sábado, 3 de abril de 2021

Stara Rzeka e Mauricio Takara unem-se em torno da krautrock em disco ao vivo

Saiu ontem o mais recente esforço que junta Stara Rzeka e Mauricio Takara. Numa parceria que une o Brasil à Polónia, Live at CCSP foi editado em formato digital com o selo colaborativo da Brutality Garden e da Desmonta

Live at CCSP é um disco que reúne as memórias de um concerto que a dupla deu no Centro Cultural São Paulo, no ano de 2015. Stara Rzeka veio para São Paulo munido apenas de uma guitarra, um sintetizador de bolso e um monte de pedais de guitarra, e reuniu-se logo com Mauricio Takara no primeiro dia. Os músicos começaram a tocar juntos num ensaio durou apenas uma hora e meia. A energia estava lá, a comunicação estava lá, a afinidade musical era leve, natural e cheia de respeito mútuo, por isso decidiram não ensaiar demais e guardar os melhores excertos para o concerto. Essa atitude espontânea foi capturada neste disco ao vivo, resultando num trabalho que capta a essência do bom e velho krautrock, barulhento e de alta voltagem, onde a abordagem psicadélica de Stara Rzeka se funde instintivamente com os ritmos incessantes de Takara. 

A capa de Live at CCSP é da responsabilidade de Wilhelm Sasnal. Podem escutá-lo na íntegra aqui:

Em março, a Brutality Garden editou Natures. Vol.1, novo EP de T'ien Lai que mereceu a nossa atenção. 

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Maria Reis regressa com novo EP, A Flor da Urtiga



Dois anos após o lançamento de Chove na Sala, Água nos Olhos, a estreia de Maria Reis em longa-duração, a cantora e compositora de Lisboa está de regresso com novo EP. A Flor da Urtiga é, segundo notas do lançamento, um conjunto de cinco "canções sobre a família, o amor, o abismo emocional e a integridade – e outras coisas pelo meio", e encontra-se disponível desde esta sexta-feira no Bandcamp da artista.

A Flor da Urtiga foi gravado entre novembro e dezembro de 2020 e conta com o auxílio de Noah Lennox, isto é, Panda Bear, um dos fundadores dos americanos Animal Collective que assina créditos na produção e instrumentação do disco. O EP assinala o primeiro lançamento de Maria Reis em 2021 e o seu terceiro em nome próprio, depois  ter assinado um dos melhores lançamentos de 2019 com o excelente Chove na Sala, Água nos Olhos, que valeu à líder das Pega Monstro a entrada em várias listas de melhores desse ano. Antes, em 2017, Reis já havia editado o EP Maria.

Com mistura e masterização de Leonardo Bindilatti (Rabu Mazda, Iguanas) e capa de Sara GraçaA Flor da Urtiga pode ser escutado desde já abaixo.


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'Trier' é o primeiro avanço a solo de JOB

'Trier' é o primeiro avanço a solo de JOB
Fotografia de Cátia Job

Depois de uma sessão a cru, na qual cantou promessas em vão e a felicidade na amargura, JOB editou pela primeira vez. Chama-se "Trier" e é a nova faixa a solo do artista portuense, interpretada e produzida na íntegra pelo próprio. Saiu dia 31 de março.

O tema nasce de "um poema sobre a dor de não reavermos o passado", confessa o artista em declarações à Threshold Magazine. "A realidade muda a cada instante (...) e por isso nos lembramos [do passado] com uma lágrima no canto do olho", acrescenta.

Com um instrumental assente num "loop de cordas tão inconsequente como a vida", a canção vem celebrar "alguém que não desiste de tentar apesar do insucesso". Em quase oito minutos, JOB dá som à dolorosa e inevitável passagem do tempo num registo indie pop-rock, com alguns toques jazzy à mistura.

"Na madrugada de um 25 de dezembro, quando o Pai e a Mãe Natal me ofereceram uma Squier Stratocaster, disse para mim mesmo que ia fazer música para o resto da vida", conta-nos o artista. Enamorado pelas cordas da guitarra, Filipe Job passeia há algum tempo pelos recantos da música.

O cantor-compositor havia já participado em Pedra Mol, com o álbum Cedo Erguer. Tratava-se de "um projeto com mais gente envolvida" que chegou, entretanto, a um fim. "Agora, sou mesmo eu, o JOB, enquanto pessoa e artista", declara.

