terça-feira, 19 de janeiro de 2021

7 ao mês com Future Faces




Com novo ano na calha tempo para focar em novas edições, desta feita no disco de estreia dos suíços Future Faces, E U P H O R I A. O longa-duração - que chegou no passado mês de dezembro às plataformas digitais - vê o lançamento em formato físico acontecer no próximo mês de fevereiro e, antes do marco acontecer quisemos conhecer as influências predominantes que se enraizam na sonoridade sedutora dos Future Faces. Depois do incendiário tema de apresentação "Enter Life" com Buzz Kull, a banda tem feito o seu nome crescer entre o underground de vestes negras e sonhadoras, consolidando agora a atenção com uma edição que prima pelo dinamismo e riqueza da composição.

Antes de rumarem aos palcos europeus para exportar a sua sonoridade contagiosa, convidámos Alexandre Muller (HEX, Equus) e Matthieu Baumann (Elizabeth, Capital Youth) a iniciarem a rubrica 7 ao mês de 2021, mostrando nomes, discos e/ou artistas que marcaram impacto não só no lado profissional, mas igualmente pessoal. Se, por um lado, o baterista Matt apostou em mencionar apenas álbuns, por sua vez Alex colocou na mesa, nomes de culto no panorama alternativo da música e um q.b. do cinema. Podem ler as escolhas e respetivas explicações abaixo. Antes disso, o baterista Matt apresenta-nos, um pouco do background de formação da banda para sintonizarem mais profundamente.

Para vos ser honesto, eu cresci ao som do punk-hardcore e, a partir daí, fui lentamente mudando para sonoridades mais sombrios. Foi mesmo especial para mim conhecer o Alex para tocarmos juntos, sendo que todas as influências musicais dele eram como pedras preciosas para mim e, a maneira como ele faz arranjos sonoros, lindamente ornamentados, no meio dos nossos improvisos encantou-me como poucos músicos fizeram antes. Os Future Faces foram inicialmente fundados por músicos apaixonados por mundos musicais muito distintos e apresentam um som único e singular por esse mesm motivo. - Matt


A Place to Bury Strangers - Exploding Head (2009)

Descobri este álbum há oito anos e foi a transição perfeita entre a cena punk-hardcore de onde eu nasci e o que se viria a tornar uma verdadeira paixão por sons hipnóticos e industriais. A bateria pesada e repetitiva é a base perfeita para guitarras estridentes e belas melodias pop. Mesmo que isso revele um mundo tenebroso, foi aqui que encontrei um espaço seguro para olhar para trás e reunir inspirações para o nosso projeto. - Matt



Buzz Kull - Chroma (2017)

Buzz Kull foi a nossa introdução à cena darkwave minimalista moderna, cada peça da sua produção soa perfeita para nós e vê-lo ao vivo várias vezes foi sempre um prazer. O Marc pisa o palco sozinho e transforma-se numa orquestra impressionante, com uma energia pura e singular que nos conduz diretamente ao seu universo. A sua participação em "Enter Life" é uma honra e, mais do que uma influência nossa, foi com ele que fizemos uma das melhores colaboração desde o início da banda. - Matt



Eagulls - Eagulls (2013)

Este álbum foi lançado em 2013 e continuo a ouvi-lo todos os meses. A discografia completa deles é uma viagem incrível com muitas das nossas inspirações. Aqui, tanto ouves The Clash como The Human League ou The Cure. Eu tive a oportunidade de os ver ao vivo há alguns anos atrás e partiram tudo! A união e a energia eram alucinantes e isso deu-nos uma boa representação de como as bandas devem soar em palco. - Matt



New Order 

É óbvio que ter uma banda de coldwave torna complicado evitar mencionar os ícones do género: Joy Division, The Cure e Bauhaus estão entre nossas (minhas) bandas favoritas. Mas a ideia aqui é tentar falar de outros artistas, talvez menos mencionados e que nos trouxeram a este percurso, como The Sound, Modern English ou New Order. Além do facto de me ter feito acompanhar, durante boa parte da minha vida, por Movement e Power, Corruption & Lies, a própria história do grupo vale o desvio: uma banda privada do seu vocalista e do seu carisma consegue contrariar todas as más expectativas e criar uma obra essencial. "The Him", "Doubts Even Here", "Age of Consent" ou "Leave Me Alone" são algumas pérolas inestimáveis ​​da sua incrível e inspiradora coleção. - Alex



