sexta-feira, 16 de abril de 2021

Associação OUT.RA reagenda últimas apresentações públicas dos bolseiros 2020

@ Vera Marmelo

OUT.RA - Associação Cultural anunciou as próximas duas programações a ter lugar no Barreiro nas próximas semanas. O terceiro e último momento público do projeto ZIMA no Convento da Madre de Deus da Verderena, no dia 24 de abril, e a projeção do filme "Solo Infértil", de Camila Vale, a 13 de maio, encerram simbolicamente o ano de 2020 com as últimas apresentações públicas dos Bolseiros OUT.RA.

ZIMA é o projeto de Sara Zita Correia e Marta Ramos. Sobre o espetáculo que irão apresentar no Convento da Madre de Deus da Verderena, "Sonho de Zima", a dupla explica: "Trocando a véspera de solstício, pela véspera de liberdade, abrimos os portões de um novo lugar, para a partilha de mais uma experiência de vida. Interessa-nos, desta vez, perseguir um momento que reforce a simplicidade da existência e exponha a inevitável crueza do encontro das vozes em bruto com as paredes". A performance, altamente exploratória, assinala o último momento público do projeto no contexto da Bolsa de Criação da OUT.RA. 

"Solo Infértil" é o filme que Camila Vale realizou ao longo de 2020, com o envolvimento de vários protagonistas locais no mundo do som e imagem. O filme retrata a história de dois irmãos pelas  "inexplicáveis cores da terra, e pelos segredos que o passado esconde", levando-os a criar no espaço onde habitam "uma harmonia para a sua dissonante realidade". A projeção do filme acontece no AMAC (Auditório Municipal Augusto Cabrita) pelas 21h.

A entrada para ambos os eventos é gratuita, sendo no entanto necessária uma reserva prévia para o mail info@outra.pt.


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Soft Cell detalham primeiro álbum em quase 20 anos


Os britânicos Soft Cell confirmaram que se encontram a trabalhar num novo álbum, o primeiro desde Cruelty Without Beauty, de 2002. O álbum, que ainda não possui título ou data de lançamento definidos, deverá estar pronto no próximo ano. 

Em declarações ao Daily Star, o multi-instrumentista Dave Ball explica que o duo ainda não se atreveu a escrever uma segunda "Tainted Love", o famoso single que levou os autores de Non-Stop Erotic Cabaret ao estrelato em 1981, mas deixa algumas pistas para o que aí vem: "seria inapropriado que dois homens de 60 e poucos anos tentassem escrever temas pop saltitantes. Isso não significa que nos tenhámos tornado miseráveis, mas também não é música pesada e industrial. Diria que as canções estão a soar bastante minimais, melódicas e carregadas de graves".

Dave Ball e Marc Almond formaram os Soft Cell em 1977 quando estes se encontravam ainda a estudar no Leeds Polytechnic (o orientador de Almond era Frank Tovey, conhecido por desempenhar funções enquanto vocalista dos Fad Gadget). A banda alcançou rápido sucesso com o afamado single "Tainted Love", que atingiu a cobiçada primeira posição das tabelas britânicas, e chocou o mundo com o visionário e altamente subversivo imaginário das suas canções e vídeos, que tocavam em pontos como a fluidez sexual e as práticas BDSM (o ínfame vídeo para "Sex Dwarf" encontra-se, ainda hoje, banido e ausente da esfera online). Editaram cinco álbuns de estúdio – Non-Stop Erotic Cabaret (1981), Non Stop Ecstatic Dancing (1982), The Art of Falling Apart (1983), This Last Night in Sodom (1984) e o mais recente Cruelty Without Beauty (2002), que recebeu uma compreesiva reedição em 2020.

O último trabalho dos Soft Cell, o single “Northern Lights”, chegou em 2018, ano em que a dupla deu aquele que foi anunciado como o seu último concerto sempre na O2 Arena, em Londres. 


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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Os Glaare estão "For Sale"

Os Glaare estão "For Sale"


Está cada vez mais próxima a data de lançamento de Your Hellbound Heart, o segundo disco de estúdio dos norte americanos Glaare. O projeto liderado por Brandon e Rachael Pierce lança no último dia do mês o sucessor de To Deaf And Day (2017, Weyrd Son Records) e para acalmar os dias que antecipam o marco a banda lança agora de surpresa o quarto tema da peça completa, "For Sale". O tema, que já circula pela internet há cerca de três anos - quando o apresentaram no formato demo em exclusivo para o Jam In The Van - vê-se agora esculpido na sua versão final, com o toque aprimorado dos novos membros Marisa Prietto e Rex Elle. No tema que desafia o tempo e o espaço - entre sonoridades contemporâneas com toques da onda obscura dos anos 80 - "For Sale" é potencialmente o hit do novo longa duração da banda: viciante, obscuro, estimulante e brutalmente envolvente.

Em Your Hellbound Heart os Glaare "a personificação do prazer concedido a alguém após um período de extrema tortura" é afirmada como o conceito de um disco que varia entre malhas de sons mais calmas e ondas sonoras profundamente estimulantes como se vive neste novo "For Sale". Se em To Deaf and Day os Glaare retratavam a sensação do partir do coração, neste Your Hellbound Heart criam a sua interpretação da quebra da mente num disco que tem tudo para se ambientar em território europeu.

Your Hellbound Heart tem data de lançamento prevista para 30 de abril em formato vinil, CD e digital pelo selo Weyrd Son Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


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JE T'AIME antecipam novo LP com "Another Day in Hell"

JE T'AIME antecipam novo LP com "Another Day in Hell"


Os franceses JE T'AIME estão de volta à ribalta com novo single, "Another Day In Hell", tema inédito que antecipa o lançamento do novo álbum de originais com lançamento previsto para o próximo outono. Depois de terem colocado cá fora JE T'AIME Live at Gibus como encerramento da primeira etapa de carreira, o trio aposta agora numa nova vertente sonora. Mais melancólica que outrora, a energia contagiante dos temas que incorporaram o disco de estreia camufla-se agora por entre guitarras ora melodiosas ora quebradas, linhas de baixo prepotentes e uma bateria tépida numa canção de ritmos desacelerados. 

"Another Day In Hell" foi lançada esta terça-feira (13 de abril) juntamente com um trabalho audiovisual que junta os três membros da banda - em planos separados - para retratar uma realidade tão comum nos dias que correm: estradas despidas de movimento e o vazio traseunte que acompanha as carreiras na indústria da música. Esse vazio reflete-se no resultado final de "Another Day In Hell" que aposta num percurso mais badalado, já anteriormente abordado no disco de estreia em temas como "Hide & Seek" ou, "Watch Out"  mas aqui com os sintetizadores fora de foco e uma certa alienação à mistura.

O sucessor de Je T'Aime (2019, Manic Depression, Icy Cold Records) deverá chegar às prateleiras em outubro. O vídeo para "Another Day In Hell" pode visualizar-se abaixo.


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Mão Morta, Lena d'Água e Ricardo Toscano para ver no Auditório de Espinho até junho

© Vera Marmelo



O Auditório de Espinho anunciou o programa para os meses de maio e junho. Com programação suspensa desde dezembro, a sala de espetáculos retoma atividade com concertos de Mão Morta, Lena d'Água e o revisitar de um clássico de John Coltrane.