Aficionado da música portuguesa, deixa claro que "o fado é uma influência que todos os portugueses carregam quer queiram, quer não". Entre Amália Rodrigues, Ana Moura e CarminhoJOB guarda também, nas suas inspirações, nomes como Clã, Ornatos Violeta e os vários projetos de Manel Cruz. Salienta ainda Benjamim, que considera ser "a nova peróla da música portuguesa".

A pandemia traça um caminho para o futuro feito a passos pouco certos. Com "um par de músicas" em fase de confeção, JOB espera "mais alguns ensinamentos" para voltar a compôr. 

Até lá, fica na companhia de "Trier", já disponível no Youtube.


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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cold Cave editam novo EP em junho


Cold Cave, o projeto synthpop de Wes Eisold e Amy Lee, anunciou o lançamento de um novo EP. Fate in Seven Lessons é composto por sete faixas inéditas e está agendado para sair no próximo dia 11 de junho pela Heartworm Press. O seu primeiro avanço, "Night Light", já se encontra disponível. Confiram o vídeo em baixo.

Segundo nota enviada à imprensa, "Night Light" é sobre “agarrar-se ao amor da mesma forma que as pessoas se agarram à religião e escapam das armadilhas do tempo. É uma ode à luz no escuro e um hino de fim de noite a tudo o que não foi dito". 

Fate in Seven Lessons sucede o anterior EP You & Me, de 2018, e inclui o single "Promise Land", publicado em 2019. O último álbum de Cold Cave, Cherish The Light Years, saiu em 2011 pela Matador.


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STREAM: JOHANNA - Heirloom Mask


No seu primeiro registo com o selo da paulistana problemas dos outros, Heirloom Mask, JOHANNA leva-nos numa viagem caleidoscópica ao longo do dia, desde o sol da manhã escaldante à brisa marítima da madrugada. O alter ego da artista e antropóloga paulistana Joana Yamaguchi, que há alguns anos mora, estuda e trabalha na cidade de Ho Chi Minh, no Vietname, evoca uma aventura musical de 30 minutos onde as identidades culturais, nacionais e de classe se fundem e no qual parece que somos solicitados a alegrar-nos num ponto de apoio tão ténue e fantasmagórico de identidade, tempo e espaço.

Os encontros espectrais e fugazes com a identidade, a pertença e a pretensão de pertencer, como uma brasileira tentando sobreviver no Leste Asiático, são as matérias-primas que JOHANNA usa para transformar pastiche em pastiche, simulacros em simulacros, visão em visão; um método para atingir a única materialidade do hiperreal: a vibração eterna e obsessiva do que nunca pode ser.

Heirloom Mask reúne sete faixas que se cruzam pelos campos da eletrónica de facetas ambient e sonoridades conceptuais da Fourth World e está disponível em formato digital desde 25 de março. Podem escutá-lo na íntegra abaixo.

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Kælan Mikla matam saudades com novo tema, "Sólstöður"



Choros e lamentos ganham primazia em "Sólstöður" o primeiro tema inédito das islandesas Kælan Mikla desde que há três anos editaram o mundialmente aclamado Nótt eftir nótt (Artoffact Records, 2018). Sempre com grande foco na imagem, no novo tema as princesas góticas voltam a apostar num trabalho audiovisual a contrastar entre o preto e branco e com uma aura sobrenatural sempre em evidência. Mais experimentais que no passado, no novo tema vigoram ainda vocais de desespero numa ambiência que bebe influências ligeiras do post-metal sem nunca deixar os sintetizadores tomarem o plano secundário.

Com foco no solstício de inverno, "Sólstöður" é o tema que os góticos precisavam de ouvir para renovar a energia sugada pela falta de liberdade dos dias que correm. Completamente tingido de negro ouvimos Laufey Soffía cantar: "Winter night; we are your true dark daughters" num auto retrato completamente sincero e rodeado de uma beleza inerte tão tocante como já é hábito do selo Kælan Mikla. O novo tema, que não avança com quaisquer detalhes face a uma edição futura, pode absorver-se abaixo com direito a um clipe audiovisual de assinatura de Pola Maria.