 John Carpenter - "Christine" (1983)

O cinema foi provavelmente um catalisador importante do meu amor pela música. Descobrir The Good, The Bad & The Ugly num teatro, com Ennio Morricone num volume consideravelmente alto é uma experiência quase mística… Assim como "Christine", que é provavelmente uma das músicas melhor integradas no filme e nas imagens que acompanha (juntamente com Back To The Future). A propósito, trouxe também uma boa dose de sons sintéticos ao meu subconsciente. Sem esquecer Wendy Carlos e Stanley Kubrick, é claro. Devo ter ouvido "Moochie’s Death" um milhão de vezes, a ponto de ter riscado o meu vinil. Não esquecer "First Chase" e "Chariot of Pumpkins" entre os temas mais impressionantes de John Carpenter, que me fez adorar ter medo. - Alex



Talk Talk 

Como Bowie ou Kate Bush, ou, até certo ponto, Peter Gabriel, oa Talk Talk abriram realmente um caminho para um pop pessoal, elegante e exigente. Ouvi inúmeras vezes faixas como "Today", "Hate" ou "Renee" enquanto trabalhava no E U P H O R I A. Um ano depois de Hounds of Love de Kate Bush e Songs From the Big Chair de Tears for Fears foram lançados, outros maravilhosos monumentos da escrita pop. O final de "The Working Hour" é um apelo ao solo de saxofone dos anos 80. Em "Mother Stands For Comfort", "Running Up That Hill" ou "Cloudbusting", também Kate Bush usa todos os meios à sua disposição para ir o mais longe possível no seu trabalho, empregando tecnologia e virtuosismo ao serviço de uma escrita rica e subtil. - Alex



David Bowie - Low (1977)

À priori, é uma escolha bastante convencional, mas, novamente, o álbum e o contexto em que se insere são fascinantes. Colocar canções como "Warszawa" ou "Subterraneans" num álbum pop mainstream é uma boa mudança e os métodos de trabalho usados ​​por Bowie e Eno mudaram radicalmente a forma como se abordava a composição num contexto de rock. De certa forma, Bowie vulgarizou o que na altura se fazia de forma mais confidencial por músicos como Neu!, Can ou Steve Reich. E deve ter sido por um bom motivo que os Joy Division escolheram Warsaw como o seu primeiro nome de banda, em referência à música de Bowie.



Se quiserem saber mais sobre o trabalho dos Future Faces aproveitem para os seguirem através do Facebook, Instagram ou pela página do Bandcamp, onde podem ficar a par da sua discografia.



------------ ENGLISH VERSION ------------


The coming of the new year brings with it time to focus on new things. One of these things could be the brand new E U P H O R I A by Future Faces. This long-play album, which launched last December, on digital platforms, now comes to the retail market in February, in its physical format. Before February comes along, we wanted to know what predominant references rooted themselves within the seductive sounds of Future Faces. After the blazingly good introductory theme "Enter Life" alongside Buzz Kull, the band has been expanding its influence within the underground black wearing scene. Now in the debut, they have been focusing on a more dynamic editing style that focuses on the richness of their compositions. 

Before venturing towards the European stages to bless us with their contagious sounds, we've invited Alexandre Muller (HEX, Equus) and Matthieu Baumann (Elizabeth, Capital Youth) to open the first edition of 7 ao mês in 2021, showing us albums and other artists which influenced them both personally and professionally. On one hand, the drummer Matt mentioned albums, and on the other, Alex gave us niche alternative music and even some cinema references. You may read their selections and the reasoning behind their choices below. But before you do, Matt introduced us to a bit of the background of how the band began, so you can get to know them better:

To be honest i was raised by hardcore/punk music since my young age and from that point i’ve slowly moved to darker sounds, it was something really special to me when I’ve met Alex to play music together as all of his influences was mostly incredible gems to me and his way to make beautiful ornamentation on our own improvisation charmed me like few musicians done it before. Future Faces is raised by passionate musicians from different initial musical worlds, and make a singular sound because of this. - Matt