O programa arranca a 7 de maio com um espetáculo da Orquestra Clássica de Espinho com o barítono André Baleiro, que apresentarão As Canções de um Viandante, uma história sobre um amor não correspondido escrita e composta por Gustav Mahler.    

O fim de semana seguinte é dedicado ao jazz: na sexta-feira, a 14 de maio, a Orquestra de Jazz de Espinho recebe o pianista Abe Rábade e no sábado, a 15, Ricardo Toscano apresenta-se em quarteto juntamente com João Pedro Coelho, Romeu Tristão e João Pereira para homenagear a obra A Love Supreme, de John Coltrane.    

Uma das grandes novidades para esta temporada será a apresentação do filme-concerto "A Casa na Praça Trubnaia", musicada pelos bracarenses Mão Morta em formato "redux": Adolfo Luxúria Canibal, Miguel Pedro e António Rafael regressam ao palco do Auditório no dia 21 de maio.    

A fechar o mês de maio, a 28, os jovens solistas da Escola Profissional de Música de Espinho apresentam-se em palco com a Orquestra Clássica de Espinho

Já em junho, nos dias 4 e 5, Lena d'Água junta-se ao Projeto Benjamim, que envolve cerca de 50 alunos da Escola Profissional de música de Espinho, para recriar algumas das canções que marcaram o percurso da cantora em duas datas. No dia seguinte, a 6, o baterista Mário Costa convida o trompetista Cuong Vu, parceiro de aventuras de David Bowie e Laurie Anderson, o contrabaixista Benoît Delbecq e o pianista Bruno Chevillon para um espetáculo em regime matiné.

O calendário completo pode ser consultado em www.musica-esp.pt.



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STREAM: Vasco Completo - Wormhole


Foi editado esta quinta-feira Wormhole, o álbum de estreia de Vasco Completo, pela Monster Jinx.

Pessoal e transmissível. Não há nada no Vasco Completo que não seja intenção de se expressar de uma forma que se aproxime o máximo daquilo que realmente sente. Para alguns artistas, isso é uma missão para a vida inteira; no caso do Vasco, essa é a única maneira de se fazer música: a visão parte sempre de um ângulo ultra-pessoal, exclusivamente seu, onde cada elemento se interliga para criar uma impressão digital que não dá para copiar.

Wormhole, o seu álbum de estreia, é a contemplação dessa complexa arquitectura emocional que faz dele a pessoa e o músico que é. Isto é electrónica que deve tanto a Burial ou Jon Hopkins como a Bonobo ou Croatian Amor, camadas de retalhos de sintetizadores, guitarras, drums e samples vocais que não se sobrecarregam; é mais uma questão de envolvência e de harmonia. E, por isso mesmo, nada parece estar a mais mesmo quando o caos chega a primeiro plano. “Everything in its right place”, como cantava Thom Yorke.

A sequenciação das faixas entrelaça as noções do tempo [“Forever”, “Déjà-Vu (Interlude)” e “35mm”], do espaço [“Purple Garden”], do espaço-tempo [“Wormhole”] e do espírito [“Lullaby for the Inebriate” e “Trauma”], brincando com a própria ideia de onde é que deve estar o quê. Devemos ouvir tudo seguido? Existirá uma ordem diferente? Ou não existe uma ordem sequer? Será que só fará sentido ouvir este disco a bordo de uma nave espacial? Perguntas que trarão certamente ainda mais questões para a mesa. As respostas ficam para a ciência; isto aqui é poesia.

Para grandes emoções, um conceito gigantesco e, até agora, meramente especulativo (ao contrário da carga emocional que estes sete temas carregam). Não houve atalhos para Vasco Completo chegar aqui desta forma, nem haverá caminhos curtos para se ouvir Wormhole: tudo o que está lá dentro importa; e é da matéria instrumental mais profundamente tocante que lhe saiu do pêlo. Nesta ou noutra dimensão qualquer.

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quarta-feira, 14 de abril de 2021

Spellling antecipa novo álbum com “Little Deer”



A cantora-compositora americana Chrystia Cabral, que responde pelo nome artístico Spellling, anunciou o lançamento do seu terceiro e aguardado álbum. The Turning Wheel volta a receber o selo da Sacred Bones e está agendado para sair no próximo dia 25 de junho. O seu primeiro avanço, “Little Deer”, já se encontra disponível nas várias plataformas digitais.  

Produzido e orquestrado por Cabral, The Turning Wheel apresenta um conjunto de 31 músicos e colaboradores num ambicioso álbum dividido em duas partes – uma mais calorosa e sonhadora, outra mais fria e informada por tons góticos. O álbum incorpora uma vasta gama de sons e instrumentos acústicos e expande o trabalho da artista para além do seu plano mais eletrónico.  

The Turning Wheel sucede o aclamado Mazy Fly, de 2019, e encontra-se disponível para compra antecipada no Bandcamp, em CD, vinil e digital. O álbum conta com produção adicional de Drew Vandenberg e masterização de Adrian Morgan.


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Novo álbum de Jasmim é editado no final do mês


No próximo dia 23 de abril é editado o próximo disco de Jasmim, de nome Acordado ou a Sonhar. No passado dia 12 de março foi lançado em todas as plataformas digitais "Tudo/Nada", o segundo tema de avanço para o este novo disco. Um tema sobre a capacidade de encontrar beleza nas pequenas coisas do dia a dia, velada homenagem a Walt Whitman, um dos poetas favoritos do autor. 

Artesão de canções, Jasmim tornou-se num caso sério do panorama musical português contemporâneo após os surpreendentes Primavera (2016) e Oitavo Mar (2017), onde se vinculava, inequivocamente, à lírica bucólica. Com Culto da Brisa (2019), disco de plena contemplação e invariáveis arranjos ancestrais, deixou rastro das inúmeras influências que circulam pela sua música, do psicadelismo, à folk americana ou à música popular portuguesa. Solidificou-se aí, como multi-instrumentalista e letrista deixando claro que, a sua música, é espaço aberto para a liberdade.

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terça-feira, 13 de abril de 2021

Violoncelista guatemalense Mabe Fratti explora novos métodos de comunicação em novo álbum



A música e compositora guatemalense Mabe Fratti anunciou o lançamento do seu terceiro álbum. Será que ahora podremos entendernos? está agendado para sair no próximo dia 25 de junho pela britânica Unheard of Hope e o seu primeiro avanço, que conta com a particpação da artista americana Claire Rousay, já se encontra disponível: "Hacia El Vacío" estreou esta terça-feira e vem acompanhado de um novo vídeo, que poderão conferir desde já em baixo.

Será que ahora podremos entendernos? chega dois anos depois de Pies sobre la tierra, a aclamada estreia de Fratti em longa-duração, e é descrito como "uma ode ao desejo de quebrar barreiras". Escrito e gravado numa antiga fábrica de sumos em Veracruz, no México, o álbum ganha novo fôlego na voz, que toma as rédeas da composição – uma decisão que reflete, aliás, o desejo da guatemalense em explorar novos métodos de comunicação. 

