sábado, 20 de março de 2021

Os Glaare voltam a contagiar em "Divine Excess"

Os Glaare voltam a contagiar em "Divine Excess"


Falta pouco mais de um mês para Your Hellbound Heart ver a luz do dia. Em jeito de antecipação podemos agora ouvir a terceira extração, "Divine Excess", do disco que chega às prateleiras no final do mês de abril. O tema que apresenta Ross Farrar (Ceremony / Spice Crisis Man) nos vocais secundários, estreou esta semana e vem delinear a melancolia inerte na música de vestes negras que o quarteto de Los Angeles tão bem ecoa desde o lançamento do seu primeiro disco To Deaf & Day (2017). Depois de pomposos elogios no panteão da cena darkwave em Los Angeles e pela Europa por conta do selo, os Glaare marcaram uma posição no cenário underground muito à conta da presença contagiante e misteriosa da vocalista Rachael Pierce e do alcance obtuso das suas performances ao vivo. 

Depois do intrigante "Mirrors" - que colocou Rachael Pierce e Iphi (Foie Gras) no mesmo pano visual - e do ritmado "Young Hell", chega agora ao radar "Divine Excess", tema cintilante a beber influências às atmosferas melodiosas de To Deaf & Day, numa aposta cruzada entre sintetizadores minimais, guitarra etéreas, linhas de baixo sedutoras e uma voz profundamente doce. Sobre o novo tema, Brandon Pierce afirma que: "A narrativa é essencialmente uma conversa com a tua sombra onde ridicularizas as tuas ações e te mutilas por não conseguires entender a natureza do teu ego (...). O julgamento e a falta de capacidade em te reconciliares contigo". "Divine Excess" pode assimilar-se na íntegra abaixo.

Your Hellbound Heart tem data de lançamento prevista para 30 de abril em formato vinil, CD e digital pelo selo Weyrd Son Records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.



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Abacaxi revelam o seu "Mainstream Desire"


Lançado ontem, Mainstream Desire, é o terceiro álbum do trio parisiense Abacaxi, lançado sob o selo da Carton Records. É uma obra profundamente inspirada no rock artístico do final dos anos 60, com muitas camadas de experimentalização pelo meio, fazendo lembrar um quanto a sound art. No fundo, o trio, constituído por Julien DesprezMax Andrzejewski e Jean François Riffaud, criou uma escultura sonora letalmente eletrificante, usando os mecanismos do rock para fazer um festival de barulho clarinho que perdura ao longo de ambas as faixas.

Este disco já está disponível em todas as plataformas streaming, mas pode ser ouvido abaixo. Ora cá vai:

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sexta-feira, 19 de março de 2021

Álbum de estreia de Nicolas Jaar vai ser reeditado em vinil transparente


O aclamado álbum de estreia de Nicolas Jaar, Space is Only Noise, vai ser reeditado. De modo a assinalar os 10 anos desde o seu lançamento, em fevereiro de 2011, a francesa Circus Company vai disponibilizar uma nova edição em vinil duplo transparente no próximo dia 14 de maio.

Escrito e produzido em Nova Iorque, na sua casa de infância, Space Is Only Noise sucedeu uma série de EPs como The Student (2008) e Marks & Angles (2010), que marcou a estreia de Jaar pela Circus Company. O álbum foi considerado o melhor de 2011 para a publicação online Resident Advisor e foi premiado, nessse mesmo ano, com um certificado de prata pela Independent Music Companies Association, assinalando mais de 20.000 cópias vendidas em toda a Europa. Em 2019, a Pitchfork incluiu o álbum na sua lista dos 200 Melhores Álbuns da Década de 2010.

Em 2020, o produtor chileno-americano editou dois álbuns, Cenizas e o mais recente Telas.

Space Is Only Noise (Ten Year Edition) encontra-se disponível para compra antecipada no Bandcamp.



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"INATEL" é o primeiro single de David & Miguel



A dupla David & Miguel está para a música como o queijo e a marmelada estão para a culinária: uma delícia pouco ortodoxa. E esta apetitosa parceria, estava marcado, que não se ficaria pelo sucesso brutal do single "Interveniente Acidental". 2021, traz-nos agora boas novidades, com "Inatel" primeiro avanço daquilo que será Palavras Cruzadas, primeiro Longa Duração da dupla, com lançamento marcado para 23 de abril. 

"INATEL" representa o ritual de muitas famílias e casais do norte do país que arrancam em romaria para as águas quentes do Algarve. O vídeo, que também sai hoje, mostra precisamente isso. Um casal que convidou um amigo e uma amiga para uns dias no INATEL de Albufeira, usufruindo de todos os luxos disponíveis nessa mítica solução de alojamento. 

Também a nível de produção, esta nova música traz novidades. Dada a proximidade física de ambos, agora baseados ambos, a norte, permitiu que o tema tivesse mais intervenção de ambos. "INATEL" é o tema mais dinâmico do disco e engloba tudo o que a dupla queria representar: Romantismo, Lazer, Portugal e Nostalgia. Nas palavras de Mike El Nite, o resultado final é uma espécie de "Tina Turner, ao vivo, em Albufeira".

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Unsafe Space Garden - Split-Screen Vision (video) [Threshold Premiere]



É lançado hoje "Split-Screen Vision", o primeiro single de avanço para novo disco dos Unsafe Space Garden. Bro, You Got Something In Your Eye é o nome desse trabalho e verá a luz do dia, assim como todos nós, em abril. 