A Place to Bury Strangers - Exploding Head (2009)

I've discovered this album eight years ago, and it was the perfect transition between the noisy hardcore-punk scene where I was from and what will become a true passion for industrial & hypnotic sounds. Drums sound heavy and repetitive a perfect base for noisy guitar pads and beautiful pop melodies, even if this reveals a tenebrous world, I've easily found a safe space to get enough hindsight to get influenced for our project. - Matt



Buzz Kull - Chroma (2017)

Buzz Kull was an introduction for us into the modern minimalist darkwave scene, every single of his production sounds perfect to us and seeing him live several times was always a pleasure. Marc is alone on stage and fits it like he is a completely impressive orchestra, a singular and pure energy that bring us directly to his universe. Having him featuring on "Enter Life" it's an honor, and more than only an influence to the band he's one of the best meetings we’ve had since the beginning of our band. - Matt



Eagulls - Eagulls (2013)

This album was released in 2013 and I keep listening to it every month, their full discography is an incredible trip on many of our influences, you can hear The Clash as much as The Human League or The Cure. I had the chance to see them live some years ago and it was a total banger, the tightness and the energy were mind-blowing. It gave us a good representation of what bands on stage should sound like. - Matt



New Order 

Having a coldwave band makes it obviously complicated to avoid mentioning the pitfalls of the genre: of course, Joy Division, The Cure and Bauhaus are among our (my) favorite bands. But the idea here is to try to talk about other artists maybe less frequently mentioned that put us on this path, like The Sound, Modern English, or New Order. Beyond the fact that I have been accompanied a good part of my life by Movement and Power, Corruption & Lies, the story of the band itself is worth the detour; a band deprived of its singer, of its charisma, manages to overcome all predictions and succeeds in creating an essential work. "The Him", "Doubs Even Here", "Age of Consent", or "Leave Me Alone" are as many priceless pearls of beautiful and inspiring music. - Alex



John Carpenter - Christine (1983)

Cinema may have been an important catalyst for my love of music. Discovering The Good, The Bad & The Ugly in a theater, with Ennio Morricone at a considerable volume is an almost mystical experience... Just like Christine. Probably one of the pieces of music most perfectly integrated into its film and the images it accompanies (with Back To The Future), and incidentally one that brought synthetic sounds into my subconscious. Not to forget Wendy Carlos and Stanley Kubrick, of course. I must have listened to "Moochie's Death" a million times, to the point of having dug the grooves in my vinyl... With "First Chase" and "Chariot of Pumpkins", among John Carpenter's most stunning themes, which made me love being scared. - Alex



Talk Talk 

Like Bowie or Kate Bush, or Peter Gabriel to a certain extent, Talk Talk has really paved the way for a personal, elegant, and demanding pop. I listened countless times to tracks like "Today", "Hate" or "Renee" while I was working on E U P H O R I A. A year after Hounds of Love by Kate Bush and Songs From the Big Chair by Tears for Fears were released, other wonderful monuments of pop writing. The finale of "Working Hour" is a plea for the 80's saxophone solo. And "Mother Stands For Comfort, Running Up That Hill or "Cloudbusting". Here too, Kate Bush uses all the means at her disposal to go as far as possible in her work, technology, and virtuosity in the service of rich and subtle writing. - Alex



David Bowie - Low (1977)

A priori a rather conventional choice, but here again the album and its context are fascinating. Placing songs like "Warszawa" or "Subterraneans" in a mainstream pop album is a good changeover, and the working methods used by Bowie and Eno radically changed the way of approaching the composition in a rock context. In a way, he vulgarized what was being done at the same time in a more confidential way by musicians such as Neu!, Can, or Steve Reich. And it should be for a pretty good reason if Joy Division chose Warsaw as their first band name in reference to Bowie's song "Warszawa". - Alex



If you want to know more about Future Face's work you can follow them on Facebook, Instagram, or through their Bandcamp page, where all the discography is listed.


0 comentários:

Publicar um comentário