A partir das improvisações forjadas com amigos e colaboradores, a violoncelista conjurou um conjunto de nove canções baseadas num processo de diagramação, tendo um ponto inicial e um ponto final para, de seguida, explorar as muitas muitas voltas possíveis para untá-las num todo coeso e holístico.

Será que ahora podremos entendernos? encontra-se disponível para compra antecipada no Bandcamp, em vinil e digital.


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Pan Daijing acolhe a solidão em novo álbum pela PAN

© Benjamin Mallek

A editora de germânica PAN anunciou o lançamento de Jade 玉观音, o terceiro longa-duração da compositora chinesa Pan Daijing. O sucessor do anterior Lack 惊蛰, de 2017, está agendado para sair no próximo dia 4 de junho e o seu primeiro avanço, "Dust 五月", já se encontra disponível.

Escrito e gravado nos últimos três anos, Jade 玉观音 é "o som da liberação e refúgio solitário, da autossustentação criativa", como indica nas notas de lançamento. O álbum descende de "um lugar vulnerável" e é composto por noves faixas que sondam a força insustentável do drone com camadas subtis de eletrónicas e texturas concretas, vozes manipuladas digitalmente e gravações de campo.

Desde o lançamento do seu último e inovador álbum, um dos mais admiráveis de 2017, Daijing expandiu a sua visão operática atavés de uma série de grandes performances comissionadas em instituições como a Tate Modern, Martin Gropius Bau e a Haus der Kulturen der Welt.

Jade 玉观音 foi misturado e masterizado por Rashad Becker no estúdio Dubplates & Mastering e o seu primeiro single pode ser ouvido desde já nas várias plataformas de streaming. A capa é de Pan Daijing e o design tem a assinatura do coletivo NMR.


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Lovers & Lollypops volta aos concertos no Auditório CCOP em maio


A menos de uma semana do dia D, a Lovers & Lollypops, em conjunto com Círculo Católico dos Operários do Porto, anuncia um ciclo de concertos para o mês de maio. Conferência Inferno, Samuel Martins Coelho e Black Bombaim vão subir ao auditório do espaço portuense nas primeiras quartas desse mês. Os bilhetes custam 10 euros e já se encontram disponíveis na bilheteira online. 

A 5 de maio, os Conferência Inferno tocam, pela primeira vez ao vivo, Ata Saturna. Lançado em fevereiro deste ano, o LP de estreia do trio é a prova de que não é preciso baterias nem guitarras para ser punk, bastarão Francisco Lima na voz, Raul Mendiratta nos sintetizadores e José Silva nas teclas. 

A 12 de maio, o violinista Samuel Martins Coelho estreia ao vivo o seu novo disco Cura, lançado a 9 de abril. De violino e guitarra na mão, o músico transporta-nos para a sua viagem de crescimento e autorrealização ao longo das sete faixas do disco.

A 19 de maio, os Black Bombaim reúnem-se para apresentar Saturdays and Space Travels, 11 anos após o lançamento do disco. Este foi o primeiro álbum de estúdio da banda de Barcelos e um passo importante para tornar os Black Bombaim num dos mais importantes nomes do psych rock nacional.

Os bilhetes já se encontram à venda e podem ser adquiridos aqui.


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segunda-feira, 12 de abril de 2021

Canadian Rifles e Burning Pyre formam dupla em The Snipe & The Clam






A portuguesa Eastern Nurseries anunciou o lançamento de The Snipe & The Clam, a estreia de Canadian Rifles e Burning Pyre em longa-duração. Depois de se estrearem pela vienense Vaagner com um tema para a compilação A Declaration, em 2019, seguido de uma segunda peça em 2020 no álbum United Angels, que assinalou a estreia de Burning Pyre pela americana Opal Tapes, a dupla volta a unir esforços num registo agendado para o próximo dia 30 de abril.

"Com uma abordagem contemporânea mas profundamente romântica da música ambiente", lê-se nas notas oficiais do lançamento, The Snipe & The Clam apresenta uma "luxuosa mistura de melodias e harmónicos sintetizados" que representa a súmula da discografia de ambos os artistas, uma "elegia à ternura e à beleza nos pequenos detalhes". O seu primeiro avanço, "The Snipe", já se encontra disponível e pode ser ouvido desde já em baixo.

Gravado por Rui Andrade (Canadian Rifles) e Christopher Macarthur (Burning Pyre)  entre o Porto e NewcastleThe Snipe & The Clam encontra-se disponível para compra antecipada no Bandcamp, em cassete e digital. A masterização é de John Hannon e a capa tem a assinatura de Elisa Azevedo.



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sábado, 10 de abril de 2021

Senhor Jorge retratam EP de estreia, faixa-a-faixa


Foi no ano de 2018 que a Igreja da Misericórdia de Viseu serviu de palco e juntou alguns artistas conceituados do panorama nacional, como Rui Sousa (Dada Garbeck), João Pedro Silva (The Lemon Lovers) e Gonçalo Alegre (Galo Cant’às Duas), à voz vivida e emocionante de Jorge Novo, sacristão, fadista por paixão e ex-lapidador de diamantes. 

Foi desse encontro inesperado e feliz, foi dessa surpresa e dos afetos que ela desencadeou, que nasceu o EP sr. jorge, exercício generoso de troca e de diálogo criativo entre universos artísticos que, frequentemente, estão condenados a viverem separados.

O EP dos Senhor Jorge foi hoje editado e, em conversa com o grupo, tivemos a oportunidade de conhecer cada uma das cinco faixas que o constituem. 


 1- “Palhaço”: Letra de Filomena Gigante

Se o ser Humano é um ser social como justificamos o abandono e a solidão? Esta música procura uma justificação, varrendo as mágoas de uma velhice frustrada pelo desprezo. 

As conquistas de uma vida de sucesso podem ser efémeras e desconsideradas. Nesse caso o sentimento que permanece é a desilusão e a vontade de varrer os resquícios de uma vida malograda.


2- “Cobertor”: Letra de João Pedro Silva

A perceção de uma traição pode por si ser desleal e induzir em erro. O Cobertor expressa essa angústia da incerteza e da elevação de um sentimento nobre superior à inquietação da traição, o amor.   

Quando esse amor é profundo, para conforto, pode conter a vontade de repreender. Que muitos procurem esse conforto neste cobertor. 


3- “Tempo”: Letra de João Oliva

Apesar de misterioso, o tempo é destruidor, as histórias que julgamos eternas são efémeras, as alegrias, as tristezas, os tempos vividos que já não são de ninguém, é um fado pesado viver num tempo que já não é nosso. 

A única verdade sobre o tempo é que, seja no passado ou no presente, deve sempre ser um tempo de amor. 


4- “Lembro-me de ti”: Letra de Maria João da Trindade Gomes

A morte de tão concreta e radical deixa em todos nós marcas indubitáveis. Esta música é um memorial em nome de Armando Gomes Novo, pai do Jorge Novo, vocalista que dá nome a este projeto, e em memória dos falecidos amigos que o apresentaram ao fado.

