sexta-feira, 26 de março de 2021

[Review] Pharaoh Sanders, Floating Points & The London Symphony Orchestra - Promises



Quando li que um só disco juntava Pharaoh Sanders, Floating Points e a London Symphony Orchestra (LSO), não me perguntei a que soaria; perguntei-me antes o que seria que os juntava, o que sintetizou este momento que, depois de escutado, só pode ser classificado como sublime, delicado, incólume, com tanto de intocado como de intocável. 

Pharaoh Sanders não pode mais ser introduzido sem que isso seja redundante - o mítico saxofonista de jazz espiritual, género do qual é, juntamente com Alice Coltrane e John Coltrane, figura suprema, não passa uma só década sem editar desde os anos 60, com quase 40 álbuns editados desde a sua estreia nos discos de longa duração em 1965. É certo que nem sempre se focou na espiritualidade feita música - a incursão obrigatória pelo jazz fusion nos anos 80 deu-nos momentos interessantes, havendo ainda pequenas paragens pelo cool jazz e os óbvios momentos de free jazz e avant-garde jazz que, invariavelmente, acabam por inspirar a espiritualidade da qual Pharaoh Sanders faz a sua voz e o seu mantra - mas é impensável tentar dissociar o nome do artista oriundo de Little Rock no Arizona deste misterioso subgénero.

É por isso que Floating Points se afigura como um contraponto inicialmente estranho mas ultimamente sensível e indicado do saxofonista octagenário. Apesar de contar com uma carreira assentada fortemente no IDM, house e na electrónica progressiva, é preciso não esquecer que o primeiro álbum do produtor e pianista britânico, Elainea, é uma subtil mistura de jazz contemporâneo com música electrónica experimental, ou que temas mais tardios como Requiem for CS70 and Strings, de 2019, combinam habilmente as tonalidades e cadências de Keith Jarrett com as experiências sónicas de Manuel Gottsching ou Tangerine Dream.

Quanto à LSO, responsável pela interpretação da música composta por Floating Points, não posso dizer nada que os vá engrandecer mais - contam já com colaborações com Elvis Costello ou Paul McCartney e são ainda os grandes responsáveis pela banda sonora da Guerra das Estrelas, com composição e condução de John Williams. Apesar do habitat natural de muitas orquestras não ser o jazz, a colaboração da LSO com Mahavishnu Orchestra no incontornável Apocalypse (tristemente, o penúltimo grande álbum do grupo liderado por John McLaughlin) é currículo suficiente para que estas experiências estejam não só aprovadas como recomendadas. 

Nasce destas três vozes distintas um só corpo coeso e inviolável, um só álbum - Promises, editado a 26 de Março de 20211. A composição assume um registro mais característico do minimalismo contemporâneo, prestando a sua dose saudável de homenagem ao reducionismo e ao seu quase-silêncio. Contudo, apesar destes momentos de quietude quase-absoluta, temos momentos redentores de crescendos assoberbantes protagonizados pela LSO - particularmente no sexto movimento - que nos tiram do nosso transe sem que o mesmo seja perturbado. Em alguns momentos aplica-se a norma de Brian Eno para a música ambient - tão interessante como ignorável - enquanto que noutros são, para lá das cordas da LSO, a electrónica incerta de Floating Points ou a suavidade acutilante do saxofone de Sanders que nos mantêm sempre interessados nesta autêntica lição do que é bonito numa colaboração. 


Mais particularmente, Promises começa com um silêncio grávido e inquietante, eclodindo eventualmente com a simples combinação do que parece ser um cravo e algo análogo a um ideófone de percussão a tocarem a mesma linha repetidamente, abrindo-se entretanto reverberações e misteriosas electrónicas. Pouco passa do primeiro minuto quando o saxofone de Pharaoh Sanders se afirma sem esconder a melodia que o guia. No seu clássico estilo, o saxofonista encontra-se algures entre as notas sustenidas e o improviso livre, de onde surgem pequenos motivos repetidos com uma sintonia assustadora com o resto da secção instrumental. 

No segundo movimento - Movement 2 - as cordas da LSO começam a ocupar os espaços ausentes, num diálogo constante com o saxofone de Sanders. As cordas mudam e ausentam-se em intervalos irregulares mas é constante a emoção indiscritível que nos acompanha. Em Movement 3, aproveitando o silêncio do saxofone, temos um interlúdio em que regressa o motivo inicial em força, criando espaço para que os sintetizadores de Floating Points brilhem, deixando que no Movement 4 tenhamos algo de Meredith Monk em improviso a manifestar-se através de Sanders numa pequena secção de scat sobre um drone - talvez uma nova forma de ouro sobre azul - que abre alas para a suave reintrodução do saxofone. É de notar que a divisão entre movimentos parece escolhida a dedo, com cada movimento a capturar uma ambiência e tom específicos.