Os Unsafe Space Garden nasceram na Penha, a serra que acarinha a cidade de Guimarães, e cantam o musgo e o absurdo. Isto porque o caminho pelas Penhas do mundo faz-se sempre às gargalhadas: a arma neutralizadora de todos os males. Vozes, cores, teatralidade são os três eixos a partir de onde se ergue a música deste trio e o caminho que firmaram com dois discos já editados (Bubble Burst e Guilty Measures). 

Para 2021 preparam a edição de Bro, You Got Something In Your Eye, o terceiro de originais a sair com selo Discos de Platão, do qual hoje se revela o primeiro single. "Split-Screen Vision" tem essa leveza característica da pop, mas a sobriedade de quem olha ao seu redor. "Se o objetivo do Homem é a união, não serão as divisórias contraproducentes?", perguntam. O vídeo ficou a cargo do Cisma Studio.



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ZZY aborda questões relacionadas com a saúde mental em novo álbum, Asylum



Já aterrou no Bandcamp Asylum, o novo álbum de ZZY. Disponível desde esta sexta-feira de forma independente, o terceiro longa-duração de José Veiga incide sobre questões relacionadas com a saúde mental, tema que ganhou novo destaque com a atual situação pandémica. 

A partir da obra "Asylums: Essays on the Social Situation of Mental Patients and Other Inmates", do conceituado sociólogo Erving Goffman, e do filme Shutter Island, de Martin Scorsese, o produtor barreirense apresenta uma "variada experimentação sónica" que volta "a fundir a linguagem do digital com algumas oscilações analógicas", explica em nota enviada à imprensa. O resultado é uma "nova aglutinação de camadas de electrónica", situada entre "o industrial obscuro e o IDM mais sentimental".

Multifacetado e altamente prolífico, José Veiga iniciou o seu percurso na música eletrónica em 2013. Estreou-se enquanto ZZY em 2017, com o EP Phobia, seguindo-se Artificial Thoughts, a estreia em longa-duração, em 2018, e o mais recente Disorder, em 2020. Além do extenso trabalho a solo, que conta ainda com mais um punhado de EPs, Veiga forma o duo Lunnar Lhamas, que divide com George Silver.

Encontrem Asylum no Bandcamp.


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Sara Wolff estreia-se com 'When You Left the Room'

Chegou ontem às plataformas digitais o registo de estreia de Sara Wolff, artista norueguesa que trocou as vistas montanhosas da sua terra natal, Bergen, pelos subúrbios da cidade de Liverpool. When You Left The Room reúne cinco faixas orientadas pela folk lírica de teor caseiro, em que a artista retrata com o seu sentido de humor negro situações bem comuns a todos nós - os dias passados na cama, relacionamentos desgantes e interações sociais complexas - tudo isto enquanto transitamos para a idade adulta.

Os universos sonoros de 3 minutos de Sara são escritos e organizados na janela saliente do seu estúdio caseiro em Toxteth. Cada música ganha vida própria dentro do caos aconchegante, motivado pelas coisas que rodeiam a artista: guitarras, cobertores de lã, chavenas de chá meio bêbadas, prateleiras que se dobram suavemente sob livros e plantas estranhas - um cenário feliz para canções aparentemente não tão felizes, mas é dentro deste contrastes que nasce a sua inspiração. 

"Hands" é o mais recente single de avanço de When You Left The Room, tema adornado por melodias e arranjos sofisticadas, conduzidos suavemente por uma doce guitarra. A viver em Liverpool desde 2016, Sara já teve a oportunidade de poder atuar em locais históricos da cidade ao lado de artistas como SOAK, Lyla Foy e Francis Lung (Wu Lyf).

When You Left The Room encontra-se disponível para audiação integral na página de Bandcamp da artista, acedendo aqui.

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quinta-feira, 18 de março de 2021

Rei Bruxo editam novo single: "Miragem"

A começar em novembro de 2020, os Rei Bruxo estiveram em força - quase com um single editado por mês, vemos agora Miragem a surgir como o quarto nessa coleção. 

O trio apresenta-se há algum tempo com uma sonoridade própria de rock/metal progressivo. Com uma bateria hiperativa, linhas melódicas e rítmicas com compassos pouco ortodoxos e as ocasionais linhas violentas, tornam muitas vezes fáceis comparações com ToolSoen ou ainda Intronaut. Isto não quer dizer que os Rei Bruxo percam a sua identidade - apenas os sedimentam e situam melhor na cena do rock/metal progressivo que tem sido editada recentemente. Na verdade, o trio composto por Ricardo Pinto (guitarra/baixo), Sofia Faria Fernandes (voz) e Marcelo Aires (bateria) é uma voz única no panorama nacional do rock desde a sua formação em 2017.

Miragem, contudo, figura-se como um tema diferente - logo desde o princípio envereda por paisagens mais próximas do psicadelismo experimental, incorrendo depois numa sonoridade própria do jazz europeu contemporâneo, voltando depois em força às raízes de rock/metal progressivo, sempre com a voz distintiva de Sofia Faria Fernandes a conviver saudavelmente com o ambiente pesado gerado pela secção instrumental. Apesar de não ter a sua casa tão bem definida como o resto da discografia dos Rei Bruxo, Miragem é um tema forte e que deixa a sua marca como um dos melhores temas que a banda editou até à data - uma mistura complexa, criativa e muito apelativa de influências e sonoridades sem cair no erro de ser demasiado complicado.

Podem ouvir Miragem, novo single dos Rei Bruxo, em baixo.

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Monster Jinx edita ROXO 07


Foi lançada hoje a 7ª edição das compilações ROXO da Monster Jinx. Falarmos da 7ª edição de uma compilação é só uma parte da história da crew. No entanto, as ROXO, fazem cada vez mais parte do seu ADN.