A necessidade de uma despedida justa e digna em forma de música é mais do que um luto, é a esperança de eternizar memórias que são o sustento de alguma felicidade.


5- “A noite”: Letra de João Pedro Silva

Esta música retrata os devaneios delirantes de uma alma boémia, que admite não ter cura, que transborda verdade e fantasia, enquanto se afoga de formas sestras, inveja os que não conhecem a decadência viciante e turva da noite.

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sexta-feira, 9 de abril de 2021

Dream People em entrevista: "O sonho é o combustível da vida"

© Miguel Dias

Chamam-se Dream People e fazem do sonho a sua essência. Desde o início do ano, têm vindo a causar burburinho no panorama nacional, momento em que lançaram "People Think", primeiro single de Almost Young. Neste ábum, a banda canta a perda da juventude como um sentimento irreparável, que tanto traz a saudade do que viveram como a inquietação pelo desconhecido de amanhã.

Ao som de sonoridades em constante mutação e longe de se cingirem a um só género, a banda flutua entre shoegaze, new wave e dream pop sem amarras. Francisco Taveira dá voz a um "chiaroscuro musical", como descrevem em nota enviada às redações, enquanto Bernardo Sampaio e Nuno Ribeiro embalam a melodia através de guitarras e synths. João Garcia é responsável pelo baixo, enquanto Diogo Teixeira de Abreu se aventura na bateria.

Nasceram em 2019 com o tema "Forever, Too Long". Pelo caminho, reuniram presenças em festivais como Super Bock em Stock e Vodafone Paredes de Coura (Sobe à Vila). No início, aquando do EP Soft Violence, tratavam-se de uns "Putos de Portugal" convictos em tentar fazer da música magia e sustento. Agora, quase jovens, dizem-se muito mais maturos e confortáveis nas desenvolturas sónicas.

A Threshold Magazine esteve ao telefone com João Garcia, baixista da banda, que nos contou tudo sobre a experiência de produção ao lado de Vítor Carraca Teixeira. De Leiria, o multi-instrumentista falou dos passos que deu até chegar ao baixo, desde o conservatório ao desejo pelo rock n' roll. Entre algumas curiosidades sobre o disco, Garcia, que também edita sob o nome Cateto, revelou ainda várias das ambições para o futuro da banda, assentes na esperança de que o futuro será melhor.

Sei que entraste na banda mais recentemente, mas quero perguntar-te se notas diferença desde o início. A nível sonoro, o que mudou desde que os Dream People eram "Putos de Portugal" em Soft Violence?

Eu diria que a sonoridade tem mais maturidade. Apesar de eles terem gravado o Soft Violence em muito poucos dias, a coisa saiu bastante coesa e simples, mas um simples bom, que entra bem, um simples bonito. Mas este novo trabalho foi muito mais elaborado, houve muito, muito trabalho; por trás daquelas músicas estão meses e meses de empenho e está uma coisa muito mais composta. Nós ouvimos e vemos que há mais coisas a acontecer e a batida também é mais dançável.

O próprio Almost Young passou também por um período, digamos, de maturação com a regravação da bateria e do baixo. Foi fácil encarar este processo havendo já um disco quase pronto?

Lembro-me perfeitamente: nós já tínhamos os baixos, soavam bem, estavam um bocadinho estranhos, mas estavam ok. E eu pensava que não íamos regravar baixo e, no fim de tudo, depois de as baterias estarem feitas, eles viraram-se para mim e disseram: “olha, agora vamos gravar os baixos, ok?” [risos]. Eu tinha entrado há pouco tempo e não estava à espera disso, mas claro que encarei o desafio. Tipo, olha, fixe, vamos ter um álbum em que eu já estou a tocar baixo por isso 'bora'. E atirei-me de cabeça. Fiz e dei o meu melhor. Posso dizer que fiz mais de 100 takes quase para cada música [risos]. Foi uma boa experiência, colocou-me logo muito dentro das músicas. Tive de treinar imenso porque tinha de estar no nível de quem já toca aquilo há muito tempo. Foi um desafio muito fixe! Eu gostei muito e também fiquei muito contente com o resultado. Os baixos ficaram muito bem e o Vítor [Carraca Teixeira] também pegou neles e meteu-os a soar incrivelmente bem. E pronto, teve um final feliz! [risos]

Ia perguntar-te agora sobre o processo de produção, com mão de Vítor Carraca Teixeira. Como foi partilhar o estúdio com o produtor? Quais achas que foram as mais-valias desta colaboração?

Bem, o baixo é a única exceção, penso eu, que dá para gravar em casa. Portanto, eu estou em Leiria, na verdade. Gravei as coisas de Leiria e por isso é que fiz tantos takes, para ter a certeza que lhe estava a mandar uma coisa boa. O Vítor foi muito específico com as cordas, com o baixo e com o ruído que eu não podia ter. Houve ali muito trabalho também que ele teve de me explicar sobre como proceder da melhor maneira. É uma pessoa muito profissional, sabe muito do que faz. Então, essa colaboração foi assim… pronto, como é possível hoje em dia [à distância], não é?

Depois, houve uma música que eu tive de ir gravar a casa dele, a "Suburban Lifestyle Dream". Essa aí foi completamente diferente das outras porque o baixo desse tema é um baixo diferente. O som do meu baixo não estava a resultar muito, então, fui lá a casa e ele emprestou-me um baixo. Fizemos três takes e pronto, está feito [risos]. Foi muito diferente daquilo que eu estava a fazer em casa porque ele pegou em mim e tirou de mim a espontaneidade que queria. Pegou no take e meteu os baixos a soar mesmo muito bem. O Vítor é mesmo muito profissional. Gostei muito de trabalhar com ele, sem dúvida!


Em entrevista ao Espalha-Factos, contaram que o disco não foi pré-planeado, que “foi ganhando forma à medida que foi construído”. Que aprendizagens retiraram deste processo de descoberta e como o caracterizam?

Esse processo de descoberta é assim uma coisa do género: nós olhamos para a música e pensamos “epá, falta aqui qualquer coisa”. E às vezes é preciso tirar partes que se calhar gostávamos ou que umas pessoas gostavam e outras não. É preciso haver muito compromisso e, de facto, às vezes é muito aquela coisa de destruir ou recomeçar para fazer melhor.

Aprendemos bastante, sim, porque nós podemos ser espontâneos e fazer assim as músicas todas assim em cinco minutos – [risos] bem, não podemos, mas tu percebes o que eu quero dizer – e depois não evoluíamos daí. No dia seguinte, acordamos e ficamos “espera aí, o que ficava mesmo melhor era este tipo de bateria ou aqui um pormenor, tipo uma pandeireta ou sei lá” [risos]. Então, acho que esse processo de descoberta é algo que ensina mesmo muito, ajuda-nos bastante a evoluir enquanto músicos, até porque se tivermos de ser espontâneos, depois já sabemos melhor o que fazer também. Portanto, é mesmo muito bom. E, se der, é sempre melhor levar o nosso tempo para fazer as coisas e ter a certeza de que aquilo está o melhor possível.

