sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

C.A.N.V.A.S. reúne Elvin Brandhi, Alpha Maid e Nadah El Shazly em nova compilação



Apocope é a segunda compilação do coletivo C.A.N.V.A.S.. Disponível desde esta sexta-feira, o novo compêndio da editora nómada sucede a anterior compilação Cipher, de 2019, que reúniu temas de Flora Yin-Wong, Ashley Paul e Object Blue num registo que abordou a codificação. 

Para este novo lançamento, os fundadores Lugh O'Neill, Olan Monk e Elvin Brandhi recrutaram os esforços de Alpha Maid, Bashar Suleiman, Billy Bultheel, Hulubalang e Nadah El Shazly num segundo volume que orbita em torno de ideias pós-apocalípticas – um possível "ponto de rotura" com a linhagem pop, sublinha-se nas notas de edição.

Altamente colaborativo e conceptual, o C.A.N.V.A.S. foi fundado em Londres, em 2014, como uma promotora de eventos. Os seus fundadores, Lugh O'Neill e Olan Monk (hoje sediado em Lisboa), definem o projeto como "uma solidariedade entre bardos desenraizados em desafio a um neo-feudalismo emergente". O selo expandiu-se  em 2018 e é hoje plataforma para alguns dos mais emergentes atos da nova música exploratória britânica, como Michael Speers, Elvin Brandhi ou os próprios Lugh e Olan Monk.

Apocope foi feito com o apoio financeiro do Arts Council e encontra-se disponível no Bandcamp em formato físico, em edição limitada a 300 cópias em vinil, e digital. A masterização é de Ali Najafi e a capa recebe a assinatura de Elvin Brandhi, com design de Gaspar Cohen.


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Tiago Plutão regressa com segundo single "Só para alguém gostar"


Um dia plutoniano demora 153 horas terrestres, mas não precisamos de tanto tempo para nos apaixonarmos pela música de Tiago Plutão. "Só para Alguém Gostar" é o segundo single do disco Relativizar que sairá ainda no primeiro trimestre deste ano, sucedendo a "Homem da Montanha”, single que o estreou em Novembro de 2020. 

Dotado de grande potência energética, Plutão volta a girar em torno de questões muito actuais e pertinentes. "Só para Alguém gostar" é uma canção que bem poderia ser um hino universal ao amor próprio; uma crítica a quem se encaixa e acomoda só para ser gostado: "Só para alguém gostar é uma visão minha da sociedade que necessita muito da aceitação de terceiros, é uma constatação da observação de pessoas que fazem de tudo para agradar aos outros, consciente ou inconscientemente. Não sei, mas creio que devíamos olhar primeiro para dentro de nós e aprender a gostarmos mais de nós."

"Só para Alguém Gostar" foi gravado e masterizado por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (HAUS) e está disponível em todas as plataformas online. Conta também com teledisco, realizado por Sofia Rocha, muito cintilante e que espelha precisamente a mensagem plutónica deste single: sejam vocês mesmos, sem medos.


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Rave Runner é o novo "club pack" de Stasya


Stasya está de regresso às edições. Rave Runner assinala o primeiro lançamento de Stasya em 2021 e reúne duas faixas originais, duas remisturas e um edit num “club pack” editado de forma independente. 

Rave Runner sucede o anterior EP Lamurya, que marcou a estreia de Stasya pela argentina HiedraH Club de Baile, e traz cinco faixas gabber de energia demolidora. Stasya, que já projetou a sua visão brutalista em faixas de Shygirl, Arca e Tinashe, oferece agora novo tratamento a temas de Oklou, Summer WalkerCookiee Kawaii, cujas remisturas  constituem o lado-B deste trabalho.

Rave Runner foi masterizado por Saint Caboclo e encontra-se disponível para escuta no Bandcamp. A capa é de GYUR.







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"14 Litanias Falhadas Sobre Comunismo Totalitário" sai em março


22 de março é a data agendada para o lançamento de 14 Litanias Falhadas Sobre Comunismo Totalitário, um CD em formato digipack que reúne temas raros e inéditos gravados, entre 1989 e 1995, pela ODE FILÍPICA (projeto seminal de Carlos Matos e Pedro Granja). 