Numa label dinâmica, irrequieta e em crescimento, haver uma compilação regular também serve para mostrar a sua evolução: onde estão, quem está na editora à data, e – mais importante – para onde vão.

Já que a família está cada vez maior, também esta ROXO 07 é uma das mais longas, contando com 16 faixas, e indo ao encontro do hip-hop, da electrónica, do rock e de (quase) tudo o que está entre essas categorizações, do contemplativo e revitalizante, até ao mais festivo e arrasador. Estas compilações, agora parte da espinha dorsal da Monster Jinx, são lançadas em cassete anualmente, além de disponíveis nas plataformas digitais. ROXO 07 não será diferente, e vê hoje a luz do dia.

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quarta-feira, 17 de março de 2021

JE T'AIME lançam 'Live at Gibus' em nostalgia dos concertos

JE T'AIME lançam 'Live at Gibus' em nostalgia dos concertos


Para "celebrar" um ano após o seu último concerto ao vivo os franceses JE T'AIME disponibilizaram esta segunda-feira um retrato sonoro gravado no dia 14 de setembro de 2019 na sala de espetáculos Gibus Club, em Paris. O retrato de uma noite livre de máscaras onde respirar junto ao público ainda era possível. No concerto onde o alinhamento contemplou todas as faixas do aclamado disco de estreia, os JE T'AIME mostram agora um pequeno excerto da experiência completa que é assistir a uma performance do trio francês. Se, em estúdio já se afirmaram tão bem como um dos grandes nomes do novo underground gótico muito por culpa da sua atitude arrojada e claramente genuína.

Sem fugir muito aos moldes que já nos tinham mostrado em estúdio os JE T'AIME confirmam agora em Live at Gibus que diversão é palavra de ordem nos seus concertos. Confirmam também que, ao vivo, o baixo ganha uma persona ainda mais revivalista, que as guitarras soam ainda mais empáticas e convidativas, que os sintetizadores brilham na escuridão e que, o vocalista Danny Boy se desprende de qualquer traço inibidor com um único objetivo: conduzir o público a um êxtase imersivo de profunda libertação.

JE T'AIME Live at Gibus foi editado esta segunda-feira (15 de março) no formato digital, encontrando-se disponível para download gratuito via Icy Cold Records, Manic Depression Records ou na página de Bandcamp dos JE T'AIME, acedendo aqui.


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A queer sadcore de Kabbel é antecipada em "Young Again"

A pop moderna e experimental de Kabbel é antecipada em "Young Again"


Kabbel é o novo projeto musical do eclético Gregory Hoepffner (SURE, Time To Burn, Jean Jean, Kid North, Almeeva) que agora se lança a solo para explorar uma onda "Queer Sadcore", género que segundo o próprio se pode definir como "a escuridão intransigente da música extrema, mais o prazer da pop moderna numa atmosfera cinematográfica e teatral + The Weeknd + NIN LGBTQ version". O primeiro aperitivo de entrada chegou no início do mês sob o cunho de "Young Again", uma faixa a abordar uma eletrónica efervescente construída por sobre as bases da pop moderna, a música club e um certo trago darkwave

No seu projeto mais pessoal até à data, - marcado por uma mudança geográfica do tumulto parisiense para o frio da Suécia, Gregory Hoepffner desapega-se das suas ambições e sonhos de grandeza, recuperando o simples prazer de cantar. O resultado mostra-se em End Of Norms o primeiro curta duração do produtor que chega às prateleiras em abril.

Kabbel surge então como um projeto artístico que o permite reconectar-se com a cena DIY sem qualquer filtro no meio. Para dar o formato final à ideia que esteve a cozinhar durante um ano, Gregory compartilhou estúdio com o produtor Christoffer Berg (Fever Ray, The Knife, Depeche Mode...) que ajudou a limar arestas de End Of Norms num modelo de escuridão extremo, embrenhado em expressões industriais e aéreas. Em antemão chega-nos o poderoso "Young Again" e, na próxima semana o dinâmico "Lights Go Out" emerge no radar. 


End Of Norms EP tem data de lançamento previsto para 16 de abril no formato digital.


End Of Norms Tracklist:

01. Lights Go Out 
02. Young Again
03. Tied
04. No More XTC

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Eletrónica barroca e industrial em 'Muta​/​Larva' de Simone Lalli

Eletrónica barroca e industrial em 'Muta​/​Larva' de Simon Lalli


Depois de gravar sob o alter-ego Autobam, foi em nome próprio que Simone Lalli começou a chamar a atenção em março passado com a edição de Marefermo (2020), EP de 4 faixas que remodelava uma vasta paisagem da música eletrónica, cruzando fronteiras entre géneros como o industrial, glitch, IDM e neoclássico. Agora, na mesma linha estética o produtor regressa às edições com Muta/Larva, single duplo, que consolida e alarga o caminho já anteriormente trilhado, perspetivando o seu nome no panorama. 

"Muta" - faixa de vestes barrocas e tonalidades brancas - é o encerrar do Marefermo. De acordo com a nota de imprensa "O título é em si uma declaração ao disco: "muta" em italiano significa transição, uma metamorfose. É a mudança da sua pele. Mas o termo também significa "roupa de mergulho" - uma espécie de segunda pele usada para mergulhar em águas profundas. Como por exemplo as águas de um mar parado, as do Marefermo ("mare" em italiano significa mar, "fermo" ainda). Muta é o fim de algo, mas também um novo começo". 