Neste álbum, os Dream People fazem um ninho entre o shoegaze, o dream pop e o new wave. O que vos trouxe a estas sonoridades? Foi algum tipo de influências de géneros que vocês já ouviam?

É assim: enquanto banda, nós temos um nicho de gostos muito parecidos, mas depois também ouvimos coisas muito diferentes. Então, cada um traz assim o seu input, o seu estilo. O shoegaze é algo que todos nós aceitamos – se calhar não é uma coisa que ouvimos todos os dias, mas é um género que nós respeitamos e que gostamos de tocar. É importante não só gostar de ouvir, mas também gostar de tocar. Portanto, os estilos são aquilo que os membros trazem e os outros aceitam, se é algo que gostamos de tocar e assim. É uma escolha em grupo.

Vêem-se a explorar outros géneros num futuro trabalho?

Sim! O Almost Young não tem assim um género extremamente definido. Nota-se que há ali uma diversão do estilo “eu gostava mesmo de fazer assim uma música e outra assado”. A mensagem é parecida, os elementos são os mesmos a tocar – há essa coerência. Mas quanto ao estilo em si, se fôssemos meter etiquetas em cada música, saíam coisas diferentes; as músicas não estão todas no mesmo saco relativamente ao género. E é mesmo essa a vontade que nós temos e a diversão que nós tiramos de fazer estas coisas. Nos próximos trabalhos, o objetivo é nós concordarmos numa coisa mais bem-definida e ambiciosa, mas, de qualquer maneira, sempre enquanto nos divertimos.


Há alguma banda ou artista com quem gostavam de colaborar num próximo trabalho?

Sim, há! Pessoalmente, gostava mesmo muito de colaborar com músicos de Leiria, como os First Breath After Coma ou os Whales. Também o Left, que é incrível. Mas são tudo sonhos, ainda.

Portugal é, e cito o vosso site, “um país onde ser músico é um ato de coragem ou, talvez, loucura”. Como tem sido a experiência?

Tem sido mesmo isso: uma mistura de coragem e loucura [risos]. Nós estamos a surgir numa altura muito estranha em que as coisas não estão normais e não há concertos, por isso, também não há assim muitas maneiras de um músico ter retorno do trabalho que andou a fazer. Andámos a preparar um álbum durante imenso tempo, lançámos o álbum e não temos concertos para o mostrar, que normalmente é o output principal do trabalho dos músicos. Por isso, temos de fazer isto um bocado com aquela perspetiva de futuro e por gosto. E pronto, isso requer tanto de coragem como de loucura [risos] porque, de facto, estamos muito convictos e cheios de força para trabalhar, a acreditar sempre num futuro melhor.

Como começaste na música? Porque é que escolheste o baixo?

Eu pensava que tinha começado na música aos quatro anos, mas, afinal, comecei com para aí seis meses [risos]. Há aqui uma coisa em Leiria chamada “Concertos Para Bebés” e eu comecei aí. Portanto, nesses concertos, acho que os bebés tocam instrumentos ou, pelo menos, batem as mãos nas guitarras e coisas assim [risos]. Depois, fui para o conservatório, aos quatro anos, aprendi guitarra clássica e saí de lá aos 13. Só que eu queria mesmo era ter uma banda, eu queria era rock n’ roll. Não estava para toda aquela formalidade, apesar de que isso é muito fixe. Não estou a desvalorizar – apenas não queria isso. Eu queria mais soltar-me com um instrumento. Comecei a procurar bandas, mas parecia que toda a gente era guitarrista. Então, clássico [risos]: de guitarra passei para baixo. Não comecei com o baixo logo de início, isso é muito raro de acontecer. Fui para uma banda em que era o vocalista e como já tinha essa parte, não podia ser guitarrista e fui para baixista. A partir daí, comprei o meu primeiro baixo e comecei a tocar e a tocar. Eu sou multi-instrumentista, tenho outro projeto a solo [Cateto] no qual faço mais coisas, portanto, o baixo era sempre aquela coisa de “ok, eu sou baixista naquela banda, sou vocalista e também sei tocar guitarra, por isso bora unir isto tudo”.

O baixo, para mim, sempre foi um instrumento de composição e não aquele instrumento que eu treinava todos os dias e no qual queria ter muita técnica. Não, eu queria era um certo som; eu sabia o som que queria. Mas, depois, quando entrei nos Dream People, claro que o foco mudou e agora estou a dar-lhe forte na técnica para não me enganar tantas vezes [risos]. Porque uma coisa é estar em casa a tocar baixo e poder repetir e fazer mais takes, e outra coisa é estar a tocar ao vivo e não se poder enganar. Portanto, é isso.

Dizia o poeta António Gedeão que “o sonho comanda a vida”. Concordas?

O sonho certamente comanda a minha vida [risos]. Claro que não comanda totalmente porque nós podemos sonhar, mas depois também temos que ter os pés assentes na terra, sobreviver todos os dias, ter pão na mesa para comer e tudo isso. Mas, pronto, o sonho é o combustível ou o motor da vida.

Tens alguma mensagem ou conselho para alguém que esteja a iniciar-se na música ou tenha esse sonho?

Tenho. O segredo é mesmo acreditares em ti próprio e trabalhares muito. Se gostas de música e te faz feliz, se quando estás a fazer música, és feliz e gostas do processo, que é o mais importante, então, dedica-te a isso a 100%. Não vai ser fácil, mas vai valer a pena porque o processo te faz feliz.


Almost Young está disponível nas diversas plataformas de streaming desde 12 de março. Podem escutá-lo em baixo.


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STREAM: Samuel Martins Coelho - Cura


Ficou disponível hoje, em todas as plataformas digitais e em formato k7, Cura, o segundo disco de originais do violinista Samuel Martins Coelho. O registo será apresentado, ao vivo, num concerto a ter lugar no CCOP, no Porto, próximo dia 12 de maio.

Candura, controlo e gentileza são características do segundo álbum a solo de Samuel Martins Coelho. Descrevem também a reunião simbiótica que conduz entre jazz, clássica/contemporânea e folk/country. Os títulos das canções elucidam sobre a reconciliação com a vida em tempos de pandemia – “Cura”, “Respirar”, “Vento”, “Pele”, ou “Terra” – e o que se ouve nelas sente-se como a tensão e a incerteza de um músico que quer sair e crescer.

A carreira de Samuel passou – até ao momento – por diversos projectos e participações, seja como músico ou compositor: em 2019 acusou a vontade de criar em nome próprio e editar um álbum a solo – Partita Para Violino Solo - com o instrumento que o levou a isto tudo, o violino. Dois anos depois, Cura, a estreia na Lovers & Lollypops, é sinónimo de crescer e conforto, seja com o lado material, o violino e a guitarra que o acompanha, seja com aquele que se pode considerar mais espiritual, o da criação e da autorrealização enquanto compositor. 

Essa é a maravilha da partilha de Cura. Um acto contínuo de descoberta e execução, entre Penguin Cafe Orchestra, Max Richter e Jóhann Jóhannsson, em que o músico usa o isolamento e as convivências – ou falta delas - das restrições, para criar uma linguagem clara que se oiça como música de comunidade. Há bondade e gentileza em todos estes sons. Em “Awakening”, o último tema, Samuel Martins Coelho parece querer dizer que a cura chegou finalmente ao fim. Talvez para si, para nós, ela só agora começou.

