domingo, 2 de maio de 2021

Night Princess em entrevista: "O meu processo criativo cai muito numa motivação espontânea"



Night Princess é tudo aquilo que esperamos da cybercultura atual: eletrónica frenética e excêntrica, sem regras em jogo. Este artista português tem causado algum burburinho dentro dos fóruns online devido à sua mistura entre hexd e breakcore, de uma forma hiperativa, barulhenta e distorcida. Um drill-and-bass epilético que joga com as samples em seu favor. Em junho do ano passado, o artista lançou um álbum homónimo sob a alça da Dismiss Yourself, uma das editoras cujo papel se mostrou fundamental para a difusão do hexd. A obra valeu-lhe uma vaga nas nossas 16 revelações nacionais de 2020

Em conversa com Night Princess realizada via chat de Discord - algo um quanto conveniente dada a sua história enquanto artista e a dos movimentos musicais que representa - falámos sobre a sua trajetória artística, planos no futuro, influências musicais e do peso das subculturas online na indústria musical. 

Comecemos com uma pergunta introdutória: como começou toda esta jornada musical? O que te inspirou e o que te fez continuar? 

Night Princess (NP) - Começou provavelmente com a minha curiosidade em brincar com samples. Isso fez-me pegar no Audacity, que foi o primeiro programa que usei para fazer música. Quanto ao que me inspira, os meus amigos, todo o tipo de subculturas que existem pela internet e géneros, como o ambient ou o trance

Existem termos que se originaram em subculturas online, como o hexd ou o hyperpop, que já passaram a ser utilizados tanto em fóruns como em artigos oficiais. Qual é a tua opinião acerca desta constante tentativa de catalogar a música? Sentes que te enquadras em algum destes géneros? 

NP – Dentro desses géneros, acho que só me categorizo dentro do hexd. Trata-se de um género que tenta descrever aquele tipo de música mais bitcrushed. Mas sim, a constante categorização da música é um pouco desnecessária, apesar de também acabar por se tornar inevitável, especialmente com os seguidores de culto do RateYourMusic, que tornam isso mais comum. Toda esta caracterização constante da música acaba por limitá-la, como se fosse algo objetiva quando não o é... Mas nada contra o RateYourMusic! 

Antes de começares a lançar sob o alias de Night Princess, chegaste a usar outros nomes: Internet Dating Club e ʕ•̫͡•ʕ enterprises. O que os distingue do teu alias atual? 

NP - São de géneros diferentes. Eu já abandonei esses projetos há algum tempo e vejo-os como um dos meus primeiros experimentos musicais, nada de sério. Night Princess acabou por surgir do facto de eu ter crescido musicalmente e ter deixado o vaporwave para trás. Este alias tem um estilo mais noturno e child-like, apesar de haver quem tenha descrito o álbum self-titled como emocional. Ainda assim, eu ainda não acho que a minha música se tenha tornado algo demasiado sério ou profissional (apesar de estar a fazer isso para projetos futuros).  

Nos teus trabalhos implementas uma mistura frenética de samples e breaks sob uma atmosfera bastante peculiar. Podes falar-nos do teu processo criativo? 

NP – O self-titled foi feito em, tipo, três noites, no VirtualDJ. Era praticamente tudo improviso e não havia regras em jogo. O meu processo criativo é bastante abstrato, cai muito numa motivação espontânea. 

Já lançaste discos sob a alçada de diversas editoras, como a Girly Girl Music, a Euphonium Records e a Dismiss Yourself. Como é que se deram estas ligações e como é trabalhar com uma editora diferente em cada um dos teus projetos? 

NP – A Girly Girl serviu como output para os meus trabalhos de ambient e foi a primeira label com que interagi; os donos da Euphonium são meus amigos, por isso decidi lançar a compilação SOUL (que se baseia principalmente em faixas inacabadas) por lá; já a Dismiss Yourself é a editora com que estou mesmo a trabalhar agora. Foi com eles que lancei o primeiro álbum de Night Princess e com quem estou a trabalhar para os meus projetos futuros, já mais sérios. Acho que o meu contacto com eles começou apenas porque decidi submeter-lhes o álbum, só porque sim, sem um motivo assim muito forte. Mas correu bem! Depois, claro, acabei por me tornar amigo de algumas pessoas da comunidade. 

Há poucas semanas, tu e o blissful fields (fka assonance) lançaram o single “Burn”, sob o nome coletivo de Lavender Rose. Qual foi a chave para fundirem os vossos estilos musicais nessa faixa e o que podemos esperar desse duo no futuro? 

NP – Pode-se esperar algo diferente. Nós estamos a trabalhar num álbum que está fora da nossa zona de conforto, sendo a chave, talvez, o facto de termos ouvido a música um do outro, permitindo que nos possamos adaptar ao estilo um do outro e fazer isso refletir na nossa música. 

Por fim, que artistas mais tens ouvido nestes últimos tempos? 

NP Kero Kero Bonito, Radiohead, Frank Ocean e Vegyur

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