sábado, 26 de dezembro de 2020

STREAM: Mind Orchestra - "You Flourish Before You Die"


Mind Orchestra é o alter-ego de si!va, sendo You Flourish Before You Die o primeiro fruto desse mesmo projeto, lançado em pleno dia de natal. Composto por cinco faixas, este lançamento afasta-se bastante do hip-hop instrumental, zona de conforto do artista português, para abraçar fortemente a música de dança, em especial o drum-n-bass e o breakbeat.

Ao longo de quase vinte minutos de eletrónica dançante, Mind Orchestra transiciona-se constantemente entre os ritmos violentos, como em “pple”, para segmentos mais melódicos verificados em “acht”, restando também espaço para alguns vestígios do hip-hop instrumental em “instrumental”.

O EP está disponível em formato digital, no YouTube e no SoundCloud, podendo ser ouvido na íntegra abaixo:

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Agora é oficial. "Whole Lotta Red" anunciado para dia 25 de dezembro

 

Após 2 anos de espera com os fãs a falar de leaks, suposições e tudo mais... O rapper americano Playboi Carti finalmente confirma que Whole Lotta Red existe e mais, vai ser lançado nesta quadra natalícia como agradecimento aos seus seguidores.

Depois do sucesso de Die Lit em 2018, pouco se sabe ainda sobre este segundo álbum de Carti. Especula-se que Kanye West e Mathew Williams da Givenchy serão os produtores executivos de Whole Lotta Red, de acordo com o leak de DJ Akademiks, que também acertou no dia de lançamento deste álbum num tweet de há duas semanas. O mais perto que temos de ter um avanço oficial a WLR está no instagram de Playboi Carti, numa suposta música com participação de Kanye West, que podem ver abaixo.



Além disto, Playboi Carti também deu a entender que Travis Scott vai participar numa faixa de Whole Lotta Red. Todo o álbum está envolto em mistério, com informações (como esta última) a terem de ser decifradas na conta de Twitter do Carti. 

Resta a nós esperar até o dia de Natal para finalmente abrirmos esta 'prenda'.

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[Review] Babe, Terror - Horizogon

Review_Babe Terror_Horizogon

Horizogon | edição de autor | setembro de 2020
9.0/10

Considerado pelo jornal inglês The Guardian como o Global Album Of The Month do mês de setembro, Horizogon apresenta-se ao mundo como o décimo primeiro registo de Claudio Szynkier. Este artista, oriundo de São Paulo, dá forma ao projeto de eletrónica experimental e hauntológica Babe, Terror

Com uma carreira iniciada em 2008, Babe, Terror lançou o seu disco de estreia no ano seguinte - Weekend - trabalho que é descrito nas tags de bandcamp como “Wrong Dance Music”. Por esta altura, o método de composição de Babe, Terror baseava-se em criar com a sua voz refrões melódicos e a partir daí modelar e gerar repetições numa toada distorcida, de forma a tornar irreconhecível a melodia original. Com o avançar dos anos, o artista foi ampliando os seus métodos de criação e começou a ensaiar com linhas mais complexas, que surgiram de descobertas e experiências com a decomposição de formas originais - Szynkier passou a compor com outros elementos sonoros além da voz, recorrendo ao piano e a técnicas de sampling de diferentes fontes. 

O registo seguinte de Babe, Terror, intitulado Knights, saiu em 2012 com o selo da Phantasy - editora fundada por Erol Alkan que tem no seu catálogo edições de Daniel Avery, Connan Mockasin - e invocou sonoridades características do clubbing, tal como o IDM, o ambient techno e a house mais lo-fi. O ano de 2013 trouxe College Clash, um dos registos menos conseguidos do artista onde sonorizou uma homenagem ao basquetebol universitário e a todo um conjunto de atividade de caráter estudantil numa versão bem sinistra. Ancient M'ocean veio consolidar a aposta nas texturas mais dançáveis e surreais por parte de Babe, Terror, aproximando-se dos territórios de GAS e Boards of Canada. Editado em 2017 novamente com o selo da Phantasy, este disco levou aproximadamente quatro anos a ser composto, fazendo-se acompanhar por uma banda desenhada conceptualizada pelo próprio e realizada por Michael Crook, a qual tão bem retrata a submersão e o sentimento cinemático por detrás do disco. 