Esta edição, limitada a 100 exemplares, tem selo da Z22 e assume-se como um pequeno pedaço de história "escondida" da música post-industrial feita, no nosso país, há cerca de três décadas.

Para os interessados em enriquecer os seus arquivos sonoros, este álbum tem o custo de 12 euros e pode ser reservado/adquirido enviando mensagem privada para Julio Oliveira.




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Simon Minó lança novo disco este ano. "Diana" chega em antecipação

Simon Minó lança novo disco este ano. Diana chega em antecipação


Desde 2019 que Simon Minó se estreou a solo para nos brindar com uma synthwave sombria influenciada pelas correntes estéticas da dream-pop. Agora cada vez mais perto do lançamento - que chega às prateleiras na primavera - o produtor sueco mostra o terceiro tema do baralho, "Diana". O novo tema vem dar sucessão a "Raphaëlle" - editado em abril passado pela Third Coming Records - e a "Les Nymphéas" - que marcou a estreia do produtor a solo há cerca de um ano atrás - e consolida um pouco daquilo que Simon Minó nos tem mostrado desde o início:  sintetizadores recheados por paisagens melancólicas com uma forte componente ao nível da eletrónica que projetam o ouvinte para cenários altamente aconchegantes.

"Diana" não é exceção e Simon Minó aproveita a deixa para revelar um lado muito mais profundo e melancólico na sonoridade resultante, através da sua voz suave acompanhada por sintetizadores sombrios de carácter minimal e um baixo profundo, que colocam o ouvinte em profunda divagação. "Diana", o terceiro single, vem acompanhado por um trabalho audiovisual com assinatura de Lola Margrain prendendo-se visualmente às correntes estéticas cinematográficas em voga nos 70's. O resultado pode visualizar-se abaixo.

O novo disco conta com a produção de Sydney Valette.





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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Barata Cósmica atravessam o espaço em 'Enigma do Morcego'


Em Enigma do Morcego, o segundo longa-duração de Barata Cósmica, "atravessa-se o espaço até à sua infinitude". Ao longo de sete temas expansivos, o duo composto por André Neves (George Silver) e Bruno Contreira explora o espaço e o tempo através da mais variada abstração eletrónica – da deriva ambiental à devoção das pistas de dança, passando por subterfúgios espaciais que têm tanto de progressivo como de tribal (altamente recomendado para adeptos de Tangerine Dream, Ash Ra ou Jon Hassell).

O LP sucede o anterior Soyuz 1, de 2020, e volta receber o selo da Panama Papers, que já havia editado outros trabalhos de George Silver como Rave Indicação, enquanto Lunnar Lhamas, projeto que divide com José Veiga (ZZY), ou o mais recente EP Selvagem, editado este ano em nome próprio.

Enigma do Morcego encontra-se disponível em formato exclusivamente digital no Bandcamp da Panama Papers, ao preço que considerarem mais justo.  


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"Blindness" é o novo single de Maripool



"Blindness" é o novo single de Maripool, alter-ego de Natasha Simões, songwriter nascida em Lisboa e residente em Londres. Com selo da Strong Island Recordings, "Blindness" conta com um teledisco e vem acompanhada por um Lado B instrumental - "Emílio". Ambas as músicas já podem ser ouvidas em todas as plataformas de streaming.

Maripool é uma one girl band. Natasha compõe e toca todos os instrumentos, transmitindo as canções diretamente do seu quarto para o mundo.

"Blindness" diferencia-se dos anteriores EPs Adult Weakness (2018) e I See Everything I Know Nothing (2019) - edições DIY em cassete que apresentavam um bedroom pop de baixa fidelidade caracterizado por instrumentais relaxados e vozes sonhadoras -, mostrando-nos uma Maripool mais madura. Aqui deparamo-nos com melodias vocais ousadas que ajudam a criar um cenário mais sombrio e elaborado, sem que se perca a beleza e honestidade que vêm sendo associadas ao seu trabalho.

As novas músicas foram gravadas por Euan Hinshelwood (da banda indie britânica Younghusband) e contam com a participação do português Bea, que toca com Maripool ao vivo, na guitarra principal.