Já "Larva" mostra-se bem mais vanguardista de estilo cinematográfico a fazer lembrar alguns momentos de intensidade retratados em obras de cineastas como Gaspar Noé. Em termos literais esta é a primeira fase de uma metamorfose que dará vida a algo completamente diferente, algo belo. Na faixa Simone Lalli arrasta-nos para uma zona mais confusa, onde os sons são difíceis de identificar e se sobrepõem constantemente num pântano digital. O resultado pode assimilar-se abaixo.

Muta/Larva foi editado a 4 de março no formato digital e self-released. Podem comprar a edição aqui.


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HIDE regressam à Dais com novo álbum em maio


HIDE, o projeto de Heather Gabel e Seth Sher, anunciou o lançamento do seu terceiro álbum, Interior Terror. O álbum está agendado para sair no próximo dia 28 de maio, em vinil e digital, e volta a receber o selo da americana Dais. O primeiro avanço, “Do Not Bow Down”, estreou esta quarta-feira e já se encontra disponível nas várias plataformas de streaming.

Interior Terror sucede os anteriores Castration Anxiety (2018) e Hell Is Here (2019) e abandona, segundo nota enviada à imprensa, "os conceitos tradicionais de estrutura da música a favor de ritmos fragmentados". Expandindo temáticas anteriormente exploradas como a autonomia e o empoderamento, o LP de onze faixas questiona e aborda o corpo imaterial segundo um sentido físico e metafísico. 

O single “Do Not Bow Down”, cujo vídeo pode ser conferido em baixo, sampla o loop intermitente de um disco riscado de Depeche Mode e inclui um sample da pianista e compositora Mildred Couper, pioneira da música microtonal.

A compra antecipada do álbum pode ser feita aqui.


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terça-feira, 16 de março de 2021

Cong Josie está de regresso em modo gótico apaixonado

Cong Josie está de regresso em modo gótico apaixonado


Cong Josie é um nome que veio para marcar o panorama alternativo dos novos 20's. O novo projeto a solo de Nicolaas Oogjes (NO ZU) estreou-se no outono passado com o incrível hit "Leather Whip" que o perspetivou logo como uma aposta futura nos novos projetos a atentar. Persona autêntica, Cong Josie manuseava na altura uma sonoridade minimal wave old school à qual juntava a nostalgia jungle do rock'n'roll dos 50's e uma personalidade gótica no meio, num cenário amplamente sedutor. Agora, de regresso com novo single duplo, em antecipação do bastante aguardado disco de estreia, Cong Josie volta a surpreender em modo balada romântica numa abordagem revivalista da dream pop dos 90's. 

Na calha encontramos "Persephone" - single com direito a trabalho audiovisual num discurso volvido em câmara lenta - a ganhar cor na paixão nostálgica e perfume que emana e que ganha nome da deusa das flores na mitologia grega. Juntamente com "Persephone" foi ainda lançado o b-side "Win Lose" a apostar numa vertente mais disco e menos melodramática, afirmando todo um universo musical dinâmico e eclético na composição de Cong Josie. O disco de estreia deverá ser anunciado em breve, mas enquanto os pormenores adicionais não se conhecem é ir assimilando o mundo selvagem, surrealista e extremamente autêntico do cowboy australiano abaixo.


Persephone/ Win Lose foi editado oficialmente no passado dia 10 de março em formato digital pelo selo australiano it records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Paradox Obscur - Singles & Rarities

STREAM: Paradox Obscur - Singles & Rarities


Os Paradox Obscur marcam a estreia na casa Metropolis Records com uma coleção exclusiva de temas nunca antes editados que ganham agora exposição mediática em Singles & Rarities. A dupla de minimal wave formada por Toxic Razor e Kriistal Ann tem vindo, desde 2014, a capturar a essência e a magia do momento através do recurso a sintetizadores vintage e baterias eletrónicas. Tendo já criado um certo renome no panorama underground, pelas ambiências tão cruas quanto sonhadoras que pautam na sua abordagem, os Paradox Obscur continuam a explorar uma direção minimal do hardware escuro e revelam agora algum do material que ficou perdido entre o lançamento de quatro LP's e cinco EP's.

Anunciado em fevereiro passado, Singles & Rarities é um retrato holístico da cena minimal da velha escola envolto em influências do novo mundo. Composto por doze temas profundamente demarcados e tocantes, no volver da compilação é ganho um retrato histórico da abordagem sonora diversificada que os Paradox Obscur tão bem exploram - desde as vertentes darkwave às camadas etéreas da dream-pop sem nunca descurar de um meio essencialmente "analógico". Depois de se terem perdido no tempo, os singles e as raridades dos Paradox Obscur podem agora ouvir-se na íntegra, com forte destaque temas como "Visions" - a mostrar todo um incrível lado synthpunk -, a onda minimal revival de "Boulevard Voltaire", o dinamismo electropop de "Superbia" e as atmosferas psicologicamente densas de "Throbbing Gallows".

Singles & Rarities foi editado na passada sexta-feira (12 de março) pelo selo Metropolis Records no formato CD e digital. Podem comprar a vossa cópia aqui.

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ORDER 89 regressam aos discos no próximo mês

https://www.thresholdmagazine.pt/2021/03/order-89-regressam-aos-discos-no.html


Dois anos após a aclamada estreia com Bleu Acier os ORDER 89 estão de regresso às edições com o segundo disco de originais, L'Été Des Corbeaux que é lançado já no próximo mês de abril. O novo trabalho marca também uma nova fase no grupo que conta com novo membro na formação Luce (guitarra) que se junta assim a Jordi (voz, baixo) Flavien (sintetizadores) e Elliot (guitarra) para a exploração de novas dimensões. Depois de agitarem as praias góticas com a sua sonoridade altamente aditiva inspirada nos retratos musicais futuristas em voga nos 80's os franceses regressam ao radar para explorar uma veia mais sintetizada, mas sempre nostálgica na lírica adjacente. 