"Sólstöður" foi editado esta sexta-feira, 2 de abril, em formato self-released e digital, podendo ser adquirido aqui.



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STREAM: SUIR - Studio Session

STREAM: SUIR - Studio Session

No início de março a dupla alemã SUIR deu-nos a boa nova do lançamento de uma nova edição física intitulada Studio Session, que chegaria às plataformas de streaming no início do mês de abril, atribuindo novos contrastes e tonalidades aos sons de SOMA que tão queridinhos se tornaram para nós em 2018 e ainda repescar umas ambiências da estreia Ater (2017). Com abril no campo de ação e sem um plano de execução na linha dos concertos ao vivo os SUIR oferecem-nos agora Studio Session, um disco tocado ao vivo, para matar as saudades dos concertos. No seu home studio Denis Wanic e Lucia Seiss regravaram uma seleção de faixas dos álbuns anteriores numa versão que captura a sensação crua e intensa dos seus concertos e que deixa vigorar uma vontade intensa de vivenciar esta experiência única no mesmo espaço físico que os SUIR

A edição que recebe o formato físico em vinil - numa edição limitada já esgotada - e ainda em CD, inclui sete faixas onde se encontra "Not Accustomed To Be Hurt" vestida como a única faixa inédita do lançamento e a conservar a linha depressiva e melódica dos anteriores registos. Em Studio Session voltamos a consumir a melancolia suave e inerte em que os SUIR tão bem têm trabalhado nos últimos anos, numa versão que aporta traços mais vívidos em músicas sempre tão emotivas. Do disco, destaque para o clima delicado de "Intro", as atmosferas mais coloridas de "Calamity" e, ainda, o ambiente absorvente de "Gewalt". 

Studio Session chegou às prateleiras esta quinta-feira (1 de abril) em formato vinil e digital pela chancela da editora holandesa Wave Tension Records e em CD e cassete numa edição de autor. Podem comprar a vossa edição através deste link e ouvir a edição completa abaixo.


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Novo EP de VR SEX chega no final do mês



Há dois anos Noel Skum (Andrew Clinco/Deb Demur de Drab Majesty) juntou-se a Z. Oro (Aaron Montaigne de Antioch Arrow/Heroin/DBC) e Mico Frost (Brian Tarney) para dar vida aos VR SEX, projeto concentrado em temas líricos que abordavam as possibilidades da perda de autonomia através das mídias sociais, o declínio da interação humana e o favoritismo de celebridades. Posteriormente com o período pandémico em voga, os VR SEX focam-se novamente nas tecnologias digitais, mas desta vez numa rede mundial de destruição, sem nunca deixar esquecido um playground outrora inocente e que se transformou num lugar panótico para pedófilos e predadores que esperam, observam, atacam e perseguem. Seguindo a linha dos anteriores trabalhos os VR SEX voltam a apostar numa edição curta-duração que contará com quatro novos temas inéditos que tem data de lançamento prevista para o final do presente mês.

Intitulado Cyber Crimes - para descrever bem o contexto de almas atormentadas e escondidas por trás de um ecrã - do registo já se pode escutar o primeiro tema "Minor Case", banhado em guitarras destiladas, uma distorção viciante e um trago de post-punk revival pronto para assanhar as playlists mais underground e se fazer cantar alto em uníssono. Sobre o novo lançamento - desprovido de sátira e sarcasmo - Cyber Crimes apresenta-se como um prato musical do lado das almas vitimadas, tentando servir como um relato moderado para o estado atual das coisas. "Minor Case" pode saborear-se abaixo.



Cyber Crimes EP tem data de lançamento prevista para 30 de abril pelo selo Dais Records no formato vinil e digital. Podem fazer a pre-order do registo aqui.



Cyber Crimes EP Tracklist:

01. Rock N' Roll Death 
02. Minor Case 
03. Dog Complex 
04. Lawyer Up

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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Ecco2k regressa com EP surpesa, PXE



Pouco mais de um ano depois do aclamado álbum de estreia E, Ecco2k está de regresso com um EP surpresa. PXE é composto por cinco faixas cantadas e produzidas exclusivamente pelo músico e designer de moda anglo-sueco, que juntamente com Whitearmor, Yung Sherman, Bladee e Thaiboy Digital forma o seminal coletivo Draing Gang.