É de seguida um dos momentos mais fortes de Pharaoh Sanders que, aliado ao piano eléctrico e sintetizadores de Floating Points, nos oferece uma prestação fenomenal, um banho de saxofone com direito a toda a sua emocionalidade e variação. Em Movement 5, que acaba com arpejos repetitivos de piano eléctrico e órgão a servirem de fundo para o motivo inicial, desta vez interpretado unicamente por piano, temos aquele que é para mim um dos derradeiros momentos do disco, um solo-feito-crescendo de Sanders a deixar-nos numa expectativa imensa para apenas nos deixar ao som do seu abandono, a fazer-nos notar o espaço que antes ocupava. Felizmente, em Movement 6, o mesmo regressa e com ele a secção de cordas manifesta-se com toda a força, iniciando um crescendo que deixa tudo o que não seja o simples motivo inicial para trás. Esta magnitude incremental continua com uma força delicada que nos envolve e seduz continuamente - há momentos em que esta crescente intensidade quebra para depois poder regressar numa obscenidade lírica que é difícil replicar por meras palavras. Dizem que é na poesia que encontramos uma capacidade genuína de exprimir aquilo que não o pode ser, mas este movimento é prova de que há formas para lá da palavra de o fazer.

Movement 7 - de uma nova era, da era Depois do Crescendo (D.C.) - dá-nos uma nova expressão de emoção. Desta vez é Sanders e Floating Points que se unem num diálogo entre dois casos de caos - ora domado, ora descontrolado, ora concordante, ora dissonante. Os últimos dois minutos são uma tour de force do saxofonista norte-americano, que se desprende da matriz rítmica que o acompanhava e liberta a livre forma do jazz e sintetiza num curto espaço de tempo aquela tão famosa descrição de Lisa Simpson - "you have to listen to the notes [he's] not playing". No oitavo e penúltimo movimento os ânimos acalmam - começamos a perceber que um fim iminente se avizinha, mas não sem que o órgão de Floating Points brilhe e tenha direito às suas mudanças de humor: quase de súbito ouvimos um silêncio que mostra aquilo que John Cage queria transmitir com a sua 4'33'' - o que se ouve quando não há nada a tocar. Abre-se assim o palco para que o Movement 9 se despeça gentilmente de nós, entrando a LSO momentaneamente em algo de indeterminância, recusando seguir uma linha tonal específica, até terminar numa sucessão de acordes sustenidos que dão lugar a um momento final em que aquilo que nos resta é aquilo com que começámos - silêncio. 

Numa nota e sonoridade certamente diferentes mas com intenções semelhantes, lembra-me o trabalho de Actress com a London Contemporary Orchestra - trabalhos criativos na interface entre a música "clássica" e a música electrónica contemporâneaPromises é uma colaboração que, neste aspecto e ao contrário de muitas promessas, não desilude - é uma combinação pouco intuitiva, é certo, mas que se evidencia como fazendo todo o sentido. É uma combinação que nos mostra que a barreira entre aquilo que era a música erudita e aquela que os comuns mortais escutam pode - e deve - ser quebrada para que novas maneiras de fazer e escutar música possam ser sintetizadas. 

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gnration transmite espetáculo multidisciplinar Máquina Magnética online


O gnration apresenta, este sábado, o espetáculo Máquina Magnética, performance multidisciplinar que reúne o duo de música eletrónica @c, o percussionista Gustavo Costa e o designer e artista intermédia Rodrigo Carvalho.

"Partindo da invisibilidade do gesto eletrónico como elemento de exploração musical e cénica", explica a organização, a eletrónica digital do duo composto por Miguel Carvalhais e Pedro Tudela encontra a percussão customizada de Gustavo Costa e a luz e vídeo em tempo real de Rodrigo Carvalho, que se juntam em palco para uma performance que tem o espaço e a experimentação como pontos comuns.

Miguel Carvalhais e Pedro Tudela colaboram como @c desde 2000, desenvolvendo música, arte sonora, instalações e performances sonoras ou audiovisuais. O seu trabalho desenvolve-se em três abordagens complementares à arte sonora e à música digital – a composição procedimental, a música concreta e a improvisação – e tem sido apresentado, ao longo dos anos, em diversos contextos associados à arte contemporânea.