Aindo no ano de 2017 surgiu talvez a oportunidade mais inesperada para o artista. A pedido dos Ride, uma das bandas mais icónicas do shoegaze, Babe, Terror reimaginou o tema “Home is a Feeling”, retirado de Weather Diaries (2017). O resultado foi “A Creamy Crambled Suite For a Ride”, peça de 25 minutos que pode ser encontrada na versão japonesa do disco e também no álbum de remisturas Waking Up In Another Town (2018), na companhia de nomes como Mogwai, Jefre Cantu-Ledesma e Oren Ambarchi. Com o selo da editora de Los Angeles Glue Moon, o ano de 2018 trouxe consigo Fadechase Marathon, disco que foi eleito um dos melhores registos eletrónicos para o Bandcamp nesse mesmo ano e que apresenta uma atmosfera campestre e noturna, mais acolhedora para o ouvinte que em registos anteriores.

Falta de ambição é algo que não podemos apontar à carreira de Babe, Terror, e Horizogon é a prova viva disso. No ano de 2019, Claudio Szynkier dedicou-se ainda mais à experimentação, aliando os habituais elementos eletrónicos a instrumentos normalmente associados ao jazz e a arranjos orquestrais desenhados pelo próprio, os quais conferem um cariz cinemático às suas composições. Com essa experimentação na mente, o produtor vagueou pelas partes mais deterioradas, vivas e brilhantes de São Paulo ao amanhecer e daí resultou o trabalho mais ambicioso que Babe, Terror já produziu até à data, segundo o próprio artista e o autor desta crítica. Inicialmente composto com o objetivo de sonorizar uma cidade de São Paulo a viver um apocalipse calmo e utópico, uma forma catártica de Szynkier “sobreviver” ao apocalipse interno que estava a atravessar, Horizogon revelou-se como a materialização de um sonho bem estranho. Apesar de ter sido elaborado inteiramente em 2019, este disco é dotado de um carater profético e premonitório, feito para se ouvir num ano pandémico como este, em cidades completamente paralisadas e desertas, repletas de harmonias sublimes e invisíveis, algo que julgávamos ser impossível. Essa qualidade longínqua e eremítica de Horizogon muito se deve a uma antiga doença auto-imune de Szynkier, que afeta a sua audição e o obrigou a estar confinado no seu apartamento, realidade que agora nos é bastante familiar. Este impedimento clínico leva a que a produção e a composição por parte de Babe, Terror seja refém dos momentos em que a sua saúde se apresenta em melhores condições, representando uma total incógnita no que diz respeito a registos futuros.

Horizogon é constituído por seis longas faixas que se estendem para lá dos oito minutos de duração e vagueiam pela dark ambient e drone music, ornamentados de elementos do free jazz. “Scalar Velodromeda” é o tema que dá o pontapé de saída ao disco numa toada taciturna, comandada pelo piano e pelo coro de vozes distorcidas e assombrosas, ocasionalmente interpelados pelos ritmos errantes do contrabaixo. O segundo tema “Alcalis” vem dar seguimento à atmosfera lamentosa e críptica, mas de um modo mais sintético. O otimismo e a nostalgia marcam também presença em Horizogon, principalmente na terceira faixa “Horizogon Squadra”, onde reina o sentimento cinemático e jazzístico protagonizado pela combinação suave do piano, contrabaixo e saxofone. “Estuário Transurânia” apresenta-se como a melhor faixa do registo, com alguns laivos da eletrónica progressiva de Oneohtrix Point Never a pontilharem as camadas sintéticas. A obra de William Basinski é uma clara influência nos registos de Babe, Terror, e é na faixa “Salina Lúmen” que essa influência desorientadora da tape music é bem notória. Percorrendo a mesma onda distópica, “Horizogon Catalase” encerra o disco com uma mensagem confiante e esperançosa.

Aliado à vertente sonora, Horizogon assume-se também como um projeto multimédia. Lançado a 4 de dezembro, o filme Os Pólos ("The Poles") foi realizado pelo próprio produtor e por Cauê Dias Baptista, retratando o estado de solidão em que a cidade de São Paulo se encontrava nos primeiros dias da pandemia. As seis músicas que fazem parte de Horizogon ganham aqui uma nova roupagem visual imersiva, intensificando a sua matriz cinemática. 