Ecco2k explica que as músicas que formam este EP tomam "um rumo  transcendental e surrealista", arrastando o ouvinte para um ambiente "íntimo e despojado" onde se encontra apenas Ecco e uma guitarra.  O autor de "Peroxide" acrescenta ainda que o PXE  circula à volta das ideias de sinceridade e da vontade de ser-se mais cru e sem filtros – "é sobre estar bem com o que sou". O EP vem acompanhado de um complemento visual do ilustrador Freddy Carrasco e apresenta um diálogo entre dois personagens fictícios: Ecco e Echo. Confiram-no em baixo.

Ecco2k, ou seja, Zak Arogundade, nasceu em Londres mas foi criado em Estocolmo, onde se encontra a residir. É designer, modelo, diretor artístico e um dos fundadores do coletivo Draing Gang que, a par dos conterrâneos Sad Boys, de Yung Lean, formaram o cânone do movimento cloud rap do início da última década. O seu álbum de estreia, E, chegou nos metros finais de 2019 e cruzou rap, eletrónicas e sensibilidade pop de modo inventivo, definindo um ponto de viragem no percurso ascendente do artista.

PXE recebe o selo da sueca YEAR0001 e encontra-se disponível nas várias plataformas digitais.


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Amanita: o clássico dos Bardo Pond vai ser alvo de reedição


Formaram-se em 1991, em Filadélfia, editaram 12 álbuns de longa-duração e um corpo  infindável de EPs, cassetes e CD-Rs. Exploraram os limites aparentes da guitarra, aplicando ruídos e silêncios em igual medida, caos e harmonia interligados a partir de um único ponto unificador: a improvisação livre. 

A 8 de outubro, a propósito do seu 25ª aniversário, a Matador vai conferir o tratamento de luxo ao segundo álbum dos Bardo Pond, Amanita, que voltará a estar disponível numa edição comemorativa em vinil duplo de cor roxa.

Editado originalmente a 3 de abril de 1996, Amanita assinala a mais recente entrada na série Revisionist History, campanha da Matador que pretende revisitar alguns dos mais importantes lançamentos do histórico selo americano que se encontram prestes a comemorar um aniversário significativo.

Gravado pela formação de John Gibbons (guitarra), Michael Gibbons (guitarra), Isobel Sollenberger (voz, flauta), Clint Takeda (baixo) e Joe Culver (bateria), Amanita assinalou um ponto de viragem na mentalidade criativa do grupo. “Foi um manifesto de tudo o que estávamos a tentar fazer”, explica Michael Gibbons em comunicado. "Foi realmente um modelo para tudo o que fizemos depois. Éramos uma unidade real - tão criativos, simplesmente a inventar novos riffs. Havia músicas, mas ainda estavam enraizadas na nossa base de improvisação livre. Tínhamos uma beleza, mas também um impulso muito forte em ser dissonantes.”.

O restante do catálogo da banda - Lapsed (1997), Set and Setting (1999) e Dilate (2001) - será reeditado ainda este ano junto com uma compilação de raridades em vinil duplo. 

A Matador disponibilizou ainda um tema inédito, "Shadow Puppet", cujo vídeo poderão conferir em baixo.




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CIGA239 junta Drena Gang e Assafrão em "Boylife/Ravelife"


"Boylife/Ravelife" é o mais recente lançamento da CIGA239, coletivo artístico de produtores comprometidos com a edição e divulgação de música eletrónica e experimental com raízes na região de Coimbra.

Um "quick shoutout para toda a rapaziada cujo tempo é gasto a pensar em merdas", como indica a nota enviada à imprensa, "Boylife" é o emergente hino trap da Drena Gang, coletivo interregional de cloud rap português. O tema foi produzido no final do verão de 2020 e recebe agora novo tratamento pelo produtor Assafrão, que acelera os pesados 111 BPMs do original para um frenético rave feito de breaks implacáveis.

O single assinala o quinto lançamento da CIGA239 e encontra-se disponível no Bandcamp. A masterização ficou a cargo de Caucenus e a foto é de Fábio Nobrega.

Em março, a Drena Gang publicou o seu mais recente tema, "Beezer Boy", cujo vídeo, realizado por João Perdiz, mereceu a nossa atenção.