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Império Pacífico viajam até Singapura em novo single


Menos de um ano depois de Exílio, a estreia dos Império Pacífico em longa-duração (e um dos melhores lançamentos de 2020 para a nossa redação), o duo composto por funcionário e trash CAN parte para "Singapura", o primeiro avanço do seu próximo álbum, Flagship.

O tema conta com a participação de Noiva, nos sintetizadores, e Bitrot, nos sintetizadores e variações rítmicas, e continua a jornada do grupo pelos terrenos mais airosos da eletrónica de dança, com divagações new age bem definidas e uma certa ligação ao quarto mundismo de John Hassell. O vídeo que o acompanha, estreado esta quinta-feira no Rimas e Batidas, conta com a participação de Ricardo Lourenço e foi descrito como uma "imagem mental de uma viagem rápida à noite”. Confiram-no em baixo.

Os Império Pacífico formaram-se em 2016, ano em que se estrearam nas edições pela Alienação com o EP 180, seguindo-se uma breve mas proveitosa passagem pela Rotten \ Fresh com o homónimo Império Pacífico, de 2017. O álbum de estreia, Exílio, saiu em junho de 2020 pela Variz e mereceu apresentações ao vivo no festival OUT.FEST, no Barreiro, e na Galeria Zé dos Bois, onde abriram para o destabilizador-pop Yves Tumor.

Flagship é uma colaboração com a Leitura Tropical, que sela este lançamento, e está agendado para sair no próximo dia 7 de maio no Bandcamp e restantes plataformas digitais. A mistura e masterização ficou a cargo de Benjamim Castanheira.


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Omnichord Outtakes estreia vídeos inéditos de Surma, Cabrita e Jerónimo



Versões e temas inéditos gravados em ambiente intimista, é esta a proposta dos Omnichord Outtakes, série de vídeos a serem lançados ao longo do ano nas plataformas da promotora, editora e produtora Omnichord. A primeira série começa a ser divulgada em abril e propõe três novas formas de ouvirmos e vermos Surma, Jerónimo e Cabrita. O primeiro episódio, lançado hoje, apresenta Surma numa versão especial de "Femme Fatale" dos Velvet Underground.

"Não consigo acrescentar muito mais adjectivos que descrevam a importância desta banda, que marcou (e que continua) a marcar uma geração! Inspira-me a todos os níveis... as letras incríveis, a maneira tão particular de compor e de produzir as suas próprias músicas, não ter medo de arriscar! Todos os dias me inspiro em Velvet! São das minhas bandas preferidas desde muito miúda", relata Surma.

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The Lizard of Oz estreiam-se nas edições com Electric Ivories

© David Rodrigues

Electric Ivories, é esse o título do disco de estreia de The Lizard of Oz, duo colaborativo que conjuga a  eletrónica de Nuno Moita com as improvisações de piano de David Rodrigues. Assumindo-se como "uma homenagem à influência do piano na história da composição musical", instrumento esse intemporal, Electric Ivories procura, ao longo de mais de 2 horas de música e 16 temas, compreender a estética sonora resultante da fusão da eletrónica refinada e orgânica com as ambiências experimentais do piano.

O primeiro avanço deste disco a ser conhecido foi “Patrícia's Lullaby”, tema que tivemos a honra de estrear no nosso site no passado dia 29, em ocasião do Dia do Piano.

Nuno Moita já não é novo nestas lides de composição, apresentando um vasto percurso artístico, da qual fazem parte os projetos Draftank e Quadrado em Loop, colaborações com Vítor Joaquim e André Gonçalves. Além do seu lado mais criativo, Moita está também interligado à atividade editorial, mais concretamente a editoras de eletrónica experimental. Foi um dos fundadores da Grain of Sound,  por onde promoveu Cinza, projeto multimédia que une fotografia e música eletrónica, e é o dono da Black Hole Time Warp, label responsável pela edição de Electric Ivories.

David Rodrigues, por sua vez, é um verdadeiro aficionado do piano, invocando em obras como Unmerry Christmas e Nightmareveillon "os mesmos instintos sónicos e desvirtuosismo nato de uma criança".

Electric Ivories chegou às plataformas digitais no dia 6 de abril e pode ser escutado na íntegra em baixo.



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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Bills & Aches & Blues: 4AD celebra 40 anos com nova compilação



A 4AD, histórica editora britânica, completou 40 anos de atividade em 2020. De modo a celebrar a data, o selo fundado por Ivo-Watts Russell no início dos anos 80 convidou 18 dos seus artistas e associados a interpretar um tema, à sua escolha, do passado da 4AD, uma experiência que a editora explica estar enraizado no seu espírito colaborativo.

Bills & Aches & Blues (o título é uma referência ao tema “Cherry-Coloured Funk”, dos escoceses Cocteau Twins) reúne novas e velhas caras da 4AD, que oferecem novos pontos de vista aos clássicos da editora que, mais do que uma sonoridade, traçou uma estética de contornos muito distintos. 

Tkay Maidza, U.S. Girls, Aldous Harding, Dry Cleaning, SOHN e Jenny Hval são alguns dos artistas incluídos neste compêndio, que conferem novos tratamentos aos temas de Pixies, The Birthday Party, Deerhunter, Grimes, This Mortal Coil e Lush.  

Mas é no trabalho das The Breeders, de Kim Deal, que o álbum parece conectar os pontos: Tune-Yards, Bradford Cox (Deerhunter) e Big Thief atiram-se aos tesouros da banda americana, enquanto os Bing & Ruth, do compositor David Moore, se atrevem numa interpretação ambiental de “Gigantic”, uma das poucas canções em que Deal toma as dianteiras dos Pixies. As próprias Breeders, que também integram o alinhamento, interpretam o tema “The Dirt Eaters”, dos contemporâneos His Name is Alive.  

A compilação foi publicada na sua totalidade no último dia 2 de abril e encontra-se disponível nas principais plataformas digitais, com edições físicas em CD e vinil previstas para o próximo dia 23 de julho e uma versão de luxo para o fim do ano.   

O primeiro ano de receitas será doado ao Harmony Project, um programa pós-escolar com sede em Los Angeles que visa ajudar crianças de comunidades e escolas sem acesso equitativo à educação artística e musical.


 

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The Avalanches celebram 20 anos de Since I Left You com edição especial de luxo

The Avalanches celebram 20 anos de Since I Left You com edição especial do álbum


O icónico álbum de estreia dos Avalanches, Since I Left You, terá direito a uma edição  especial de luxo que celebra o seu 20º aniversário, ocorrido em 2020. O seu lançamento, a cargo da XL Recordings, está agendado para dia 4 de junho.

Since I Left You é conhecido por ser composto por centenas de samples que deram origem a 18 faixas extremamente dinâmicas, divertidas e variadas. Esta nova edição irá incluir entre 13 e 21 faixas bónus, dependendo do formato, a maior parte delas remixes realizados por diversos nomes, de Prince Paul (De La Soul e Handsome Boy Modeling School) a MF DOOM, passando por Deakin (Animal Collective) e Stereolab, entre outros.