Mais animados que em Bleu Acier no novo L'Été Des Corbeaux os ORDER 89 mantêm a vibe catchy que circundou alguns temas da estreia e aprofundam a sua abordagem eletrónica e rock sob uma perspetiva não tão denotada anteriormente. Em antecipação do registo - que contará com dez temas inéditos - o quarteto francês avançou com "Gangster" o primeiro aperitivo de entrada que descreve em pleno um pouco do que poderemos esperar do novo álbum: mais dinamismo, novas texturas sonoras, mas sempre constante a melancolia na lírica que acompanha os instrumentais.


L'Été Des Corbeaux chega às prateleiras a 2 de abril no formato CD, vinil e digital pelo selo Icy Cold Records. A pre-order pode fazer-se através deste link.


L'Été Des Corbeaux Tracklist:

01. 100 Visages 
02. Rondes 
03. Histoires Parallèles 
04. Gangster 
05. Vertige 
06. Ici La Nuit 
07. Vieux Frère 
08. La Chasse Aux Sorcières 
09. Les Nuits Sauvages 
10. Pays Sacrifié

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Natures. Vol.1: uma espécie de psicanálise aos T'ien Lai


Oriundos de terras polacas, os T'ien Lai formaram-se em 2012 pela mão de Kuba Ziołek (Innercity Ensemble, Stara Rzeka) e Łukasz Jędrzejczak (So Slow, Alameda 5). Na altura um duo, a sua sonoridade focava-se essencialmente em drone music e transmissões de rádio, com temas místicos mergulhados em camadas de ruído. Desde então, juntaram-se dois percussionistas a T'ien Lai e os novos elementos rítmicos tornaram o seu som em música de dança altamente ritualística, algo que o público pôde comprovar em festivais como CTM (Berlim) e Unsound (Cracóvia.)

Após alguns anos de interregno, o conjunto voltou às edições como um trio com X·M·S, EP fortemente povoado pela eletrónica progressiva e pelo ambient de facetas tribais. Já este ano, a 8 de março, os T'ien Lai lançaram Natures. Vol.1, EP gravado entre setembro de 2020 e janeiro de 2021, que se assume como uma espécie de psicanálise da banda, expondo os traços subconscientes do passado que se tornaram a base das suas novas configurações musicais. 

Esta jornada regressiva enumera um vasto leque de influências, entre elas as primeiras festas independentes de drum'n'bass, house e dubstep realizadas em clubes underground da cidade natal dos músicos, a cultura cyberpunk, bandas sonoras de Vangelis e Ryuichi Sakamoto, Half-Life, entre outras. Natures. Vol.1 é, afinal de contas, uma tentativa de dar vida a essas inspirações dentro do contexto musical moderno.

As quatros faixas deste registo reúnem em si a estética da outsider house, a nostalgia dos anos 80 mesclada com dub digital e paisagens urbanas obscuras, e os ritmos complexos e assimétricos do pós-dubstep.

Natures. Vol.1 foi editado em formato digital com o selo da Brutality Garden e está disponível para escuta integral em baixo. A artwork é da autoria de Łukasz Jędrzejczak.



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Chris Watson apresenta instalação sonora nos Jardins Efémeros


Chris Watson é a segunda confirmação da edição de 2021 dos Jardins Efémeros. Juntamente com Pedro Rebelo, o músico e escultor sonoro inglês vai desenvolver, em contexto de residência artística, uma instalação sonora em toda a Praça D. Duarte, em Viseu.  

A criação resulta da colaboração dos Jardins Efémeros com o Sonic Arts Research Centre, de Belfast, e será acolhida pelo Teatro Viriato, que este ano é um dos parceiros estruturantes do festival.  

Natural de Sheffield, Inglaterra, Chris Watson é um dos fundadores do influente grupo de música experimental Cabaret Voltaire. Depois da separação do grupo em 1981, o músico desenvolveu um interesse particular na gravação de sons de natureza. O seu trabalho na televisão inclui programas na série Life, de David Attenborough, e Frozen Planet, da estação pública de rádio e televisão do Reino Unido BBC. Em 2019, juntou-se à compositora islandesa Hildur Guðnadóttir na composição da banda-sonora da mini-série televisiva Chernobyl, que venceu um Grammy na categoria de 'Melhor Banda-Sonora Original'.  

Jardins Efémeros é uma realização financiada pelo Município de Viseu e pela Direção-Geral das Artes, além de outros parceiros media como a revista inglesa The WireJornal do Centro, Diário de Viseu, RTP - Rádio e Televisão de Portugal e Canal180

Em dezembro de 2020, a organização anunciou a cantora, compositora e performer americana Lyra Pramuk como primeira confirmação na área do som.


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St. James Park lança remix da faixa "Como Quem Pinta" dos Sensible Soccers


St. James Park lançou na semana passada um novo remix para a música “Como Quem Pinta”, da banda vila-condense Sensible Soccers, sendo o terceiro de uma série de remixes focadas no trabalho de algumas bandas nacionais. Em “Como Quem Pinta”, o artista conjuga a aura atmosférica e etérea do tema original com elementos mais eletrónicos que nos levam numa viagem até aos anos 90. 