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quarta-feira, 31 de março de 2021

My Bloody Valentine assinam pela Domino, disponibilizam catálogo nas plataformas streaming


Os My Bloody Valentine assinaram pela Domino, que disponibiliza a partir de hoje todo o catálogo da influente banda de shoegaze (entre 1988 e 2013) nas principais plataformas de streaming. 

Os seminais álbuns de estreia do grupo – Isn't Anything (1988) e o definitivo Loveless (1991) – foram totalmente remasterizados a partir das fitas originais e vão receber novo tratamento de luxo, com edição em vinil a sair no próximo dia 21 de maio. m b v (2013),  o terceiro e último álbum dos irlandeses até à data, também estará disponível, pela primeira vez, em vinil (standard e de luxo). Também incluído neste plano de reedições está a compilação ep’s 1988-1991 and rare tracks, que inclui You Made Me Realise, Feed Me With Your Kiss, Glider Tremolo, e que voltará a circular no mercado em formato CD.

A Domino está a disponibilizar ainda uma série de vídeos restaurados, publicados ao longo do dia, no seu canal de Youtube.  O vídeo que acompanha "Soon", um dos singles retirados de Loveless, já pode ser conferido em baixo.

Em entrevista concedida ao New York Times esta quarta-feira, Kevin Shields revelou também que o grupo tem dois álbuns planeados para os próximos tempos – um mais "caloroso e melódico", outro mais experimental. Bilinda Butcher acrescenta ainda que a finalização das gravações deverá estar pronta ainda no fim deste ano.

Os My Bloody Valentine são um dos pilares fundacionais do movimento shoegaze que assolou o rock britânico do início da década de 1990. Formado em 1983, em Dublin, o grupo só viria a conhecer o alinhamento clássico em 1987, quando Bilinda Butcher se juntou ao grupo de Kevin ShieldsDebbie Googe e  Colm O'Ciosoig. A banda assinou pela Creation Records em 1988, por onde lançou os seus dois primeiros LPs – Isn't Anything e o sucessor Loveless (o último considerado um dos pináculos da música shoegaze e um dos melhores da década de 90). 

O grupo chegou ao fim pouco tempo depois do lançamento do segundo, derivado aos elevados custos envolvidos na sua produção (e que quase levaram a Creation à falência). A banda voltou a reúnir-se em 2007 e, seis anos depois, em 2013, regressou com um muito aguardado terceiro álbum: m b v recebeu aclamação geral por parte da crítica especializada e foi apresentado ao vivo na segunda edição do então Optimus Primavera Sound, no Porto nesse mesmo ano.


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terça-feira, 30 de março de 2021

gnration transmite peça-vídeo de Homem em Catarse e Francisco Oliveira


A partir de uma peça visual criada pelo artista multidisciplinar Francisco Oliveira, Homem em Catarse vai dar a conhecer Sete Fontes, o mais recente álbum de Afonso Dorido desenvolvido em residência no gnration. 

Construído integralmente ao piano durante os períodos de pausa da pandemia e inspirado em locais de Braga, Sete Fontes é uma criação resultante do Trabalho da Casa, ciclo que promove a criação e a apresentação de novos trabalhos por artistas locais. Partindo da reflexão que o disco faz sobre o território, Francisco Oliveira, que também assume a produção do disco, entregará uma dimensão visual que propõe uma outra reflexão sobre um território informal através de manipulação videográfica e de técnicas de modelação 3D.

Afonso Dorido é fundador do coletivo post-rock Indignu. Sete Fontes assinala o seu quinto álbum a solo e sucede o anterior sem palavras | cem palavras, de 2020. 

Francisco Oliveira é artista multidisciplinar, licenciado em Artes Plásticas na FBAUP e mestrando em Multimédia, na área de Design de Som e Música Interativa na FEUP. Integra o colectivo Bergado/Terebentina e está sediado no Porto, onde vive e trabalha. 

A peça-vídeo será transmitida no dia 1 de abril, pelas 22h, num stream simultâneo do gnration (facebook, youtube e site) e Rimas e Batidas (facebook), e estará disponível para visualização durante 48 horas. 