Esta edição especial, já disponível para reserva, será editada em vinil, CD e formato digital. O primeiro single, "Since I Left You (Prince Paul Remix)", já pode ser ouvido.

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"God Is A Girl" é novo single de WolfX


"God Is A Girl" é o novo single de WolfX, aka When The Angels Breathe e David Wolf, vocalista e baixista dos She Pleasures HerSelf e Uni_Form. Este é o terceiro tema a contar para o álbum de estreia Wish, com o selo da norte-americana Cleopatra Records, após "Zombies" e "Traffic". Até ao culminar de Wish, há um vídeo da Moopie Film Company Production para cada tema, sendo que o lançamento do disco é o culminar dos singles todos. 

O novo single vem acompanhado de um novo vídeo, tem assinatura do próprio David Wolf,com Madalena Wolfie, fotografia de David Wolf e Nuno Francisco, que também conhecemos como Exploding Boy, baterista dos She Pleasures HerSelf e Uni_form. Ana Cristina Lopes faz aqui um trabalho exemplar no make-up, num vídeo que conta ainda com a participação de Discórdia aka Bárbara Knox das Suicide Girls

A propósito de "God Is A Girl" falámos com WolfX: "Este vídeo é uma homenagem à Mulher, colocando a Mulher no lugar de Deusa. Retrata o idolatrar de um Deus e o quanto nos faz mal idolatrar algo porque tudo o que amamos demais vira-se contra nós, prendendo-nos aos nossos próprios desejos e obsessões”.


No final de março estivemos à conversa com WolfX. Podem conferi-la aqui.


Artigo por: Lucinda Sebastião

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Como montar uma tour para uma banda? Este curso ajuda a começar



Arranca em abril de 2021 a primeira edição do projeto Capacitação para a Circulação: Autogestão na Produção Musical, uma ação de formação descentralizada que pretende dotar profissionais e curiosos do mundo da música com ferramentas e conhecimentos cruciais para a marcação de tours e gestão de actuações ao vivo de músicos e bandas. Ao longo de cinco meses, a formação orientada por Márcio Laranjeira (Lovers & Lollypops, Tremor, Milhões de Festa, Arda Academy) vai percorrer nove cidades nacionais com o intuito de abrir algumas janelas de oportunidade dentro de um dos sectores mais afectados pela crise sanitária. Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada, Viana do Castelo e Viseu são os pontos de paragens de uma iniciativa, que decorrerá num conjunto de espaços incontornáveis no quadro do circuito de música independente portuguesa.

Respondendo ao desafio essencial de capacitar novos profissionais para um melhor entendimento sobre o funcionamento e tempos que marcam a programação dos diferentes circuitos culturais portugueses, esta acção de formação percorrerá, passo-a-passo a produção, promoção e contacto inerentes a qualquer projecto de circulação na área da música. Entender as regras formais e informais de funcionamento do chamado “meio da música”, conhecer os tempos que marcam a programação dos diferentes espaços e eventos que compõem o circuito de actuações ao vivo em Portugal e organizar uma estratégica 360 para os artistas são alguns dos pontos cobertos pela acção. 

Destinada a profissionais, curiosos e aos próprios músicos, a formação Capacitação para a Circulação: Autogestão na Produção Musical terá a duração de três horas e será de acesso gratuito. Os interessados deverão inscrever-se através do seguinte email autogestaoproducaomusical@gmail.com. 

Datas e Locais

24 de Abril, Carmo 81, Viseu
21 de Maio, La Bamba, Ponta Delgada
29 de Maio, Aisca, Viana do Castelo
5 de Junho, gnration, Braga
12 de Junho, Salão Brazil, Coimbra
19 de Junho, Barreirinha, Funchal
26 de Junho, Museu Abade Baçal, Bragança
3 de Julho, Gretua, Aveiro
17 de Julho, Casa do Capitão, Lisboa

Tópicos e Conteúdos temáticos: 

- Promoção e agenciamento de artistas
- Panorama do mercado nacional
- Estratégias para trabalho de notoriedade de artistas 
- Carreira Artística: fases e plano de crescimento / desenvolvimento
- Espaços de Apresentação: especificidades
- Programação e Curadoria 
- Apoios à circulação 
- Boas práticas no trabalho com programadores, curadores, agentes e managers



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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Cinco Discos, Cinco Críticas #66

Cinco Discos, Cinco Críticas #66


Com o primeiro trimestre de 2021 encerrado, tempo de rever algumas edições que passaram pelo posto de escuta. Em mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas acompanhamos desde o lançamento de artistas mais conceituados, como é o caso de TomahawkLana Del Rey  que editaram, respetivamente, Chemtrails Over the Country Club (Interscope) e Tonic Immobility (Ipecac Records) em março passado;  até a aos projetos de nicho onde podemos encontrar Mouse on Mars - com crítica dedicada a AAI (Thrill Jockey); o segundo LP da dupla francesa Hammershøi - Cathédrales (Swiss Dark Nights) e ainda o projeto português 7777 の天使 (dupla que une Swan Palace e DRVGジラ) e que em fevereiro passado lançou o LP de estreia, Seven Angels (Soul Feeder).

As mencionadas edições seguem acompanhadas abaixo pelos respetivos textos críticos, podendo também ser escutadas na versão digital.


Tomahawk Tonic Immobility | Ipecac Records | março de 2021 

6.5/10 

Conhecido como um dos milhentos projetos do irreverente músico das mil vozes Mike Patton, o supergrupo Tomahawk (que inclui também veteranos de bandas como The Jesus Lizard, Melvins e Helmet) retorna aos registos originais com o seu muito aguardado quinto álbum Tonic Immobility
A excentricidade sonora da banda revela-se em pleno no princípio do álbum com um começo forte demonstrado nas faixas "SHHH!" e "Valentine Shine", que revelam também que a banda ainda sabe mandar riffs que têm tanto de pesados como de gingões, e Mike Patton ainda demonstra uma presença imponente enquanto vocalista e frontman. No entanto, e apesar do Tonic Immobility ser relativamente consistente em termos sonoros, o vigor e o fator-surpresa de outrora que têm caracterizado outros projetos com o cunho de Patton - incluindo álbuns dos próprios Tomahawk como Anonymous e Mit Gas - revelam-se um bocado desbotados neste álbum… como que dando a sensação de déjà-vu em que se ouviu essas músicas antes, só que um bocado mais insípidas desta vez. Com isto não se quer dizer que o álbum não tem os seus destaques, como a "Doomsday Fatigue" com uma propensão de banda-sonora para film noir, o afinco presente no single "Business Casual" ou a pseudo-balada "Sidewinder". Apesar de haver poucos pontos fracos, sendo os casos de "Predators and Scavengers", "Recoil" ou "Dog Eat Dog", esses infelizmente parecem ser mais acentuados em comparação. 
Tonic Immobility não irá alienar por aí além os fãs mais acérrimos, mas é decerto um álbum cheio de highs and lows
Ruben Leite