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Bernardo Devlin em entrevista: “Sinto que o álbum tem um mistério próprio e que me transcende”

© Raúl Cruz 
“Sem querer exacerbar a minha interpretação enquanto autor, parece-me claro que reflecte o tópico da consciência duma dimensão cósmica e da sua infinita (no que isso possa querer significar) proporção perante a realidade terrestre e humana, confinada a um minúsculo e muito singular ponto no espaço (o nosso planeta) - sujeito como está aos desígnios caprichosos dum jogo muito privado e exclusivo, no qual uma ridiculamente minúscula minoria impõe o que considera ser seu direito, um permanentemente crescente acumular de riqueza e direitos, e pelo qual se recusa a olhar para as nefastas consequências ambientais e sociais, as quais são gritantes e por demais óbvias (e que em último recurso serão igualmente devastadoras para essa mesma elite de "jogadores").

Não é ficção-científica. Não é um tema fácil. Não é um mundo fácil. Mas é também certo que a qualquer momento (e duma ou de outra forma) esse jogo terá um fim, assim como tudo tem um fim. E que para além da vertigem em vigência e da sociopatia encorajada também existem porções de beleza aos olhos de quem souber ver. Uma longa distância até à velocidade da luz. Um lento caminho para a evolução duma espécie que na sua interna rota de colisão se arrisca a nunca lá chegar"
Bernardo Devlin, a propósito de proxima b.

Capa de próxima b

Bernardo Devlin, é um músico português, criador de bandas sonoras na verdadeira acepção da palavra, co-fundador do projecto de música improvisada Osso Exótico, e é conhecido por aqui, como mais um talento da nossa música portuguesa. Músico que colaborou com nomes sonantes, pela sua criatividade e genialidade: Sei Miguel, Vítor Rua, por exemplo. Bernardo Devlin, que nesta altura vai no seu sexto álbum de originais, em nome próprio: proxima b, e que tem como subtítulo As duas antenas do caracol. Vamos então conhecê-lo e saber um pouco mais sobre o que não se fala mundanamente por aí.

Antes de mais, quero perguntar-te sobre as estórias que fazem a tua história aos dias de hoje. Provavelmente, tens muitas para contar. Começo com a relação que primariamente tiveste com o som: qual é a primeira memória que queres partilhar connosco?

Bernardo Devlin (BD) - Com alguma falta de humildade, posso dizer que sempre tive o ouvido apurado e como tal reagia ao som, fosse qual fosse a proveniência. É-me impossível considerar uma cronologia, mas uma experiência sónica que nunca vou esquecer foi ter visto repetidamente o Concorde a aterrar no aeroporto de Santa Maria nos Açores. Passei lá um verão quando era puto e o Concorde fazia lá escala de abastecimento, penso que com destino a Caracas. Isso e as manobras de terra até estacionar. A pista de aterragem era enorme, mas o aeroporto era diminuto e não havia nem as barreiras nem o nível de segurança que há hoje, por isso ele passava mesmo muito perto de nós e o som era absolutamente descomunal. Isto para não falar do impacto visual.

Nessa altura, já pensavas que um dia serias tu a fazer os teus próprios “ruídos” numa escala mais “organizada”?

BD - Conscientemente, não. Mas se me aparecesse um piano à frente experimentava-o.

Conta-nos como foi da primeira vez em que realmente tiveste essa consciência e oportunidade de começar a fazer a tua música. 

BD - Eu andei na António Arroio e na altura gerou-se uma cena com várias bandas e projectos. Não sei como é agora, mas era muito interessante. Independentemente dos estilos, se havia algo em comum era uma procura por um universo próprio, o não-repetir o que já havia. Claro que eram repercussões dum determinado período a que hoje se chama o pós-punk.

Considerando o nível de proliferação de novas atitudes e abordagens que apareceram na música pop dessa época foi um enorme golpe de sorte ter vivido isso em tempo-real. Numa semana tinhas os The Fall, noutra os Pere Ubu, noutra os The Gun Club, ou os The Flying Lizards, ou os The Lounge Lizards, etc

De que forma esses artistas te influenciam ainda, estando agora tu no teu sexto disco, e em contrapartida como vês o actual panorama da criação musical? 