Gustavo Costa é reconhecido com um dos músicos portugueses mais relevantes e profícuos da sua geração. Baterista e compositor, é um dos fundadores da associação Sonoscopia e colaborou com notáveis da da música contemporânea como John Zorn, Jamie Saft ou Frtiz Hauser

Rodrigo Carvalho é um designer e artista intermédia do Porto. Fundador do Openfield Creativelab, o seu trabalho foca-se sobretudo na interação em tempo real entre som, imagem e movimento, tendo sido apresentado em vários pontos do mundo em festivais dedicados à arte tecnológica e cultura digital.

Máquina Magnética foi filmado à porta fechada nas instalações do espaço criativo bracarense e será transmitido gratuitamente no site, facebook e youtube do gnration, assim como no facebook do Rimas e Batidas.



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quinta-feira, 25 de março de 2021

Lavender Rose: uma união de forças entre Blissful Fields e Night Princess


"Burn" é o single de estreia dos Lavender Rose, duo constituído pelo português Night Princess e o nova-iorquino Blissful Fields (outrora conhecido como Assonance), lançado ontem via Soundcloud.

Esta faixa é uma união de forças dos projetos a solo dos dois artistas, no qual podemos ver uma fusão do estilo de ambos os artistas numa só canção. De um lado, temos o hip-hop instrumental com pitadas de vaporwave (Blissful Fields), do outro, o HexD frenético de Night Princess. Dissolvendo os dois no mesmo copo, acabamos por testemunhar a criação de uma espécie de garage-hexd, onde a inquietação das baterias e a melancolia dos sintetizadores cohabitam pacificamente.

O single pode ser ouvido abaixo:


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Vasco Completo anuncia álbum de estreia, Wormhole

©Beatriz Passos

Vasco Completo anunciou o lançamento do seu primeiro álbum. Wormhole está agendado para sair no dia 15 de abril pela Monster Jinx e assinala a estreia do multi-instrumentista em longa-duração.  

"Pessoal e transmissível", lê-se nas notas de lançamento, o primeiro álbum em nome próprio do artista anteriormente conhecido como Caco representa “a contemplação da arquitetura emocional que o torna quem ele é, pessoal e musicalmente”. O seu primeiro avanço, “Lullaby for the Inebriate”, conta com a voz adulterada de Carolina Caldeira, que já havia contribuido com vocais no EP de estreia de Caco.

Em entrevista concedida ao Rimas e Batidas, o músico (que também desempenha funções enquanto jornalista) descreve o single como “uma reflexão sobre a passagem do tempo em estados alterados”. Confiram-no em baixo.

Vasco Completo juntou-se à Monster Jinx em junho de 2020 com o tema “Pack Your Bags“. Entretanto, Completo contribuiu com mais um punhado de temas esporádicos para o selo lisboeta e, juntamente com Maria, MAF, DarkSunn e SlimCutz integra o projecto Monster Jinx Type Beat.


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WolfX em entrevista:"Este disco é o descobrir da minha voz e da minha escrita"


O seu nome é David Wolf. WolfX é o seu novo alter-ego, aliando-se ao já conhecido When The Angels Breathe, os dois projetos a solo do músico, produtor (e também realizador) que integrou bandas como os Uni_Form e She Pleasures HerSelf

Num ano em que as restrições pandémicas obrigam a um confinamento mundial, esta é também uma altura em que os artistas se recolhem para o interior da arte que lhes toca e expelem, num ato único e criador, o que lhes vai na alma. 

Estivemos à conversa com WolfX, falámos do seu novo disco e dos singles que o antecipam. De Kafka, Orson Welles, Poe, Shakespeare, entre outros estímulos pessoais, circulámos à volta da memória que nos dá o que ler de seguida neste presente.


Qual o primeiro som que te lembras de escutar, que idade tinhas, onde estavas e o que fazias nessa altura?

David Wolf (DW) - O primeiro som que me lembro de ouvir e de cantarolar, tinha três anos de idade e foi o “Um Café E Um Bagaço” do Rui Veloso. Depois lembro-me que tive meses e meses a cantarolar esse som numa guitarra de plástico que os meus pais me tinham oferecido (existem fotos dessa altura). Nada óbvia a resposta, eu sei (risos).

Nessa altura, já sabias o que querias ser quando fosses grande?