Além de refletir intensivamente sobre a situação sombria que estamos a viver, Horizogon é também um trabalho que se alimenta e inspira na situação de desespero e a ansiedade provocada pelo atual regime político autoritário que vigora no Brazil. Pelas palavras do artista, este disco “sintetiza tudo o que somos e o que passamos agora como um coletivo, como uma cultura de nação mestiça. É, portanto, um trabalho muito forte e dramático para mim, pessoalmente. É um registro de dor, revolução e reinvenção do Brasil pela arte. Ou seja, tudo o que sentimos e precisamos agora”.

Horizogon foi o disco que todos nós mais escutámos este ano, apesar de não o sabermos identificar. Ouvimo-lo no dia-a-dia, quando estamos perante a ameaça de um novo vírus que veio rasgar a normalidade a que estávamos habituados, que veio questionar a nossa saúde mental e o bom senso das populações e governantes, reformulando em grande parte o nosso modo de sociabilizar e sentir. 

Editado a 15 de setembro em nome próprio apenas em formato digital, Horizogon terá direito no futuro a uma edição física com o selo da Glue Moon. Podem escutá-lo em baixo.

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STREAM: Midnight Ambassor - Fragile Igloo

STREAM: Midnight Ambassor - Fragile Igloo

Lançado no passado dia 20 de novembro, Fragile Igloo é o mais recente EP de André Graça, mais conhecido por Midnight AmbassorO músico português, que estudou diversos instrumentos em Beja, mudou-se posteriormente para o Reino Unido, onde continuou os seus estudos musicais e desenvolveu a sonoridade deste seu projeto a solo. Influenciado por artistas como Childish Gambino, Glass Animals e Alt-Jprocura juntar uma musicalidade sofisticada a uma destreza lírica e grande atenção a ritmos e batidas.

Fragile Igloo conta a história da sua difícil mudança para Londres, abordando temas como o amor, a saúde mental e os trabalhos precários que o músico teve para sustentar o seu sonho.

O EP pode ser ouvido em diversas plataformas de streaming e está à venda em formato digital no Bandcamp. Ouçam-no aqui:

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

DARKSIDE estão de volta com novo disco

© Jed DeMoss

Muitos são aqueles que se arrependem de terem trocado DARKSIDE pelos Mogwai no NOS Primavera Sound de 2014. Afinal de contas o conjunto escocês que se consolidou como um dos nomes mais fortes do pós-rock já regressou ao nosso país pelo menos umas três vezes, ao passo que a dupla formada por Dave Harrington e Nicolas Jaar entrou em hiato no final desse mesmo ano

A parte positiva dos arrependimento é que estes nem sempre são definitivos e o anúncio de um novo disco dos DARKSIDE pode servir como emenda (e uma possível tour de apresentação, quando isto tudo acalmar). O duo recomeçou a compor discretamente por volta de 2018, tendo finalizado as gravações já no final de 2019. Intitulado Spiral, este novo trabalho dos DARKSIDE tem data de edição prevista para a primavera de 2021, com o selo da Matador Records, e vem suceder o aclamado disco de 2014, Psychic, um verdadeira ode à música de dança minimal e hipnótica.

"Liberty Bell" é o primeiro avanço de Spiral e pode ser escutado em baixo.

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Vlimmer encerra o projeto de 18 EP's com XIIIIIIII

Vlimmer encerra o projeto de 18 EP's com XIIIIIIII


Estávamos em 2015 quando Vlimmer - o projeto a solo do autodidata Alexander Leonard Donat (Blackjack Illuminist Records, Feverdreamt, WHOLE) - se auto propôs a lançar um capítulo de narrativas composto por 18 EP's. Cinco ano depois do início e, num crescimento conciso edição após edição, Vlimmer despede-se com objetivo cumprido em XIIIIIIII, a cereja no topo do bolo. Naquela que é talvez a melhor edição da "narrativa", o produtor alemão mostra um crescimento notório ao nível da produção construindo um universo musical composto por cinco canções sonhadoras, estimulantes e altamente maleáveis pelo corpo humano. 

No core da música esteve sempre o protagonista Jagmoor Cynewulf que, nos primeiros anos operou a partir das catacumbas de um laboratório obscuro numa mansão centenária que jazia semidestruída no nevoeiro. Com os anos ambientou-se ao meio urbano, o que se reflete na musicalidade mais cativante e cintilante. As primeiras quatro músicas deste XIIIIIIII provam isso mesmo, combinando ondas oníricas obscuras com a veia independente dos anos 90.