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O triciclo regressa com quatro meses de nova música portuguesa


O ciclo de concertos triciclo está de volta com quatro meses de música entre abril e julho, com o reagendamento de todos os concertos adiados deviado ao confinamento decretado em janeiro desde ano. Noiserv, The Twist Connection e Paraguaii são alguns projetos que vão apresentar os seus novo trabalhos neste ciclo de concertos itinerante promovido pelo Munícipio de Barcelos.

A programação arranca a 23 de abril, com o rock’n’roll dos The Twist Connection no Theatro Gil Vicente. A banda de Coimbra vai apresentar o novo disco Is That Real? (2020), o terceiro registo de longa-duração do grupo liderado por Kaló (Tédio Boys e Bunnyranch).

Em maio, o Museu de Olaria abre as portas à música eletrónica. Ghost Hunt (7 de maio) e Conferência Inferno (13 de maio) apresentam os seus novos discos. A 29 de maio, Homem em Catarse vai apresentar o resultado da sua residência artística no Theatro Gil Vicente. O barcelense Afonso Dorido vai preparar, em residência artística, a apresentação ao vivo do novo disco Sete Fontes e apresentá-lo em primeira mão na sala de espetáculos barcelense. Sete Fontes, um disco exclusivamente tocado ao piano, foi composto no âmbito da iniciativa “trabalho da casa”, do gnration, no início do ano de 2021.

Os Paraguaii preparam-se para lançar Propeller, o quinto disco da banda de Guimarães, que promete confrontar o público com uma toada dançante do primeiro ao último minuto. A apresentação do disco está marcada para o Theatro Gil Vicente, a 4 de junho.

Ainda em junho, Noiserv apresenta o novo Uma Palavra Começada Por N (2020), um disco mais confessional e que se aproxima dos ouvintes através de canções em português. O “homem-orquestra” toca no Theatro Gil Vicente a 26 de junho.

Os concertos passam a realizar-se ao ar livre em julho. A dupla Paisiel (4 de julho) e o projecto galego Trilitrate (18 de julho) prometem espetáculos desconcertantes no Largo Dr. Martins Lima.

Todos os bilhetes estão disponíveis na bilheteira do Theatro Gil Vicente, BOL e locais habituais.

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segunda-feira, 29 de março de 2021

The Lizard of Oz - Patrícia's Lullaby [Threshold Premiere]

 

The Lizard of Oz - Patrícia's Lullaby [Threshold Premiere]
Fotografia de David Rodrigues


Chama-se "Patrícia's Lullaby" e é o primeiro avanço do duo The Lizard of Oz, um "projeto colaborativo que une a eletrónica de Nuno Moita às improvisações de piano de David Rodrigues", segundo se lê em nota enviada às redações. A faixa insere-se no álbum de estreia Electric Ivories, com data de lançamento marcada para dia 6 de abril, com selo da editora experimental Black Hole Time Warp.

Esta premiere chega à Threshold Magazine esta segunda-feira, dia 29 de março, com a finalidade de "assinalar o Dia do Piano" através de uma "homenagem à influência de um instrumento intemporal na história da composição musical, com especial enfoque no seu contributo para a história da música eletrónica".

São mais de duas horas de música, ao longo das quais "o duo explora o potencial da fusão musical num desafio colaborativo inédito para ambas as partes envolvidas". Trata-se de "juntar eletrónica e piano num ambiente experimental, no qual os ouvidos dos autores ditam as únicas regras".

Nuno Moita, natural de lisboa, é dono da Black Hole Time Warp e está por trás de projetos como Draftank e (Quadrado em Loop). Além de ser um dos fundadores da Grain of Sound, label de eletrónica experimental por onde assinou Cinza, um projeto multimédia que une fotografia e música eletrónica, entre outros, reúne ainda colaborações com Vítor Joaquim e André Gonçalves.

David Rodrigues constitui a outra metade do duo, ele que "gosta (mesmo muito) de brincar com o piano com os mesmos instintos sónicos e desvirtuosismo nato de uma criança", o que originou trabalhos como Unmerry Christmas e Nightmareveillon

Rodrigues tinha na sua posse "um cartão SD com muitas músicas, vários solos de piano improvisados", conta à Threshold Magazine. Num encontro com Moita, a um debate ébrio e bastante longo sobre a existência de Deus, sucedeu-se um total de zero conclusões. "Não chegámos a conclusão nenhuma, então, decidimos fazer um álbum", explica. 