DW - Queria ser médico-cirurgião. E músico, cantor. O médico-cirurgião ficou para trás.

Ficou o Músico e o Cantor (leia-se e diga-se com letra grande), a música também é cura, concordas?

DW - Sim concordo, mas agora dava jeito ser médico-cirurgião, acho que saía a ganhar e sempre via sangue todos os dias (risos).



Nesta altura, em plena pandemia, demasiado “sangue” derramado numa terceira guerra mundial contra um inimigo invisível, até que ponto interfere na música que fazes hoje?

DW - Interfere em tudo. As músicas deste disco são um retrato do sofrimento que estamos a viver, de nos sentirmos bloqueados, manipulados por uma força superior a nós, das vivências que tenho tanto psicológicas, como física, é um espelho da minha alma nesta fase este disco.

Uma libertação, portanto.

DW - É tudo isso e muito mais. Este disco é o descobrir da minha voz, da minha escrita. É ter encontrado finalmente o caminho da minha libertação psicológica e intelectual. Através da música consigo expandir todos os sentimentos, bons e maus, que passam pela minha mente, sem ter ninguém a censurá-los, nem ter que me redimir em nada. É uma descoberta do meu próprio ser. É uma viagem pelo meu intelecto desde que me conheci como pensador até à atualidade.

Assim se expande a arte.

DW - Aqui neste disco exponho também as minhas grandes referências literárias tais como o Edgar Allan Poe, William Shakespeare, Kafka, Nietzsche, George Orwell. Claro que tudo de um ponto de vista diferente. 

Consideras ser o teu próprio influenciador com aliados de peso que também deixaram a sua marca no mundo, teu, nosso, concordas?

DW - A literatura influencia muito a minha escrita, mas o cinema acho que ainda influencia mais. Desde sempre que crio paisagens sonoras para histórias que idealizo, desde que comecei o meu outro alter-ego When The Angels Breathe, e claro que estes filósofos /escritores me influenciaram muito, tal como o Fernando Pessoa. Claro que não são só estas as minhas inspirações, as pessoas também me influenciam - as relações amorosas, - nesta fase deu para refletir muito sobre a minha existência e isso está retratado neste disco.

Este teu novo disco, vais avisar-nos quando sair, certo? Até lá, onde podemos encontrar-te para te escutarmos melhor?

DW - Sim, vou avisar claro. Mas a ideia deste disco é ir lançando singles. Até ao lançamento vamos ter um vídeo para cada tema, o lançamento do disco é o culminar dos singles todos.

Fala-nos de "Traffic", o teu primeiro single neste projecto.

DW - "Traffic" retrata uma situação muito triste e pouco falada nos dias de hoje. Fala sobre tráfico humano. Pessoas que são roubadas e exploradas para todo o tipo de experiência maléficas. Tais como são retratadas no mítico filme de Eli Roth, Hostel - “They Cry, They Scream and Beg for Salvation”.

Conta-nos sobre o teu segundo single "Zombies".

DW - O segundo single, "Zombies", retrata uma sociedade oprimida e manipulada pelos media e o início de um grande pesadelo que foi o aparecimento de um vírus desconhecido que mais tarde se transformou no famoso coronavírus. É um grito de socorro e de esperança ao mesmo tempo. Uma dicotomia dos tempos de hoje.

E sobre “Wish”?

DW - “Wish” porque é o desejo de uma vida normal como a que tínhamos antigamente, o desejo de voltar aos concertos e de sentir o palco nos pés novamente e o som das palmas nos ouvidos.

Para a concretização de Wish, WolfX tem um contrato de dez anos com uma editora que é, para ele, uma grande influência e referência desde a infância: a Cleopatra Records, editora de Los Angeles, que inclui no seu no seu catálogo musical nomes como Gary Numan, Ministry, The New Order, Motorhead, The Damned, Soft Cell e muitas outras bandas .A obra completa de WolfX está disponível no seu bandcamp e pode ser acedida aqui.


Entrevista por: Lucinda Sebastião

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quarta-feira, 24 de março de 2021

Salvador Sobral anuncia novo álbum e lança novo single


Salvador Sobral lançou hoje "Sangue do Meu Sangue", um novo single que serve também como forma de anunciar o seu terceiro álbum em nome próprio, bpm, que tem data de lançamento prevista para o próximo dia 28 de maio. Um dos destaques deste próximo álbum cai no facto de ser a grande estreia de Salvador Sobral enquanto compositor. Para realizar tal trabalho, o artista lisboeta trabalhou em equipa com o venezuelano Leo Aldrey, com quem partilha palco com o grupo indie Noko Woi, tendo isso influenciado na estrutura do próprio single lançado, que dá espaço ao piano mas deixa os clímaxes para a guitarra elétrica.