Caracterizado pela sua abordagem eletrónica, vasta e multifacetada, Vlimmer consolida no novo EP a sua motivação imparável na produção de elementos sonoros que bebem influências dos ambientes soturnos da darkgaze, dos ambientes camuflados da dream pop e das tendências divertidas da synthpopXIIIIIIII é aditivo, luminoso e ainda assim invadido por uma veia de texturas negras. Do novo disco - que pode reproduzir-se na íntegra abaixo - forte destaque para temas como "Nacktheit", "Vorwehen" e o incrível tema de encerramento "Kern".

XIIIIIIII foi editado no passado dia 4 de dezembro em formato CD, cassete e digital. Podem comprar a vossa cópia aqui.



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STREAM: N X P T N E - Quantumnaut

STREAM- N X P T N E - MO7: Quantumnaut


A jovem produtora N X P T N E estreia-se esta segunda-feira nas edições de estúdio com o primeiro disco oficial de carreira oficial, Quantumnaut, que vem dar sucessão ao single duplo "ZERO" e a uma discografia extensa e fragmentada pelo YouTube. No novo disco, N X P T N E apresenta-nos o seu universo estranho e misterioso rico em ritmos artificiais e atmosferas fluidas que nos projetam para uma viagem interior em jeito de exploração do subsconsciente. Na estreia destaca-se essencialmente a sua vivacidade composicional num mundo sonoro fortificado pela paleta experimental.

Ao criar um paralelismo entre uma viagem de aventura pelo cosmos, dentro de vigorosos ambientes contemplativos - em Quantumnaut sublinhados pelos vocais sem corpo e as melodias etéreas - N X P T N E cria um disco de estruturas delicadas e envoltas em tragédia numa atitude que faz lembrar o trabalho vocal de Anika, em algumas instâncias. Enriquecendo a sua composição com paisagens pós-industriais, onde samples agudos e texturas estranhas interagem com construções ligeiramente desafinadas, mas melódicas, Quantumnaut apresenta-se como um disco de eletrónica experimental recheado em tonalidades negras e exercícios sonoros impetuosos. Todas as faixas foram escritas e gravadas por N X P T N E e, deste Quantumnaut destacam-se temas como o sonhador "Heavy Sustain", o derretido "When The Sun" e o homónimo "Quantumnaut".

Quantumnaut foi editado esta segunda-feira (21 de dezembro) em formato digital pelo selo italiano MUSICA ORIZZONTALE. Podem descarregar o álbum através da modalidade name your own price aqui.


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O festival Independencia Sónica acontece online a 26 de dezembro

O festival Independência Sónica acontece online a 26 de dezembro

O festival Independencia Sónica - que celebra os movimentos shoegaze, psych, post-punk e dream pop - acontece no próximo sábado 26 de dezembro no formato online, com alguns dos nomes latino americanos em ascensão dentro do panorama. Depois de um ano atípico, a organização decidiu apostar numa versão online do festival (à semelhança do que tem vindo a ser recurso para outras organizações como o Gothicat Festival), incluindo artistas consagrados nos acima mencionados géneros. 

Entre os nomes que mostrarão as suas performances no festival latino americano, no certame encontram-se também bandas estrangeiras como Singapore Sling (Islândia) - projeto do catálogo Fuzz Records que conta com uma discografia viciante a enfatizar o neo psych, shoegaze e noise pop -; Aerofall (Rússia) - uma referência atual do shoegaze russo -; The City Gates (Canadá), com a sua distorção made in Canada e ainda Jaguar Sun (Canadá) a focar-se numa dream pop elegante e intimista.

O alinhamento é completado por bandas como Seatemples (Chile) - que conseguiram posicionar seu elegante shoegaze / post-punk no cenário europeu -; Lasitud (México) - a com o seu post-gaze asteca de vocais versáteis -; Nax (Argentina) - a representar em pleno o som da região -, Anajunno (Argentina) - que consolidaram a sonoridade em Fuego Invierno com uma pop sonhadora e intimista -; Zorro de Estrellas (Argentina) que mostram uma dream pop rica e sedutora -; Loomer (Brasil) - projeto que tem uma carreira muito proeminente e aclamada nas ondas do legado dos My Bloody Valentine -; Rilev (México) - uma das bandas de rutura da cena shoegaze da Cidade do México -; e ainda The LS Days (México), outra banda jovem da cena mexicana.


A segunda edição do Independencia Sónica tem início às 7PM UTC, que corresponde às 19h00 em Portugal. Todas as informações adicionais podem encontrar-se aqui.

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