BD - Eles influenciaram numa perspectiva em que a ênfase é dada ao todo, à soma das várias peças, e não a uma abordagem mais tecnicista e individualista.

Quanto à actualidade, estou certo que existem coisas interessantes, e sei que existem, mas o mais comum é não terem impacto o suficiente em termos de público, o que é uma pena. Do meu ponto de vista, a música ocupa uma posição muito diferente na mente das pessoas. E com o permanente feed de acontecimentos e informação não é de admirar...

 ©Raul Cruz 

Escutando as letras, que relação têm elas com o mundo (real, surreal, cinematográfico)? Por exemplo, ouvi dizer que Luis Buñuel está entre as tuas preferências/influências, no que toca à poesia das tuas canções.

BD - Buñuel está certamente nas minhas preferências. Mas isso não faz com que eu queira referenciá-lo ipsis verbis, nem me sentiria nada confortável com isso. Mas há aspectos, e não são só de agora. Por exemplo, em 1997 gravámos um álbum chamado Albedo numa igreja dessecrada, por razões de acústica. Não era de todo a minha ideia gravá-lo numa igreja porque não queria a conotação. No entanto, a memória da sessão é “buñuelesca", foi uma directa a tocar aqueles temas estranhos, com músicos a adormecer literalmente, por vezes a meio dos takes, litros de álcool e uma nuvem de fumo que deve ter contribuído bem para o buraco na camada de ozono. O que resultou em termos de álbum foi um artefato sonoro um pouco deficiente, mas que ainda tem hipótese de ser restaurado - o que faz parte dos meus planos.

No caso do proxima b, há o facto de o presente estado deste mundo se fazer sentir de uma forma mais incisiva. Mas no seu todo, sinto que o álbum tem um mistério próprio e que me transcende. E gosto da sensação.

A música como o alimento do corpo e da alma, concordas?

BD - Como forma de magia. Uma coisa imaterial que mexe connosco.

Que depois ganha formato físico e digital. proxima b, b de Bernardo? Este teu novo disco tem também o subtítulo de As duas antenas do Caracol

BD - Sim. Tem a ver com distância, lentidão e observação.

Onde podemos encontrar e adquirir o proxima b

BD - Para já, no Bandcamp, na Flur, na Peekaboo, na Louie Louie e na Vinyl Experience.


proxima b são oito bonitas canções, com letras que conduzem a uma introspecção subliminar, numa conversa interior, entre o sentir e o reflectir, sob uma camada sonora intensa, numa toada que lembra o Fado, mas que também nos leva a pensar em Stuart Staples (Tindersticks), Leonard Cohen, Scott Walker, ou a Nico. Há um precioso elenco sónico a acompanhar o artista que produz o seu próprio disco. proxima b tem co-produção e processamento de Nuno Tempero, com Ernesto Rodrigues (viola), Helena Espvall (violoncelo), Oliver Vogt (saxofone tenor) Luisa Gonçalves (celesta); Carlos Andrade, Nuno Leão e Pedro Ferreira (guitarras), Gonçalo Castro e João Milagre (baixos), João Vairinhos e António Forte (percussão). 

António Forte que conhecemos também como realizador no Pop Off, ou em 86-60-86, vídeos dos Mão Morta e muitos outros, também assina “meio-dia”, o video que acompanha o single de antecipação ao novo disco de Bernardo Devlin.

Entrevista por: Lucinda Sebastião

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

"Tarraxo do Animal Doméstico" é o novo single de Iguana Garcia



Psicadélico e fluorescente, de matrix africana e verniz europeu, "Tarraxo do Animal Doméstico" foi criado em plena primeira fase de confinamento ainda em 2020, altura pela qual Iguana Garcia lançava, nas redes sociais, uma música por dia. O tema, que serve de avanço para Ilha da Iguana, terceiro disco de originais a ser editado em 2021, é cantado na perspectiva de um animal doméstico, apoiado em teclados aprisionados, na quaternariedade do beat e em baixos que gingam como se ainda fossem dançar.

Ilha da Iguana é um disco criado em deriva, ao sabor das fortes correntes afro e tech house, dos ventos da disco e o pop, que tenta descobrir o lugar da língua de Camões em tais latitudes.

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