Segundo o próprio Salvador, este álbum destaca a ideia "de que o elemento mais forte que nos une são os bpm (batimentos por segundo)", destacando também que todo o conceito do álbum originou-se de algo a que o artista denomina de "insónias produtivas". Para acompanhar instrumentalmente as composições de Sobral e Aldrey, teremos Abe Rábade (piano), André Rosinha (frequências graves), André Santos (guitarra) e Bruno Pedroso (bateria).

Para apresentar a obra, Sobral já tem agendado diversos concertos: a 25 de junho no Centro Cultural de Belém, em Lisboa; a 30 de junho no Teatro Sá da Bandeira, no Porto;  a 9 de julho no Teatro Municipal de Bragança; a 17 de setembro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada; e outros concertos em Espanha, nomeadamente em Madrid e em Barcelona.

O single já está disponível em todas as plataformas streaming. Abaixo, segue-se o videoclip deste novo single, realizado por Jeb Jorba:

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Combustão Lenta disponibiliza 'Love Is Fine', de Sal Grosso, em CD e cassete


Pouco mais de um ano depois da sua edição digital, o álbum Love Is Fine, de Sal Grosso, está disponível em edição limitada em CD e cassete. 

Editado originalmente em fevereiro de 2020, Love Is Fine é uma homenagem a Mark Hollis, voz e alma dos Talk Talk, e sucede o anterior Lets all just go wild and put our hands in the air a bit, de 2018. Pensado e concretizado em quatro dias no Quarto Escuro, no Porto, o disco juntou António M. Silva, autor do projeto, a Ricardo Cabral (bateria, percussões, baixo, flauta e microfones) e José Miguel Silva (teclados, bateria, percussões e guitarra).

Em comunicado enviado à imprensa, o produtor de Lamego explica: 

"Lembro-me de fechar o "Love Is Fine" algures em 2019 e sentir que tudo era certo. Os concertos, as colaborações, as road trips, os abraços em festa… O mundo era nosso e nada parecia tão importante como contar os dias até partilhar este disco convosco. Entretanto a vida continuou, um problema de saúde tirou-me o ânimo com que tinha começado 2020 e a pandemia que se seguiu trocou-me as voltas e atirou o "Love Is Fine" para um futuro incerto, indefinido e até improvável. Mas agora é 2021 e aqui estamos outra vez. Com um pouco mais de ânimo, um pouco mais de fôlego e a certeza de que o amor é mais importante que nunca. E a perseverança, a resiliência e a união também. Por isso decidi trocar as voltas à vida, esquecer a incerteza e dar ao "Love Is Fine" a concretização que ele merecia. estes discos e estas cassetes (feitos em casa com todo o amor) são vossos."

Love is Fine encontra-se disponível para compra no Bandcamp, podendo a encomenda ser feita também por email ou através de mensagem privada nas redes da Combustão Lenta, que volta a selar este lançamento.


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Cold Wave: Soul Jazz anuncia série de antologias dedicada à nova eletrónica Europeia


A editora britânica Soul Jazz Records anunciou uma nova série de antologias. Designada Cold Wave, esta nova coletânea pretende investigar “artistas electrónicos europeus contemporâneos que foram moldados pelos primeiros artistas europeus de cold wave do final dos anos 70 e início dos anos 80”. O primeiro volume está agendado para sair no próximo dia 21 de Maio, com um segundo volume agendado para o mês de junho.   

“Além dos primeiros artistas eletrónicos, no wave e pós-punk citados como influências – Suicide, Patrick Cowley, The Normal, Martin Hannett, Laurie Anderson, Public Image – esta nova geração de artistas revela também uma diversa e aberta fonte de influências eletrónicas díspares, tudo desde Underground Resistance a Purcell, de Scientist a New Beat e muito mais”, explica a Soul Jazz nas notas de lançamento.  

A grande maioria dos artistas selecionados para o primeiro volume encontram-se baseados na Europa, incluindo Krikor, Dissemblance, VQOA e Celine Gillian, de França, De Ambassade da Holanda, Moisture da Suécia, Kriedler da Alemanha e Carcass Identity da Bélgica.   