The Lizard of Oz nasce, assim, fruto do questionamento divino, da acumulação musical e de substâncias inebriantes, que culminaram na fusão da eletrónica experimental com o piano. 

O álbum estará disponível a partir de dia 6, no Bandcamp da Black Hole Time Warp. Até lá, fica com a premiere de "Patrícia's Lullaby".


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STREAM: Septeto Interregional - Septeto Interregional



Ficou disponível na passada sexta feira em todas as plataformas digitais o disco homónimo de estreia do projecto colaborativo Septeto Interregional. Resultante de um desafio lançado pelo Musicbox à Lovers & Lollypops, o mesmo será ainda editado em formato k7, já disponível para compra no bandcamp da editora. 

Há uma surpresa em ouvir música criada num momento específico para perceber que são sons que vivem fora desse momento específico. Essa é a magia, ou a realidade – para usar uma palavra mais terrena -, do álbum homónimo dos Septeto Interregional. Noutra perspectiva, são canções de esperança, nascidas das firmes concepções das relações que o cenário pandémico criou, sejam elas sociais, passionais, culturais ou criativas.

Os apoios da Câmara Municipal de Lisboa para manterem a cultura viva inspiraram o Musicbox a convidar uma série de músicos, de diferentes bandas, a criarem com os meios e as relações possíveis da distância imposta. A Lovers & Lollypops responsabiliza-se por editá-los. Seis músicos oriundos de diferentes pontos do país e com aspirações e ambições musicais diferentes: Arianna Casellas (Sereias), Mr. Gallini (Stone Dead), Rafael Ferreira (Glockenwise), Rodrigo Carvalho (Solar Corona), Violeta Azevedo (Savage Ohms) e Zezé Cordeiro (Equations) e um designer gráfico, Serafim Mendes.

Música de resistência? Só no papel. Superbanda? Nah. As dificuldades e o presente não os fizeram procurar o que normalmente se espera nestas situações: o presente. Daí a ideia de música de esperança, embora seja um raio de luz sobre como se pode encadear o mundo com uma criação limitada pela realidade, ela não é afectada pela realidade: e isso sente-se de imediato nos dois primeiros singles do Septeto Interregional, “Para Que Te Sorprendas” e “Disvorce”.

Sete canções de – e com – futuro. As diferentes origens – geográficas e musicais – dos músicos, e a vontade de existir num mundo que não os tem deixado existir – como seres criativos, comunicativos e expansivos –, desencadearam possibilidades para construírem mel-pop que desrespeita as convenções e as proximidades com formas. Ou a preocupação com a língua falada/ouvida. O medo por experimentar foi-se, qualquer distância entre os músicos – física e psicológica – extingue-se nos sonhos infinitos de canções como “Gangrena”, “Marea”, “Para Que Te Sorprendas” ou “Ninjam”, que se ouve como uma “Here Comes Your Man” subaquática. Canções de sonho, de esperança ou para um futuro em que possamos estar todos juntos outra vez.

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domingo, 28 de março de 2021

Dianna Excel reflete percurso enquanto mulher trans em ‘XL’

  

Já aterrou nas plataformas digitais XL, o álbum de estreia de Dianna Excel. Disponível desde sábado de forma independente, o primeiro LP da cantora-produtora reflete o seu percurso enquanto mulher trans, acompanhando o início da sua jornada de transição hormonal. 

Como indicam as notas de lançamento, XL é uma “coletânea de faixas explosivas, emocionais e introspectivas” que têm na voz de Dianna o seu “guia estrutural”. Ao longo de doze faixas de eletrónicas viperinas, Dianna explora a textura e a ambiência dos seus sons através de narrativas que alternam entre o real e a ficção, a transformação e os efeitos que esta provoca no seu corpo.  O seu primeiro avanço, “Chuva Cai”, foi revelado no passado dia 17 de março, no canal de Youtube de Dianna, e vem acompanhado de um vídeo dirigido por Sandra Varela.  

Produzido, vocalizado, misturado e masterizado por Dianna Excel, que responde também pelo nome Baby Sura (e que produz algum do mais urgente trap feito em Portugal), XL encontra-se disponível para escuta e compra no Bandcamp. A capa  tem a assinatura de Lume Brando que, junto de Dianna, “navega este processo de evolução identitária e hormonal”.


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