionada ao cariz experimental da produção traz mais uma camada. 


IDLES - Joy as an Act of Resistance (2018) 

O título é quase auto-explicativo. À semelhança do Brutalism, é um álbum bastante frontal e sincero. Trata-se quase de um manifesto de clarificação de que todas as questões são políticas por mais íntimas que possam parecer à primeira vista. Isto com uma base sonora densa mas ao mesmo tempo dançável e contagiante. Desde o tratamento dos temas mais clássicos como a questão classista, os meios de comunicação ou a imigração, aos que contêm uma dimensão mais pessoal, mas intrinsecamente politizada, como a masculinidade tóxica ou relações interpessoais.


Se quiserem saber mais sobre o  (intersectiō) aproveitem para o seguir através da sua página de Facebook ou pela plataforma Bandcamp, onde podem comprar o seu trabalho.

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