A primeira edição de Cold Wave estará disponível em duas edições em vinil duplo – uma prensagem única em vinil laranja e outra em vinil preto – e uma versão em CD que inclui um booklet/fanzine com material relativo aos artistas selecionados para o alinhamento. 


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Arigto lançam EP inspirado em Persona, filme de Bergman

© Marco Popelly


Arigto
é um duo alemão formado por Noah and Sebastian, que integra na sua essência sonoridades electrónicas experimentais e minimais. Nos últimos dois anos, o duo tem-se mostrado bastante ativo com diversos lançamentos - o álbum unseen, untold, forgotten e o EP Blind Immaterialist, merecedor do carimbo da editora holandesa 
DIVISION Records, e ainda um EP colaborativo com o compositor Nicolas Sávva, Prancing on the edge of the abyss which, editado no final de 2020, com o selo da berlinense NVMPHS. Arigto foi também responsável pela autoria da banda sonora da curta-metragem The Island of the Dolls, de Julio César Padilla.

Persona é o mais recente trabalho de Arigto, EP onde os elementos eletrónicos anómalos e pesados a que habitualmente recorrem são substituídos por elementos acústicos e texturas neoclássicas. Inspirado no mítico filme Persona de Ingmar Bergman, como indica a capa, que é uma refilmagem de uma imagem estática do filme executada pelo fotógrafo russo Marco Popelly, Persona consiste essencialmente em gravações acústicas de violoncelo e percussão, altamente processadas e apoiadas em experimentos vocais de Yifeat Ziv. Este registo conta também com as versões de Christine Ott e Tilman Robinson para a faixa de abertura “Contorted Figures”.

Masterizado por Lawrence English nos Negative Space studios, Persona chegou às plataformas digitais a 19 de março. Podem escutá-lo aqui.


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terça-feira, 23 de março de 2021

Black Midi regressam com novo álbum em maio


Os britânicos Black Midi anunciaram o lançamento do aguardado segundo álbum. Cavalcade está agendao para sair no próximo dia 28 de maio pela Rough Trade e o seu primeiro avanço, "John L", já se encontra disponível nas principais plataformas de streaming.

De acordo com o comunicado enviado à imprensa, a "base" de Cavalcade foi desenvolvida no final de 2019, logo após o lançamento do aclamado álbum de estreia Schlagenheim, que mereceu várias indicações nas listas de melhores do ano. O álbum foi produzido por Marta Salogni e John 'Spud' Murphy nos estúdios Hellfire, em Dublin e inclui dois novos membros: Kaidi Akinnibi (saxofone) e Seth Evans (teclados). 

O primeiro avanço de Cavalcade, "John L", conta com a participação de Jerskin Fendrix no violino e vem acompanhado de um caleidoscópico vídeo dirigido pela coreógrafa e diretora criativa Nina McNeely, cujo admirável currículo inclui projetos com Rihanna e Gaspar Noé. Confiram-no em baixo.



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Andy Stott anuncia novo álbum, Never The Right Time


Andy Stott anunciou que vai lançar novo álbum. Never The Right Time assinala o primeiro lançamento do produtor de Manchester desde It Should Be Us, EP editado em 2019, e está agendado para sair no próximo mês de abril pela inglesa Modern Love.

O LP de nove faixas é o primeiro registo de longa-duração de Stott desde Too Many Voices, editado em 2016 pela Modern Love, e inclui vocais da pianista e colaboradora de longa-data Alison SkidmoreNever The Right Time é "movido a nostalgia e busca pela alma", segundo comunicado enviado à imprensa, e vem no seguimento de uma "uma proposta para produzir para um artista completamente mainstream", acontecimento que obrigou a atrasar o lançamento do álbum para 2021. 

“The Beginning” é o seu primeiro avanço e já se encontra disponível nas várias plataformas digitais. Confiram-no em baixo.


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Dada Garbeck em entrevista: "Quis mostrar a minha forma de ver o Jazz"

 

Rui Souza, pianista, organista e compositor oriundo de Guimarães, é o mentor por detrás de Dada Garbeck, projeto em que a música serve como ponto de reflexão sobre a teoria do eterno retorno e a dimensão não linear do tempo. Cosmophonia é o terceiro capítulo da tetralogia que o músico iniciou em 2019 - The Ever Coming - e foi editado a 19 de fevereiro, com o selo da Discos de Platão.

Em conversa com Rui Souza falámos sobre novo disco, as suas inspirações, os projetos comunitários em que está envolvido, o que o futuro lhe reserva, e muito mais. Oiçam a entrevista completa, disponível em baixo.

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