St. James Park é o nome artístico do produtor, músico e compositor Tiago Sampaio. Após fundar a banda Grandfather’s House, Tiago decidiu aventurar-se em novos territórios, nascendo assim o projeto a solo St. James Park. Em 2020, edita Highlight, o seu primeiro álbum - um trabalho que se situa entre a eletrónica experimental e o pop -, que rapidamente captou o interesse do público e da crítica nacional e que conta com participações de Noiserv, Lince e IVY. Após esse lançamento, colaborou ainda no álbum Oasis Nocturno (Remixed) da norte-americana TOKiMONSTA. Produziu também remixes para “Feral Rush” dos Gator, The Alligator, e “The Upsetters” dos First Breath After Coma.

Para o segundo semestre de 2021 prepara um novo registo, intitulado ocean, que conta com 5 temas que mostram uma relação entre a luz e a escuridão mais selvagem, onde explora uma vertente mais ambiental e orgânica. 

St. James Park tem ainda as primeiras apresentações ao vivo marcadas para o dia 15 de maio em Braga, 19 de junho em Matosinhos e 17 de julho em Peso da Régua.

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Confinamentos produtivos: assim nasceu a VIC NIC

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A guesthouse, residência artística e centro cultural VIC, situada no centro da cidade de Aveiro e conhecida pela sua irreverência em termos de oferta nos vários media, anunciou recentemente o seu próximo passo: a formação da sua própria label, de seu nome VIC NIC.

Na antiga casa do artista multifacetado Vasco Branco (cujo centenário se comemorou há pouco tempo) que serve de base de operações da VIC, vários artistas locais se juntaram (entre eles o gestor da VIC Hugo Branco, e Jorge Loura, um dos membros dos Troll's Toy) para apresentar esta iniciativa, que é em parte resultado do efeito da pandemia do COVID-19 que tem sido um sério problema no sector cultural, num esforço para aprofundar o trabalho feito até agora pela instituição, apoiando e divulgando novos talentos nas lides sonoras, visuais e literárias e cultivando sentido de união, experimentação e cocriação.

A primeira edição sob a alçada da VIC NIC é o registo em formato live de um espetáculo audiovisual de Hugo Branco, gravado em setembro de 2020 no Teatro Aveirense no âmbito do festival de arte e tecnologia Criatech, que poderão ouvir no bandcamp em baixo. Poderão também ler mais sobre o projeto no site da label.

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“Theme Vision” é o tema de avanço do novo álbum de Bruno Pernadas


“Theme Vision”, hoje disponível em vídeo, é o tema de avanço do próximo álbum de Bruno Pernadas. A música chega às plataformas digitais no próximo dia 19 de março. Pernadas, responsável pela composição, letra, arranjos e produção de “Theme Vision”, assina também a realização do videoclipe juntamente com Jep Jorba

Gravado no Verão de 2020, Private Reasons vê a luz do dia a 23 de abril e estará disponível para pré-venda a partir da próxima sexta-feira. 

Sobre o disco, leiam-se as palavras da Culturgest, que abre portas ao concerto (esgotado) de apresentação do álbum no próximo dia 21 de maio: "Pensado e desenhado como fecho de uma bela ideia de trilogia pop, Private Reasons pode igualmente ser a mais magnífica porta de entrada que o universo musical de Bruno Pernadas podia aspirar. É compreensível que a circunstância de um fim provocado proporcione um gesto de escala grandiosa, mas nada nos preparou para tamanha prova de superação criativa, nem mesmo com os discos anteriores How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? (2014) e Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them (2016), nos quais já tinha ficado bem exposta a miríade de ideias, recursos e linguagens que habitam a sua música. Com efeito, Private Reasons é uma declaração imensa e definitiva da arte pop de Pernadas, onde mais uma vez somos convidados a viajar de alma cheia por um mundo de estilos musicais, geografias, imagens, vozes e espíritos, refazendo clássicos e vislumbrando o futuro, em que tudo parece construído com ambições de dimensão faraónica, querendo deixar um monumento no seu tempo, e no nosso. É uma compilação luminosa de histórias sonoras épicas que, por entre composições, arranjos e instrumentação pouco convencionais, nos revela em surdina o que podemos ouvir para além desta trilogia, para além da pop, no amanhã da música de Bruno Pernadas."

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segunda-feira, 15 de março de 2021

Os Hammershøi voltam a colocar o nome no radar com 'Cathédrales'

Os Hammershøi voltam a colocar o nome no radar


Chega já no final do mês às prateleiras Cathédrales o segundo disco da dupla francesa de minimal wave Hammershøi. O novo trabalho vem dar sucessão ao disco homónimo que editaram em abril de 2020 e que os colocou debaixo de olho pela sua abordagem multidisciplinar no campo da eletrónica de veias góticas. O projeto que nasceu do confinamento e da comunicação homem-máquina é fortemente influenciado pela velha escola alemã da minimal synth, electro-punk ou dark techno e promete afirmar-se como um dos nomes em ascensão no panorama underground nos tempos vindouros. A prova disso é, além da música de traços altamente aditivos, o curto espaço temporal a que a dupla recorreu para a criação de um novo produto de consumo. 

Apaixonados pelas caixas de ritmos e sintetizadores, em menos de um ano Anne Dig e Ben Montes contrariaram as tendências do mercado e movimentaram-se criativamente por forma a esculpirem dois discos. Embora até à data só possamos ouvir um, Cathédrales, o novo, antecipa-se já como uma boa surpresa deste 2021 com base nos três aperitivos de entrada disponíveis para degustação, "Je te vois", "Ich hatte einen Freund" e "PTMH", abaixo. Para fãs do expressionismo alemão e projetos menos "gentrificados" como Petra Flurr ou Rue Oberkampf.