Lana Del Rey - Chemtrails Over the Country Club | Interscope | março de 2021 

7.0/10 

Chemtrails Over the Country Club é o sétimo álbum de Lana del Rey. Neste lançamento, a artista estadunidense viu nas suas mãos o dificílimo trabalho de editar algo equiparável ao antecessor, Norman Fucking Rockwell!, que muitos consideram o melhor trabalho da sua autoria até à data. Ora, para que tal tarefa fosse exequível, Lana decidiu manter Jack Antonoff como seu produtor e jogar um pouco pelo seguro. Vemos neste sétimo álbum uma instrumentalização de soft rock sonhadora e fantasiosa, tal como em Norman Fucking Rockwell!. Contudo, Lana tentou também adotar um pouco das sonoridades vistas em álbuns como Honeymoon, de forma a tentar casar a instrumentalização com a sua lírica nostálgica, introspetiva quanto a temas como o pré/pós dama e fantasias tradicionais americanas. Com esse casamento, Lana tenta tornar a experiência mais íntima, sem se afastar muito das ondas do álbum antecessor. 
Apesar de todas as experiências químicas entre diferentes fases da sua discografia, Lana Del Rey ficou aquém do que conseguiu atingir em Norman Fucking Rockwell!. Continuou uma experiência louvável, com pontos imensamente fortes como a faixa-título ou "Breaking Up Slowly", tendo Jack Antonoff também um grande crédito pela sua produção e pela esmagadora maioria dos instrumentais do álbum. 
No entanto, apesar de todos os prós, continua a tratar-se de uma queda razoavelmente grande para com o álbum anterior, fazendo Lana voltar ao mesmo status que em álbuns como Born to Die ou Honeymoon: a experiência foi agradável, mas não chega ao ponto de poder dizer que irei voltar a ouvir o álbum de uma ponta à outra. 
João Pedro Antunes 




Mouse on Mars AAI | Thrill Jockey | fevereiro de 2021 

7.9/10 

O duo Mouse on Mars, frequentemente acompanhado pelo percussionista Dodo NKishi, tem deixado a sua marca no panorama da IDM desde os anos 90. Com o novo álbum AAI, Anarchic Artificial Intelligence, apresentam-nos o seu trabalho mais conceptual e narrativo. Entre polirritmias dançáveis, samples que poderíamos encontrar em música industrial e diversos sintetizadores, é contada a história da evolução de uma inteligência artificial que se expressa através da fala. A banda vê a tecnologia e as I.A.'s como colaboradoras da humanidade no seu desenvolvimento e é exatamente essa a relação que existiu na criação do disco. As vozes ouvidas em cada faixa têm origem num software que permite a modelação e edição de texto e voz, fornecidas por Louis Chude-Sokei e Yağmur Uçkunkaya
Em faixas IDM com ritmos repetitivos ou ambientes glitchy, as vozes aparecem como narradoras e como instrumentos, distorcidas e manipuladas. Esta transformação de sons que nos são familiares em algo quase alienígena leva-nos para um espaço entre o natural e o artificial que contém um enorme potencial para sons únicos e inesperados. É um campo explorado por Holly Herndon no seu álbum PROTO, onde vozes humanas são acompanhadas pelo canto de uma inteligência artificial, ou Cristobal Tapia de Veer, cujas manipulações de samples vocais têm resultados muito característicos e ocasionalmente sinistros pela sua estranheza. 
Há um pequeno conjunto de músicas que peca pela incorporação da voz não ser especialmente agradável ou criativa, havendo, por exemplo, repetições de sons que se podem tornar incomodativos, mas esta é geralmente harmoniosa. AAI é um álbum que merece toda a atenção de quem procura música eletrónica de carácter experimental, unindo narrativas e questões atuais a música criativa e bem executada.
Rui Santos 




Hammershøi Cathédrales | Swiss Dark Nights | março de 2021 

8.0/10 

Apaixonados pelas caixas de ritmos e sintetizadores em voga nos 80’s, em menos de um ano Anne Dig e Ben Montes - a dupla que dá corpo aos Hammershøi - contrariaram as tendências do mercado e movimentaram-se criativamente por forma a esculpirem dois discos longa duração em pleno período pandémico. Depois da surpreendente estreia com o homónimo Hammershøi, em Cathédrales a dupla volta a evidenciar a sua veia divertida de imersão instantânea, através de nove temas inéditos desenhados para as pistas de dança. 
A música é dançante e marcial, as letras pessoais e intransigentes, prontas para conduzir a um forte período de introspeção, que é o tema principal deste Cathédrales. Do novo álbum nascem também novos hits que aqui se podem encontrar em temas como o convite de inauguração "Je Te Vois", num EBM vincado, ou o estimulante "PTMH", feito para se repetir em loop. Destaque igualmente para temas como o revivalista "Ich hatte einen Freund", o psicótico "Helás!", o hiperativo "Maria S" e a belíssima balada de despedida "Dédales" que apresenta uma das melodias mais bonitas deste Cathédrales e afirma a máquina sonora dos Hammershøi como um produto de consumo prospetivo
Sempre minimais na abordagem é no contraste vocal que os Hammershøi ganham mais brilho. Se, por um lado Anne Dig contagia ouvintes com a sua aura ativamente sedutora, por outro, Ben Montes prende-nos entre correntes com a sua voz militar e autoritária. O resultado é uma mistura aditiva entre techno, EBM, darkwave numa onda minimal sintetizada e expressionista. 
Sónia Felizardo




7777 の天使 - Seven Angels | Soul Feeder | fevereiro de 2021

8.0/10

Através de dois deliciosos tratados de eletrónicas contundentes, os EP's Ski Mask Angels (2019) e Bruised Grills Eternal Tears (2020), os 7777 の天使 analisaram cuidadosamente as várias extremidades da música de dança. A estreia em longa-duração, editada em fevereiro pela plataforma digital Soul Feeder, aponta para outras coordenadas: Seven Angels segue um registo mais convencional de canção, com fundações na voz, na guitarra e na bateria, mas não descura dos ocasionais devaneios gabber que compõem os lançamentos anteriores. 
Depois de uma breve intro feita de sinos, vozes e texturas digitais, "Mask Emoji" dá lugar a uma nebulosa trama de acordes de guitarra, enquanto o que parece ser uma bateria acústica determina, à distância, o compasso para um dos momentos mais explosivos do disco, as vozes de DRVGジラ e Swan Palace a atingir níveis próximos da catarse. Este é, aliás, um dos pontos que melhor define este lançamento: a voz como elemento basilar de composição. Ao contrário dos anteriores EPs, que faziam uso de coros e diálogos retirados de séries de animação, Seven Angels inclui as vozes (ainda que adulterada) do duo em todas as suas faixas. As letras são curtas, inocentes, por vezes imperceptíveis, mas proferem humanidade a um corpo outrora alienígena. 
O álbum fecha com uma nota mais saudosista, o clique do gravador escutado nos metros iniciais de "Nose Ring Memories" a remeter para tempos em que tudo parecia ser mais simples. É também o tema mais despido do duo até à data, encerrando o álbum com um momento de candura adolescente. Afinal, os anjos também têm sentimentos.
Filipe Costa


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