Cathédrales chega às prateleiras a 26 de março nos formatos físicos CD e vinil e ainda em digital. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


Cathédrales
Tracklist:
01. Je te vois 
02. Ich hatte einen Freund 
03. Hammershøi assassiné 
04. Hélas! 
05. PTMH 
06. Désillusion 
07. Abîmes 
08. Maria S. 
09. Dédales

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Odonis Odonis de regresso aos discos em junho

Odonis Odonis de regresso aos discos em junho


Os Odonis Odonis regressam em 2021 às edições de estúdio com Spectrums, o primeiro trabalho do duo produzido em período pandémico. No novo processo criativo Dean Tzenos e Denholm Whale apostam numa amostra seletiva de elementos sonoros raivosos e ocasionalmente antissociais que, bebendo influências dos trabalhos antecessores, apostam com força numa corrente estética industrial, noise e EBM. Sem nunca deixar de lado o amor pela melancolia gótica e darkwave dos anos 80, os Odonis Odonis abraçam uma eletrónica voraz de intensidade máxima feita para se ouvir numa sala abrasiva e imunda em strobe, no disco que marca a terceira fase na evolução sonora do grupo. Em apresentação do disco, Tzenus avança que: "A ideia de fazer algo pop é um contraste gritante com o nosso último álbum, mas enquanto o projeto continuar divertido e experimental, ele continuará a crescer. Nós agora somos mais como as crianças góticas esquisitas na parte de trás do clube "

O quinto longa-duração da banda será apresentado através de pequenos grupos de músicas lançadas com cores que correspondem ao impacto emocional pretendido. Para dar início à saga os Odonis Odonis escolhem o vermelho nas batidas distorcidas de "Get Out" e a onda minimal de "Salesmen", em duas malhas potentes onde perigo e a raiva têm papel principal conjuntamente com paixão e vida. Fortes e autossuficientes os Odonis Odonis continuam a ser a prova viva de que estagnar é morrer. Antes do azul e do roxo, sintamos o vermelho:



Spectrums tem data de lançamento prevista para 1 de junho em formato vinil e digital pelo selo norte-americano felte records. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


Spectrums
Tracklist:

01. Trust 
02. More 
03. Shadow Play 
04. Impossible 
05. Laced in Leather 
06. A Body 
07. Get Out 
08. Slow Drip 
09. In the Fire 
10. Salesmen

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Cares estreia-se pela Zabra com 'Nerve Days'


Nerve Days vai levar o artista canadiano Cares ao catálogo da multidisciplinar Zabra Records pela primeira vez. O álbum está agendado para sair no próximo dia 26 de março, em edição limitada em cassete e digital.

Cares é o projeto de James Beardmore, músico e produtor de Toronto cuja abordagem à música eletrónica se baseia na sua formação multidisciplinar nas artes visuais, que vai da improvisação livre ao uso intercambiável de hardware, softwares sintéticos, sampling e field recording como elementos basilares para o design de som. 

O primeiro avanço de Nerve Days, "Real Times Curses", estreou na semana passada através da plataforma Insert e o vídeo que acompanha o segundo single “Heather”, desenvolvido por João Pedro Fonseca, já pode ser conferido em baixo.

Em janeiro, a Zabra Records editou Daylight Fireworks, EP de quatro faixas que assinalou a estreia do produtor português Aires pela editora lisboeta.



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Favela Discos publica último volume da série In Trux We Pux


In Trux We Pux 04 é o último de quatro volumes que a Favela Discos desenvolveu ao longo do último ano, encerrando a série – iniciada em outubro de 2020 – que procura expôr um conjunto de correntes sonoras e práticas colaborativas que se têm desenvolvido nas esferas da música experimental feita no Porto. 

Em contraste com o primeiro volume, que mergulhava num espectro mais electrónico da música experimental, o quarto e último volume desta série apresenta uma abordagem mais acústica e física. "Apesar de haver espaço para a interacção com meios de manipulação electrónica", explica o coletivo em comunicado, "os artistas, convidados a colaborar na criação de uma faixa inédita, trabalham maioritariamente os objectos e instrumentos acústicos, sejam eles sopros, percussão, cordas ou cordas vocais". 

Entre os 13 artistas convidados, destacam-se notáveis da cena exploratóriao do Porto como o fundador da Sonoscopia Gustavo Costa, o percussionista e escultor sonoro João Pais Filipe e a dupla DIY Calhau!, que colaboram com talentos emergentes como Diogo Jesus, Dora Vieira e Angélica.

Da quase-música concreta ao noise tribal, In Trux We Pux 04 encontra-se disponível a partir de hoje no Bandcamp da Favela, em vinil e digital. A masterização é de Rafael Silver e a fotografia tem assinatura de Tiago Faria.


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7 ao Mês com Bang Avenue

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Os Bang Avenue são um jovem duo de músicos viseenses - Guilherme Marta (guitarra, voz) e Leonardo Patrício (teclados, voz) - que, por puro acaso, conheceram-se numa altura em que ambos eram estudantes na Universidade de Aveiro e, depois de deduzirem que têm um amor bastante forte pela vertente musical, decidiram eventualmente começar a tocar e a compor juntos. 

Eventualmente esta colaboração entre estes dois músicos engenhosos e inseparáveis começaram a dar frutos, entre eles o EP Not an Album lançado em 2019, que demonstra uma aptidão para criar sonoridades electrónicas suaves e ritmos volúveis, fundidos com riffs de guitarra graciosos e vocais substancialmente leves. Nesta edição do 7 ao Mês, estes jovens talentos são os nossos mais recentes convidados a falar acerca das suas influências musicais. 

Radiohead - In Rainbows (2007) 

 

Quando me perguntam sobre uma recomendação de um álbum, não consigo resistir á tentação de recomendar o In Rainbows, pelo simples facto de ser um masterpiece do início ao fim. A sua sonoridade transporta-me para uma dimensão de conforto, alegria, tristeza e euforia. A textura do som, a forma como cada instrumento se completa, a voz angelical de Thom Yorke, as guitarras e efeitos de Jonny Greenwood, os pormenores tímbricos de Ed O Brian, o baixo firme e quente de Colin e a bateria que nos vibra cada pelo do corpo de Phil Selway. Todo e qualquer som presente no álbum, existe com um propósito, e torna as suas músicas simples, mas complexas e aí está um ponto de grande inspiração musical. [Guilherme Marta]

Frank - I Love You All (2014) 

 

Não me posso esquecer de mencionar o filme que recorro todos os anos antes de decidir compor um álbum. O filme que me inspira e me inspirou a fazer música, tem o nome de Frank, e acompanha um grupo cujo nome é super difícil de pronunciar, e onde cada personagem tem o seu toque de peculiar. O filme encoraja-nos a fazer a nossa música, e a não copiar outros, encoraja-nos a ser criativos e refletir sobre a premissa de que tudo o que nos rodeia pode ser música, e daí partiu a sonoridade dos Bang Avenue[Guilherme Marta]

John Frusciante - Smile from the Streets You Hold (1997) 

 

Este álbum fala por ele próprio, mostra a arte no seu estado mais puro e cru. Conseguimos sentir a dor do artista, pela intensidade que as letras são cantadas, a rouquidão e instabilidade na voz, as guitarras desafinadas e sem qualquer tempo, a gravação crua e não tratada, mostram um dos lados mais negros do artista. [Guilherme Marta]

Uppermost - Revolution (2014) 

 

É dos artistas que sigo há mais tempo, e uma grande influência na forma em que penso quando componho música. Não propriamente em estilo, mas filosofia de tension-release inerte às suas produções, ambientes densos, sampling no seu melhor, inspirado em Justice. Foi ao descobri-lo no SoundCloud por mero acaso há 8 anos atrás, quando ainda me dava ao trabalho de passar horas a escavar por lá, que música eletrónica realmente me começou a entrar e comecei a desenhar os meus instrumentos e sons. Os trabalhos mais recentes dele já não me falam muito, mas naquela época não havia ninguém como ele. [Leonardo Patrício]

Photay - Onism (2017) 

 

Photay de alguma maneira conseguiu traduzir perfeitamente o seu moto enquanto artista, de contemplar o quieto. Ouvir uma peça de Photay é parar no tempo e dar espaço à mente, e costuma ser o meu refúgio quando chego ao fim de um dia saturadérrimo. Descobri-o completamente ao acaso, e é um artista que nunca me farto de ouvir em repeat. Ritmos viciantes, aquele aspeto metalo-orgânico inerte ao som dele, consegue soar wordly e altamente moderno ao mesmo tempo. Não há nenhum álbum dele que não seja no mínimo memorável, e é um exemplo de reivindicação criativa pelo qual tiro um guia muito forte de inspiração. [Leonardo Patrício]

Chico Buarque - Construção (1971) 

 

Este álbum... Já conhecia de longa data, mas parece que foi em 2020 que realmente compreendi este álbum, e durante um mês ou dois quase que não queria ouvir outra coisa, e ainda ouço como se fosse novo no momento em que estou a escrever isto. A melancolia é fortíssima mas extremamente bela neste álbum, não consigo explicar melhor que isto. E é um sentimento que me guia em muitas das minhas composições. É aquela coisa, músicas tristes fazem-nos sentir felizes de alguma maneira. [Leonardo Patrício]

Moullinex - Flora (2012) 

 

Mais especificamente da música “Flora”, é o nosso hino viseense. Traz memórias de verão, das semanas que passávamos na garagem do Marta a ensaiar ou a trabalhar em música, e havia sempre pelo menos um dia em julho em que o Moullinex vinha fazer DJ set à cidade. Reuníamos o pessoal, arranjávamos um ananás e lá íamos nós... Mais importante do que nos inspirarmos em músicas per se é talvez o momento que algumas geram, e que também queremos de certa forma, com as nossas músicas, causar a euforia a quem nos ouve da mesma forma que esta gera connosco e com os nossos amigos. [Guilherme Marta; Leonardo Patrício]

Se quiserem saber mais sobre o trabalho dos Bang Avenue, aproveitem para segui-los através do Facebook, ou pelo Bandcamp, que possui toda a discografia da banda.

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domingo, 14 de março de 2021

Drena Gang continuam a sua sequência de singles com "Beezer Boy"

 


“Beezer Boy” é o nome do novo single dos Drena Gang, grupo de cloud rap experimental originário de diversos pontos do país e constituído por lil cerra hurt, Bernardo Reis (Fagnardo graphic designer), Francisco Seabra (spider mocas), Henrique Teixeira e muitos outros. 

O grupo incorpora assumidamente uma mistura de inspiração e paródia da sonoridade dos suecos Drain Gang, tentando, segundo Henrique Teixeira, “criar uma identidade própria a partir de uma identidade já existente, quase como que pegar num ROM de um jogo de GameBoy e alterá-lo, usando os mecanismos já criados, mas à nossa maneira”. 

O single já está disponível em todas as plataformas streaming. Abaixo, está disponibilizado o videoclip, realizado por João Perdiz, listado na descrição do vídeo:

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